Diário da República, 1.ª série
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
- Data
- 2025-11-04
- Tipo
- Resolução da Assembleia da República
- Emitente
- ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Sumário
Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha para a Segurança da Navegação e Náutica de Recreio no Troço Internacional do Guadiana, feito em Faro a 23 de outubro de 2024
Texto integral (11 850 palavras)
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Sumário: Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha para a Segurança da
Navegação e Náutica de Recreio no Troço Internacional do Guadiana, feito em Faro a 23 de
outubro de 2024.
Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha para a Segurança
da Navegação e Náutica de Recreio no Troço
Internacional do Rio Guadiana, feito em Faro a 23 de outubro de 2024
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, aprovar
o Acordo entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha para a Segurança da Navegação e Náutica
de Recreio no Troço Internacional do Rio Guadiana, feito em Faro a 23 de outubro de 2024, cujo texto,
nas versões autênticas nas línguas portuguesa e espanhola, se publica em anexo.
Aprovada em 30 de setembro de 2025.
O Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.
ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O REINO DE ESPANHA PARA A SEGURANÇA
DA NAVEGAÇÃO E NÁUTICA DE RECREIO NO TROÇO INTERNACIONAL DO RIO GUADIANA
A República Portuguesa e o Reino de Espanha, doravante designados como «Partes»:
Considerando o gradual incremento da náutica de recreio que se tem vindo a verificar no Troço
Internacional do Rio Guadiana (adiante designado TIRG);
Conscientes da necessidade de adotar medidas comuns e conjugar esforços com vista a uma
adequada regulamentação da náutica de recreio no TIRG;
Atendendo à necessidade de promover e adotar medidas comuns no âmbito da segurança da
navegação;
Considerando a existência de um uso comum, de forma equitativa e razoável das águas do TIRG,
as características particulares do rio Guadiana e o princípio da livre circulação;
De acordo com o disposto no Tratado entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha através
do qual se estabelece a linha de fecho das desembocaduras dos rios Minho e Guadiana e se delimitam
os troços internacionais de ambos os rios, feito em Vila Real a 30 de maio de 2017, em vigor desde
12 de agosto de 2018;
Com o objetivo de proporcionar idênticas condições aos desportistas náuticos das Partes e de
outros Estados de acordo com o Direito Internacional;
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
acordam no seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.º
Objeto
O presente Acordo tem por objeto regular a náutica de recreio, a prática de desportos náuticos
e a segurança da navegação no TIRG.
1/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artigo 2.º
Âmbito de aplicação
1 — O presente Acordo é aplicável às águas e margens delimitadas nos termos dos artigos 2.º e 4.º
do Tratado entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha através do qual se estabelece a linha
de fecho das desembocaduras dos rios Minho e Guadiana e se delimitam os troços internacionais de
ambos os rios, feito em Vila Real a 30 de maio de 2017, em vigor entre ambas as Partes.
2 — As embarcações estão sujeitas ao Direito Interno do Estado onde estejam registadas em
todos os aspetos relativos à classificação, arqueação, identificação, construção, modificação, segu-
rança e equipamentos, registo e documentos de bordo, lotações de segurança e máxima capacidade,
habilitação legal e técnica para o comando da embarcação e da tripulação.
Artigo 3.º
Definições
Para efeitos do presente Acordo, entende-se por:
a) Zona de soberania: área definida da responsabilidade de cada Parte conforme os Tratados
e Convenções de Limites em vigor entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha;
b) Embarcação: a definição de «navio» conforme a Convenção sobre o Regulamento Internacional
para Evitar Abalroamentos no Mar, de 1972, na redação em vigor;
c) Embarcação de Recreio Portuguesa (ERP): todo o engenho ou aparelho, de qualquer natureza,
independentemente do seu meio de propulsão, utilizado ou suscetível de ser utilizado como meio de
deslocação de superfície na água em lazer ou desportos náuticos, registada em Portugal;
d) Embarcação de recreio espanhola (ERE): toda a embarcação, de qualquer tipo, independente-
mente do seu meio de propulsão, cujo comprimento esteja compreendido entre 2,5 m e 24 m, concebida
ou utilizada para fins desportivos ou de lazer e registada em Espanha;
e) Mota de água: embarcação com fins desportivos, recreativos e profissionais, com um compri-
mento do casco inferior a 4 m, que utilize um motor de propulsão com uma bomba a jato de água como
fonte principal de propulsão e seja concebida para ser manobrada por uma ou mais pessoas sentadas,
em pé ou de joelhos em cima de um casco, e não dentro dele;
f) Embarcação de alta velocidade (EAV): a embarcação que, de acordo com o Direito Interno de
cada Estado, esteja classificada como tal e com a marca de EAV estabelecida;
g) Engenho flutuante ou de praia português: as canoas, caiaques, gaivotas, cocos, pranchas e outras
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
embarcações desprovidas de motor ou vela, bem como instalações flutuantes fundeadas;
h) Artefacto flutuante ou de praia espanhol: artefacto projetado com fins recreativos ou despor-
tivos, dos seguintes tipos:
i) Pirogas, caiaques, canoas sem motor e outros artefactos sem propulsão mecânica;
ii) Patins a pedal ou providos a motor com potência inferior a 3,5 kW;
iii) Motas de água;
iv) Pranchas à vela;
v) Pranchas com motor;
2/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
vi) Instalações flutuantes fundeadas;
vii) Outros artefactos similares aos descritos nas alíneas anteriores utilizados para lazer;
i) Embarcações de recreio e artefactos ou engenhos flutuantes ou de praia de outros Estados: os
que não estejam registados em Portugal ou Espanha, ou, caso sejam embarcações dispensadas de
registo, as que não sejam propriedade de nacionais ou residentes nas Partes;
j) Embarcação de pesca: toda a embarcação utilizada direta ou indiretamente na exploração
comercial dos recursos biológicos marinhos ou que possa ser utilizada como tal, tanto na pesca como
na transformação ou no transporte de pescado ou produtos dele derivados, com exclusão das embar-
cações que os transportem como carga geral;
k) Autoridade competente: a autoridade ou entidade designada por cada Parte, competente em
razão da matéria ou área de jurisdição segundo o seu Direito Interno;
l) Comando efetivo da embarcação: pessoa responsável pelo comando e segurança da embarcação,
abarcando tanto a navegação como o seu funcionamento.
CAPÍTULO II
Disposições aplicáveis a embarcações
Artigo 4.º
Uso da Bandeira Nacional
1 — Todas as embarcações que naveguem ou estejam fundeadas no TIRG arvoram a bandeira
nacional do seu Estado e têm gravado no seu casco o nome e a matrícula com que foram registadas.
2 — Estão dispensadas do disposto no número anterior aquelas embarcações que, por força do
Direito Interno do seu Estado de bandeira, a tal não estejam obrigadas.
Artigo 5.º
Documentação de bordo
1 — A pessoa que tiver o comando efetivo da embarcação deve apresentar, quando tal lhe seja exi-
gido pela entidade fiscalizadora, no mínimo os seguintes documentos originais ou cópias autenticadas:
a) Documento que ateste a propriedade da embarcação, contrato de aluguer ou similar;
b) Certificado de navegabilidade ou equivalente;
c) Documento que habilite os tripulantes para manobrar a embarcação, em conformidade com
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
as características da embarcação, área de navegação ou lotação de segurança, se o Direito Interno do
Estado de Bandeira assim o exigir;
d) Apólice do seguro obrigatório, se exigível conforme o disposto no artigo 6.º
2 — Para além dos documentos referidos no número anterior, as embarcações de ambas as Partes
devem dispor da documentação obrigatória nos termos do Direito aplicável.
3 — Na impossibilidade da apresentação imediata dos documentos referidos nos n.os 1 e 2 do
presente artigo, os mesmos devem ser apresentados no prazo de 48 horas.
4 — No caso previsto no número anterior, a pessoa que tiver o comando efetivo deve apresentar
um documento comprovativo da sua identidade ou declarar o seu nome e morada, confirmado por
testemunho de algum dos acompanhantes que se encontre a bordo.
3/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
5 — No caso de a pessoa que tem o comando efetivo não dispor dos meios de identificação ou
subsistirem dúvidas quanto ao seu domicílio, nos termos do número anterior, a embarcação é mandada
recolher a um porto de abrigo ou local a indicar pela entidade fiscalizadora, proibindo-se a sua saída
do porto até que o utilizador proceda à sua identificação.
Artigo 6.º
Seguro obrigatório
1 — As embarcações e motas de água estão obrigadas a dispor de um seguro que garanta a res-
ponsabilidade civil pelos danos causados a terceiros e que cumpra o estipulado no Direito Interno da
Parte onde estão registadas.
2 — Estão dispensadas do disposto no número anterior aquelas embarcações que pelo Direito
Interno das Partes não estejam obrigadas a tal.
CAPÍTULO III
Medidas de segurança da navegação
Artigo 7.º
Regras de navegação
1 — Todas as embarcações, motas de água e outros artefactos ou engenhos flutuantes ou de praia,
que naveguem no TIRG, devem cumprir as normas estabelecidas na Convenção sobre o Regulamento
Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar, de 1972, na redação em vigor.
