Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 29/2021
- Data
- 2021-03-22
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- ICNF, I. P
Texto integral (7851 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 29/2021
Sumário: Aprova os projetos de restauro e valorização de habitats naturais, com prevenção estrutu-
ral contra incêndios, nos Parques Naturais do Litoral Norte, do Alvão, da Serra da Estrela,
de Sintra-Cascais e do Vale do Guadiana.
A Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030, aprovada pela
Resolução do Conselho de Ministros n.º 55/2018, de 7 de maio, assume as áreas protegidas como
ativos estratégicos do território.
No Programa do XXII Governo Constitucional são igualmente assumidos os objetivos de pro-
mover a fixação das populações residentes em áreas protegidas, bem como programar e executar
intervenções de conservação e de recuperação de espécies de flora e fauna e habitats.
Assim, tem existido um progressivo empenho político do Governo e das autarquias locais em
valorizar estes ativos, concretizando uma gestão ativa e de proximidade das áreas protegidas,
com base numa nova cultura que é sensível às questões ambientais, que reconhece os valores
da conservação da natureza e o retorno social e económico de uma gestão que os acautele e
aproveite, e onde a manutenção da presença das atividades humanas é essencial para manter os
valores que os caraterizam.
Nos termos previstos no artigo 6.º do Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da
Biodiversidade, aprovado pelo Decreto‑Lei n.º 142/2008, de 24 de julho, na sua redação atual, a
conservação da natureza e da biodiversidade compreende o exercício de ações de conservação
ativa e de ações de suporte, correspondendo estas últimas à regulamentação, ordenamento, moni-
torização, acompanhamento, cadastro, fiscalização, apoio às ações de conservação ativa, visitação,
comunicação e vigilância dos valores naturais classificados.
Neste contexto, foram aprovados projetos em distintas áreas protegidas, designadamente,
em 2016, no Parque Nacional da Peneda Gerês, com a Resolução do Conselho de Ministros
n.º 83/2016, de 15 de dezembro, em 2017, nos Parques Naturais do Douro Internacional, de Mon-
tesinho e do Tejo Internacional, na Reserva Natural da Serra da Malcata e no Monumento Natural
das Portas de Ródão, com a Resolução do Conselho de Ministros n.º 167/2017, de 2 de novembro,
e, em 2019, nos Parques Naturais da Serra de São Mamede, das Serra de Aire e Candeeiros, da
Arrábida, do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e da Ria Formosa, na Reserva Natural das
Lagoas de Sancha e Santo André e nas Paisagens Protegidas da Serra do Açor e da Arriba Fóssil
da Costa da Caparica, com a Resolução do Conselho de Ministros n.º 14/2019, de 21 de janeiro.
Todos estes projetos partilham uma matriz comum de prevenção estrutural contra incêndios,
conceito este que, entretanto, evoluiu para o de «gestão do fogo rural», e de mobilização de meios e
equipamentos para a execução das ações no domínio da prevenção, da vigilância e da recuperação de
habitats, bem como de promoção de atividades e práticas conducentes a uma boa gestão de espécies
e habitats, que cumprem, também, os objetivos definidos no Plano Nacional de Gestão Integrada de
Fogos Rurais, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 45‑A/2020, de 16 de junho,
contribuindo para a visão nele expressa de um Portugal protegido de incêndios rurais graves.
Tendo em conta que estes projetos se têm revelado eficazes face aos objetivos estabelecidos
de restauro e valorização de habitats naturais, nalguns casos percorridos por incêndios, bem como
de prevenção estrutural, com resultados efetivos na diminuição do risco de incêndio e na afetação
de habitats e espécies, considera‑se justificada a necessidade e importância de ampliar este novo
modelo de gestão a outras áreas protegidas, criando, assim, uma quarta geração de projetos e dando
consistência e uma maior abrangência territorial à pretendida gestão ativa de áreas protegidas.
Esta quarta geração de projetos, elaborados para os Parques Naturais do Litoral Norte, do Alvão,
da Serra da Estrela, de Sintra‑Cascais e do Vale do Guadiana, e integrados na Rede Nacional de
Áreas Protegidas, mantém a linha de conceção dos anteriores projetos: o enfoque no restauro e na
valorização de habitats naturais, em paralelo com a prevenção estrutural contra incêndios e respetivos
meios e equipamentos necessários. De destacar ainda que as medidas definidas para estes novos
projetos consideram também as especificidades próprias de cada um destes parques naturais.
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Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar os projetos de restauro e valorização de habitats naturais, com prevenção es-
trutural contra incêndios, nos Parques Naturais do Litoral Norte, do Alvão, da Serra da Estrela, de
Sintra-Cascais e do Vale do Guadiana, constantes do anexo à presente resolução e da qual faz
parte integrante.
2 — Considerar urgentes e de interesse público os procedimentos administrativos necessários
para a concretização das medidas previstas nos referidos projetos, de maneira a que se encontrem
operacionais em momento anterior à época de maior risco de incêndio de 2021, designadamente
os procedimentos de contratação pública relativos à contratação de equipamentos e os procedi-
mentos relativos ao reforço do Corpo Nacional de Agentes Florestais, a atuar em cada um dos
cinco Parques Naturais referidos.
