Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 258-A/2014
- Data
- 2014-12-01
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- ÍNDICE SUPLEMENTO
Texto integral (4341 palavras)
Portaria n.º 258-A/2014
formação para cada área profissional de especialização,
de 12 de dezembro devidamente atualizados, que definam a estrutura curri-
cular do processo formativo, com tempos e planos gerais
No contexto da otimização da utilização das quotas de de atividades, e fixem os objetivos globais e específicos
pesca atribuídas a Portugal, a gestão cuidada do esforço de de cada área e estágio e os objetivos e os momentos e
pesca é muito relevante para assegurar a sustentabilidade métodos de avaliação.
dos recursos e da atividade pesqueira. Para além do leque de especialidades, já previsto na
Com esse objetivo, ouvidos os órgãos de governo pró- Portaria n.º 251/2011, de 24 de junho, foi identificada
prios das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, uma outra que configura, atualmente, uma resposta con-
a Portaria n.º 20/2013, de 22 de janeiro veio estabelecer creta a necessidades sentidas no sector da saúde, desig-
regras especificas de gestão das capturas para determi- nadamente a especialidade de Farmacologia Clínica,
nados recursos de pesca, uma vez atingidos os 80% da que importará considerar no elenco das especialidades
quota respetiva. do internato médico.
Em conformidade com aquela portaria, a pesca dirigida Assim:
aos imperadores (Beryx spp.) foi encerrada em 21 de junho Sob proposta da Ordem dos Médicos e ouvido o Con-
p.p., mantendo-se a possibilidade de captura acessória de até selho Nacional do Internato Médico;
5% do total descarregado por embarcação, em cada maré de Ao abrigo e nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 3.º
pesca, exclusivamente para a espécie Beryx decadactylus. e nos n.os 1 e 2 do artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 203/2004,
Considerando que a Direção Regional das Pescas dos de 18 de agosto, alterado pelos Decretos-Leis n.os 11/2005,
Açores propôs a reabertura da pesca desta espécie e que a de 6 de janeiro, 60/2007, de 13 de março, e 45/2009, de
captura de imperadores (Beryx spp.) neste momento não 13 de fevereiro, bem como no artigo 27.º do Regulamento
coloca em causa o estado do recurso, entende-se adequado do Internato Médico, aprovado pela Portaria n.º 251/2011,
proceder à reabertura da pesca dirigida para aquela unidade de 24 de junho:
populacional. Manda o Governo, pelo Secretário de Estado da Saúde,
Assim, ao abrigo do disposto no n.º 1.º do artigo 4.º o seguinte:
do Decreto-Lei n.º 278/87, de 7 de julho, alterado pelos Artigo 1.º
Decretos-Lei n.º 218/91, de 17 de junho e n.º 383/98, de
27 de novembro, e no uso das competências delegadas pela É criada a área profissional de especialização de Farma-
Ministra da Agricultura e do Mar, através do Despacho cologia Clínica e aditada ao elenco constante do anexo I ao
n.º 12256-A/2014, de 3 de outubro, manda o Governo, Regulamento do Internato Médico aprovado pela Portaria
pelo Secretário de Estado do Mar, o seguinte: n.º 251/2011, de 24 de junho.
Artigo 1.º Artigo 2.º
Reabertura da pesca dirigida aos imperadores É aprovado o programa de formação da área de espe-
cialização de Farmacologia Clínica, constante do anexo à
É reaberta, até final do dia 31 de dezembro de 2014, presente portaria, da qual faz parte integrante.
a pesca dirigida à unidade populacional de imperadores
(Beryx spp.) pela frota portuguesa no Atlântico Norte, nas Artigo 3.º
divisões III, IV, VI, VII, VIII, IX, XII e XIV definidas pelo
Conselho Internacional para a Exploração do Mar. A aplicação e desenvolvimento do programa compete
aos órgãos e agentes responsáveis pela formação nos in-
Artigo 2.º ternatos, os quais devem assegurar a maior uniformidade
a nível nacional.
Entrada em vigor
O Secretário de Estado da Saúde, Manuel Ferreira Tei-
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao xeira, em 12 de dezembro de 2014.
da sua publicação.
