Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 224/2025/1
- Data
- 2025-05-16
- Tipo
- Portaria
Sumário
Aprova o plano de gestão da Zona Especial de Conservação (ZEC) Cabrela (PTCON0033)
Texto integral (5157 palavras)
Portaria n.º 224/2025/1
1 — O plano de gestão da ZEC Cabrela identifica os tipos de habitat naturais e seminaturais e as
espécies da flora e fauna selvagens com presença significativa na ZEC Cabrela e adota medidas e ações
complementares de conservação.
2 — O plano de gestão da ZEC Cabrela deve ser aplicado em conjunto e simultaneamente com
o Decreto Regulamentar n.º 1/2020, de 16 de março, e com o Decreto-Lei n.º 75/2025, de 7 de maio,
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que fixou os objetivos específicos para a sua conservação e estabeleceu as medidas de conservação
de natureza regulamentar necessárias para atingir esses objetivos.
Artigo 3.º
Entrada em vigor
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
O Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em 12 de maio de 2025. — A Minis-
tra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em 9 de maio de 2025. — O Ministro da Agricultura
e Pescas, José Manuel Fernandes, em 10 de maio de 2025.
ANEXO
(a que se refere o artigo 1.º)
Plano de Gestão da ZEC Cabrela (PTCON0033)
LOCALIZAÇÃO
A ZEC Cabrela, com uma área total aproximada de 56 544 ha, localiza-se nos concelhos de Alcácer
do Sal, Montemor-o-Novo e Viana do Alentejo, conforme se apresenta no quadro n.º 1. A sua localização
encontra-se representada cartograficamente na
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Figura 1, estando os seus limites disponíveis no geocatálogo da Autoridade Nacional da Conservação da Natureza e Bio-
diversidade.
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QUADRO N.º 1 — Unidades territoriais abrangidas pela ZEC Cabrela
Unidade territorial (UT) Área da ZEC na UT Proporção da UT ocupada pela área da ZEC Proporção da área da ZEC na UT
Alcácer do Sal 25 258 ha 17 % 45 %
Montemor-o-Novo 18 966 ha 15 % 34 %
Viana do Alentejo 12 320 ha 31 % 22 %
(Fonte: CAOP 2019)
Figura 1 — Enquadramento territorial da ZEC Cabrela
(Fonte: CAOP 2019 — DGT)
CARACTERIZAÇÃO
A ZEC Cabrela apresenta um uso e ocupação do solo que revela um território algo heterogéneo,
onde as áreas florestais e agrícolas representam, conjuntamente, mais de 80 % de toda a área. Neste
contexto, destaca-se o mosaico agroflorestal, que ocupa mais de um terço da área ZEC (37 %), e cuja
componente arbórea é, na maioria dos casos, composta por azinheira e/ou sobreiro. De facto, este
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mosaico evidencia um padrão de distribuição bem difundido na região, intercalando-se com as demais
«malhas» de ocupação.
As áreas florestais contínuas são também uma mancha importante da região na medida em que
representam quase 30 % do território. Mais de metade desta fração é composta por floresta de folhosas
autóctones que se distribuem um pouco por toda a ZEC. Na região, as florestas com espécies resinosas
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(7,23 %) e alóctones (5,42 %) normalmente encontram-se associadas. Evidenciam padrões de distri-
buição similares às florestas anteriores, mas tendem a concentrar-se na extremidade oeste da ZEC.
Os prados e pastagens ocupam também uma importante porção territorial (mais de 16 %). Apresen-
tam um padrão de distribuição fragmentado e disperso ao longo da ZEC, embora com maior incidência
no extremo sudeste, junto à albufeira do Pego do Altar.
As áreas agrícolas, individualizadas ou em mosaico com manchas florestais, representam a segunda
categoria mais importante de ocupação de solo, e são normalmente contíguas a prados e pastagens.
As suas diferentes culturas (e. g. culturas de sequeiro e regadio, olivais e arrozais) são também uma
importante marca da região, distribuindo-se de modo mais expressivo ao longo do flanco oeste da ZEC.