3 — Determinar que a presente resolução entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Presidência do Conselho de Ministros, 4 de março de 2021. — O Primeiro-Ministro, António
Luís Santos da Costa.
ANEXO
(a que se refere o n.º 1)
I — Projeto de restauro e valorização de habitats naturais do Parque Natural do Litoral Norte
1 — Enquadramento:
Através do Decreto-Lei n.º 357/87, de 17 de novembro, foi criada a Área de Paisagem Prote-
gida do Litoral de Esposende, que, posteriormente, através do Decreto Regulamentar n.º 6/2005,
de 21 de julho, foi reclassificada como Parque Natural do Litoral Norte, incluindo uma área marinha.
Constituído essencialmente por um cordão de praia arenosa e dunas primárias e secundárias
de grande instabilidade e em risco de erosão, apresenta um enquadramento ambiental, geológico e
paisagístico verdadeiramente único. A vegetação dunar presente apresenta características únicas, em
virtude das condições extremamente difíceis e agrestes onde ocorre, sendo de extrema importância
na fixação de areias durante o processo de formação dunar. Porém, observam-se também várias
espécies exóticas invasoras, que foram introduzidas com o objetivo de fixar as areias dunares, mas
cuja expansão monopolizou a flora existente, empobrecendo assim a biodiversidade e, em muitas
áreas, conduziu à eliminação total ou parcial da vegetação natural.
Esta área protegida, que se estende ao longo de 16 km da costa litoral Norte, entre a foz do rio
Neiva e a zona da Apúlia, abrangendo exclusivamente o concelho de Esposende, possui uma área
total de 8775 ha, sendo 7666 ha de área marinha e os restantes 1109 ha de área terrestre. Neste
território inclui-se parcialmente a Zona Especial de Conservação do Litoral Norte (PTCON0017),
no âmbito da Rede Natura 2000.
Considerando que a preservação do sistema dunar é uma das condições indispensáveis à
própria fixação de uma linha de costa atualmente sujeita a forte erosão, com o presente projeto
pretende-se incindir em ações de restauro e conservação do cordão dunar presente nesta área
protegida e com elevado valor ecológico, aumentando, dessa forma, a área de ocupação e per-
mitindo a melhoria do estado de conservação de habitats naturais prioritários, o que irá aumentar
a resiliência deste território aos fenómenos erosivos, que se vêm acentuando nos últimos anos.
Estando em causa a presença de habitats naturais relevantes, a prevenção estrutural será realizada
como um meio efetivo ao nível da prevenção da afetação desses mesmos habitats.
Com este projeto pretende-se ainda o desenvolvimento das funções de valorização desta área
protegida, sem que daí advenham riscos de degradação física e biológica para os valores naturais
presentes, criando, para esse efeito, as necessárias condições para a valorização da sua visitação
e fruição, ordenando a mesma e, por essa via, diminuindo a pressão antrópica num território que
tem uma forte atratividade do ponto de vista da visitação e do turismo balnear.
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O presente projeto será desenvolvido no Parque Natural do Litoral Norte, no concelho anterior-
mente mencionado, não obstante o âmbito geográfico da sua aplicação poder extravasar os seus
limites, desde que, por razões devidamente fundamentadas, os princípios subjacentes ao mesmo,
em matéria de recuperação e/ou valorização dos habitats naturais presentes, sejam determinantes.
2 — Medidas específicas:
2.1 — Restauro e valorização de habitats naturais, numa área de cerca de 16 ha:
a) Proteção de cordão dunar com elevado valor ecológico;
b) Aquisição, arrendamento ou constituição de direito de superfície de áreas dunares ou a
reconverter para tal;
c) Restauro e valorização de habitats naturais marinhos e estuarinos;
d) Eliminação e/ou redução da área ocupada por espécies exóticas invasoras, nomeadamente
Acacia longifolia e Carpobrotus edulis;
e) Instalação de um viveiro para a produção de plantas dunares autóctones.
2.2 — Valorização da visitação e fruição da área protegida:
a) Instalação de sinalética relativa aos valores naturais;
b) Valorização de percursos interpretativos, com a colocação de passadiços para salvaguarda
dos valores naturais de habitats prioritários presentes e sua compatibilização com a presença
humana;
c) Campanha de informação, comunicação e sensibilização da população e dos visitantes da
área protegida.
2.3 — Prevenção estrutural, como meio de prevenção da afetação de habitats naturais:
a) Criação de faixas de gestão de combustível e de mosaicos de parcelas de gestão de com-
bustível e manutenção de trilhos, visando o aumento da resiliência de habitats naturais;
b) Controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras.
2.4 — Equipas e equipamentos para complementar a ação do Corpo Nacional de Agentes
Florestais:
a) Contratação de uma equipa de cinco elementos para a execução das ações previstas no
projeto, designadamente no domínio da valorização e recuperação de habitats naturais, bem como
no domínio de prevenção, pré-supressão, supressão e pós-evento de incêndios rurais;
b) Aquisição de viatura e respetivo equipamento da equipa.