ANEXO
O Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu,
em 12 de dezembro de 2014. PROGRAMA DE FORMAÇÃO DA ÁREA
DE ESPECIALIZAÇÃO
DE FARMACOLOGIA CLÍNICA
A formação específica no Internato Médico de Farma-
MINISTÉRIO DA SAÚDE cologia Clínica tem a duração de 48 meses (4 anos, a que
correspondem 44 meses efetivos de formação) e é antece-
Portaria n.º 258-B/2014 dida por uma formação genérica, partilhada por todas as
especialidades, designada por Ano Comum.
de 12 de dezembro
A. ANO COMUM
Através da reformulação do regime legal dos interna-
tos médicos operada pelo Decreto-Lei n.º 203/2004, de 1 — Duração: 12 meses.
18 de agosto, com a nova redação dada pelo Decreto-Lei 2 — Blocos formativos e sua duração:
n.º 45/2009, de 13 de fevereiro e pela Portaria n.º 251/2011, a) Medicina/área médica — 4 meses;
de 24 de junho, visou-se reforçar a qualidade da formação b) Pediatria/área pediátrica — 2 meses;
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c) Opção — 1 mês; neadas (incluindo ensaios clínicos), realizar essas análises,
d) Cirurgia/área cirúrgica — 2 meses; e interpretar os resultados estatísticos;
e) Cuidados de saúde primários — 3 meses. f) Descrever e influenciar o que determina os paradig-
mas de utilização dos medicamentos nas populações;
3 — Precedência g) Antecipar (e consequentemente minimizar), detetar,
A frequência com aproveitamento de todos os blocos gerir, relatar e analisar os efeitos adversos dos medica-
formativos do Ano Comum é condição obrigatória para mentos;
que o médico Interno inicie a formação específica. h) Aconselhar em casos de sobredosagem ou intoxicação;
4 — Equivalência i) Promover a prescrição racional de medicamentos
Os blocos formativos do Ano Comum não substituem tendo em conta as opções terapêuticas disponíveis, junto
e não têm equivalência a eventuais estágios com o mesmo das outras especialidades e da população.
nome da formação específica.
2 — Sequência e duração dos estágios
B. FORMAÇÃO ESPECÍFICA 2.1 — Estágio em Medicina Interna ou Pediatria (1.º ano):
12 meses.
1 — Generalidades 2.2 — Estágio em Cuidados intensivos médicos (2.º ano):
1.1 — Enquadramento 3 meses.
A implementação do internato de Farmacologia Clínica 2.3 — Estágio em Farmacologia Básica (2.º ano): 3 meses.
tem em consideração a não existência atual em Portugal de 2.4 — Estágio em Farmacologia Clínica: 30 meses, que
uma unidade/serviço clínico hospitalar de Farmacologia se repartem do modo seguinte:
Clínica com idoneidade reconhecida e que possa assegurar 2.4.1 — Farmacocinética: 2 meses;
todo o programa de formação do interno. 2.4.2 — Farmacovigilância e Toxicologia: 2 meses;
Neste contexto, o interno de Farmacologia Clínica tem 2.4.3 — Assessoria Terapêutica: 2 meses;
como serviço hospitalar de colocação um serviço de Medi- 2.4.4 — Ensaios Clínicos e Investigação: 12 meses;
cina Interna ou de Pediatria. A orientação formativa será 2.4.5 — Estágios opcionais: 12 meses.
repartida entre um médico especialista em Farmacologia 2.4.5.1 — Os estágios opcionais poderão ser efetuados
Clínica e um médico especialista de uma dessas duas espe- nas valências referidas para os estágios anteriores ou, ainda,
cialidades. em especialidades médicas afins, tais como: Neurologia,
1.2 — Objetivos gerais da formação específica Cardiologia, Gastrenterologia, Pneumologia, Reumato-
1.2.1 — A Farmacologia Clínica é uma especialidade logia, Anestesiologia, Hematologia Clínica, Oncologia
médica que avalia os efeitos dos fármacos na espécie hu- Médica, ou Doenças Infecciosas. Poderão ser consideradas
mana, saudável e doente, e na população em geral. Esta outras, sob proposta do Interno e aprovação do orientador
avaliação toma em consideração a relação entre os efeitos de formação.
terapêuticos e os efeitos adversos, e os custos das inter- 2.4.5.2 — Cada estágio opcional tem uma duração mí-
venções medicamentosas. Para realizar esta avaliação são nima de 3 meses e uma duração máxima de 6 meses.
