Provedor de Justiça
Recomendação n.º 6/B/2008
- Data
- 2008-06-19
- Meio processual
- RECOMENDAÇÃO
- Emitente
- Número: 6/B/2008
Texto integral (3080 palavras)
Número: 6/B/2008
Data: 19-06-2008
Entidade visada: Ministro de Estado e das Finanças
Assunto: Património do Estado – confisco – igreja de Santo António de
Campolide, Lisboa.
Processo: R-126/05 (A1)
RECOMENDAÇÃO n.º 6/B/2008
[artigo 20.º, n.º 1, alínea b), da Lei n.º 9/91, de 9 de Abril]
I
1. Tenho a subida honra de me dirigir a Vossa Excelência, a fim de formular
Recomendação que, estou certo, não deixará de considerar, face às
motivações que passarei a expor. Trata-se de reparar uma injustiça de longa
data e trata-se de pôr termo – ao fim de quase um século – de um dos últimos
dolorosos episódios que afectaram as relações entre o Estado e a Igreja
Católica, no conturbado período que se seguiu à implantação da República,
em 5.X.1910.
2. O Estado de direito cuja conquista e consolidação nos orgulhamos de
representar presta contas com o seu passado. Sempre e aonde lhe é possível,
como neste caso, ao corrigir excessos de antanho, reforça a coesão nacional
e, com a desejável serenidade que só o tempo propicia, considera séria e
honestamente a liberdade religiosa de católicos e não católicos, de crentes e
não crentes, sem as peias da história e dos ressentimentos de parte a parte.
3. Justifica-se a minha intervenção junto de Vossa Excelência, já na sequência
de anteriores diligências, por motivo do notório estado de degradação em que
se encontra a Igreja de Santo António de Campolide, o qual compromete, não
apenas a prática religiosa da comunidade católica local, o seu bem-estar e
segurança, como compromete ainda a fruição de um imóvel classificado por
imperativos de natureza histórica e arquitectónica.
4. E o ponto está em que este imóvel, confiscado à Companhia de Jesus, em
8.X.1910, permanece, desde então, no património do Estado, a um
primeiro tempo, sem obras de conservação ordinária, depois, sem obras
de reparação, e hoje, com indisfarçável pudor para todos, sem obras
urgentes de beneficiação que evitem o colapso e salvaguardem o imóvel
contra os elevados riscos de incêndio.
1
5. Não menos paradoxal é o facto de a Igreja de Santo António de Campolide se
encontrar classificada pelo Decreto da Presidência do Conselho de Ministros
n.º45/93, de 30 de Novembro 1 , como imóvel de interesse público, «como
harmonioso exemplo da arquitectura revivalista da época de tipologia neo-
românica».
6. A pergunta que qualquer cidadão formulará, neste caso, é aquela que me
permito formular a Vossa Excelência: por que motivo insiste o Estado em
preservar, sem preservar, em manter, sem manter, em guardar, sem guardar,
um imóvel cuja primeira utilidade é a de prover ao culto religioso dos
católicos da paróquia de Santo António de Campolide, em Lisboa?
7. O imóvel não está em condições de servir à prática religiosa, compromete a
razão de ser da classificação arquitectónica que o Estado lhe reconheceu e
continua infelizmente a poder ser apontado como um ponto sensível nas
relações de separação e cooperação entre o Estado e a Igreja Católica. Trata-
se, é bom recordá-lo, de um imóvel confiscado.
8. Tomado conhecimento de que, ao cabo de numerosas e prolongadas
diligências, o Estado admite equacionar «a cessão do imóvel (...) a título
definitivo e oneroso», depois de avaliado o mesmo, creio não se estar no bom
caminho. Vender um imóvel confiscado a quem dele se viu arbitrariamente
privado, em condições deploráveis de segurança e de conservação seria, por
duas vezes, num intervalo de 98 anos, cometer uma injustiça que a este órgão
do Estado cumpre prevenir.
II
9. início da construção da igreja remonta a 8.XII.1879, e já em 30.IV.1883, Sua
Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Sebastião Neto presidia à
solene dedicação do templo, o qual se enquadra no conjunto formado pelo
designado Colégio de Campolide, actualmente afecto à Universidade Nova
de Lisboa.