2 — As embarcações devem navegar, fundear, varar ou atracar observando todas as indicações
e instruções existentes nas cartas de navegação, bem como nos avisos, editais e ajudas de navegação
publicados pelas autoridades competentes, com especial atenção às respeitantes ao fecho e à abertura
da barra, à alteração da sinalização fluvial ou à sinistralidade marítima ou quaisquer condicionamentos
aplicáveis às águas em que se desenrola este tipo de navegação.
3 — As embarcações não podem interferir com as operações de reabastecimento de água das
aeronaves destinadas ao combate a incêndios, devendo cumprir as instruções dadas pelos agentes
da autoridade destacados na zona para garantir a segurança das operações.
4 — As embarcações a motor, com exceção das de pesca, não devem navegar a menos de 25 m das
margens do TIRG. Nos locais onde a largura ou profundidade do TIRG não permita manter essa distância,
ou durante as manobras de aproximação e afastamento aos cais de atracação, locais de amarração
e fundeadouros, ou perante uma situação de emergência, as embarcações devem navegar a uma
velocidade não superior a 4 nós.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
5 — Nos locais em que a largura ou a profundidade do TIRG não permita manter a distância men-
cionada no número anterior, as embarcações a motor devem manter a distância máxima possível, tendo
em conta as circunstâncias próprias do local.
6 — As embarcações propulsionadas a remos ou a pedais devem navegar o mais próximo possível
das margens do TIRG, por forma a garantir a sua segurança.
7 — Todas as embarcações devem proporcionar uma distância de segurança de 25 m, ou o máximo
que a largura do rio permita, quando naveguem perto dos cais de atracação, de embarcações fundeadas
e de artes de pesca, sempre que a profundidade o permita.
8 — As embarcações a motor ou à vela e as motas de água devem manter uma distância adequada
às de pequeno porte ou sem motor e reduzir até à velocidade mínima de governo, se necessário, de
modo a evitar ondulação que possa pôr em perigo estas últimas.
4/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
9 — As embarcações a motor ou à vela, motas de água e outros engenhos ou artefactos flutuantes
não interferirão com a navegação das embarcações que fazem a ligação entre ambos os Estados, nem
com outras embarcações mercantes com navegação condicionada pelo seu calado, reboque, dragas,
entre outros, que se encontrem a navegar no TIRG.
10 — É obrigatório respeitar os lances das embarcações de pesca profissional, devendo esperar
que sejam levantadas as artes e não impedir o livre movimento dessas embarcações.
Artigo 8.º
Zonas de fundeadouro e amarração
1 — É permitido fundear com caráter temporário ao longo do TIRG, com as seguintes exceções:
a) Nos canais ou nas linhas de tráfego habituais do ferryboat entre Ayamonte e Vila Real de Santo
António;
b) Nos canais de acesso e a menos de 100 m das infraestruturas portuárias, cais, embocaduras
de docas, marinas e portos de recreio;
c) Dentro das zonas de banho sinalizadas e devidamente balizadas e nos respetivos corredores
de acesso;
d) Nas confluências dos esteiros ou afluentes do TIRG;
e) Nas zonas demarcadas para a realização de competições desportivas;
f) No canal de navegação;
g) Nos locais onde se dificulte o exercício da atividade de pesca;
h) Nas áreas definidas para a realização de operações de reabastecimento de água das aeronaves
destinadas ao combate a incêndios;
i) Nas zonas em que por edital das autoridades competentes esteja proibido.
2 — Caso uma embarcação permaneça fundeada sem tripulação a bordo por um período superior
a 72 horas, o proprietário ou a pessoa que tem o comando efetivo da embarcação deverá comunicar
tal facto às autoridades competentes da Parte em cuja área a embarcação vai fundear, indicando uma
previsão de largada e os meios de localização do proprietário.
3 — As embarcações fundeadas deverão estar devidamente sinalizadas, tanto de dia como de noite.
4 — Se uma embarcação permanecer fundeada por mais de seis meses, sem tripulação a bordo,
pode iniciar-se um expediente de abandono de acordo com o Direito Interno vigente da Parte em cujas
águas está fundeada.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
5 — São proibidas instalações fixas de pontos de amarração para embarcações, poitas e boias de
amarração de particulares, de forma permanente, nas margens do TIRG.
6 — As autoridades competentes de cada Parte regulam, fiscalizam e controlam as áreas de
amarração concessionadas nas suas zonas de soberania, respeitando o uso comum do TIRG e as
atividades tradicionais de pesca.
7 — Os projetos destas áreas devem integrar os pareceres favoráveis das autoridades competentes
em matéria de segurança marítima e da proteção do meio ambiente.
8 — Em caso de emergência, as embarcações poderão fundear em qualquer zona do TIRG até
à resolução da situação e inexistência de perigo para a segurança da navegação. Nestes casos, as
autoridades competentes de cada Parte deverão ser de imediato informadas.
5/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artigo 9.º
Navegação junto às praias e zonas de banho
1 — Nas praias fluviais e nas zonas habituais de recreio, devidamente sinalizadas, a distância
mínima para navegação junto às referidas margens é de 50 m.
2 — Quando não se possa cumprir os limites definidos no número anterior, deve navegar-se
à máxima distância possível e à velocidade de segurança mínima que permita o governo da embarcação.
3 — Todas as embarcações e artefactos flutuantes, independentemente do seu meio de propul-
são, que saiam ou se dirijam para as praias e zonas de banho deverão seguir pelos canais de acesso
sinalizados; caso estes não existam, pelas extremidades das praias ou das zonas de banho, pela per-
pendicular à margem, tomando todas as medidas de segurança possíveis e navegando à velocidade
mínima que permita o governo da embarcação.
Artigo 10.º
Navegação noturna
1 — Só podem navegar no período noturno as embarcações cujas características o permitam,
e cuja pessoa com comando efetivo possua o título correspondente e deverá garantir-se o cumprimento
das regras da parte C da Convenção sobre o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no
Mar, de 1972, na redação em vigor.
2 — É proibida a navegação do pôr-do-sol ao nascer do sol de motas de água e outros artefactos
ou engenhos flutuantes ou de praia, com ou sem motor, ou em condições meteorológicas em que se
observe visibilidade inferior a 500 m ou ventos fortes superiores a Força 5, na escala de Beaufort.
Artigo 11.º
Motas de água e outros artefactos ou engenhos flutuantes
Como medidas de segurança adicionais, as motas de água e outros artefactos ou engenhos flu-
tuantes devem cumprir as seguintes normas:
a) Todas as pessoas a bordo devem envergar coletes de salvação homologados, se aplicável;
b) Manter uma distância de segurança adequada a qualquer embarcação;
c) A navegação deste tipo de embarcações só é permitida durante o dia e nas condições previstas
no n.º 2 do artigo anterior;
d) É proibido realizar o reboque de qualquer tipo de embarcação ou artefacto, incluindo o esqui
aquático, exceto nas áreas e períodos autorizados e nas situações de emergência ou socorro.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Artigo 12.º
Esqui aquático e outras atividades que impliquem reboque
A prática de esqui aquático e outras atividades que impliquem reboque devem cumprir as seguintes
medidas de segurança adicionais:
a) As embarcações que efetuem reboque de esquiadores ou outras atividades que impliquem
reboque devem ter a bordo um mínimo de dois tripulantes, um dos quais deve possuir título corres-
pondente para poder governar a embarcação e o outro vigiará o(s) praticante(s) e/ou a embarcação/
artefacto rebocada/o;
b) Os esquiadores ou as pessoas rebocadas devem estar equipadas com coletes de salvação de
flutuabilidade permanente ou fatos de flutuabilidade positiva;
6/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
c) As embarcações que pratiquem esqui aquático ou outra atividade que implique reboque devem
manter uma distância mínima de 50 m das margens do TIRG, das zonas reservadas a banhistas e de
qualquer obstáculo que ponha em perigo o conjunto da embarcação-reboque, exceto na entrada e saída
através dos canais de acesso;
d) Não é permitida a prática de esqui aquático ou outra atividade que implique reboque nos canais
de acesso às zonas de amarração e nas zonas de grande concentração de embarcações a navegar ou
fundeadas, nem nas zonas de trânsito das embarcações que fazem a ligação entre as Partes;
e) O cabo de reboque deve ser fixo à embarcação de forma que permita a sua manobra em qual-
quer circunstância.
Artigo 13.º
Embarcações de alta velocidade (EAV)
1 — As EAV, quando naveguem no TIRG, estão obrigadas a cumprir o estabelecido no Direito Interno
da Parte onde se encontram registadas, para além do estabelecido no presente Acordo.
2 — As autoridades competentes trocarão informação sobre as EAV das respetivas nacionalidades
que se encontrem no TIRG, assim como sobre aquelas que sejam aí detetadas.
