Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 131/2021
- Data
- 2021-09-10
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (11 051 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 131/2021
Sumário: Aprova a Estratégia para a Transformação Digital da Administração Pública 2021-2026
e o respetivo Plano de Ação Transversal para a legislatura.
Elegendo a transição para a sociedade digital como desafio estratégico, o Governo, através
da Resolução do Conselho de Ministros n.º 84/2020, de 9 de outubro, prorrogou o mandato do
grupo de projeto denominado «Conselho para as Tecnologias de Informação e Comunicação na
Administração Pública» (CTIC), mandatando-o para apresentar uma proposta de Estratégia para a
Transformação Digital da Administração Pública (Estratégia) e um Plano de Ação Transversal (Plano
de Ação) para concretização dos objetivos enunciados na Estratégia, que integre os contributos
setoriais de todas as áreas governativas.
Neste quadro, foi definido que a Estratégia e o correspondente Plano de Ação devem ser
elaborados em alinhamento e em coordenação com a Estratégia para a Inovação e Modernização
do Estado e da Administração Pública 2020-2023, aprovada pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 55/2020, de 31 de julho, e o Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal,
aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020, de 21 de abril, instrumentos
transversais que concretizam a visão do Governo neste domínio e um conjunto de medidas es-
tratégicas e metas nesta legislatura, levando ainda em linha de conta outros documentos como
a Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação 2018-2030 — Portugal + Igual,
aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 61/2018, de 21 de maio, e a Estratégia
Nacional de Segurança do Ciberespaço 2019-2023, aprovada pela Resolução do Conselho
de Ministros n.º 92/2019, de 5 de junho, dadas as relações que possuem com a presente
Estratégia.
Subsequentemente, com a pandemia da doença COVID-19 e a necessidade de robustecer
os mecanismos de resiliência dos países da União Europeia, foi elaborado o Plano de Recupera-
ção e Resiliência (PRR), o qual procura, entre outros, tirar partido do digital e da capacitação das
pessoas para acelerar uma transformação profunda da Administração Pública, transversalmente
e setorialmente, prevendo investimentos e metas até 2026. Estas opções definidas, discutidas
e aprovadas pelo Governo para o horizonte 2026 foram incorporadas na Estratégia e no corres-
pondente Plano de Ação, traduzindo uma visão clara e um conjunto coerente de investimentos,
os quais, para além de produzirem efeitos transformadores no Estado, irão, por consequência,
potenciar outras medidas que apoiem a transição digital da sociedade e da economia, criando
novo valor.
A operacionalização das medidas estratégicas exige uma coordenação política forte,
com um duplo propósito: 1) garantir que as iniciativas e projetos são concretizados com
coerência, assegurando nomeadamente a reutilização de «building blocks» transversais,
como mecanismos de autenticação ou de interoperabilidade, para uma transformação digital
coordenada e eficiente; 2) assegurar que a transformação do funcionamento da Administração
Pública, designadamente potenciada pelo PRR, se traduz na oferta de serviços públicos de
nova geração, orientados para necessidades concretas, enquadrados nos principais even-
tos de vida dos cidadãos ou ciclo de vida das empresas, suportados num modelo comum
de desenho e desenvolvimento de serviços públicos digitais e que figurarão como tal nos
Programas Simplex.
Tendo este propósito, o CTIC atua em articulação com a Rede Interministerial para a Mo-
dernização Administrativa, conjugando tecnologia e processos de negócio dos serviços públicos
em torno das prioridades definidas para as políticas públicas e na oferta de serviços a cidadãos,
empresas e demais atores sociais.
Neste quadro, e em cumprimento do estabelecido no n.º 5 da Resolução do Conselho de
Ministros n.º 84/2020, de 9 de outubro, que prorroga o mandato do CTIC, este grupo elaborou a
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 18
avaliação da implementação e impacto da Estratégia TIC 2020 aprovada pela Resolução do Con-
selho de Ministros n.º 108/2017, de 26 de julho, a proposta de Estratégia para a Transformação
Digital da Administração Pública 2021-2026 e a proposta do respetivo Plano de Ação Transversal
para o período de 2021-2023.
A Estratégia para a Transformação Digital da Administração Pública 2021 -2026 tem
como visão uma «Administração Pública mais digital: melhores serviços, maior valor» com o
objetivo de tornar a Administração Pública mais responsiva às expectativas dos cidadãos e
empresas, prestando serviços mais simples, integrados e inclusivos, funcionando de forma
mais eficiente, inteligente e transparente através da exploração do potencial de transformação
das tecnologias digitais e da utilização inteligente dos dados. Esta visão está alicerçada em
seis linhas estratégicas de atuação: 1) serviços públicos digitais; 2) valorização dos dados;
3) arquiteturas de referência; 4) competências TIC; 5) infraestruturas e serviços TIC; e 6) se-
gurança e confiança.
A Estratégia desenvolve-se no enquadramento dos três objetivos estratégicos do eixo
«Explorar a tecnologia» da Estratégia para a Inovação e Modernização do Estado e da Admi-
nistração Pública 2020-2023, aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 55/2020,
de 31 de julho, a saber: i) reforçar a governação global das tecnologias; ii) melhorar a intero-
perabilidade e a integração de serviços; e iii) gerir o ecossistema de dados com segurança e
transparência, tendo o respetivo Plano de Ação sido elaborado com o contributo de todas as
áreas governativas.
A aposta no digital cria condições para reforçar a competitividade da economia nacional
preparando-a para um futuro digital, simplificando a relação entre o Estado e os agentes eco-
nómicos, reduzindo custos de contexto e, em suma, assegurando que Portugal não só acelera
o alinhamento com as políticas europeias neste domínio, como fortalece o seu papel pioneiro
naquela a que a Comissão Europeia denomina «Década Digital» da Europa, e que constitui a
segunda das seis prioridades da Comissão Europeia para 2019-2024. Ao mesmo tempo, im-
porta garantir que todas e todos os cidadãos são incluídos neste processo de transformação,
implementando políticas e medidas que contribuam para uma sociedade mais justa e inclusiva,
com menos assimetrias, investindo, por exemplo, no combate à sub-representação do sexo
feminino nas profissões TIC, situação claramente identificada no Digital Economy and Society
Index (DESI) 2020.
Tendo em consideração que a implementação da Estratégia de Transformação Digital 2017-2020
originou benefícios quantificados para cidadãos e empresas na ordem do dobro do valor investido,
como resulta do anexo I à presente resolução, estima-se que a implementação desta Estratégia
para o período de 2021-2026 em alinhamento com os projetos de transformação digital previstos
no PRR venham a proporcionar ganhos diretos para a economia nacional pelo menos na mesma
proporção.
