Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 183/2021
- Data
- 2021-12-28
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (29 163 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 183/2021
Sumário: Aprova o Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável — Horizonte 2025.
A bioeconomia, cuja promoção foi identificada no Programa do XXII Governo Constitucional
no âmbito do desafio estratégico das alterações climáticas, é um modelo económico que, através
da substituição da utilização de recursos fósseis por recursos de base biológica, promove a adoção
de economias regenerativas e distributivas, que permitam dar resposta ao contínuo desenvolvi-
mento económico-social, respeitando os limites naturais dos ecossistemas terrestres e marinhos.
Em 2018, a Comissão Europeia procedeu à atualização da Estratégia para a Bioeconomia de 2012
intitulada «Uma bioeconomia sustentável na Europa: Reforçar as ligações entre a economia, a
sociedade e o ambiente», reconhecendo que uma bioeconomia sustentável e circular será essen-
cial para alcançar uma Europa neutra em termos de gases com efeito de estufa e reforçando a
necessidade de assegurar o máximo impacto da aplicação do modelo bioeconómico em relação
às diferentes prioridades da Europa — em especial as definidas na política industrial renovada,
no plano de ação para a economia circular e no Pacote «Energia Limpa para todos os Europeus».
Os desafios colocados à sociedade requerem uma ação conjunta em diversas áreas estratégicas
transformadoras através da aposta na inovação, acesso prioritário ao financiamento, bem como a
adoção de novos e sustentáveis modelos de negócio. Neste âmbito, a bioeconomia sustentável e
circular assume um papel central, enquanto opção eficiente para promover, aprofundar e facilitar
a transição verde em linha com Pacto Ecológico Europeu e com os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.
Portugal apresenta um elevado potencial na área da Bioeconomia, detendo um forte setor primá-
rio nas fileiras florestal, agrícola, das pescas e da aquicultura que contribuem de forma significativa
para a economia nacional. Tem também soberania e jurisdição sobre um extenso território marítimo,
dotando-o de elevadas condições de biodiversidade e disponibilidade de recursos de base biológica.
Assim, importa criar condições para se concretizar a transição para uma bioeconomia verda-
deiramente inovadora e de baixas emissões de carbono, sendo necessário um maior envolvimento
de parceiros de vários setores de atividade económica para uma mudança de paradigma. É neces-
sário adotar novos modelos de desenvolvimento económico, que respeitem o princípio «uso em
cascata» dos recursos e que coloquem a natureza, os ecossistemas, a saúde e o bem-estar das
populações como prioridades de ação e proteção.
A presente resolução aprova o Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável (PABS),
que é sustentado em cinco eixos de intervenção chave: (i) Incentivar a produção sustentável
e utilização inteligente de recursos biológicos de base regional; (ii) Promover a Investigação,
Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e tecnológica nacional de
excelência; (iii) desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e
nos processos; (iv) Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de competências
através da educação e da formação; e (v) Monitorizar a Bioeconomia: avaliar a evolução, compreen-
der os limites dos ecossistemas e promover a certificação.
O PABS realça a relevância do investimento em novas abordagens e tecnologias para a criação
de novos processos, produtos e serviços de maior valor acrescentado, bem como para a criação de
emprego e de riqueza, a coesão territorial a par da preservação dos recursos naturais. Constitui,
em simultâneo, uma oportunidade para o avanço tecnológico nomeadamente para as simbioses
industriais, a minimização e a valorização dos resíduos de produção e pós-consumo, no contexto
de uma economia circular, contribuindo para aumentar o ciclo de vida dos materiais enquadrada
numa visão estratégica de médio longo prazo.
Este instrumento estratégico enquadra, ainda, as medidas previstas no Plano de Recuperação
e Resiliência no âmbito da promoção da Bioeconomia Sustentável, nomeadamente a mobilização
de investimento público e privado em projetos nas áreas da indústria do têxtil e vestuário, e do
calçado, e nas ações de valorização da resina natural.
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A elaboração do PABS contou com uma ampla participação dos diversos agentes interessados
e da sociedade em geral, quer através de uma articulação direta com os principais setores visa-
dos e com os representantes de associações representativas dos diferentes setores de atividade
económica, quer pela promoção de consulta pública do plano, entre 8 e 19 de novembro de 2021.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar o Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável (PABS) — Horizonte 2025, que
consta do anexo à presente resolução e da qual faz parte integrante.
2 — Determinar que a promoção e a supervisão do PABS é assegurada pela Comissão para
a Ação Climática, criada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 56/2015, de 30 de julho,
na sua redação atual, devendo o seu regulamento de funcionamento aprovado pelo Despacho
n.º 2873/2017, de 23 de março, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 69, de 6 de abril
de 2017, ser revisto, na medida do necessário, no prazo de 60 dias após a entrada em vigor da
presente resolução, no sentido da sua adequação ao PABS.
3 — Criar o Grupo de Coordenação do PABS, coordenado pela Agência Portuguesa do
Ambiente, I. P. (APA, I. P.), com as seguintes atribuições:
a) Coordenar a execução das orientações constantes do plano;
b) Monitorizar e avaliar o progresso da execução do plano, com periodicidade anual a contar
da respetiva aprovação, e a publicitar no respetivo sítio na Internet;
c) Avaliar o impacto das políticas na perspetiva da bioeconomia sustentável, com periodicidade
bienal a contar da respetiva aprovação;
d) Centralizar e divulgar a informação sobre os mecanismos de apoios financeiros e fiscais
disponíveis às empresas que queiram investir no domínio da bioeconomia sustentável;
e) Promover a disseminação dos princípios da bioeconomia sustentável nas políticas gover-
namentais, bem como do conhecimento produzido, nacional e internacionalmente.
4 — Estabelecer que o Grupo de Coordenação do PABS integra, além dos elementos do
Comité Coordenador para as iniciativas da Bioeconomia, criado pelo Despacho n.º 2702-B/2021,
publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 48, de 10 de março de 2021, representantes das
entidades relevantes das áreas governativas da economia, do planeamento, da ciência, tecnologia
e ensino superior, do trabalho, solidariedade e segurança social, do ambiente, da coesão territorial,
da agricultura e do mar devendo a designação dos respetivos representantes ser comunicada à
APA, I. P., no prazo de 10 dias.
5 — Estabelecer que, para efeitos de monitorização e avaliação do progresso de execução do
PABS, o Grupo de Coordenação do PABS deve, regularmente, consultar personalidades e entidades
representativas nas áreas a desenvolver pelo plano de ação, nomeadamente, representantes do
ensino superior e da investigação científica, laboratórios colaborativos, organizações não gover-
namentais do ambiente, associações empresariais, associações profissionais.
6 — Estabelecer que o Grupo de Coordenação do PABS deve considerar os resultados do
trabalho do Comité Coordenador para as iniciativas da Bioeconomia, que tem o desígnio de con-
ceber, desenvolver, coordenar e monitorizar a execução das ações previstas na Componente do
Plano de Recuperação e Resiliência «Promoção da Bioeconomia Sustentável».
7 — Determinar que que o Grupo de Coordenação do PABS pode reunir através de meios
telemáticos, devendo fixar o seu regulamento de funcionamento no prazo de 30 dias após a desig-
nação dos respetivos representantes.
8 — Determinar que os membros do Grupo de Coordenação do PABS não auferem qualquer
acréscimo remuneratório ou abono pelo exercício das suas funções.
9 — Estabelecer que o PABS é revisto até 1 de janeiro de 2026.
10 — Determinar que a presente resolução produz efeitos à data da sua aprovação.
Presidência do Conselho de Ministros, 25 de novembro de 2021. — O Primeiro-Ministro,
António Luís Santos da Costa.
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ANEXO
(a que se refere o n.º 1)
Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável – Horizonte 2025
1. BIOECONOMIA SUSTENTÁVEL
1.1. Definição e âmbito
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, de acordo com as projeções
apresentadas no relatório World Population Prospects de 2019, a população mundial irá aumentar
em cerca de dois mil milhões de habitantes até 2050. Também segundo a ONU, o
crescimento populacional nas próximas décadas será acompanhado por uma diminuição dos
níveis de pobreza extrema em todo o mundo e por um aumento do poder de compra das
populações.
Este crescimento populacional e económico gera uma pressão insustentável sobre os
recursos naturais e matérias-primas. A ONU estima que, em 2050, será necessário o
equivalente a três planetas para fornecer os recursos naturais necessários para sustentar os
atuais hábitos e estilos de vida.
A combinação do crescimento da população com padrões incomportáveis de produção e
consumo contribui ainda para o aumento da poluição e degradação ambiental. Do mesmo
modo, os riscos associados às alterações climáticas, à redução da disponibilidade de água
doce e à deterioração da qualidade do ar e da água afetam todas as atividades económicas
dependentes dos diferentes ecossistemas, como a pesca, a agricultura e a floresta, entre
outros.
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Esta tendência económica, impossível de ignorar, requer uma mudança profunda de
paradigma. É necessário adotar novos modelos de desenvolvimento económico, que
coloquem a natureza, os ecossistemas, a saúde e o bem-estar das populações como
prioridades de ação e proteção. Esta mudança requer políticas transformadoras e aposta na
inovação, no acesso prioritário ao financiamento, na capacidade de assumir e prevenir riscos,
bem como na adoção de novos e sustentáveis modelos de negócio e mercados.
A Bioeconomia Sustentável é um segmento da economia que procura transformar recursos biológicos
renováveis em recursos de valor acrescentado para posterior uso na economia e aproveitamento pelo
setor terciário através da criação de novas cadeias de valor.
Neste contexto, a Bioeconomia surge como o único modelo económico capaz de dar uma
resposta eficaz a este desafio da Humanidade, que deve ser acompanhado por outras políticas
que conduzam, por exemplo, a uma mudança ao nível dos padrões de consumo.
A Bioeconomia tem como principal objetivo substituir a utilização de recursos fósseis por
recursos de base biológica. Este objetivo deve focalizar-se na produção de alimentos para
consumo humano e animal, em produtos de base biológica com novas funcionalidades ou
que substituam outros de origem fóssil ou ainda na produção de bioenergia, transformando
e inovando processos organizacionais e produtivos, de forma a diminuir a dependência dos
recursos fósseis e, simultaneamente, aumentar a competitividade e melhorar a qualidade de
vida da sociedade. Simultaneamente, pode contribuir para a descarbonização, para a
dinamização da economia circular, para a valorização territorial e para a promoção da
eficiência energética e da utilização eficiente dos recursos naturais.
Este modelo socioeconómico procura instituir a adoção de economias regenerativas e
distributivas, que permitam dar resposta ao contínuo desenvolvimento económico-social,
respeitando os limites naturais dos ecossistemas terrestres e marinhos. Estes ecossistemas,
bem como os serviços que podem proporcionar, estão na base deste modelo
socioeconómico, sendo esse o seu capital natural. É um modelo multidisciplinar, envolvendo
áreas de estudo como a agronomia, silvicultura, ecologia, ciência alimentar, ciências sociais e
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engenharia, incluindo também as várias áreas tecnológicas, tais como a biotecnologia,
nanotecnologia, robótica, tecnologias de informação e comunicação. A Bioeconomia
abrange todos os setores e sistemas que dependem de recursos biológicos (animais, plantas,
microrganismos e biomassa, incluindo biorresíduos), as suas funções e princípios,
designadamente os setores económicos e industriais que utilizam recursos e processos de
base biológica para produção de alimentos para consumo humano e animal, bens e produtos,
energia e serviços. Por esta via, a Bioeconomia reforça a conservação, o melhoramento e a
valorização dos recursos genéticos e as variedades locais.
A Bioeconomia percorre os setores de produção primária que utilizam e produzem recursos
biológicos (agricultura, floresta, pesca e aquicultura), assim como todos os restantes setores
económicos e industriais de base biológica, interligando-os e criando oportunidades para
novas sinergias.
Os setores associados à agricultura, à floresta e ao mar deverão evoluir no seu perfil de sustentabilidade,
circularidade e de descarbonização, permitindo a criação de uma rede industrial de base biológica, de
caráter local e impacto global, com perfil de inovação e orientada para novos produtos e serviços,
enfrentando os desafios sistémicos transversais nas diferentes cadeias de valor, incluindo a criação de
sinergias e compromissos.
Partindo do princípio de que nem todas as atividades de Bioeconomia são necessariamente
sustentáveis e circulares e que o desenvolvimento de uma economia assente em recursos
biológicos enfrenta vários trade-offs, é necessário assegurar o sucesso desta transição
económica, identificando-se dois fios condutores que não podem nunca deixar de estar
presentes: a circularidade e a sustentabilidade.
A utilização destes recursos de forma desequilibrada pode contribuir para agravar os
impactos negativos associados a plantações intensivas e a desadequadas práticas agrícolas, à
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desflorestação, à perda da biodiversidade, ao aumento da utilização de pesticidas de forma
não controlada ou não sustentável, ou à redução da área disponível para a produção de
alimentos, colocando em causa a segurança alimentar. Assim sendo, é crucial que a aposta na
Bioeconomia Sustentável contribua para a redução do consumo excessivo e do desperdício
e, simultaneamente, para a proteção dos solos, das florestas, do mar, de sistemas agrícolas de
alto valor natural e de outros ecossistemas vulneráveis, permitindo, desta forma, alcançar os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.
Na medida em que possui um forte setor primário na fileira florestal, agroalimentar, da pesca
e da aquicultura, que contribuem de forma significativa para a economia nacional, como
adiante se demonstra, Portugal é um país com elevado potencial na área da Bioeconomia.
Portugal detém ainda soberania e jurisdição sobre um extenso território marítimo, de grande
biodiversidade e disponibilidade de recursos de base biológica. Adicionalmente, possui uma
forte base científica nas ciências marinhas e biotecnológicas, que poderão servir de base para
a transformação bioeconómica das suas indústrias. O setor da biotecnologia em Portugal tem
igualmente uma elevada capacidade de inovação em processos, produtos e serviços, podendo
alavancar de forma relevante a transição para a Bioeconomia.
A sequenciação genómica e a bioinformática a par do conhecimento que as agências
internacionais vão possuindo sobre as novas tecnologias genómicas poderão ser motivos
para impulsionar redes e fileiras industriais tendentes ao incremento da sustentabilidade.
A visão do presente Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável (PABS) centra-se no
processamento e valorização de matérias-primas biológicas, assim como no estabelecimento
de novas cadeias de valor envolvendo os setores mais tradicionais, tendo sido desenvolvido
em colaboração com entidades de diversas áreas, nomeadamente da indústria, da investigação
e da Sociedade Civil, incorporando um conjunto de medidas e ações, cuja implementação
deverá ocorrer até 2025, com o objetivo de impulsionar uma verdadeira Bioeconomia
Sustentável. A implementação e execução destas medidas será ainda fundamental para que
se cumpram os já referidos ODS, em particular os relacionados com os compromissos
assumidos no Acordo de Paris e na Agenda 2030 das Nações Unidas, bem como os
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compromissos nacionais assumidos no âmbito do Roteiro para a Neutralidade Carbónica
2050 (RNC2050), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2019, de 1 de
julho, do Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) , aprovado pela Resolução do
Conselho de Ministros n.º 53/2020, de 10 de julho, e da Estratégia Nacional para o Mar
2021-2030 (ENM 21-30), aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 68/2021,
de 4 de junho.
Figura 1- Representação esquemática da Bioeconomia.
1.2. Enquadramento Europeu
A Bioeconomia assume um papel fundamental na transição da Europa para uma economia
sustentável e neutra em carbono, que exigirá grandes esforços de investimento em todos os
setores de atividade económica. O Pacto Ecológico Europeu refere que a concretização dos
objetivos traçados em matéria de clima e energia exigirá, até 2030, investimentos adicionais
no valor de 260 mil milhões de euros por ano. Este plano de ação está alinhado e contribui
para os objetivos e metas estabelecidos na Lei Europeia para o Clima e no Plano para atingir
a Meta Climática em 2030, designadamente, para promover o aumento de sequestro de
carbono a nível europeu.
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A Bioeconomia Sustentável tem um papel muito relevante na concretização destes objetivos,
através do apoio à modernização e consolidação da indústria da União Europeia (UE),
criando novas cadeias de valor e processos industriais mais ecológicos, revelando-se como
uma oportunidade para toda a Europa.
De acordo com os dados estatísticos da Eurostat da Comissão Europeia, em 2017 a
Bioeconomia na UE-28 gerou um volume de negócios (VN) de 2,4 biliões de euros, o que
representou um aumento de 25 % em relação a 2008. No mesmo ano, a Bioeconomia
gerou 750 mil milhões de euros de valor acrescentado na UE, representando 5,7 % do seu
Produto Interno Bruto (PIB) e empregando mais de 18,5 milhões de pessoas.
Para concretizar esta transição para uma Bioeconomia verdadeiramente inteligente,
inovadora e de baixas emissões de carbono, é necessário um maior envolvimento dos
stakeholders dos vários setores de atividade económica para uma mudança de paradigma.
Em 2012, a Comissão Europeia adotou a estratégia «Inovar para o crescimento sustentável: Uma
Bioeconomia para a Europa». Esta estratégia refere que a Bioeconomia tem como objetivo
preparar «(...) a via para uma Sociedade mais inovadora, eficiente na utilização de Recursos, competitiva,
que concilie a segurança alimentar com a utilização sustentável dos recursos renováveis para fins industriais,
garantindo simultaneamente a proteção do ambiente».
Na apresentação desta estratégia foram definidos cinco objetivos principais:
1. Garantir a segurança alimentar e nutricional;
2. Gerir os recursos naturais de forma sustentável;
3. Reduzir a dependência de recursos não renováveis e não sustentáveis, tanto obtidos na
UE como importados;
4. Mitigar e adaptar às alterações climáticas;
5. Reforçar a competitividade europeia e criar postos de trabalho.
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Em 2018, a Estratégia para a Bioeconomia foi revista, em virtude da necessidade sentida pela
Comissão Europeia de fazer face aos atuais desafios económicos, sociais e ambientais, tendo
como objetivo acelerar a transição para uma Bioeconomia mais sustentável e circular.
“(…) Se não explicarmos o que a Bioeconomia pode fazer, então o seu potencial continuará a ser
potencial. O sucesso futuro da estratégia depende de como mostramos aos cidadãos que a Bioeconomia é
uma forma de criar soluções!”1
A nova Estratégia Europeia para a Bioeconomia, «Uma Bioeconomia Sustentável na Europa:
Reforçar as Ligações entre a Economia, a Sociedade e o Ambiente», revalidou os cinco objetivos
principais identificados em 2012, e propôs três domínios de ação para concretizar o potencial
associado a este segmento2:
• Reforçar e assegurar a expansão dos setores de base biológica, libertar investimentos e
abrir mercados;
• Implantar rapidamente bioeconomias locais em toda a Europa;
• Compreender os limites ecológicos da Bioeconomia.
Para cada um destes domínios foi definido um conjunto de ações, que se listam de seguida.
1
European Commissioner for Research Science & Innovation in the Conference Sustainable and circular Bioeconomy, the European
way (22 October 2018, Brussels, Belgium).
2
A biomedicina e as biotecnologias da saúde não são abrangidas.
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Ações previstas na estratégia europeia para a Bioeconomia «Uma Bioeconomia Sustentável na Europa:
Reforçar as Ligações entre a Economia, a Sociedade e o Ambiente»
Eixo 1 - Expansão e reforço dos setores de produtos de base biológica, libertar investimentos e abrir mercados
1.1 Mobilizar as partes interessadas públicas e privadas na investigação, demonstração e implantação de soluções
de base biológica sustentáveis, inclusivas e circulares;
1.2 Lançar plataforma de investimento temática para a Bioeconomia circular, no montante de 100 milhões de
EUR;
1.3 Estudo e análise dos elementos catalisadores, estrangulamentos e promoção de orientações para uma
atuação voluntária no sentido da implantação de inovações de base biológica;
1.4 Promover e desenvolver normas e incentivos de mercado emergentes e melhorar os rótulos aplicáveis aos
produtos de base biológica, com base em dados fiáveis e comparáveis sobre o desempenho ambiental e climático;
1.5 Facilitar a implantação de novas biorrefinarias sustentáveis, confirmando de que tipo deverão ser e o
respetivo potencial estimado;
1.6 Investigação e inovação para o desenvolvimento de substitutos de base biológica, recicláveis e biodegradáveis
em ambiente marinho, em alternativa aos materiais de base fóssil e de métodos de biorrecuperação, mobilizando
os principais intervenientes nas respetivas cadeias de valor, incluindo a cadeia de valor dos plásticos, por forma
a contribuir para que os mares e oceanos europeus estejam livres de plásticos e sejam sãos e produtivos.
Eixo 2 - Implantação rápida de Bioeconomias locais em toda a Europa
2.1 Desenvolver uma agenda estratégica para a implantação de sistemas alimentares e agrícolas, de silvicultura e
de produção de base biológica sustentáveis numa Bioeconomia circular;
2.2 Implementar ações-piloto de apoio ao desenvolvimento da Bioeconomia a nível local (rural, costeiro, urbano)
através de instrumentos e programas da Comissão;
2.3 Criar um mecanismo de apoio às políticas da UE em matéria de Bioeconomia e um Fórum Europeu da
Bioeconomia para os Estados-Membros;
2.4 Promover a educação, formação e competências em todos os setores da Bioeconomia.
Eixo 3 - Compreender os limites ecológicos da Bioeconomia
3.1 Melhorar os conhecimentos sobre a Bioeconomia, nomeadamente sobre biodiversidade e ecossistemas, a fim
de proceder à sua implantação dentro de limites ecológicos seguros, conhecimentos esses que deverão ser
divulgados através do Centro de Conhecimentos em Bioeconomia;
3.2 Reforçar as capacidades de observação, medição, acompanhamento e comunicação de informações e
desenvolver à escala da UE um sistema de monitorização coerente a nível internacional para acompanhar o
progresso económico, ambiental e social, no sentido de uma Bioeconomia Sustentável;
3.3 Promover orientações para uma atuação voluntária, no sentido da exploração da Bioeconomia dentro de
limites ecológicos seguros;
3.4 Integrar melhor os benefícios dos ecossistemas ricos em biodiversidade na produção primária através de um
apoio específico à agroecologia, do desenvolvimento de soluções baseadas no microbioma e de novos
instrumentos para integrar polinizadores nas cadeias de valor de abastecimento.