utilizados conhecimentos e métodos próprios baseados na 3 — Locais de formação
medicina, farmacologia e epidemiologia. 3.1 — Medicina Interna ou Pediatria: Serviços de Me-
1.2.2 — A Farmacologia Clínica avalia a introdução de dicina Interna ou de Pediatria idóneos para a formação
novos medicamentos no Homem utilizando como meto- específica dos respetivos Internatos.
dologia os ensaios clínicos. 3.2 — Cuidados intensivos médicos (2.º ano): Unidades
1.2.3 — A Farmacologia Clínica, pelas suas caracte- de Cuidados Intensivos Polivalentes ou serviços de Medi-
rísticas específicas, apresenta uma ligação estreita com cina Interna com esta diferenciação.
muitas outras especialidades médicas, pelo que devido 3.3 — Farmacologia Básica: Laboratório de Farmaco-
à sua multidisciplinaridade requer uma sólida formação logia Básica.
clínica (em especial na Medicina Interna, Pediatria, e In- 3.4 — Farmacologia Clínica: Laboratório de Farmaco-
tensivismo). A distinção dos efeitos adversos dos medica- logia Clínica e Terapêutica
mentos dos sintomas da patologia subjacente é um exemplo 3.5 — Estágios opcionais: Serviços da área ou especia-
da necessidade desta multidisciplinaridade. O tratamento lidade escolhida com idoneidade para a respetiva formação
de eventuais emergências que podem surgir no decurso específica.
dos ensaios clínicos justifica o imprescindível domínio de 4 — Objetivos dos estágios
técnicas de intensivismo. 4.1 — Estágio em Medicina Interna
1.3 — Objetivos específicos da aprendizagem 4.1.1 — Descrição do desempenho
a) Realizar e interpretar estudos em fase precoce dos Atividade a desenvolver na enfermaria, consulta e ur-
efeitos dos fármacos em humanos; gência geral.
b) Utilizar princípios de farmacocinética para otimizar 4.1.1.1 — Objetivos de desempenho
a administração e o efeito dos fármacos; a) Colheita e elaboração de histórias clínicas, emissão
c) Utilizar racionalmente e de modo custo-efetivo os de diagnósticos clínicos provisórios, solicitação de exames
fármacos; complementares de diagnóstico, interpretação de anomalias
d) Avaliar de modo crítico a literatura relevante para a clínico-laboratoriais, integração de todos os elementos de
farmacologia clínica incluindo a farmacologia básica, a investigação clínica, obtenção de um diagnóstico final,
toxicologia, os ensaios clínicos de fase I, II, III e IV e as prescrição e realização de um protocolo terapêutico e de-
meta-análises; finição de um prognóstico;
e) Desenhar ensaios clínicos, incluindo estudos de fase III, b) Apresentação oral clara, extensa ou resumida (em
e contribuir para a sua execução e disseminação. Selecionar forma de epicrise), de casos clínicos, em visita médica ou
prospetivamente métodos estatísticos para experiências pla- reunião clínica;
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c) Realização de nota de alta ou de transferência; a5) Entubação endotraqueal, manutenção das vias aérea
d) Participação ativa em reuniões clínicas; e suporte ventilatório mecânico;
e) Realização/participação ativa em sessões temáticas a6) Técnicas de analgesia, sedação.
ou de revisão bibliográfica;
f) Integração nas equipas de urgência interna; 4.3.3 — Objetivos de conhecimento
g) Integração nas equipas de urgência externa por pe-
a) Conhecimento de critérios de admissão e alta das
ríodo de 12 horas semanais.
unidades de cuidados intensivos;
b) Vigilância e monitorização (invasiva/não invasiva)
4.1.1.2 — Objetivos de conhecimento
de doentes em estado crítico;
a) Etiopatogenia, epidemiologia, fisiopatologia, ana- c) Reanimação e terapêutica do choque;
tomia patológica, semiologia clínica e laboratorial, diag- d) Reanimação cardiorrespiratória (e cerebral);
nóstico e terapêutica de entidades nosológicas incluídas e) Alterações do equilíbrio hidroelectrolítico e ácido-
nas seguintes áreas: -base;
f) Emprego de soluções parenterais;
a1) Cardiologia;
g) Transfusão de sangue e derivados;
a2) Pneumologia;
h) Terapêutica das situações agudas do sistema cardio-
a3) Gastrenterologia;
vascular;
a4) Dermatologia;
i) Abordagem das principais intoxicações.