10. O infortunado destino do templo, haveria de estar ligado à sorte da
Companhia de Jesus, muito embora não se lhe aplicasse o decreto de
28.V.1834 que extinguira «todos os Conventos, Mosteiros, Collegios,
Hospicios e quaesquer Casas de Religiosos de todas as Ordens Regulares»,
pois a aquisição do imóvel e a construção da igreja são muito posteriores.
1
Diário da República, I Série-B, n.º 280, de 30.11.1993.
2
11. Contudo, o confisco decretado em 8.X.1910, obnubilado pelo excesso de zelo
revolucionário, reeditaria o confisco de 1834, incidindo nos bens entretanto
adquiridos. Particularmente arbitrário mostra-se o artigo 8.º, ao dispor que os
bens das associações ou casas religiosas sejam «arrolados e avaliados e as
casas ocupadas pelos jesuítas declaradas pertença do Estado, sem
procedência de arrolamento e avaliação».
12. Se o Decreto de 18.IV.1901 autorizara a constituição de congregações
religiosas, temperando a intransigência, esta medida seria declarada nula pelo
citado Decreto de 8.X.1910 (artigo 4.º) e decretada a expulsão dos religiosos
que não abandonassem voluntariamente o território nacional. Justificava-se a
providência com o suposto valor supra-constitucional dos éditos de expulsão
herdados do absolutismo de D. José I – o de 3.IX.1759 e o de 28.VIII.1767.
13. Seguiram-se tristes episódios de violência e de ultraje, a cujo relato me
dispenso, para que se não julgue que a presente Recomendação é
impressionada pelas brutais contingências da época.
14. Dir-se-á, apenas, que a Igreja de Santo António foi profanada, em 1910,
transformada em depósito de sucata e, mais tarde, afecta à Farmácia Central
do Exército.
15. Se a Lei da Separação, de 20.IV.1911, pretendia dar sinais de garantia a
uma liberdade religiosa plural, o certo é que, no seu artigo 92.º, mandava que
«os edifícios que forem aplicados ao culto catholico pelos jesuítas não mais
poderão ter esse destino e serão utilizados pelo Estado para qualquer fim de
interesse social».
16. Por seu turno, a Constituição de 1911 reconhecia a liberdade de consciência e
de crença e previa tratar por igual, política e civilmente, todos os cultos
(artigo 3.º, n.º 4 e n.º 5), mas restringia-se a liberdade religiosa à intimidade
da vida privada e com restrições que o nosso actual texto constitucional
repudiaria: abolição do ensino religioso nas escolas públicas e nas escolas
privadas fiscalizadas pelo Estado, dissolução da Companhia de Jesus, de
todas as congregações religiosas e ordens monásticas 2 .
17. São bem conhecidas as tribulações por que passaram Estado e Igreja no
período ulterior e adivinha-se como terão sido dolorosas para os católicos
portugueses, para a sua liberdade, dignidade e consciência, as invectivas de
parte a parte que culminaram com a suspensão das relações diplomáticas com
2
JORGE MIRANDA, A Concordata e a Ordem Constitucional Portuguesa, in A Concordata de 1940
Portugal / Santa Sé.
3
a Santa Sé e com a Lei da Separação de 20.04.1911. O Governo Provisório
da República deixou de reconhecer a personalidade jurídica da Igreja
Católica, confinando a uma mera existência de facto as designadas
associações cultuais, desde que independentes da jurisdição eclesiástica.
18. Ainda o Decreto de 15.VII.1926 insistia em não reconhecer personalidade
jurídica senão às pessoas colectivas organizadas pelas igrejas e confissões
religiosas, não segundo um estatuto próprio compatível com a liberdade
religiosa, mas de harmonia com o direito corporativo comum.
19. Mais tarde, as leis de excepção por motivos religiosos foram abolidas e a
Companhia de Jesus seria reconhecida como corporação missionária por
decreto de 12.V.1941, no âmbito da distensão marcada pela Concordata com
a Santa Sé de 1940.