Podem ocorrer na vizinhança de áreas florestais, de matos e matagais, de prados e pastagens ou de
corpos de água. Um pouco à semelhança das áreas agrícolas, os matos e matagais podem ocorrer na
vizinhança de diferentes tipos de manchas de ocupação de superfície; no entanto, a sua representati-
vidade é bem mais modesta (1 %).
No que concerne às massas de água superficiais, destaca-se a Barragem do Pego do Altar,
abastecida, essencialmente, pela ribeira das Alcáçovas e pela ribeira de Remourinho, e a Barragem da
Venda Nova (Sado), alimentada por uma linha de água afluente da ribeira de São Martinho. Para além
destas, verifica-se ainda, na ZEC, a existência de um grande número de represas e charcas agrícolas,
com o objetivo de suprir as necessidades de rega existentes, fazendo com que a área correspondente
a massas de água superficiais na ZEC represente 2,45 % da sua área total.
Na ZEC Cabrela predominam as áreas de montado de azinho (Quercus rotundifolia) e de sobro
(Q. suber) em que no sobcoberto se podem encontrar arrelvados sujeitos a pastoreio, com comuni-
dades dominadas por gramíneas anuais e/ou perenes. Estas áreas são entrecortadas por vales cujas
encostas, quando de carácter xérico e acentuado declive, exibem medronhais (Arbutus unedo), azinhais
e sobreirais. Recentemente descoberto, também se destaca um azinhal-zimbral (configurando o tipo
de habitat 9560), muito raro nesta zona do País.
Nas linhas de água é frequente a presença de vegetação flutuante com ranúnculos e de galerias
ripícolas, em estado de conservação variável. Os tamargais, em razoável estado de conservação, ocor-
rem sobretudo nalguns troços das ribeiras de São Cristóvão e Alcáçovas.
Ao nível da flora, destaca-se a presença do raro jacinto (Hyacinthoides vicentina), que ocorre nas
clareiras de matos e em pousios com encharcamento temporário.
O micromosaico, formado por clareiras de matos, relvados, e algum uso agrícola em moldes
extensivos, favorece a presença do rato-de-cabrera (Microtus cabrerae). Este sítio é também impor-
tante para algumas espécies da ictiofauna de água doce, nomeadamente para a boga-portuguesa
(Iberochondrostoma lusitanicum).
Sítio de ocorrência histórica de lince-ibérico (Lynx pardinus) e que mantém características poten-
cialmente adequadas para a sua presença ou suscetíveis de serem otimizadas, de forma a promover
a recuperação da espécie ou permitir a sua reintrodução a médio/longo prazo, em iniciativas coordenadas
com as que se venham a desenvolver nos demais territórios e ZEC alvos do plano de ação da espécie.
VALORES NATURAIS
Na ZEC Cabrela ocorrem com presença significativa 17 tipos de habitats (quadro n.º 2) e 13 espé-
cies da flora e da fauna (quadro n.º 3), dos anexos i e ii da Diretiva Habitats, respetivamente.
A ZEC assume especial relevância para a conservação de 10 tipos de habitat, uma espécie da flora
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e 8 espécies da fauna, valores que constituem prioridades de conservação e para os quais se impõem
medidas de gestão mais urgentes (valores alvo assinalados a negrito e com um # nos quadros n.os 2 e 3).
Apesar de o lince-ibérico não ter ocorrência na ZEC, foi igualmente incluído no elenco de valores
alvo devido à ocorrência histórica da espécie neste território e à relevância do habitat potencial aí
existente em condições consideradas boas para a fixação da espécie.
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QUADRO N.º 2 — Tipos de habitat do anexo i da Diretiva Habitats com presença significativa na ZEC
Código Habitat
3130 Águas paradas, oligotróficas a mesotróficas, com vegetação da Littorelletea uniflorae e/ou da Isoëto-Nanojuncetea
3140 Águas oligomesotróficas calcárias com vegetação bêntica de Chara spp.
3150 Lagos eutróficos naturais com vegetação da Magnopotamion ou da Hydrocharition
3170 # Charcos temporários mediterrânicos
3260 Cursos de água dos pisos basal a montano com vegetação da Ranunculion fluitantis e da Callitricho-Batrachion
4030 Charnecas secas europeias
5210 # Matagais arborescentes de Juniperus spp.