FONTE: “Uma Bioeconomia Sustentável na Europa: Reforçar as Ligações entre a Economia, a Sociedade e o
Ambiente”
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De acordo com a Estratégia Europeia para uma Bioeconomia Sustentável, este modelo
económico tem um elevado potencial em quatro temáticas fundamentais:
1. Criação de Emprego – a Bioeconomia representa 8 % da mão-de-obra da UE e, até 2030,
poderão ser criados 1 milhão de empregos em indústrias de base biológica, principalmente
em zonas rurais e costeiras;
2. Mitigação do clima e neutralidade carbónica – a Bioeconomia contribui para a redução
das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e da dependência de recursos fósseis;
3. Modernização, renovação e reforço do setor primário industrial – o desenvolvimento da
Bioeconomia e da inovação associada permitirá modernizar os setores da agricultura,
floresta, pesca e aquicultura e renovar as indústrias associadas;
4. Recuperação dos ecossistemas e promoção da biodiversidade – a Bioeconomia contribui
para os ODS das Nações Unidas e para o objetivo europeu de recuperação dos
ecossistemas em degradação.
A aposta numa Bioeconomia que se pretende circular, eficiente e sustentável assume-se como
mais um contributo essencial para atingir a maioria dos ODS da Agenda 2030 das Nações
Unidas. Numa análise global, a Bioeconomia tem o potencial de contribuir diretamente para,
pelo menos, 14 dos 17 ODS.
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Um dos objetivos da Bioeconomia circular e sustentável é contribuir para o Consumo e
Produção Sustentáveis (ODS12) através de uma gestão agrícola e florestal, bem como dos
recursos aquáticos, promovendo a valorização do território e o sequestro de carbono e
contribuindo para a segurança alimentar e nutricional (ODS2 - Erradicar a Fome) assim
como para a Saúde e Bem Estar (ODS3 – Saúde de Qualidade).
A Bioeconomia, ao reduzir a dependência de materiais e energia de origem fóssil (ODS7 –
Energias Renováveis e Acessíveis), contribui para a mitigação das alterações climáticas
(ODS13 - Ação Climática).
Simultaneamente, as melhorias ao nível dos métodos de cultivo e produção contribuem para
proteger a biodiversidade e reduzir a pressão sobre o Mar (ODS14 - Proteger a Vida
Marinha), a Terra (ODS15 - Vida Terreste) e a Água (ODS6 - Água Potável e Saneamento).
Um conceito intrínseco à Bioeconomia prende-se com a inovação ao nível dos processos
produtivos (ODS 9 - Indústria, Inovação e Infraestruturas) para obter produtos de base
biológica com maior valor acrescentado, criando empregos inclusivos (ODS8 - Trabalho
Digno e Crescimento Económico) e oportunidades socioeconómicas, sobretudo ao nível
regional e local (ODS10 – Redução das Desigualdades).
Neste âmbito, é importante valorizar e aproveitar os conhecimentos locais atualmente
existentes e impulsionar a partilha do «saber fazer» entre as comunidades (ODS4 - Educação
de Qualidade) para preservar os serviços ecossistémicos locais, estimular o desenvolvimento
de comunidades sustentáveis (ODS11 - Comunidades Sustentáveis) e reduzir o nível de
pobreza (ODS1 - Erradicar a Pobreza).
A Estratégia Europeia para a Bioeconomia é complementada por outros documentos de
referência e estratégias políticas europeias, que se cruzam nos vários domínios abrangidos
pela Bioeconomia, nomeadamente, a agricultura, a floresta, a pesca, a aquicultura, a energia,
os biorresíduos, as indústrias alimentares e as indústrias de base biológica. O presente PABS
tem igualmente em consideração a Estratégia Europeia de financiamento da transição para
uma economia sustentável e, em particular as orientações para uma taxonomia para o
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investimento sustentável, pelo que os projetos a desenvolver neste contexto devem cumprir
os requisitos aí estabelecidos e não «prejudicar significativamente o ambiente».
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1.3. Enquadramento Nacional
Portugal não teve, até à data, qualquer estratégia direcionada para a Bioeconomia Sustentável,
tendo, no entanto, beneficiado de um conjunto de planos de ação, roteiros e outras iniciativas
que representaram passos significativos em direção a uma política e a uma estratégia nacional
nesta área.
Assim, o presente PABS consubstanciou-se nos seguintes planos e estratégias, como quadros
de referência:
• Plano de Ação para a Economia Circular em Portugal (PAEC), aprovado pela Resolução
do Conselho de Ministros n.º 190-A/2017, de 11 de dezembro;
• RNC 2050;
• PNEC 2030;
• Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (ENCNB 2030),
aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 55/2018, de 5 de julho;
• Estratégia Nacional para as Florestas (ENF), aprovada pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 6-B/2015, de 4 de fevereiro;
• Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), cuja revisão foi
aprovada pela Lei n.º 99/2019, de 5 de setembro;
• Estratégia Nacional de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente
(ENEI);
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• Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030, aprovada pela Resolução do Conselho
de Ministros n.º 86/2020, de 13 de outubro;
• Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas 2020 (ENCPE 2020), aprovada
pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 38/2016, de 29 de julho;
• ENM 21-30;
• Plano Nacional para a Promoção de Biorrefinarias (PNPB Horizonte 2030), aprovado
pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 163/2017, de 31 de outubro;
• Estratégia e Plano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar, aprovados pela
Resolução do Conselho de Ministros n.º 46/2018, de 27 de abril.
• Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD), aprovado pela
Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2014, de 24 de dezembro.
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2. BIOECONOMIA EM PORTUGAL - DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Portugal, pela sua biodiversidade e disponibilidade de recursos de base biológica, pela sua
localização, geomorfologia e ocupação humana, é um país com um contexto muito favorável
para potenciar a Bioeconomia Sustentável.
Portugal tem 22 % da sua área territorial integrada na Rede Natura 2000. Segundo dados da
União Internacional para a Conservação da Natureza, em Portugal estão representadas 35 mil
espécies de animais e plantas, ou seja, 22 % da totalidade de espécies descritas na Europa e
2 % no mundo.
Portugal tem um setor primário forte nas fileiras florestal e agroalimentar, na pesca e na
aquicultura (incluindo algas e microalgas).3 Estes setores, juntamente com outros, como a
transformação de produtos de cortiça e de couro, contribuem de forma significativa para a
economia nacional e têm uma forte componente local. Com a extensão da plataforma
continental portuguesa, o País terá sob sua soberania e jurisdição um novo território
marítimo, que poderá levar a um acréscimo de até 1,3 milhões km², passando Portugal a deter
uma área total de até 3,9 milhões km², cerca de 40 vezes a área de Portugal continental.
Segundo o relatório «Bioeconomia Circular e Digital», realizado pela COTEC Portugal -
Associação Empresarial para a Inovação em colaboração com a Universidade Católica
(2020), a Bioeconomia em Portugal representa 7 % do valor acrescentado bruto (VAB),
12 mil milhões de euros, acima dos 4,9 % da média europeia.
Segundo este relatório, a Bioeconomia emprega cerca de 600 mil trabalhadores, 13,3 % do
emprego total em Portugal.
O mapeamento dos setores essenciais para a Bioeconomia incorpora uma complexa rede de
processos e stakeholders e permite prever os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades
e os desafios atribuíveis a cada uma das cadeias de valor baseadas nos recursos biológicos.
3
Bio-Based Industries Consortium PT -MAPPING THE POTENTIAL OF PORTUGAL FOR THE BIO-BASED INDUSTRY, Country Report
Update, 99pp. https://biconsortium.eu/sites/biconsortium.eu/files/downloads/Country_Report_Portugal.pdf
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Figura 2- Cadeia de valor esquemática da Bioeconomia.
A implementação de mudanças significativas em vários aspetos das cadeias de valor é
fundamental para aproveitar todas as oportunidades de inovação em novos produtos e novos
serviços, com a criação de emprego a nível local.
O uso dos recursos biológicos deve ser orientado tendo em vista a sustentabilidade e a
responsabilidade social, considerando os impactos que pode gerar. Deve também ser
suportado por um conhecimento científico amplo e robusto, que assegure, simultaneamente,
a mitigação dos impactos negativos nos ecossistemas e a preservação da sua biodiversidade
e resiliência.
Aumentar a eficiência em todos os níveis da cadeia de valor, desde a produção das matérias-
-primas, logística e utilização de materiais, até à recuperação de energia, bem como repensar
o comportamento do consumidor, no que diz respeito ao prolongamento da vida útil dos
produtos, são alguns dos desafios que se colocam.
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A dinamização do modelo económico baseado na Bioeconomia tem, como referido
anteriormente, um enorme potencial de criação de emprego direto, de combate às alterações
climáticas, e na preservação da biodiversidade e dos ecossistemas.
Estes são os principais ganhos a longo prazo desta estratégia. Mas esta transição económica
traz consigo um conjunto de oportunidades, ao longo de todas as cadeias de valor, que serão
promovidas e exploradas. São oportunidades que surgirão pela necessidade de dar resposta
aos desafios referidos anteriormente, ao nível da introdução de inovação na produção e
transformação das matérias-primas naturais e renováveis e da inovação nos processos
logísticos e na produção industrial e pela introdução no mercado de novos bioprodutos de
elevado valor acrescentado.
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2.1. Setor Primário
2.1.1. Florestas
A floresta nacional tem uma indiscutível importância em termos territoriais, devido à sua
representatividade de ocupação do solo a nível nacional, em termos económicos, enquanto
base de fileiras industriais desenvolvidas, em termos sociais, enquanto garante de emprego
em zonas rurais, e em termos ambientais, enquanto garante da regulação do sistema hídrico,
de preservação do solo e de proteção microclimática.
Em termos territoriais, segundo os dados do 6.º Inventário Florestal Nacional, 36 % do
território continental português é ocupado por floresta (Figura 3), sendo o eucalipto, o
sobreiro e o pinheiro-bravo as espécies mais representativas.
Figura 3- Distribuição dos usos do solo em Portugal continental (IFN6, 2015).
Em termos económicos, de acordo com as últimas contas económicas da silvicultura
publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, I.P. (INE, I.P.) referentes ao ano de 2017,
o peso relativo do VAB da silvicultura na economia nacional foi de 0,5 %, representando
871,44 M€ a preços correntes. O saldo da balança comercial dos produtos de origem florestal
(matérias-primas e produtos transformados), foi sempre excedentário no quinquénio 2014-
-2018, tendo aumentado de 2,5 mil M€ em 2017 para 2,6 mil M€ em 2018.
Apesar de se terem registado aumentos sucessivos nas importações de produtos de origem
florestal (passando de 2,0 mil M€ em 2014 para 2,5 mil M€ em 2018), estes foram superados
pelas exportações, que também apresentaram tendência crescente, passando de 4,5 mil M€
em 2014 para 5,1 mil M€ em 2018.
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Em termos sociais, em 2016, o setor florestal representou 3 % do emprego nacional, com
mais de 111 mil pessoas diretamente ao serviço da silvicultura, indústria e comércio de base
florestal, uma parte considerável em regiões deprimidas do ponto de vista económico.
Em termos ambientais, os territórios florestais e agroflorestais fornecem inúmeros
contributos para o bem-estar da sociedade, relevantes numa perspetiva de curto, médio e
longo prazos. Como exemplos enumeram-se o controlo da erosão, a regulação do ciclo
hidrológico, a conservação da biodiversidade, a redução da suscetibilidade ao fogo, o
combate à desertificação ou a qualidade da paisagem.
Noutro âmbito, relevam-se as oportunidades de recreio e lazer ou a identidade cultural.
A floresta e o setor florestal desempenham, assim, um papel indiscutivelmente central na
Bioeconomia, fornecendo produtos, bioenergia e um leque de serviços ecossistémicos.
Contudo, os problemas que têm afetado a floresta portuguesa, nomeadamente o agudizar de
pragas e a extensão e recorrência de incêndios, repercutem se na sustentabilidade da gestão
florestal.
Segundo o Estudo «Nova política para a provisão e remuneração de Serviços dos
ecossistemas em espaços rurais em Portugal — o Problema, a Política e a Implementação»
coordenado pelo CENSE – Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, FCT-
Universidade NOVA de Lisboa e Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, nos
territórios rurais portugueses, e particularmente nos territórios florestais e agroflorestais, têm
vindo a acentuar-se um conjunto de problemas de ordem económica, social e ambiental que
tornam evidente a insustentabilidade da trajetória de desenvolvimento seguida nas últimas
décadas. O diagnóstico é o de uma economia de baixa rentabilidade e pouco resiliente nos
espaços florestais e agroflorestais, associada ao envelhecimento e redução da população
residente, ao aumento da incidência e severidade dos incêndios e a problemas ambientais
como a expansão de espécies exóticas invasoras, a erosão e perda de solo, a redução das áreas
florestadas com espécies autóctones ou a perda de biodiversidade.
Assim, na gestão e utilização sustentável e multifuncional dos territórios florestais é
necessário considerar tanto a mudança do ambiente operacional, com o aumento dos riscos
e da incerteza, como a necessidade de adaptação e mitigação às alterações climáticas.
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Ao nível da mitigação, refere-se que os objetivos do Protocolo de Quioto foram, em 2012,
alcançados com sucesso, tendo para o efeito sido contabilizados o sequestro de carbono
agrícola e florestal. Em 2015, quando o Acordo de Paris foi assinado, Portugal já tinha
assumido metas de redução de emissões enquadradas no pacote 2030 da UE.
Por fim, refere-se que uma parte considerável do setor florestal português encontra-se
sustentada na utilização de matérias-primas de produção nacional, característica que constitui
uma importante mais-valia comparativamente a outras atividades económicas nacionais
produtoras de bens transacionáveis.
A valorização das produções florestais, na sua abrangência, implica a maximização do
aproveitamento de todas as suas possibilidades. A estratégia subjacente deverá desenvolver
e promover as melhores práticas nas cadeias de valor de base florestal, integrando a
reutilização dos sobrantes no processo produtivo. Assim, a utilização eficiente dos recursos
e transição para a Bioeconomia tem subjacente a análise compreensiva de um conjunto de
fileiras4 e do respetivo ciclo de vida do produto (Figura 4):
• Fileira da madeira (serração, carpintaria para construção, embalagens de madeira,
mobiliário e outros produtos de madeira), com produções na ordem dos 769,1 mil m3 e
das 271 mil toneladas e balança comercial de 393 mil dólares e 6,35 milhões de dólares,
respetivamente, para os resíduos de madeira e para a madeira recuperada pós consumo;
• Fileira da pasta, papel e cartão, com produções de 922,8 mil toneladas e uma balança
comercial de 40,6 milhões de dólares de papel recuperado e uma balança comercial de
242 mil dólares de pasta de fibra recuperada;
• Fileira da cortiça, com produções de cerca de 397 mil toneladas e uma balança comercial
de mais de 33,7 milhões de euros de desperdícios de cortiça, cortiça triturada, granulada
ou pulverizada;
4
FAO, 2018. FOASTAT system, Rome, Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO);
- INE, I.P., 2018. Estatísticas do Comércio Internacional & Contas Económicas da silvicultura, Lisboa, Instituto Nacional de Estatística.
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• Fileira da energia, em que, nos últimos anos, devido ao aumento da capacidade instalada
de centrais de biomassa para energia, assim como de unidades industriais de produção de
pellets e briquetes, se tem assistido a um agravamento da disponibilidade de biomassa no
mercado nacional, embora exista biomassa de origem florestal que atualmente não é
utilizada (e. g. matos), e que, em grande parte, é responsável pelos problemas associados à
perigosidade de incêndio rural, carecendo de novas abordagens e de desenvolvimento de
tecnologias que permitam o seu aproveitamento;
• Setor da resina natural de pinheiro que, apesar da diminuição drástica da produção, nos
últimos 20 anos, revela um ambiente favorável à revitalização da produção nacional de
colofónia e aguarráz, manifestando tendência para o aumento da produção, bem como
dos preços da resina à entrada da fábrica.
Figura 4 - Valor económico das fileiras da floresta.
No que toca ao desenvolvimento da Bioeconomia baseada na floresta, foram identificados
vários desafios que se traduzem, sobretudo, no combate ao absentismo dos proprietários
florestais e à diminuição dos riscos associados ao investimento florestal, indicadores que se
têm agravado nos últimos anos. Neste âmbito, releva a estrutura fundiária em Portugal,
marcada pela dispersão, fragmentação e pequena dimensão da propriedade, em particular a
norte do Tejo, que apresenta deficiências estruturais, as quais comprometem a viabilidade e
sustentabilidade económica das explorações, gerando áreas de matos e floresta sem gestão.
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Para solucionar este estrangulamento, estão a ser adotadas estratégias de gestão agregada que
têm por objetivo o aumento da escala de intervenção (e. g. Áreas Integradas de Gestão da
Paisagem /Operações Integradas de Gestão da Paisagem, Entidades de Gestão Florestal,
Zonas de Intervenção Florestal, Unidades de Gestão Florestal) ou a reestruturação fundiária
(Programa «Emparcelar para Ordenar»), resultando entre outros aspetos, na diminuição da
perigosidade de incêndio rural, na diminuição de custos operacionais e no aumento de
receitas, viabilizando, dessa forma, uma adequada gestão integrada dos espaços rurais.
De facto, o crescimento do setor florestal tem sido afetado por grandes incêndios rurais, pela
presença de pragas que degradam a vitalidade e sustentabilidade dos povoamentos, com
consequências graves ao nível da sua capacidade produtiva, afetando a provisão de bens e
serviços não tangíveis. Tem-se verificado igualmente um agravamento de eventos
meteorológicos extremos, associados às alterações climáticas, como ondas de calor, secas e
tempestades que afetam de forma igualmente grave a produtividade florestal.
Assim, a gestão florestal sustentável assume um carácter estruturante quer para a valorização,
quer para a proteção deste importante recurso nacional, sendo fundamental para combater
os agentes bióticos e abióticos que têm vindo a degradar os territórios florestais e contribuir
para a melhoria dos serviços ecossistémicos prestados por estes territórios, designadamente
a melhoria da qualidade do solo e da água ou a conservação da biodiversidade, que devem
ser potenciados, através da sua valoração, sendo necessário a sua adequada quantificação a
nível regional.
A resposta aos desafios que se colocam passa igualmente pela aposta na modernização e
inovação, essenciais para revitalizar o setor e para criar oportunidades para os diversos atores
ao longo da cadeia de valor setorial das florestas.
A estruturação da atividade primária na sustentação e oferta de recursos biológicos (madeira,
cortiça, resina, frutos de casca rija, entre outros) através do desenvolvimento de uma floresta
sustentável e do aumento da produtividade florestal é essencial à sustentabilidade do
conjunto do setor florestal.
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A Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I) assume um papel primordial neste
setor para melhorar a gestão florestal, fomentar o crescimento da produtividade em
povoamentos florestais, bem como para desenvolver tecnologias e produtos mais inteligentes
de base biológica para artigos do dia-a-dia, como parte de uma economia mais circular e com
baixo teor de carbono.
Existe igualmente a necessidade de mensurar todas as cadeias de valor no setor florestal, seja
para produtos de madeira, materiais à base de madeira, produtos não lenhosos ou produção
de bioenergia, tendo em plena consideração os fluxos de biomassa lenhosa, o comércio, a
utilização em cascata e as necessidades de reciclagem. Tal, requer ir além do quadro
tradicional do setor florestal e avançar para abordagens diversificadas e transetoriais e
monitorizar e melhorar a informação referente a todas as atividades que utilizem biomassa
florestal.
O trabalho a realizar neste domínio deve oferecer uma base de conhecimentos alargada,
fornecer um mapeamento das falhas de conhecimento e identificar as melhores práticas,
oportunidades e recomendações para contribuir diretamente com informação baseada na
ciência para a tomada de decisões políticas.
O setor da floresta, pela diversidade de recursos de base biológica com potencial de utilização
em modelos económicos baseados na Bioeconomia, apresenta diversos exemplos5 de boas
práticas em termos de sustentabilidade e circularidade.
Resina
A resina de pinheiro é um produto natural, renovável e alternativo às resinas derivadas do
petróleo. É um dos múltiplos produtos do pinhal-bravo do Centro e Norte de Portugal e,
também, do pinhal-manso do litoral, embora com muito menor expressão.
A resina natural (ou gema) é um líquido viscoso, pegajoso e translúcido, de cor amarelada,
com um odor característico a pinho, produzida por algumas árvores, em particular, as
5
Os exemplos apresentados não são exaustivos. No âmbito do PABS, está previsto o desenvolvimento do portal BIO.NOMIA,
onde serão apresentados vários exemplos de boas práticas na área da bioeconomia sustentável.
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resinosas do género Pinus (pinheiros). Seca em contacto com o ar e, após algum tempo, em
especial com temperaturas baixas, fica dura e quebradiça formando cristais, e insolúvel em
água, mas solúvel noutros solventes como o álcool.
A resina é formada por várias substâncias (ácidos, álcool e óleo) e da sua destilação obtêm-
-se dois produtos com várias utilizações industriais: a terebentina (ou aguarrás) e a colofónia
(ou pez).
Atualmente, existe uma maior valorização da resina natural, enquanto produto «bio»,
potenciando um maior leque de aplicações de mercado.
Biocarvão
O biocarvão é um material de correção do solo de elevado valor e amigo do ambiente
constituído por biomassa lenhosa. É um produto fabricado a partir dos resíduos de biomassa
lenhosa, obtido através de pirólise ou torrefação, um processo no qual a matéria orgânica é
exposta a altas temperaturas e a carência de oxigénio.
Aplicado no solo, o biocarvão reduz a necessidade de utilizar adubos energeticamente
intensivos, fornecendo nutrientes na forma correta para as produções vegetais e pode,
igualmente, substituir a turfa como meio de cultivo e de retenção de água.
Resíduos de madeira
Outro bom exemplo é a produção de mobiliário de madeira a partir de soluções provenientes
dos resíduos de madeira pós-consumo e pós-industrial, assim como a inovação, produzindo
painéis de partículas.