Importa, assim, aprovar o conjunto de iniciativas que emergiram deste trabalho, mandatando
e vinculando os respetivos responsáveis à sua execução coordenada e colaborativa, não apenas
internamente à Administração Pública, mas envolvendo, sempre que adequado, a participação
ativa de outros atores na conceção, desenvolvimento e avaliação dos projetos, designadamente
de instituições de ensino superior, organizações não governamentais e cidadãos, assim como à
permanente prestação de contas, com transparência.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar:
a) A Estratégia para a Transformação Digital da Administração Pública 2021-2026 (Estratégia),
tendo por base o Relatório de Avaliação da Estratégia TIC 2020, que a integra na parte A do anexo I
à presente resolução e da qual faz parte integrante, em alinhamento com o calendário de execução
do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que consta como anexo I à presente resolução,
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 19
conforme proposta apresentada pelo Conselho para as Tecnologias de Informação e Comunicação
na Administração Pública (CTIC) complementada de acordo com o calendário de execução do PRR,
com as seguintes orientações:
i) Na linha estratégica I, «Serviços públicos digitais», incluir um objetivo estratégico para pro-
mover a disponibilização em língua inglesa dos conteúdos informativos e dos serviços públicos
digitais;
ii) Na linha estratégica II, «Valorização dos dados», incluir um objetivo estratégico para permitir
à Administração Pública conhecer, segundo a realidade dos dados, as necessidades dos cidadãos
relativamente aos serviços públicos;
iii) Na linha estratégica III, «Arquiteturas de referência», incluir um objetivo estratégico para
promover a utilização dos componentes arquiteturais transversais pela administração local e outros
atores, para desenvolvimento por exemplo de cidades inteligentes;
iv) Na linha estratégica IV, «Competências de Tecnologias de Informação e Comunicação
(TIC)», incluir um objetivo estratégico para promover o equilíbrio de género nas profissões da área
das TIC;
v) Na linha estratégica VI, «Segurança e confiança», incluir um objetivo estratégico para
promover a utilização de tecnologias emergentes, como por exemplo a biometria, para facilitar
a vida aos utilizadores dos serviços públicos e ao mesmo tempo reforçar as garantias de se-
gurança;
b) O respetivo Plano de Ação Transversal para a legislatura (Plano de Ação), que consta como
anexo II à presente resolução e da qual faz parte integrante, conforme proposta apresentada pelo
CTIC e incorporando as medidas e ações que decorrem dos objetivos estratégicos adicionados em
conformidade com a alínea anterior.
2 — Determinar que a Estratégia e o Plano de Ação, complementados com o detalhe das
iniciativas setoriais e com informação de monitorização das medidas e do respetivo impacto,
são disponibilizados pela Agência para a Modernização Administrativa, I. P., no sítio na Internet
tic.gov.pt, cabendo aos representantes ministeriais publicar, até dois meses após a publicação
da Lei que aprova cada Orçamento do Estado, os planos anuais de projetos e investimentos
para cada exercício orçamental e manter aí permanentemente atualizada a informação da
respetiva área.
3 — Estabelecer que compete à direção do comité técnico do CTIC coordenar a implemen-
tação da Estratégia e do Plano de Ação incluindo, nos termos previstos na alínea g) do n.º 9 da
Resolução do Conselho de Ministros n.º 33/2016, de 3 de junho, propor ações para a extensão
ou adaptação dos mesmos à administração local e, com a colaboração dos representantes
ministeriais, promover a monitorização da execução e a avaliação dos respetivos resultados,
incluindo a identificação dos investimentos e dos benefícios gerados para cidadãos, empresas
e Administração Pública.
4 — Determinar que no final de 2023 é realizado um balanço intercalar da Estratégia e revisto
o Plano de Ação para vigorar até 2026.
5 — Determinar que a presente resolução entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Presidência do Conselho de Ministros, 26 de agosto de 2021. — Pelo Primeiro-Ministro, Ma-
riana Guimarães Vieira da Silva, Ministra de Estado e da Presidência.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 20
ANEXO I
[a que se refere a alínea a) do n.º 1]
PARTE A
Relatório de Avaliação da Estratégia TIC 2020
1 — Enquadramento
A Estratégia TIC 2020: Estratégia para a Transformação Digital da Administração Pública
(Estratégia) pretendeu promover «Melhores serviços públicos para cidadãos e empresas» através
da Transformação Digital da Administração Pública. Teve como objetivos principais disponibilizar
melhores serviços digitais, mais simples, seguros, acessíveis e inclusivos, de forma a potenciar
a adesão aos mesmos por parte dos cidadãos e das empresas, suprindo lacunas de recursos
existentes e garantindo um desenvolvimento sustentável da Administração Pública (AP).
As diferentes medidas compreendidas na Estratégia TIC 2020 foram agrupadas em três eixos
de ação: I — integração e interoperabilidade; II — inovação e competitividade; III — partilha de re-
cursos, com o objetivo alavancar os projetos de modernização administrativa através do uso das
tecnologias de informação e comunicação, desmaterializando e desenhando novos serviços, assim
como criando condições para uma melhor utilização das competências e recursos existentes.
A Estratégia TIC 2020, na sua atualização de 2018, estimava um investimento total de 569 mi-
lhões de euros nos quatro anos de implementação e previa que esse investimento viesse a permitir
obter benefícios totais líquidos de aproximadamente 1142 milhões de euros.
2 — Resultados atingidos
A Estratégia TIC 2020 permitiu aos organismos da AP operar a transformação digital dos
seus processos de negócio e estruturas de suporte. As sinergias criadas entre diferentes áreas
e serviços permitiram a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e promoveram a competiti-
vidade das empresas. A tabela abaixo apresenta um subconjunto destes projetos emblemáticos
desenvolvidos sob a Estratégia e que hoje se apresentam no quotidiano do relacionamento dos
cidadãos e empresas com a AP:
Projetos emblemáticos
Ɣ Massificação da CMD — Chave Móvel Digital. Ɣ Portal Contraordenações Website.
Ɣ SPNE — Serviço Público de Notificações Eletrónicas. Ɣ Projeto SINCRO II.
Ɣ Dados abertos. Ɣ RIC — Registo Individual do Condutor.
Ɣ Acesso aos Processos em Tribunal. Ɣ SCAP — Autos e Notificações.
Ɣ Informação Online sobre os Recursos Genéticos — BPGA. Ɣ SIUAV — S. I. Único de Acidentes de Viação.
Ɣ eICA — Hal. Ɣ SEFMobile.
Ɣ Renovação e Atualização da Plataforma de Gestão de Apoios. Ɣ Portal Brexit.
Ɣ Balcão Portugal 2020. Ɣ Biometrics on the Move.
Ɣ Simplificação e Desmaterialização de Processos. Ɣ Renovações Automáticas.
Ɣ Cidadão Ciberseguro. Ɣ Pagamentos +Simples.
Ɣ Credenciação de Segurança online. Ɣ Projeto 112 eCall.
Ɣ Interoperabilidade Documental. Ɣ Projeto VoIP — SGMAI e GNR.
Ɣ Acessibilidade e Usabilidade Garantida para Todos. Ɣ Redundância da rede de SIRESP.
Ɣ Pedido de Cartão de Cidadão pela Internet. Ɣ Gestão de Licenciamento IP.
Ɣ Solução de Atributos Empresariais. Ɣ Simulador de Pensões.
Ɣ Novo Portal para Cidadãos e Empresas. Ɣ Declaração de Remunerações online.
Ɣ Assistente Virtual do Portal do Cidadão. Ɣ Projeto E72.
Ɣ Catálogo de Serviços da AP. Ɣ Passaporte Qualifica Min-Edu-MCTES.
Ɣ GovTech. Ɣ Conetividade Min-Edu-MCTES.
Ɣ Parcelário Acessível a Todos. Ɣ Projeto MEGA.
Ɣ Incrementar gradualmente a utilização do CC ou equivalente na Defesa. Ɣ Projeto IRS Automático.
Ɣ GPGE2020 — LIMs. Ɣ Envio de Reclamações Eletrónicas.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 21
Ɣ GPGE2020 geoPortal da Energia e Geologia. Ɣ PTT Ponto Troca de Tráfego.
Ɣ Convergência das redes de comunicações. Ɣ Modernização do Portal e dos Serviços Internet.
Ɣ Portugal Exporta.
Ɣ Serviços online do IMT no atendimento online e mediado.
Ɣ eSGC — Sistema de Gestão Consular.
Ɣ NAU — Plataforma para Ensino à Distância.
Ɣ SIR — Sistema da Indústria Responsável.
Em termos globais, entre 2017 e 2020, foram concluídos 702 projetos (60 %), com um impacto
aproximado de 721 milhões de euros de benefícios suportados num investimento de 300 milhões
de euros.