5330 Matos termomediterrânicos pré-desérticos
6220 # Subestepes de gramíneas e anuais da Thero-Brachypodietea
6310 # Montados de Quercus spp. de folha perene
6420 Pradarias húmidas mediterrânicas de ervas altas da Molinio-Holoschoenion
91E0 # Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)
92A0 # Florestas-galerias de Salix alba e Populus alba
92D0 # Galerias e matos ribeirinhos meridionais (Nerio-Tamaricetea e Securinegion tinctoriae)
9330 # Florestas de Quercus suber
9340 # Florestas de Quercus ilex e Quercus rotundifolia
9560 # Florestas endémicas de Juniperus spp.
QUADRO N.º 3 — Espécies de flora e fauna do anexo ii da Diretiva Habitats
com presença significativa na ZEC
Código Grupo Espécie
1573 PL Euphorbia transtagana
1888 PL # Festuca duriotagana
1851 PL # Hyacinthoides vicentina
1660 PL Myosotis lusitanica
1434 PL Salix salvifolia subsp. australis
1051 I # Apteromantis aptera
1088 I # Cerambyx cerdo
6151 P # Iberochondrostoma lusitanicum (sin. Chondrostoma lusitanicum)
5302 P # Cobitis paludica (sin. Cobitis taenia)
6975 P Squalius alburnoides (sin. Rutilus alburnoides)
1221 R Mauremys leprosa
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1355 M Lutra lutra
1338 M # Microtus cabrerae
1362 M # Lynx pardinus
Grupo: PL — Planta; I — Invertebrado; P — Peixe; R — Réptil; M — Mamífero
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OBJETIVOS DE CONSERVAÇÃO
Os objetivos de conservação para os valores alvo são identificados no quadro n.º 4 e constituem
o quadro de referência das medidas de conservação definidas para a gestão da ZEC. São ainda iden-
tificadas as metas a atingir no período de vigência do plano e os respetivos indicadores de resultado.
Para os restantes valores naturais estabelece-se como objetivo de conservação a manutenção
da condição ecológica que estes valores apresentam atualmente na ZEC.
Considerando o grau de desconhecimento existente da condição ecológica de Apteromantis aptera
e Cerambyx cerdo nesta área classificada, para estas espécies não são identificados objetivos de con-
servação para a gestão da ZEC, sendo certo, no entanto, que as mesmas beneficiarão das medidas de
conservação a adotar na conservação dos restantes valores associados aos biótopos preferencialmente
utilizados por elas. O plano identifica uma medida de conservação complementar visando colmatar as
lacunas de conhecimento de forma a permitir futuramente a definição dos objetivos de conservação
para estas duas espécies.
A integridade ecológica da ZEC fica, deste modo, enquadrada pelo conjunto dos objetivos de con-
servação definidos, cuja prossecução permitirá contribuir para os objetivos da Diretiva Habitats, ou seja,
assegurar a biodiversidade através da manutenção ou restabelecimento do estado de conservação favo-
rável dos tipos de habitats e das espécies presentes nos sítios e para a coerência da rede Natura 2000.