Estes painéis são maioritariamente fabricados a partir de materiais que seriam descartados,
caso não tivessem sido recolhidos seletivamente, triados, limpos e reintroduzidos no ciclo de
fabrico dos painéis derivados da madeira.
Cascas de árvores e de frutos
As cascas de árvores e dos frutos de casca rija, como o pinhão e a castanha, podem ser
utilizados na produção de energia, na cobertura dos solos (com aplicação na jardinagem e no
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paisagismo) e também em camas para animais. Estas utilizações têm geralmente um valor
reduzido. A casca é a principal proteção das árvores ou dos frutos, e, apesar de não ser
lenhosa, é rica em nutrientes e em compostos químicos. Com as novas tecnologias, é possível
extrair estes componentes e utilizá-los em aplicações de maior valor, tais como
medicamentos e suplementos e aditivos alimentares.
2.1.2. Agricultura
A principal função da agricultura é a produção de bens alimentares que assegurem a satisfação
das necessidades alimentares e nutricionais a preços acessíveis para o consumidor e de modo
sustentável. É uma atividade territorial, dependente do recurso primário terra, da
biodiversidade, dos recursos hídricos e de outros serviços do ecossistema.
De acordo com o INE, I. P., em 2019, a superfície agrícola utilizada em Portugal era de
3,96 milhões de hectares, o que representa quase 43 %6 do território nacional. O setor
agroalimentar (agricultura e indústrias alimentares) representa 11,3 % do emprego nacional.
Cerca de 9 % do setor primário está disperso por todo o território nacional, ganhando um
peso acrescido nos territórios de menor densidade populacional do interior do país.
A agricultura e as indústrias alimentares têm um peso importante na economia nacional,
valorizando os recursos endógenos e produzindo bens transacionáveis. O complexo
agroalimentar é responsável por 4 % do PIB mas, se considerarmos também a parte dos
serviços ligados à produção agroalimentar, o seu peso no PIB é de 8,7 %. A agricultura, a par
da floresta, é um importante produtor de biomassa para usos não alimentares (humanos e
animais), como os produtos bioquímicos, os biomateriais e os biocombustíveis.
O setor agrícola enfrenta atualmente um conjunto de condicionantes estruturais de natureza
biofísica e de natureza socioeconómica.
As principais restrições biofísicas estão relacionadas com o clima e o solo. O verão quente e
seco, característico dos países mediterrâneos, onde se verifica um período de maior défice
6
A diferença deste valor face ao apresentado na Figura 3 prende-se com o facto de o complexo agroflorestal (montado) ser
considerado área agrícola pelo INE, I. P., e no âmbito do Inventário Florestal ser considerado floresta.
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hídrico durante parte da primavera e verão, condiciona as possibilidades de cultivo e a
produtividade. As culturas e sistemas economicamente mais competitivos dependem, de uma
forma geral, da rega. A superfície irrigável corresponde a 15,9 % da superfície agrícola
utilizada.7 Os solos em Portugal, na sua maioria, têm baixos teores de matéria orgânica, tendo
a área suscetível à desertificação vindo a alastrar-se, correspondendo já a 58 % do território,
particularmente no Alentejo e Algarve.
Entre as principais condicionantes socioeconómicas encontram-se as estruturas agrárias de
pequena dimensão (mais de 70 % tem menos de cinco hectares), a elevada concentração da
superfície agrícola, e o reduzido número de jovens agricultores, verificando-se, em Portugal,
que apenas 4 % dos agricultores têm 40 ou menos anos.
A Bioeconomia emergente, as energias limpas, a utilização de composto resultante da
valorização de biorresíduos, a regeneração de nutrientes e a economia circular constituem
oportunidades na criação de valor, de crescimento económico e de emprego nas zonas rurais,
muitas das quais sofrem de problemas estruturais como a falta de serviços públicos, de
investimento, e de oportunidades de emprego atrativas, consequentemente, conduzindo ao
êxodo contínuo das faixas etárias mais jovens. No setor agrícola, identificam-se, de seguida,
vários exemplos8 de boas práticas no âmbito da Bioeconomia Sustentável.
EcoAgriFood
O projeto EcoAgriFood destina-se a alavancar a Bioeconomia agrícola e alimentar da região
Norte de Portugal, promovendo o desenvolvimento e aplicação de produtos e processos
verdes e inovadores através da exploração da biodiversidade e reestruturação dos sistemas
biológicos, dos processos e moléculas para desenvolvimento de processos e produtos de
maior valor acrescentado.
7
Fonte: INE, I.P. (2016) para Portugal.
8
Os exemplos apresentados não são exaustivos. No âmbito do PABS, está previsto o desenvolvimento do portal BIO.NOMIA, onde
serão apresentados vários exemplos de boas práticas na área da Bioeconomia Sustentável.
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Soil Life
Trata-se de um processo sustentável para reduzir a fitotoxicidade do bagaço de azeitona, um
resíduo da produção de azeite. Pressupõe uma metodologia simples, limpa e de baixo custo,
utilizando apenas água e um ligeiro aquecimento para reduzir a fitotoxicidade do bagaço,
transformando-o num substrato viável para a agricultura e com alto valor comercial de
mercado para as indústrias alimentar e cosmética.
Fileira Vitivinícola
No quadro da agricultura circular pode ser incluída ao nível da fileira vitivinícola o
aproveitamento dos resíduos de adegas (bagaço, as borras, as grainhas e o engaço) e da sua
ligação à fileira farmacêutica/enoturística.
Produção de azeite
Ao longo da cadeia de valor, verificam-se perdas de produção causadas por pragas, como a
mosca da azeitona, e perdas ao longo dos processos de colheita, transporte e processamento,
sendo gerados resíduos durante o processamento, como o bagaço de azeitona e os caroços.
O caroço tem sido utilizado como biocombustível e o bagaço de azeitona pode ser utilizado
em processos de compostagem, reentrado no processo de produção primária como fertilizante,
ou ser processado para biocombustível, extração de óleo de bagaço de azeitona ou extração de
outros bioprodutos.
Efluentes Pecuários
Os «efluentes pecuários», nomeadamente estrume e chorume, são passíveis de valorização
orgânica e energética, designadamente biogás, compostagem, combustão e coincineração,
assim como a sua aplicação como fertilizante em solos agrícolas e florestais.
Fermalg
O projeto Fermalg prevê a utilização da fermentação como tecnologia geradora de inóculo
para a produção industrial de microalgas e posterior transformação em produtos bio-
químicos - cosmética, biofertilizantes, bioplásticos ou biocombustíveis.
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Lamas urbanas ou industriais
O uso das lamas urbanas ou industriais é um exemplo de utilização de biorrecursos de um
outro setor de atividade económica na agricultura. Para além de poderem ser utilizadas como
fertilizantes, podem, também, ser produzidos produtos de proteção de plantas ou
medicamentos animais a partir de compostos químicos extraídos das lamas.
2.1.3. Mar e Recursos Marinhos
Com uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) extensa e uma costa com 942 km, Portugal possui
ótimas condições para a exploração sustentável dos recursos marinhos.
A ZEE estende-se por 1,7 milhões km2 sendo a 3.ª maior da UE e a 11.ª do mundo. Neste
território, que engloba as águas sobrejacentes ao leito do mar, o leito do mar e o seu subsolo,
é dada a Portugal a prioridade de utilização dos recursos naturais e a responsabilidade da sua
gestão e conservação ambiental.
Numa perspetiva simplificada, a garantia da gestão sustentável deve obrigar a que a extração
de produtos gerados por um ecossistema marinho específico não ultrapasse a sua capacidade
de reposição através de processos ecológicos. A biomassa aquática selvagem e cultivada do
oceano, rios e lagos, tem um enorme potencial de contribuição para a segurança alimentar e
para a qualidade nutricional. É, igualmente, fonte de matérias-primas para cadeias de valor
nas quais são desenvolvidos produtos, processos e serviços de elevado valor acrescentado.
Como exemplo, referem-se os compostos farmacêuticos e médicos, suplementos
alimentares, produtos (bio)químicos, novos (bio)materiais, cosméticos, entre outros. Os
novos processos de Biotecnologia Azul têm contribuído muito para o desenvolvimento de
métodos de eco-produção sustentável e sustentada destes novos produtos.
Uma grande percentagem dos recursos capturados nos ecossistemas aquáticos ainda não é
utilizada de forma nem eficiente nem geradora de um valor equivalente à sua importância
ecológica. Um exemplo claro destas práticas é a grande quantidade de biomassa que é
desperdiçada em produtos de baixo valor (e.g. farinhas para rações) ou a partir do volume de
captura de peixes e moluscos, produtos finais de ecossistemas complexos e com equilíbrios
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delicados, cuja captura, justificável para fins alimentares, acaba por ter uma utilização muito
abaixo do seu valor económico e ecológico. Mobilizar estes atores e as cadeias de valor que
os podem transformar em produtos e serviços de muito maior valor acrescentado é essencial
para promover a Bioeconomia Azul, fomentando um potencial de mercado suportado na
produção de novos produtos de valor acrescentado a partir destes biorrecursos ou
inclusivamente dos subprodutos de outras indústrias do setor, como é o caso do
aproveitamento das peles de peixe para a produção da industria da moda e do mobiliário ou
das espinhas e escamas para a industria cosmética por algumas empresas portuguesas.
A biotecnologia azul apresenta um elevado potencial de crescimento, num futuro próximo,
nomeadamente no que diz respeito aos recursos genéticos e à utilização de compostos de
organismos marinhos em bioprodutos com aplicações industriais, farmacêuticas, médicas,
cosméticas, tecnológicas, entre outras. Este é um setor que poderá proporcionar postos de
trabalho altamente qualificados e importantes oportunidades a jusante, dado que
compreende um conjunto diversificado de áreas de desenvolvimento, como a investigação
científica, o desenvolvimento farmacêutico ou cosmético, o fabrico de embalagens, a
produção de alimentos para aquicultura.
Portugal, apesar de ainda revelar alguns constrangimentos no desenvolvimento deste setor,
apresenta potencial e oportunidades que importa facilitar e explorar, das quais se destacam a
considerável biodiversidade marinha, decorrente da geografia e condições biogeofísicas, a
existência de recursos humanos qualificados e a existência de matéria-prima formada pelos
subprodutos resultantes das atividades económicas do mar. Em termos económicos, a
economia do mar representou, em 2018, 4 % do VAB direto, 5,1 % do PIB e 5 % das
exportações nacionais.9
A comunidade nacional dedicada à ciência, tecnologia e inovação tem explorado de forma
dinâmica o conhecimento que tem do mar e dos seus recursos, identificando inúmeras
potencialidades e usos sustentáveis do oceano. No entanto, a conversão deste potencial em
9
DGPM, Relatório da Economia do Mar 2020
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produtos de valor acrescentado com penetração de mercado e consequente concretização da
Bioeconomia Azul enfrenta alguns desafios. Um dos principais constrangimentos está
relacionado com a ainda pouca preparação de empreendedores azuis nacionais e a sua
dificuldade de acesso ao mercado; mas também a inexistência de financiamento consistente
e inteligente a nível nacional. O desenvolvimento e diferenciação de novos produtos é
limitado pela imprevisibilidade na chegada de produtos base à cadeia de valor, quer a nível
da quantidade quer da qualidade. A logística de novos coprodutos marinhos não está ainda
otimizada. A penetração de novos coprodutos nas cadeias de valor existentes ou a criação de
novas cadeias de valor encontra resistências várias desde o nível da produção ao da
comercialização, sendo clara a necessidade de mais instalações industriais-piloto, assim como
a promoção de dinâmicas colaborativas entre atores de vários setores. De seguida, são
apresentados exemplos10 de projetos nacionais e internacionais que ambicionam desenvolver
e comercializar bioprodutos de valor acrescentado.
Icelandic Ocean Cluster
No projeto islandês Icelandic Ocean Cluster procura-se potenciar a utilização de biomassa
aumentando o nível de utilização das capturas ou o valor geral dos seus produtos. Num
exercício coletivo, que congrega empreendedores, inovadores e investigadores em ciências
do mar, foram definidos processos inovadores que permitem utilizar em pleno as capturas
marítimas de acordo com o seu valor ecológico e potencial de utilização. Neste programa
foram desenvolvidos processos inovadores na utilização de colagénio marinho, óleo de peixe,
suplementos minerais e outros derivados da biotecnologia. empregando matérias-primas
subutilizadas.
Projeto ValorMAR
Tem como objetivo o desenvolvimento de quatro soluções tecnológicas inovadoras que
potenciem a valorização e o uso eficiente dos recursos marinhos através da integração das
cadeias de valor, articulando a aquicultura com a indústria alimentar, biomédica, farmacêutica
10
Os exemplos apresentados não são exaustivos. No âmbito do PABS, está previsto o desenvolvimento do portal BIO.NOMIA, onde
serão apresentados vários exemplos de boas práticas na área da Bioeconomia Sustentável.
Diário da República, 1.ª série
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e cosmética, com a inclusão de todos os atores da cadeia de valor. Estas soluções são
criadoras de melhores negócios baseados na criação de valor substancial a partir do que,
antes, era considerado desperdício marinho e respeitando o potencial económico
proporcional ao seu impacto e valor ecológico.
AQUABIOPRO-FIT
Este projeto, conduzido por um consórcio de 12 parceiros noruegueses, tem como objetivo
a utilização de centenas de milhares de toneladas de desperdício do pescado, nomeadamente
cabeças de peixe, espinha dorsal e intestino, para conversão em ingredientes para alimentos,
rações e outros produtos, em mercados de alto valor, como a bioatividade ao serviço do
melhor desempenho do atleta, fármacos antiansiedade e antidepressão, melhorias no
equilíbrio do pH do corpo, saúde da pele e crescimento do cabelo.
Há inúmeros projetos que utilizam os resíduos de crustáceos marinhos para extrair quitina.
Este biopolímero e seus derivados têm muitas atividades biológicas (anticancerígena,
antioxidante, antifúngica, etc.) e podem ser usados em várias aplicações nos setores
cosmético, alimentar e têxtil.
ABACUS
O projeto ABACUS foca o seu potencial em algas e no desenvolvimento de um método de
cultivo economicamente viável e sustentável para as produzir em grandes quantidades e
convertê-las em produtos comerciais. Este projeto tem um foco particular nos setores de
aromas e perfumes, procurando novas fontes de base biológica.
AlgaeCoat
O projeto AlgaeCoat, desenvolvido pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do
Instituto Politécnico de Leiria (Mare-IPLeiria) e a empresa Campotec IN, visa a produção de
revestimentos comestíveis baseados em extratos de macroalgas para produtos hortofrutícolas
frescos. A base deste projeto é a utilização da alga como um substituto natural dos aditivos
químicos na conservação de alimentos, que para além de não oferecerem risco para o
consumidor, permitirem uma maior conservação dos alimentos.
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SEACOLORS
O projeto espanhol SEACOLORS pretende validar um novo processo de fabrico de
corantes naturais através das algas e testar e avaliar as possibilidades da sua utilização para
substituição dos corantes sintéticos na indústria têxtil.
Algafarm
O projeto Algafarm, liderado pela Secil, ambiciona a produção industrial de microalgas para
fins industriais, cosmética, substituição de combustíveis fósseis e, a longo prazo, para a
alimentação animal e humana.
ALGATEC
O ALGATEC é um Eco Business Park destinado a acolher empresas e projetos
empreendedores no setor das algas e microalgas, que resulta de uma parceria entre três
empresas, a Green Aqua Póvoa, S. A., a A4F - Algae for Future, S. A., e a Hychem, S. A.,
que presta serviços de apoio científico, tecnologias de produção e arrendamento de espaço a
projetos de microalgas, aproveitando a sua localização geográfica no processo de
transferência de conhecimento entre a investigação aplicada e a produção industrial, bem
como no desenvolvimento e comercialização de novos produtos.
Blue Bio Value
O Blue Bio Value dedica-se a encontrar soluções sustentáveis baseadas no oceano para uma
nova bioeconomia azul. Através de dois programas, Aceleração e Ideação, pretende ampliar
projetos e ideias de base biológica marinha que respondam a seis desafios societais,
ambientais e económicos, promovendo inovação baseada na ciência e na biotecnologia, na
perspetiva da construção de um mundo melhor.
MOVE2LOWC (Programa Mobilizador do P2020)
O projeto Move2LowC – Combustíveis de Base Biológica é um projeto de parceria entre o
Colab BIOREF e o Cluster de Competitividade da Petroquímica, Química Industrial e
Refinação gerido pela APQuímica, que tem como principal objetivo produzir biocombustível
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para os setores do transporte aéreo e rodoviário pesado de mercadorias e passageiros. Integra
quatro subprojetos que visam o desenvolvimento de processos de produção de
biocombustíveis a partir de microalgas, biomassa residual, biometano, dióxido de carbono
(CO2) e hidrogénio.
MULTISTR3AM (BBI Joint Undertaking)
O MULTISTR3AM é um projeto liderado por Portugal, com o objetivo de criar soluções
para a crescente procura de fontes alternativas de matéria-prima para alimentos, rações e
outras aplicações. Pretende desenvolver uma biorrefinaria sustentável de microalgas
multiestirpe, multimétodo e multiproduto, que integra correntes secundárias industriais para
criar produtos de alto valor acrescentado.
REDWINE (BBI Joint Undertaking)
O REDWINE é um projeto liderado por Portugal que tem por objetivo reduzir a
contribuição de CO2 da produção de vinho para o aquecimento global e valorizar os seus
subprodutos. Pretende desenvolver um processo que permitirá que o efluente líquido das
lavagens dos tanques de fermentação do vinho, rico em carbono, nitrogénio, fósforo e CO2
seja utilizado para alimentar sistemas de produção de microalgas. O CO2 capturado será
liquefeito e armazenado, enquanto a água de lavagem terá os compostos orgânicos
removidos e a restante utilizada na limpeza dos tanques.
2.2. Setor Secundário
Atualmente, verifica-se uma evolução do setor secundário que utiliza biomassa ou aplica
processos biológicos inovadores para fornecer produtos, processos e serviços de base
biológica. Neste contexto, existe uma parte do setor mais convencional, que utiliza a
biomassa de forma tradicional, como madeira, cortiça, borracha natural, papel ou materiais
de construção em madeira e, outra parte que aposta na evolução para produtos de base
biológica recentemente desenvolvidos, tais como produtos químicos biológicos, bioplásticos,
novas fibras de base biológica, entre outros.
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No âmbito da análise das indústrias com potencial interesse para a Bioeconomia, considera-
-se o conjunto de atividades das indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco (divisões 10
a 12 da Classificação Portuguesa das Atividades Económicas - CAE rev3), da indústria têxtil,
do vestuário, do couro e dos produtos de couro (divisões 13 a 15 da CAE rev3), da indústria
da madeira e da cortiça e do mobiliário (divisões 16 e 31 da CAE rev3), da indústria da pasta,
papel e cartão (divisões 17 da CAE rev3) e da indústria química e petroquímica (divisões 19
a 21 da CAE rev311).
Empresas e Emprego
Em 2019, este universo de indústrias incluía cerca de 38 mil empresas, correspondendo a
2,9 % do total das empresas do setor não financeiro (SNF). Nesse mesmo ano, o maior
contributo provinha das indústrias têxtil, do vestuário, do couro e dos produtos de couro e
das indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco, que, no seu conjunto, representavam
cerca de 71 % dos setores. O número de empresas tem vindo a perder importância - a
representação média do setor, no total do SNF, entre 2009 e 2019, situou-se nos 3,3 % -
tendo as indústrias da madeira, da cortiça e do mobiliário e as da pasta, papel e cartão
registado a perda mais significativa no que concerne ao número de empresas (-26 % e -14,7 %,
respetivamente, face a 2009).
Figura 5 - Contributo das indústrias com potencial interesse para a Bioeconomia
para o n.º de empresas - % do total.
11
A indústria dos cosméticos encontra-se incluída na classe 2042 que, por sua vez, é parte integrante da divisão 20 -
Fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas ou artificiais, exceto produtos farmacêuticos.
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Não obstante a perda de peso do número de empresas destes setores verificado na última
década - em 2009 representavam cerca de 3,6 % do total de empresas SNF - estas indústrias
continuam a ser muito relevantes na dimensão do emprego, representando, em 2019, cerca
de 9,6 % do total do emprego do SNF e 8,2 % do total do emprego na economia (no seu
conjunto, empregavam cerca de 400 mil pessoas). Neste domínio, são as indústrias têxtil, do
vestuário, do couro e dos produtos de couro e as indústrias alimentares, das bebidas e do
tabaco que mais contribuem para o total, representando em conjunto cerca de 75 % do total
do emprego, considerando o universo das empresas em 2019.
Figura 6 - Contributo das indústrias com potencial interesse para a Bioeconomia
para o emprego - % do total.
Distribuição das Empresas e do Emprego por Classes de Dimensão
Uma das características estruturais do tecido empresarial português prende-se com a
predominância no mercado de empresas de pequena ou muito pequena dimensão.
O caso das indústrias em análise não constitui uma exceção. Em 2018, o peso das
microempresas, nas indústrias identificadas neste capítulo, variava entre os 71,6 %
verificados nas indústrias da pasta, papel e cartão e na indústria química e petroquímica e, os
81 % registados nas indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco. Considerando o universo
total das pequenas e médias empresas (PME), estão em causa cerca de 99 % do total desse
tipo de empresas (microempresas).
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Figura 7 - Distribuição das empresas por classes de dimensão (%) – 2018.
É igualmente nas PME que se concentra cerca de 78 % do emprego das indústrias com
potencial para a Bioeconomia. Não obstante, as PME encontram-se sub-representadas na
criação de emprego face à sua prevalência no número de empresas, considerando que, em
média, 9 em cada 10 empresas são PME, mas apenas 8 em cada 10 pessoas são empregues
por PME. Na classe das grandes empresas verifica-se o contrário, uma vez que estas se
encontram sobrerrepresentadas na criação de emprego face à população total de empresas.
Este facto é especialmente evidente na indústria química e petroquímica, em que 1,7 % das
empresas empregam 35,3 % das pessoas.
Figura 8 - Distribuição do emprego por classes de dimensão (%) – 2018.