a5) Nefrologia;
a6) Reumatologia;
4.4 — Estágio em Farmacologia Básica
a7) Neurologia;
a8) Psiquiatria; 4.4.1 — Descrição do desempenho
a9) Hematologia Clínica; Atividade a desenvolver em Laboratório de Farmaco-
a10) Endocrinologia e Metabolismo; logia Básica.
a11) Oncologia Médica; 4.4.1.1 — Objetivos de desempenho
a12) Doenças Infecciosas;
a) Aprendizagem das técnicas experimentais fundamen-
a13) Toxicologia e substâncias de abuso;
tais, nomeadamente elaboração de curvas dose-efeito em
a14) Clínica do Idoso;
órgãos isolados e a determinação de perfis farmacodinâ-
a15) Avaliação da dor e clínica do doente terminal.
micos “in vivo”;
b) Aquisição de espírito crítico na interpretação dos
4.2 — Estágio em Pediatria
dados obtidos;
4.2.1 — Descrição do desempenho
Atividade a desenvolver na enfermaria, consulta e ur-
4.4.2 — Objetivos de conhecimento
gência geral.
4.2.1.1 — Objetivos de desempenho a) Descrever as teorias das interações fármaco-recetor
e os conceitos relacionados de agonistas, antagonistas,
a) Acompanhar e orientar o desenvolvimento normal
relação estrutura-efeito, relações dose resposta, eficácia
da criança e adolescente e das suas variantes;
e potência.
b) Executar as técnicas de diagnóstico e terapêutica
de situações de urgência/emergência, nomeadamente rea-
4.5 — Estágio em Farmacologia Clínica
nimação, punção venosa e arterial, lombar, algaliação e
4.5.1 — Farmacocinética
aplicação de vacinas
4.5.1.1 — Objetivos de desempenho
4.2.1.2 — Objetivos de conhecimento a) Utilizar princípios de farmacocinética para otimizar
a administração e o efeito dos fármacos;
a) Criança e adolescente normal: crescimento e desen-
b) Reconhecer a necessidade de uma individualização
volvimento; alimentação e nutrição; pediatria preventiva;
da terapêutica quando for necessário;
b) Adquirir conhecimentos de diagnóstico e tratamento
c) Reconhecer a importância de tomar a responsabi-
das situações que necessitam de atuação de urgência;
lidade pela repetida observação e acompanhamento do
c) Noções básicas de emergência médica, epidemiologia
doente nas enfermarias, e pelo seguimento dos voluntários
e metodologia da investigação científica.
durante a investigação clínica.
4.3 — Estágio em cuidados intensivos médicos
4.5.1.2 — Objetivos de conhecimento
4.3.1 — Descrição do desempenho
Atividade a desenvolver numa Unidade de Cuidados a) Conhecer as variáveis e os fatores que condicionam
Intensivos Polivalente. a via de administração, a absorção, o metabolismo e a
4.3.2 — Objetivos de desempenho excreção dos fármacos;
b) Conhecer os conceitos farmacocinéticos de biodispo-
a) Execução de técnicas de diagnóstico e terapêutica em
nibilidade, volume de distribuição, semivida, e depuração
doentes em cuidados intensivos, nomeadamente:
dos fármacos, e saber determinar estes parâmetros;
a1) Monitorização electrocardiográfica; c) Interpretação da concentração dos fármacos nos
a2) Monitorização clínica e laboratorial da função res- fluidos corporais, doseamento de fármacos, interação de
piratória; fármacos, medicina personalizada;
a3) Aplicação de técnicas de reanimação; d) Modelos de farmacodinamia;
a4) Cateterismo venoso central e arterial, percutâneo; e) Farmacogenética;
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f) Demonstrar conhecimentos dos métodos analíticos do Medicamento (INFARMED) e a European Medicines
comuns e suas limitações; Agency (EMA), na regulamentação dos medicamentos,
g) Demonstrar conhecimentos das boas práticas de la- assim como a respetiva regulamentação/legislação;
boratório. d) Demonstrar conhecimentos sobre a prescrição não
sujeita a receita médica, incluindo a fitoterapia.
