Livro I · Da ação, das partes e do tribunalTítulo IV · Do tribunalCapítulo V · Das garantias da competênciaSecção II · Incompetência relativa

Artigo 107.º(art.º 113.º CPC 1961) Tentativa ilícita de desaforamento

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo protege contra uma prática processual desonesta: quando alguém apresenta uma ação judicial contra uma pessoa que não é o verdadeiro responsável, apenas para conseguir que o processo seja julgado num tribunal diferente daquele que seria competente. Por exemplo, demandar um sócio inocente em vez da empresa responsável, para mudar de tribunal. Se o tribunal descobrir que isto aconteceu, a decisão marca o tribunal como incompetente e o autor (quem abriu o processo) é condenado em multa e em indemnização por litigância de má-fé. Esta regra garante que as pessoas não conseguem contornar as regras de competência territorial através de manobras processuais fraudulentas.

Quando se aplica — exemplos práticos

Desaforamento por demanda de pessoa inocente

Um empresário de Covilhã demanda o gerente de uma empresa de Vila Real (em vez da própria empresa) para conseguir que o caso seja julgado em tribunal de Covilhã. O gerente levanta exceção de incompetência. O tribunal descobre que o verdadeiro responsável é a empresa. O tribunal julga-se incompetente e condena o empresário em multa e indemnização.

Acção contra familiar para mudar jurisdição

Uma pessoa abre ação contra o cônjuge de seu devedor, visando fazer o processo correr num tribunal diferente. O cônjuge não tem relação com a dívida original. O tribunal reconhece a incompetência relativa por tentativa de desaforamento e condena o autor em multa e indemnização por litigância de má-fé.

Demanda de terceiro neutro para evitar forum competente

Um credor demanda um contabilista que elaborou um parecer sobre o seu devedor, quando a verdadeira questão é com o devedor. Isto é feito para evitar o tribunal competente para a causa. A defesa invoca incompetência. Confirmada a manobra, o tribunal condena o autor em multa e indemnização.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
A incompetência pode fundar-se no facto de se ter demandado um indivíduo estranho à causa para se desviar o verdadeiro réu do tribunal territorialmente competente; neste caso, a decisão que julgue incompetente o tribunal condena o autor em multa e indemnização como litigante de má-fé.
45 palavras · ID 1959A0107
Assistente jurídico TOGA

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