3 — Para garantir a salvaguarda da segurança e do tráfego fluvial do TIRG, as autoridades com-
petentes podem adotar medidas adicionais, devidamente fundamentadas e comunicadas ao seu pro-
prietário em conformidade com o Direito vigente, tais como:
a) Negar a autorização de saída, com base nas circunstâncias da navegação local. No despacho
de negação deve figurar, na medida do possível, a data e hora limite dessa negação;
b) Estabelecer um itinerário autorizado para o trânsito da EAV no TIRG;
c) Estabelecer os limites máximos de velocidade, podendo estes variar consoante as zonas do TIRG;
d) Proibir a navegação das EAV que tenham sofrido modificações não autorizadas pelo Estado
de Bandeira.
Artigo 14.º
Restrições à navegação
Por motivos justificados da segurança da navegação ou necessidade de conservação do ecos-
sistema, as autoridades competentes de ambas as Partes podem acordar, mediante um procedimento
comum estabelecido, a proibição ou a restrição da navegação em troços do TIRG ou fechar o acesso
ao TIRG.
CAPÍTULO IV
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Meio ambiente
Artigo 15.º
Proteção do meio ambiente marítimo
1 — É proibido lançar na água a partir das embarcações qualquer dos seguintes tipos de resíduos:
a) Resíduos oleosos, tais como óleos, águas oleosas, combustíveis e outro tipo de hidrocarbonetos;
b) Resíduos perigosos, tais como restos de tintas, diluentes, baterias ou pilhas usadas, entre outros;
c) Plásticos, vidros, embalagens e recipientes de cartão, de plástico ou de qualquer outro tipo,
entre outros;
7/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
d) Lixos sólidos, restos de comida, entre outros;
e) Águas sujas provenientes de lavabos, cozinhas ou sanitas.
2 — Todos os resíduos serão entregues nas instalações de receção em terra destinadas para
o efeito e geridas por entidades devidamente autorizadas, as quais fornecem, aos utilizadores, os
correspondentes justificativos, nos termos definidos na Convenção Internacional para a Prevenção da
Poluição por Navios (MARPOL), adotada em Londres em 17 de fevereiro de 1978 e respetivos Protoco-
los, em vigor. Os justificativos da entrega de resíduos devem ser conservados pelos proprietários das
embarcações, durante um mínimo de dois anos.
3 — Além das regras definidas neste artigo, é aplicável o Direito Interno de ambas as Partes sobre
prevenção da poluição.
CAPÍTULO V
Outras atividades
Artigo 16.º
Competições desportivas ou eventos náuticos coletivos
1 — As competições desportivas ou eventos náuticos coletivos são autorizados pela autoridade
competente da nacionalidade da entidade organizadora ou da margem a partir da qual se vai iniciar
a atividade, nos termos das condições estabelecidas no Direito Interno de cada uma das Partes e man-
tendo informada a autoridade competente da outra Parte.
2 — As referidas autoridades competentes fixam zonas do TIRG para a realização das provas
e estabelecem as respetivas normas de segurança.
3 — Em competições desportivas a nível nacional ou internacional, mediante solicitação prévia das
respetivas federações, associações ou clubes federados, e com parecer das autoridades competentes,
podem ser adotadas medidas de segurança específicas.
4 — Atendendo às tradições locais, mediante solicitação prévia, as autoridades competentes
poderão autorizar a utilização de embarcações de pesca para embarque de pessoas não pertencentes
ao rol de tripulação, sem ultrapassar a lotação prevista nos seus certificados ou a que o Direito em
vigor estabeleça. Em cada autorização deverá figurar o número máximo de pessoas permitidas a bordo,
assim como a proibição de levar a bordo qualquer tipo de arte para a pesca profissional.
Artigo 17.º
Atividades subaquáticas
1 — Estão proibidas todas as atividades subaquáticas.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
2 — É excecionalmente permitido o mergulho amador em apneia ou o mergulho profissional rela-
cionado com as atividades abaixo descritas mediante autorização:
a) Atividades subaquáticas com fins científicos e de investigação;
b) Atividades subaquáticas com fins arqueológicos efetuadas nas respetivas zonas de soberania;
c) Atividades subaquáticas necessárias para obras de infraestruturas ou reconhecimento de cascos;
d) Atividades subaquáticas de busca, salvamento e treino, dirigidas e coordenadas pelas autori-
dades competentes.
3 — Deverão sempre mostrar a sinalização regulamentar e dispor dos meios de segurança e vigi-
lância que forem estabelecidos.
8/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
CAPÍTULO VI
Controlo e vigilância
Artigo 18.º
Controlo e vigilância
1 — O controlo e a vigilância do estabelecido no presente Acordo são assegurados pelas autorida-
des competentes de cada Parte sobre qualquer embarcação que navegue, esteja fundeada, amarrada,
encalhada ou atracada no TIRG.
2 — Ambas as Partes reconhecem como válidas as inspeções efetuadas pelos agentes das auto-
ridades competentes de qualquer delas.
CAPÍTULO VII
Regime sancionatório
Artigo 19.º
Infrações
1 — Constitui contraordenação todo o facto censurável resultante da prática de atos ou omissões,
por dolo ou negligência, que configurem incumprimento do estabelecido no presente Acordo.
2 — Quando os factos possam constituir ilícito penal face ao Direito Interno de qualquer das Par-
tes, para além da abertura de um processo sancionatório, os presumíveis infratores serão presentes
ao tribunal competente.
3 — As contraordenações no âmbito do presente Acordo são reguladas pelas disposições nele
previstas e, subsidiariamente, pelo Direito Interno aplicável à referida matéria.
4 — As infrações não tipificadas pelo presente Acordo serão sancionadas segundo o Direito Interno
de cada Parte.
5 — É responsável direto pelas infrações o proprietário e é responsável subsidiário a pessoa que
tenha o comando efetivo da embarcação, mota de água, artefacto ou engenho flutuante ou de praia
no momento em que a infração for cometida ou as entidades organizadoras, clubes ou federações
desportivas e os coordenadores de segurança dos eventos.
Artigo 20.º
Processo sancionatório
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
1 — A instrução dos processos e a aplicação das respetivas coimas e sanções acessórias res-
peitantes a embarcações portuguesas ou espanholas são levadas a cabo pela autoridade competente
da Parte em que está registada a embarcação, independentemente da nacionalidade do agente de
fiscalização que tenha efetuado a denúncia.
2 — Se a embarcação não possuir registo e o mestre for de nacionalidade portuguesa ou espanhola,
a tramitação do processo sancionatório compete à autoridade competente da nacionalidade do mestre.
3 — A autoridade competente para sancionar nos casos em que a embarcação infratora seja de
outros Estados será:
a) Se a embarcação estiver fundeada ou amarrada, a da Parte em cuja zona tenha sido cometida
a presumível infração;
9/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
b) Se a embarcação estiver a navegar ou existam dúvidas quanto à zona da infração, a da Parte
do agente de fiscalização que tenha efetuado a denúncia.
4 — Quando a infração seja cometida em terra firme ou numa embarcação encostada a terra ou
tão próxima dela que seja possível saltar para bordo a pé enxuto, a instrução e a aplicação das coimas
e sanções acessórias são competência das autoridades dessa Parte.
5 — O envio dos autos de notícia é efetuado através do Capitão do Porto de Vila Real de Santo
António e do Comandante Naval de Huelva, para que a autoridade competente na outra Parte dê início
ao processo sancionatório, se for caso disso.
6 — As decisões finais dos processos sancionatórios serão comunicadas à Parte na qual teve
origem a denúncia pela infração ao presente Acordo.
Artigo 21.º
Classificação das contraordenações
1 — As contraordenações previstas no presente Acordo classificam-se em leves, graves e muito
graves.
2 — As contraordenações leves são sancionáveis com coima.
3 — As contraordenações graves ou muito graves podem ser sancionáveis com coima e com
sanção acessória.
Artigo 22.º
Contraordenações leves
Para efeitos do presente Acordo, consideram-se como leves as seguintes contraordenações:
a) Não guardar a distância mínima de segurança;
b) Não navegar à velocidade mínima de governo estabelecida nas zonas em que tal é exigido;
c) Não respeitar os lances de pesca;
d) Não utilizar os canais de acesso às zonas de banho;
e) Não identificar as boias de amarração autorizadas;
f) Operar motas de água ou similares sem envergar colete de salvação homologado, se aplicável;
g) Praticar esqui aquático ou reboque aquático sem envergar colete de salvação homologado, se
aplicável;
h) Não levar a documentação a bordo, ou não a apresentar num prazo inferior a 48 horas corridas;
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
i) Não levar hasteada a bandeira do Estado de registo.