QUADRO N.º 4 — Objetivos de conservação para a gestão da ZEC
Tipos de habitat e espécies da flora e da fauna ripícolas e higrófilos e da fauna aquática
Objetivos de conservação Indicadores Metas
1. Melhorar o grau de conservação • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções con-
e inverter a tendência de declínio do estrutura bem conser- servadas, através da melhoria do grau de conservação de:
habitat 3170 — Charcos temporários vada (ha)
mediterrânicos • Áreas de habitat em condição ecológica média ou redu-
zida ou através da recuperação de áreas degradadas não
classificadas;
• Áreas com potencial para ocupação do habitat (e. g. áreas
da ZEC com os tipos de habitat 3130, 3140 ou 3150)
2. Manter o grau de conservação do habi- • Área de habitat com • Manter área de habitat na atual condição ecológica
tat 91E0 — Florestas aluviais de Alnus estrutura bem conser-
glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Pa- vada (ha)
dion, Alnion incanae, Salicion albae)
3. Manter o grau de conservação do habi- • Área de habitat com • Manter área de habitat na atual condição ecológica
tat 92A0 — Florestas-galeria de Salix alba estrutura bem conser-
e Populus alba vada (ha)
4. Manter o grau de conservação do habi- • Área de habitat com • Manter área de habitat na atual condição ecológica
tat 92D0 — Galerias e matos ribeirinhos estrutura bem conser-
meridionais (Nerio-Tamaricetea e vada (ha)
Securinegion tinctoriae)
5. Manter o grau de conservação de Fes- • Expressão linear de • Manter a expressão linear de ocorrência da espécie
tuca duriotagana ocorrência da espécie
• Manter a densidade populacional
• Densidade populacional
6. Melhorar o grau de conservação do • Extensão do habitat com • Aumentar a extensão linear do habitat
habitat de Cobitis paludica e Iberochon- qualidade ecológica
drostoma lusitanicum • Tendência de aumento da população
• Tendência populacional
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7. Melhorar o grau de conservação do • Número de quadrículas • Aumentar o número de quadrículas 1 × 1 km ocupadas
habitat de Microtus cabrerae 1 × 1 km ocupadas pela pela espécie
espécie
• Aumentar o número de colónias e/ou a densidade popu-
• Densidade populacional lacional (a definir no âmbito do programa de acompanha-
e/ou de colónias mento)
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Tipos de habitat e espécies de montados e outras pastagens
Objetivos de conservação Indicadores Metas
1. Melhorar o grau de conservação • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções conser-
e inverter a tendência de declínio do estrutura bem conser- vadas, através da melhoria do grau de conservação das áreas
habitat 6220 — Subestepes de gramíneas vada (ha) de habitat com conservação média ou reduzida [e. g. grau de
e anuais da Thero-Brachypodietea conservação C, na cartografia de habitats naturais de ICNF
(2020)], priorizando a conservação do subtipo pt2 — Malhadais
2. Melhorar o grau de conservação • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções conserva-
e inverter a tendência de declínio do habi- estrutura bem conser- das, através da melhoria do grau de conservação das áreas de
tat 6310 — Montados de Quercus spp. de vada (ha) habitat com conservação média ou reduzida [e. g. grau de con-
folha perene servação C, na cartografia de habitats naturais de ICNF (2020)]
3. Manter o grau de conservação e parar • Número de quadrículas • Manter o número de quadrículas 1 x 1 km ocupadas pela
a tendência de declínio de Hyacinthoides 1 × 1 km ocupadas pela espécie
vicentina espécie
• Manter a densidade populacional
• Densidade populacional
Tipos de habitat e espécies de fauna de bosques
Objetivos de conservação Indicadores Metas
1. Melhorar o grau de conservação do • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções con-
habitat 9330 — Florestas de Quercus estrutura bem conser- servadas, através de:
suber vada (ha)
• Melhoria do grau de conservação das áreas de habitat em
condição ecológica reduzida;
• Sucessão natural de áreas de montado que estejam ou
possam vir a estar abandonadas, designadamente na envol-
vente do habitat 9330
2. Melhorar o grau de conservação do • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções con-
habitat 9340 — Florestas de Quercus ilex estrutura bem conser- servadas, através de:
e Quercus rotundifolia vada (ha)
• Melhoria do grau de conservação das áreas de habitat em
condição ecológica reduzida;
• Sucessão natural de áreas de montado que estejam ou
possam vir a estar abandonadas, designadamente na envol-
vente do habitat 9340
3. Melhorar o grau de conservação do • Área de habitat com • Aumentar a área de habitat com estrutura e funções con-
habitat 9560 — Florestas endémicas de estrutura bem conser- servadas, através da melhoria do grau de conservação das
Juniperus spp. vada (ha) áreas de habitat com condição ecológica média ou reduzida
Matagais
Objetivos de conservação Indicadores Metas
1. Manter o grau de conservação do habi- • Área de habitat com • Manter a área de habitat na atual condição ecológica
tat 5210 — Matagais arborescentes de estrutura bem conser-
Juniperus spp. vada (ha)
Lince-ibérico
Objetivos de conservação Indicadores Metas
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1. Melhorar o potencial de ocorrência de • Número de coelhos por • Dois ou mais coelhos por hectare
Lynx pardinus hectare
• Aumentar a área de habitat adequado de abrigo, reprodu-
• Área de habitat ade- ção e dispersão para a espécie
quado de abrigo, repro-
dução e dispersão para
a espécie (ha)
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MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
O Plano de Gestão identifica as medidas de conservação complementares às previstas no Decre-
to-Lei n.º 75/2025, de 7 de maio, que visam dar resposta às exigências ecológicas dos valores com
prioridade em termos de conservação (valores alvo), definidas em função da condição destes e dos
condicionamentos e contextos de ordem legal, social, organizacional, económica e financeira.
