Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 87/2021
- Data
- 2021-07-02
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (1509 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 87/2021
Sumário: Designa membros do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) é um órgão consultivo
independente que funciona junto da Assembleia da República e que tem por missão analisar os
problemas éticos suscitados pelos progressos científicos nos domínios da biologia, da medicina
ou da saúde em geral e das ciências da vida.
Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 24/2009, de 29 de maio, na sua re-
dação atual, que aprovou o regime jurídico do CNECV, cabe ao Conselho de Ministros, através de
resolução, designar cinco personalidades como membros do CNEV, sendo três de reconhecido
mérito científico nas áreas da biologia, da medicina ou da saúde em geral e das ciências da vida e
duas de reconhecido mérito científico nas áreas do direito, da sociologia ou da filosofia.
O mandato dos membros do CNECV tem a duração de cinco anos, não podendo ser renovado
mais de uma vez.
Atendendo a que membros do quinto e atual mandato do CNECV tomaram posse em 19 de
março de 2015, para um período de cinco anos, torna-se necessário proceder à designação de
novas personalidades para integrarem um futuro mandato.
Assim:
Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 24/2009, de 29 de maio, na sua redação
atual, e da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Designar as seguintes personalidades como membros do Conselho Nacional de Ética para
as Ciências da Vida, cujo mérito científico nas respetivas áreas é evidenciado nas notas curriculares
que constam do anexo à presente resolução e da qual fazem parte integrante:
a) Rosalvo Almeida;
b) Boaventura de Sousa Santos;
c) Paula Pinto de Freitas;
d) Inês Fernandes Godinho;
e) Inês Santos Estevinho Fronteira.
2 — Determinar que a presente resolução produz efeitos desde a data da sua aprovação.
Presidência do Conselho de Ministros, 9 de junho de 2021. — Pelo Primeiro-Ministro, Mariana
Guimarães Vieira da Silva, Ministra de Estado e da Presidência.
ANEXO
(a que se refere o n.º 1)
Notas curriculares
Rosalvo Almeida
É licenciado em Medicina, Porto (1970), fez o Internato Geral (1971-72) e de Neurologia
(1975-78) no Hospital de Santo António, Porto, e foi Alferes miliciano médico em Angola (1973-74).
É pós-graduado em Neurologia, Hospital for Nervous Diseases, Queen Square, Londres (1977),
e especialista em Neurologia pela Ordem dos Médicos (1979), com competência em Eletroence-
falografia/Neurofisiologia Clínica, também pela Ordem dos Médicos (1984). Foi chefe de serviço
hospitalar (1989) e fez o curso de mestrado em Saúde Pública, com aproveitamento, sem disserta-
ção, ICBAS/FMP (1996-98). É também pós-graduado em Direito da Medicina, Faculdade de Direito,
Universidade de Coimbra (2002-03).
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Foi neurologista no Centro Hospitalar de Gaia (1979-91), neurofisiologista clínico no Hos-
pital São Sebastião, Santa Maria da Feira (2001-05), neurologista/eletroencefalografista privado
e convencionado em Vila Nova de Gaia (1980/85-2005), e coordenador regional dos Gabinetes
do Cidadão na ARS Norte (2005-2008). Exerceu variados cargos associativos na área médica,
tendo sido membro da primeira direção (1983-85) do Sindicato dos Médicos do Norte (sócio
n.º 1), secretário-geral (1987-94) e presidente da direção (1994-97) da Liga Portuguesa contra a
Epilepsia, vogal do Conselho Regional do Norte (1996-98) da Ordem dos Médicos, secretário da
comissão instaladora da «Casa do Médico» (1993-98), membro da comissão instaladora (2004-06),
presidente da Assembleia Geral (2006-12) da EPI (associação portuguesa de familiares, amigos e
pessoas com epilepsia), Membro das comissões de ética da Sociedade Portuguesa de Neurologia
(2000-03), do Hospital de São Sebastião, Feira (2002-05), da ARS Norte (2009-11) e do Instituto
de Saúde Pública da Universidade do Porto (2013-16), e membro do Conselho Nacional de Ética
para as Ciências da Vida (2009-14). Recebeu a medalha de serviços distintos (grau «ouro») do
Ministério da Saúde (2010) e foi aluno ouvinte das cadeiras da licenciatura em Filosofia, Faculdade
de Letras, Universidade do Porto (2014-16).
Boaventura de Sousa Santos
É doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale (1973), professor catedrático
jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da
Universidade de Wisconsin-Madison. Foi também Global Legal Scholar da Universidade de Warwick
e professor visitante do Birkbeck College da Universidade de Londres.
É diretor emérito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e coordenador
científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
De 2011 a 2016, dirigiu o projeto de investigação «ALICE — Espelhos estranhos, lições impre-
vistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências o mundo», um projeto
financiado pelo Conselho Europeu de Investigação, um dos mais prestigiados e competitivos finan-
ciamentos internacionais para a investigação científica de excelência em espaço europeu.