3 — Estimativa orçamental:
Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Restauro e valorização de habitats naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . € 535 000 € 80 250
Valorização da visitação e fruição da área protegida . . . . . . . . . . . € 100 000 € 15 000
Prevenção estrutural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 45 000 € 6 750
Contratação de Corpo Nacional de Agentes Florestais (1 equipa) € 240 000 € 240 000
Total . . . . . . . . . . . . . . . . € 920 000 € 342 000
4 — Cronograma financeiro:
Ano
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Valor total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 325 500 € 455 000 € 139 500
Valor do Fundo Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 116 825 € 136 250 € 88 925
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5 — Fontes de financiamento:
Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) e Fundo
Ambiental.
6 — Responsáveis pela implementação:
Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P. (ICNF, I. P.), com o apoio do mu-
nicípio de Esposende.
II — Projeto de restauro e valorização de habitats naturais do Parque Natural do Alvão
1 — Enquadramento:
O Parque Natural do Alvão foi criado através do Decreto-Lei n.º 237/83, de 8 de junho, pos-
suindo valores geomorfológicos e paisagísticos de grande interesse, como a série de cascatas
do rio Olo nas Fisgas de Ermelo, o caos granítico de Muas-Arnal e a queda de água do moinho
de Galegos da Serra. Ainda que seja o mais pequeno parque natural português, nele se encontra
grande diversidade biológica, de vegetação, flora e fauna, e paisagística, estando inventariadas
cerca de 500 espécies de flora e 200 espécies de fauna de vertebrados. Bosques de folhosas,
matagais, áreas agrícolas, turfeiras, vegetação aquática, galerias ripícolas, são alguns dos habitats
que albergam, alimentam e protegem as mais variadas espécies. Por outro lado, é uma região de
grande importância para diversas espécies faunísticas típicas de montanha, entre as quais merece
destaque o lobo-ibérico (Canis lupus ssp. signatus).
A presença humana nesta região é milenar, sempre na proximidade dos cursos de água, dos
quais o rio Olo é o principal, e em que a atividade agrossilvopastoril, em campos agrícolas, lameiros
e baldios, com a presença da raça bovina maronesa e da raça caprina bravia, com patrimónios
genéticos únicos, desempenha um relevante papel.
Esta área protegida, com uma área de 7200 ha, que ocupa parte da serra do Alvão, repartindo-
-se pelos concelhos de Vila Real e Mondim de Basto, integra a totalidade da Zona Especial de
Conservação do Alvão/Marão (PTCON0003), no âmbito da Rede Natura 2000.
Este projeto tem como objetivos materializar um conjunto muito relevante de ações funda-
mentais para assegurar a proteção e conservação de habitats naturais protegidos, gerir espaços
florestais sob cogestão pública, valorizar o habitat de espécies de fauna prioritária como o lobo-
-ibérico e informar, sensibilizar e mobilizar a população para a conservação do património natural,
em áreas relevantes do Parque Natural do Alvão. Estando em causa a presença de habitats naturais
relevantes, a prevenção estrutural será realizada como um meio efetivo ao nível da prevenção da
afetação desses mesmos habitats.
O presente projeto será desenvolvido no Parque Natural do Alvão, nos concelhos anteriormente
mencionados, não obstante o âmbito geográfico da sua aplicação poder extravasar os seus limites,
desde que, por razões devidamente fundamentadas, os princípios subjacentes ao mesmo, em ma-
téria de recuperação e/ou valorização dos habitats naturais presentes, sejam determinantes.
2 — Medidas específicas:
2.1 — Restauro e valorização de habitats naturais, numa área de cerca de 25 ha:
a) Proteção de vegetação autóctone com elevado valor ecológico;
b) Promoção da condução ou plantação de espécies arbóreas autóctones nas galerias ripícolas
e nas áreas adjacentes na cabeceira do rio Olo;
c) Gestão da ictiofauna do rio Olo;
d) Gestão de formações arbustivas espontâneas.
2.2 — Valorização do habitat do lobo-ibérico e das suas presas naturais:
a) Contributo para a coexistência da presença e atividade humana com o lobo-ibérico, garan-
tindo condições favoráveis à sua conservação e reduzindo a predação sobre os efetivos domésticos;
b) Adoção de boas práticas de maneio e proteção do gado e da gestão das áreas de pas-
toreio, visando diminuir o conflito Homem-lobo e aumentar as presas naturais disponíveis para o
lobo-ibérico.
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2.3 — Campanha de divulgação do projeto e sensibilização ambiental sobre boas práticas
agrossilvopastoris, dirigidas a população local, população escolar e associações ou organizações
agrossilvopastoris:
a) Divulgação de boas práticas agrossilvopastoris que contribuem para a manutenção e a
melhoria do estado de conservação do património natural, em particular dos habitats naturais e
seminaturais, com especial destaque para bosques de folhosas e galerias ripícolas;
b) Informação, comunicação e sensibilização da população;
c) Reforço das campanhas de vigilância e acompanhamento, em articulação com demais
entidades, incluindo a prevenção e o despiste da utilização de substâncias nocivas para espécies
com estatuto de conservação.
2.4 — Prevenção estrutural, como meio de prevenção da afetação de habitats naturais:
a) Criação de faixas de gestão de combustível e de mosaicos de parcelas de gestão de com-
bustível e manutenção de trilhos, visando o aumento da resiliência de habitats naturais;
b) Controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras;
c) Construção de bordaduras através da limpeza descontínua de matos.