As medidas de conservação complementares estabelecidas para a gestão da ZEC Cabrela e res-
petivo quadro operacional estão identificados no quadro n.º 5, com a definição dos indicadores de
realização, as respetivas metas, as entidades envolvidas na execução e a calendarização.
A informação relevante para a execução das medidas de conservação complementares é apre-
sentada de forma detalhada nas «Fichas das Medidas de Conservação Complementares».
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QUADRO N.º 5 — Quadro operacional das medidas de conservação complementares
Calendarização
Medida de conservação Relevância * Indicador de realização Meta Entidade responsável Entidades envolvidas
Início Fim
MC1. Promover a gestão sustentável 1 Proporção de área contratualizada 50 % da área elegível ICNF Autoridade de gestão do PEPAC Ano 1 Ano 10
dos prados e pastagens e das áreas
de ocorrência de montados. GPP Proprietários, agricultores e gestores florestais
CCDR/Agri Organizações de produtores e associações de
produtores florestais
MC2. Promover a proteção de flo- 1 Proporção de área contratualizada 50 % da área elegível ICNF Autoridade de gestão do PEPAC Ano 1 Ano 10
restas de sobreiro e azinheira e de
matagais. GPP Proprietários, agricultores e gestores florestais
CCDR/Agri Organizações de produtores e associações de
produtores florestais
MC3. Prevenir e gerir as pragas 2 Data de elaboração do estudo Ano 3 da implementação ICNF Gestores florestais Ano 1 Ano 3
e doenças do sobreiro, azinheira do Plano de Gestão
e amieiro. Associações de produtores florestais
Associações de desenvolvimento local
Centros de investigação
MC4. Restabelecer o ecossistema 2 Data de elaboração do estudo Ano 3 da implementação APA Autoridade de gestão do PEPAC Ano 1 Ano 10
fluvial e ribeirinho. do Plano de Gestão
GPP CCDR/Agri
Proporção das estruturas de génese infor- 100 %
ICNF Municípios
mal e ilegal ou abandonadas eliminadas
Proporção de refúgios estivais criados 100 % das linhas de água
em relação às linhas de água com valores
MC5. Elaborar e implementar o Plano 2 Data de elaboração do Plano Ano 2 da implementação ICNF Centros de investigação Ano 1 Ano 10
Global de Gestão Cinegética para as do Plano de Gestão
populações de presas selvagens de CCDR/Agri Organizações do setor da caça, entidades ges-
lince-ibérico na ZEC e envolvente. Data do início da implementação do Plano Ano 4 da implementação toras de zonas de caça, proprietários ONGA
do Plano de Gestão
MC6. Prevenir, intervir precocemente 2 Data de elaboração do plano de controlo Ano 2 da implementação ICNF Autoridade de gestão do PEPAC Ano 1 Ano 10
ou gerir/controlar as populações do Plano de Gestão
CCDR/Agri Organizações de produtores florestais
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e povoamentos de espécies (flora
e fauna) exóticas invasoras. Proporção das áreas prioritárias interven- 50 % das áreas Municípios Proprietários
cionadas prioritárias
Centros de investigação
ONGA
Entidades gestoras de AIGP
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Calendarização
Medida de conservação Relevância * Indicador de realização Meta Entidade responsável Entidades envolvidas
Início Fim
MC7. Avaliar a permeabilidade das 2 Data de elaboração do estudo de avaliação Ano 2 da implementação ICNF Infraestruturas de Portugal, I. P. Ano 1 Ano 10
infraestruturas viárias existentes (diagnóstico) do Plano de Gestão
na ZEC e sua envolvente e identi- Municípios Centros de investigação
ficar medidas a implementar nos Proporção de áreas prioritárias interven- 100 %
pontos que estão a comprometer cionadas
a conectividade e nos pontos crí-
ticos de ocorrência de atropela-
mentos.