4.5.2 — Farmacovigilância e toxicologia
4.5.2.1 — Objetivos de desempenho 4.5.4 — Ensaios clínicos e investigação
a) Antecipar (e consequentemente minimizar), detetar, 4.5.4.1 — Capacidade de realizar e interpretar estudos
gerir, relatar e analisar os eventos/efeitos adversos dos de fase precoce da ação de fármacos em humanos
medicamentos; 4.5.4.1.1 — Objetivos de desempenho
b) Utilizar os recursos impressos e eletrónicos para
identificar os eventos/efeitos adversos raros ou duvidosos; a) Escrever protocolos de ensaios clínicos e submetê-los
c) Analisar criticamente os estudos de farmacovigilância às Comissões de ética;
pós-comercialização; b) Capacidade de recrutar indivíduos para estudos e
d) Relatar adequadamente os eventos/efeitos adversos obter consentimento informado válido;
suspeitos; c) Realizar estudos de farmacodinâmica e farmacoci-
e) Gerir adequadamente os eventos/efeitos adversos nética em voluntários humanos;
comuns e graves, incluindo a anafilaxia; d) Medir os endpoints de modo fiável;
f) Aconselhar em casos de sobredosagem ou intoxicação. e) Registar a informação de modo exato;
f) Analisar os resultados incluindo a análise risco-
4.5.2.2 — Objetivos de conhecimento -benefício e determinar a dose para os estudos de fase III;
a) Conhecer os mecanismos pelos quais os medicamen- g) Identificar, rever e analisar a literatura relevante;
tos provocam efeitos adversos; h) Preparar artigos para publicação;
b) Compreender como os efeitos adversos são identi- i) Comunicar com coautores e acordar um manuscrito
ficados; final para publicação;
c) Conhecer a classificação dos efeitos adversos; j) Demonstrar capacidade de comunicação na apresen-
d) Saber como gerir adequadamente os efeitos adversos tação efetiva de um artigo em reuniões científicas.
suspeitos;
e) Conhecer os mecanismos de ação dos venenos impor- 4.5.4.1.2 — Objetivos de conhecimento
tantes, incluindo medicamentos tomados acidentalmente
ou deliberadamente em hiperdosagem; a) Compreender os significados de surrogate endpoints,
f) Conhecer as estratégias de abordagem dos doentes tolerabilidade, e efeitos adversos;
intoxicados, incluindo a proteção do pessoal e de outros b) Demonstrar conhecimento dos princípios dos estudos
doentes, a descontaminação, a ressuscitação, a monitori- “primeiro em homem”.
zação e os antídotos.
4.5.4.2 — Desenhar ensaios clínicos, incluindo estudos
4.5.3 — Assessoria Terapêutica de fase III, e contribuir para a sua execução e disseminação
4.5.3.1 — Objetivos de desempenho 4.5.4.2.1 — Objetivos de desempenho
a) Utilizar racionalmente e de modo custo-efetivo os a) Selecionar um desenho de um ensaio adequado à
fármacos;
questão de investigação;
b) Avaliar e propor guidelines/recomendações sobre a
utilização de medicamentos no contexto das comissões de b) Justificar uma proposta de investigação em termos
farmácia e medicamentos; compreensíveis pelos membros leigos de uma Comissão
c) Desenvolver políticas de prescrição, formulários e de Ética;
guidelines/recomendações; c) Capacidade de recrutar indivíduos para a investigação;
d) Submeter novos medicamentos às comissões de for- d) Selecionar potenciais indivíduos por critério de in-
mulário de medicamentos; clusão/exclusão;
e) Comunicar com os colegas profissionais de saúde e e) Obter consentimento informado válido;
as comissões de farmácia e medicamentos; f) Realizar e ou supervisar avaliações clínicas;
f) Selecionar racionalmente os fármacos e a posologia g) Manter registos segundo os critérios requeridos pelas
com base em fatores individuais; boas práticas clínicas;
g) Auditar a utilização de medicamentos. h) Contribuir para a escrita de artigos e relatar resultados
em reuniões através de apresentações orais e em painel;
4.5.3.2 — Objetivos do conhecimento
a) Demonstrar conhecimento dos mecanismos de ação e 4.5.4.2.2 — Objetivos de conhecimento
dos modos de utilização dos fármacos terapêuticos comuns;
b) Demonstrar conhecimentos das causas de variação a) Descrever os diferentes desenhos dos ensaios clínicos;
individual incluindo as relacionadas com a genética, a b) Demonstrar conhecimentos sobre os princípios da
idade, o género (incluindo a gravidez e a lactação), a coe- experimentação controlada, aleatorizada, em anonimato
xistência de doença hepática, renal e outras patologias e e o uso de placebo;
ainda as interações benéficas e adversas; c) Demonstrar conhecimentos de boa prática clínica;
c) Conhecer as funções das autoridades nacionais e d) Descrever princípios da ética subjacente à investiga-
europeias, incluindo o Instituto Nacional da Farmácia ção no Homem, incluindo deveres, direitos e utilitarismo.