Em relação aos três eixos de ação, destacam-se os projetos inseridos no eixo II — inovação
e competitividade, pela relevância para a promoção da melhoria dos serviços da AP em termos
de projetos de inovação setorial e serviços eletrónicos:
Eixo # Projetos concluídos
I — Integração e interoperabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197
II — Inovação e competitividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 373
III — Partilha de recursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
Por outro lado, fruto do trabalho colaborativo do «Conselho para as Tecnologias de Informação
e Comunicação na Administração Pública» (CTIC), foram identificados três aspetos chave para o
avanço da transformação digital da AP, tendo sido constituídos grupos de trabalho para cada um
deles e desenvolvidas as ações subsequentes às recomendações coligidas, que se consideram
marcos estruturantes:
a) Centro de Competências Digitais da AP — criação de unidade para apoiar as diferentes
áreas governativas no seu processo de transformação digital, através da internalização de compe-
tências emergentes e do desenvolvimento de projetos transversais e melhorando, em simultâneo,
a contratação de serviços externos nas áreas das tecnologias de informação e comunicação;
b) Interoperabilidade documental na AP — desenvolvimento de especificações e pilotos de
troca de documentos entre sistemas da AP de forma totalmente desmaterializada, garantindo a
sua caracterização e classificação através de um Modelo de Dados Canónico que permita o re-
conhecimento do seu contexto e o tratamento automático pelo destinatário;
c) Computação na nuvem — desenvolvimento de estudo de benefícios e barreiras e proposta
de estratégia para a adoção sustentável, coordenada e segura da Cloud pelo setor público, reco-
nhecendo o seu papel incontornável como alavanca para acelerar o desenvolvimento de melhores
serviços públicos digitais, de forma mais eficiente, racional e segura.
3 — Conclusões
A execução da Estratégia 2020 permitiu identificar um conjunto de evidências transversais
que deverão ser alvo de reflexão para a construção de estratégias futuras.
Em termos gerais fica patente nos resultados globais obtidos o benefício líquido para a so-
ciedade que decorre da transformação digital da AP.
Em termos de resultados mais específicos, verificam-se níveis de execução variáveis pelas
diferentes áreas governativas, evidenciando o grau de maturidade diferenciado na implementação
de políticas de transformação digital, em larga medida fruto do percurso histórico dos investimentos
realizados em cada setor.
Constatou-se, de forma generalizada, a necessidade de otimizar a gestão coordenada do
portfolio dos projetos, nomeadamente no que se refere à identificação da prioridade e relevância
para acompanhamento pelo CTIC, tendo-se considerado a existência de um número excessivo
de projetos (superior a 1400) e a necessidade de melhoria na quantificação dos benefícios asso-
ciados, que se considerou estarem apurados aquém dos reais benefícios.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 22
4 — Recomendações
A avaliação da implementação da Estratégia TIC 2020 e dos respetivos Planos de Ação per-
mitiu identificar um conjunto de recomendações a implementar em estratégias subsequentes:
a) Melhorar a articulação entre as iniciativas transversais e setoriais;
b) Identificar claramente o tipo de projetos que devem figurar no plano de ação, com identi-
ficação dos projetos mais relevantes e com impacto transversal;
c) Reforçar o papel do Representante ministerial como CTO («Chief Transformation Officer»)
de cada área governativa;
d) Reforçar a capacitação da AP, garantindo um conjunto de competências core indispensá-
veis para a transformação digital;
e) Valorizar o papel dos dados no âmbito da AP, reforçando a partilha e a interoperabilidade;
f) Promover uma «arquitetura corporativa» da AP que sirva de referência para a implemen-
tação de projetos, potenciando investimentos e diminuindo assimetrias;
g) Fortalecer a aposta em grupos de trabalho transversais para estudo e resposta a desafios
comuns;
h) Criar mecanismos ágeis para a implementação generalizada da Estratégia Cloud, elemento
essencial para a transformação das diferentes áreas de governação;
i) Definir e adotar metodologias comuns, que respeitem a especificidade de cada área, nivelem
as assimetrias existentes e acelerem a obtenção de resultados;
j) Melhorar os mecanismos de reporte de execução e de quantificação e comunicação de
resultados obtidos.
PARTE B
Estratégia para a Transformação Digital da Administração Pública 2021-2026
1 — Enquadramento
Dando seguimento à Resolução do Conselho de Ministros n.º 84/2020, de 9 de outubro, que
prorrogou o mandato do grupo de projeto denominado «Conselho para as Tecnologias de Informação
e Comunicação na Administração Pública» (CTIC), este elaborou a Estratégia para a Transformação
Digital da Administração Pública 2021-2026 (Estratégia) em alinhamento designadamente com a
Estratégia para a Inovação e Modernização do Estado e da Administração Pública 2020-2023 e
o Plano de Ação para a Transição Digital.
Foi ainda elaborado o respetivo Plano de Ação Transversal para a Transformação Digital da
Administração Pública (Plano de Ação), a executar nesta legislatura, com o contributo de todas as
áreas governativas, tendo em consideração os projetos já delineados e financiamentos já assegu-
rados, em especial os investimentos para este fim relevantes no âmbito do Plano de Recuperação
e Resiliência (PRR).
2 — Diagnóstico
2.1 — Contexto nacional
Desde que se deu a generalização do uso da Internet que o setor público tem vindo a dispo-
nibilizar informação e serviços eletrónicos destinados a cidadãos e empresas, numa primeira fase
sem capacidade de interatividade (formulários para descarregar e imprimir), depois introduzindo
serviços de preenchimento e submissão online cada vez mais sofisticados.
Neste percurso, cedo se constatou que os serviços eletrónicos não devem ser simplesmente
versões desmaterializadas dos seus antecessores presenciais, mas devem explorar todo o potencial
de benefício das tecnologias digitais para contribuir para a simplificação, clareza e uniformização da
experiência de contacto com a Administração Pública (AP). O recurso efetivo à interoperabilidade
de sistemas e à reutilização de dados permite o pré-preenchimento de formulários, a proatividade
ou automatização dos serviços que conferem direitos ou efetivam obrigações, assim como a agre-
gação de vários serviços setoriais relacionados entre si num único ponto de contacto, retirando o
ónus aos cidadãos e empresas de conhecerem como se organiza internamente a AP.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 23
Para que tal possa acontecer, é crucial orientar e coordenar o percurso de transformação
digital da AP em torno de uma visão e de referenciais comuns, articulando projetos e parcerias
transversais, intra e intersetoriais, e obtendo desta forma sinergias, racionalidade e eficiência no
uso de recursos.
Estas dinâmicas de articulação estratégica e colaboração entre organismos da AP foram
efetivadas pela constituição do «Grupo de Projeto para as Tecnologias de Informação e Comu-
nicação» (GPTIC), em 2011, e subsequente aprovação do Plano Global Estratégico 2012-2016
e Planos Setoriais e, em 2016, pela constituição do CTIC e a aprovação da Estratégia para a
Transformação Digital da Administração Pública — TIC 2020 e dos respetivos Planos Setoriais,
disponíveis em https://tic.gov.pt.
A avaliação dos referidos planos permitiu constatar o desenvolvimento de centenas de
projetos com impacto positivo na vida dos cidadãos e empresas e no seu relacionamento com a
AP, demonstrando benefícios económicos líquidos. Por outro lado, evidenciou a necessidade de
reforçar e aprofundar práticas de governação, colaboração e partilha de soluções comuns ou in-
teroperáveis, nomeadamente evoluir e alargar o recurso aos componentes comuns da arquitetura
de serviços digitais da AP («building blocks»), facilitando a sua adoção através de referenciais
de desenho comuns. Desta análise, sobressaiu também a necessidade de reforçar o recurso a
metodologias participativas, de cocriação e experimentação que permitam desenvolver serviços
públicos inovadores responsivos às reais necessidades e expectativas do cidadão e empresas.