20. O Decreto-Lei n.º 30.615, de 25 de Julho de 1940, reconheceu à Igreja
Católica a propriedade de alguns bens que lhe pertenciam em 1.X.1910 e que
se encontrassem na posse do Estado (artigo 41.º). Exigia-se prévio
requerimento, mas não a organização de processo privativo, contanto se
tratasse das associações e organizações referidas nos artigos III e IV da
Concordata.
21. Já antes, porém, a igreja conhecera um novo episódio. Assim, como a
denominada Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e do Senhor Jesus da
Via Sacra se vira espoliada do extinto Convento de Sta. Joana, sito à Rua de
Sta. Marta, em 28.II.1938, a igreja e parte do terreno do antigo Colégio de
Campolide tinham-lhe sido cedidas, a título precário, ao abrigo do disposto
no artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 24.489, de 13 de Setembro de 1934.
22. Ali se admitia que os bens do domínio privado do Estado pudessem ser
objecto de cessão «a título precário, por despacho do Ministro das Finanças,
para utilização dos diversos Ministérios ou dos serviços deles dependentes, e
ainda para fins de elevado interesse público 3 , estabelecendo-se naquele, as
condições a que a cessão fica sujeita».
III
4
23. A Concordata de 18 de Maio de 2004 , é um tratado internacional sobre
liberdade religiosa que acentua os traços de cooperação entre o Estado e a
Igreja Católica, celebrada depois da Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho, ter visto
3
Sublinhado nosso.
4
Diário da República, I Série-A, n.º 269, de 16 de Novembro de 2001.
4
a luz do dia e compartilhado com a generalidade das confissões religiosas o
essencial do estatuto concordatário. A conquista da liberdade religiosa,
constitucionalmente consagrada pela actual Constituição, pode dizer-se que
muito ganhou no alargar do estatuto jurídico da Igreja Católica às demais
igrejas e confissões religiosas, em lugar de o amputar para padrões de escalão
inferior.
24. Reconhecendo nas aspirações de cada homem e mulher ao transcendente,
individual ou colectivamente, como gesta fundamental da sua dignidade e do
desenvolvimento da personalidade, a ordem jurídica nacional «declara o seu
empenho na afectação de espaços a fins religiosos» (artigo 25.º, n.º 1, da
Concordata).
25. A nova Concordata, ultrapassadas as contingências históricas de 1940, parece
hoje um bom exemplo de salvaguarda da comunidade católica portuguesa no
quadro dos demais acordos celebrados entre a Santa Sé e outros Estados no
termo dos regimes totalitários da órbita soviética: (i) autonomia do Estado e
da Igreja no respeito recíproco do seu direito de auto-determinação e
disponibilidade de colaboração; (ii) respeito da liberdade religiosa da pessoa;
(iii) tarefa comum de respeitar e proteger a dignidade humana e os direitos do
homem; (iv) assentimento de que a fé cristã, a vida eclesial e a acção
caritativa e solidária contribuem para o bem comum dos cidadãos numa
sociedade plural 5 .
26. A liberdade religiosa não é mais um privilégio nem tão-pouco se reduz a um
gesto de tolerância.
27. Não se compreende, pois, como sobrevivam estatutos que se sugerem, nos
nossos dias, anacrónicos, como o da Igreja de Santo António de Campolide.
Ainda que nominalmente classificada como de interesse público, desde 1993
- o que incumbiria ao Estado prover à sua «conservação, reparação e restauro
de harmonia com plano estabelecido de acordo com a autoridade
eclesiástica» - a sua afectação permanente ao serviço da Igreja, a sua
restituição, ao fim de quase um século de confisco, em nada desobrigariam o
Patriarcado de Lisboa e a Paróquia de Santo António de Campolide a
observarem as pertinentes prescrições relativas ao património arquitectónico,
à sua guarda e fruição (artigo 22.º).
5
CARLOS CORRAL SALVADOR – Los concordatos en el Pontificado de Juan Pablo II , in Universalismo,
Princípios e Coordenadas, Cadernos Forum Canonicum, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa,
2004, p. 30.