Artigo 23.º
Contraordenações graves
Para efeitos do presente Acordo, consideram-se como graves as seguintes contraordenações:
a) Dificultar a passagem dos ferries que estabelecem a ligação entre as Partes ou de embarcações
condicionadas pelo calado ou com capacidade de manobra restringida;
b) Dificultar as operações de reabastecimento de água das aeronaves destinadas ao combate
a incêndios;
10/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
c) Navegar à noite em condições não autorizadas, com embarcações sem motor, motas de água
ou engenhos flutuantes ou de praia;
d) Fundear em zonas não autorizadas;
e) Permanecer fundeado por mais de 72 horas sem tripulação a bordo e sem previamente o ter
comunicado às autoridades;
f) Instalar poitas e boias de amarração sem a autorização das autoridades competentes;
g) Permanecer fundeado ou amarrado sem sinalização;
h) Utilizar motas de água ou pranchas motorizadas para rebocar, sem justificação de força maior;
i) Efetuar reboque de esqui aquático sem a tripulação mínima estabelecida;
j) Praticar esqui aquático em zonas ou períodos não autorizados;
k) Navegar ou fundear em zonas proibidas;
l) Praticar modalidades de mergulho não autorizadas ou sem autorização;
m) Não dispor ou não ser titular da documentação de bordo;
n) Efetuar competições desportivas sem a respetiva autorização ou sem cumprir as normas esta-
belecidas na autorização;
o) Não possuir o nome e a matrícula gravados no exterior da embarcação;
p) Não acatar a determinação do fecho da barra, de acordo com os protocolos em vigor, salvo
casos de força maior.
Artigo 24.º
Contraordenações muito graves
Para efeitos do presente Acordo, consideram-se como muito graves as seguintes contraordenações:
a) O incumprimento das regras de proteção do meio ambiente dispostas no n.º 1 do artigo 15.º
do presente Acordo;
b) Oferecer resistência, desobedecer, obstruir ou fugir às autoridades fiscalizadoras.
Artigo 25.º
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Coimas
1 — As contraordenações tipificadas no presente Acordo são sancionadas com coimas de
80 a 10 000 euros, de acordo com a seguinte escala:
a) As contraordenações leves, com coima de 80 a 350 euros;
b) As contraordenações graves, com coima de 351 a 3500 euros;
c) As contraordenações muito graves, com coima de 3501 a 10 000 euros.
2 — Caso a contraordenação tenha sido praticada por pessoa coletiva, os limites mínimos e máxi-
mos das coimas acrescem para o dobro.
11/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artigo 26.º
Determinação da medida das coimas
Para além dos critérios previstos no Direito Interno de cada uma das Partes, a determinação
da coima far-se-á em função da gravidade da contraordenação e da culpa, tendo ainda em conta os
antecedentes do infrator relativamente aos regulamentos e leis infringidos.
Artigo 27.º
Sanções acessórias
Para além da coima correspondente, as autoridades competentes podem aplicar, na decisão final
do processo, as seguintes sanções acessórias:
a) Apreensão da embarcação e demais equipamento a favor da Parte que instruiu o processo;
b) Remoção das instalações fixas não autorizadas e das poitas e boias de amarração pelo infrator
ou, se ultrapassado o prazo fixado para a remoção, pelas autoridades competentes, a expensas deste.
Artigo 28.º
Medidas cautelares
1 — Quando a gravidade da infração o justifique ou se relacione com embarcações de recreio,
motas de água ou artefactos ou engenhos flutuantes de outros Estados, cujos proprietários não se
encontrem domiciliados na Parte responsável pela instrução do processo sancionatório, a autoridade
competente de cada Parte poderá ordenar, em conformidade com o seu Direito Interno sobre a matéria,
as seguintes medidas cautelares:
a) A proibição de saída de porto da embarcação e apreensão do respetivo equipamento suscetível
de ter sido utilizado na prática da contraordenação;
b) O depósito de uma caução cujo limite não exceda o valor máximo da coima aplicável à respetiva
contraordenação.
2 — As medidas cautelares a que se refere o número anterior serão levantadas logo que sejam
satisfeitas as coimas.
3 — Poderá igualmente ser proibida a saída do porto das embarcações até que seja provada a sua
titularidade.
4 — As medidas cautelares previstas no presente artigo são mantidas até à decisão final do pro-
cesso sancionatório, sem prejuízo da aplicação das sanções acessórias previstas.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
CAPÍTULO VIII
Disposições finais
Artigo 29.º
Comissão Permanente do Troço Internacional do Rio Guadiana
1 — É criada a Comissão Permanente do Troço Internacional do Rio Guadiana (CPTIRG), inte-
grada por delegações de Portugal e Espanha representadas de forma paritária, que tratará de todos os
assuntos relacionados com a aplicação do presente Acordo e demais acordos em vigor no TIRG que
prevejam a coordenação da CPTIRG.
12/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
2 — Para os efeitos previstos no número anterior, a CPTIRG dependerá diretamente da Comissão
Internacional de Limites entre Portugal e Espanha (CIL), a quem compete assessorar e reportar os
resultados das suas ações.
3 — A CPTIRG será composta por um número não superior a sete membros por cada Parte, incluindo
os representantes navais, da administração marítima, dos setores da pesca, navegação, transporte
marítimo e ambiente.
4 — A delegação portuguesa será presidida pelo Capitão do Porto de Vila Real de Santo António
e a delegação espanhola pelo Comandante Naval de Huelva.
5 — A CPTIRG pode reunir em sessão plenária ou em comissões especializadas em função dos
assuntos em análise. Compete aos presidentes convocar os respetivos membros.
6 — Às reuniões da CPTIRG poderão assistir, se os presidentes considerarem conveniente, repre-
sentantes da CIL, técnicos das administrações de ambas as Partes com competência no TIRG e auto-
ridades regionais e locais de ambas as Partes.
7 — Os presidentes acordam as datas e os locais para a CPTIRG reunir, pelo menos uma vez por
ano em sessão ordinária, e quando uma das Partes o requeira, em sessão extraordinária.
8 — Os presidentes elaboram uma ata da reunião, que remetem à CIL.
9 — Compete aos membros da CPTIRG elaborar o seu regulamento interno.
Artigo 30.º
Competências da CPTIRG
1 — No que respeita ao presente Acordo, compete à CPTIRG tratar de todos os assuntos relacio-
nados com a segurança da navegação e a náutica de recreio a fim de informar e assessorar a CIL para
alcançar os acordos, atualizações ou emendas necessárias à melhoria das condições de segurança
da navegação no TIRG, designadamente:
a) Examinar e interpretar as dúvidas resultantes da aplicação do presente Acordo;
b) Efetuar o acompanhamento da aplicação do presente Acordo, de modo a propor as necessárias
emendas e atualizações, incluindo os artigos referentes aos valores das coimas;
c) Emitir parecer sobre projetos de zonas de amarração concessionadas e obras nas margens do
TIRG que possam afetar a segurança da navegação;
d) Controlar as condições de navegabilidade e segurança na navegação do TIRG.
2 — A CPTIRG deverá informar as autoridades locais e regionais de ambas as Partes de todas
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
as decisões adotadas relacionadas com a aplicação do presente Acordo, bem como exercer funções
consultivas, de caráter técnico, aos organismos que o requeiram.
3 — Os presidentes da CPTIRG manterão um arquivo atualizado do Direito aplicável à náutica de
recreio e à segurança da navegação de ambas as Partes, mantendo-se mutuamente informados de
todas as emendas posteriores.
Artigo 31.º
Solução de controvérsias
Qualquer controvérsia relativa à interpretação ou à aplicação do presente Acordo não resolvida
no âmbito da CPTIRG será solucionada através de negociação entre as Partes, por via diplomática.
13/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artigo 32.º
Revisão
1 — O presente Acordo pode ser objeto de revisão a pedido de qualquer das Partes.
2 — As emendas entrarão em vigor nos termos previstos no artigo 34.º do presente Acordo.
Artigo 33.º
Vigência e denúncia
1 — O presente Acordo permanecerá em vigor por um período de seis anos renovável automati-
camente por períodos iguais e sucessivos.
2 — Qualquer das Partes poderá denunciar o presente Acordo mediante notificação prévia, por
escrito e por via diplomática, com uma antecedência mínima de 180 dias em relação ao termo do
período de vigência em curso.
3 — Em caso de denúncia, as Partes comprometem-se a iniciar as negociações necessárias para
a assinatura de um novo acordo da segurança da navegação e da náutica de recreio no TIRG, manten-
do-se o presente Acordo em vigor até à entrada em vigor de um novo acordo.
Artigo 34.º
Entrada em vigor
O presente Acordo entrará em vigor 30 dias após a receção da última notificação, por escrito
e por via diplomática, confirmando que foram cumpridos os requisitos de Direito Interno das Partes
necessários para o efeito.
Artigo 35.º
Registo
A Parte em cujo território o presente Acordo for assinado, submetê-lo-á para registo junto do
Secretariado das Nações Unidas imediatamente após a sua entrada em vigor, nos termos do artigo 102.º
da Carta das Nações Unidas, devendo, igualmente, notificar a outra Parte da conclusão deste procedi-
mento e indicar-lhe o número de registo atribuído.
Feito em Faro a 23 de outubro de 2024, em dois originais, nas línguas portuguesa e espanhola,
sendo ambos igualmente autênticos.
Pela República Portuguesa:
Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel, Ministro de Estado e de Negócios Estrangeiros.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Pelo Reino de Espanha:
José Manuel Albares Bueno, Ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação.