Refira-se que outros desafios ganham nova força no atual contexto, nomeadamente aqueles que
estão relacionados com a abertura e transparência, a utilização ética e responsável dos dados e das
soluções de ciência de dados e inteligência artificial, a cibersegurança e a introdução de tecnologias
emergentes, como são exemplos o 5G, a Internet das Coisas, o blockchain e a realidade aumentada.
Por conseguinte, o Governo tem vindo a aprovar outros documentos que importa destacar
a título de enquadramento da presente Estratégia e Plano de Ação: a Estratégia Nacional de
Segurança do Ciberespaço 2019-2023, o Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal e
a Estratégia para a Inovação e Modernização do Estado e da Administração Pública 2020-2023.
2.2 — Contexto internacional
As estratégias e investimentos realizados permitiram que Portugal pudesse colocar-se na
dianteira dos países com maior disponibilização de serviços públicos digitais (98,6 % de pontuação
segundo o European eGov Benchmark 2020), integrando desde 2018 o Digital Nations, fórum inter-
nacional dos países com liderança e melhores práticas de governo digital. No entanto, atualmente
debatemo-nos com outros desafios, nomeadamente a necessidade de fomentar a utilização desses
serviços pelos cidadãos e empresas, para melhorar a posição de Portugal nos índices europeus
que avaliam a adoção dos serviços públicos digitais (índice de penetração de 53 % versus a média
europeia de 60 %, segundo o mesmo índice). Não menos importante, enfrentamos o desafio da
escassez de recursos humanos especializados em tecnologias de informação e comunicação e
outras competências relacionadas com a transformação digital.
Tendo em conta as tendências internacionais, é necessário criar condições para reforçar a
competitividade da economia nacional, preparando-a para um futuro digital, assegurando que
Portugal não só acelera o alinhamento com as políticas europeias neste domínio, como fortalece
o seu papel pioneiro naquela a que a Comissão Europeia denomina «Década Digital» da Europa,
que constitui a segunda das seis prioridades da Comissão Europeia para 2019-2024.
Ainda no contexto europeu, desenrola-se um crescente compromisso na oferta de serviços
públicos transfronteiriços e na uniformização dos elementos essenciais para a vida e os negócios.
Atualmente existe um elevado número de requisitos a cumprir pela AP decorrentes de estratégias,
regulamentos e diretivas existentes ou em preparação, dos quais se destacam:
Regulamento n.º 2018/1724, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 2 de outubro de 2018,
relativo a plataforma digital única para a prestação de acesso a informações, a procedimentos e a ser-
viços de assistência e de resolução de problemas do ponto único contacto («Single Digital Gateway»);
Regulamento n.º 910/2014, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de julho de 2014,
relativo à identificação eletrónica e aos serviços de confiança para as transações eletrónicas no
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 24
mercado interno (eIDAS), cuja execução na ordem jurídica nacional foi assegurada pelo Decreto-
-Lei n.º 12/2021, de 9 de fevereiro;
Quadro Europeu de Interoperabilidade — Estratégia de execução (COM/2017/0134);
Obrigações sobre livre circulação de dados, dados abertos e reutilização de informação do
setor público constantes do Regulamento n.º 2018/1807, do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 14 de novembro de 2018, e da Diretiva 2019/1024, do Parlamento Europeu e do Conselho, de
20 de junho de 2019, e da visão de uma «Europa Data Driven — EU Data Strategy»;
Obrigações que respeitam à acessibilidade dos serviços públicos digitais decorrentes da
Diretiva 2016/2102, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de outubro de 2016, trans-
posta para o direito nacional pelo Decreto-Lei n.º 83/2018, de 19 de outubro, assim como os
compromissos decorrentes da Estratégia Europeia sobre os Direitos das Pessoas com Deficiên-
cia 2021-2030;
Estratégia europeia para serviços «cloud», conforme a declaração conjunta dos Estados-
-Membros sobre a «EU Cloud Federation» efetuada em outubro de 2020;
Em matéria de cibersegurança, o alinhamento com a «EU Security Union Strategy» para
2020-2025; e
A aplicação do Regulamento (UE) n.º 2016/679, do Parlamento Europeu e do Conselho, de
27 de abril de 2016, relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento
de dados pessoais e à livre circulação desses dados, cuja execução na ordem jurídica nacional
foi assegurada pela Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto.
Mais recentemente, a pandemia da doença COVID-19 veio acelerar a necessidade de en-
contrar respostas capazes de tornar as economias e sociedades europeias mais sustentáveis,
resilientes e melhor preparadas para os desafios e oportunidades das transições verdes e digitais.
O mecanismo de recuperação e resiliência irá suportar reformas e investimentos nestas dimensões,
permitindo continuar e acelerar a transformação digital da AP.
3 — Visão
A visão preconizada por esta Estratégia pode ser resumida no mote «Administração Pública
mais digital: melhores serviços, maior valor».
Pretende-se que a Estratégia possa contribuir para a Transformação da AP para que esta
seja mais responsiva às expectativas dos cidadãos e empresas, preste serviços mais simples,
integrados e inclusivos, funcione de forma mais eficiente, inteligente e transparente, através da
exploração do potencial de transformação das tecnologias digitais e da utilização inteligente dos
dados.
Neste processo de transformação dever-se-á garantir a confiança, segurança e sustentabili-
dade, bem como o respeito pelos valores éticos da nossa sociedade.
4 — Linhas estratégicas de atuação
A Estratégia desenvolve-se através de seis linhas estratégicas de atuação:
I — Serviços públicos digitais;
II — Valorização dos dados;
III — Arquiteturas de referência;
IV — Competências das TIC;
V — Infraestruturas e serviços das TIC;
VI — Segurança e confiança.
Para cada linha estratégica são definidos objetivos e medidas.
Linha Estratégica I: Serviços Públicos Digitais
A incorporação das tecnologias digitais na oferta de serviços públicos (sejam eles através
do canal digital, remoto ou presencial) tem um potencial significativo de simplificação e eficiência
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 25
dos serviços, além de abrir perspetivas de provisão de serviços públicos à distância, com ganhos
de comodidade, rapidez e redução de custos para os cidadãos e empresas. Contudo, para poder
explorar e efetivar esse potencial, é crucial adotar uma abordagem orientada aos fins e aos utili-
zadores no (re)desenho dos serviços, garantindo desde logo que:
O ponto de partida é o conhecimento efetivo das necessidades e expectativas dos destinatários
dos serviços, nomeadamente através do recurso a analítica dos dados ou a processos participa-
tivos que envolvam os destinatários mas também os diversos serviços que devem mobilizar-se
colaborativamente na satisfação das necessidades identificadas;
Seja dada prioridade a serviços (ou multisserviços) intersetoriais, com uma abordagem
«whole-of-Government», numa lógica orientada a eventos de vida (do cidadão ou da empresa),
e com o mínimo esforço para o destinatário através do recurso à interoperabilidade e reutilização
dos dados, implementando, sempre que possível, serviços proativos ou automáticos;
Se adote uma abordagem responsável que tenha em conta as condições de acesso, promovendo-
-se a inclusão e a confiança de todos os cidadãos e empresas e evitando que os serviços digitais
signifiquem a criação de novos obstáculos ou o reforço de desigualdades preexistentes;
São utilizados, por regra, os dados e os recursos existentes (mapeados numa arquitetura
de referência) por forma a garantir a orientação aos princípios de bom serviço público e, como
objetivo último e sempre que possível, a criação de serviços proativos;
As interfaces com os destinatários e tecnologias que as suportam são desenhadas e selecio-
nadas de forma assertiva, promovendo uma experiência idêntica ao cidadão independentemente
do serviço a que acede, incluindo o recurso a cocriação e abordagens iterativas de melhoria pro-
gressiva através da experimentação;
A modelação dos serviços para o digital deve maximizar a interoperabilidade, considerando
o ecossistema existente, e evitar a multiplicação de recursos para os mesmos fins;
O desenho dos projetos de transformação digital na AP deve sempre ter como foco a
eficácia do processo e não procurar, simplesmente, transportar para o digital as práticas pré-
-desmaterialização.