5
28. Não se descortina, assim, benefício ou utilidade para que o Estado se
mantenha proprietário do imóvel, quando, nos termos da Concordata, não
pode o templo ser afecto a outro fim de interesse público (artigo 24.º):
a) não é preservado, nem se prevê que o Estado possa investir na sua
reabilitação, de acordo com as repetidas e sucessivas intervenções
junto dos vários departamentos do Estado, de onde resulta uma lesão
para a fruição do património cultural classificado;
b) discrimina os católicos moradores em Campolide, privados de um
local de culto seguro, condigno e apto a desenvolver relações de
fraterna solidariedade, de onde resulta uma diminuição significativa na
liberdade religiosa individual e comunitária;
c) ampara um confisco, um episódio cuja perpetuação em nada serve aos
interesses de um Estado de direito plural, inclusivo e social.
29. Como se compreenderá, nem a Irmandade nem a Paróquia estarão em
condições de investir as avultadas verbas que a requalificação do imóvel, de
ano para ano, vem agravando, ao mesmo tempo que o Estado insiste em não
lho restituir.
30. De outro modo, estariam as autoridades eclesiásticas e os paroquianos aptos a
valerem-se de apoios e subvenções – particulares e oficiais – como o
Programa de Equipamentos Urbanos de Utilização Colectiva que inclui
equipamentos religiosos, contanto que na posse de instituição particulares de
interesse público e sem fins lucrativos 6 .
7
31. Já em 2001, a ex-Direcção-Geral do Património considerara «muito
pertinentes as razões invocadas na petição do Patriarcado de Lisboa para a
entrega definitiva, situação que deveria ser extensível a outras igrejas no
âmbito da revisão da Concordata».
32. Assinada, aprovada, ratificada e entrada em vigor a nova Concordata, nada se
alterou, porém. É certo que se prevê uma comissão bilateral para o
desenvolvimento da cooperação quanto a bens da Igreja que integrem o
património cultural português (artigo 23.º, n.º 3), mas nada se dispôs sobre
bens do Estado que integrem o património religioso católico e se mostrem
necessários à satisfação das necessidades eclesiais.
6
Despacho n.º 7.187/2003, in Diário da República, II Série, n.º 86, de 11.04.2003.
7
Informação n.º 60/DSE/2001.
6
33. Até há pouco, a alienação de bens imóveis do domínio privado do Estado
para fins de interesse público encontrava-se regulada no Decreto-Lei n.º
97/70, de 13 de Março, admitindo que razões ponderosas, devidamente
fundamentadas, pudessem determinar a cessão gratuita.
34. Este diploma foi expressamente revogado pelo Decreto-Lei n.º 280/2007, de
7 de Agosto (artigo 128.º, alínea j)), contudo, aplica-se apenas aos
procedimentos iniciados a partir da sua entrada em vigor (artigo 124.º, n.º 1).
35. Encontra-se ampla e exaustivamente documentada a iniciativa deste
procedimento muito antes da entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 280/2007.
36. De qualquer modo, porém, nada impede o Estado – antes pelo contrário
– de adoptar uma medida legislativa excepcional que permita a cedência
gratuita de um imóvel, em especial, quando o facto aquisitivo é, a todos
os títulos, um facto ilícito.
37. Não se tratou de uma expropriação, não se tratou de uma
nacionalização, mas de um verdadeiro e próprio confisco, de uma
espoliação cujos fins políticos não encontram acolhimento na nossa
ordem constitucional nem nos valores que norteiam a ordem jurídica da
Comunidade Europeia e a Convenção Europeia dos Direitos do Homem,
de 1950.
38. Mal se compreenderia a aplicação das regras sobre venda de imóveis do
domínio privado do Estado justamente a quem desse mesmo bem se viu
esbulhado sem contrapartida alguma.
39. E menos ainda se admitiria esse expediente quando o erário público não
investiu um cêntimo na conservação nem na recuperação do imóvel, caso
se propusesse vendê-lo em estado de ruína parcial, desprovido das mais
elementares condições de segurança e salubridade.