ACUERDO ENTRE LA REPUBLICA PORTUGUESA Y EL REINO DE ESPAÑA
PARA LA SEGURIDAD DE LA NAVEGACIÓN Y LA NÁUTICA
DE RECREO EN EL TRAMO INTERNACIONAL DEL RÍO GUADIANA
La República Portuguesa y el Reino de España, en adelante designados como «Partes»:
Considerando el incremento gradual de la náutica de recreo que se ha observado en el Tramo
Internacional del Río Guadiana (en adelante TIRG);
14/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Conscientes de la necesidad de adoptar medidas comunes y conjugar esfuerzos con vistas a una
adecuada reglamentación de la náutica de recreo en el TIRG;
Atendiendo a la necesidad de promover y adoptar medidas comunes en el ámbito de la seguridad
de la navegación;
Considerando la existencia de un uso común, equitativo y razonable de las aguas del TIRG, las
características particulares del río Guadiana y el principio de libre circulación;
De acuerdo con lo dispuesto en el Tratado entre la Republica Portuguesa y el Reino de España
a través del que se establece la línea de cierre de las desembocaduras de los ríos Miño y Guadiana
y se delimitan los tramos internacionales de ambos ríos, hecho en Vila Real, el 30 de mayo de 2017, en
vigor desde el 12 de agosto de 2018;
Con el objetivo de proporcionar idénticas condiciones a los deportistas náuticos de las Partes y de
otros Estados, de acuerdo con el Derecho Internacional;
acuerdan lo siguiente:
CAPÍTULO I
Disposiciones generales
Artículo 1
Objeto
El objeto del presente Acuerdo es regular la náutica de recreo, la práctica de los deportes náuticos
y la seguridad de la navegación en el TIRG.
Artículo 2
Ámbito de aplicación
1 — El presente Acuerdo es aplicable a las aguas y márgenes delimitadas conforme a lo dispuesto
en los artículos 2 y 4 del Tratado entre la República Portuguesa y el Reino de España por el que se esta-
blece la línea de cierre de las desembocaduras de los ríos Miño y Guadiana y se delimitan los tramos
internacionales de ambos ríos, hecho en Vila Real el 30 de mayo de 2017, en vigor en ambas Partes.
2 — Las embarcaciones estarán sujetas al derecho interno del Estado donde estén registradas
en todo lo referente a su clasificación, arqueo, identificación, construcción, modificaciones, seguridad
y equipamientos, registro de documentos a bordo, seguridad y máxima capacidad, habilitación legal
y técnica para el patrón y tripulación.
Artículo 3
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Definiciones
A los efectos del presente Acuerdo, se entiende por:
a) Zona de soberanía: área definida de responsabilidad de cada Parte, de acuerdo con los Tratados
y Convenios de límites vigentes entre la República Portuguesa y el Reino de España;
b) Embarcación: la definición de «buque» contenida en el Convenio sobre el Reglamento Interna-
cional para Prevenir los Abordajes, hecho en 1972, en la redacción en vigor;
c) Embarcación de recreo portuguesa (ERP): cualquier ingenio o aparato, de cualquier naturaleza,
independientemente de su medio de propulsión, utilizado o destinado a ser utilizado como medio de
desplazamiento sobre la superficie del agua, en ocio o deportes náuticos registrado en Portugal;
15/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
d) Embarcación de recreo española (ERE): toda embarcación, de cualquier tipo, con independencia
de su medio de propulsión, cuyo casco tenga una eslora comprendida entre 2,5 metros y 24 metros,
proyectada o utilizada para fines deportivos o recreativos, y registrada en España;
e) Moto náutica: embarcación con fines deportivos, recreativos y profesionales de menos de
cuatro (4) metros de eslora que utilice un motor de combustión interna con una bomba de chorro de
agua como medio principal de propulsión y proyectada para ser manejada por una o más personas
sentadas, de pie o de rodillas sobre los límites de un casco y no dentro de ellos;
f) Embarcación de alta velocidad (EAV): aquella que de acuerdo con el derecho interno de cada
Estado esté clasificada como tal y con la marca de EAV establecida;
g) Ingenio flotante o de playa portugués: canoas, kayaks, embarcaciones de pedales, chinchorros,
tablas y otras embarcaciones desprovistas de motor o vela e instalaciones flotantes fondeadas;
h) Artefacto flotante o de playa español: artefacto proyectado con fines recreativos o deportivos,
de los siguientes tipos:
i) Piraguas, kayaks, canoas sin motor y otros artefactos sin propulsión mecánica;
ii) Patines con pedales o provistos de motor con potencia inferior a 3,5 KW;
iii) Motos náuticas;
iv) Tablas a vela;
v) Tablas deslizantes con motor;
vi) Instalaciones flotantes fondeadas;
vii) Otros artefactos similares a los descritos en los puntos anteriores que se utilicen para el ocio;
i) Embarcación de recreo y artefacto o ingenio flotante o de playa de otros Estados: el que no
esté registrado en Portugal o España, o, si no fuera registrable, el que no sea propiedad de nacionales
o residentes en las Partes;
j) Embarcación de pesca: toda embarcación utilizada directa o indirectamente en la explotación
comercial de los recursos biológicos marinos o que pueda ser utilizada como tal, tanto en la pesca
como en la transformación o en el transporte de pescado o de productos derivados, con exclusión de
la embarcación que lo transporte como carga general;
k) Autoridad competente: la autoridad u organismo designado por cada Parte, competente en
razón de la materia o del área de jurisdicción según su derecho interno;
l) Mando efectivo de la embarcación: persona responsable del mando y la seguridad de la embar-
cación, abarcando tanto a la navegación como a su funcionamiento.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
CAPÍTULO II
Disposiciones aplicables a las embarcaciones
Artículo 4
Uso del pabellón nacional
1 — Todas las embarcaciones que naveguen o estén fondeadas en el TIRG ondearán el pabellón
nacional de su Estado y llevarán grabado en su casco el nombre y la matrícula con los que han sido
registrados.
2 — Están dispensadas de lo dispuesto en el punto anterior aquellas embarcaciones que por apli-
cación del derecho interno de su Estado de abanderamiento no estén obligadas a ello.
16/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artículo 5
Documentación a bordo
1 — La persona con mando efectivo sobre la embarcación deberá presentar, cuando sea requerida
por el agente de vigilancia, al menos los siguientes documentos originales o copias autentificadas:
a) Documento de propiedad de la embarcación, contrato de alquiler o similar;
b) Certificado de navegabilidad o equivalente;
c) Documento que habilite a los tripulantes para el manejo de la embarcación de conformidad con
las características y zona de navegación o dotación de seguridad, si así lo exige el derecho interno del
Estado de abanderamiento;
d) Póliza de seguro obligatorio, si procede conforme a lo dispuesto en el artículo 6.
2 — Además de los documentos establecidos en el punto anterior, las embarcaciones de ambas
Partes deberán disponer de la documentación que resulte obligatoria en virtud del derecho aplicable.
3 — En el caso de no poder presentar en el momento la documentación referida en los puntos 1 y 2
del presente artículo, deberán hacerlo en un plazo de cuarenta y ocho (48) horas.
4 — Para el caso previsto en el punto anterior, la persona con el mando efectivo deberá presentar
un documento de identidad o declarar su nombre y dirección, confirmado por el testimonio de alguno
de los acompañantes a bordo.
5 — En el caso de que dicha persona con mando efectivo no disponga de medios de identificación
o existan dudas sobre su domicilio, en los términos establecidos en el punto anterior, la embarcación
se enviará al puerto o lugar que indique la autoridad y se prohibirá su salida de puerto hasta que el
usuario pueda identificarse.
Artículo 6
Seguro obligatorio
1 — Las embarcaciones y motos náuticas están obligadas a disponer de un seguro que garantice
la responsabilidad civil por los daños causados a tercero y que cumpla el derecho interno de la Parte
en la que están registradas.
2 — Quedan dispensadas de lo dispuesto en el punto anterior aquellas embarcaciones que no
estén obligadas a ello por el derecho interno de las Partes.
CAPÍTULO III
Medidas de seguridad de la navegación
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Artículo 7
Reglas de navegación
1 — Todas las embarcaciones, motos náuticas y otros artefactos o ingenios flotantes o de playa
que naveguen por el TIRG deberán cumplir lo preceptuado en el Convenio sobre el Reglamento Inter-
nacional para Prevenir los Abordajes, hecho en 1972, en la redacción en vigor.
2 — Las embarcaciones deberán navegar, fondear, varar o atracar observando todas las indicaciones
al respecto que figuren en las cartas de navegación, en los avisos publicados y ayudas a la navegación
promulgados por las autoridades competentes, con especial atención al cierre y apertura de la barra, la
modificación de la señalización fluvial o siniestralidad marítima o cualquier limitación aplicable a las
aguas restringidas en que se desarrolla este tipo de navegación.
17/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
3 — Las embarcaciones no pueden interferir en las operaciones de carga de agua de aeronaves
destinadas a la lucha contra incendios, debiendo cumplir con las instrucciones de los agentes de la
autoridad destacados en la zona para garantizar la seguridad de las operaciones.