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Volume de Negócios, Produção e Criação de Valor (VAB)
O universo das indústrias em análise destaca-se de forma particularmente evidente no
contributo para o VN e para a Produção. No que respeita ao VN, na última década, as
empresas deste conjunto de indústrias foram responsáveis, em média, por cerca de 13,7 %
do VN total do SNF, valor muito acima da sua representatividade no emprego e no número
total de empresas.
Em 2019 as indústrias contribuíram, de forma particular, com cerca de 12,9 % para o total
de VN registado no SNF, num total de 53 mil milhões de euros. Ao nível da produção, o
contributo destas indústrias torna-se ainda mais evidente, uma vez que, na última década,
estas representaram, em média, cerca de 19 % do total do SNF e 13,5 % do total da economia
(valores acima dos 18,1 % e 13,3 % verificados em 2019). De forma individual, a indústria
química e petroquímica, contribuiu de forma muito significativa para o VN (cerca de 27,4 %)
e para a produção (cerca de 28,2 %). Este contributo é particularmente evidente,
considerando o peso relativo desta indústria no total, tanto ao nível do número de empresas
(2,6 %), como ao nível do emprego (5,9 %). Ainda assim, o maior contributo para o VN e
para a produção provém das indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco, com contributos
de 34,3 % e 32,5 %, respetivamente, face ao total das indústrias.
O contributo das indústrias com potencial para a Bioeconomia é de igual forma relevante
para a criação de valor. Em 2019, o VAB criado por estas indústrias situou-se nos 11,2 mil
milhões de euros, o que representa cerca de 5,3 % do PIB a preços de mercado.
Por sua vez, a criação de valor encontra-se concentrada nas indústrias alimentares, das
bebidas e do tabaco e nas indústrias têxtil, do vestuário, do couro e dos produtos de couro,
que representam cerca de 63 % do VAB criado pelas indústrias da Bioeconomia. Também
neste domínio, a indústria química e petroquímica se encontra sobrerrepresentada na criação
de valor, com 2,6 % do total de empresas a contribuírem, em 2019, com cerca de 14,7 % do
VAB.
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Figura 9 - Contributo das indústrias para o VAB da Bioeconomia - % do total.
Distribuição do VAB por Classes de Dimensão
As PME das indústrias em análise são, em média, responsáveis pela criação de 69 % do VAB.
O contributo deste segmento de empresas é particularmente relevante na indústria têxtil, do
vestuário, do couro e dos produtos de couro, em que 81,5 % do VAB é criado por PME,
seguido de perto pela indústria da madeira, da cortiça e do mobiliário, com 81,2 %. Por outro
lado, o contributo do segmento das grandes empresas para a criação de valor da indústria é
muito significativo, sendo este segmento responsável, em média, por 31 % do VAB. O papel
deste segmento é particularmente relevante na indústria da pasta, papel e cartão e na indústria
química e petroquímica com contributos de 48,5 % e 37,6 %, respetivamente.
Figura 10 - Distribuição do VAB por classes de dimensão (%) – 2018.
Comércio Internacional
As indústrias com potencial para a área da Bioeconomia constituem uma parcela muito
significativa das exportações portuguesas de bens. Desde 2010, as exportações destas
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indústrias representam, em média, cerca de 47 % das exportações, tendo representado cerca
de 44 % das exportações de bens em 2020 (cerca de 23,8 mil milhões de euros). Por sua vez,
são igualmente responsáveis por um conjunto muito significativo de importações de bens.
No período compreendido entre 2010 e 2020, estas indústrias foram responsáveis por cerca
de 38 % da importação total de bens da economia.
O saldo da balança comercial de bens destas indústrias tem sido negativo desde 2017, em
linha com o resto da economia. Este resultado é explicado pela evolução verificada nas
indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco, mas, sobretudo, pela evolução da balança de
bens da indústria química e petroquímica. Em sentido contrário, os saldos da balança das
indústrias têxtil, do vestuário, do couro e dos produtos de couro, das indústrias da pasta,
papel e cartão e das indústrias da madeira e da cortiça e do mobiliário têm vindo a contribuir
de forma positiva para o saldo comercial do setor. Não obstante o contexto particular,
resultado da pandemia da doença COVID-19, o ano de 2020 marca um ponto de inflexão
na tendência dos últimos anos de crescimento do défice da balança das indústrias com
potencial para a área da Bioeconomia. Este resultado é explicado pela manutenção do
contributo positivo das indústrias têxtil, do vestuário, do couro e dos produtos de couro, das
indústrias da pasta, papel e cartão e das indústrias da madeira, da cortiça e do mobiliário,
mas, sobretudo, pelo contributo menos negativo das indústrias alimentares, das bebidas e do
tabaco.
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Figura 11 - Evolução do saldo da balança comercial das indústrias da Bioeconomia -
Milhões de Euros.
2.3. Oportunidades para a indústria de base biológica
O desenvolvimento de produtos de base biológica, tais como químicos, bioplásticos ou
novas fibras, deve valorizar ao máximo a biomassa proveniente dos setores primários. Desta
forma, consegue-se adicionar valor às matérias que, atualmente, não têm uso ou cujo uso é
pouco valorizado. Esta mudança de paradigma e alteração nas cadeias de valor contribuirá
para tornar as atividades do setor primário mais eficientes e competitivas.
Nesse sentido, o levantamento das disponibilidades de matérias-primas primárias e
secundárias e fluxos de materiais entre diferentes setores é fundamental para a criação de
simbioses industriais e para uma análise das oportunidades decorrentes da utilização da
biomassa de uma forma segura e economicamente viável na criação de uma indústria
sustentável de base biológica.
A Figura 12 diz respeito à produção relativa das principais culturas agrícolas (5,1 milhões de
toneladas), silvícolas (9,7 milhões de toneladas) e à quantidade de pescado em captura e
produzido em aquicultura (142 mil toneladas). Estima-se que os sobrantes industriais
(subprodutos ou resíduos das indústrias transformadoras da madeira) representem
5,3 milhões de toneladas/ano, incluindo subprodutos das indústrias de transformação da
madeira e subprodutos de outras indústrias florestais.
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No caso das culturas agrícolas, prevê-se que existam disponibilidades significativas de
produtos de base biológica, nomeadamente de biomassa residual. Estima-se que a biomassa
residual da produção agrícola potencialmente disponível pode ascender a 3 Mt por ano,
sendo que 59% concerne a sobrantes da poda de culturas permanentes, sobretudo vinha,
olival e pomares, e os restantes 41% a resíduos de culturas temporárias, designadamente
sobrantes do milho e do girassol, e palha do arroz.12
Figura 12 – Produção relativa das principais culturas agrícolas, florestais e pesca e
aquicultura (PORDATA, 2018 e Cunha e Marques, 2019) (%).
3. PRODUTOS DE ELEVADO VALOR ACRESCENTADO
A fim de otimizar a utilização do território em novas aplicações da Bioeconomia, é necessário
utilizar as matérias-primas de forma eficiente em cada etapa da produção, contribuindo
igualmente para a redução do desperdício. Relativamente à inevitável produção de resíduos,
é necessário repensar como podem estes ser reintroduzidos no processo produtivo, quer
12
AGRO.GES, 2021. Linhas estratégicas dos setores de produção primária no contexto do desenvolvimento da estratégia nacional
para a bioeconomia sustentável 2030.
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enquanto resíduos, quer através de mecanismos de desclassificação previstos em diploma
legal. Caso se enquadrem, por exemplo, no conceito de subproduto, os resíduos resultantes
do processo produtivo poderão ser reintroduzidos na economia não se encontrando, desta
forma, sujeitos às regras relativas à gestão de resíduos.
São inúmeras as potencialidades da Bioeconomia na criação de novos produtos de elevado valor
acrescentado funcionando simultaneamente como motor da indústria. São, de seguida,
apresentados, de forma não exaustiva, alguns dos potenciais materiais e produtos de base
biológica.
Produtos Químicos
Os hidrocarbonetos fósseis que, atualmente, representam a base da química orgânica, podem
ser substituídos de forma progressiva por produtos químicos da plataforma biológica. Os
produtos químicos baseados em carbono biogénico podem ter origem numa variedade de
matérias-primas e desempenham um papel fundamental na Bioeconomia.
Atualmente, na UE, este setor constitui um dos mais promissores, focando-se na procura de
alternativas equivalentes. As algas ou as plantas oleaginosas são uma fonte de ácidos gordos
que pode alimentar a indústria química europeia para a produção de plásticos, surfactantes,
detergentes, lubrificantes, plastificantes, tintas e outros produtos.
Lenhina
Atualmente, a lenhina é quase exclusivamente utilizada para gerar energia. No entanto, face
ao enorme potencial sob o ponto de vista químico, pode contribuir para a expansão da
indústria florestal e para a Bioeconomia emergente.
A lenhina é um dos polímeros mais abundantes na natureza. Devido à sua estrutura e
propriedades químicas, pode ser utilizado na produção de uma grande variedade de produtos
químicos, especialmente, compostos aromáticos. Desta forma, a lenhina pode ser
considerada um excelente recurso na obtenção de produtos de base biológica, possuindo um
potencial muito promissor.
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Biopolímeros
Os biopolímeros, muitas vezes designados de «bioplásticos», apresentam um elevado
potencial como substituto de recursos fósseis graças às suas propriedades físicas e variadas
áreas de aplicação. As características dos biopolímeros permitem uma decomposição mais
rápida, tornando-se, por isso, numa das principais alternativas aos materiais plásticos.
Encontram-se em curso estudos de investigação para permitir a produção de biopolímeros a
partir de resíduos agroindustriais, microrganismos ou derivados de algas marinhas.
Atualmente, a utilização destes materiais concentra-se em nichos de mercado e aplicações
especiais, nomeadamente plásticos de base biológica, com foco na durabilidade, resistência e
degradabilidade.
A diferenciação deste tipo de materiais, nomeadamente através de rotulagem adequada,
sempre que possível harmonizada a nível europeu, é fundamental para que os utilizadores
reconheçam claramente os seus benefícios ambientais e, inclusivamente, procedam à
deposição dos resíduos de biopolímeros no contentor correto, evitando a contaminação com
resíduos de plásticos, o que impossibilita a respetiva reciclagem. Adicionalmente, as
características dos biopolímeros permitem perspetivar a sua utilização como substituto do
filme de plástico na embalagem de géneros alimentícios, com a vantagem complementar de
poder interagir positivamente com as datas de validade dos alimentos, numa função dinâmica
face às condições de conservação.
Biomateriais
Fibras
As fibras tradicionais provenientes de plantas como o linho, o algodão e o cânhamo, bem
como da madeira, ou ainda de biorrecursos marinhos como fungos e algas, constituem uma
área importante da Bioeconomia.
Estas fibras podem ser utilizadas como materiais de construção, como materiais de
isolamento térmico e acústico ou na produção de compósitos com aplicações na indústria
automóvel e de embalagens. Adicionalmente, a produção de têxteis e tecidos sustentáveis é
uma das áreas que apresenta um elevado potencial.
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O fabrico de produtos têxteis a partir de madeira, produzidos de forma sustentável para o
ambiente e não intensiva do ponto de vista energético, é uma atividade bioeconómica
inovadora.
Estes têxteis de base biológica podem substituir os têxteis fabricados a partir de petróleo ou
de fibras naturais não sustentáveis.
Nos últimos tempos, a utilização de fibras vegetais tem ganho especial atenção nas áreas
inovadoras da engenharia dos materiais devido ao seu carácter renovável e biodegradável, à
sua disponibilidade e ao seu baixo custo. Existem hoje novas fibras vegetais derivadas de
plantas marinhas ou de águas salobras e até de algas, cujas propriedades inovadoras e
sustentáveis tem aberto caminho a uma nova área de desenvolvimento de têxteis funcionais.
A principal tendência de inovação das fibras vegetais está relacionada com a sua utilização
na produção de compósitos.
A nanocelulose, produzida a partir de celulose, é outra grande tendência de inovação,
apresentando propriedades especiais, como uma elevada superfície, um grande potencial de
ligação e uma elevada capacidade de ligação à água.
Este produto possui um grande potencial como reforço biodegradável altamente eficiente
para os bioplásticos, afirmando-se como potencial substituto biológico para fibras de
carbono em compostos tecnologicamente avançados.
Borracha natural
A borracha natural, um dos mais promissores e inovadores bioprodutos no âmbito da
Bioeconomia, é uma fonte de polímeros adequada para aplicações técnicas em larga escala,
nomeadamente pneus. Desde 2017, a borracha natural faz parte da lista das matérias-primas
críticas para a Europa. Atualmente, a tendência global de substituição de produtos derivados
do petróleo por produtos renováveis representa a principal força motriz na procura de
potenciais fontes alternativas para a produção de borracha.
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No entanto, existem outras plantas que estão a ser estudadas como fonte alternativa de látex
para a produção de borracha, nomeadamente o dente-de-leão russo.
Biocompósitos
Os biocompósitos podem ser utilizados na construção como materiais estruturais ou não
estruturais, são ambientalmente mais favoráveis e têm um maior potencial de reutilização
após demolição.
São constituídos por resinas e fibras naturais, também designadas por biofibras, combinadas
com matrizes poliméricas ou inorgânicas obtidas a partir de recursos renováveis ou não
renováveis, com potencial para substituir compósitos reforçados com fibra sintética e outros
materiais habitualmente usados na construção.
Plantas tintureiras
Tingimento natural em fibras têxteis, nomeadamente da lã, de forma a garantir a resistência
das cores à luz solar e às lavagens. Exemplo de plantas tintureiras: Genista tinctoria, Indigofera
tinctoria, Isatis tinctoria, Reseda luteola, Rubia tinctorum, Serratula tinctoria e Sorghum vulgare.
Bioenergia
A bioenergia é definida como uma energia renovável produzida a partir de fontes naturais de
base biológica, capazes de substituir a energia fóssil, com vantagens demonstradas na
mitigação das alterações climáticas.
Existe uma ampla gama de recursos biológicos que pode ser utilizada na produção de
bioenergia, como culturas energéticas, biomassa florestal residual, resíduos e subprodutos de
agroindústrias e de indústrias de pasta e de papel, resíduos orgânicos e a fração orgânica de
resíduos urbanos. Macroalgas, microalgas, algas e plantas aquáticas são igualmente
considerados recursos biológicos promissores. Independentemente do recurso, a bioenergia
pode ser uma fonte sustentável de energia para a produção de calor, eletricidade ou
biocombustíveis.
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A UE recomenda a utilização em cascata da biomassa, que implica uma sequência hierárquica
que priorize os usos de maior valor, relegando para o fim da cadeia o uso de biomassa para
energia. Desta forma, consegue-se um maior valor agregado e maiores benefícios no
sequestro de carbono.
Biogás
O biogás, enquanto recurso alternativo e renovável, formado a partir da fração orgânica de
resíduos urbanos e industriais, de resíduos agrícolas e de efluentes pecuários, constituído
maioritariamente por metano (50 a 75 %) e dióxido de carbono (25 a 40 %), pode ser utilizado
para aquecimento ou em sistemas de cogeração, devendo ser identificado e adequadamente
desenvolvido, devido às suas potencialidades e contributos.
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Setor prioritário para a Bioeconomia na utilização de biomateriais
Setor da construção
O setor da construção requer consumos elevados de materiais e de energia, causa impactos
ambientais e contribui para a produção de resíduos, sendo que o desenvolvimento de
materiais de construção sustentáveis tem interesse mundial. De facto, a madeira da
construção e demolição corresponde a 20 a 30 % do total de resíduos deste setor,
constituindo a reincorporação destes resíduos na produção de aglomerados uma excelente
opção de valorização.
Atualmente, os novos processos de produção são cada vez mais eficientes e inovadores com
maior durabilidade, melhor desempenho relativamente ao isolamento térmico e acústico e
maior resistência ao fogo e à humidade, gerando um aumento do valor acrescentado dos
materiais para aplicação na construção. Como exemplo de inovação na área da construção,
refere-se a incorporação de agregados de base biomássica no tijolo, tendo sido já
demonstrada uma melhoria do seu comportamento térmico.
Um melhor desempenho dos biomateriais, entre os quais se incluem os biocompósitos,
conduz a um incremento significativo da sua utilização no setor da construção, incluindo os
sistemas de construção de edifícios pré-fabricados.
É necessário continuar a investir na melhoria da durabilidade dos biomateriais na construção,
por forma a manter os níveis de desempenho, limitar a manutenção e garantir o conforto e
a segurança dos ocupantes.
Construção em madeira e cortiça
O pré-fabrico industrial, a evolução dos produtos à base de madeira e a normalização da
construção em madeira tem vindo a permitir a construção de edifícios muito mais altos e
duradouros. Estes edifícios podem ser construídos a partir de madeira de menor qualidade e
de matérias-primas mais generalizadas, como a madeira lamelada cruzada (CLT) ou madeira
lamelada colada «glu-lam».
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A madeira e a cortiça utilizadas na construção armazenam carbono durante o ciclo de vida
do edifício e, caso este seja corretamente demolido, podem ser facilmente reutilizáveis.
Enquanto material de construção, a madeira e a cortiça são relativamente leves, o que diminui
a necessidade de trabalhos de fundação, poupando combustível e reduzindo as emissões
causadas pelo transporte de materiais. As habitações fabricadas com madeira e cortiça têm,
por norma, um bom desempenho energético.
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4. ACELERAR A TRANSIÇÃO PARA A BIOECONOMIA
4.1. Princípios Orientadores
A implementação do PABS está suportada nos seis Princípios Orientadores da Estratégia
Europeia para a Bioeconomia, que enquadram as medidas preconizadas para atingir os
objetivos definidos para a preservação e o uso sustentável dos recursos biológicos, criação
de emprego e crescimento económico:
Como princípio primordial do PABS destaca-se a necessidade de redução da dependência de
matérias-primas não renováveis e o aumento progressivo da percentagem de matérias-primas
endógenas renováveis utilizadas na produção de produtos, promovendo uma sociedade com
menor intensidade carbónica e energética.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 64
No entanto, a substituição de matérias-primas fósseis pode conduzir a uma necessidade e
produção adicionais de biomassa. Esta produção adicional deve, em primeiro lugar, não
colidir com a função alimentar, ser sustentável, evitar distorções no mercado agroalimentar
e, por último, a eficiência na sua utilização deve ser garantida através da aplicação dos
princípios da economia circular e das melhores opções de utilização em cascata.
A Bioeconomia Sustentável e Circular pode contribuir para melhorar o acesso a produtos
alimentares, garantindo a segurança alimentar e nutricional, não obstante o fornecimento de
matérias-primas para outros setores de atividade. Em Portugal, o aumento da disponibilidade
interna de alimentos deve continuar a promover modelos de produção sustentáveis e locais,
através do envolvimento dos produtores primários, indústrias de processamento alimentar e
outros serviços relacionados.
Na agricultura é necessário garantir um uso eficiente da água, da energia e do solo, de forma
a manter, a longo prazo, a capacidade de regeneração dos sistemas agrícolas e da
sustentabilidade e biodiversidade dos ecossistemas. Devido à mudança das condições
climáticas, é crucial desenvolver ações de mitigação e adaptação na agricultura, pecuária e
floresta, assim como a agricultura circular e a transição agroenergética e digital. A
Bioeconomia pode apoiar essas mudanças através da investigação e inovação por forma a
tornar essa gestão ainda mais sustentável.
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O desenvolvimento de produtos de base biológica deve ter por base a preservação dos
recursos naturais renováveis, a promoção do fecho de ciclo de nutrientes nos solos e,
simultaneamente, a redução da dependência de recursos não renováveis e não sustentáveis.
No território terrestre e marítimo, a utilização de recursos naturais deve ter em consideração
os objetivos da ENCNB 2030. Na floresta, para assegurar o efeito de sequestro de carbono
e evitar a perda de biodiversidade, é necessário recorrer às restrições de utilização, evitando
a desflorestação em massa.
Uma gestão eficaz dos recursos é alcançada através da identificação, caracterização e
quantificação dos fluxos de materiais de base biológica existentes por região. A identificação
de sinergias contribui para uma maior rentabilidade no uso dos espaços e serviços e na
utilização em cascata, permitindo reduzir custos e gerar mais-valias ambientais, tais como a
redução de emissões e de resíduos e a necessidades de matérias-primas.
Para além da opção de utilização em cascata, é necessário promover a utilização acrescida de
sobrantes e subprodutos. As matérias-primas de base biológica devem ser processadas da
forma mais eficiente possível e, considerando o maior número possível de ciclos de
reciclagem, recorrer a tecnologias ambientalmente inovadoras que permitam a recuperação
de materiais e a sua reciclagem. Do mesmo modo, é necessário considerar o prolongamento
da vida útil dos produtos, aspeto essencial para uma gestão sustentável dos recursos.
Diário da República, 1.ª série
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A indústria portuguesa deve dirigir-se para a inovação de bioprodutos e para a bioenergia
com base em processos inteligentes, nomeadamente nos setores e áreas de maior potencial
nacional. Para tal, é necessário o envolvimento da comunidade científica e de instrumentos
de financiamento e investimento na inovação, o que será particularmente relevante para as
PME, com um peso muito significativo na nossa economia, potenciando o seu envolvimento
em parcerias/consórcios de inovação com países da UE e países terceiros. Torna-se essencial
desenvolver e aperfeiçoar processos e tecnologias-chave e transferi-los para o mercado de
forma a impulsionar o fabrico de produtos com maior valor acrescentado. Igualmente
importante é a digitalização e otimização dos processos logísticos e dos processos de
transformação industrial, com vista ao uso eficiente das matérias-primas, da água e da energia.
A transição para novos processos produtivos e atividades económicas de base biológica
poderá contribuir para revitalizar o tecido empresarial português e dar um novo impulso às
comunidades locais.
Portugal possui vários atores - centros de investigação, universidades, empresas – que não
estão totalmente integrados na cadeia de valor.
A criação de sinergias entre os vários atores ao nível económico, ambiental e social,
nomeadamente dos setores mais tradicionais, através de iniciativas descentralizadas que
promovam o trabalho em rede e o mapeamento de partes interessadas e respetivas
ofertas/serviços é crucial para criar oportunidades locais e regionais onde o impacto é maior.
Diário da República, 1.ª série
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Os benefícios associados a uma economia assente em recursos de base biológica, recicláveis
e renováveis, ainda não são totalmente percecionados pela sociedade portuguesa. É
necessário investir em campanhas de consciencialização e comunicação para promover o
consumo de produtos de base biológica e reduzir o desperdício alimentar.