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4.5.4.3 — Selecionar prospetivamente métodos estatísti- b) Descrever o papel da indústria farmacêutica na per-
cos para experiências planeadas (incluindo ensaios clínicos), ceção pública da utilização dos fármacos;
realizar a análise, e interpretar os resultados estatísticos c) Explicar o regime de autorização de introdução
4.5.4.3.1 — Objetivos de desempenho no mercado, de autorização de venda ao público, de
a) Dialogar com os estaticistas durante a fase de planea- comparticipação e de avaliação prévia de medicamen-
mento dos estudos experimentais; tos, assim como conhecer a legislação que regula estes
b) Interpretar os valores de probabilidade e os intervalos fatores;
de confiança (IC), incluindo as diferenças dos IC nos casos d) Explicar o papel dos grupos locais (comissões de
de ensaios negativos; farmácia e terapêutica e comissões de formulários) na de-
c) Explicar o significado biológico dos ensaios de não- finição da disponibilidade dos medicamentos no contexto
-inferioridade; da saúde local.
d) Explicar a redução do risco relativo versus absoluto;
e) Utilizar programas de software estatístico. 4.5.4.6 — Compreender os princípios éticos da investi-
gação e contribuir para assegurar os critérios de procedi-
4.5.4.3.2 — Objetivos de conhecimento mentos da ética da investigação em seres humanos.
4.5.4.6.1 — Objetivos de desempenho
a) Descrever os testes paramétricos e não-paramétricos,
incluindo qui-quadrado, testes t, ANOVA, correção de a) Analisar requerimentos e outros documentos subme-
Bonferoni, mínimos quadrados, e regressão de Spearman; tidos a uma Comissão de Ética;
b) Analisar criticamente os prós e contra da análise b) Solicitar questões pertinentes aos requerentes e cole-
sequencial. gas membros da Comissão de Ética incluindo especialistas
como advogados e estaticistas.
4.5.4.4 — Avaliar de modo crítico a literatura relevante
para a Farmacologia Clínica, incluindo a farmacologia 4.5.4.6.2 — Objetivos de conhecimento
básica, a toxicologia, ensaios clínicos de fase I, II, III e
IV e meta-análises. a) Identificar os princípios éticos da investigação em
4.5.4.4.1 — Objetivos de desempenho seres humanos;
b) Compreender como as decisões são tomadas quando
a) Analisar criticamente artigos em relação ao racional, há conflito entre os princípios éticos;
à irrefutabilidade, ao desenho experimental, aos métodos c) Justificar a constituição/formação das Comissões de
analíticos, às potenciais fontes de enviesamento, ao con- Ética;
flito de interesses, à discussão adequada e à validade de d) Conhecer as orientações internacionais sobre a
conclusões; investigação ética em seres humanos (ex. Declaração de
b) Utilizar bases de dados de pesquisa eletrónica Helsinki e guidelines da Conferência de Harmonização
(ex. Medline, Embase, Toxbase, Cochrane); Internacional);
c) Respeitar os princípios éticos subjacentes à revisão e) Conhecer o enquadramento legal das comissões de
interpares (peer-review); ética na Europa e em Portugal.
d) Analisar criticamente a promoção/publicidade feita
aos medicamentos; 4.6 — Estágios opcionais
e) Comunicar efetivamente em journal clubs e reuniões Os objetivos de desempenho e conhecimento dos está-
de auditoria de comissões de farmácia e terapêutica.
gios opcionais destinam-se a complementar ou aprofundar
conhecimentos e desempenho obtidos nos diferentes está-
4.5.4.4.2 — Objetivos de conhecimento
gios parcelares de acordo com as preferências do médico
a) Demonstrar conhecimentos de farmacologia básica interno.
e de medicina clínica; 5 — Avaliação
b) Demonstrar conhecimentos de epidemiologia, no- 5.1 — A avaliação é feita de acordo com o estabelecido
meadamente os relacionados com desenho de estudos, no Regulamento do Internato Médico, que define os prin-
interpretação de literatura biomédica, medição de efeitos, cípios, as metodologias e os tempos da avaliação contínua
vieses e fatores de confundimento. (desempenho e conhecimento) e a avaliação final.