Autor reconhecido e premiado em diversas partes do mundo, tem uma vasta obra escrita e
publicada extensivamente nas áreas de sociologia do direito, sociologia política, epistemologia e
estudos pós-coloniais, sobre movimentos sociais, globalização, democracia participativa, reforma
do Estado e direitos humanos, além de fazer trabalho de campo em Portugal, no Brasil, na Co-
lômbia, em Moçambique, em Angola, em Cabo Verde, na Bolívia e no Equador. Os seus trabalhos
encontram-se traduzidos em espanhol, inglês, italiano, francês, alemão, chinês, romeno, dinamar-
quês e polaco.
Paula Pinto de Freitas
Médica, doutorada em Medicina, especialista em Psiquiatria e Saúde Mental da Criança e
do Adolescente, é professora de Psicologia Médica e de Saúde Mental do Instituto de Ciências
Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto. Foi diretora do Departamento de Ciências
do Comportamento (2006-2012), é membro do Conselho Científico desde 2007 e codiretora do
mestrado de Medicina Legal e diretora do mestrado em Aconselhamento Genético do ICBAS
desde 2020. É membro da Comissão de Ética da Universidade do Porto desde 2019 e foi membro
da Direção do Colégio de Especialidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Ordem
do Médicos (2002-2009). Integra o Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do CHUP, dedicando
particular interesse à parentalidade e nomeadamente à área da Procriação Medicamente Assistida
e do Diagnóstico Pré-Natal, sendo responsável pelo Núcleo de Apoio ao Serviço de Obstetrícia e
Ginecologia do CMIN/CHUP. É também membro fundador e sócia honorária da Associação Por-
tuguesa para as Perturbações de Desenvolvimento e Autismo Norte APPDA-Norte (1984), sendo
responsável pela sua direção técnica.
Psicanalista, membro associado da Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) da Fédéracion
Européenne de Psyanalyse (FEP) e da International Psychoanalitical Association (IPA), desenvolve
Investigação Clínica e de Translação, tendo sido investigadora do ISPUP (2012-17) e sendo inves-
tigadora principal do grupo «InSight», CINTESIS desde 2019.
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Inês Fernandes Godinho
Professora associada na Universidade Lusófona do Porto, exercendo, desde 2018, funções
como diretora da licenciatura em Direito da Faculdade de Direito e Ciência Política daquela Univer-
sidade. É ainda diretora da ULP Law Review/Revista de Direito da ULP e presidente da Comissão
de Ética da Universidade Lusófona do Porto. Tem colaborado, como docente, com o Centro de
Direito Biomédico, com a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior e com
a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Doutorada em Ciências Jurídico-Criminais
pela Universidade de Coimbra, é vice-presidente do CEAD Francisco Suárez, sendo ainda investi-
gadora do Instituto Jurídico (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra). Em 2016 ganhou
um prémio do Max-Planck Institut (Freiburg) e em 2017 foi professora convidada na Martin-Luther
Universität Halle-Wittenberg, na Alemanha. Enquanto investigadora realizou diversas estadias de
investigação na Alemanha (Bonn e Freiburg) e em Inglaterra (Oxford), tendo participado em diversos
projetos de investigação. Tem como principais áreas de investigação o direito penal e processual
penal, o direito médico e a teoria das normas. É autora de mais de 40 títulos jurídicos, publicados
em Portugal e no estrangeiro.
Inês Santos Estevinho Fronteira
Licenciada em Enfermagem, pós-graduada em Epidemiologia, mestre em Saúde Pública e
doutorada em Saúde Internacional. Professora auxiliar no Instituto de Higiene e Medicina Tropical
da Universidade Nova de Lisboa. Membro do Conselho Científico do Research Center Global
Health and Tropical Medicine e coordenadora do Cross Cuting Issue Public Health Information.
Foi adjunta da Ministra da Saúde do XXI Governo Constitucional e perita do Conselho Nacional
de Saúde (2016-2018). Membro da equipa portuguesa do Observatório Europeu dos Sistemas de
Saúde. Deputy-editor da BMC Human Resources for Health. À data, publicou, como autora ou co-
autora, 60 artigos em revistas indexadas na Web of Science e/ou na Scopus, 29 artigos em revistas
não indexadas, 8 livros, 14 capítulos de livros, 21 relatórios ou outra literatura cinzenta, excluindo
teses e dissertações e 17 atas de congresso. Orientou vários trabalhos de pós-doutoramento,
doutoramento e mestrado. Recebeu três prémios e/ou homenagens. É investigadora em vários
projetos nacionais e internacionais. Atua na área de ciências médicas e da saúde com ênfase em
epidemiologia, serviços e políticas de saúde e recursos humanos da saúde.
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www.dre.pt
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