4 — Las embarcaciones a motor excepto las de pesca, no deben navegar a menos de
veinticinco (25) metros de las márgenes del TIRG. En los lugares donde la anchura o la profundidad
del TIRG no permita mantener esta distancia, o durante las maniobras de aproximación y separación
del muelle, zonas de amarre y fondeo o en una situación de emergencia, las embarcaciones deberán
navegar a una velocidad no superior a cuatro (4) nudos.
5 — En los lugares en que la anchura o profundidad del TIRG no permita mantener la distancia
mencionada en el punto anterior, las embarcaciones a motor deberán mantener la distancia máxima
posible, teniendo en cuenta las circunstancias propias del lugar.
6 — Las embarcaciones propulsadas a remo o a pedales deberán navegar lo más próximo posible
a las márgenes del TIRG con el fin de garantizar su seguridad.
7 — Todas las embarcaciones deberán dar un resguardo de veinticinco (25) metros o el máximo
que la anchura del río permita cuando naveguen próximas a los muelles de atraque, a las embarcaciones
fondeadas y a las artes de pesca, siempre que la profundidad lo permita.
8 — Las embarcaciones a motor o vela y las motos náuticas deberán dar un resguardo adecuado
a las de pequeño porte o sin motor y reducir la velocidad hasta la mínima de gobierno si fuera necesario,
de modo que se evite la formación de olas que puedan poner a estas últimas en peligro.
9 — Las embarcaciones a motor o vela, motos náuticas y otros artefactos o ingenios flotantes
no interferirán en el tránsito de los buques transbordadores entre ambos Estados, ni en el de otras
embarcaciones mercantes con navegación restringida por su calado, remolque, dragas, entre otros,
que se hallen navegando por el TIRG.
10 — Es obligatorio respetar los lances de las embarcaciones de pesca profesional, debiendo
esperar a que se levanten las artes, y no impedir el libre movimiento de dichas embarcaciones.
Artículo 8
Zonas de fondeo y amarre
1 — El fondeo temporal será libre a lo largo del TIRG, con las siguientes excepciones:
a) En el canal o trayectos habituales de los transbordadores entre Ayamonte y Vila Real de Santo
António;
b) En los canales de acceso y a menos de cien (100) metros de las infraestructuras portuarias,
muelles, embocaduras de muelles, marinas y puertos de recreo;
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
c) Dentro de las zonas de baño señalizadas y debidamente balizadas y en los respectivos corre-
dores de acceso;
d) En las confluencias con esteros o afluentes del TIRG;
e) En las zonas reservadas para competiciones deportivas;
f) En la canal navegable;
g) Donde se dificulten las actividades de pesca;
h) En las áreas definidas para realizar operaciones de carga de agua de aeronaves destinadas a la
lucha contra incendios;
i) En las zonas en las que esté prohibido por edicto de la autoridad competente.
18/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
2 — Si una embarcación va a permanecer fondeada sin dotación por un periodo superior a setenta
y dos (72) horas, el propietario o la persona con el mando efectivo de la embarcación deberá comuni-
carlo a las autoridades competentes de la Parte en cuya área va a fondear, indicando una previsión de
salida y los medios de localización del propietario.
3 — Las embarcaciones fondeadas deberán estar señalizadas, tanto de día como de noche.
4 — Si una embarcación permanece fondeada más de seis (6) meses sin dotación podrá iniciarse
un expediente de abandono de acuerdo con el derecho interno vigente de la Parte en cuyas aguas esté
fondeada.
5 — Quedan prohibidas las instalaciones fijas de puntos de amarre para embarcaciones, fondeo
con muerto y boyas de amarre de particulares de forma permanente en las márgenes del TIRG.
6 — Las autoridades competentes de cada Parte regulan, vigilan y controlan las áreas de amarre
objeto de concesión en sus zonas de soberanía, respetando el uso común del TIRG y las actividades
tradicionales de pesca.
7 — Los proyectos de dichas áreas deben contar con la aprobación de las autoridades competentes
en seguridad marítima y medio ambiente.
8 — En caso de emergencia, los buques podrán fondear en cualquier zona del TIRG hasta que
se resuelva la situación y no haya peligro para la seguridad de la navegación. En tales casos, deberá
informarse inmediatamente a las autoridades competentes de cada Parte.
Artículo 9
Navegación junto a playas y zonas de baño
1 — En las playas fluviales y zonas habituales de recreo, debidamente señalizadas, la distancia
mínima para la navegación junto a las márgenes mencionadas es de cincuenta (50) metros.
2 — Cuando no se puedan cumplir los límites definidos en el punto anterior, se navegará a la máxima
distancia posible y a la velocidad mínima de gobierno.
3 — Todas las embarcaciones y artefactos flotantes, cualquiera que sea su medio de propulsión,
que salgan de las playas y zonas de baño o se dirijan a estas, deberán hacerlo por los canales de
acceso señalizados; de no existir estos, navegarán por los extremos de la playa o zona de baño, por
la perpendicular a la margen, tomando todas las medidas de seguridad posibles y en todo caso a la
mínima velocidad de gobierno.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Artículo 10
Navegación nocturna
1 — Sólo podrán navegar de noche las embarcaciones cuyas características lo permitan y cuyo
patrón con mando efectivo tenga el título correspondiente, y deberá garantizarse el cumplimiento de
las reglas de la Parte C del Convenio sobre el Reglamento Internacional para Prevenir los Abordajes,
hecho en 1972, en la redacción en vigor.
2 — Queda prohibida la navegación desde la puesta a la salida del sol de las motos náuticas y otros
artefactos o ingenios flotantes o de playa con motor o sin él, o en condiciones meteorológicas en las
que exista una visibilidad inferior a quinientos (500) metros o vientos de fuerza superior a cinco (5) en
la escala Beaufort.
19/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artículo 11
Motos náuticas y otros artefactos o ingenios flotantes
Como medidas de seguridad adicionales, las motos náuticas y demás artefactos o ingenios flo-
tantes, deberán cumplir lo siguiente:
a) Todas las personas a bordo deberán llevar puesto un chaleco salvavidas homologado, si procede;
b) Mantener una distancia de seguridad adecuada a cualquier embarcación;
c) La navegación de este tipo de embarcaciones solo se permitirá por el día y con las limitaciones
que se disponen en el punto 2 del artículo anterior;
d) Está prohibido realizar el remolque de cualquier tipo de embarcación o artefacto, incluido el esquí
acuático, salvo en los tramos y periodos autorizados, y en situaciones de emergencia o salvamento.
Artículo 12
Esquí náutico y otras actividades que impliquen remolque
La práctica del esquí náutico y otras actividades que implique remolque deberán cumplir las
siguientes medidas de seguridad adicionales:
a) Las embarcaciones que efectúen remolque de esquiadores u otras actividades que impliquen
remolque contarán a bordo con un mínimo de dos (2) tripulantes, uno de los cuales deberá disponer
de la titulación correspondiente para poder gobernar la embarcación y el otro vigilará a la persona
y/o embarcación/artefacto remolcado;
b) Los esquiadores o las personas remolcadas deberán estar equipadas con chaleco salvavidas
de flotabilidad permanente o traje de flotabilidad positiva;
c) Las embarcaciones que practiquen esquí náutico u otra actividad que implique remolque debe-
rán mantener una distancia mínima de cincuenta (50) metros de las márgenes del TIRG, de las zonas
reservadas para bañistas y de cualquier obstáculo que pueda suponer un peligro para el conjunto
embarcación-remolque, excepto en la entrada y salida por los canales de acceso;
d) No está permitida la práctica del esquí náutico u otra actividad que implique remolque en los
canales de acceso a las zonas de amarre y en las zonas de alta concentración de embarcaciones que
estén navegando o fondeadas, ni en zonas de tránsito de los buques transbordadores entre las Partes;
e) El cabo de remolque debe estar fijo a la embarcación de forma que permita maniobrar en cual-
quier circunstancia.
Artículo 13
Embarcaciones de alta velocidad (EAV)
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
1 — Las EAV, cuando naveguen por el TIRG, estarán obligadas a cumplir lo establecido en el derecho
interno de la Parte donde estén registradas, además de lo establecido en el presente Acuerdo.
2 — Las autoridades competentes intercambiarán información sobre las EAV de las respectivas
nacionalidades presentes en el TIRG, así como sobre aquellas que sean detectadas.
3 — Para garantizar la salvaguarda de la seguridad y del tráfico fluvial en el TIRG, las autoridades
competentes pueden adoptar medidas adicionales, debidamente fundamentadas y comunicadas a su
propietario conforme el derecho vigente, como las siguientes:
a) Negar la autorización de salida en base a circunstancias de navegación local. En el documento
de negación del despacho deberá figurar, si fuera posible, la fecha y hora límite de esta negación;
b) Establecer un itinerario autorizado para el tránsito de la EAV por TIRG;
20/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
c) Establecer limitaciones máximas de velocidad, pudiendo ser diferentes en distintas zonas
del TIRG;
d) Prohibir la navegación de las EAV que hayan sufrido modificaciones no autorizadas por el Estado
de abanderamiento.