2.5 — Equipas e equipamentos para complementar a ação do Corpo Nacional de Agentes
Florestais:
a) Contratação de duas equipas de cinco elementos para a execução das ações previstas no
projeto, designadamente no domínio da valorização e recuperação de habitats naturais, bem como
no domínio de prevenção, através da gestão de faixas de combustível, recuperação e abertura de
acessos, pré-supressão, supressão e pós-evento de incêndios rurais;
b) Aquisição de viaturas e respetivo equipamento da equipa.
3 — Estimativa orçamental:
Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Restauro e conservação de habitats naturais . . . . . . . . . . . . . . . . € 350 000 € 52 500
Valorização do habitat do lobo-ibérico e das suas presas naturais € 100 000 € 15 000
Campanha de divulgação do projeto e sensibilização ambiental
sobre boas práticas agrossilvopastoris. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 20 000 € 3 000
Prevenção estrutural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 150 000 € 22 500
Contratação de Corpo Nacional de Agentes Florestais (duas equi-
pas) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 480 000 € 480 000
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 1 100 000 € 573 000
4 — Cronograma financeiro:
Ano
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Valor total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 336 000 € 540 000 € 224 000
Valor do Fundo Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 186 400 € 217 000 € 169 600
5 — Fontes de financiamento:
POSEUR e Fundo Ambiental.
6 — Responsáveis pela implementação:
ICNF, I. P., com o apoio dos municípios de Mondim de Basto e Vila Real.
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III — Projeto de conservação, restauro e valorização de habitats naturais
e de espécies ameaçadas do Parque Natural da Serra da Estrela
1 — Enquadramento:
O Parque Natural da Serra da Estrela foi criado pelo Decreto-Lei n.º 557/76, de 16 de julho,
tendo sido estabelecido novos limites para esta área protegida com o Decreto Regulamentar
n.º 83/2007, de 10 de outubro.
Trata-se de uma região onde subsistem refúgios de vida animal e formações vegetais endémicas
de importância nacional, que, ainda para mais, possuem inegável valor paisagístico e cultural. Aqui
encontra-se o ponto mais alto de Portugal continental e parte importante das bacias hidrográficas
do Douro, do Tejo e do Mondego. A paisagem superior da serra, por ter sofrido uma forte influência
da glaciação quaternária, possui uma morfologia peculiar.
Este Parque Natural, com uma área de 89 338 ha e abrangendo o essencial do maciço da
Estrela, estende-se pelo território dos concelhos de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda,
Manteigas e Seia.
Para além desta classificação, os sucessivos estudos realizados sobre o Parque Natural da
Serra da Estrela acentuaram o valor e a singularidade do património natural existente, conduzindo
à declaração do planalto superior como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, em março
de 1993, à designação de uma área com 88 290 ha da serra da Estrela como Zona Especial de
Conservação (PTCON0014 — serra da Estrela), no âmbito da Rede Natura 2000, em 2000, e à
qualificação do parte do planalto superior da serra da Estrela e do troço superior do rio Zêzere como
sítio Ramsar (planalto superior da serra da Estrela e troço superior do rio Zêzere), em 2005.
Este projeto tem como objetivo desenvolver ações direcionadas para a conservação e a
valorização do património natural presente no Parque Natural da Serra da Estrela. Como tal,
preconizam-se ações especificamente em áreas de elevada sensibilidade territorial e capazes de
produzir efeitos positivos, que se reproduzam por efeito da dinâmica dos ecossistemas, com vista
à proteção e à recuperação de valores naturais com caráter excecional nesta área protegida, mas
cuja magnitude tenha simultaneamente impacte nacional, designadamente ao nível de habitats,
bem como de espécies da flora e da fauna, endémicas da serra da Estrela ou cuja única localidade
conhecida em Portugal se situe neste território. Estando em causa a presença de habitats naturais
relevantes, a prevenção estrutural será realizada como um meio efetivo ao nível da prevenção da
afetação desses mesmos habitats.
Pretende-se ainda salvaguardar os valores naturais presentes, definindo e implementando
linhas de atuação, com base na monitorização e na avaliação da evolução, ao longo do tempo, do
efeito das alterações climáticas nos ecossistemas de alta montanha.
O presente projeto será desenvolvido no Parque Natural da Serra da Estrela, nos concelhos
anteriormente mencionados, não obstante o âmbito geográfico da sua aplicação poder extravasar
os seus limites, desde que, por razões devidamente fundamentadas, os princípios subjacentes
ao mesmo, em matéria de recuperação e/ou valorização dos habitats naturais presentes, sejam
determinantes.
2 — Medidas específicas:
2.1 — Proteção das comunidades vegetais, como as turfeiras, cervunais, zimbrais, piornais
e os prados psicro-xerófilos, da pressão da visitação e fruição da área protegida, numa área de
cerca de 400 ha:
a) Identificação e caraterização de pontos críticos e desenvolvimento de soluções que per-
mitam proteger as comunidades vegetais de elevado valor ecológico, nomeadamente ao nível da
circulação de viaturas fora dos locais autorizados;
b) Implementação das soluções identificadas para proteção das comunidades vegetais, e
respetiva recuperação e proteção nos locais com elevado valor ecológico.