Por outro lado, e, apesar de se verificar um número crescente de consumidores com
consciência social e ecológica que procura os produtos ecológicos e sustentáveis disponíveis
no mercado, mesmo a preços mais elevados, também se observa algum ceticismo
relativamente a esses produtos. Neste contexto, torna-se fundamental apostar em
instrumentos que garantam a transparência e a rastreabilidade da cadeia de valor através da
promoção de normas e rótulos para os produtos de base biológica, com o objetivo de
aumentar a confiança do consumidor. Assim, os modelos de negócio com base em produtos
biológicos e sustentáveis devem incorporar obrigatoriamente o conceito de confiança do
consumidor.
4.2. Ações Macro
Eixos de Intervenção
Pretende-se, através do presente PABS, acelerar a transição para uma Bioeconomia
Sustentável e Circular que funcione como um vetor estratégico de desenvolvimento
sustentável nacional. O presente PABS assenta, assim, na preservação e utilização mais
eficiente dos recursos biológicos, que permita fazer face aos desafios atuais, globais e locais,
designadamente a segurança alimentar e nutricional, as alterações climáticas, a dependência
dos recursos fósseis e o desenvolvimento sustentável.
Simultaneamente, o plano deve contribuir para o aumento do emprego, o crescimento
económico e o investimento em Portugal.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 68
A complexidade e a interdisciplinaridade da Bioeconomia exigem uma resposta global e
coordenada com os diversos setores de base biológica, bem como com os setores que
possibilitam aumentar a eficiência do metabolismo bioeconómico, como a indústria 4.0 (i4.0)
e a inovação. A transição para novos sistemas, processos produtivos e atividades económicas
de base biológica, assentes na valorização do capital natural biológico, tem ainda por objetivo
contribuir para revitalizar o tecido empresarial local e dar um novo impulso às comunidades
locais e rurais.
O PABS é destinado aos diversos Stakeholders relevantes para a Bioeconomia, nomeadamente
os da agricultura, da floresta, da pesca, da aquicultura, da gestão de águas e resíduos, do
processamento e, em especial, os consumidores, que, para além de serem dos principais
beneficiários das vantagens dos produtos de base biológica, têm um papel impulsionador
para a transição para a Bioeconomia.
Os eixos de atuação previstos no PABS têm como pilar essencial a promoção da utilização
sustentável dos recursos biológicos em todos os setores e, em simultâneo, o reforço das
respetivas cadeias de valor.
Esta abordagem tem como fios condutores a contribuição para a redução da dependência
dos recursos de origem fóssil e para alcançar a neutralidade carbónica, bem como a
promoção de programas ao nível regional que contribuam para o seu desenvolvimento.
No conjunto dos setores de produção primária e dos setores industriais a jusante deve dar-
-se especial atenção à investigação e ao desenvolvimento, por forma a retirar o maior
benefício de novas possibilidades de produção mais eficazes e de novas ideias de produtos.
Não obstante, o potencial de inovação e o consequente desenvolvimento da Bioeconomia e
da utilização sustentável de matérias-primas, representa um serviço de relevo face ao
ambiente e à proteção climática.
Diário da República, 1.ª série
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As políticas públicas dos setores da indústria, da energia, da investigação e desenvolvimento
(I&D), da agricultura, floresta, pescas e aquicultura devem acompanhar a evolução das
políticas ambientais e integrar as suas orientações. Nesse sentido, foram definidos os
seguintes eixos de atuação:
E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
Descrição:
Promover uma gestão eficaz dos recursos através da identificação, caracterização e
quantificação dos fluxos de materiais de base biológica existentes por região, permitindo
identificar sinergias que contribuam para uma maior rentabilidade na utilização em cascata.
A gestão eficaz dos recursos disponíveis, além de contribuir para reduzir custos, permite
gerar mais-valias ambientais, tais como a redução de emissões e resíduos e a redução da
dependência de recursos não renováveis e não sustentáveis. Por outro lado, a produção de
recursos biológicos deve ter por base a preservação dos recursos naturais renováveis e a
promoção do fecho de ciclo de nutrientes nos solos.
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E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
Objetivos:
• Adotar práticas e processos produtivos inovadores e aumentar a disponibilidade de
biomassa em quantidade e em qualidade;
• Identificar oportunidades para a utilização de matérias-primas primárias e secundárias
em outros setores produtivos;
Otimizar a gestão de fluxos de biomassa, incluindo a produção, recolha, armazenamento,
transporte e pré-processamento.
Área de
Medidas:
intervenção:
1.1 Promover a elaboração das Agendas Regionais de Bioeconomia Sustentável
Transversal
As Agendas Regionais de Bioeconomia Sustentável devem ser elaboradas considerando as
cinco regiões do Continente. Devem identificar oportunidades regionais para compartilhar
matérias-primas primárias e secundárias entre diferentes setores de uma forma segura e
economicamente viável. As agendas devem prever estudos que permitam assegurar
rendimentos adicionais aos produtores (e.g. turismo, serviços de ecossistemas).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MM | MA
Fontes de financiamento: Fundo Ambiental | Fundo Azul
1.2 Criar condições para o aumento da capacidade produtiva sustentável dos
Matéria-Prima
territórios agrícolas e florestais e dos recursos marinhos
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 71
E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
Potenciar o uso sustentável da capacidade produtiva dos territórios agrícolas e florestais e
dos recursos marinhos, promovendo a disponibilidade de recursos biológicos de forma
sustentável através de práticas de gestão pró-ativas, salvaguardando a biodiversidade e
recorrendo a serviços de ecossistemas (e. g. polinização), envolvendo a colaboração e
cooperação entre os vários atores da produção, exploração e respetivas organizações.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | FEADER |EEA Grants
1.3 Promover o uso de matérias-primas secundárias de base biológica através
da dinamização dos mercados de materiais e da melhoria dos sistemas de Matéria-Prima
gestão
Dinamizar os mercados regionais de materiais e melhorar os sistemas de gestão de matérias-
-primas secundárias, respeitando os princípios da economia circular, nomeadamente, o da
utilização em cascata, promovendo novas áreas de negócio (e.g. desenvolver inventários de
disponibilidade de biomassa de diferentes produtos na mesma área geográfica em tempo
real, bem como aumentar a cooperação e a comunicação entre os diferentes stakeholders).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | FEADER |EEA Grants
1.4 Adotar práticas inovadoras e processos produtivos inteligentes no setor
Setor
primário, conciliando a maior produtividade com a sustentabilidade e a
Produtivo
responsabilidade social
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E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
Promoção da adoção de práticas inovadoras e processos produtivos inteligentes por parte
dos produtores (agricultura, floresta, pesca e aquicultura), conciliando a maior produtividade
(e. g. melhorar a automação nas operações de plantação, métodos de produção integrada,
produção biológica, utilização de biopesticidas, utilização de polinizadores naturais,
utilização de composto resultante da valorização de biorresíduos, regeneração de nutrientes,
sistemas de colheita autónomos, hidroponia) com a sustentabilidade e responsabilidade
social através de investimentos em tecnologias inovadoras e digitalização de procedimentos
(novas tecnologias emergentes: Internet of Things, block-chain, big data, produção de precisão) e
promovendo cadeias de valor mais eficientes e resilientes que possibilitem uma maior
diversificação do portefólio de produtos, gerando e distribuindo riqueza por todos os
agentes.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | FEADER | Fundo Azul | LIFE
1.5 Criar uma plataforma de intercâmbio de experiências-piloto e de resultados Setor
de investigação na área da produção de recursos biológicos renováveis Produtivo
Promover a transferência de conhecimento entre o setor académico, instituições públicas de
investigação, as PME e os setores de produção primários, como a agricultura, a floresta ou
a piscicultura, nomeadamente a implementação de sistemas viáveis de aquicultura integrada
multitrófica (IMTA). A plataforma possibilitará a troca de boas práticas e experiências e de
problemas tecnológicos sentidos pelos produtores.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | FEADER | EEA Grants | LIFE
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 73
E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
1.6 Desenvolver soluções sustentáveis de transporte e logística ao longo de
Transversal
toda a cadeia de valor
Desenvolver métodos para o aumento da eficiência logística de modo a reduzir o impacto
ambiental das emissões (e.g. integração completa desde o fornecimento das matérias-primas,
incluindo a colheita, armazenamento, pré-processamento).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | EEA Grants | LIFE | INTER REG MED
Instrumentos e outros documentos estratégicos:
• ENEI
• PAEC
• PNEC 2030
• Programa de Valorização do Interior (PVI), aprovado pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 116/2018, de 6 de setembro, e revisto pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 18/2020, de 27 de março
• ENM 21–30
• ENF
• PNPB Horizonte 2030
• Plano de Ação para a Transição Digital, aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros
n.º 30/2020, de 21 de maio
• ENCPE2020 – Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas 2020
Diário da República, 1.ª série
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E1: Incentivar a produção sustentável e utilização inteligente de recursos biológicos de base
regional
ODS:
E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
Descrição:
Portugal deve robustecer a capacidade científica e tecnológica dos seus centros de
investigação, universidades e empresas, com vista a uma liderança na Bioeconomia
europeia, através da adoção de medidas específicas destinadas a apoiar a criação de novos
modelos, processos e produtos de base biológica.
A ID&I são fundamentais para promover a transição para novos processos produtivos e
atividades económicas de base biológica que poderão contribuir para revitalizar o tecido
empresarial português e dar um novo impulso às comunidades locais. Este objetivo poderá
ser alcançado promovendo iniciativas descentralizadas que fomentem o trabalho em rede,
o mapeamento de partes interessadas e respetivas ofertas/serviços.
Objetivos:
• Contribuir para a redução do consumo de matérias-primas de origem fóssil e da
utilização de matérias-primas críticas;
• Reforçar a posição de Portugal na Europa em termos de inovação e criação de
processos e de produtos de base biológica de alto valor acrescentado, aumentando a
integração de matérias-primas primárias e secundárias;
• Aumentar a competitividade económica e digital dos setores de base biológica.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 75
E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
Medidas: Área de intervenção:
2.1 Promover o desenvolvimento de produtos de base biológica em
Conhecimento
alternativa a produtos de origem fóssil
Fomentar linhas de investigação para conceção de novos produtos através da utilização em
cascata de recursos de base biológica (e.g. na indústria do têxtil e do calçado, materiais de
construção, embalagens do setor alimentar).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MA | MM |MCTES
Fontes de financiamento: FCT | EEA Grants | CBE-JU | PRR
2.2 Promover novos métodos e tecnologias de transformação que
Indústria
incorporem recursos de origem biológica
Fomentar iniciativas de ID&I ao nível dos métodos e tecnologias de transformação de
matérias de base biológica e renovável nos processos produtivos, disponibilizando soluções
integradas, multifuncionais e ecológicas na conceção de produtos de base biológica
sustentáveis.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MA | MM |MCTES
Fontes de financiamento: CBE-JU | COMPETE | BE | FEAMPA | EEA Grants | Fundo
Azul | LIFE |PRR
2.3 Promover o Eco-design nos produtos de base biológica Indústria
Promover estratégias de Eco-design onde se privilegie o desenvolvimento de novos conceitos
de produção baseados nos princípios da Bioeconomia circular: seleção de materiais de
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 76
E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
baixo impacto ambiental, redução na quantidade de materiais utilizados no fabrico,
otimização das técnicas de produção e distribuição, redução do impacto ambiental ao nível
do utilizador e aumento do tempo de vida útil do produto, bem como a sua reciclabilidade.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MCTES | METD | MM
Fontes de financiamento: COMPETE | EEA Grants LIFE
2.4 Capacitar os Centros de Competência para fomentar os clusters
Inovação
regionais de Bioeconomia Sustentável
Promover a articulação entre indústrias, investigação e produção, reunindo laboratórios
colaborativos, centros de interface tecnológicos, através da integração vertical e horizontal
das fileiras e setores, assim como aumentar a capacidade de influência dos atores nos temas
investigados, respondendo, assim, com maior eficiência às suas necessidades.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MM | MA | METD | MCTES
Fontes de financiamento: FCT |Fundo Ambiental | Fundo Azul | PRR
2.5 Promover métodos e tecnologias de gestão no setor primário
Inovação
Facilitar projetos e iniciativas de ID&I que permitam a aplicação de boas práticas
sustentáveis e aumento da eficiência na produção primária, recorrendo a tecnologias digitais
(e.g. deteção remota, satélites, sensores, modelos, software).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MM | MA | MCTES
Fontes de financiamento: FCT | FEADER | FEDER | Horizonte Europa| EEA Grants/
Fundo Azul
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 77
E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
2.6 Desenvolver novos produtos e utilizar alternativas ambientalmente
Inovação
mais sustentáveis às atuais práticas de produção primária
Estimular iniciativas de ID&I e a utilização de alternativas ambientalmente mais
sustentáveis ao nível dos produtos e materiais utilizados nas diferentes atividades do setor
primário (e.g. novas redes de pesca de base biológica e comprovadamente biodegradáveis,13
bioplásticos comprovadamente biodegradáveis e compostáveis13 de utilização agrícola,
biopesticidas).
Áreas Governativas envolvidas: MA | MM | MAAC | MCTES
Fontes de financiamento: FCT | FEADER | FEDER | FEAMPA | Horizonte Europa
|EEA Grants | Fundo Azul | PRR
13
Em alinhamento com o estabelecido no Plano de Ação para a Economia Circular (COM(2020) 98), com base numa
análise das aplicações que possam ser benéficas para o ambiente e dos critérios para utilização
Diário da República, 1.ª série
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E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
2.7 Apoiar a digitalização e desenvolver ferramentas e tecnologias de
rastreio Conhecimento
Estimular a digitalização e o desenvolvimento de ferramentas de rastreamento dos
produtos de base biológica (e.g. block-chain, RFID – Radio-Frequency Identification, marcação
de DNA) que permitam o acompanhamento da sua utilização ao longo da cadeia de valor,
possibilitando uma avaliação dos impactos ambientais e económicos, nomeadamente com
o objetivo final de informar o consumidor sobre a origem das matérias-primas.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD| MCTES | MM
Fontes de financiamento: FCT | COMPETE | Fundo Azul | PRR
Instrumento e outros documentos estratégicos:
• ENEI
• PAEC
• PNEC 2030
• ENM 21–30
• Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030
• Plano de Ação para a Transição Digital
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 79
E2: Promover a Investigação, Desenvolvimento & Inovação e valorizar a capacidade científica e
tecnológica nacional de excelência
ODS:
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
Descrição:
Para desenvolver uma indústria de base biológica, circular e sustentável é crucial promover
a transição dos setores tradicionais existentes para a Bioeconomia através de uma nova
abordagem, quer à origem dos recursos e à eficiência material, quer às tecnologias e serviços
inovadores, promovendo o trabalho em rede e a transferência de conhecimento. Para este
desígnio, a integração dos centros de investigação e universidades na cadeia de valor é
fundamental para a criação de oportunidades locais e regionais.
Objetivos:
• Aumentar a visibilidade e o potencial das várias áreas da Bioeconomia em todos os
setores através da criação de plataformas digitais;
• Promover soluções sustentáveis de Bioeconomia e a utilização de produtos de base
biológica através da fiscalidade verde e da redução de custos de contexto, por forma a
induzir comportamentos ecológicos;
• Aumentar a incorporação de matérias-primas de base biológica, primárias e secundárias,
nos processos produtivos através de divulgação de boas práticas e promoção de novas
cadeias de valor;
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 80
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
• Identificar e proporcionar oportunidades concretas para investimento público e
privado, com projetos ambientalmente e sustentáveis e estabelecer um diálogo com
investidores com vista a gerar conhecimento sobre a bioindústria.
Área de
Medidas:
intervenção:
3.1 Identificar as principais barreiras na valorização dos recursos biológicos
Setor produtivo
para o desenvolvimento de uma indústria de base biológica
Promover a identificação e eliminar as principais barreiras e riscos para o desenvolvimento
de bioindústrias nomeadamente biorrefinarias avançadas, incluindo oportunidades de
valorização das matérias-primas de base biológica nos diversos setores com potencial para
uma transição para a Bioeconomia Sustentável.
Áreas Governativas envolvidas: METD | MAAC | MM | MA
Fontes de financiamento: Compete | Fundo Azul | Fundo Ambiental | LIFE
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 81
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
3.2 Avaliar a introdução de incentivos financeiros e fiscais para promover
a substituição de recursos naturais não renováveis por outros de base Fiscalidade
biológica
Realizar um estudo para avaliar incentivos financeiros e fiscais que potenciem a utilização
de matérias-primas de base biológica e incentivem uma transição para a Bioeconomia,
nomeadamente fibras de base biológica, materiais de construção de base biológica,
composto resultante da valorização de biorresíduos, substituição de plástico por produtos
de base biológica, biodegradáveis e/ou compostáveis, designadamente no contexto das
embalagens e plásticos para a agricultura.
Áreas Governativas envolvidas: MF | MAAC | MM | MA
Fontes de financiamento: Fundo Ambiental
3.3 Reavaliar as taxas administrativas e de efeito similar, nomeadamente
custos de contexto, associadas à utilização de matérias-primas Fiscalidade
secundárias
Estabelecer indicadores de resultados e de desempenho para introdução de taxas, eliminar
taxas obsoletas e criar obrigatoriedade de monitorização das taxas em vigor, com a
consequente avaliação da sua eficácia e eficiência.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 82
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
3.4 Reforçar a aquisição de produtos de base biológica na revisão da
Regulação
Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas
Reforçar e, sempre que possível, exponenciar na revisão da ENCPE os critérios associados
à aquisição de produtos de base biológica com soluções inovadoras e sustentáveis,
nomeadamente para a área da construção, mobiliário, painéis interiores, produtos e serviços
de limpeza, , têxteis, entre outros.
Áreas Governativas envolvidas: MF | MP | MS | MAAC | MIH
3.5 Avaliar o potencial do mercado para incorporação de matéria-prima Setor
secundária de base biológica em processos produtivos produtivo
Elaborar um estudo com a identificação e mapeamento de empresas com potencial de
utilização e incorporação de matéria-prima secundária de base biológica no seu processo
produtivo, em substituição da matéria-prima primária (seja de origem fóssil ou de origem
biológica).
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MA | MM
Fontes de financiamento: Fundo Azul | Fundo Ambiental
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E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
3.6 Avaliar o potencial da criação de uma plataforma de "oferta-procura"
Matéria-Prima
de matéria-prima de base biológica em Portugal
Aumentar a transparência da oferta da matéria-prima (e.g. caso da Lituânia), através do
recurso à digitalização, utilizando algoritmos de "matchmaking" para alteração dos modelos
de negócio associados à disponibilização da matéria-prima. Esta ação contribuirá para
equilibrar oferta e procura, nomeadamente entre as diferentes fileiras e no que se refere a
posição dominante da procura face à oferta.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MA | MM
Fontes de financiamento: FEAMPA | FEADER
3.7 Implementar uma metodologia para a análise de ciclo de vida do
Transversal
produto de base biológica
A avaliação do ciclo de vida é uma técnica de avaliação e quantificação de impactos
ambientais possíveis associados a um produto (bem ou serviço) ou processo. Essa avaliação
deve ser realizada considerando todos os estágios do ciclo de vida do produto ou processo
e todas as etapas intermediárias (como manufatura, transporte, uso, etc.) e, sempre que
possível, alinhada com as soluções digitais que assegurem a rastreabilidade dos materiais.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MCTES | MA | MM
Fontes de financiamento: FCT | COMPETE
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E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
3.8 Criar plataformas colaborativas para a identificação de potenciais
Setor produtivo
bloqueios e divulgação de soluções setoriais e sustentáveis
Criação de plataformas colaborativas formais de trabalho multi-stakeholders para a
identificação de potenciais bloqueios e soluções sustentáveis nomeadamente, práticas de
simbioses industriais, quer intra quer intersetorial. As plataformas visam, igualmente, a
transferência de conhecimento através da divulgação de casos de sucesso e de boas práticas,
entre os diversos intervenientes dos setores envolvidos, que promovam o uso eficiente das
matérias-primas de base biológica, primárias e secundárias, designadamente através da
economia circular e utilização em cascata.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MA | MM
Fontes de financiamento: LIFE
3.9 Desenvolver um programa de aceleração da aquicultura sustentável,
numa abordagem de simbiose industrial e de uso em cascata de Setor Produtivo
subprodutos e efluentes derivados
Expandir e diversificar a aquicultura multitrófica (animal e vegetal), criando e maximizando
as oportunidades de investimento e de sustentabilidade marinha e promover e apoiar o
desenvolvimento de redes de recolha e de valorização de subprodutos e biorresíduos
provenientes da aquicultura.
Áreas Governativas envolvidas: MM | MA
Fontes de financiamento: FEAMPA | EEA Grants | Fundo Azul | LIFE
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 85
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
3.10 Estabelecer um diálogo com investidores e alavancar financiamento
público e privado na cadeia de valor da bioindústria, proporcionando Financiamento
oportunidades concretas de investimentos sustentáveis
A bioindústria circular e sustentável proporciona oportunidades de investimento público e
privado em linha com prioridades nacionais e europeias para a transição para uma economia
circular. Este é um dos objetivos identificados na Taxonomia Europeia para as atividades
sustentáveis, que é um guia essencial para investidores. Para tal, é importante estabelecer
um diálogo com a comunidade financeira, gerando maior conhecimento sobre a
bioindústria e identificando projetos concretos para financiamento.
3.11 Desenvolver ações piloto de demonstração do potencial da Setor produtivo
Bioeconomia em setores tradicionais (Têxtil e vestuário, calçado e
resina)
Nesta componente serão apoiados três setores (têxtil e vestuário, calçado e resina natural)
para alavancar a transição para produtos de base biológica e de forma a que se tornarem
mais eficientes na utilização de recursos criando maior valor do mesmo material. A
mudança estrutural associada à transição para a Bioeconomia pretende ter um impacte
duradouro na resiliência económica e social, contribuindo para a transição ecológica e
digital, a competitividade dos processos de produção e a criação de emprego a longo prazo.