Artículo 14
Restricciones a la navegación
Por motivos justificados de seguridad de la navegación o necesidades de conservación del eco-
sistema, las autoridades competentes de ambas Partes podrán acordar la prohibición o restricción de la
navegación en tramos del TIRG o cerrar el acceso al TIRG mediante un procedimiento común establecido.
CAPÍTULO IV
Medio ambiente
Artículo 15
Protección del medio ambiente marino
1 — Está prohibido arrojar al agua cualesquiera de los siguientes tipos de residuos desde las
embarcaciones:
a) Residuos oleosos, tales como aceites, aguas oleosas, combustibles u otros restos de hidro-
carburos;
b) Residuos peligrosos, tales como restos de pinturas, disolventes, baterías, o pilas usadas, entre
otros;
c) Plásticos, vidrios, embalajes y envases de cartón, de plástico o de cualquier otro tipo, entre otros;
d) Basuras sólidas, restos de comida, entre otros;
e) Aguas sucias procedentes de lavabos, cocinas, o inodoros.
2 — Todos los residuos serán entregados en instalaciones de recepción en tierra destinadas a tal
fin y gestionadas por entidades debidamente autorizadas, las cuales facilitarán a los usuarios los
correspondientes justificantes en los términos definidos en el Convenio Internacional para Prevenir la
Contaminación por los Buques (MARPOL), adoptado en Londres el 17 de febrero de 1978, y sus Pro-
tocolos en vigor. Dichos justificantes deberán ser conservados por los titulares de las embarcaciones
durante un mínimo de dos (2) años.
3 — Además de las reglas previstas en el presente artículo, será de aplicación el derecho interno
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
de ambas Partes sobre prevención de la contaminación.
CAPÍTULO V
Otras actividades
Artículo 16
Competiciones deportivas o eventos náuticos colectivos
1 — Las competiciones deportivas o eventos náuticos colectivos son autorizados por la autoridad
competente de la nacionalidad de la entidad organizadora o de la margen desde de la cual se va a ini-
21/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
ciar la actividad, ajustándose a las condiciones establecidas en el derecho interno de cada una de las
Partes y manteniendo informada a la autoridad competente de la otra Parte.
2 — Las referidas autoridades fijarán zonas del TIRG para la realización de las pruebas y estable-
cerán las respectivas normas de seguridad.
3 — En competiciones deportivas a nivel nacional o internacional, previa solicitud de las respecti-
vas federaciones, asociaciones o clubes federados y con los informes de las autoridades competentes,
podrán aplicarse medidas de seguridad específicas.
4 — Atendiendo a las tradiciones locales, previa solicitud, las autoridades competentes podrán
autorizar el uso de embarcaciones de pesca para embarque de personas ajenas a la tripulación, sin
sobrepasar las limitaciones que permitan sus certificados o las que el derecho vigente establezca.
En cada autorización deberá figurar el número máximo de personas permitidas a bordo, así como la
prohibición de llevar a bordo cualquier tipo de arte para la pesca profesional.
Artículo 17
Actividades subacuáticas
1 — Están prohibidas todas las actividades subacuáticas.
2 — Se permitirán excepcionalmente las inmersiones de recreo en apnea o el buceo profesional
para las actividades que se relacionan a continuación y que deberán disponer de autorización:
a) Las actividades subacuáticas con fines científicos y de investigación;
b) Las actividades subacuáticas con fines arqueológicos efectuadas en las respectivas zonas de
soberanía;
c) Las actividades subacuáticas necesarias para obras de infraestructuras o reconocimiento de
cascos;
d) Las actividades subacuáticas de búsqueda, salvamento y entrenamiento dirigidas y coordinadas
por las autoridades competentes.
3 — Siempre deberán mostrar la señalización reglamentaria y disponer de los medios de seguridad
y vigilancia que se establezcan.
CAPÍTULO VI
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Control y vigilancia
Artículo 18
Control y vigilancia
1 — El control y la vigilancia de lo establecido en el presente Acuerdo corresponde a las autorida-
des competentes de cada Parte, que la ejercerán sobre cualquier embarcación que navegue, fondee,
amarre, vare o atraque en el TIRG.
2 — Ambas Partes reconocen como válidas las inspecciones realizadas por los agentes de las
autoridades competentes de cualquiera de ellas.
22/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
CAPÍTULO VII
Régimen sancionador
Artículo 19
Infracciones
1 — Constituye una infracción todo hecho censurable resultante de la práctica de actos u omisio-
nes, por dolo o negligencia, que configuren incumplimiento de lo establecido en el presente Acuerdo.
2 — Cuando los hechos puedan ser constitutivos de ilícito penal en cualquiera de los derechos
internos de cualquiera de las Partes, además de la apertura de un expediente sancionador, los presuntos
infractores serán puestos a disposición del tribunal competente.
3 — Las infracciones en el ámbito del presente Acuerdo están reguladas por lo dispuesto en él y,
subsidiariamente, por el derecho interno aplicable sobre dicha materia.
4 — Las infracciones no tipificadas en este Acuerdo serán sancionadas según el derecho interno
de cada Parte.
5 — Será responsable directo de las infracciones el propietario y responsable subsidiario, la per-
sona que tenga el mando efectivo de la embarcación, moto náutica, artefacto o ingenio flotante o de
playa en el momento en que fuera cometida la infracción o las entidades organizadoras, los clubes
o federaciones deportivas y los coordinadores de seguridad de los eventos.
Artículo 20
Procedimiento sancionador
1 — La instrucción de los procedimientos y aplicación de las respectivas multas y sanciones
accesorias respecto a las embarcaciones portuguesas o españolas corresponderán a la autoridad
competente de la Parte donde esté registrada la embarcación, independientemente de la nacionalidad
del agente de vigilancia que formule la denuncia.
2 — En el caso de que la embarcación carezca de registro y el patrón sea de nacionalidad por-
tuguesa o española, corresponderá la tramitación del expediente sancionador a la autoridad de la
nacionalidad del patrón.
3 — La autoridad competente para sancionar en caso de que la embarcación infractora sea de
otros Estados será:
a) Si la embarcación estuviese fondeada o amarrada, la de la Parte en cuya zona se ha cometido
la presunta infracción;
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
b) Si la embarcación estuviese navegando o existen dudas de la zona de infracción, será la de la
Parte del agente que formule la denuncia.
4 — Cuando la infracción se cometa desde tierra firme o desde una embarcación unida a tierra
o tan próxima a ésta que sea posible saltar a bordo a pie enjuto, la instrucción y aplicación de multas
y sanciones accesorias corresponderá a las Autoridades de dicha Parte.
5 — Los atestados se enviarán a través del Capitán del Puerto de Vila Real de Santo António y del
Comandante Naval de Huelva, para que la autoridad competente en la otra Parte dé inicio al expediente
sancionador cuando proceda.
6 — Las decisiones finales de los procedimientos sancionadores serán comunicadas a la Parte
en la que tuvo origen la denuncia por infracción al presente Acuerdo.
23/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artículo 21
Clasificación de las infracciones
1 — Las infracciones previstas en este Acuerdo se clasifican en leves, graves y muy graves.
2 — Las infracciones leves se sancionan con multa.
3 — Las infracciones graves y muy graves podrán ser sancionadas con multa y sanción accesoria.
Artículo 22
Infracciones leves
A los efectos de este Acuerdo se consideran leves las siguientes infracciones:
a) No guardar la distancia mínima de seguridad;
b) No navegar a la velocidad mínima de gobierno en zonas en que así se exija;
c) No respetar los lances de pesca;
d) No utilizar los canales de acceso a las zonas de baño;
e) No identificar las boyas de fondeo autorizadas;
f) Manejar motos náuticas o similares sin utilizar el chaleco homologado, si procede;
g) Practicar el esquí náutico o remolque acuático sin chaleco homologado, si procede;
h) No llevar la documentación de a bordo o no presentarla en un plazo inferior a cuarenta y ocho
(48) horas naturales;
i) No llevar izado el pabellón del Estado de registro.
Artículo 23
Infracciones graves
A los efectos de este Acuerdo tienen consideración de graves las siguientes infracciones:
a) Dificultar el tránsito de transbordadores entre las Partes o de las embarcaciones restringidas
por su calado, o con capacidad de maniobra restringida;
b) Dificultar las operaciones de carga de agua de aeronaves destinadas a la lucha contra incendios;
c) Navegar de noche, en condiciones no autorizadas, con embarcaciones sin motor, motos náuticas
o artefactos o ingenios flotantes o de playa;
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
d) Fondear en zonas no autorizadas;
e) Permanecer fondeado más de setenta y dos (72) horas sin tripulación y sin comunicarlo pre-
viamente a las autoridades;
f) Fondear muertos y boyas de amarre sin autorización de las autoridades competentes;
g) Permanecer fondeado o amarrado sin señalización;
h) Utilizar motos náuticas o lanchas motorizadas para remolcar, sin que concurra causa de fuerza
mayor;
i) Efectuar remolque de esquí náutico sin la tripulación mínima establecida;
j) Practicar esquí en zonas o periodos no autorizados;
24/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
k) Navegar o fondear en zonas prohibidas;
l) Practicar modalidades de submarinismo no autorizado o sin autorización;
m) No disponer o no ser titular de la documentación de a bordo;
n) Efectuar competiciones deportivas sin autorización o sin cumplir las normas establecidas en
la autorización;
o) No tener el nombre y la matrícula de la embarcación grabados en el costado del casco;
p) El incumplimiento de la orden de cierre de la barra, de acuerdo con los protocolos en vigor, salvo
en casos de fuerza mayor.