2.2 — Recuperação e valorização dos bosques oromediterrânicos de teixo (Taxus baccata):
a) Gestão in situ das populações autóctones atuais, numa área de cerca de 10 ha;
b) Gestão ex situ das populações autóctones atuais, com vista à constituição de seis tapadas
de clones, numa área de cerca de 35 ha.
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2.3 — Gestão de bosquetes estremes — reliquiais, numa área de cerca de 250 ha, visando
salvaguardar os efetivos populacionais existentes em alta montanha e fomentar a sua expansão:
a) Gestão de bosquetes de Betula alba, Crataegus monogyna, Ilex aquifolium, Quercus ilex,
Quercus pyrenaica, Salix atrocinerea, Sorbus sp. (autóctones), entre outras;
b) Gestão de bosquetes de azereiro (Prunus lusitanica).
2.4 — Salvaguarda de espécies e habitats prioritários, numa área abrangente de cerca de
5000 ha, definindo e implementando linhas de atuação baseadas numa avaliação prévia do efeito
das alterações climáticas nos ecossistemas naturais presentes em alta montanha:
2.5 — Prevenção estrutural, como meio de prevenção da afetação de habitats naturais:
a) Aquisição de utensílios e de equipamentos para realização de operações manuais e moto-
manuais de gestão da vegetação, com enfoque em locais remotos;
b) Manutenção de caminhos pedonais e de canadas utilizadas no pastoreio do gado ou nos
movimentos de transumância, entre o sopé da serra e os locais em alta montanha;
c) Controlo de espécies exóticas, designadamente na área da Reserva Biogenética do Planalto
Central da Serra da Estrela.
2.6 — Equipas e equipamentos para complementar a ação do Corpo Nacional de Agentes
Florestais:
a) Contratação de duas equipas de cinco elementos para a execução das ações previstas no
projeto, designadamente no domínio da valorização e recuperação de habitats naturais, bem como
no domínio de prevenção, através da gestão de faixas de combustível, recuperação e abertura de
acessos, pré-supressão, supressão e pós-evento de incêndios rurais;
b) Aquisição de viaturas e respetivo equipamento da equipa.
3 — Estimativa orçamental:
Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Proteção das comunidades vegetais (turfeiras, cervunais, zimbrais,
piornais e os prados psicro-xerófilos) da pressão da visitação e
fruição da área protegida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 100 000 € 15 000
Recuperação e valorização dos bosques oromediterrânicos de teixo
(Taxus baccata) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 100 000 € 15 000
Gestão de bosquetes estremes (reliquiais) . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 250 000 € 37 500
Salvaguarda de espécies e habitats prioritários, definindo e imple-
mentando linhas de atuação baseadas numa avaliação prévia
do efeito das alterações climáticas nos ecossistemas naturais
presentes em alta montanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 200 000 € 30 000
Prevenção estrutural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 50 000 € 7 500
Contratação de Corpo Nacional de Agentes Florestais (duas equi-
pas) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 480 000 € 480 000
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 1 180 000 € 585 000
4 — Cronograma financeiro:
Ano
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Valor total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 300 000 € 500 000 € 380 000
Valor do Fundo Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 181 000 € 211 000 € 193 000
5 — Fontes de financiamento:
POSEUR e Fundo Ambiental.
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6 — Responsáveis pela implementação:
ICNF, I. P., com o apoio dos municípios de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda,
Manteigas e Seia.
IV — Projeto de restauro e valorização de habitats naturais e de espécies
prioritárias do Parque Natural de Sintra-Cascais
1 — Enquadramento:
A Área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais foi criada pelo Decreto-Lei n.º 292/81, de
15 de outubro, tendo sido reclassificada como Parque Natural de Sintra-Cascais através do Decreto
Regulamentar n.º 8/94, de 11 de março.
Trata-se de uma área protegida que contém paisagens naturais e humanizadas de interesse
nacional, exemplo de integração harmoniosa da atividade humana e da conservação da natureza
e da diversidade e equilíbrio ecológicos.
Este Parque Natural, com uma área de 14 583 ha e localizado em território pertencente aos
concelhos de Sintra e Cascais, tem a serra de Sintra, com 528 m de altitude máxima, como seu
elemento dominante, a que se juntam, a completar a paisagem, uma extensa área rural e uma
distinta faixa costeira.
Para além desta classificação, o Parque Natural de Sintra-Cascais integra a lista de Sítios do
Património Mundial da UNESCO — Paisagem Cultural de Sintra — classificado em 6 de dezem-
bro de 1995 pelo Comité do Património Mundial da UNESCO e sobrepõe-se parcialmente à Zona
Especial de Conservação de Sintra-Cascais (PTCON008), no âmbito da Rede Natura 2000.
O projeto tem como objetivos recuperar e valorizar habitats naturais presentes nesta área
protegida, designadamente habitats dunares e de arribas, habitats de matagais, habitats ripícolas
e habitats associados à paisagem biodiversa, com especial atenção para as espécies nativas de
flora e fauna ameaçadas, visando travar a contínua perda de biodiversidade.
A conservação dos valores naturais presentes no Parque Natural de Sintra-Cascais reside
essencialmente na articulação harmoniosa das atividades humanas com o património natural, pre-
tendendo este projeto promover uma gestão eficaz da vegetação, com realce para os matagais, a
vegetação ripícola e os prados, enriquecendo o mosaico rural, enquanto alicerce de biodiversidade e
que contribua efetivamente para a diminuição da proliferação de espécies alóctones marcadamente
pirófilas, bem como da probabilidade de risco dos incêndios rurais. Estando em causa a presença
de habitats naturais relevantes, a prevenção estrutural será realizada como um meio efetivo ao
nível da prevenção da afetação desses mesmos habitats.
Dada a forte humanização do território, o projeto pretende envolver as comunidades locais, em
particular a população escolar, nas ações de restauro dos habitats, numa ótica de sensibilização e
educação ambiental para os problemas associados à degradação das comunidades vegetais com
interesse de conservação, bem como para as suas funções e para os serviços prestados pelos
ecossistemas.
O presente projeto será desenvolvido no Parque Natural de Sintra-Cascais, nos concelhos
anteriormente mencionados, não obstante o âmbito geográfico da sua aplicação poder extravasar
os seus limites, desde que, por razões devidamente fundamentadas, os princípios subjacentes
ao mesmo, em matéria de recuperação e/ou valorização dos habitats naturais presentes, sejam
determinantes.
2 — Medidas específicas:
2.1 — Restauro e valorização de habitats dunares e de arribas, no Guincho/Abano e em Sa-
marra/São Julião, numa área de cerca de 10 ha:
a) Restauro de áreas degradadas dos tipos de habitat alvo (habitat 1240 — Falésias com vege-
tação das costas mediterrânicas com Limonium spp. endémicas e habitat prioritário 2250* — dunas
litorais com Juniperus spp., subtipo 1 — dunas e paleodunas com matagais de Juniperus turbinata
subsp. Turbinata e as espécies Omphalodes kuzinskyanae, Verbascum litigiosum e Limonium mul-
tiflorum e Jonopsidium acaule) e/ou dos tipos de habitat favoráveis à ocorrência das espécies alvo
(Omphalodes kuzinskyanae, Verbascum litigiosum e Limonium multiflorum);
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b) Elaboração e execução de um plano de deteção, controlo e erradicação de espécies exóticas
invasoras, que inclua a identificação de áreas prioritárias de atuação;
c) Reforço dos núcleos populacionais existentes e criação de novos núcleos em área de ha-
bitat adequado;
d) Ordenamento das acessibilidades em áreas sujeitas a maior pressão humana através de
estruturas de passadiço e balizadores.
2.2 — Restauro, gestão e valorização de habitats, em Azoia e Cabo da Roca, numa área de
cerca de 10 ha:
a) Gestão dos tipos do habitat 4030 — charnecas secas europeias, subtipo 1 — tojais e urzais-
-tojais aero-halófitos mediterrânicos e subtipo 3 — urzais, urzais-tojais urzais-estevais mediterrânicos
não litorais; do habitat 5210 — Matagais arborescentes de Juniperus spp., subtipo 2 — zimbrais-
-carrascais de Juniperus turbinata subsp. Turbinata sobre calcários, e do habitat 5330 — Matos
termomediterrânicos pré-desérticos;
b) Controle e erradicação de espécies exóticas invasoras;
c) Adensamentos com espécies autóctones.
2.3 — Restauro e valorização de habitats ripícolas, nas ribeiras da Mata, da Samarra e de Co-
lares, numa área de cerca de 15 ha, designadamente nas áreas de refúgio estival e de reprodução
das espécies Iberochondrostoma lusitanicum (boga-portuguesa) e Squalius pyrenaicus (escalo):
a) Conservação e recuperação de galerias ripícolas e de espécies macrófitas no leito e nas
margens destas ribeiras, com recurso a técnicas de engenharia natural;
b) Criação de pegos para abrigo das espécies;
c) Ações de monitorização e de reforço das populações piscícolas ameaçadas, em articulação
com os Projetos de Conservação ex situ de Organismos Fluviais e Peixes Nativos;
d) Controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras nos cursos de água, designadamente
a Cana-da-Índia (Arundo donax) e o lagostim-vermelho-da-Louisiana (Procambarus clarkii).
2.4 — Restauro e valorização de habitats visando uma paisagem biodiversa, numa área de
cerca de 10 ha:
a) Substituição de sebes de canas por sebes vivas autóctones;
b) Promoção de mosaico de vegetação com instalação de pastagens biodiversas;
c) Contenção da sucessão vegetacional, nas áreas de prados.
2.5 — Campanhas de divulgação do projeto e sensibilização e formação ambiental dirigidas
à população local:
a) Instalação de painéis informativos contendo informação relativa à localização e à importância
da conservação dos valores naturais presentes, incluindo códigos de conduta;
b) Realização de ações de voluntariado para consolidação das intervenções nos habitats e sen-
sibilização sobre questões ambientais junto das comunidades locais e dos utilizadores destas áreas.
2.6 — Prevenção estrutural, como meio de prevenção da afetação de habitats naturais, numa
área de cerca de 60 ha:
a) Gestão estratégica de habitats em mosaicos de gestão de combustível, visando uma pai-
sagem biodiversa, a descontinuidade florestal e o aumento da resiliência de habitats naturais.
