Livro II · DIREITO DAS OBRIGAÇÕESTítulo I · Das obrigações em geralCapítulo VI · Garantias especiais das obrigaçõesSecção IV · PenhorSubsecção II · Penhor de coisas

Artigo 673.ºUso da coisa empenhada

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo protege o penhor (a pessoa que coloca um bem como garantia de uma dívida) contra o mau uso ou negligência do credor. O credor tem direito de reter a coisa empenhada, mas não pode utilizá-la de forma contrária às regras legais, nem agir de modo que a coloque em risco de deterioração ou perda. Se o credor violar estas obrigações — por exemplo, usando o bem empenhado para fins próprios ou negligenciando a sua conservação — o penhor pode exigir duas medidas: que o credor apresente uma garantia adequada (caução) para cobrir danos futuros, ou que o bem seja entregue a um terceiro neutro (depositário) para salvaguarda. Esta disposição equilibra os interesses das partes: garante ao credor o direito sobre a coisa, mas impede que a abuse ou deixe deteriorar-se, prejudicando o penhor.

Quando se aplica — exemplos práticos

Uso indevido de máquina agrícola penhorada

Um agricultor empenha a sua máquina de rega como garantia de um crédito. O credor começa a utilizá-la diariamente nas suas atividades comerciais, sem manutenção regular. O agricultor, vendo o equipamento deteriorar-se prematuramente, pode exigir que o credor deposite a máquina junto de um terceiro independente ou que preste caução para compensar o desgaste acelerado.

Negligência na conservação de joias penhoradas

Uma pessoa coloca joias de valor como penhor para garantir um empréstimo. Meses depois, descobre que o credor as armazenou num local húmido e sem proteção, corroendo os metais preciosos. O penhor pode exigir que as joias sejam depositadas num cofre seguro ou que o credor preste garantia adequada pelos danos causados.

Veículo penhorado utilizado comercialmente

Um condutor coloca o seu automóvel pessoal como garantia de uma dívida. O credor, indevidamente, começa a utilizá-lo como táxi, aumentando exponencialmente o desgaste e o risco de acidente. O proprietário pode exigir que o veículo seja entregue a um depositário ou que o credor preste caução para cobrir eventual desvalorização.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
Se o credor usar da coisa empenhada contra o disposto na alínea b) do artigo 671.º, ou proceder de forma que a coisa corra o risco de perder-se ou deteriorar-se, tem o autor do penhor o direito de exigir que ele preste caução idónea ou que a coisa seja depositada em poder de terceiro.
54 palavras · ID 775A0673

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