Artículo 24
Infracciones muy graves
A los efectos de este Acuerdo, tienen consideración de muy graves las siguientes infracciones:
a) El incumplimiento de las normas de protección del medio ambiente establecidas en el punto 1
del artículo 15 de presente Acuerdo;
b) Ofrecer resistencia, desobedecer, obstruir o huir de los agentes de la autoridad.
Artículo 25
Multas
1 — Las infracciones tipificadas por el presente Acuerdo son sancionadas con multas de
80 a 10.000 euros, de acuerdo con la siguiente escala:
a) Las infracciones leves, con multa de 80 a 350 euros;
b) Las infracciones graves, con multa de 351 a 3.500 euros;
c) Las infracciones muy graves, con multa de 3.501 a 10.000 euros.
2 — Si la infracción la comete una persona jurídica, los límites mínimo y máximo de las multas
se duplicarán.
Artículo 26
Determinación de la cuantía de las multas
Además de los criterios previstos en el derecho interno de cada Parte, la determinación de la
sanción se hará en función de la gravedad de la infracción y de la culpa, teniendo además en cuenta
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
los antecedentes del infractor relativos a reglamentos y leyes infringidas.
Artículo 27
Sanciones accesorias
Las autoridades competentes, además de la multa correspondiente, podrán aplicar en la decisión
final del proceso las siguientes sanciones accesorias:
a) Incautación de la embarcación y demás equipamiento en beneficio de la Parte que instruye el
procedimiento;
b) Retirada de los atraques fijos no autorizados y de los muertos y boyas de amarre por parte del
infractor o a cargo de este si se sobrepasa el plazo fijado para la retirada por las autoridades competentes.
25/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artículo 28
Medidas cautelares
1 — Cuando la gravedad de la infracción lo justifique o se trate de embarcaciones de recreo, motos
náuticas o artefactos o ingenios flotantes de otros Estados cuyos domicilios no se encuentren en la
Parte responsable de la instrucción del procedimiento sancionador, las autoridades competentes de
cada Parte podrán ordenar, de acuerdo con su derecho interno sobre la materia, las siguientes medidas
cautelares:
a) La prohibición de salida de puerto de la embarcación y la incautación de sus respectivos per-
trechos susceptibles de haber sido utilizados en la infracción;
b) Un depósito por una cuantía que no exceda de la máxima multa aplicable a dicha infracción.
2 — Las medidas cautelares a que se refiere el punto anterior se levantarán al hacerse efectivas
las multas.
3 — Se podrá igualmente prohibir la salida de puerto de las embarcaciones hasta que sea probada
su titularidad.
4 — Las medidas cautelares previstas en el presente artículo se mantendrán hasta la resolución
del procedimiento sancionador, sin perjuicio de la aplicación de las sanciones accesorias previstas.
CAPÍTULO VIII
Disposiciones finales
Artículo 29
Comisión Permanente del Tramo Internacional del río Guadiana
1 — Se creará una Comisión Permanente del Tramo Internacional del río Guadiana (CPTIRG), inte-
grada de forma paritaria por delegaciones de Portugal y España, que atenderá todos aquellos asuntos
relacionados con este Acuerdo y otros en vigor en el TIRG que prevean la coordinación de la CPTIRG.
2 — A todos los efectos previstos en el punto anterior, la CPTIRG dependerá directamente de la
Comisión Internacional de Límites entre Portugal y España (CIL), a quien corresponde asesorar e infor-
mar de los resultados de sus actuaciones.
3 — La CPTIRG estará compuesta por un número no superior a siete (7) miembros por cada Parte,
incluyendo los representantes navales, de la administración marítima, de los sectores de pesca, la
navegación, el transporte marítimo y el medioambiente.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
4 — La delegación portuguesa estará presidida por el Capitán do Porto de Vila Real de Santo
António; y la delegación española por el Comandante Naval de Huelva.
5 — La CPTIRG podrá convocarse en sesión plenaria o en comisiones especializadas, en función
del tema que se vaya a tratar. Compete a los presidentes convocar a los respectivos miembros.
6 — A las reuniones de la CPTIRG podrán asistir, si los presidentes lo consideran conveniente,
representantes de la CIL, técnicos de las administraciones de ambas Partes con intereses en el TIRG
y autoridades regionales y locales de ambas Partes.
7 — Los presidentes acordarán las fechas y lugares para que la CPTIRG se reúna al menos una vez
al año en sesión ordinaria y, cuando una de las Partes lo solicite, en sesión extraordinaria.
26/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
8 — Los presidentes redactarán un acta de la reunión, que enviarán a la CIL.
9 — Compete a los miembros de la CPTIRG elaborar su reglamento interno.
Artículo 30
Competencias de la CPTIRG
1 — Con respecto a este Acuerdo, la CPTIRG entenderá de todos aquellos asuntos relacionados
con la seguridad de la navegación y la náutica de recreo, con el fin de informar y asesorar a la CIL para
alcanzar los acuerdos, actualizaciones o modificaciones necesarias para mejorar la seguridad de la
navegación en el TIRG, en particular:
a) Examinar e interpretar las dudas resultantes de la aplicación del presente Acuerdo.
b) Hacer un seguimiento de la aplicación del Acuerdo con el objetivo de proponer las modifica-
ciones y actualizaciones necesarias, incluyendo los artículos referentes a los valores de las multas;
c) Emitir informe sobre proyectos de zonas de amarre objeto de concesión y obras en las márgenes
del TIRG que puedan afectar a la seguridad de la navegación;
d) Controlar las condiciones de navegabilidad y seguridad de la navegación del TIRG.
2 — La CPTIRG deberá informar a las autoridades locales y regionales de ambas Partes de todas las
decisiones adoptadas relacionadas con la aplicación del presente Acuerdo, así como ejerce funciones
consultivas de carácter técnico para los organismos que lo requieran.
3 — Los presidentes de la CPTIRG mantendrán un archivo actualizado del derecho aplicable a la
náutica de recreo y a la seguridad de la navegación de ambas Partes, manteniéndose mutuamente
informados de todas las modificaciones posteriores.
Artículo 31
Solución de controversias
Cualquier controversia relativa a la interpretación o aplicación del presente Acuerdo no resuelta
en el marco de la CPTIRG será solucionada mediante negociación entre la Partes por vía diplomática.
Artículo 32
Revisión
1 — El presente Acuerdo puede ser objeto de revisión a petición de cualquiera de las Partes.
2 — Las enmiendas entrarán en vigor en los términos previstos en el artículo 34 del presente Acuerdo.
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
Artículo 33
Vigencia y denuncia
1 — El presente Acuerdo tendrá un período de vigencia inicial de seis (6) años, renovable automá-
ticamente por períodos iguales y sucesivos.
2 — Cualquiera de las Partes podrá denunciar el presente Acuerdo mediante notificación previa
por escrito y vía diplomática, con una antelación mínima de ciento ochenta (180) días, respecto de la
finalización del período de vigencia en curso.
3 — En caso de denuncia, las Partes se comprometen a iniciar las negociaciones necesarias para
la firma de un nuevo Acuerdo de Seguridad de la Navegación y la Náutica de Recreo en el TIRG, man-
teniéndose vigente el presente Acuerdo hasta la entrada de un nuevo Acuerdo.
27/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
Artículo 34
Entrada en vigor
El presente Acuerdo entrará en vigor treinta (30) días después de recibirse la última notificación,
por escrito y vía diplomática, confirmando que se han cumplido los requisitos de derecho interno de
las Partes necesarios a tal efecto.
Artículo 35
Registro
La Parte en cuyo territorio se firme el presente Acuerdo lo registrará en la Secretaría de Naciones
Unidas, inmediatamente después de su entrada en vigor, de acuerdo con el artículo 102 de la Carta de las
Naciones Unidas, debiendo igualmente comunicar a la otra Parte la finalización de este procedimiento
y el número de registro asignado.
Hecho en Faro, el 23 de Octubre de 2024, en dos originales, en las lenguas portuguesa y española,
siendo ambos igualmente auténticos.
Por la República Portuguesa:
Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel, Ministro de Estado y de Asuntos Exteriores.
Por el Reino de España:
José Manuel Albares Bueno, Ministro de Asuntos Exteriores, Unión Europea y Cooperación.
119664739
Resolução da Assembleia da República n.º 172/2025
28/28
1.ª série
N.º 213
04-11-2025
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA