Livro II · DIREITO DAS OBRIGAÇÕESTítulo II · Dos contratos em especialCapítulo IV · LocaçãoSecção VII · Arrendamento de prédios urbanosSubsecção IV · Cessação

Artigo 1083.ºFundamento da resolução

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Texto consolidado · última atualização a 11 de maio de 2026

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece as razões pelas quais qualquer das partes pode terminar um contrato de arrendamento urbano. O inquilino pode resolver o contrato se o proprietário não realizar obras essenciais que comprometam a habitabilidade. O proprietário pode resolver por incumprimentos graves do inquilino, como violação de regras de higiene e vizinhança, utilização ilegal do imóvel, mudança de uso não autorizada, abandono por mais de um ano, ou cessões ilegais. Também pode terminar se o inquilino atrasar o pagamento da renda por três meses consecutivos. Existe ainda um mecanismo adicional: se o inquilino atrasar mais de quatro vezes em 12 meses (mesmo que dias diferentes), o proprietário pode resolver, desde que tenha avisado por carta registada após o terceiro atraso.

Quando se aplica — exemplos práticos

Inquilino com atrasos recorrentes

Um arrendatário atrasa o pagamento da renda em janeiro, março, junho e setembro. Após o terceiro atraso (junho), o senhorio envia carta registada informando da intenção de resolver. No mês seguinte, pode terminar o contrato com fundamento válido, mesmo que os períodos de mora tenham sido curtos.

Violação de regras de vizinhança

Uma inquilina organiza festas frequentes com ruído excessivo, causando incómodo aos vizinhos. O proprietário documenta as reclamações e pode resolver o contrato com base na violação grave de sossego e boa vizinhança, desde que notifique adequadamente.

Mudança de uso não autorizada

Um arrendatário aluga um apartamento destinado a habitação mas instala uma pequena oficina de trabalho. Esta alteração de uso, mesmo sem prejudicar o imóvel, constitui fundamento legítimo para o proprietário resolver o arrendamento.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Qualquer das partes pode resolver o contrato, nos termos gerais de direito, com base em incumprimento pela outra parte. 2 - É fundamento de resolução o incumprimento que, pela sua gravidade ou consequências, torne inexigível à outra parte a manutenção do arrendamento, designadamente quanto à resolução pelo senhorio: a) A violação de regras de higiene, de sossego, de boa vizinhança ou de normas constantes do regulamento do condomínio; b) A utilização do prédio contrária à lei, aos bons costumes ou à ordem pública; c) O uso do prédio para fim diverso daquele a que se destina, ainda que a alteração do uso não implique maior desgaste ou desvalorização para o prédio; d) O não uso do locado por mais de um ano, salvo nos casos previstos no n.º 2 do artigo 1072.º; e) A cessão, total ou parcial, temporária ou permanente e onerosa ou gratuita, do gozo do prédio, quando ilícita, inválida ou ineficaz perante o senhorio. 3 - É inexigível ao senhorio a manutenção do arrendamento em caso de mora igual ou superior a três meses no pagamento da renda, encargos ou despesas que corram por conta do arrendatário ou de oposição por este à realização de obra ordenada por autoridade pública, sem prejuízo do disposto nos n.os 3 a 5 do artigo seguinte. 4 - É ainda inexigível ao senhorio a manutenção do arrendamento no caso de o arrendatário se constituir em mora superior a oito dias, no pagamento da renda, por mais de quatro vezes, seguidas ou interpoladas, num período de 12 meses, com referência a cada contrato, não sendo aplicável o disposto nos n.os 3 e 4 do artigo seguinte. 5 - É fundamento de resolução pelo arrendatário, designadamente, a não realização pelo senhorio de obras que a este caibam, quando tal omissão comprometa a habitabilidade do locado e, em geral, a aptidão deste para o uso previsto no contrato. 6 - No caso previsto no n.º 4, o senhorio apenas pode resolver o contrato se tiver informado o arrendatário, por carta registada com aviso de receção, após o terceiro atraso no pagamento da renda, de que é sua intenção pôr fim ao arrendamento naqueles termos.
362 palavras · ID 775A1083

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Como citar este artigo

Artigo 1083.º do Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro). TogaAI — Legislação. Texto consolidado à data de 11 de maio de 2026. Disponível em: https://togai.pt/legislacao/codigo-civil/artigo-1083

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