40. Fosse o interessado na aquisição um terceiro, e seriam justamente de aplicar
as regras consagradas nos artigos 77.º e seguintes do citado Decreto-Lei n.º
280/2007, mesmo por ajuste directo: imóveis cuja manutenção no domínio
privado do Estado não seja conveniente (artigo 77.º, n.º 1), ficando
assegurada a continuidade da prossecução de fins da mesma natureza (n.º 2),
quando, por ameaça de ruína ou de insalubridade pública, se verifique
reconhecida urgência na venda e o adquirente apresente solução para
recuperar o imóvel (artigo 81.º, n.º 2, alínea d)), quando o imóvel esteja
ocupado há mais de dez anos e o adquirente seja o próprio ocupante (alínea
h)).
7
41. Mas não é o caso. Estipular um preço para vender um imóvel nestas
condições a uma instituição que se viu confiscada do mesmo e em prejuízo
de uma comunidade de fieis que se confronta, há anos, com degradantes
condições para o culto religioso a que tem direito seria quase, permita-se-me,
um negócio usurário.
42. Faço notar que muitas das valências prestadas pela Paróquia de Sto. António
de Campolide encontram-se impedidas por razões de segurança, o que
compromete seriamente a liberdade religiosa na sua faceta positiva 8 , na sua
dimensão social e comunitária.
43. A cooperação, princípio comum às relações do Estado com as demais igrejas
e comunidades religiosas (artigo 5.º da Lei n.º 16/2001) é hoje e cada vez
mais o esteio de uma separação responsável. Recordem-se as palavras de
ANTÓNIO SOUSA FRANCO 9 :
A ideia de separação pode ter uma interpretação puramente
negativa, no sentido em que se garante a abstenção do Estado
relativamente aos assuntos da Igreja e a abstenção da Igreja
relativamente aos assuntos do Estado, ou pode ter uma
interpretação positiva, no sentido em que se reconhecem e
garantem reciprocamente direitos e deveres, porque a actividade
religiosa, sendo autónoma relativamente à actividade política e
cívica que ao Estado cabe regular e assegurar, não deixa de ter uma
presença no espaço público. Ora esta presença deve ser objecto de
reconhecimento pleno, como actividade autónoma, independente
também ela, e não objecto de uma mera atitude de abstenção ou
indiferença.
44. Há obrigações, Senhor Ministro, a que o direito chama simplesmente naturais
(artigo 402.º do Código Civil). São aquelas cujo cumprimento, embora não
seja judicialmente exigível, correspondem a um dever de justiça.
45. É esse dever que à margem das decisões dos tribunais faz do Provedor de
Justiça – e do Ombudsman, um pouco por todo o mundo – um órgão do
Estado que exorta o próprio Estado a não perder de vista os seus fins e a sua
História. Respeitar esse dever de justiça é certamente contribuir para que as
fundações mais sólidas do Estado tornem também o Estado respeitado.
8
Sobre a dimensão positiva, v. JÓNATAS MACHADO, O regime concordatário entre a Libertas Ecclesiae e
a Liberdade Religiosa, pp. 48 e segs.
9
Concordatas Santa Sé – Portugal, Colecção Cadernos Forum Canonicum, n.º 3, UCP, p. 12.
8
Conclusão
Assim, nos termos do disposto no artigo 20º, n.º 1, alínea b), da Lei n.º 9/91, de 9
de Abril, e em face das motivações precedentemente evidenciadas, RECOMENDO
a Vossa Excelência se digne suscitar a adopção, pelo Governo, de providências
legislativas adequadas, que permitam ceder à Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário e do Senhor Jesus dos Santos Passos da Via Sacra, a título gratuito e
definitivo, sem outros ónus nem encargos que os resultantes da Concordata com
a Santa Sé, de 18.V.2004, a designada Igreja de Santo António de Campolide,
antiga Capela do Colégio de Campolide, na freguesia de mesmo nome.
Dignar-se-á Vossa Excelência comunicar-me, para efeitos do disposto no artigo
38.º, n.º 2, da Lei n.º 9/91, de 9 de Abril (Estatuto do Provedor de Justiça), a
sequência que a presente Recomendação vier a merecer.
O Provedor de Justiça,
H. Nascimento Rodrigues
9