Esta linha estratégica assume ainda maior relevo quando são tomados em consideração
os dados históricos observados pela implementação de anteriores estratégias de transformação
digital, onde os benefícios para os cidadãos e tecido empresarial foram superiores ao dobro do
investimento realizado em transformação digital do setor público (fonte: Relatório da Estratégia de
Transformação Digital 2017-2020, publicado em https://tic.gov.pt), e pela implementação das me-
didas de simplificação incluídas no Programa Simplex, cujos resultados apresentam um benefício
líquido de 40 milhões de euros (fonte: Estudo Simplex elaborado pela Comissão Europeia).
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica I: Serviços Públicos Digitais
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
1.1 — Promover a adesão aos serviços públicos digitais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 % índice de penetração.
1.2 — Disponibilizar um modelo comum para desenho e desenvolvimento de serviços 2021 versão 1.0.
públicos digitais.
1.3 — Disponibilizar novos serviços públicos digitais desenhados, desenvolvidos e avaliados 25 novos serviços.
com base no modelo comum.
1.4 — Promover a inclusão através dos serviços digitais garantindo a sua usabilidade e 2023: 90 % sites com selo
acessibilidade. de usabilidade de acessi-
bilidade.
1.5 — Promover a utilização das soluções transversais da AP, nomeadamente notificações Todas áreas governativas.
eletrónicas, plataforma de pagamentos, livro amarelo eletrónico, entre outros.
1.6 — Promover a incorporação nos serviços públicos de componentes que implementem Todas áreas governativas.
uma abordagem omnicanal, nomeadamente recorrendo à videoconferência, plataforma
de mensagens da AP e chatbots.
1.7 — Promover a disponibilização em língua inglesa dos serviços públicos digitais e dos Todas áreas governativas.
respetivos conteúdos informativos.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 26
Linha Estratégica II: Valorização dos Dados
Compete à AP garantir que utiliza todo o potencial do enorme volume de dados a que tem
acesso para prestar serviços públicos, gerir e tomar decisões com base em dados fidedignos e
confiáveis, desenvolver serviços com base em tecnologias emergentes, ser mais transparente
e potenciar o desenvolvimento de estudos e soluções inovadoras pela sociedade e pelo setor
privado, em alinhamento com a Estratégia Europeia para os Dados.
Para que este objetivo seja possível, é necessário catalogar, conhecer e gerir os dados, de
modo que se possa deles tirar verdadeiro valor, garantir que têm a qualidade necessária para a
sua reutilização, nomeadamente que não criam, excluem ou discriminam franjas da população,
influenciando decisões que possam ser tomadas com base nos mesmos, seja por decisores hu-
manos ou sistemas de inteligência artificial.
Esta linha estratégica reveste-se de grande relevo para o desenvolvimento da economia e da
produtividade nacional — a título de exemplo, a Comissão Europeia estima que os dados abertos
venham a ter um impacto na ordem dos 190 mil milhões de euros no Produto Interno Bruto dos
países da União Europeia em 2030.
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica II: Valorização dos Dados
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
2.1 — Aumentar o conjunto de dados abertos disponíveis para reutilização e valorização 100 % conjuntos de dados de
pela sociedade através do dados.gov.pt. elevado valor UE.
2.2 — Disponibilizar dados abertos em tempo real em dados.gov que permitam criar apli- +100 conjuntos de dados em
cações com valor económico pela sociedade. tempo real.
2.3 — Aumentar a transparência dos principais serviços e áreas essenciais do Estado 12 áreas de transparência.
através da disponibilização de dashboards provenientes da reutilização de dados abertos
disponíveis no dados.gov.pt.
2.4 — Orientar a AP para uma gestão baseada na evidência dos dados (data driven) nomea- 25 serviços mais procurados.
damente em decisões relacionadas com o atendimento público, enriquecendo para tal
as capacidades do serviço de Gestão Inteligente do Atendimento Presencial (GIAP).
2.5 — Disponibilizar guias para adoção e avaliar as soluções do setor público que recorram 3 guias/relatórios.
a ciência de dados, IA e aprendizagem máquina, entre outros, de acordo com princípios
éticos, de responsabilidade e de transparência.
2.6 — Garantir, sempre que possível, a análise das características dos utilizadores, incluindo 2023.
a desagregação por sexo e tipologia de incapacidade (física, sensorial, cognitiva ou de
comunicação) tendo em vista a otimização dos serviços.
Linha Estratégica III: Arquiteturas de Referência
A modernização da AP teve como consequência a proliferação de inúmeras soluções ele-
trónicas, algumas sem a necessária articulação e enquadramento. O desafio passa, agora, por
garantir que continua a aproximar-se às expectativas e a resolver as verdadeiras necessidades
dos cidadãos e empresas. Para atingir este objetivo de forma mais eficiente é fundamental criar
uma arquitetura de referência que permita a interoperabilidade entre as soluções existentes, a
partilha e reutilização de serviços e/ou dados, incluindo ao nível transfronteiriço, e promova a
conformidade com regulamentos. Por outro lado, a existência de uma arquitetura de referência
permite que as novas soluções incorporem de raiz os princípios e conceitos que vão permitir dis-
ponibilizar melhores serviços, e assim acelerar o desenvolvimento de serviços que façam melhor
uso dos dados e aplicações existentes, garantido a origem e confiabilidade dos dados e evitando
duplicação de investimentos.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 27
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica III: Arquiteturas de Referência
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
3.1 — Dotar a AP de uma arquitetura transversal de referência para os sistemas de infor- 2022.
mação.
3.2 — Catalogar e descrever todos os serviços prestados pela AP no Catálogo de Entida- 2023.
des e Serviços (CES) e respetivos dados de que são fontes primárias no catálogo de
dados da AP.
3.3 — Disponibilizar todos os serviços digitais, com correspondência em Portugal, no 2023.
Ponto de Contacto Nacional — portal ePortugal, conforme regulamento europeu do
Single Digital Gateway.
3.4 — Disponibilizar na Plataforma de Interoperabilidade da AP (iAP) acesso às fontes Todas as áreas governativas.
de dados e micro serviços referentes aos principais registos da AP, nomeadamente
pessoas, empresas, imóveis, viaturas, educação, saúde, impostos, segurança social e
administração interna.
3.5 — Disponibilizar na iAP um catálogo de Interface de Programação para Aplicações (IPA) 2022.
3.6 — Aumentar o número de serviços digitais que consomem dados através da iAP . . . 100 novos serviços.
3.7 — Desmaterializar por completo a troca de documentos entre organismos da AP . . . Todas áreas governativas.
3.8 — Promover a definição e evolução da arquitetura de referência transversal da AP 2023.
para incorporar os requisitos de interoperabilidade, dados abertos e outros que se ve-
nham a mostrar relevantes, tais como os necessários ao desenvolvimento de cidades
inteligentes.
Linha Estratégica IV: Competências das TIC
A escassez, face à procura de recursos humanos nas áreas «STEM» (acrónimo em inglês
correspondente a Ciência, Tecnologias, Engenharia e Matemática), e mais concretamente nos
domínios do digital, é constatada no contexto nacional (e europeu), quer no setor privado quer no
setor público (ainda mais acentuada neste caso). O programa INCODE 2030 constitui uma aposta
no sentido de preparar as novas gerações e a força produtiva para conjunto de competências ne-
cessárias numa sociedade digital. É necessário reforçar a capacidade interna das competências
digitais das organizações da AP, incrementando o conhecimento específico sobre a estratégia,
governação, princípios, metodologias, requisitos, arquitetura de referência e soluções da AP, por
forma a garantir a sua evolução e promover a respetiva adoção.