5.2 — O Regulamento do Internato Médico remete os
4.5.4.5 — Descrever e influenciar determinantes do desenvolvimentos ou especializações de algumas matérias
modelo de utilização de medicamentos nas populações. para o programa de formação. Assim:
4.5.4.5.1 — Objetivos de desempenho 5.2.1 — Avaliação dos estágios
a) Interagir com os meios de comunicação social assim 5.2.1.1 — Avaliação de desempenho (desempenho in-
como com as comissões reguladoras da utilização dos dividual)
medicamentos; 5.2.1.1.1 — Os parâmetros a considerar na avaliação do
b) Contribuir para a educação pública na utilização dos desempenho terão as seguintes ponderações:
medicamentos. a) Capacidade de execução técnica — ponderação 1;
b) Interesse pela valorização profissional — ponderação 2;
4.5.4.5.2 — Objetivos de conhecimento c) Responsabilidade profissional — ponderação 1;
a) Demonstrar conhecimento dos fatores que afetam a d) Relações humanas no trabalho — ponderação 1;
perceção pública dos medicamentos e a sua utilização no e) Apresentação e defesa pública, na instituição ou no
tratamento e prevenção das doenças, incluindo os efeitos exterior, de trabalho clínico e ou publicações — ponde-
da comunicação social na sua utilização; ração 1.
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5.2.1.1.2 — As informações qualitativas de estágios seguir e de que constam os elementos a valorizar e as
opcionais, designadamente no estrangeiro, poderão ser respetivas ponderações:
convertidas em classificações quantitativas no processo
Ponderação
de avaliação contínua de Farmacologia Clínica do ano a Elementos a valorizar
(%)
que respeitam.
5.2.1.2 — Avaliação de conhecimentos Descrição e análise da evolução da formação ao longo do
5.2.1.2.1 — A avaliação de conhecimentos é contínua internato, com incidência sobre os registos de avaliação
e formaliza-se com uma prova anual, a qual consiste de: contínua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
Descrição e análise do contributo do trabalho do candidato
a) Apreciação do relatório de atividades e trabalhos para os serviços e funcionamento dos mesmos . . . . . . . 05
Frequência e classificação de cursos cujo programa de for-
produzidos pelo médico interno; mação seja de interesse para a área profissional . . . . . . 05
b) Discussão das matérias estabelecidas como objetivos Trabalhos publicados no âmbito dos serviços e da área pro-
de conhecimentos para o estágio ou período de estágio; fissional de especialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Trabalhos comunicados no âmbito dos serviços e da área
c) Prova prática com observação de um doente, elabo- profissional de especialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
ração da história clínica e sua discussão. Participação, dentro da área de especialização, na formação
de outros profissionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05
5.2.1.2.2 — A avaliação quantitativa dos estágios opcio- Programas doutorais e/ou de investigação clínica . . . . . . . 15
nais fará média ponderada com a nota obtida na avaliação
5.2.2.4 — A prova prática consta da observação de um
de conhecimentos referente ao ano respetivo.
doente, elaboração da história clínica e sua discussão.
5.2.2 — Avaliação final do internato 5.2.2.5 — A prova teórica reveste a forma oral.
5.2.2.1 — As provas de avaliação final e a composição 5.2.2.6 — A classificação da avaliação final resulta da
do júri nacional obedecem ao disposto no Regulamento média aritmética das classificações obtidas nas provas
do Internato Médico: curricular, prática e teórica.
5.2.2.2 — A avaliação final consta de três provas pú- 6 — Aplicabilidade
blicas: discussão curricular, prova prática e prova teórica. 6.1 — O presente programa entra em vigor no dia 1 de
5.2.2.3 — A classificação da prova de discussão cur- janeiro de 2015 e aplica-se apenas aos médicos Internos
ricular é fundamentada no suporte que se apresenta a que iniciam a formação específica a partir dessa data.
6076-(8) Diário da República, 1.ª série — N.º 240 — 12 de dezembro de 2014
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