Provedor de Justiça

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“O FUTURO DOS

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“O FUTURO DOS DIREITOS É AGORA” Concurso realizado no âmbito das comemorações dos 50 anos da instituição do Provedor de Justiça em Portugal, em parceria com a Comissão Nacional da UNESCO e a sua Rede de Escolas Associadas. “O FUTURO DOS DIREITOS É AGORA” No âmbito das comemorações dos 50 anos da instituição do Provedor de Justiça em Portugal, e assinalando o Dia Internacional da Educação, a Provedoria de Justiça, em parceria com a Comissão Nacional da UNESCO e a sua Rede de Escolas Associadas, lançou em 24 de janeiro o concurso “O Futuro dos Direitos é Agora”. Com esta ação pretendeu-se conhecer e acolher na Provedoria, numa linguagem artística, exemplos da visão dos mais novos sobre os direitos humanos, e ao mesmo tempo contribuir para a reafirmação da sua importância, e da contínua atenção e reflexão que reclamam. Num tempo em que os direitos humanos enfrentam desafios globais, esta iniciativa procurou sublinhar a importância de valores como a igualdade, a justiça e a solidariedade, promovendo o debate e a criatividade nas escolas e nas suas comunidades. Os participantes foram convidados a olhar para o presente e o futuro dos direitos humanos, traduzindo as suas ideias em obras originais e inéditas nos mais diversos formatos de expressão artística – do desenho à pintura, da fotografia ao vídeo ou à escrita. Saudamos com o maior apreço todas as crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos de idade que participaram neste concurso. A qualidade dos trabalhos apresentados, a sensibilidade das mensagens transmitidas e a visão crítica e construtiva que espelham são motivo de júbilo e de esperança. Mais do que uma mostra artística, esta exposição é um testemunho do olhar atento, crítico e esperançoso das novas gerações sobre o mundo que partilhamos e sobre o futuro mais justo, inclusivo e solidário a construir. Com um total de 123 candidaturas recebidas, o conjunto das obras submetidas a concurso é agora apresentado ao público na sede do Provedor de Justiça, no Palácio de Vilalva. Um especial agradecimento ao júri do concurso “O Futuro dos Direitos é Agora”, Alexandre Farto – Vhils (Artista); Fátima Claudino (Comissão Nacional da UNESCO); Luísa Neto (Presidente do INA, I.P.); Miguel Feldmann (Provedoria de Justiça – Mecanismo Nacional de Prevenção), pela generosa dedicação, apoio, rigor e sensibilidade. Escalão A _1 Carta sobre os direitos _2 Nas lágrimas e nos sorrisos _3 O futuro dos direitos é agora _4 Juntos somos mais fortes _5 Direito à alimentação _6 Direito à nacionalidade _7 Direito ao nome _8 Direito à religião _9 A liberdade da igualdade _10 Pelo mundo (e)migrando, (i)migrando _11 A menina educada _12 A menina Leyla _13 O Direito à escola _14 Ajudar, paz e amor _15 Todos juntos somos iguais _16 Sem título _17 Somos todos iguais _18 Todos somos Mundo! _19 Igualdade na diferença _20 Todos nós temos Direitos! _21 Todas as crianças têm direito a ter um nome _22 Juntos, pelos Direitos de todos _23 O Direito ao Amor _24 Direito à Família _25 Um mundo melhor para cada criança _26 Direitos das Crianças _27 Todos iguais 6 _28 O futuro dos direitos é o Amor! _29 Mais tolerância porque neste planeta há espaço para todos! _30 Juntos somos mais fortes! _31 De mãos unidas pelos Direitos Universais _32 Os direitos das crianças _33 A Rita está a ler _34 Medo… _35 Os direitos de todos nós _36 O super-herói dos Direitos Humanos _37 O que pesa mais são os direitos universais _38 Todos diferentes, tod7os iguais _39 A Família _40 Direito ao respeito _41 Contra o Racismo _42 Unidos pelos Direitos _43 A arte de saber repousar _44 A dança dos Direitos _45 Os Direitos das crianças _46 Somos livres _47 O direito de poder ir à escola _48 Todos os seres humanos têm direito à instrução _49 Somos iguais _50 Todos juntos somos melhores _51 Os direitos das crianças _52 Liberdade _53 Todos iguais 7 _54 O Sonho da Sofia _55 Sem título _56 Os direitos das crianças _57 Vida: amor infinito _58 Os direitos Humanos e a Paz _59 O Direito de Brincar _60 Liberdade, Paz, Justiça _61 Todos os seres humanos nascem livres _62 Família _63 Direitos Humanos _64 O Futuro dos Direitos é Agora _65 As Árvores são como os Homens: um tronco, muitos ramos, Um Homem muitos Direitos 8 Escalão B _66 THE GIRL WHO TURNED PAIN INTO POWER _67 Stronger together _68 Desejo por um lar _69 O que nem sempre se vê _70 Liberdade, Igualdade e Dignidade _71 Direito ao nível de vida adequado _72 Direito à diversão _73 Uma Família Unida _74 Artigo n.º 19: Direito à leitura _75 Artigo n.º 10: Direito ao julgamento _76 Sonho _77 Além das Regras _78 Igualdade perante a lei _79 Eu Quero Voar _80 Artigo n.º 2: não discriminar _81 Todos têm direito à educação _82 Direito à diversão _83 Somos todos iguais _84 Eu quero ir para a Escola _85 IGUALDADE _86 A Chave para o Futuro _87 Convenção sobre os Direitos da Criança _88 Os Direitos estão nas Nossas Mãos _89 Direitos Humanos _90 O futuro começa hoje _91 Culturas, Religiões e Direitos. Agora! _92 A luta pela igualdade 9 _93 A casa de todos _94 Vendido à censura _95 Missão salvar o mundo _96 Sê a luz na escuridão _97 Os direitos na mão _98 A paz do mundo _99 O futuro dos direitos é agora? _100 A balança da igualdade _101 Direito à cidadania _102 Direito à liberdade de expressão _103 O Direito à Diversão _104 Respeito e orgulho pela Humanidade _105 We have a dream _106 A Força dos Direitos _107 Direito à Educação _108 Direitos – Uma aventura 10 Escalão C _109 Fios condutores da nossa vida _110 A loucura da coragem _111 O peso da (Des)humanidade _112 A voz livre dos jovens _113 O lazer também é importante _114 Onde arde o grito _115 A beleza está nos olhos de quem vê _116 A dignidade é de todos _117 Sombras da revolta _118 Nem dor, nem silêncio _119 Artigo 3 em ação _120 Uma vida justa e sem medos _121 Um só mundo, vários _122 Direitos Educação é um Direito _123 Silêncio de mil vozes: sem voz; sem paz 11 A (dos 6 aos 10 anos) 13 “O Futuro dos Direitos é Agora” Torres Novas, 13 de maio de 2025 Cara Directora Cristina, como aluno do Jardim-escola João de Deus, venho desta forma reenvindicar os meus direitos como criança. 1.º Tenho direito à vida, e que bela vida que eu tenho; 2.º Tenho direito a estar nesta sala de aula a aprender, e a cumprir também o meu papel de estar atento; 3.º Tenho direito a ser alimentado, com as belas comidas das cozinheiras; 4.º Tenho direito nos intervalos a brincar com os meus amigos, sendo protegido pelas auxiliares para que tudo corra bem; 5.º Tenho direito a dar a minha opinião, e a ser ouvido, mesmo que não concordem com ela, e sem ser discriminado; 6.º Tenho direito a ir ao médico, para cuidar da minha saúde, mesmo que para isso, seja necessário faltar à escola; 7.º Tenho direito a depois de um dia de escola, ir para junto da minha família, na nossa casa, porque todas as crianças deveriam ter direito a ter um lar, 8.º E por fim tenho direito a ter um nome, que é a minha identidade e a ter documentos que comprovem a minha nacionalidade. Peço que cumpram a vossa parte que eu cumprirei a minha. Despeço-me com saudade que vou ter. 14 Escalão etário A 1.º lugar Carta sobre os direitos José Guilherme Ruivo JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 15 “O Futuro dos Direitos é Agora” 2.º lugar Nas lágrimas e nos sorrisos Obra Coletiva (várias turmas) JEJD Albarraque, Lisboa (categoria desenho) 16 Escalão etário A 3.º lugar O futuro dos direitos é agora Margarida Rodrigues; Ísis Sofia Fonseca; Rebeca Marques; Victor Santos ; Pedro Ramalho; Diana Azenha; Benjamim Delgado ; Diego Mendes; Íris Fonseca; Gonçalo Carraco JEJD Figueira da Foz, Coimbra (categoria pintura) 17 “O Futuro dos Direitos é Agora” Juntos somos mais fortes Obra Coletiva JEJD Castelo Branco, Castelo Branco (categoria escultura) Direito à alimentação Rafael Silvestre e Vasco Lopes JEJD Braga, Braga (categoria desenho) 18 Escalão etário A Direito à nacionalidade Tiago Rodrigues e Miguel Carneiro JEJD Braga, Braga (categoria desenho) Direito ao nome Constança Mota e Matilde Pinto JEJD Braga, Braga (categoria desenho) 19 “O Futuro dos Direitos é Agora” Direito à religião Bruno Macau e Lara Moreira JEJD Braga, Braga (categoria desenho) A liberdade da igualdade Maria Francisca Pinto; Maria Inês Lopes; Paulo Pacheco; Vasco Henriques; Manuel Gonçalves; Inês Martins; Francisco Luís; Bernardo Minhota JEJD Estrela, Lisboa (categoria desenho) 20 Escalão etário A Pelo mundo (e)migrando, (i)migrando Olívia Queirós; Miguel Teixeira; Francisco Ribeiro; Henrique Mariano; Jeanne Salvado; Luma Ferreira; Eva Ferreira; Edgar Generalow JEJD Estrela, Lisboa (categoria fotografia) A menina educada Ema Camarão JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) 21 “O Futuro dos Direitos é Agora” No coração de África existia um pequeno orfanato, onde vivia a doce menina Leyla. Esta menina era de pele negra, tinha olhos vibrantes e uns lindos caracóis! A Leyla, com 7 anos, foi adotada por um casal jovem oriundo do Reino Unido, que a levou para viver em Londres. A adaptação não foi fácil - chorava todos os dias, com saudades dos amigos que deixara no orfanato. A mãe reconfortava-a com um forte abraço sempre que a Leyla se sentia triste. Ao verem, dia após dia, que a menina estava cada vez mais cabisbaixa, os pais decidiram organizar uma festa para que a Leyla conhecesse a restante família. Numa conversa entre a tia e a prima mais velha, Leyla ouviu falar de algo mágico: em breve haveria uma chuva de estrelas cadentes! A menina ficou entusiasmada, pois nunca tinha assistido a um fenómeno assim. No primeiro dia de aulas, a professora anunciou a nova aluna à turma. – Meninos, esta é a vossa nova colega, a Leyla! Podes sentar-te ali, ao lado da Megan! – disse com um sorriso. No intervalo, porém, os colegas começaram a provocá-la com palavras muito feias: – Tu és angolana?! Não és da nossa terra! – És negra?! Tens cabelo de esfregona?! Nem sabes falar inglês! Leyla sentiu-se ainda mais triste e desapontada. Só o carinho dos pais adotivos, ao chegar a casa, lhe dava algum consolo. Nessa noite, aconteceu finalmente a tão esperada chuva de estrelas. Leyla, com os olhos brilhantes voltados para o céu, fez um pedido em silêncio: 22 Escalão etário A – Quem me dera ser como os meus colegas da escola... branca. Só assim vou ganhar respeito e a amizade deles... No dia seguinte, a professora, que já desconfiava do que se passava, levou um espelho para a sala de aula e propôs uma atividade especial. – Hoje, cada um vai dizer uma coisa bonita sobre si próprio... e depois algo bonito sobre o colega do lado. Quando chegou a vez da Leyla, ela disse, em voz baixa: – Eu gosto dos meus olhos brilhantes... e gosto dos meus caracóis. A Megan, que se sentava ao seu lado, olhou para ela e respondeu: – Eu gosto do teu sorriso. E acho o teu cabelo super bonito, parece uma coroa de rainha! Todos os colegas começaram a rir com carinho e a olhar uns para os outros de forma diferente. A professora aproveitou para falar sobre os direitos das crianças: explicou que todas têm direito ao amor, ao respeito, e a serem aceites tal como são independentemente da sua cor de pele, origem ou língua. Naquela noite, Leyla voltou a olhar para o céu. As estrelas ainda brilhavam, mas dessa vez o seu desejo foi outro: – Quem me dera que todas as crianças do mundo soubessem o quão especiais são... exatamente como são! E, pela primeira vez desde que chegaram a Londres, Leyla adormeceu com um sorriso tranquilo no rosto. A menina Leyla Carminho de Almeida Ribeiro JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 23 “O Futuro dos Direitos é Agora” O Direito à escola Vicente Figueira JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) Ajudar, paz e amor Luana Vinhas JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) 24 Escalão etário A Todos juntos somos iguais Mia Neto JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) Sem título Francisca Sérgio JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria pintura) 25 “O Futuro dos Direitos é Agora” Somos todos iguais Luís Brizida JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) Todos somos Mundo! Anita Henriques JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) 26 Escalão etário A Igualdade na diferença Alice Alves JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) Todos nós temos Direitos! Obra Coletiva (4.º Ano A) JEJD Coimbra , Coimbra (categoria desenho) 27 “O Futuro dos Direitos é Agora” Era uma vez, um menino que não tinha nome porque nunca ninguém lhe tido dado um nome, por isso todos lhe chamavam menino sem nome! O menino sem nome não era muito feliz porque todos à sua volta tinham um nome, até as flores e as árvores. No seu primeiro dia de escola todos acharam muito estranho ele não ter um nome, quando lhe perguntavam o seu nome o menino ficava ainda mais triste e por vezes até lhe caía uma lágrima. Uma menina da sua turma, a Matilde que não gostava de ver ninguém triste, tentou de tudo para arrancar um sorriso ao menino: Contou anedotas, fez palhaçadas e até cócegas, mas nada fazia o menino sorrir. Mas, a Matilde não ia desistir assim tão facilmente, por isso foi falar com a professora. A professora explicou à Matilde que todas as crianças têm direito a ter um nome, e talvez por isso o menino fosse tão infeliz. A Matilde teve lofo uma grande ideia: Fazer um votação na turma para escolher um nome para o menino, e a professora sugeriu fazerem-lhe uma festa surpresa para lhe contarem a novidade. A Matilde, a professora e os colegas da turma preparam tudo com muito amor e carinho. Assim, numa bela manhã, quando o menino sem nome chegou à escola, teve uma grande surpresa, à entrada da sala havia uma faixa que tinha escrito: “BEM VINDO MENINO ZÉ”. No início, o agora menino Zé ficou um pouco confuso, mas depois de a Matilde lhe explicar tudo, o Zé esboçou um grande sorriso e caíram- lhe lágrimas, agora de felicidade. Todas as crianças têm direito a ter um nome Ema Faria JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 28 Escalão etário A Juntos, pelos Direitos de todos Vicente Saavedra JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) O Direito ao Amor Alice Simões JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) 29 “O Futuro dos Direitos é Agora” Direito à Família Catarina Rocha JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) Um mundo melhor para cada criança Antonio Teixeira JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) 30 Escalão etário A Direitos das Crianças Sofia Teixeira JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) Todos iguais Manuel Campos JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) 31 “O Futuro dos Direitos é Agora” O futuro dos direitos é o Amor! Margarida Pinto JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) Mais tolerância porque neste planeta há espaço para todos! Gabriela Cardoso JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) 32 Escalão etário A Juntos somos mais fortes! Maria Carminho Godinho JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) De mãos unidas pelos Direitos Universais Maria Paulino; António Simões; Marta Castro; Leonor Coelho; Tiago Silva; João Pinto; Afonso Campos; Santiago Rocha JEJD Gaia, Porto (categoria fotografia) 33 “O Futuro dos Direitos é Agora” Os direitos das crianças Martim Domingos JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) A Rita está a ler Tomás Gomes JEJD Torres Vedras, Lisboa (categoria desenho) 34 Escalão etário A Tenho medo! Tenho medo... Medo de não conseguir E gostava que, um dia, ser capaz de agir a coragem me invadisse e colocar o planeta e que bom que seria de pés no chão poder gritar bem alto porque o vejo na imensidão para que cada um sentisse completamente ao contrário. que são as nossas diferenças que nos fazem dar um salto, Na escola aprendi tornando-nos únicos, que o presente sendo especiais, pode já nem estar aqui com todos os Direitos e que o futuro a que chamamos Universais! pode estar já ali à distância de um segundo. E aprendi que hoje de manhã afinal já não é hoje e que poderemos, no fundo, ter perdido tempo para salvaguardar no mundo os direitos que nos assistem porque a eles resistem aqueles que através do vento soltam palavras de ódio e que se sentem como vencedores no topo de um pódio! Medo… Matilde Dias e Tomás Abreu JEJD Gaia, Porto (categoria escrita criativa) 35 “O Futuro dos Direitos é Agora” Os direitos de todos nós Obra Coletiva (2.º ano A) JEJD Estrela, Lisboa (categoria escrita criativa) Toda a criança tem um direito, Todos têm o direito de falar, A viver feliz, com muito respeito. De sonhar, de querer, de lutar. A vida é um bem precioso, Cada um com a sua opinião, E é por isso que é valioso. Vivemos juntos, de mão dada, na mesma canção. Direito à escola, a aprender, A crescer e a se desenvolver. Então vamos cuidar, com muito amor, Com livros e brincadeiras, Dos direitos de todos, de cada flor. A infância é nossa bandeira! Pois um mundo feliz é aquele que nos ensina, Que todos temos o direito de ser criança Ninguém deve ser maltratado, e de brilhar, com a nossa luz interior. O respeito deve ser espalhado. Seja branco, negro ou amarelo, O que importa é ser um bom modelo. 36 Escalão etário A O super-herói dos Direitos Humanos Maria da Luz Cortes; Maria Victória Correia; Maria do Carmo Loureiro; Maria Leonor Frade; Maria Rosa Cordeiro; Henrique Sousa Dias; Sebastião Cardoso; Maria Luísa Grilo; Maria Luísa Bento; Maria Madalena Tinoco JEJD Estrela, Lisboa (categoria desenho) O que pesa mais são os direitos universais Salvador Lima JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) 37 “O Futuro dos Direitos é Agora” Todos diferentes, todos iguais Sofia Sousa; Clara do Carmo; Lourenço Cabrita; David Pietrowski; Artur Caldare; Lourenço Ferreira; Artur Alves; Laura Henriques; Carolina Guerreiro; Heidi Alves JEJD São Bartolomeu de Messines, Faro (categoria desenho/colagem) A Família Caetana Marouço JEJD Torres Novas, Santarém (categoria desenho) 38 Escalão etário A O respeito é um valor essencial para a convivência em sociedade. Todas as pessoas, independentemente da sua nacionalidade, sexo, religião ou condição social, têm o direito de serem respeitados. Saber respeitar as diferenças é fundamental para conseguirmos ter um mundo mais justo. As pessoas não são todas iguais, não têm todas os mesmos gostos e aceitar essas diferenças permite o nosso crescimento e fortalece as nossas relações. Eu não sinto este direito a ser respeitado quando utilizam o meu nome e o de um amigo meu para criarem histórias de namorados ou para gozarem connosco a dizerem que somos namorados, só porque somos muito amigos e gostamos muito da companhia um do outro. Este meu amigo, sabe-me respeitar e dá-me o espaço que eu preciso. Este direito é garantido pela Constituição e pelos princípios dos direitos humanos, que reconhecem a dignidade de cada pessoa, mas infelizmente ainda existe no mundo muita discriminação e intolerância para com as diferenças. Respeitar as diferenças é um ato de responsabilidade e amor e valorizar as diferenças é importante! Direito ao respeito Matilde Rodrigues JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 39 “O Futuro dos Direitos é Agora” Contra o Racismo Bernardo Neves JEJD Gaia, Porto (categoria desenho) Unidos pelos Direitos Francisco Ferreira; Mafalda Limas; Teresa Fernandes; Francisco Pisco; João Cristo; Filipe Zhang; Camila Brandão; Alice Reis; Carlota Lopes; Guilherme Silva JEJD Belas, Lisboa (categoria desenho/escultura) 40 Escalão etário A A arte de saber repousar Raquel Pereira; Frederico Nunes; Luísa Horta; Maria Afeiteira; Vitória Carloto; Vicente Nobre; Miguel Grilo JEJD Ponte de Sor, Portalegre (categoria desenho/colagem) A dança dos Direitos José Simões; Leonor Pinto; Guilherme Serrano; Diogo Tapadas; António Tomás JEJD Ponte de Sor, Portalegre (categoria desenho) 41 “O Futuro dos Direitos é Agora” Os Direitos das crianças Sofia Silva; Vicente Simão; Francisco Cardoso; Gabriel Carvalheiro; Bernardo Lemos; Iris Rodrigues; Rafael Balsas; Simão Vale; Afonso Varino JEJD Alhadas, Coimbra (categoria desenho) Somos livres Beatriz Bandeira JEJD Penafiel, Braga (categoria desenho) 42 Escalão etário A Num dos pobres países existentes no mundo, havia uma menina chamada Eva em que os pais tinham muitas dificuldades financeiras. Não havendo assim a possibilidade de ir à escola e ter de ajudar a mãe a cuidar dos irmãos mais novos, tornando-se assim analfabeta, mas depois de alguns meses os pais esforçaram-se mais e tiveram melhores condições financeiras podendo assim pôr a Eva na escola para ela aprender a ler e a escrever e a estudar e ter amigos tornando-se assim uma criança muito alegre. O direito de ir à escola é muito importante. O direito de poder ir à escola Bianca Simões JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 43 “O Futuro dos Direitos é Agora” Todos os seres humanos têm direito à instrução Clara Tato; Francisco Costa; Maria Helena Moreira; Oliver Gouveia JEJD Estrela, Lisboa (categoria desenho) Somos iguais Diana Menyaylenko JEJD Penafiel, Braga (categoria desenho) 44 Escalão etário A Todos juntos somos melhores Maria João Preto JEJD Penafiel, Braga (categoria desenho) Os direitos das crianças Guilherme Martins JEJD Torres Novas, Santarém (categoria desenho) 45 “O Futuro dos Direitos é Agora” Liberdade Lourenço Sobreira Borges Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho/colagens) Todos iguais William Correia Monteiro Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) 46 Escalão etário A A Sofia e o Miguel eram melhores amigos e passavam a maior parte do tempo juntos. Eles moravam numa aldeia simples, mas arranjavam sempre maneira de se divertirem. A Sofia tem 10 anos, adora desenhar, brincar às escondidas e contar histórias. Mas, ao contrário do Miguel, ela não tinha tudo o que queria e, mais importante, não tinha todos os direitos como as outras crianças. Um dia, enquanto brincavam no parque, o Miguel reparou que a Sofia estava mais quieta do que o normal: – O que aconteceu, Sofia? Estás triste? A Sofia respirou fundo e olhou para o chão: – Não é que eu esteja triste, Miguel... Mas, sabes como é, eu não posso ir à escola como tu... A minha mãe não tem dinheiro para comprar o material escolar e os livros são muito caros. Às vezes, nem temos comida para jantar! O Miguel ficou chocado: – Mas, Sofia, isso não é justo! Tu tens todo o direito de estudar, de aprender como eu. Nós temos direito à educação, à saúde, a ser bem tratados! Isso está escrito nos direitos das crianças que a professora Filipa nos ensinou. A Sofia abanou a cabeça, triste: – Eu sei, Miguel... Mas a minha mãe diz que não consegue mesmo pagar. E quando vou ao centro de saúde, a fila é tão longa que nunca consigo ser atendida. O Miguel pensou por um momento e teve uma ideia: – Eu vou contar isso à professora Filipa. De certeza que podemos fazer alguma coisa para te ajudar e também ajudar outras crianças que passam pelo mesmo que tu! No dia seguinte, o Miguel falou com a professora sobre a situação da Sofia. Ela ficou muito preocupada e explicou que, apesar de o direito à educação e à saúde serem garantidos por lei, muitas vezes, as condições de vida dificultam o acesso desses direitos para algumas crianças. Juntos, a professora e a turma do Miguel começaram a elaborar um projeto para ajudar crianças como a Sofia. Eles organizaram uma doação de livros e roupas, além de levarem também alimentos para as famílias que mais precisavam. 47 “O Futuro dos Direitos é Agora” Mas o mais importante foi que começaram a conversar sobre os direitos das crianças nas escolas e nas aldeias, explicando a toda a gente que cada criança tem o direito de ser bem cuidada, de estudar e de viver com dignidade. A Sofia, graças à atitude do Miguel e dos seus amigos, finalmente conseguiu ir à escola com uma mochila nova, alguns livros para estudar, teve alimentos para comer e conseguiu uma consulta no centro de saúde. A partir daquele dia a Sofia passou a ter uma vida normal como todas as crianças devem ter, graças à ajuda do Miguel e da sua turma. O Sonho da Sofia Inês Louro JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 48 Escalão etário A Sem título Maria da Luz Levy; Antero Silva; Maria Queiros; Luísa Freitas; Tomás Ricardo; Maria Clara Santos JEJD Estrela, Lisboa (categoria vídeo) Os direitos das crianças António Junqueiro JEJD Torres Novas, Santarém (categoria desenho) 49 “O Futuro dos Direitos é Agora” Vida: amor infinito Simão Santos; Gabrielle Bressan; Bianca Oliveira; Luan Gonçalves; Margarida Esteves; Gabriela Paixão JEJD Ponte de Sor, Portalegre (categoria desenho/colagem) Os direitos Humanos e a Paz Alicia Celestino de Oliveira Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) 50 Escalão etário A Todas as crianças têm o direito de brincar. Este direito está escrito numa lei muito importante que se chama Convenção dos Direitos da Criança. Quando brincamos, trabalhamos o corpo e a mente. É tão importante como comer e dormir bem. Por isso, é dever dos adultos garantir que todas as crianças têm tempo e espaço para brincar em segurança. Porém nem todas as crianças têm brinquedos ou um lugar seguro para brincar. Algumas não conseguem brincar como gostariam. Por isso, devemos ser solidários e ajudar essas crianças, para que todas possam ter momentos de alegria e diversão. Nunca se esqueçam: Brincar não é só diversão é também um Direito!!! O Direito de Brincar Camila Correia JEJD Torres Novas, Santarém (categoria escrita criativa) 51 “O Futuro dos Direitos é Agora” Liberdade, Paz, Justiça Simão Ferraz JEJD Penafiel, Braga (categoria desenho) Todos os seres humanos nascem livres Carolina Maria Foz Mota Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) 52 Escalão etário A Família Carlota Rodrigues JEJD Torres Novas, Santarém (categoria desenho) Direitos Humanos Tiago Miguel Ribeiro Campos Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria jogo) 53 “O Futuro dos Direitos é Agora” O Futuro dos Direitos é Agora Maria Helena Ferreira Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) As Árvores são como os Homens: um tronco, muitos ramos, Um Homem muitos Direitos Miguel M. Magalhães de Sousa Bemposta Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho/colagens) 54 B (dos 11 aos 15 anos) 58 Escalão etário B 1.º lugar THE GIRL WHO TURNED PAIN INTO POWER Maria Julia Gonsalves Crecencio Colégio da Polícia Militar do Paraná Cel. PM. Felippe de Sousa Miranda, Brasil (categoria vídeo) 59 “O Futuro dos Direitos é Agora” 2.º lugar Stronger together Iris Campos e Madalena Rocha CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho/pintura) 60 Escalão etário B 3.º lugar Desejo por um lar Joaquim Yglesias Andrade Rezette Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) 61 “O Futuro dos Direitos é Agora” O que nem sempre se vê Albine-Naly Jocelyne Liane Vetsmany ES São Sebastião e Silva, Lisboa (categoria desenho) Liberdade, Igualdade e Dignidade Leonor Henriques Barosa Marques; Luisa Singh Angeloti; Maria Carolina Geirinhas Pereira de Infante; Maria Xará Costa da Graça Reis; Evellyn Fraga Pereira; Leonor Carvalheiro da Silva Pratas; Valentina Franco Iannicelli; Yago de Paiva Jardim Brandão JEJD Belas, Lisboa (categoria desenho) 62 Escalão etário B Direito ao nível de vida adequado Maria Marlene Lopes Morgado e Daniel de Jesus Oliveira Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) Direito à diversão Mara Rafaela Fernandes Soares e Victória Carvalho de Jesus Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) 63 “O Futuro dos Direitos é Agora” Uma Família Unida Mariana de Fátima Paulo Godinho EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) Artigo n.º 19: Direito à leitura Liam Zheng Li e Vinicius Rodrigues da Silva Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) 64 Escalão etário B Artigo n.º 10: Direito ao julgamento Gerardo Alessandri e Gonçalo Sanches da Costa Colégio João Paulo II, Braga (categoria desenho) Sonho Luis Trindade e Santiago Ferro CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho/colagens) 65 “O Futuro dos Direitos é Agora” Zahra já calçava as botas quando a mãe adentra pelo seu quarto. O cheiro era insuportável, mas as suas narinas já estavam habituadas. – Hoje não vais há escola, os talibãs proibiram. Vejo Amina, Mariam e Sabira saírem para virem ter comigo. Como irmã mais velha adoraria ensiná-las a ler e a escrever, saber pelo menos que elas terão oportunidade… – Por quanto tempo? – sinto os meus olhos marejados. – Não sei, filha… – A minha mãe sai e as minhas irmãs abandonam o meu quarto. A pequena Sabira corre até mim e abraça-me pela cintura fazendo-me chorar. Ouço a mãe a chamá-las e abaixo-me sobre a minha cama. Escondo desde que aprendi a ler o meu primeiro livro, um volume proibido que conta histórias de mulheres livres de outros países. Sonho desde pequena em ser médica. A minha mãe já me disse para desistir e nunca mais tocar no assunto, mas não consigo afastar a possibilidade da minha mente. Não me posso permitir perder a esperança. Vou até à cozinha e, sem ser vista, pego uma das tesouras de costureira da minha mãe. Corto o meu cabelo. O mais curto possível! Avisto uns calções do meu pai e visto-os com uma camisola que ele tinha perdida no seu enorme roupeiro. Saio de casa enquanto a minha mãe alimenta as minhas irmãs e dá-lhes lições de como se podem tornar boas donas de casa. Eu, por outro, lado já tenho um futuro reservado para mim mesma. Foi incrível sair sem quase desmaiar de tanto calor. Já tinha apagado o meu nome dos cadernos que levava para a escola e inventei um nome de rapaz: Ahmad. O caminho para a escola era cansativo, mas a sensação do vento a bater-me no rosto era um alívio que não me era permitido ter todos os dias. 66 Escalão etário B Sentei-me no meu lugar habitual e reparei com um grande aperto no coração, que não havia mais nenhuma menina sentada nos outros lugares. O professor fazia questões e eu respondia a todas com muito prazer. Os outros alunos, pelo contrário, não respeitavam o que estava a ser dito e só sabiam conversar. Vejo dois vultos a vir na minha direção. Toda a sala se cala e olham para os dois talibãs a agarrarem-me pelos pulsos. - Venha connosco, menina. Cometeu um crime grave e terá de ser punida. Debato-me, não tenho outra maneira de sair dali. Lágrimas vinham-me mais uma vez aos olhos e agora chorava descontroladamente. Todos os alunos da sala olhavam para mim como se não estivesse já estado ali o tempo todo. Quando ela apareceu, tão decidida e forte, algo dentro de mim estremeceu. – Qual é o teu nome, querida? – Zahra. Ela estende-me a mão e eu percebo nesse momento que a minha vida iria mudar, mas só se eu estivesse disposta a dar esse passo. – Vem comigo, vais conhecer uma escola para meninas como tu. Não tens de te preocupar com a tua educação nestas pequenas escolas limitadas. Prometo-te que vamos tentar mudar o mundo e permitir que pessoas como nós consigam ter vidas importantes. Aceno-lhe e vejo como o professor olha para mim com esperança no olhar. Levo a senhora até a minha casa e ela explica-me que irei para uma escola mais longe, para meninas refugiadas do meu país. A minha mãe, eu e as minhas irmãs fugimos juntas. Não seria mais uma menina sem nome, sem voz. É a primeira vez na minha vida que realmente acredito que poderei ser alguém. Além das Regras Margarida de Albuquerque Lopes Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo, EB 1, Lisboa (categoria escrita criativa) 67 “O Futuro dos Direitos é Agora” Igualdade perante a lei Manuel Machado de Vasconcelos e Ricardo Lourenço Afonseca Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) Eu Quero Voar Carolina Santana Toste EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) 68 Escalão etário B Artigo n.º 2: não discriminar Alexandre Afonseca e Miguel Oliveira Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia/desenho) Todos têm direito à educação Santiago Teixeira Leiras Colégio João Paulo II, Braga (categoria fotografia) 69 “O Futuro dos Direitos é Agora” Direito à diversão Maria Carvalho Pereira Colégio João Paulo II, Braga (categoria desenho) Somos todos iguais Leonor Silveira Castro Toste e Luana Gonçalves Machado EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) 70 Escalão etário B Eu quero ir para a Escola Bianca Gouveia de Meneses EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) IGUALDADE Lorenna Rosa dos Santos Biazon e Mara Melo Toste EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) 71 “O Futuro dos Direitos é Agora” A Chave para o Futuro João Amaro Cardoso da Rocha EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) Convenção sobre os Direitos da Criança Daessy Machado Ferreira e Matilde Silva Pereira EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) 72 Escalão etário B Os Direitos estão nas Nossas Mãos Maria Azevedo de Oliveira EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) Direitos Humanos Tiago Miguel Leal Toste EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) 73 “O Futuro dos Direitos é Agora” O futuro começa hoje Cíntia Patrício L. Bernardo e Matilde Alexandra P. Martins EB e Integrada Francisco Ferreira Drummond, Açores (categoria desenho) Culturas, Religiões e Direitos. Agora! Catarina Gaspar e Diogo Monteiro CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria escultura) 74 Escalão etário B A luta pela igualdade Edmar Tavares CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho) A casa de todos David Vicente CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho) 75 “O Futuro dos Direitos é Agora” Vendido à censura Iasmin Hernández CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (instalação) Missão salvar o mundo Diego Silva e Tiago Lopes CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria escultura) 76 Escalão etário B Sê a luz na escuridão Margarida Martins Carvalho ES Aurélia de Sousa, Porto (categoria escrita criativa) 77 “O Futuro dos Direitos é Agora” Os direitos na mão Iris Mel; Luisa Djaló; Rebeca Simões CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho/pintura) A paz do mundo Maria Simões CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (instalação) 78 Escalão etário B O futuro dos direitos é agora? Mihai Ostasuc CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho/pintura) A balança da igualdade Tomás Silva CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho/colagens) 79 “O Futuro dos Direitos é Agora” Direito à cidadania Rafael EB Aristides de Sousa Mendes, Viseu (categoria desenho/pintura) Direito à liberdade de expressão Rafaela EB Aristides de Sousa Mendes, Viseu (categoria desenho/pintura) 80 Escalão etário B Direito à diversão não é favor, é Lei. Este concurso eu ganharei Com este poema eu ultrapassarei Qualquer pessoa que se ache o rei. Direito à diversão para mim é dos melhores Principalmente para trabalhos de menores Pois a diversão é um ato de brincadeira Não se deve fazer na sala de aula, na cadeira. Eu escolhi este artigo Pois devemos ter diversão No recreio, no desporto… Ou até mesmo com o irmão A diversão é o sal da vida Que não faz mal à saúde pois só a torna colorida Faz tornar qualquer pessoa agradecida E transforma o nosso dia a dia em rotina divertida. Eu não sou uma IA, eu sou um Humano Divirto-me de muitas formas, por exemplo: tocar piano Gosto de um bom som! É hora de desfrutar Com este poema tenho tudo para ganhar! O Direito à Diversão Lourenço Sargaço Leitão Colégio João Paulo II, Braga (categoria escrita criativa) 81 “O Futuro dos Direitos é Agora” Respeito e orgulho pela Humanidade Maria Beatriz Simões Peixoto Carpinteiro Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) We have a dream Luiz Fernando Vieira Dantas Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo EB 1, Lisboa (categoria desenho) 82 Escalão etário B A Força dos Direitos Samuel Esquível Escola Europeia de Ensino Profissional, Braga (categoria desenho) Direito à Educação Bruna EB Aristides de Sousa Mendes, Viseu (categoria desenho/pintura) 83 “O Futuro dos Direitos é Agora” Acordo. Bocejo um pouco, espreguiço-me e sigo para a casa de banho. Lavo a cara e vou para a cozinha. Lá estava o meu pai a comer um pão com chouriço gigantesco, a olhar para a televisão. Não estava a prestar atenção, mas lembro- -me de ouvir… qualquer coisa, qualquer coisa, direitos humanos. Não sei o que significa, por isso, não liguei nenhuma. Preparei o pequeno-almoço, e devorei-o rapidamente, ficando com a boca cheia de restos de comida. Era uma terça-feira vulgar de escola, já era tudo uma rotina. Depois, lavei os dentes, troquei de roupa e peguei na minha mochila. Já estava quase a fechar a porta, quando ouvi a minha mãe e a minha irmã mais velha a discutir na casa de banho. Ainda tinha muito tempo, por isso decidi aproximar-me e ouvir tudo o que estavam a dizer. – Eu tenho direito a escovar o meu lindo cabelo assim!!! – exclamou a minha irmã. Comecei a correr e fechei a porta de casa. Mal cheguei à rua, descontrolei-me, atirei-me ao chão e desatei a rir como se estivesse maluco durante vários minutos. Uma discussão só por causa de escovar cabelo. Esta era boa! Típico da minha irmã. Mas recordei-me das suas palavras: “Eu tenho direito...”. Mais uma vez, não percebi o que é que “direito” queria dizer. Talvez estivesse a tentar dizer direita (do tipo “esquerda, direita”), mas assim a frase não faria sentido. Levantei-me e pus-me a caminho. Já na escola, fui ao cacifo e regressei à fila para entrar na sala de aula. A primeira aula do dia era Matemática. A professora estava a entregar testes. Tive 100%, como de costume. Na aula seguinte, tivemos Educação Física. Estatelei-me no chão depois de ser obrigado a correr 100 km em cinco minutos. Não sei se sabes, mas para isso é preciso correr constantemente a 1200 km/h (por isto é que eu tirei 100% a Matemática)! Tive pena de um colega meu, que não tinha conseguido aguentar os 100 km. Ouvi-o gritar: – Não tem direito de nos tratar assim! Lá estava novamente esta coisa dos direitos. Já era a terceira vez hoje. Voltei a ignorar o assunto e corri para o refeitório depois de uma bela banhoca. Ouvi alguém dizer: - Não tens direito de passar à frente na fila! 84 Escalão etário B Novamente. Uau, isto podia ser mesmo irritante. Finalmente, sentei-me numa mesa sozinho e vomitei tudo o que tinha para vomitar por cima da batata cozida com peixe. Assim, podia dizer que estava enjoado e escapar à tortura de comer aquela mistela. A funcionária do refeitório disse-me: – Tens direito a dizer que vomitaste. Não precisas de comer isso. Fui pôr o tabuleiro da comida no sítio certo e saí da cantina da escola. No recreio, ouvi um auxiliar a repreender um rapaz minorca, dizendo: – Não tens direito a usar o telemóvel dentro do recinto escolar! Direitos aqui, direitos ali, direitos em todo o lado. Mas afinal o que é que isto queria dizer?! Ignorei a situação pela milésima vez hoje, enquanto ouvia a campainha a tocar e toda a gente a empurrar-se para entrar no edifício. A aula da tarde era Cidadania e Desenvolvimento. Quando a professora chegou à sala e todos nos sentámos nos respetivos lugares, abri as lições: “Lição 57; dia 10/12/2024” e olhei para o quadro. Nesse momento, a professora começou a falar incansavelmente sobre os direitos humanos. A maior parte da turma parecia estar com a cabeça na Lua, focados apenas em descobrir quem é que conseguia mascar pastilha elástica mais alto. Mas eu estava atento, porque queria descobrir finalmente o que é que era esta coisa dos direitos. Ao que parece, um direito é algo que temos desde que nascemos, e que deve ser sempre respeitado, e também temos de respeitar os direitos dos outros. É algo que podemos ter ou fazer, por exemplo, a liberdade, a educação, o respeito, a votação e a alimentação. Mas comecei a estranhar: eu não tinha todos os direitos. Por exemplo, eu ainda não tinha direito a votar! Mas à medida que a professora ia falando, percebi que as crianças tinham direitos super especiais. Tínhamos direito a educação, ou seja, a ir à escola, e os adultos não tinham. Afinal, os adultos não eram assim tão especiais! De repente, a campainha tocou, e toda a turma entrou em alvoroço, mas a professora disse, com prazer: 85 “O Futuro dos Direitos é Agora” – A campainha é para mim, não é para vocês! Que seca! Detesto quando um professor diz isso. Deu-nos uns papéis esquisitos com informações sobre os direitos humanos. De seguida, deixou-nos sair. Voltei para casa a pé. Quando cheguei a casa, atirei a mochila pelo corredor e saltei para cima do sofá da sala de estar, à procura do comando da televisão. Quando a liguei, estava a dar notícias. Inicialmente, eu queria ver o meu programa favorito de desenhos animados, mas desta vez, deixei nas notícias, porque estava a falar sobre os direitos humanos. Enquanto ouvia o locutor a falar, percebi que hoje era o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Fiquei impressionado, porque, para terem um dia internacional só para eles, então é porque os direitos deviam ser algo mesmo importante. Depois, a imagem mudou para um senhor de ar importante de gabardine impecável, umas calças esquisitas e uns tamancos barulhentos nos pés, tal como um homem de negócios. Por baixo, apareceu uma legenda onde se lia: “Secretário-geral da ONU”. Não fazia ideia do que é que isso significava, mas não dei muita importância a esse assunto. A seguir, começou a discursar com uma voz tão monótona, que dois minutos depois, já estava a dormir profundamente como um bebé. Acordo. Olho para a televisão e vejo: 17:07. Parece que fiquei uma hora a dormir, mas com a voz monótona do senhor de gabardine, podia muito bem ter ficado vários dias. Desligo-a e vou para a cozinha preparar o meu lanche: 1 kg de chocolates. Quando acabo, limpo a boca e vou para o meu quarto. No entanto, no corredor, vejo algo que me deixa chocado: é um pássaro! Não, não parece um pássaro... é... um avião! Espera lá. Os aviões não voam dentro das casas das pessoas. Estou mesmo a precisar de óculos. É... uma fada! Mas... as fadas não existem. Observo bem e confirmo: é mesmo uma fada. Tenho de marcar uma consulta com o meu oftalmologista. Tinha asas esquisitas e um sorriso engraçado e assustador ao mesmo tempo. Era azul com pintinhas brancas e estava a segurar uma varinha de condão. – AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!! – grito eu. 86 Escalão etário B Estou quase a desmaiar, quando ela me tenta acalmar. – Não tens de ter medo – diz ela. Tinha uma voz doce. – Não estou aqui para te fazer mal. –Quem és tu? – pergunto eu, já mais calmo. – Eu sou a Fada dos Direitos Humanos, e estou aqui para ajudar a protegê-los. – As fadas existem? – Sim. No Mundo das Fadas Enfadonhas. Fiquei estupefacto. Os direitos humanos já deviam ser algo muito importante, porque se falou sobre isso na televisão. Mas agora, os meus olhos e ouvidos diziam-me que os direitos têm uma fada e tudo. Uau, isto é fixe. – Então, são todas aborrecidas? – A maior parte é. – respondeu ela. – Mas eu sou invulgarmente divertida. – Afinal, porque é que estás aqui? – Eu estou aqui para proteger os direitos das pessoas. Vou entregar-te uma missão importantíssima. – A sério? -perguntei eu, desconfiado. – Em que é que consiste essa missão? E mais importante ainda: porquê eu? – Porque és o único que te preocupas verdadeiramente com os direitos. Lembras- te da aula de Cidadania? Os teus colegas só queriam saber de pastilha elástica. Mas tu estavas atento. E reparei num brilho de entusiasmo nos teus olhos. A partir desse momento, percebi que tu eras o escolhido. – Como é que me viste? – Transformei-me em mosca. – Ah...! Então eras tu! Lembro-me que o António atirou uma pastilha, acertou-te e foste parar em cheio ao caixote do lixo! – Eu sei. – respondeu ela. – Vou dizer à Fada dos Dentes para lhe dar pastilhas elásticas ultra picantes quando a vir. Voltando ao assunto. A tua missão consiste em arranjar uma solução para que todas as leis sobre os direitos humanos sejam aplicadas em todos os países do mundo. – Mas não há direitos em todo o mundo? - perguntei. – Infelizmente, não. 87 “O Futuro dos Direitos é Agora” Fiquei a pensar naquilo que a Fada dos Direitos Humanos tinha dito sobre os direitos em todo o mundo. Porque é que nem todas as pessoas tinham todos os direitos que deviam ter? Talvez os maléficos líderes mundiais não ligassem nenhuma às pessoas e só quisessem saber de negócios. Se calhar, aquele senhor da televisão, o tal secretário-geral da ONU, fosse assim. Mas antes que o meu cérebro enorme pudesse acabar de raciocinar o que tinha acabado de acontecer, a Fada disse: – Boa sorte! Tu consegues! Adeus! Quando ela acabou de dizer isto, tudo ficou escuro, e, uma fração de segundo depois, acordei. Tinha sido um sonho. Estava a dormir desde que comecei a ouvir o senhor daquela coisa esquisita da ONU a falar. Sentei-me no sofá e olhei para a televisão. Já estava apagada para poupar energia. Olhei para o meu relógio de pulso e fiquei boquiaberto: eram 17:53. Tinham passado quase duas horas desde que tinha adormecido verdadeiramente. Subitamente, reparei num pequeno papel colado no sofá. Peguei nele e li-o. Estava escrito: “Olá! Sou eu, a Fada dos Direitos Humanos. Eu sou real, e tudo o que disse também é. Só para esclarecer as dúvidas. Vai lá salvar o mundo. Eu confio em ti. Tchau! PS.: Fica descansado, aquilo que eu disse acerca da pastilha elástica picante para o António também é verdade.” Ok. Tinha sido um sonho, mas também tinha sido real. A maior parte das pessoas teria ficado aterrorizada, mas eu não sou a maior parte das pessoas, por isso, saltei do sofá e gritei: – Brutal!!! Mas depois comecei a ficar preocupado: como é que eu iria tratar da missão? A Fada disse que eu tinha de encontrar uma solução. A grande questão é: qual? Decidi que era algo que tinha de fazer a seu tempo, por isso, fui para o meu quarto fazer os trabalhos de casa. Iria pensar nisso amanhã. Acordo. Era uma quarta-feira vulgar. Quando fui para a escola, não conseguia pensar noutra coisa senão na minha missão. Se calhar foi por isso que o teste de Português me correu mal. Quando cheguei a casa, atirei a mochila pelo corredor e fui lanchar: 1 kg de chocolates. 88 Escalão etário B Depois, fechei-me no meu quarto e o meu cérebro gigante começou a pensar na solução para o problema dos direitos humanos. Quanto tempo é que passou? Uma hora? Duas? Um milhão? Já estava a deitar fumo pelas orelhas, quando, de repente, a lâmpada das ideias iluminou-se na minha cabeça. Já sei! Como é que eu não tinha pensado nisto antes? É claro que tinha de pedir uma coisinha emprestada à Fada dos Direitos Humanos, mas eu ia conseguir; era certinho! Aposto que estás a morrer de curiosidade para saber qual é a minha ideia, mas eu só a vou revelar mais tarde. Tudo o que posso dizeré que vou precisar da varinha de condão da Fada. Ainda tinha de esperar pela aula de Cidadania e Desenvolvimento da próxima semana, mas eu não tinha pressa absolutamente nenhuma. Acordo. Estou cansado, porque esta noite não consegui pregar olho. Hoje é o grande dia: vou pedir a varinha de condão à Fada dos Direitos Humanos e explicar- lhe o meu brilhante plano. Era uma terça-feira, uma semana depois de ser informado acerca da missão. A primeira aula era Matemática. Tive 100% num teste, novamente. Depois, tive Educação Física. Desta vez, não me estatelei no chão depois de correr a 1200 km/h. Depois de tomar uma bela banhoca para cuidar do meu lindo cabelo, fui para a fila do refeitório. Vomitei por cima da comida e fui para o recreio. Queria escrever a mensagem para a Fada num papel. Assim, ela era uma mosca que andava pela sala de aula a voar, pousava na folha com o plano, lia-o e emprestava- me a varinha de condão. Era simples! Chegou a aula de Cidadania e Desenvolvimento. Pus o papel com as informações sobre o meu plano visível para qualquer mosca que passasse. Nele estava escrito: “Querida Fada dos Direitos Humanos, já arranjei uma solução para que todas as pessoas do mundo tenham todos os direitos que devem ter. Preciso que venhas a minha casa para esclarecer umas dúvidas, mas o plano já está tratado. Até já! PS.: Traz a tua varinha de condão.”. Achavas que eu te ia dizer o meu plano agora? Ah! Ainda não. Mas já não falta muito. Voltando à história. Era a última aula de Cidadania antes das férias de Natal, por isso a professora deixou-nos fazer aula livre. Dezenas de aviões de papel 89 “O Futuro dos Direitos é Agora” voavam pelo ar, e só se ouvia o barulho de gente a mascar pastilha elástica muito alto. E se a mosca em que a Fada dos Direitos Humanos se tinha transformado não conseguisse chegar até mim por causa dos aviões de papel? De repente, reparei numa mosca que estava a vir na minha direção. Estava quase a alcançar- me, mas foi intercetada por um avião. Depois, vi uma mosca de ar inteligente a andar pelo chão. Os aviões tinham de cair ao chão, mas era muito menos arriscado do que voar com tanto tráfego aéreo. A mosca subiu pela perna da mesa, parou junto ao meu papel, observou-o e parece ter entendido tudo. De seguida, virou-se para mim. As moscas são muito pequenas, mas acho que a vi piscar o olho antes de sair, por isso tive a certeza que era a Fada. Muito bem. Uma parte já estava tratada, por isso decidi ler um bom livro que tinha dentro da mochila, enquanto vários aviões de papel chocavam uns com os outros à minha volta. Nessa tarde, depois de comer 1 kg de chocolates para o lanche, em casa, vi algo azul a brilhar enquanto avançava na minha direção. A Fada dos Direitos Humanos chegou, e disse: – Olá! Vamos lá ver qual é o teu plano. ­Ótimo. Primeiro, preciso de esclarecer uma dúvida: o que é a ONU? Tinha visto isso na televisão, e sabia que estava relacionado com os direitos humanos. – A ONU, ou Organização das Nações Unidas, é uma organização a nível mundial que tem como objetivo definira paz entre todos os países do mundo, depois da Segunda Guerra Mundial. Fixe! Isto iria facilitar imenso o meu plano. – O meu plano é o seguinte: com a tua varinha de condão, vou até ao líder da ONU e faço magia para que ele pressione os senhores presidentes dos países em que as pessoas não têm todos os direitos a dar-lhes esses direitos. Vês? Estás satisfeito? Parece que já não estas a morrer de curiosidade por causa do meu plano. Olhei para os olhos da Fada. O cérebro dela parecia estar prestes a explodir. – Isso é absolutamente genial!!! - exclamou ela. - Como é que eu nunca tinha pensado nisso?! 90 Escalão etário B De seguida, emprestou-me a sua varinha de condão e disse: – Muito bem. Estás a fazer um excelente trabalho. Depois disso, desapareceu em pó de fada. Observei a varinha. Estava a brilhar e parecia muito interessante. A parte irracional do meu cérebro implorava-me que usasse a varinha nalguma coisa, mas depois a parte racional disse que algo de mal podia acontecer, e eu dei-lhe ouvidos. Decidi que iria iniciara “Operação Não Tenho Paciência para Pensar num Bom Nome” no fim-de-semana. A seguir, fui para o meu quarto fazer os trabalhos de casa. Uma parte da operação já estava. Falta o resto. Acordo. Hoje vai ser um dia gigantesco: vou até ao sítio onde mora o líder da ONU tratar dos assuntos que tu cá sabes. Depois de pôr tudo o que precisava numa mochila, toquei com a varinha de condão na cabeça da minha mãe, do meu pai e da minha irmã. Imediatamente, todos caíram num sono profundo. A “Operação Não Tenho Paciência para Pensar num Bom Nome” estava em marcha. Depois de sair de casa, olhei para o relógio de pulso: 9:47. Tinha muito tempo: os meus pais só acordavam quando eu quisesse e não tinha escola para a semana, uma vez que estava de férias. Hoje é dia 21/12/2024, e há luzes e decorações natalícias por toda a parte. Apanhei um autocarro até uma zona próxima de um aeroporto. Entrei. Havia uma data de pessoas no terminal, porque agora é a época alta. Entrei sorrateiramente num avião prestes a descolar. Adivinha aonde é que eu fui. A Nova Iorque, é claro, onde fica a sede dessa tal ONU. Quando o avião aterrou, fingi ser neto de um casal idoso para os seguranças não desconfiarem. Depois de sair do aeroporto, apanhei outro autocarro para perto da casa do líder da ONU. O meu inglês estava um pouco enferrujado, por isso tentei falar pouco. Quando estava perto da casa, já de noite, tirei um uniforme de uma empresa esquisita, como se fosse um senhor das entregas. Depois de o vestir, avancei para a porta da entrada e toquei à campainha. Atendeu um mordomo, que disse (em inglês): – Olá. O que deseja? 91 “O Futuro dos Direitos é Agora” Entendi o que ele disse, porque, ao contrário da maioria dos meus colegas, que passavam o tempo todo a mascar pastilha elástica, eu estive atento nas aulas de Inglês. – Sou o senhor das entregas. – disse eu, em inglês, tentando desesperadamente soar mais velho do que realmente era. Depois, os portões enormes abriram-se, e eu entrei. Demorei dez minutos a percorrer a distância entre o portão e a casa propriamente dita. A seguir, chegou um mordomo, que tinha um bigode engraçado, e pegou na caixa de cartão que eu trazia (a suposta encomenda). – Boa noite. Tudo bem? – perguntou o mordomo. – Sim. Preciso que assine estes papéis. – respondi eu, estendendo uma folha de papel que rabisquei e uma caneta. – Ok. Está à vontade. É chato trabalhar à noite, não é? Os outros a dormirem sossegados e nós aqui a trabalhar. Se há coisa que me dá gozo é ficar quentinho na cama de manhã, enquanto os outros vão trabalhar. Lá estava outro chato. Esta malta que trabalha à noite só quer conversa. Fiquei novamente sem paciência e toquei-lhe com a varinha de condão, para ficar a dormir. Depois de sair daquela casa, apanhei um autocarro até ao aeroporto e apanhei secretamente um voo até casa. Depois de sair do aeroporto, apanhei outro autocarro para casa. Quando lá cheguei, já de noite, dei com o ressonar muito alto dos meus pais e da minha irmã. Toquei-lhes com a varinha de condão e eles acordaram, sem estranhar nada, e retomaram as suas vidas. Olhei para o relógio: 20:39. Hoje era dia 22/12/2024. Parece que esta aventura durou dois dias. Depois de jantar, lavar os dentes e isso tudo, fui para a cama. “Missão cumprida!”, pensei eu. Depois, adormeci como um bebé. Já não dormia há dois dias! Acordo. Hoje é um dia muito especial: é Natal!!! Os meus pais vieram a correr histéricos para a sala, esperando desesperadamente que não tivessem recebido meias como presente de Natal. 92 Escalão etário B Mas hoje é um dia ainda mais especial: está a dar algo muito importante na televisão. Quando fui para a cozinha, vi nas notícias que o tal secretário- geral da ONU tinha feito pressão suficiente sobre os países em que as pessoas não tinham todos os direitos que deviam ter para que os maléficos presidentes desses países aceitassem dar esses direitos às pessoas. Depois, a imagem mudou, reconheci-o e ele começou a fazer um discurso entediante de Natal. Fiz uma enorme festa dentro da minha cabeça. Eu tinha acabado de salvar o mundo! Isto era super fixe! Depois, fui para a casa de banho lavar os dentes. Mas quando cheguei lá, vi alguém familiar. A Fada dos Direitos Humanos! – Olá! – exclamou ela. – Parabéns! A tua missão vai salvar milhões de pessoas em todo o mundo! No Mundo das Fadas Enfadonhas, toda a gente está a bater palmas. Senti-me orgulhoso de mim mesmo. De seguida, lembrei-me que ainda tinha a varinha de condão no bolso. Tirei-a e estendi-lha. – Oh, obrigado. Estava a fazer-me falta. Depois ela deu-me um abraço, despedi-me e ela despediu-se. A seguir, ela desapareceu em pó de fada. Talvez tenha sido a última vez que a vi, ou talvez não. Depois, retomo as celebrações de Natal. E tudo tinha começado no estranho dia em que toda a gente começou a falar de direitos. Acordo. Hoje é dia 10/12/2025, e faz um ano desde que a minha grande aventura começou. Depois da escola, voltei para casa a pé. Atirei a mochila pelo corredor e fui para a cozinha preparar o meu lanche: 1 kg de chocolates. A seguir, fui para o corredor, mas o que vi deixou-me chocado. É um pássaro? É um avião? Desta vez, tinha óculos, por isso reconheci rapidamente que era… uma fada! Mas não era a Fada dos Direitos Humanos. 93 “O Futuro dos Direitos é Agora” – Olá. Eu sou a Fada dos Direitos Animais, e sou prima da Fada dos Direitos Humanos -começou ela. – Ouvi falar do teu excelente desempenho com a missão do ano passado, e vou aproveitar o facto de hoje ser o Dia Internacional dos Direitos Animais. Tenho uma missão para ti. Comecei a ver a minha vida inteira a andar para trás, e gritei: – Outra vez, não!!! Direitos – Uma aventura Miguel Salvador Faria Duarte Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo, EB 1, Lisboa (categoria escrita criativa) 94 C (dos 16 aos 18 anos) 98 Escalão etário C 1.º lugar Fios condutores da nossa vida Matilde Beatriz Pinto ES Filipa de Vilhena, Porto (categoria escrita criativa) 99 “O Futuro dos Direitos é Agora” Existem uns fios que são invisíveis, intocáveis, mas muito fortes. São como as raízes que estão escondidas debaixo do chão que pisamos, como uma brisa que passa por nós sem a sentirmos. Estes fios parecem insignificantes, porém são uma das únicas que coisas que impedem a Humanidade de escorregar para o lado sombrio da vida. Estes fios chamam-se direitos humanos, mas são na verdade a ideia de dar valor à pessoa apenas por esta existir. Quando te levantas de manhã e tens um teto por cima da tua cabeça, existe um direito a dizer-te “Bom dia”. Quando vais à escola, mesmo sem vontade, e tens uma cadeira à tua espera, aparece outro direito, pois alguém um dia escreveu que todos têm o direito à educação. Quando expressas uma opinião, ou dizes algo inoportuno e ninguém te prende por isso, aparece outro direito, o da liberdade de expressão. Mas como acontece com tudo o que é valioso, esquecemo- nos. Pois é algo que está sempre presente, como o ar que respiramos, como a luz que entra pela janela numa manhã de primavera. Só reparamos que existe quando desaparece; quando um corpo é empurrado porque a sua cor de pele é diferente; quando uma mulher é silenciada por expor a sua opinião; quando duas pessoas que se amam são forçadas pela sociedade que as rodeia a esconderem-se, porque ali o seu amor é crime. Quando ocorre esse corte brusco no tecido do nosso quotidiano, é que realmente entendemos o verdadeiro significado dos direitos humanos: São muros que nos protegem! Os direitos humanos não vivem num discurso, num papel. Vivem nos gestos, na mão dada para ajudar o outro a erguer- se; vivem na palavra dita na hora certa. Vivem quando encaramos o outro como o nosso reflexo e não uma ameaça. Ainda assim, muitos consideram os direitos humanos como algo desnecessário. Pessoas que não conhecem realidades diferentes das suas, realidades em que a única opção é agarrar uma mala e fugir rumo ao desconhecido, com o objetivo de se proteger. Essas pessoas nunca tiveram o seu direito roubado, então não compreendem o que é viver sem ele. 100 Escalão etário C O país que habitamos. Um país lindo e cheio de promessas. Mas ainda há crianças a serem esquecidas, bairros que são como jaulas, vozes que são caladas pela vergonha. Há ainda quem olhe de lado, quem não respeite o próximo; quem confunda vingança com justiça. Esta situação demonstra que esta luta ainda não terminou, que ainda temos muito por que lutar, estamos apenas no meio desta incessante batalha. Mas ainda há esperança para o nosso mundo. Está no abraço que não exige uma explicação; nos protestos; na escuta do próximo. Sempre que dizemos “Isto não está certo”. Defender os direitos humanos é um ato de amor com nervos de ferro! No fim, tudo se resume a isto: que mundo é que escolhemos com os fios invisíveis que nos rodeiam? Aquele onde cada um se esconde dentro da sua bolha? Ou aquele onde reconhecemos o próximo como igual mesmo que este seja tudo o que não somos? Os direitos humanos não pedem por heróis. Pedem presença, pedem os olhos abertos e os ouvidos atentos. Pedem que nos relembremos que existem, mesmo que por um pequeno momento, e que existe beleza em proteger o que é de todos. Matilde Beatriz Pinto 101 “O Futuro dos Direitos é Agora” 2.º lugar A loucura da coragem Inês Ramos Pinto ES Filipa de Vilhena, Porto (categoria pintura) 102 Escalão etário C 3.º lugar O peso da (Des)humanidade Daniela Aline Nsingi Escola Europeia de Ensino Profissional, Braga (categoria desenho) 103 “O Futuro dos Direitos é Agora” A voz livre dos jovens Sofia Bessa Pinto e Maria João de Sá Botelho Escola de Comércio do Porto, Porto (categoria vídeo) O lazer também é importante Diogo Henrique Vieira Leite Martins Escola de Comércio do Porto, Porto (categoria desenho/cartaz) 104 Escalão etário C Onde arde o grito Mariana Rebola dos Santos Martins ES Luís de Freitas Branco, Lisboa (categoria escultura/pintura) A beleza está nos olhos de quem vê Oleksandra Romenska ES Luís de Freitas Branco, Lisboa (categoria pintura) 105 “O Futuro dos Direitos é Agora” A dignidade é de todos Leonardo Morais Barbosa; Tiago Miguel Carneiro Madureira; Rúben Daniel Silva Faria Escola de Comércio do Porto, Porto (categoria desenho/cartaz) Sombras da revolta Matheus Silva ES Luís de Freitas Branco, Lisboa (categoria pintura/escultura) 106 Escalão etário C Nem dor, nem silêncio Rúben Flávio Rodrigues Moura e Daniel José Costa Neves Escola de Comércio do Porto, Porto (categoria desenho/cartaz) Artigo 3 em ação Mafalda Teixeira Moura; João Carlos Cardoso Leite; Luana Alexandra Teixeira Azevedo; Madalena Gonçalves Coelho Escola de Comércio do Porto, Porto (categoria desenho/cartaz) 107 “O Futuro dos Direitos é Agora” Direitos Humanos, um tema tão falado ao longo dos anos, mas nunca falado o suficiente. O direito à igualdade de género, à educação, à liberdade de expressão, são alguns dos que ouvimos falar regularmente, mas desde quando é este tema alvo da preocupação das pessoas? Christine de Pizan, poetisa e filósofa italiana do século XIV, criticou a misoginia no meio literário, que era predominantemente masculino. Malala Yousafzai, ativista paquistanesa nascida no século XX, tem lutado pelo acesso à educação na sua cidade natal, um local opressivo onde as jovens são impedidas de frequentar a escola. Estas duas datas abrangem mais de seis séculos e diversos direitos. Quem luta por esta causa, sendo ou não reconhecido, está a fazê-lo num ato de justiça, pois, infelizmente, vivemos num mundo injusto onde há quem tenha de se preocupar com a sua educação ou com simples coisas que tomamos por garantidas. Estas ações são também feitas por solidariedade, porque quando lutamos por algo não o estamos a fazer apenas por nós, estamos a iniciar um caminho para que as gerações futuras consigam usufruir daquilo a que têm direito, mas nunca esquecendo que a luta é contínua. E, apesar de no momento, provavelmente, não nos apercebermos disso, estamos a lutar por algo maior que nós próprios. Estas pessoas que fizeram a diferença, no passado, são uma inspiração para quem há-de fazer a diferença agora. Os jovens de hoje têm de lutar pelos seus direitos, pelo que sabem estar errado no nosso planeta e por um mundo com maior tolerância. 108 Escalão etário C Quem luta por esta causa, sendo ou não reconhecido, está a fazê-lo num ato de justiça, pois, infelizmente, vivemos num mundo injusto onde há quem tenha de se preocupar com a sua educação ou com simples coisas que tomamos por garantidas. Estas ações são também feitas por solidariedade, porque quando lutamos por algo não o estamos a fazer apenas por nós, estamos a iniciar um caminho para que as gerações futuras consigam usufruir daquilo a que têm direito, mas nunca esquecendo que a luta é contínua. E, apesar de no momento, provavelmente, não nos apercebermos disso, estamos a lutar por algo maior que nós próprios. Estas pessoas que fizeram a diferença, no passado, são uma inspiração para quem há-de fazer a diferença agora. Os jovens de hoje têm de lutar pelos seus direitos, pelo que sabem estar errado no nosso planeta e por um mundo com maior tolerância. Ao refletir sobre este tema, percebemos que os direitos humanos devem estar ao alcance de todos, devem ser uma garantia para a sociedade e não apenas um sonho distante. Temos de continuar a lutar pela igualdade, tal como Christine de Pizan e muitos outros o fizeram há tantos anos. Independentemente do local de origem, do género, da idade ou de qualquer outro fator que nos torna quem somos, apenas queremos todos ser tratados como iguais e, acima de tudo, merecemos todos ter direito à vida, a uma vida justa e sem medos. Uma vida justa e sem medos Marta Leonor Braz Morgado Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo Azevedo, EB 1, Lisboa (categoria escrita criativa) 109 “O Futuro dos Direitos é Agora” Um só mundo, vários Direitos Pedrosa Mucandamavo CED D, Maria Pia, Casa Pia de Lisboa, Lisboa (categoria desenho) Educação é um Direito Juan Diego Esquível Escola Europeia de Ensino Profissional, Braga (categoria desenho) 110 Escalão etário C Silêncio de mil vozes: sem voz; sem paz Gabriela Guedes Faria da Silva de Jesus ES Filipa de Vilhena, Porto (categoria desenho) 111 Edição Provedoria de Justiça Design Sofia Semedo Produção Nastintas Revisão Provedoria de Justiça ISBN 978-972-8879-14-3 Depósito legal 553786/25 Tiragem 150 exemplares Data setembro 2025 “O FUTURO DOS DIREITOS É AGORA” Concurso realizado no âmbito das comemorações dos 50 anos da instituição do Provedor de Justiça em Portugal, em parceria com a Comissão Nacional da UNESCO e a sua Rede de Escolas Associadas.
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