Complementarmente, uma vez que o desafio da transformação digital que as organizações
públicas têm pela frente não é passível de ser realizado exclusivamente pelos seus recursos in-
ternos, é crítico o desenvolvimento de facilitadores à colaboração entre equipas digitais da AP, à
contratação de serviços externos e à colaboração com academia, sistema científico e tecnológico,
bem como com comunidades de inovação e empreendedorismo.
Em complementaridade a estas medidas, é crucial definir referenciais de governação e de
perfis críticos no âmbito da transformação digital por forma a promover a capacidade e maturidade
de gestão «do digital» na AP.
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica IV: Competências das TIC
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
4.1 — Formalizar, a nível setorial e a nível dos organismos públicos, os papéis de coorde- 2021.
nação da transformação digital.
4.2 — Dotar cada perfil de trabalhadores públicos envolvidos na transformação digital 3 Prog. formação «Tic.gov.pt».
de competências alinhadas com modelo comum de desenho e desenvolvimento de
serviços digitais.
4.3 — Analisar os termos para a criação de uma bolsa de profissionais de reconhecida 2022.
experiência em áreas de conhecimento onde existe elevada carência.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 28
Objetivos estratégicos Metas
4.4 — Promover a colaboração da sociedade civil no desenvolvimento de projetos do 6 Desafios.
setor público.
4.5 — Avaliar a constituição de um «Observatório de Inovação Digital da AP» em articulação 2022.
com a academia, empreendedores e o mercado.
4.6 — Disponibilizar um «Guia de Melhores Práticas para a contratação de serviços TIC» 2021 renovado anualmente.
4.7 — Constituir comunidades de práticas em torno de metodologias, normas ou tecnolo- 6 comunidades.
gias do modelo comum.
4.8 — Analisar em que termos poderá ser efetuada uma renovação dos recursos humanos 5 áreas especializadas.
da AP em áreas estratégicas das TIC e ciência de dados.
4.9 — Ponderar os métodos e condições para a retenção de recursos de elevado valor ou 2023.
com competências TIC essenciais na AP.
4.10 — Promover, sempre que possível, o equilíbrio de género entre os participantes nas Mínimo de 40 % de cada sexo.
atividades de reforço de competências digitais.
Linha Estratégica V: Infraestrutura e Serviços das TIC
A necessidade de disponibilizar melhores serviços públicos e transformar o setor público obriga
a uma melhor utilização dos recursos existentes. É por isso prioritária a definição de indicações
claras para a contratação e gestão de forma segura, sustentável e resiliente de capacidade de
computação e de armazenamento de dados necessárias, assim como é fundamental criar condições
de conetividade para responder aos requisitos de segurança inerentes aos diversos tipos de dados
que necessitam ser tratados e às necessidades crescentes de interligação entre sistemas.
Com a definição de uma arquitetura de referência, a disponibilização de guias que apoiem
a implementação e com a criação de condições adequadas, seja a nível técnico seja a nível
legal, nomeadamente no que toca à classificação do orçamento e despesas e contratação, é
possível tirar partido de soluções já existentes que contribuirão para prestar serviços de melhor
qualidade.
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica V: Infraestrutura e Serviços das TIC
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
5.1 — Implementar uma estratégia cloud da AP que privilegia a contratação de serviços 2022
de cloud pública (disponível abertamente através da Internet), garantindo a soberania
e segurança dos dados.
5.2 — Ligar todas as áreas governativas e os principais organismos públicos através de 2022
uma rede comum redundante (ponto de troca de tráfego da AP-PTT) que permite dispo-
nibilizar e consumir os serviços digitais.
5.3 — Disponibilizar repositório para partilhar e reutilizar código aberto desenvolvido pela AP 2022
Linha Estratégica VI: Segurança e Confiança
A segurança e a confiança devem assumir-se como dois princípios basilares e inseparáveis,
essenciais no desenvolvimento e prestação de serviços digitais, tanto do ponto de vista da sal-
vaguarda dos dados pessoais bem como de outros dados com requisitos próprios de segurança,
devendo contemplar a garantia da confidencialidade, da integridade, da disponibilidade e do não
repúdio da informação tratada pelos respetivos sistemas de informação, em particular no que diz
respeito às funções de soberania.
É igualmente necessário estar a par com as inovações nesta área, podendo algumas ser
disruptivas e obrigar à adoção de novas tecnologias para dar resposta aos desafios. Um exemplo
é a criptografia quântica, tema que merece ser acompanhado de perto de forma a que a AP esteja
preparada aquando da sua implementação.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 29
i) Objetivos estratégicos — Linha Estratégica VI: Segurança e Confiança
Para esta linha estratégica foram definidos os seguintes objetivos:
Objetivos estratégicos Metas
6.1 — Promover a certificação das entidades da AP no Quadro Nacional de Referência 80 % entidades TIC.
em Cibersegurança (QNRCS).
6.2 — Adesão das entidades públicas aos sistemas de suporte ao Quadro Situacional 2023.
Nacional (PANORAMA) para a cibersegurança nacional.
6.3 — Desenvolver um mecanismo que permita que os cidadãos, com a máxima autonomia 2021.
e independência (com acessibilidade) e num único local, conheçam e autorizem a troca
de informação pessoal detida pela AP.
6.4 — Reforçar a adoção de meios seguros de identidade digital, com acessibilidade, para 4 milhões CMD ativas.
simplificar a vida aos utilizadores, tirando partido de tecnologias emergentes como por
exemplo a biometria.
6.5 — Disponibilizar serviços de prova da identidade e de atributos no telemóvel através 2023.
do ID.gov, inclusive para funcionários públicos.
6.6 — Promover o alargamento de âmbito e a adoção da assinatura com atributos pro- 2023.
fissionais.
ANEXO II
[a que se refere a alínea b) do n.º 1]
Plano de Ação Transversal para a Transformação Digital da Administração Pública 2021-2023
Introdução
O Plano de Ação Transversal para a Transformação Digital da Administração Pública (Plano
de Ação) agrega o conjunto de ações transversais que contribuem, até final da presente le-
gislatura, para a implementação da Estratégia para a Transformação Digital da Administração
Pública 2021-2026 (Estratégia).
Pretende-se que o Plano de Ação, que reúne o contributo de todas as áreas governativas,
tenha um caráter dinâmico e seja atualizado de acordo com os desafios que se apresentem du-
rante a sua implementação.
Em especial, e sem prejuízo de outras, perspetiva-se que sejam incorporadas no Plano de
Ação as iniciativas que venham ainda a ser planeadas e desenvolvidas no contexto do Plano de
Recuperação e Resiliência e que o Comité Técnico do «Conselho para as Tecnologias de Infor-
mação e Comunicação na Administração Pública» (CTIC) considere relevantes para a Estratégia.
Por isso, a presente versão do Plano de Ação foca as medidas prioritárias a desenvolver
até ao final de 2023, devendo nessa altura ser realizado um balanço intercalar e elaborada, em
conformidade e atendendo às disponibilidades orçamentais, designadamente através de finan-
ciamento europeu, uma extensão ao Plano de Ação para o quadro temporal remanescente da
Estratégia.
O Plano de Ação inclui, assim, as ações de implementação transversal identificadas no pre-
sente anexo, enquadrando igualmente as iniciativas setoriais de transformação digital que cada
área governativa levará a cabo e que serão detalhadas e disponibilizadas em https://tic.gov.pt.