2.7 — Equipas e equipamentos para complementar a ação do Corpo Nacional de Agentes
Florestais:
a) Contratação de uma equipa de cinco elementos para a execução das ações previstas no
projeto, designadamente no domínio da valorização e recuperação de habitats naturais, bem como
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no domínio de prevenção, através da gestão de faixas de combustível, recuperação e abertura de
acessos, pré-supressão, supressão e pós-evento de incêndios rurais;
b) Aquisição de viatura e respetivo equipamento da equipa.
3 — Estimativa orçamental:
Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Restauro e valorização de habitats dunares e de arribas — Guincho/
Abano e Samarra/São Julião . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 140 625 € 21 093,75
Restauro, gestão e valorização de habitats — Azoia/Cabo da
Roca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 19 375 € 2 906,25
Restauro e valorização de habitats ripícolas — ribeiras da Mata,
da Samarra e de Colares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 225 000 € 33 750
Restauro e valorização de habitats visando uma paisagem biodi-
versa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 60 000 € 9 000
Campanhas de divulgação do projeto e sensibilização e formação
ambiental dirigidas à população local . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 15 000 € 2 250
Prevenção estrutural (gestão estratégica de habitats em mosaicos
de gestão de combustível) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 180 000 € 27 000
Contratação de Corpo Nacional de Agentes Florestais (uma
equipa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 240 000 € 240 000
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 880 000 € 336 000
4 — Cronograma financeiro:
Ano
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Valor total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 425 625 € 270 000 € 184 375
Valor do Fundo Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 131 844 € 108 500 € 95 656
5 — Fontes de financiamento:
POSEUR e Fundo Ambiental.
6 — Responsáveis pela implementação:
ICNF, I. P., com o apoio dos municípios de Cascais e Sintra.
V — Projeto de restauro e valorização de habitats mediterrânicos naturais e de habitats
de espécies ameaçadas no Parque Natural do Vale do Guadiana
1 — Enquadramento:
O Parque Natural do Vale do Guadiana foi criado pelo Decreto Regulamentar n.º 28/95, de
18 de novembro, possuindo um assinalável interesse faunístico, florístico, geomorfológico, paisa-
gístico e histórico-cultural.
O vale do rio Guadiana materializa a coluna vertebral deste Parque Natural, onde se obser-
vam importantes manifestações geomorfológicas. Nas vertentes mais íngremes e em alguns dos
seus afluentes sobrevive o matagal mediterrânico, coberto vegetal original e habitat representativo
desta região biogeográfica. Apresenta uma grande diversidade faunística que inclui espécies
raras e ameaçadas, com elementos característicos da região mediterrânica, com destaque para
as grandes aves de rapina, as aves estepárias, os carnívoros, de entre os quais se destaca o
lince-ibérico, bem como um elevado número de endemismos piscícolas ibéricos e da bacia do
Guadiana.
Esta área protegida, com uma área total de 69 770 ha, situa-se no troço médio do rio Gua-
diana, em território pertencente aos concelhos de Mértola e Serpa. O seu valor ambiental está
reforçado pelo facto de integrar a Zona de Proteção Especial do Vale do Guadiana (PTZPE0047)
e a Zona Especial de Conservação do Guadiana (PTCON003), no âmbito da Rede Natura 2000.
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Neste território inclui-se ainda o Sítio de Importância Internacional para a Conservação das Zonas
Húmidas — Ribeira do Vascão.
Estas áreas classificadas, que confluem com o Parque Natural, reforçam e alargam a expres-
são territorial dos elementos do património natural a conservar ao longo dos vales afluentes do rio
Guadiana, territórios que atualmente se apresentam, regra geral, sujeitos a processos de abandono
e com maior risco de incêndio.
Neste sentido, é objetivo deste projeto a implementação de ações de valorização da rege-
neração natural de espécies autóctones e a manutenção do mosaico de habitats e da paisagem
existente, que contribuem para o aumento da resiliência à progressão dos incêndios.
Tem igualmente como objetivo a valorização de habitats e a melhoria do seu estado de conser-
vação e das espécies emblemáticas que ocorrem nesta área protegida. Em simultâneo pretende-se
que este projeto contribua para a adequação de comportamentos face à conservação do solo, dos
habitats e das espécies, que, no seu conjunto, concorram para a dinâmica existente, mas que estão
em risco devido aos processos de desertificação e de acentuação dos fenómenos extremos climá-
ticos. Estando em causa a presença de habitats naturais relevantes, a prevenção estrutural será
realizada como um meio efetivo ao nível da prevenção da afetação desses mesmos habitats.
Esta área protegida possui uma rede de percursos pedestres, que ocorrem em espaços de
relevante valor paisagístico e biológico, pretendendo-se ainda com este projeto garantir uma ade-
quada monitorização dos seus visitantes, para uma melhor gestão dos mesmos.
O presente projeto será desenvolvido no Parque Natural do Vale do Guadiana, nos concelhos
anteriormente mencionados, não obstante o âmbito geográfico da sua aplicação poder extravasar os
seus limites, desde que, por razões devidamente fundamentadas, os princípios subjacentes ao mesmo,
em matéria de recuperação e/ou valorização dos habitats naturais presentes, sejam determinantes.