Estes setores servirão de demonstração ao potencial da aplicação dos princípios da
Bioeconomia, permitindo a disseminação de iniciativas semelhantes noutras cadeias de
valor.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MP | MA | MM
Fontes de financiamento: PRR| LIFE
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 86
E3: Desenvolver a bioindústria circular e sustentável: Inovação na cadeia de valor e nos
processos
Instrumentos e outros documentos estratégicos:
• ENEI
• ENM 21–30
• PAEC
• PNEC 2030
• RNC2050
• Estratégia para os Biorresíduos
• ENCPE
ODS:
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 87
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
Descrição:
Este eixo tem como objetivo promover a sensibilização para a produção e consumo
responsáveis ao longo de toda a cadeia de valor, envolvendo os vários stakeholders e o
consumidor final. É necessário dotar os profissionais dos vários setores produtivos de
capacidades para o desenvolvimento ou produção de biomateriais, para as tecnologias e
serviços i4.0 e para promover inovações baseadas em conhecimento. Por outro lado, o papel
da sociedade e dos consumidores é essencial para colocar no mercado alternativas mais
sustentáveis, nomeadamente produtos. O papel e a responsabilidade da sociedade devem ser
reforçados através de informação simples, transparente e correta.
Objetivos:
• Inclusão do conceito e dos princípios da Bioeconomia nos currículos escolares e
académicos;
• Promoção dos princípios do eco-design e da Bioeconomia na formação profissional;
• Divulgação de boas práticas na área da Bioeconomia ao longo de toda a cadeia de valor;
• Sensibilização/informação dos consumidores para os produtos de base biológica;
• Divulgação de oportunidades de financiamento na área da Bioeconomia, bem como de
mecanismos nacionais, europeus ou de mobilização de investimento direto estrangeiro.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 88
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
Medidas: Área de intervenção:
4.1 Promover a integração dos princípios da Bioeconomia sustentável
nos currículos académicos e nos referenciais relativos às qualificações Conhecimento
do Catálogo Nacional de Qualificações
Reforçar, através da inclusão de princípios de Bioeconomia sustentável e circular, os
currículos académicos de modo transversal nos conteúdos programáticos do ensino
superior, nomeadamente através de acordos com universidades, e os referenciais relativos às
qualificações do Catálogo Nacional de Qualificações em articulação com a Agência Nacional
para a Qualificação e o Ensino Profissional, I.P.
Áreas Governativas envolvidas: MCTES | MAAC | MM | MTSSS | MEDU
4.2 Apoiar a criação do “Prémio para a Construção” para reconhecer os
melhores projetos/temas de investigação na área da Bioeconomia Inovação
sustentável
Divulgação do conceito de Bioeconomia nos cursos de curta duração e no ensino superior
com a criação de um prémio destinado ao melhor projeto/tema de investigação,
nomeadamente mestrados e doutoramentos dos cursos de arquitetura, engenharia civil,
engenharia de materiais, engenharia e gestão industrial, entre outros.
Áreas Governativas envolvidas: MCTES | MAAC | MA | MM
Fontes de financiamento: FCT | Fundo Ambiental
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 89
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
4.3 Realizar uma conferência anual para envolver a comunidade científica
Conhecimento
no desenvolvimento do uso sustentável da Bioeconomia sustentável
A realização de conferências tem como objetivo promover o debate e a troca de experiências
no âmbito da utilização de modelos e processos sustentados na Bioeconomia, destinando-
-se a todos os intervenientes da cadeia de valor, nomeadamente a indústria e a comunidade
científica.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MCTES | METD | MA | MM
Fontes de financiamento: FCT
4.4 Promover a utilização de rótulos aplicáveis a produtos de base Setor produtivo |
biológica sustentáveis como fator de identificação e diferenciação Mercado
Apostar na rotulagem para a promoção de produtos de base biológica, bem como a utilização
de embalagens sustentáveis. Desenvolver métodos de rastreabilidade, por forma a garantir
que os recursos biológicos provêm de uma gestão sustentável, em linha com normas e
incentivos definidos pela UE.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MM
Fontes de financiamento: Fundo Azul | EEA Grants
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 90
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
4.5 Promover campanhas de sensibilização e comunicação (S&C)
Consumidor
dirigidas aos consumidores
Esta medida envolverá a promoção de campanhas de comunicação, potenciando e
sensibilizando a alteração de comportamentos dos cidadãos para o consumo responsável e
para a opção por produtos de base biológica. Estas campanhas, dirigidas ao público em geral,
procurarão evidenciar que a escolha dos produtos de base biológica traz benefícios
ambientais, de bem-estar social e de durabilidade.
Áreas Governativas envolvidas: METD | MAAC | MCTES | MM
Fontes de financiamento: COMPETE | LIFE
4.6 Lançar o portal da BIO.NOMIA Conhecimento
Lançamento do portal da BIO.NOMIA associado ao portal ECO.NOMIA, aproveitando
sinergias e permitindo uma estrutura de comunicação comum para a divulgação do conceito
de Bioeconomia, de oportunidades de financiamento e de exemplos de produtos de base
biológica para os consumidores.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC
Fontes de financiamento: Fundo Ambiental
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 91
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
4.7 Introduzir o tema da Bioeconomia sustentável nas camadas mais
Cidadãos
jovens da Sociedade
Promoção, junto da população jovem, do tema da sustentabilidade na Bioeconomia
sustentável, nomeadamente no âmbito das iniciativas «Eco-Escolas» e «Escola Azul”, através
de ações e projetos estruturados, interdisciplinares, verticais e integrados no âmbito da
Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA), aprovada pela Resolução do Conselho
de Ministros n.º 100/2017, de 11 de julho, e da Estratégia Nacional de Educação para a
Cidadania, bem como no âmbito do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória,
homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, publicado no Diário da República, 2.ª série,
n.º 143, de 26 de julho.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MM | MEDU
4.8 Realizar workshops de informação sobre os produtos de base biológica Setor Produtivo |
com os setores produtivos e da distribuição/retalho Mercado
Promover a sensibilização dos sistemas de retalho e distribuição por forma a apostar na
disponibilização destes produtos ao público em geral. Durante estas ações deverão ser
evidenciadas as oportunidades e vantagens associadas aos produtos de base biológica.
Áreas Governativas envolvidas: METD | MAAC | MA | MM
Fontes de financiamento: COMPETE | Fundo Ambiental
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 92
E4: Sociedade: Promover o conhecimento e o desenvolvimento de
competências através da educação e da formação
Instrumentos e outros documentos estratégicos:
ENEA
ENEI
PAEC
Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar, aprovada pela Resolução do
Conselho de Ministros n.º 46/2018, de 27 de abril
ENM 21–30
ODS:
E5: Monitorizar a Bioeconomia: avaliar a evolução, compreender os limites dos ecossistemas e
promover a certificação
Descrição:
Este eixo visa a monitorização do contributo da Bioeconomia para uma economia de baixo
carbono, ecossistemas resilientes e uma utilização eficiente dos recursos biológicos, através da
recolha de dados para aumentar o conhecimento nesta área. Adicionalmente, a recolha da
informação e a capacidade de modelação e previsão são elementos essenciais para avaliar se as
ações e os seus resultados estão alinhados com os objetivos do PABS e antecipar potenciais
efeitos nefastos para o ambiente, os ecossistemas e a biodiversidade.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 93
E5: Monitorizar a Bioeconomia: avaliar a evolução, compreender os limites dos ecossistemas e
promover a certificação
Objetivos:
• Promover a recolha e tratamento de informação e aumentar o conhecimento dos setores
abrangidos pela Bioeconomia, incluindo a oferta e procura sustentáveis de biomassa;
• Promover a recolha e tratamento de informação relativamente aos impactos ambientais e
socioeconómicos das atividades em todas as áreas da Bioeconomia;
• Aumentar o conhecimento dos ecossistemas terrestres e aquáticos;
• Compreender melhor os efeitos das várias utilizações da biomassa no que diz respeito à
mitigação das alterações climáticas, segurança alimentar, matérias-primas e segurança
energética, conservação da biodiversidade, serviços de ecossistemas, entre outros.
Área de
Medidas:
intervenção:
5.1 Constituir um Conselho Nacional para a Bioeconomia Sustentável
Governança
Estabelecer uma governança nacional para a Bioeconomia, a fim de coordenar e monitorizar o
respetivo desenvolvimento, bem como a execução do presente PABS.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MA | MM
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 94
E5: Monitorizar a Bioeconomia: avaliar a evolução, compreender os limites dos ecossistemas e
promover a certificação
5.2 Incentivar a adoção de certificações acreditadas na área da Bioeconomia
Conceção
Sustentável
Identificar certificações/logótipos/rótulos existentes (e.g. certificação de base biológica,
biodegradável e/ou compostável, rótulos ecológicos), analisar as barreiras à adoção de
certificações acreditadas na área da Bioeconomia Sustentável, bem como acompanhar a criação
das normas europeias, fazendo da comunicação uma ferramenta para potenciar a utilização de
produtos de base biológica com o objetivo de promover compras conscientes. A definição de
conteúdo de origem biológica deve ter em consideração as normas desenvolvidas pelo
CEN/TC/411 (European Committee for Standardization/Technical Committee), bem como
o desempenho ambiental.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MA | MM
5.3 Desenvolver um sistema de indicadores-chave de desempenho a nível
Monitorização
nacional e regional sobre o desenvolvimento da Bioeconomia sustentável
Criação e/ou identificação de um conjunto de indicadores que permitam avaliar/medir a
evolução da Bioeconomia em Portugal.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MA | MM
5.4 Mapear e criar inventário de biomassa disponível para a produção de novos
Inovação
biomateriais e bioprodutos
Criação de modelos de recolha de informação apoiados em ferramentas digitais para avaliação
da sustentabilidade da exploração da biomassa (e.g. recursos agroalimentares, vinícolas,
florestais, marinhos, etc.).
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 95
E5: Monitorizar a Bioeconomia: avaliar a evolução, compreender os limites dos ecossistemas e
promover a certificação
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MA | MM
Fontes de financiamento: Fundo Ambiental
5.5 Realizar relatório anual de acompanhamento da execução do Plano de Ação Monitorização
Preparação, com periodicidade anual, de um relatório de acompanhamento do PABS com o
levantamento do estado da arte e uma análise do potencial e dos impactos ambientais da
utilização de recursos de origem biológica (agricultura, floresta, pesca, aquicultura sustentável)
no âmbito da Bioeconomia.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | METD | MCTES | MA | MM
Instrumentos e outros documentos estratégicos:
• ENEI
• PAEC
• PNPB Horizonte 2030
• Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais 2030
• Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030
• ENM 21–30
• ENF
ODS:
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 96
4.3. Ações Setoriais
A transição para uma economia mais sustentável, que responda aos ODS das Nações Unidas
2030 e contribua para atingir as metas propostas no Pacto Ecológico Europeu, oferece
inúmeras oportunidades para a revitalização de setores fortes ou tradicionais da economia
portuguesa.
Existem diversos setores robustos em Portugal que apresentam condições favoráveis ao
desenvolvimento de produtos de base biológica através de inovação e de incorporação de
recursos biológicos e subprodutos provenientes de outros setores.
A evolução nos processos de produção baseada no modelo da Bioeconomia e sustentada no
compromisso de utilização sustentável de recursos de base biológica, contribui para o
aumento da competitividade do tecido económico nacional e para o respeito pela proteção e
preservação dos ecossistemas do planeta.
Para alcançar a ambição do Pacto Ecológico Europeu, a transformação industrial deve ir
além das energias renováveis, da eficiência energética ou da mobilidade descarbonizada. Esta
peça central na definição das prioridades políticas e de investimento da UE define claramente
como objetivos adotar uma ambição de poluição zero por um ambiente livre de substâncias
tóxicas e mobilizar a indústria para uma economia circular e limpa.
No âmbito do PABS, foram identificados três setores de atividade económica que pela
natureza das suas atividades, pela sua importância socioeconómica, e pelo potencial de
desenvolvimento na área da Bioeconomia, se considera possuírem as condições para
alavancar de forma determinante a implementação de modelos baseados na Bioeconomia: o
setor do têxtil e vestuário, o setor do calçado e o setor da resina natural.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 97
Relativamente aos dois setores da Moda, Têxtil e Vestuário e Calçado, a Bioeconomia
Sustentável tem um papel fundamental, podendo trazer múltiplos benefícios para a indústria.
Estes setores são caracterizados por um grande consumo de matérias-primas e água. O
grande conhecimento que estes clusters apresentam, a capacidade de resposta rápida, a oferta
de uma proposta de valor que inclui produtos e serviços de qualidade e inovadores, de
elevado valor acrescentado e ajustados às necessidades dos clientes, posicionam-nos como
setores de elevado potencial de evolução na utilização eficiente de recursos de base biológica.
O setor da resina natural tem igualmente um elevado potencial de implementação de
processos baseados nos princípios da Bioeconomia. É um setor tradicional da economia
portuguesa que se pretende revitalizar, com uma importante contribuição para o
desenvolvimento do meio rural, alicerçado na exploração de recursos naturais. No entanto,
Portugal tornou-se fortemente dependente da importação de resina natural.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 98
Setor Têxtil e do Vestuário
O setor do Têxtil e Vestuário global tem um impacto negativo nos ecossistemas e uma
elevada pegada ecológica. No entanto, impulsionado pela opinião pública e pelas preferências
do consumo, este setor é um dos que mais procura uma mudança de paradigma, no sentido
de adotar práticas mais sustentáveis. Assim, verifica-se uma aposta na produção de produtos
com o menor impacto possível no ambiente ao longo de toda a cadeia de valor, desde a
produção de fibras à distribuição do produto acabado, estendendo-se, mais recentemente,
até ao fim de vida dos produtos.
Dada a complexidade da cadeia têxtil-moda e, apesar dos esforços realizados pelo setor no
sentido de evoluir nas questões associadas à utilização de substâncias potencialmente
perigosas, à reciclagem e à circularidade, há ainda um longo caminho a percorrer,
nomeadamente nos novos desígnios relacionados com a utilização de materiais renováveis e
o contorno gradual do uso de materiais com origem no petróleo e propensos à libertação de
microplásticos.
Para combater os impactos ambientais é fundamental um reforço da capacitação do setor
para a transição para a Bioeconomia Sustentável e Circular e que conduzirá a uma maior
eficiência no consumo de recursos, reduzindo a sua pegada ecológica, ao desenvolvimento
de novos produtos de valor acrescentado e ao desenvolvimento de mercados mais exigentes
e exclusivos. Desde dezembro de 2020 que se encontra disponível o Manual de Critérios de
Contratação Pública Ecológica (CPE) para Produtos e Serviços Têxteis, no âmbito da
ENCPE 2020, com a devida adaptação à realidade nacional dos critérios GPP (Green Public
Procurement) disponibilizados pela Comissão Europeia, os quais são sustentados pelo
Relatório Técnico de Suporte para «Produtos e Serviços Têxteis», igualmente produzido pelo
Joint Research Centre para a Comissão.
Este manual apresenta um conjunto diversificado de critérios ecológicos, nomeadamente, na
área dos têxteis produzidos a partir de fibras com origem em florestas com gestão florestal
sustentável. O manual reconhece, igualmente, as certificações associadas à produção
biológica como fator de valoração destes produtos têxteis.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 99
Objetivos para o setor
A transição do setor para uma Bioeconomia Sustentável e Circular requer um planeamento
a médio prazo que permita estruturar a criação de oportunidades para os agentes económicos
ao longo de toda a cadeia de valor, promovendo uma mudança de paradigma assente em
bases de inovação tecnológica, que conduza à disrupção no sistema produtivo nacional.
OBJETIVOS
• Reduzir o consumo de matérias-primas de origem fóssil;
• Aumentar a utilização de matérias-primas autóctones ou de produção local (promover as
cadeias curtas);
• Aumentar a eficiência na utilização de recursos (matérias-primas, água, energia);
• Aumentar a utilização de subprodutos e a valorização de resíduos de base biológica através
de simbioses industriais;
• Reduzir as emissões de GEE e a utilização de produtos químicos tóxicos.
Para a definição de metas da promoção Têxtil e Vestuário foram considerados os horizontes
temporais de 2025 e 2030:
• 2025
• Aumentar em 20 % a integração e valorização de resíduos de base biológica;
• Reduzir em 10 % a utilização de matérias-primas nos processos de fabricação, através
da digitalização;
• Reduzir em 40 % a emissão de GEE na ITV;
• Duplicar o nível de reconhecimento internacional desta industria nacional como
Indústria Responsável;
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 100
• 2030
• Substituir 40 % das fibras de origem fóssil usadas na produção têxtil por fibras de base
biológica produzidas em Portugal;
• Aumentar em 50 % a utilização de fibras artificiais e alternativas de base biológica na
produção de têxteis;
• Aumentar em 40 % a circularidade de têxteis pós-consumo.
Para alcançar os objetivos e metas definidas para o uso sustentável dos recursos biológicos,
de criação de emprego e de crescimento económico para o setor, é necessário atuar em quatro
pilares de intervenção estratégicos que contemplam a realização de 11 ações alinhadas com
os objetivos preconizados:
1.Biomateriais: desenvolvimento de novos processos produtivos de artigos têxteis funcionais
e inovadores, a partir de matérias-primas de base biológica, incorporando biomassa florestal
e marinha e fibras naturais alternativas provenientes do setor agroalimentar.
2. Circular: melhoria da circularidade do setor, promovendo modelos de negócio inovadores
baseados em reprocessamento de matérias-primas biológicas, recicladas e reutilizadas.
3. Sustentável: dedicado à aposta no conhecimento dos processos e sistemas de produção
que permitam que cada artigo possa ser reutilizado e reciclado várias vezes.
4. Sociedade: dirigido à Sociedade com o objetivo de promover a sensibilização para a
produção e consumo responsável ao longo de toda a cadeia de valor.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 101
Setor do Têxtil e Vestuário
Biomateriais Entidades
Aposta nas novas matérias-primas de base biológica - Novos processos Empresas das
produtivos de tecidos funcionais inovadores a partir de matérias-primas fileiras da pasta e
incorporando biomassa florestal (celulose e lenhina) e fibras naturais do papel e da
alternativas provenientes do setor agroalimentar (e.g. fibras provenientes das cortiça, Empresas
folhas do ananás e da banana, do cânhamo, da palha de arroz). de construção de
equipamento,
1.1 Lenhina & Celulose florestal
Empresas do setor
Dinamizar o aproveitamento da lenhina e celulose para a produção de
têxtil (fiação,
fibras e tecido não-Tecido (TNT) artificiais.
estruturas),
1.2 Fibras naturais alternativas (processadas mecânica e bioquimicamente) Empresas do setor
agroindustrial
Centros de
Interface,
Universidades,
Dinamizar o setor agroindustrial para valorização de resíduos como fonte de Associações,
matéria-prima para produção de novas fibras naturais. Cooperativas
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 102
Circular Entidades
Melhorar a circularidade do setor - Modelo de negócio inovador: Empresas de
reprocessamento de matérias-primas biológicas, recicladas e reutilizadas para a construção de
redução do impacto ambiental deste setor, bem como permitir a redução de equipamento, setor
desperdício. dos resíduos, setor
têxtil (fiação,
2.1 Processos (bio)circulares
estruturas,
Aposta na reutilização de fibras (pré e pós-consumo) para reintrodução no
acabamentos,
processo de extrusão de fibras artificiais, com o objetivo de desenvolver
confeção), diversos
processos 100 % circulares
setores industriais
2.2 Simbioses industriais (piscicultura,
Aposta na utilização de matérias-primas secundárias provenientes de outros curtumes,
setores de atividade, para o desenvolvimento de novos processos de agroalimentar,
funcionalização têxtil e novos produtos, com o objetivo de desenvolver trefilaria, cortiça,
novos processos circulares. madeira…), de
produtos químicos
Centros de
Interface,
Universidades,
Associações,
Cooperativas
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 103
Sustentável Entidades
Agindo Naturalmente - Promover a circularidade: apostar em conhecimento
dos materiais e sistemas de produção que permitam a reciclagem e reutilização Empresas de
de cada artigo. construção de
3.1 Eco-Design & Eco-Engenharia em ciclo fechado (zero waste) equipamento &
software,
Promover o cruzamento de saberes do Eco-Design e da Eco-Engenharia, de
comunicação e
forma a promover o desenvolvimento de produto para a circularidade (zero
publicidade, setor
waste).
ITV (toda a cadeia
3.2 Validação e Métricas de valor), setor dos
Promover o desenvolvimento de artigos têxteis com credenciais sustentáveis resíduos, produtos
e circulares, de modo a responder às exigências do mercado no que diz químicos,
respeito à comunicação transparente e credível. Laboratórios
analíticos
3.3 Ferramentas de Rastreio Digital
Desenvolver processos e ferramentas para obtenção do 'CV' do produto, Centros de
que permita a transparência e rastreabilidade na cadeia de fornecimento, de Interface,
forma credível, considerando todo o ciclo de vida do produto (da fibra ao Universidades,
produto final, assim como os vários ciclos subsequentes de reutilização do Associações,
produto). Entidades Públicas
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 104
Sociedade Entidades
Sociedade - Promover a sensibilização da sociedade para a produção e
consumo responsável ao longo de toda a cadeia de valor: criação de um
símbolo único de qualidade para o setor. Empresas de
comunicação/
4.1 Sociedade, Consumo responsável e Reutilização e Reparação
publicidade,
Promover uma campanha de comunicação, através de media próximos da
Influencers (em moda
moda e lifestyle, para influenciar a compra consciente e responsável, a
e lifestyle), Empresas
reutilização e a reciclagem.
de resíduos, setor
4.2 Sensibilização para a rotulagem ITV (toda a cadeia
Reforçar a importância dos rótulos, por forma a informar o consumidor de valor), Marcas
sobre os benefícios ambientais, sociais e económicos do consumo
responsável. Centros de
4.3 Envolvimento dos Stakeholders da Cadeia de Valor & Marcas Interface,
Universidades,
Promover ações concertadas entre os vários stakeholders da cadeia de valor,
Associações,
incluindo entidades de regulação, para ultrapassar os desafios e limitações na
Entidades Públicas,
implementação de sistemas circulares.
Entidades
4.4 Mercados Internacionais
reguladoras/
Divulgar histórias de sucesso do setor, com bom desempenho circular/ certificadoras
sustentável, matérias-primas renováveis ou produtos finais com conceitos
circulares.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 105
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MNE | METD | MCTES | MA
Fontes de financiamento: PRR
ODS:
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 106
Setor do Calçado
O cluster do calçado sempre foi um setor chave em Portugal e, apesar da sua evolução recente
na sustentabilidade, a indústria reconhece que tem de continuar a apostar na sua capacidade
de acompanhar o mercado internacional e as novas tendências, sobretudo na utilização
eficiente de materiais de forma inovadora.
No campo das matérias-primas, o couro é um material que apresenta características ímpares
para a aplicação no calçado. Nas diferentes fases do processo de transformação da pele
animal para obtenção do couro são utilizados agentes químicos.
O recurso a produtos químicos de base biológica tem sido pouco explorado. No entanto,
atualmente existe um grande potencial de melhoria do material e do impacto ambiental em
todo o ciclo do produto, através destes produtos alternativos. A aposta na diferenciação e
em produtos ou serviços de valor acrescentado, na digitalização e na qualificação dos
profissionais e melhoria da produtividade, permite uma resposta rápida e flexível, surgindo
como uma oportunidade para o setor.
Numa transição para uma Bioeconomia circular, o cluster do calçado e moda tem a
oportunidade de utilizar subprodutos e valorizar resíduos provenientes das indústrias
agroalimentares no desenvolvimento de novos materiais de base biológica e produtos com
valor acrescentado para aplicação no exterior ou interior do calçado. Pretende-se, deste
modo, reinventar um modelo económico assente na Bioeconomia circular e sustentável,
nomeadamente, através do desenvolvimento de novos biomateriais, componentes de calçado
e novos conceitos de ecoprodutos, promovendo o cruzamento sinérgico entre o “biológico,
físico e digital”, por forma a posicionar a indústria portuguesa do calçado como líder no
desenvolvimento de soluções sustentáveis.
A promoção da Bioeconomia no setor do Calçado encontra-se suportada em cinco pilares
de intervenção estratégicos, alinhados com as necessidades do setor ao longo de toda a cadeia
de valor.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 107
Objetivos para o setor
A transição do setor para uma Bioeconomia Sustentável e Circular requer a realização de
iniciativas estratégicas essenciais, visando a criação de valor estrutural e a concretização de
iniciativas que requerem investigação aplicada e desenvolvimento, para traduzir o
conhecimento em processos e produtos próximos das empresas, a implementação de linhas
piloto de produção, a difusão de conhecimento e demonstração e a qualificação.
OBJETIVOS
• Desenvolvimento e produção de novos biomateriais e componentes;
• Criação de novos conceitos de ecoprodutos de calçado e marroquinaria com elevada
funcionalidade e processos e modelos de negócio inovadores;
• Conceção e aplicação de novas abordagens e tecnologias visando a minimização e a
valorização dos resíduos de produção e pós-consumo;
• Desenvolvimento e utilização de tecnologias de produção, incluindo a robótica, big data
ou inteligência artificial;
• Disseminação e demonstração de inovação em produtos, materiais e tecnologias,
considerando os seus ciclos de vida inter-relacionados;
• Qualificação e comunicação para promover uma Sociedade próspera, inclusiva e
sustentável, valorizando os seus fatores diferenciadores.
Para a definição de metas para a promoção da Bioeconomia Sustentável e Circular do Calçado
foram considerados os horizontes temporais de 2025 e 2030:
• 2025
• 25% de incorporação de biomateriais nos produtos de calçado e marroquinaria;
• 15% de redução da pegada ambiental de produtos de calçado;
• Reciclagem de 50 % dos resíduos de produção de componentes do cluster;
• Materiais, produtos e empresas livres de matérias-primas críticas;
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 108
• 2030
• 50 % de incorporação de biomateriais nos produtos de calçado e marroquinaria;
• Reciclagem de 90 % dos resíduos de produção de componentes;
• Aumento do valor acrescentado até 10 %.
Para alcançar os objetivos e metas definidas para o uso sustentável dos recursos biológicos,
de criação de emprego e de crescimento económico para o setor, é necessário atuar em cinco
pilares de intervenção estratégicos que contemplam a realização de 10 ações, alinhadas da
seguinte forma:
1. Biomateriais: valorização de recursos naturais e biorresíduos agroalimentares e industriais
e desenvolvimento e produção de bioprodutos químicos, biocouros, biopolímeros e
biocompósitos para calçado ou marroquinaria.
2. Calçado Ecológico: lançamento de novos conceitos de produto, modelos de negócio e
processos de conceção, produção ou customização, visando a diversificação da oferta e o
crescimento económico «dentro dos limites do planeta».
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 109
3. Economia Circular: desenvolvimento e implementação de modelos de gestão dos resíduos
de produção em simbiose industrial e de calçado no fim de vida e de soluções que permitam
a sua reutilização e valorização.
4. Tecnologias Avançadas: desenvolvimento e promoção de tecnologias avançadas de
interação com o consumidor, logística e produção, visando a resolução de problemas
concretos das empresas.
5. Capacitação e Promoção: realização de conteúdos e ações de sensibilização, formação e
comunicação a nível global, para promoção de processos de produção inovadores.
Setor do Calçado
Biomateriais e Componentes Entidades envolvidas
Promover a utilização de subprodutos e biorresíduos agroalimentares ou
industriais, visando o desenvolvimento de bioprodutos químicos, couros,
polímeros e compósitos para o setor, potenciando simbioses industriais a Empresas
nível local e regional. fornecedoras de
biomassas, produtos
1.1 Biocouros para calçado e marroquinaria
químicos, curtumes,
Desenvolver bioprodutos para curtumes e a produção de biocouros a partir
cortiça, materiais,
de biorresíduos agroalimentares ou industriais (e.g. azeite, uvas, papel,
palmilhas, solas,
extratos de plantas, peles de peixes), biocouros funcionalizados a partir de
calçado e centros
materiais de origem mineral ou orgânica com novas tecnologias.
tecnológicos, entre
1.2 Biomateriais e compósitos para o cluster do calçado outros
Desenvolver novos biomateriais com menor pegada ambiental: biofibras
para componentes de calçado (e.g. fibras resultantes da preparação de sumos Institutos e
ou de outros produtos alimentares), biocouros (e.g., biopoliamida, fibra de Universidades
ananás ou banana), biopolímeros e componentes (e.g. borracha natural
obtida da Hevea, Guaiúle ou biomassas), biocompósitos para palmilhas e
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 110
solas à base de cortiça ou de resíduos da indústria agroalimentar (e.g. casca
de amêndoa e de arroz, caroço de azeitona).
Calçado sustentável Entidades envolvidas
Promover o desenvolvimento e a produção de novos conceitos de bio e
ecoprodutos de calçado e marroquinaria, baseados em abordagens de
eco-design, análise do ciclo de vida (ACV), estudos ergonómicos, biomecânicos Empresas de
ou térmicos e novos modelos de negócio. materiais,
2.1 Calçado ecológico e biodegradável componentes,
calçado e
Desenvolvimento de novos conceitos de produtos de calçado e
marroquinaria,
marroquinaria ecológicos, duráveis, reparáveis, biodegradáveis com menor
consultores e centros
pegada ambiental (e.g. novas abordagens de eco-design e ferramentas de ACV)
tecnológicos
e de novos modelos de negócio; metodologias para cálculo da pegada
ambiental e promoção de referenciais para validação de ecoprodutos;
Escolas de design e
promoção de environmental claims e de self declared environmental claims.
produto
2.2 Ferramentas para a sustentabilidade
Desenvolvimento e implementação de plataforma e de base de dados para
a sustentabilidade: Plataforma online “Cluster do Calçado e Moda
Sustentável”, e Base de dados de materiais e tecnologias sustentáveis que
Institutos e
agregue informação essencial sobre bio matérias-primas, biomateriais, bio
Universidades
e ecoprodutos, ecoprocessos de produção, modelos e processos circulares
e sistemas e tecnologias de produção e comercialização avançadas e
sustentáveis.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 111
Economia circular no cluster do calçado Entidades envolvidas
Promover modelos de gestão dos resíduos de produção e de calçado no fim
de vida e o desenvolvimento e implementação de soluções, novos materiais e Empresas de
produtos que permitam a valorização dos resíduos, a implementação de materiais,
simbioses industriais e a transição para a Economia Circular (EC). componentes,
calçado,
3.1 Reciclagem e simbiose industrial
marroquinaria e
Desenvolvimento e implementação de processos de reciclagem de resíduos
reciclagem, entidades
de produção através de soluções para reciclagem de materiais
gestoras de resíduos,
termoplásticos e termofixos, gerados na produção de componentes e
consultores,
calçado, e de compósitos reciclados, potenciando a reciclagem de materiais
associação e centros
complexos e misturas geradas na produção de materiais, componentes e
tecnológicos
calçado.
3.2 Calçado e economia circular
Desenvolvimento e implementação de modelos e processos de reciclagem
de resíduos de calçado pós-consumo: modelos de gestão e reciclagem para
a economia circular; I&D da reciclagem de calçado pós consumo; modelos
de gestão dos produtos no seu fim de vida; abordagens para avaliação da
recolha, preparação, acondicionamento e armazenamento; Logística de Institutos e
fornecimento; Reciclagem do calçado pós-consumo e valorização dos Universidades
recursos.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 112
Tecnologias avançadas de produção Entidades envolvidas
Dotar os setores de tecnologias inovadoras e sustentáveis, no âmbito da Empresas de
digitalização i4.0, com o objetivo de os reposicionar para a conceção, software e logística,
produção e comercialização inteligente de biomateriais, componentes, automação, RFID
calçado, marroquinaria e serviços. robótica, moldes,
4.1 Rastreabilidade e logística materiais,
Desenvolvimento de sistemas de planeamento e logística na cadeia de componentes,
valor (e.g. ferramentas para a rastreabilidade e sistemas de planeamento e calçado e
logística). marroquinaria e
centros tecnológicos
4.2 Sistemas de produção avançados
Desenvolvimento e implementação piloto de sistemas automáticos ou
Institutos e
robotizados inteligentes para produção de ecoprodutos.
Universidades
Capacitação e promoção Entidades envolvidas
Dotar os setores de competências tecnológicas e profissionais para
Empresas de toda a
desenvolvimento ou produção de biomateriais, tecnologias i4.0 ou serviços e
cadeia do Cluster,
para promover no cluster inovações baseadas em conhecimento alavancando
centros tecnológicos
a sua ampla promoção no contexto internacional.
e de formação
5.1 Formação profissional e capacitação avançada profissional e
Formação e sensibilização do cluster do Calçado e Moda: (e.g., na área da associação
sustentabilidade, novos produtos, processos, serviços e modelos de negócio Cluster do Calçado e
mais sustentáveis e circulares). Moda, centro
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 113
5.2 Programa de comunicação e internacionalização do Cluster tecnológico e
consultores
Programa de comunicação e internacionalização através da definição e
implementação do plano de comunicação para promoção do Calçado na Institutos e
Universidades
Bioeconomia Circular e Sustentável.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MNE | METD | MCTES | MA | MTSSS | MM
Fontes de financiamento: PRR
ODS:
Promoção e valorização da Resina Natural
Nos últimos 20 anos verificou-se uma diminuição drástica da produção de resina natural e
Portugal tornou-se altamente dependente das importações de resina e seus derivados
(sobretudo da China e do Brasil).
Na década de 80, Portugal foi um dos maiores produtores mundiais de resina, atingindo cerca
de 140 mil toneladas/ano, tendo ocupado a 3.ª posição na produção mundial de resina. Em
2019, a produção nacional de resina natural foi de 5,6 mil toneladas. De acordo com os dados
oficiais do 6.º inventário florestal nacional referente a 2015, a produção anual foi de 7,9 mil
toneladas e a área resinada de 24,1 mil hectares, maioritariamente na região Centro do País,
onde se concentra mais de metade da produção nacional de resina. Apesar da produção de
resina não sofrer grandes oscilações desde 2014, recentemente registou-se uma redução da
produção decorrente dos incêndios florestais de 2017. Atualmente, Portugal apresenta um
aumento potencial da área resinada entre 74 a 128 mil hectares, de acordo com cenários de
exploração menos ou mais intensivos em povoamentos puros de pinheiro-bravo.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 114
A principal aplicação da resina é a produção de tintas e vernizes, em especial tinta e verniz
utilizados na impressão de jornais e revistas e para a produção de tinta utilizada na marcação
de estradas. A produção de colas e vernizes para construção é outro mercado importante a
nível internacional. A colofónia é um dos constituintes das colas industriais (e.g. para
construção civil, produção de livros) e de produtos de cosmética, como as ceras depilatórias.
Estes mercados são muito competitivos, com forte concorrência das resinas derivadas do
petróleo, principalmente no que diz respeito a colas e adesivos. Com o aumento da perceção
dos benefícios da Bioeconomia e a consequente preferência do consumidor por produtos de
base biológica, perspetiva-se que a procura diferenciada das resinas naturais aumente, uma
vez que têm origem num recurso natural e renovável e com menor impacto ambiental, ao
contrário das resinas sintéticas derivadas de petróleo.
A promoção deste setor tem inerente um conjunto de impactos positivos indiretos que são
fundamentais na política económica e de coesão territorial e social, nomeadamente, garantir
níveis de abastecimento da indústria e, simultaneamente, catalisar a gestão florestal
sustentável, reduzir a perigosidade de incêndio e contribuir para a criação de postos de
trabalho e fixação de mão-de-obra no meio rural, em particular nos territórios mais
despovoados. Uma gestão mais profissional deste território representa ganhos em termos de
sequestro de carbono e na prevenção de incêndios rurais.
Objetivos para o setor
Na transição para uma Bioeconomia Sustentável, é necessário criar as condições para uma
maior valorização da resina natural, potenciando um maior leque de aplicações de mercado.
Paralelamente, é necessário fomentar a revitalização de toda a cadeia de valor com vista à sua
maior modernização, inovação e incorporação de conhecimento técnico-científico.
OBJETIVOS
• Revitalizar a produção de resina natural nacional;
• Promover a produção de produtos e seus derivados;
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 115
• Incentivar o conhecimento científico e de inovação para a produção de novos produtos
com valor acrescentado;
• Melhorar práticas ao longo de toda a cadeia de valor;
• Promover a sensibilização da sociedade para o consumo responsável.
Para a definição de metas para a promoção e valorização da resina foram considerados os
horizontes temporais de 2025 e 2030.
• 2025
• Aumento em 10 % da área resinada em propriedade privada e 50 % em áreas geridas
pelo Estado;
• Reduzir o custo da resina à porta da fábrica em 20 %, para atingir valores da resina
importada;
• Aumentar em 5% o número de profissionais de resinagem presentes na floresta;
• Garantir um acréscimo de 25% na rentabilidade do pinhal em relação ao valor obtido
exclusivamente com a venda de madeira.
• 2030
• Melhoria da eficiência produtiva industrial em 10 %;
• Transição de, pelo menos, oito indústrias da 1.ª e 2.ª transformação para energias
renováveis;
• Novos materiais e produtos derivados da colofónia para aplicações com maior valor
acrescentado;
• Promover o consumo e a maior valorização da terebentina derivada da
2.ª transformação da resina;
• Criação do selo de resina natural ibérica.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 116
Para alcançar os objetivos e metas definidas é necessário atuar em três pilares de intervenção
estratégicos que contemplam a realização de 7 ações alinhadas com os objetivos
preconizados:
1. Fomento da produção da resina natural nacional: promover a valorização do setor da resina
natural através do desenvolvimento de iniciativas para aumentar a produção da resina em
Portugal, para garantir níveis de autoabastecimento à indústria e também para catalisar a
gestão florestal sustentável, reduzir o risco de incêndio e contribuir para o desenvolvimento
do mundo rural.
2. Reforço da sustentabilidade da indústria transformadora da resina: reforçar o investimento
na industria e na cadeia de valor, assentando as suas ações na valorização comercial e
tecnológica da resina natural produzida como um recurso social, económico e
ambientalmente sustentável.
3. Diferenciação positiva da resina natural e produtos derivados: pilar destinado à
comunicação e ao “marketing” para diferenciação positiva da resina natural junto do
consumidor final através da criação de um “selo” ibérico e divulgação técnica sobre toda a
cadeia de valor e de um plano de comunicação e “marketing”.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 117
Promoção e valorização da Resina Natural
Fomento da produção da resina natural nacional Entidades
Aumentar a produção da resina natural em Portugal, para garantir níveis de
autoabastecimento à indústria, catalisar a gestão florestal sustentável, reduzir
o risco de incêndio e contribuir para o desenvolvimento do mundo rural. Organismo da
administração indireta
do Estado com
1.1 Reforço da capacidade produtiva do Pinhal
responsabilidades na
Criar um programa de melhoramento genético do pinheiro-bravo área, associações
específico para a resinagem e efetuar um estudo de benchmarking para setoriais de produção
identificar as principais espécies com potencial de resinagem e os métodos e transformação da
de resinagem mais adequados. resina natural,
empresas de
resinagem,
1.2 Aumentar a produtividade da resinagem
entidades do Sistema
Promover a formação profissional e a profissionalização do resineiro e a
Científico e
promoção de políticas públicas de apoio ao emprego em meio rural;
Tecnológico Nacional
promover incentivos financeiros à resinagem e atividades
(SCTN), federações e
complementares; estudar o potencial de resinagem à vida e à morte em
associações de
áreas geridas pelo Estado; investigação e inovação nas técnicas de
proprietários
resinagem.
florestais
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 118
1.3 Resinagem mais atrativa para o proprietário florestal
Demonstração e comunicação de ganhos da resinagem para a
rentabilidade do pinhal e para a gestão florestal; estratégia de comunicação
para fomento da rearborização com pinheiro-bravo e beneficiação à gestão
florestal em áreas privadas sujeitas a resinagem; incentivos para
remuneração ao proprietário florestal dos serviços ecossistémicos do
pinhal.
Reforço da sustentabilidade da indústria transformadora da resina Entidades
Reforçar a sustentabilidade da indústria portuguesa de transformação de
resina, nomeadamente com I&D para novas aplicações e mercados. A
indústria de 2.ª transformação constitui uma indústria química de ponta e Indústrias de 1.ª e 2.ª
competitiva em termos internacionais, assente na transformação de um transformação,
recurso natural. empresas produtoras
de equipamentos,
entidades do SCTN
2.1 Apoio ao investimento industrial e à cadeia de valor (área química, novos
Fomentar a I&D industrial para a criação de produtos baseados em resina materiais, engenharia
natural; otimizar os processos industriais, com vista à transição para industrial),
energias renováveis e incorporação no processo de subprodutos da associações setoriais
transformação da resina natural. de produção e
transformação da
resina natural, agentes
2.2 Novas aplicações e reforço dos mercados existentes do mercado
Promover novas aplicações e nichos de mercado para a colofónia (e.g.
cosmética, higiene, alimentar, agricultura, empacotamento) e para a
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 119
terebentina; fomentar sinergias para a incorporação nos setores
portugueses do têxtil, calçado e outros.
Diferenciação positiva da resina natural e produtos derivados Entidades
Promover a diferenciação positiva da resina natural e produtos derivados,
aproveitando a oportunidade de uma procura crescente e maior valorização Administração
de produtos de origem bio. indireta do Estado,
entidades do SCTN,
players do setor da
3.1 Criação do selo ibérico resina natural, desde a
Criação de um selo de qualidade da resina natural à escala ibérica e produção ao
produção e divulgação de informação técnica sobre a cadeia de valor da mercado, agências de
resina natural. lobbying a nível da UE,
agências de
comunicação e
3.2 Comunicação e marketing
marketing de âmbito
Comunicação e marketing junto do consumidor final de produtos nacional e
derivados da resina natural, em conjunto com o mercado e envolvendo internacional
toda a cadeia de valor.
Áreas Governativas envolvidas: MAAC | MNE | METD | MCTES | MTSSS
Fontes de financiamento: PRR
ODS:
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 120
4.4. Passos Futuros
A diversidade e as especificidades das atividades económicas abrangidas pelo PABS exigem
uma abordagem dedicada, caso a caso, à semelhança do efetuado com os três setores agora
destacados, tendo em conta o potencial contributo de cada uma dessas atividades para o
desenvolvimento da Bioeconomia Sustentável.
Igualmente, estas especificidades estão muitas vezes associadas a diferentes territórios e,
nesse sentido, o conjunto de agendas regionais a desenvolver, permitirá identificar com maior
pormenor os setores a desenvolver. Assim, será necessário conceber instrumentos de política
pública diferenciados, desenvolver soluções de gestão e tecnológicas distintas e identificar e
envolver diferentes entidades para a concretização das ações necessárias.
Neste contexto, o PABS terá uma abordagem a dois níveis: em primeiro lugar, um conjunto
de ações de carácter mais geral, que permitirão introduzir o tema da Bioeconomia Sustentável
em diferentes fóruns; e, em segundo lugar, pormenorizando atividades prioritárias, focando-
-se nos três setores já identificados, com um grau de intervenção e detalhe muito superior,
permitindo posteriormente replicar algumas das soluções encontradas nos restantes setores
de atividade abordados em momentos subsequentes.
Como setores futuros de especificação poderá desde já identificar-se como exemplos o do
Mar, da Construção Civil e da Agroindústria e da indústria automóvel, sempre articulado
com os conhecimentos adquiridos decorrentes do desenvolvimento das agendas regionais de
Bioeconomia. As biorrefinarias avançadas apresentam também um elevado interesse dado
que permitem a circularidade, integração e reaproveitamento da totalidade dos fluxos de
energia e de matéria envolvidos.
As biorrefinarias avançadas poderão ainda ser a solução para as matérias-primas de base
biológica, com interesse para as mais diversas indústrias, como a química fina, alimentar,
farmacêutica, novos materiais, embalagens, bioenergia e biocombustíveis, entre muitas
outras.
Diário da República, 1.ª série
N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 121
Os conceitos de sustentabilidade, descarbonização e de circularidade estão inerentes à
bioeconomia e à biotecnologia azuis, uma das treze áreas de intervenção prioritárias
estabelecidas na ENM 21-30. Esta nova estratégia, sustentada no conhecimento científico,
tem como pilar inequívoco a necessidade de um oceano saudável como único caminho para
alcançar um desenvolvimento azul sustentável baseado na proteção do oceano, na
valorização dos serviços dos ecossistemas marinhos e no reconhecimento do seu papel
ambiental, económico e social, em paralelo, na robustez dos setores tradicionais e emergentes
da economia azul. Neste contexto, a descarbonização da economia azul através de novos
modelos de desenvolvimento bioeconómicos é crucial para um futuro mais azul e verde em
Portugal e no mundo, em linha com a aposta clara que está a ser efetuada pela Comissão
Europeia e pelas maiores organizações mundiais como a ONU.
O PABS permitirá igualmente, preparar as bases para o estabelecimento a nível nacional de
uma estratégia de bioeconomia sustentável que privilegia a implementação de soluções
económica, social e ambientalmente sustentáveis, sem esquecer o impacto de outras políticas
relevantes, como por exemplo, a descarbonização da economia e a promoção da economia
circular. O PABS assume o território enquanto recurso que é necessário gerir e valorizar
globalmente e com equidade, a partir de uma visão integrada e promovendo práticas que se
traduzam na utilização sustentável dos recursos existentes.
É dada, ainda, grande relevância ao papel e envolvimento das regiões, como garantes da
gestão e do ordenamento do território, assumindo-se como impulsionadoras de soluções e
de articulação com todas as entidades envolvidas. O modelo de governança é um dos aspetos
decisivos para o sucesso do PABS. Refere-se aos princípios e às metodologias necessárias
para enquadrar as atividades a desenvolver para a concretização deste Plano, bem como para
a gestão das soluções técnicas que vierem a ser implementadas. O modelo de governança
constituirá o suporte institucional para o conjunto de ações previstas no PABS.
Diário da República, 1.ª série
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5. MODELO DE GOVERNANÇA
O Modelo de Governança é uma condição de sucesso para a concretização do PABS. É
através deste modelo que se articula e institucionaliza a participação dos diferentes players
representativos dos diversos interesses públicos e da Sociedade Civil.
O Modelo de Governança elaborado pretende responder às diferentes dimensões do PABS
e assegurará a ligação entre a execução das medidas definidas e a sua monitorização e
avaliação.
A estrutura de governança do PABS é constituída por duas comissões de natureza distinta:
uma política e uma operacional, que são, respetivamente, a Comissão Interministerial da
Bioeconomia Sustentável e o Grupo de Coordenação.
A Comissão Interministerial da Bioeconomia Sustentável, será a estrutura no plano político
para o acompanhamento da Bioeconomia Sustentável, bem como das políticas setoriais com
impacto na sua execução. Esta Comissão funcionará integrada na Comissão para a Ação
Climática.
O Grupo de Coordenação, liderado pela Agência Portuguesa do Ambiente, I. P., visa
promover a coordenação de decisões relevantes para a implementação do PABS, incrementar
a cooperação intersetorial e multinível no âmbito da definição de estratégias regionais e
setoriais, impulsionar redes colaborativas de ação e assegurar a monitorização e avaliação.
Integra representantes das entidades públicas designadas pelos membros do Governo
responsáveis pelas áreas do ambiente, ciência, tecnologia e ensino superior, planeamento,
economia, trabalho, solidariedade e segurança Social, coesão territorial, agricultura e mar.
Este Grupo terá um papel fundamental na ligação com o Comité Coordenador para as
iniciativas da Bioeconomia, criado com o desígnio de conceber, desenvolver, coordenar e
monitorizar a execução das ações previstas na Componente do Plano Recuperação e
Resiliência (PRR) «Promoção da Bioeconomia Sustentável».
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As entidades envolvidas neste Comité Coordenador fazem, em grande medida, igualmente
parte do Grupo Coordenador do PABS, o que permite que haja uma integração plena entre
as ações setoriais apoiadas pelo PRR e o conjunto de outras ações preconizadas no PABS.
No âmbito da monitorização e da avaliação do PABS, o Grupo de Coordenação deve
envolver, regularmente, personalidades e instituições representativas da Sociedade Civil nas
áreas a desenvolver pelo PABS, nomeadamente, representantes do ensino superiores, da
investigação científica e dos centros tecnológicos, laboratórios colaborativos, organizações
não governamentais de ambiente, associações empresariais, associações profissionais, entre
outros.
6. OPORTUNIDADES DE FINANCIAMENTO
O acesso ao financiamento desempenha um papel chave na promoção da Bioeconomia para
que se cumpram os objetivos propostos no PABS, nomeadamente ao nível da inovação, da
criação de emprego e do desenvolvimento das indústrias e setores de atividade abrangidos.
A aposta na Bioeconomia deixará de ser, a curto prazo, uma opção e passará a ser uma
realidade, seja pelo facto de ser a única forma de apoiar as políticas de transição climática
definidas pela Comissão Europeia, seja pelo facto de os utilizadores finais serem cada vez
mais sensíveis e exigentes relativamente à utilização sustentável dos recursos naturais. Desta
forma, nesta fase de transição importa assegurar que as empresas e entidades que queriam
apostar em projetos na Bioeconomia, económica e financeiramente viáveis, tenham acesso a
linhas de financiamento que mitiguem alguns dos potenciais riscos subjacentes.
O setor da Bioeconomia Sustentável em Portugal tem sido reconhecido como um dos que
apresenta maior potencial de crescimento, como foi evidenciado pelas agendas políticas e
pela prioridade de atribuição de financiamento público. Programas de financiamento
nacionais, como o MAR 2020 e o Fundo Azul, o Programa Crescimento Azul ou do
Ambiente dos EEA Grants 2014-2021, entre outros, bem como diversos mecanismos de
financiamento europeu, destinaram-se a alavancar atividades de Bioeconomia Sustentável em
Portugal nos últimos anos, principalmente na bioeconomia azul.
Diário da República, 1.ª série
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Os projetos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico (IC&DT) para
operacionalização do Portugal 2020,, foram exemplos de instrumentos para acesso a
financiamento na tipologia de projetos demonstradores em Bioeconomia Sustentável numa
estratégia de especialização inteligente para promoção de uma Bioeconomia de baixo
carbono. Incluem I&D em projetos mobilizadores e demonstradores e que têm aproveitado
os fundos de coesão para o nosso País, através do Programa Operacional Temático
Competitividade e Internacionalização e do Programa Operacional Sustentabilidade e
Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR).
O Banco Europeu de Investimento (BEI) publicou, em 2017, o relatório “Access-to-finance
conditions for Investments in Bio-Based Industries and the Blue Economy”,14 tendo identificado como
barreiras ao desenvolvimento da Bioeconomia, as dificuldades que as empresas enfrentam
no acesso ao financiamento que permita, por um lado, escalar projetos piloto para projetos
de demonstração e, por outro, implementar projetos à escala industrial. Como resultado das
conclusões deste estudo, a Comissão Europeia e o BEI, no âmbito da Estratégia Europeia
para a Bioeconomia, anunciaram a criação do Fundo Europeu da Bioeconomia Circular
(ECBF)15, com um orçamento de 250 milhões de euros. Este fundo dará acesso a
financiamento a empresas e projetos inovadores na área da Bioeconomia que apostem em
modelos de negócio assentes nos princípios da utilização de recursos de base biológica. Este
fundo propõe alavancar projetos em seis setores chave: Bioeconomia e Pescas; Agricultura e
Florestas; Biomateriais e Químicos; Embalagens; Nutrição; e Cuidados Domésticos e
Pessoais. O principal foco deste fundo será financiar e alavancar projetos europeus na área
da Bioeconomia, num estado de desenvolvimento maduro (TRL 6-9) e que demonstrem
contribuir para atingir as metas do Pacto Ecológico Europeu.
A nível europeu, a Bio-based Industries Joint Undertaking (BBI JU)16, uma parceria público-
-privada entre a Comissão Europeia e o Consórcio de Indústrias de Base Biológica, tem sido
14
https://www.eib.org/attachments/pj/access_to_finance_study_on_bioeconomy_en.pdf
15
https://www.ecbf.vc/
16
https://www.bbi-europe.eu/
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responsável pela implementação de diversas ações de investigação e inovação na área da
Bioeconomia. Atualmente, a agência será precedida pela Circular Bio-based Europe Joint
Undertaking (CBE JU) que continuará a apoiar este setor, no âmbito do novo programa-
-quadro europeu para financiamento à investigação e inovação.
No que se refere ao novo programa-quadro para financiamento à investigação e inovação, o
Horizonte Europa 2021-2027,17 a Comissão Europeia apresentou uma proposta ambiciosa
com um orçamento global de 100 mil milhões de euros, assente numa estrutura de três
pilares, que aborda a ciência fundamental, os desafios globais e a inovação. O pilar 2 do novo
programa-quadro, com o desígnio “Desafios globais e competitividade europeia”, com uma
proposta orçamental de 52,7 mil milhões de euros, inclui a Bioeconomia como área chave de
atuação e define como principal objetivo impulsionar tecnologias e soluções fulcrais,
subjacentes às políticas da UE e aos ODS. Neste pilar, a Bioeconomia Sustentável enquadra-
-se, pelo menos, nos seguintes domínios de intervenção: sistemas circulares; sistemas de
inovação de base biológica na Bioeconomia da UE; biodiversidade e recursos naturais; mares,
oceanos e águas interiores.
O Horizonte Europa 2021-2027 prevê sinergias com outros programas da UE, como a
Política Agrícola Comum (PAC), LIFE, ERASMUS, FEDER, Mecanismo Interligar a
Europa, Fundo para a Inovação, FSE+, Fundo dos Assuntos Marítimos e das Pescas,
InvestEU, entre outros, abrindo excelentes perspetivas de financiamento em Bioeconomia
Sustentável para Portugal.
Prevê-se, ainda, a contribuição do FEADER como potencial fonte de financiamento,
naturalmente condicionada a parecer prévio da Comissão de Coordenação Nacional para o
FEADER ou da entidade que a esta se substituir para o período 2023-2027, respeitando as
disposições regulamentares em vigor e futuras previstas para a concessão dos apoios do
FEADER.
17
https://ec.europa.eu/info/horizon-europe-next-research-and-innovation-framework-programme_en
Diário da República, 1.ª série
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Por sua vez, o Programa LIFE enquanto mecanismo de financiamento comunitário
direcionado a projetos inovadores e de valor acrescentado europeu, de demonstração,
implementação e governança, em matéria ambiental e climática, constitui-se como uma
opção de cofinanciamento, com objetivos alinhados com os do presente PABS.
Posicionado entre a investigação - com destaque para o anterior H2020 – e as novas práticas
sustentáveis que se pretendem de uso corrente, o LIFE constitui-se como um instrumento
alavancador que, como um todo, constitui-se totalmente em conformidade com os objetivos
e metas do Pacto Ecológico Europeu (espelhado no Programa de Trabalho Plurianual para
2021-2024 do LIFE).
A nível europeu, há ainda a referir o BlueInvest,18 uma iniciativa da Comissão Europeia
apoiada pelo Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, pilar financeiro do Plano de
Investimentos para a Europa. Lançado em 2019, tem como objetivo melhorar o acesso ao
financiamento e a disponibilidade de investimentos para empresas em estágio inicial e PME
ativas na economia azul.
A nível nacional, o financiamento da Bioeconomia será um elemento chave na estratégia de
desenvolvimento económico e social. Na definição do novo Quadro Comunitário de Apoio,
em particular do Quadro Financeiro Plurianual, a Bioeconomia é identificada como área
chave de atuação, estando previsto o desenvolvimento de diversos mecanismos de
financiamento de ações focadas na utilização de recursos de base biológica na indústria
portuguesa.
Neste âmbito, está previsto o financiamento de ações de I&D, de ações de preparação do
tecido empresarial português para a adoção de modelos de negócios baseados na
bioeconomia e de ações concretas de desenvolvimento de projetos industriais de diferentes
escalas.
18
https://webgate.ec.europa.eu/maritimeforum/en/frontpage/1451
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N.º 250 28 de dezembro de 2021 Pág. 127
No âmbito do PRR, Portugal preparou um conjunto de Investimentos e reformas,
nomeadamente, relacionados com as transições ecológica e digital. Uma das reformas e
investimentos que integram este Programa é a “Promoção da Bioeconomia Sustentável” que
visa promover uma alteração de paradigma para acelerar a produção de produtos de alto
valor acrescentado a partir de recursos biológicos. Para a implementação do investimento
foram considerados os três setores incluídos no presente PABS: Têxtil e Vestuário, Calçado
e Resina Natural.
Estes são alguns exemplos de mecanismos de financiamento que estarão disponíveis para
impulsionar a atividade económica centrada no uso de recursos de base biológica em
Portugal, mas que não esgotam todas as oportunidades de financiamento na Bioeconomia
que surgirão durante a próxima década.
O financiamento para a Bioeconomia estará, naturalmente, enquadrado com a linha de
trabalhos dirigida à promoção do financiamento sustentável, nomeadamente através da
elaboração de uma estratégia nacional para o financiamento sustentável, que inclua a
identificação de incentivos, sendo, neste contexto, dada continuidade ao Grupo de Reflexão
para o Financiamento Sustentável em Portugal. Em paralelo, através do Governo, será
promovido o desenvolvimento da capacidade do banco verde, no contexto do Banco
Português de Fomento. Neste sentido, com a ambição de direcionar o financiamento público
para investimentos que conduzam a uma Sociedade resiliente, circular e neutra em carbono,
serão estabelecidos critérios ambientais, em articulação com o trabalho produzido no âmbito
da ENCPE, como requisito para a atribuição de financiamento e promovida a articulação
entre os diferentes fundos públicos. Os diferentes mecanismos de financiamento disponíveis
para as empresas e entidades que pretendam apostar na Bioeconomia, seja para ações de I&D
ou para projetos de implementação industrial, serão consolidados, numa primeira fase, no
portal ECO.NOMIA devendo, numa segunda fase, ser desenvolvidas outras plataformas de
disponibilização e centralização de informação, como previsto no PABS.
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GLOSSÁRIO
Biocombustíveis e Biocombustíveis Avançados
Combustíveis biomássicos - combustíveis gasosos e sólidos produzidos a partir de biomassa.19
Biocombustíveis - combustíveis líquidos ou gasosos para transportes, produzidos a partir de
biomassa.19
Biocombustíveis avançados - biocombustíveis produzidos a partir das matérias-primas
enumeradas no anexo IX, parte A da Diretiva (UE) 2018/2001, do Parlamento Europeu e
do Conselho, de 11 de dezembro.19 Estes biocombustíveis, com custos de produção mais
elevados, são obtidos através do uso de tecnologias de conversão mais avançadas, como a
conversão termoquímica ou bioquímica de materiais lenho-celulósicos e algas,
nomeadamente, por fermentação, gaseificação, pirólise ou hidroprocessamento, e que
possuem um maior nível de sustentabilidade e de redução das emissões de GEE, tendo
associado a ausência (ou baixo risco) de alteração indireta do uso do solo e sem competir
com as culturas alimentares pela utilização de terrenos agrícolas.20
Biolíquidos - combustíveis líquidos para fins energéticos, com exceção dos destinados aos
transportes, incluindo produção de eletricidade, aquecimento e arrefecimento, produzidos a
partir de biomassa.19
Biocompósitos – material de origem biológica composto por dois ou mais elementos não
gasosos em que, pelo menos, um constitui a fase contínua.21
Biomassa - a fração biodegradável de produtos, resíduos e detritos de origem biológica
provenientes da agricultura, incluindo substâncias de origem vegetal e animal, da floresta, da
pesca e aquicultura, bem como a fração biodegradável de resíduos, incluindo resíduos
industriais e urbanos de origem biológica.19
19
Adaptado da Diretiva (UE) 2018/2001 de 11 de dezembro, relativa à promoção da utilização de energia de fontes renováveis.
20
DL 117/2010 de 25 de outubro na base da Diretiva 2009/28/CE- RED I na redação do ILUC.
21
Adaptado de IUPAC. Compendium of Chemical Terminology, 2nd ed. Compiled by A. D. McNaught and A. Wilkinson. Blackwell
Scientific Publications, Oxford (1997). Online version (2019-) created by S. J. Chalk. ISBN 0-9678550-9-8.
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Biodegradável - material com características adequadas à sua degradação por agentes
microbianos com consequente perda da biomassa.
Bioeconomia – a produção, utilização e conservação de recursos biológicos (animais, plantas,
microrganismos e biomassa derivada, incluindo a fração orgânica de resíduos), com inclusão
de conhecimento, ciência, tecnologia e inovação pressupondo uma utilização dos recursos
de forma sustentável e maximizando a circularidade, através da sua conversão em múltiplos
fins, quer sejam alimentos para consumo humano e animal, produtos de valor acrescentado
de base biológica ou bioenergia.22
Biomimética - área que estuda os princípios criativos e estratégias da natureza, visando a
criação de soluções para os problemas e necessidades da humanidade, unindo funcionalidade,
estética e sustentabilidade.
Bioplásticos – polímeros obtidos de biomassa ou compostos por monómeros derivados da
biomassa, os quais, em alguma das etapas do processo de transformação, podem ser obtidos
por moldagem.23
Biopolímeros – macromoléculas de origem biológica (por exemplo proteínas, ácidos
nucleicos e polissacáridos) formadas por uma sequência de monómeros e sintetizadas por
organismos vivos.21
Biorrefinaria - instalação industrial que otimiza a utilização integral da biomassa (matéria-
-prima), de forma sustentável, originando uma gama diversa de produtos, nomeadamente,
biocombustíveis, eletricidade e calor, biomateriais e uma extensa gama de produtos químicos
(de uso final ou como produtos intermediários).24
Biorresíduos - resíduos biodegradáveis de jardins e parques, resíduos alimentares e de
cozinha das habitações, dos escritórios, dos restaurantes, dos grossistas, das cantinas, das
22
Adaptado de 2018 Global Bioeconomy Summit, p.2 e A sustainable bioeconomy for Europe: strengthening the connection between
economy, society and the environment, Updated Bioeconomy Strategy, EC, DGRI, Unit F – Bioeconomy – 2018.
23
IUPAC, Pure Appl. Chem., Vol. 84, No. 2, pp. 377–410, 2012.
24
Resolução do Conselho de Ministros n.º 163/2017 – PNPB.
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unidades de catering e retalho, bem como os resíduos similares das unidades de transformação
de alimentos.25
Cadeia de valor - conjunto de atividades desempenhadas por um ou vários operadores
económicos, que compreendem desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção
e de venda até à fase de distribuição final.26
Compostável – material passível de sofrer um processo de compostagem.
Composto - o produto higienizado e estabilizado, resultante da decomposição da matéria
orgânica por compostagem, cujas características são de molde a beneficiar, direta ou
indiretamente, o crescimento das plantas.27
Economia circular - economia que promove ativamente o uso eficiente e a produtividade
dos recursos por ela dinamizados, através de produtos, processos e modelos de negócio
assentes na desmaterialização, reutilização, reciclagem e recuperação dos materiais. Desta
forma, procura-se extrair valor económico e utilidade dos materiais, equipamentos e bens
pelo maior tempo possível, em ciclos energizados por fontes renováveis. Os materiais são
preservados, restaurados ou reintroduzidos no sistema de modo cíclico, com vantagens
económicas para fornecedores e utilizadores, bem como com vantagens ambientais
decorrentes de uma menor extração e importação de matérias-primas, redução na produção
de resíduos e redução de emissões associadas.28
Materiais de base biológica (Bio-based materials) - materiais de origem biológica cujas
propriedades mecânicas e/ou estruturais permitem aplicações especificas na construção civil
ou na medicina, entre outras.
25
Decreto-Lei n.º 102-D/2020, de 10 de dezembro, que transpõe a Diretiva UE 2018/851 de 30 de maio que altera a diretiva de
resíduos.
26
Manual do Operador Económico (ECS/LNEG).
27
Decreto-Lei n.º 103/2015 que estabelece as regras a que deve obedecer a colocação no mercado de matérias fertilizantes.
28
Definição baseada no texto do PAEC nacional: RCM 190-A/2017, de 11 de dezembro.
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Produtos de base biológica - produtos que, na sua totalidade ou em parte, possuem origem
biológica.29
Recursos biológicos - materiais de origem biológica e que constituem a matéria-prima para a
Bioeconomia. Não estão incluídos os materiais orgânicos que foram incorporados em
formações geológicas e fossilizados (por exemplo, combustíveis fósseis, tais como carvão,
petróleo e gás natural).
Matérias-primas secundárias - todos os materiais de base biológica com potencial de
incorporação em processos produtivos, onde se incluem, nomeadamente, resíduos, materiais
resultantes da desclassificação de resíduos (subprodutos, por exemplo), resíduos excluídos
do âmbito do Regime Geral da Gestão de Resíduos (RGGR), aprovado em anexo ao
Decreto-Lei n.º 102-D/2020, de 10 de dezembro, na sua redação atual, biomassa e
subprodutos de origem animal (SPOA).
Resíduos - quaisquer substâncias ou objetos de que o detentor se desfaz ou tem intenção ou
obrigação de se desfazer.25
Subprodutos - substâncias ou objetos resultantes de um processo produtivo cujo principal
objetivo não seja a sua produção e quando verificadas as condições estipuladas no RGGR.27;30
Tecnologia de conversão avançada – tecnologias que possuem maior nível de
sustentabilidade e de redução das emissões de GEE em comparação com as tecnologias
convencionais.
Serviços de Ecossistemas - os serviços de aprovisionamento, que dizem respeito aos produtos
extraídos dos ecossistemas, os serviços de regulação e manutenção, que se referem aos benefícios
associados ao controlo dos processos naturais (e.g. controlo de erosão, regulação hidrológica),
os serviços culturais, que se relacionam com os benefícios não materiais dos ecossistemas (e.g.
oportunidades de recreio, identidade cultural), e os serviços de apoio, que incluem a formação
do solo, a fotossíntese e a renovação dos nutrientes, que estão na base do crescimento e da
produção.
29
Bio.be policy document: Towards a Belgian and Regional Strategy for the Biobased Economy; junho 2013.
30
https://apambiente.pt/index.php?ref=16&subref=84&sub2ref= 957&sub3ref=958.
114835089
www.dre.pt
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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Secretaria-Geral