MC8. Adaptar o planeamento 2 1 — Proporção de planos/programas 100 % ICNF CCDR Ano 1 Ano 10
e a operacionalização da gestão adaptados e incluindo diretrizes de sal-
integrada dos fogos rurais à salva- vaguarda Comissões regionais, sub-regionais Proprietários
guarda dos valores naturais prote- e municipais de gestão integrada
2 — Proporção de planos de recuperação de fogos rurais (CMGIFR) Organizações de produtores florestais
gidos.
pós-incêndio com medidas orientadas Empresas
para o restauro e salvaguarda dos valores Comunidades intermunicipais
naturais protegidos APA Comissões Intermunicipais
MC9. Reforçar a fiscalização. 2 Número de ações de fiscalização por ano 24 ações ICNF SEPNA/GNR Ano 1 Ano 10
(2 ações por mês)
APA PSP
Entidades gestoras e proprietários Municípios
MC10. Promover a partilha de infor- 2 Data da criação de conteúdos digitais Ano 5 da implementação ICNF CCDR Ano 1 Ano 10
mação, formar e apoiar os gesto- do plano de gestão
res agrícolas e agroflorestais para GPP Turismo do Alentejo Escolas
a conservação dos valores naturais Número de iniciativas Uma iniciativa por ano CCDR/Agri Associações de desenvolvimento local
da ZEC.
Organizações de produtores e de Associações de pesca desportiva
Número de intervenções/estruturas de Uma estrutura no ano 3 da
gestores florestais
aconselhamento agrícola e florestal para implementação do Plano Centros de investigação
aplicação das medidas de conservação de Gestão. Organizações do setor da caça
ONGA
Uma iniciativa por cada Municípios
período de candidatura
a apoios agro- ou sil-
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voambientais
MC11. Colmatar as lacunas de 2 Data de conclusão do estudo Ano 4 da implementação ICNF Centros de investigação Ano 1 Ano 4
conhecimento sobre a condição do Plano de Gestão
ecológica de Apteromantis aptera ONGA
e Cerambyx cerdo na ZEC. Setor privado
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Calendarização
Medida de conservação Relevância * Indicador de realização Meta Entidade responsável Entidades envolvidas
Início Fim
MC12. Colmatar as lacunas de 2 Data de conclusão do estudo Ano 4 da implementação ICNF Centros de investigação Ano 1 Ano 4
informação sobre os tipos de habi- do Plano de Gestão
tat higrófilos. ONGA
Setor privado
MC13. Estabelecer e consolidar os 3 Quadro de densificação dos objetivos de Quadros aprovados ICNF GPP Ano 1 Ano 2
critérios e parâmetros de quantifi- conservação, indicadores e metas pela(s) entidade(s) res-
cação e avaliação dos objetivos de ponsável(eis) pelo Plano Alentejo 2030
conservação e os recursos necessá- Quadro de estimativa preliminar dos recur- de Gestão até ao final do
rios para a execução das medidas de sos financeiros, humanos e técnicos para 2.º ano de execução do
conservação. os primeiros cinco anos de execução do Plano
Plano
* O campo relevância representa a importância relativa de cada uma das medidas de conservação e encontra-se classificado da seguinte forma: 1 — Muito elevada; 2 — Elevada; 3 — Média.
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MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO REGULAMENTARES
O Plano de Gestão aplica-se complementarmente a um conjunto de medidas de natureza regu-
lamentar e preventiva, identificadas e operacionalizadas no Decreto-Lei n.º 75/2025, de 7 de maio.
VIGÊNCIA DO PLANO DE GESTÃO
O Plano de Gestão terá uma vigência de 10 anos.
ACOMPANHAMENTO
A execução do Plano de Gestão é objeto de acompanhamento continuado ao longo do seu período
de vigência.
O acompanhamento é coordenado pelo ICNF com a participação das autoridades corresponsáveis
em razão da matéria, das administrações central e local, das entidades representativas dos agentes
e operadores dos setores económico, social, da sociedade civil e dos proprietários, relevantes para
a prossecução dos objetivos do Plano.
Será efetuada uma avaliação intercalar ao quinto ano de vigência do Plano, a qual incluirá o ponto
de situação intermédio da execução das medidas, um balanço das medidas concluídas, das medidas
em curso e das medidas não iniciadas. Da análise da realização intermédia atingida face às metas
estabelecidas para a medida, a entidade responsável pelo acompanhamento do Plano de Gestão deverá
decidir sobre as alterações necessárias no Plano de Gestão, num quadro de articulação institucional,
a propor às respetivas tutelas. Caso seja necessário, deverá ser elaborada uma versão revista das
fichas das medidas de conservação.
No final do seu período de vigência, a eficácia do Plano de Gestão deve ser avaliada num exercício
de análise cruzada entre o grau de execução das medidas de conservação e a evolução da condição
dos valores alvo. Para esta avaliação relacionam-se os resultados finais da execução das medidas
(através dos indicadores de realização) e do cumprimento dos objetivos de conservação (através dos
indicadores de resultado). O relatório desta avaliação final deverá também incluir a análise da evolução
dos fatores externos com eventual impacto na gestão da ZEC (por exemplo, das pressões e atividades
mais relevantes, das condicionantes legais e dos instrumentos de financiamento das medidas de con-
servação), a descrição da análise efetuada no período em causa para a evolução dos indicadores de
realização, a descrição das alterações intercalares efetuadas e respetiva fundamentação, e as propostas
de alteração do Plano de Gestão.
A aferição dos indicadores de resultado decorrerá dos procedimentos correntes de monitorização
da Rede Natura 2000 a que o Estado Português está obrigado no âmbito da implementação da Diretiva
Habitats.
O quadro n.º 6 estabelece a correspondência entre as medidas de conservação complementares
e os objetivos de conservação para os quais concorrem, cuja avaliação final permite decidir sobre
a necessidade de manutenção/exclusão/alteração da medida no ciclo de programação seguinte. No
referido quadro são assinalados (a cinza) os campos a preencher em sede de avaliação final da imple-
mentação do Plano de Gestão.
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QUADRO N.º 6 — Modelo de matriz de avaliação final da implementação do Plano de Gestão
1. Tipos de habitat e espécies da flora e da fauna ripícolas e higrófilos e da fauna aquática
Objetivo de conservação Meta Meta alcançada Medida de conservação Indicador Realização atingida/ Grau de execução Revisão Obs.
complementar de realização meta
[Indicador de resultado] (não iniciada/em curso/concluída) (Manter/Não manter/Altera)
2. Tipos de habitat e espécies de montados e outras pastagens
Objetivo de conservação Meta Meta alcançada Medida de conservação Indicador Realização atingida/ Grau de execução Revisão Obs.
complementar de realização meta
[Indicador de resultado] (não iniciada/em curso/concluída) (Manter/Não manter/Altera)
3. Tipos de habitat e espécies de fauna de bosques
Objetivo de conservação Meta Meta alcançada Medida de conservação Indicador Realização atingida/ Grau de execução Revisão Obs.
complementar de realização meta
[Indicador de resultado] (não iniciada/em curso/concluída) (Manter/Não manter/Altera)
4. Matagais
Objetivo de conservação Meta Meta alcançada Medida de conservação Indicador Realização atingida/ Grau de execução Revisão Obs.
complementar de realização meta
[Indicador de resultado] (não iniciada/em curso/concluída) (Manter/Não manter/Altera)
5. Lince-ibérico
Objetivo de conservação Meta Meta alcançada Medida de conservação Indicador Realização atingida/ Grau de execução Revisão Obs.
complementar de realização meta
[Indicador de resultado] (não iniciada/em curso/concluída) (Manter/Não manter/Altera)
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FICHAS DE MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO COMPLEMENTARES
Fontes de Financiamento — Glossário:
PEPAC — Plano Estratégico da Política Agrícola Comum para Portugal 2023-2027 Alentejo 2030 — Pro-
grama Operacional Regional do Alentejo (FEDER)
LIFE — Instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a ação climática
PRR — Plano de Recuperação e Resiliência
I&D — Investigação e Desenvolvimento
OE — Orçamento do Estado
PNA-PNGIFR — Programa Nacional de Ação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais
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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS, AMBIENTE E ENERGIA E AGRICULTURA
E PESCAS
Portaria n.º 225/2025/1, de 16 de maio
Sumário: Aprova o plano de gestão da Zona Especial de Conservação (ZEC) Peneda/Gerês (PTCON0001).
O Decreto Regulamentar n.º 1/2020, de 16 de março, procedeu à designação como Zona Especial
de Conservação (ZEC), do Sítio de Importância Comunitária (SIC) Peneda/Gerês (PTCON0001), identifi-
cando a respetiva área e coordenadas geográficas, assim como a sua localização e limites geográficos.
O referido diploma determinou ainda que as medidas e ações complementares de conservação de
habitats e espécies são definidas em planos de gestão, a aprovar por portaria nos termos do n.º 3 do
artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, alterado pelos Decretos-Leis n.os 49/2005, de 24 de
fevereiro, e 156-A/2013, de 8 de novembro.
Posteriormente, o Decreto-Lei n.º 76/2025, de 7 de maio, completou o processo de classificação
da ZEC Peneda/Gerês, ao contemplar no respetivo plano de gestão a identificação dos tipos de habitat
naturais e seminaturais e das espécies da flora e fauna selvagens protegidos, constantes dos anexos i e ii
da Diretiva Habitats com presença significativa na sua área, e fixar, em função das características
específicas do seu território e das exigências ecológicas desses tipos de habitat e espécies, objetivos
de conservação direcionados à manutenção ou ao restabelecimento do seu estado de conservação
favorável. Com vista à prossecução dos objetivos fixados, o referido decreto-lei definiu, ainda, medidas
de conservação de natureza preventiva e regulamentar, necessárias para evitar a deterioração dos tipos
de habitat naturais e seminaturais e dos habitats das espécies protegidas e com presença significativa
na ZEC, assim como a perturbação significativa dessas espécies, as quais se tipificam em medidas de
ordenamento do território e medidas de gestão.
Neste contexto, cumpre agora aprovar o plano de gestão da ZEC Peneda/Gerês, numa abordagem
integrada que dê resposta às exigências ecológicas específicas da ZEC, procedendo à identificação
dos tipos de habitat naturais e seminaturais e das espécies da flora e fauna selvagens com presença
significativa na sua área e que justificaram o seu reconhecimento como SIC pela Comissão Europeia
e a sua subsequente classificação como ZEC, bem como adotando um conjunto de medidas e ações de
conservação complementares, designadamente medidas de gestão ativa e de suporte, conforme o dis-
posto no artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 76/2025, de 7 de maio. O plano de gestão da ZEC Peneda/Gerês
tem também por função estabelecer as prioridades de conservação da zona, identificando as espécies
e os tipos de habitat protegidos com presença significativa na ZEC em relação aos quais se impõem
medidas mais urgentes.
Assim, ao abrigo do disposto na alínea a) do n.º 3 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de
abril, na sua redação atual, do artigo 5.º do Decreto Regulamentar n.º 1/2020, de 16 de março, e do
artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 76/2025, de 7 de maio, manda o Governo, pelo Ministro Adjunto e da Coe-
são Territorial, pela Ministra do Ambiente e Energia e pelo Ministro da Agricultura e Pescas, o seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
A presente portaria aprova o plano de gestão da Zona Especial de Conservação (ZEC) Peneda/Gerês,
anexo à presente portaria e que dela faz parte integrante.
Artigo 2.º