Estima-se que a implementação do Plano de Ação apresente um investimento total de 643 mi-
lhões de euros, dos quais pelo menos 80 % através do Plano de Recuperação e Resiliência ou de
outras fontes de financiamento europeias e, o remanescente, de acordo com o quadro da respetiva
dotação de recursos financeiros das entidades com competências nas matérias específicas, com
uma repartição por linha estratégica de acordo com a tabela seguinte:
Linha estratégica Investimento
I — Serviços Públicos Digitais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 438 M€
II — Valorização dos Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 M€
III — Arquiteturas de Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 M€
IV — Competências das TIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 M€
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 30
Linha estratégica Investimento
V — Infraestrutura e Serviços das TIC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 M€
VI — Segurança e Confiança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 M€
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 643 M€
1 — Linha Estratégica I — Serviços Públicos Digitais
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 1.1 — Modelo comum para o desenho e desenvolvimento
de serviços públicos digitais
1.1.1 — Criação de campanhas de comunicação dos serviços digitais da Administração Agência para a Moderniza- 1T 22
Pública (AP). ção Administrativa, I. P.
(AMA, I. P.).
a) Identificação dos 20 principais serviços prestados por cada área governativa, iden- Representante ministerial. . . 3T 21
tificando os serviços disponíveis no canal digital.
1.1.2 — Criação da 1.ª versão do modelo comum para desenho e desenvolvimento de AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 21
serviços públicos digitais.
1.1.3 — Avaliação e desenvolvimento de 2.ª versão do modelo comum para desenho e AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 22
desenvolvimento de serviços públicos digitais.
1.1.4 — Criar e disponibilizar orientações para a Administração Pública sobre a tradução de AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 22
serviços públicos digitais, procurando incentivar a utilização da ferramenta de tradução
automática, em especial as disponibilizadas pela Comissão Europeia.
Medida 1.2 — Serviços públicos digitais de nova geração
1.2.1 — Disponibilização de novos serviços públicos digitais de elevado valor . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 22
a) Proposta de plano para adoção do modelo comum de desenho de serviços públicos Representante ministerial . . . 4T 21
digitais 21-26 em cada área governativa.
1.2.2 — Criação de plano de ação para a promoção de serviços digitais inclusivos. . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 21
a) Proposta de plano para a adoção da Declaração de Acessibilidade e Usabilidade Representante ministerial. . . 4T 21
(Decreto-Lei n.º 83/2018, de 19 de outubro) e atribuição de Selo de Usabilidade e
Acessibilidade a todos os serviços digitais em cada área governativa.
1.2.3 — Criar plano de comunicação das soluções transversais da AP a todos os organismos CTIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2T 22
a) Identificação e plano de ação para utilização de soluções transversais das áreas Representante ministerial. . . 4T 21
governativas que podem incorporar as soluções AP.
1.2.4 — Disponibilizar uma arquitetura de referência para suportar um novo paradigma AMA I. P. . . . . . . . . . . . . . . . 4T 21
de trabalho na AP, promovendo o trabalho colaborativo.
a) Identificação e elaboração de plano para a disponibilização de serviços públicos Representante ministerial. . . 4T 21
numa lógica multicanal.
1.2.5 — Disponibilizar uma solução para as empresas e cidadãos que permite o envio das Ministério das Finanças, Es- 4T 22
faturas para o endereço eletrónico associado ao contribuinte aderente. trutura de Missão Portugal
Digital e AMA, I. P.
2 — Linha Estratégica II — Valorização dos Dados
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 2.1 — Dados abertos e reutilização
2.1.1 — Criação de Plano de Ação para os Dados Abertos na AP . . . . . . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. + CTIC . . . . . . . . 4T 21
a) Identificação e elaboração de plano para disponibilização dos High value datasets Representante ministerial 3T 21
existentes em cada área governativa.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 31
Data
Ação Responsável da
conclusão
b) Identificação e elaboração de plano para partilha dos datasets representativos da Representante ministerial 4T 21
atividade de cada área setorial.
c) Identificação de datasets de outras áreas governativas cuja disponibilização permitiria Representante ministerial 4T 22
simplificar ou aumentar a eficiência e qualidade da tomada de decisão.
2.1.2 — Criação de infraestrutura para suportar o consumo de dados em tempo real no AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 2T 22
dados.gov.
a) Identificação de serviços que produzem e beneficiariam do consumo de dados em Organismos da AP . . . . . . . 1T 22
tempo real.
2.1.3 — Criar o Portal da Transparência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 2T 21
a) Identificação dos principais indicadores e disponibilização dos dados essenciais da Representante ministerial 1T 22
área governativa em dados.gov.
2.1.4 — Alargar o GIAP a todo o atendimento da AP (lógica multicanal). . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 4T 21
a) Disponibilizar acesso e publicação como «dados abertos» de dados relativos ao Top 3 organismos de cada 2T 22
atendimento pelos diversos canais dos serviços mais procurados. área.
Medida 2.2 — Serviços com Recursos a Modelos de Decisão Automática
2.2.1 — Disponibilizar nova versão do GuIA — guia e ferramenta de avaliação para a AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 2T 21
Inteligência Artificial e Ética na AP e incorporar nos processos de parecer prévio e de
avaliação de candidaturas para financiamento.
a) Avaliação de todos os projetos de inteligência artificial a decorrer quanto a critérios Organismos com projetos IA 4T 21
éticos e de responsabilidade. financiados por Fundação
para a Ciência e a Tecno-
logia (FCT) e o sistema
de apoio à transformação
digital da Administração
Pública (SAMA).
3 — Linha Estratégica III — Arquiteturas de Referência
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 3.1 — Arquitetura e Catálogo de Serviços Públicos
3.1.1 — Desenho de arquitetura transversal de referência para AP . . . . . . . . . . CTIC . . . . . . . . . . . . . . . 1T 22
a) Elaborar arquitetura setorial de referência com base na arquitetura trans- Representante ministe- 3T 22
versal. rial.
3.1.2 — Disponibilização no Catálogo de Entidades e Serviços (CES) de funcio- CTIC . . . . . . . . . . . . . . . 2T 22
nalidades que permitam a gestão setorial do catálogo de serviços.
a) Revisão e carregamento no CES dos catálogos de serviços setoriais . . . . Representante ministe- 4T 22
rial.
Medida 3.2 — Catálogo de Dados e Interoperabilidade
3.2.1 — Disponibilização de catálogo de serviços e dados AP na Plataforma de CTIC . . . . . . . . . . . . . . . 3T 22
Interoperabilidade da AP (iAP) — seguindo estrutura do CES.
a) Identificação dos dados e serviços digitais que a área governativa necessita Representante ministe- 3T 21
para automatizar serviços e implementar o conceito «only-once». rial.
3.2.2 — Integrar todos os serviços no Ponto Digital Único . . . . . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 22
a) Integração dos principais serviços de cada área governativa no Ponto Digital Representante ministe- 2T 22
Único. rial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 32
Data
Ação Responsável da
conclusão
3.2.3 — Catalogação dos dados e serviços disponíveis na iAP . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 21
a) Integração na iAP dos serviços e dados relativos aos principais registos: Organismos com Princi- 4T 22
pessoas, empresas, imóveis, veículos, educação, saúde, impostos, segu- pais Registos da AP.
rança social e administração interna.
b) Integração na iAP dos 5 serviços e dados relativos aos principais registos Representante ministe- 4T 22
de cada área governativa. rial.
3.2.4 — Disponibilização na iAP de solução para catalogação das API da AP AMA I. P. . . . . . . . . . . . . 4T 21
a) Identificação de API a serem disponibilizadas através da iAP . . . . . . . . . . . Representante ministe- 4T 21
rial.
b) Catalogação de API na iAP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Representante ministe- 2T 22
rial.
3.2.5 — Promover o desenvolvimento de serviços automáticos/«seamless» e do AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 23
princípio «only-once» através da iAP.
a) Identificação e elaboração de plano para a disponibilização de serviços Representante ministe- 1T 22
públicos da área governativa que implementam o princípio «only-once». rial.
b) Disponibilização por cada área governativa de 3 serviços públicos digitais Organismos da AP . . . . 2T 23
que não exigem a intervenção dos cidadãos ou empresas utilizando a iAP.