2 — Medidas específicas:
2.1 — Medidas de restauro e valorização de habitats naturais:
2.1.1 — Restauro de habitats e áreas florestais, numa área de cerca de 250 ha:
a) Restauro, conservação, gestão e redução do risco de incêndio em povoamentos florestais;
b) Restauro em áreas de declive acentuado.
2.1.2 — Manutenção do mosaico de habitats naturais e mitigação do efeito das alterações
climáticas, numa área de cerca de 250 ha:
a) Execução de medidas de gestão do habitat 5330, nomeadamente através da instalação de
pontos de água, campos de alimentação e moroiços;
b) Execução de ações de manutenção do mosaico agrícola através da implementação de
sementeiras de leguminosas.
2.1.3 — Recuperação e melhoria do estado de conservação dos habitats 92A0 e 92D0 e do
habitat prioritário 3170*, numa área de cerca de 5 ha:
a) Execução de alternativas às captações de água, destinadas a abeberamento animal, em
pegos com relevância para a conservação da ictiofauna;
b) Execução de medidas de gestão e conservação dos charcos temporários mediterrânicos.
2.1.4 — Fomento de habitat de nidificação de aves, numa área de cerca de 250 ha:
a) Instalação de caixas-ninho para o francelho-das-torres, Falco naumanni, nos locais com
aptidão para a respetiva reprodução;
b) Instalação de plataformas de nidificação para grandes águias;
c) Instalação de caixas-ninho para espécies insectívoras.
2.2 — Medidas de valorização específicas dirigidas a habitats de espécies:
2.2.1 — Proteção de ninhos de aves estepárias:
a) Salvaguarda da nidificação das espécies de aves estepárias, mediante a manutenção do
seu habitat de reprodução, pelo tempo necessário à emancipação destas crias.
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2.2.2 — Diminuição do efeito-barreira provocado pelas vedações em áreas relevantes para
as aves estepárias, mediante a substituição ou a modificação das mesmas, uma vez que estas
impedem que as crias, ainda dependentes, acompanhem os seus progenitores:
a) Aumento da permeabilidade das vedações às crias destas espécies;
b) Diminuição do risco de embate pelos adultos destas espécies.
2.2.3 — Reforço dos equipamentos de captura, marcação e monitorização visual das espé-
cies alvo, de forma a garantir a verificação e validação das ações implementadas e resultados
obtidos:
a) Aquisição de equipamento com vista ao seguimento de espécies alvo de conservação, no
sentido de adquirir conhecimento e competências na área da gestão das mesmas.
2.3 — Campanhas de divulgação do projeto e sensibilização ambiental sobre boas práticas
agrossilvopastoris, no contexto de alterações climáticas, dirigidas a população local, população
escolar e associações ou organizações agrossilvopastoris:
a) Conceção e implementação de um projeto que vise a sensibilização da comunidade;
b) Divulgação de boas práticas agrossilvopastoris que contribuem para a manutenção e a
melhoria do estado de conservação do património natural, em particular dos habitats naturais e do
solo enquanto seu suporte.
2.4 — Valorização da visitação e fruição da área protegida:
a) Implementação e recuperação de sinalética direcional e informativa;
b) Aquisição de equipamentos de contagem automática de visitantes em percursos pedestres
e em estruturas de receção.
2.5 — Prevenção estrutural, como meio de prevenção da afetação de habitats naturais:
a) Criação de faixas de gestão de combustível, visando o aumento da resiliência de habitats
naturais.
2.6 — Equipas e equipamentos para complementar a ação do Corpo Nacional de Agentes
Florestais:
a) Contratação de uma equipa de cinco elementos para a execução das ações previstas no
projeto, designadamente no domínio da valorização e recuperação de habitats naturais, bem como
no domínio de prevenção, através da gestão de faixas de combustível, recuperação e abertura de
acessos, pré-supressão, supressão e pós-evento de incêndios rurais;
b) Aquisição de viatura e respetivo equipamento da equipa.
3 — Estimativa orçamental:
Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Medidas de restauro e valorização de habitats naturais . . . . . . . . € 525 000 € 78 750
Medidas de valorização específicas dirigidas a habitats de espé-
cies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 105 000 € 15 750
Campanhas de divulgação do projeto e sensibilização ambiental
sobre boas práticas agrossilvopastoris, no contexto de alterações
climáticas, dirigidas à população escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 65 000 € 9 750
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Estimativa Estimativa
Medidas específicas
orçamental — total orçamental — Fundo Ambiental
Valorização da visitação e fruição da área protegida . . . . . . . . . . . € 30 000 € 4 500
Prevenção estrutural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 30 000 € 4 500
Contratação de Corpo Nacional de Agentes Florestais (uma
equipa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 240 000 € 240 000
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 995 000 € 353 250
4 — Cronograma financeiro:
Ano
Ano 1 Ano 2 Ano 3
Valor total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 240 000 € 377 500 € 377 500
Valor do Fundo Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . € 104 000 € 124 625 € 124 625
5 — Fontes de financiamento:
POSEUR e Fundo Ambiental.
6 — Responsáveis pela implementação:
ICNF, I. P., com o apoio dos municípios de Mértola e Serpa.
114072051
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