3.2.6 — Alargar a interoperabilidade documental a todos os organismos que AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 23
trocam documentos dentro da AP.
a) Elaboração de plano para a integração na interoperabilidade documental Representante ministe- 2T 22
dos principais processos intrasetoriais que implicam a troca de documentos rial.
entre organismos da mesma área setorial.
b) Elaboração de plano para integração dos processos entre áreas governativas Representante ministe- 4T 21
na plataforma de interoperabilidade documental. rial.
3.2.7 — Promover a definição e evolução da arquitetura de referência transversal AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 22
da AP por forma a incorporar os requisitos de interoperabilidade, dados abertos
e outros que se venham a mostrar relevantes tais como os necessários ao
desenvolvimento de cidades inteligentes.
4 — Linha Estratégica IV — Competências TIC
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 4.1 — CxO Setorial (responsável setorial pela transformação digital)
4.1.1 — Capacitar os representantes ministeriais para a função de transformação AMA, I. P. + Instituto Nacio- 4T 21
digital. nal de Administração, I. P.
(INA, I. P.).
a) Formalização da função de transformação digital setorial . . . . . . . . . . . . . . Representante ministe- 1T 22
rial.
Medida 4.2 — Programa de Formação TIC.GOV.PT
4.2.1 — Produção de cursos nas diversas áreas digitais para capacitação TIC AMA, I. P. + INA, I. P. . . . . 4T 22
na Plataforma NAU.
a) Mapeamento das necessidades de formação para colaboradores AP em Representante ministe- 3T 22
eixos digitais estruturantes. rial.
4.2.2 — Criar parcerias com universidades para capacitação e desenvolvimento AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . 2T 22
de projetos na AP.
Medida 4.3 — Comunidades de práticas
4.3.1 — Criar plataforma para promover a colaboração com a sociedade civil na AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . 4T 22
capacitação e desenvolvimento de projetos.
a) Identificar projetos para promover colaboração da sociedade civil . . . . . . . Representante ministe- 2T 22
rial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 33
Data
Ação Responsável da
conclusão
4.3.2 — Promover a partilha de recursos na realização de projetos de elevado DGAEP . . . . . . . . . . . . . 4T 21
valor para a AP.
a) Identificação de recursos para participação em projetos de âmbito trans- Organismos da AP . . . . 4T 22
versal na AP.
4.3.3 — Implementação de comunidade de práticas em acessibilidade e usabili- AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 4T 22
dade digital, interoperabilidade e em dados abertos, entre outras a definir.
a) Identificação das temáticas de maior interesse para os organismos da área Representante ministe- 3T 21
governativa. rial.
Medida 4.4 — Contratação das TIC
4.4.1 — Promoção da inovação através de processos de contratação . . . . . . . . Entidade de Serviços 4T 22
Partilhados da Admi-
nistração Pública, I. P.
(ESPAP, I. P.).
4.4.2 — Disponibilizar repositório centralizado de especificações e boas práticas ESPAP, I. P. . . . . . . . . . 2T 22
em contratação das TIC.
a) Identificação de melhores práticas e casos de exemplo existentes nas áreas Representante ministe- 1T 22
governativas. rial.
4.4.3 — Criar plano de captação de jovens licenciados em articulação com as AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 1T 22
universidades.
a) Identificação de melhores práticas e casos de exemplo existentes nas áreas Representante ministe- 4T 21
governativas. rial.
Medida 4.5 — Observatório de Inovação Digital e Tecnologias Emergentes
4.5.1 — Criação de Observatório de Inovação Digital e Tecnologias Emergentes AMA, I. P. . . . . . . . . . . . 1T 22
a) Identificação de áreas para desenvolvimento de soluções . . . . . . . . . . . . . Representante ministe- 4T 21
rial.
Medida 4.6 — Equilíbrio de género nas TIC
4.6.1 — Desenvolvimento de plano de iniciativas de divulgação, captação e reten- AMA, I. P. + CIG + DGAEP 2T 22
ção de mulheres no desempenho de funções TIC na AP (incluindo diagnóstico
de situação).
a) Mobilização das organizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Representante ministe- 4T 22
rial.
5 — Linha Estratégica V — Infraestrutura e Serviços TIC
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 5.1 — Estratégia Cloud
5.1.1 — Disponibilizar instrumentos da Estratégia Cloud AP. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CTIC . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2T 22
a) Definição de plano setorial para a migração para a Cloud Pública . . . . . . . . . . . . . . Representante ministerial 2T 22
5.1.2 — Definição de modelo de incentivos para a partilha de código aberto da AP. . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 2T 22
Medida 5.2 — Rede de comunicações da AP
5.2.1 — Adoção generalizada do Ponto de Troca de Tráfego (PTT) a nível transversal e ESPAP, I. P. . . . . . . . . . . . . 4T 22
setorial.
a) Criação de plano de ação para integração dos organismos da AP no PTT. . . . . . . . Representante ministerial 1T 22
Medida 5.3 — Código Aberto da AP
5.3.1 — Definição de modelo de incentivos e plataforma para a partilha de código aberto AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . . 4T 22
da AP.
a) Criação de plano de ação para partilha de código aberto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Representante ministerial 1T 22
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 34
6 — Linha Estratégica VI — Segurança e Confiança
Data
Ação Responsável da
conclusão
Medida 6.1 — Conformidade com o Quadro Nacional de Referência
para Cibersegurança (QNRCS)
6.1.1 — Criar o ecossistema de certificação para o QNRCS no âmbito do Quadro Nacional Centro Nacional de Ciber- 4T 22
de Certificação em Cibersegurança. segurança (CNCS).
a) Certificação de conformidade das entidades TIC em QNRCS . . . . . . . . . . . . . . . . . Organismos da AP . . . . . 4T 24
Medida 6.2 — Identidade Digital Segura
6.2.1 — Alargar o certificado de atributos profissionais a todos os funcionários públicos AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . 4T 21
a) Implementação do certificado de atributos profissionais em todos os organismos . . . Organismos da AP . . . . . 4T 22
6.2.2 — Adoção generalizada de autenticação eIDAS pelas soluções da AP . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . 4T 23
a) Integração de autenticação com eIDAS em todas as soluções da área governativa Organismos da AP . . . . . 4T 23
6.2.3 — Criação de plano de ação para implementação de mecanismos de autenticação AMA, I. P. + Gabinete Na- 4T 21
forte. cional de Segurança.
a) Integração de mecanismos de autenticação forte nos sistemas existentes . . . . . . . Organismos da AP . . . . . 4T 23
6.2.4 — Alargar a aplicação do ID.gov para funcionários públicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . 1T 21
a) Efetuar plano para disponibilizar e reconhecer cartões e identificadores no ID.gov Organismos da AP . . . . . 4T 22
Medida 6.3 — Privacidade e controlo dos dados pelo cidadão
6.3.1 — Disponibilização de mecanismo de autorização de acesso a dados públicos por AMA, I. P. . . . . . . . . . . . . . 4T 21
cidadãos — Os meus dados.
a) Definição de plano setorial para a integração dos sistemas detentores de dados Representante ministerial 4T 21
pessoais no sistema «Os meus dados».
Medida 6.4 — Contributo para o conhecimento situacional
da cibersegurança nacional
6.4.1 — Adesão ao PANORAMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CNCS . . . . . . . . . . . . . . . . 4T 23
Organismos da AP . . . . . 4T 23
a) Adesão das entidades da AP ao PANORAMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
114543504
www.dre.pt
Diário da República, 1.ª série
N.º 177 10 de setembro de 2021 Pág. 35
TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL