Diário da República, 1.ª série
Lei n.º 99/2019
- Data
- 2019-09-05
- Tipo
- Lei
- Emitente
- ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Texto integral (110 791 palavras)
Lei n.º 99/2019
de 5 de setembro
Sumário: Primeira revisão do Programa Nacional da Política do Ordenamento do Território
(revoga a Lei n.º 58/2007, de 4 de setembro).
Primeira revisão do Programa Nacional da Política do Ordenamento do Território
(revoga a Lei n.º 58/2007, de 4 de setembro)
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição,
o seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
É aprovada a primeira revisão ao Programa Nacional da Política de Ordenamento do Terri-
tório, abreviadamente designado por PNPOT, aprovado pela Lei n.º 58/2007, de 4 de setembro,
cujo relatório e programa de ação são publicados em anexo à presente lei, da qual fazem parte
integrante.
Artigo 2.º
Princípios de programação e execução
1 — A elaboração de estratégias, de programas e de planos territoriais ou com incidência
territorial é condicionada pelo quadro de referência do PNPOT, nomeadamente os princípios da
coesão territorial e da competitividade externa, os desafios e opções estratégicas e o modelo ter-
ritorial constantes do relatório, bem como as medidas de política, os compromissos e as diretrizes
constantes do programa de ação.
2 — A concretização das medidas preconizadas no programa de ação é assegurada através
de financiamento público, com recurso a fundos nacionais e europeus.
3 — O PNPOT que se articula com o Plano Nacional de Investimentos (PNI), o Programa de
Valorização do Interior (PVI) e o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo (POEM) mas é fun-
cional e estruturalmente independente, constitui o referencial territorial orientador na definição da
Estratégia Portugal 2030, bem como para a elaboração do Programa Nacional de Investimentos
2030, no âmbito do qual serão concretizados os projetos estruturantes que servem de base às
opções estratégicas e modelo territorial do PNPOT e detalhada a programação operacional dos
investimentos a realizar.
Artigo 3.º
Execução do programa de ação do PNPOT
1 — Incumbe ao Governo, aos órgãos próprios das regiões autónomas, às entidades inter-
municipais e às autarquias locais o desenvolvimento e a concretização do programa de ação, de-
signadamente através da execução das medidas de política e dos compromissos e das diretrizes
constantes do mesmo.
2 — Compete ao Governo regular o modelo de governação para a execução do PNPOT, pre-
visto no seu programa de ação, através de resolução do Conselho de Ministros.
3 — O disposto nos números anteriores não prejudica as competências próprias das regiões
autónomas.
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Artigo 4.º
Acompanhamento, monitorização e avaliação do PNPOT
1 — O Governo procede às diligências necessárias a garantir o acompanhamento, a moni-
torização e a avaliação permanente e concretização do PNPOT, bem como à criação do corres-
pondente sistema de indicadores e à elaboração de um relatório sobre o estado do ordenamento
do território.
2 — A Direção-Geral do Território é responsável por constituir o Observatório do Ordenamento
do Território e Urbanismo e por reunir no Sistema Nacional de Informação Territorial (SNIT) o conjunto
da informação geográfica relativa aos instrumentos de gestão do território, contribuindo para reforçar
a eficácia do sistema de planeamento territorial e, em particular, da execução do PNPOT.
Artigo 5.º
Norma revogatória
É revogada a Lei n.º 58/2007, de 4 de setembro.
Artigo 6.º
Entrada em vigor
A presente lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Aprovada em 14 de junho de 2019.
O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.
Promulgada em 23 de julho de 2019.
Publique-se.
O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.
Referendada em 29 de julho de 2019.
Pelo Primeiro-Ministro, Augusto Ernesto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
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ANEXO
PROGRAMA NACIONAL DA POLÍTICA DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
Preâmbulo
O Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) é o instrumento de
topo do sistema de gestão territorial, define objetivos e opções estratégicas de desenvolvimento
territorial e estabelece o modelo de organização do território nacional. O PNPOT constitui-se como
o quadro de referência para os demais programas e planos territoriais e como um instrumento
orientador das estratégias com incidência territorial.
A figura do PNPOT foi criada pela Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e de
Urbanismo de 1998, com o objetivo de dotar o País de um instrumento competente pela definição
de uma visão prospetiva, completa e integrada da organização e desenvolvimento do território
e pela promoção da coordenação e articulação de políticas públicas numa base territorializada.
O primeiro PNPOT foi aprovado pela Assembleia da República, através da Lei n.º 58/2007,
de 4 de setembro, no culminar de um amplo debate sobre as questões-chave da organização e
desenvolvimento territorial do País e constituiu um marco da política de ordenamento do território,
pelo seu conteúdo, pela inovação introduzida nas abordagens territoriais e pela dinâmica gerada
na elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território. A fase final da sua elaboração
acompanhou a discussão e adoção do território como terceiro pilar da política de coesão, em
junção aos pilares económico e social, e influenciou os trabalhos de programação estratégica e
operacional do ciclo de fundos comunitários 2007-2013.
Em 2014, o PNPOT 2007 foi alvo de um exercício de avaliação, desenvolvido pela Direção-
-Geral do Território, com a colaboração da rede de pontos focais que acompanhou a elaboração do
Programa e com o recurso a consultas e entrevistas a cerca de 70 entidades públicas de diversos
setores e níveis administrativos, identificadas como responsáveis pela execução de políticas e
instrumentos de estratégia, planeamento, programação e gestão relevantes para a concretização
das orientações e diretrizes do PNPOT e a realização das medidas do programa de ação.
Em 2016, a Resolução do Conselho de Ministros n.º 44/2016, de 23 de agosto, determinou a
alteração do PNPOT 2007, tendo em particular consideração: os resultados da avaliação da execu-
ção do Programa em vigor; as orientações da Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; a crescente
importância da dimensão territorial das políticas públicas; a necessidade de dar enquadramento
territorial à programação estratégica e operacional do ciclo de fundos comunitários pós 2020; os
objetivos do Governo no domínio da valorização do território e da promoção da coesão territorial
incluindo a consideração das diversidades territoriais e a aposta no desenvolvimento do interior;
bem como os objetivos de desenvolvimento sustentável, os compromissos do acordo de Paris em
matéria de alterações climáticas e os desígnios do Programa Nacional de Reformas.
A alteração do PNPOT teve como objetivos a elaboração do novo programa de ação para
o horizonte 2030, no contexto de uma estratégia de organização e desenvolvimento territorial de
mais longo prazo suportada por uma visão para o futuro do País, que acompanha o desígnio último
de alavancar a coesão interna e a competitividade externa do nosso País e, também, o estabe-
lecimento de um sistema de operacionalização, monitorização e avaliação capaz de dinamizar
a concretização das orientações, diretrizes e medidas de politica e de promover o PNPOT como
referencial estratégico da territorialização das políticas públicas e da programação de investimentos
territoriais financiados por programas nacionais e comunitários.
Os trabalhos de alteração do PNPOT decorreram ao longo de 20 meses acompanhados por
um sistema de Pontos Focais e por uma Comissão Consultiva, tendo sido a proposta submetida
a discussão pública. Nesse período, impulsionou-se a participação e o envolvimento de todos os
atores relevantes, das esferas política e administrativa, da academia, das organizações represen-
tativas de interesses e da sociedade civil, numa ampla reflexão sobre as condicionantes, as opor-
tunidades e os desafios que se colocam ao território nacional e sobre os objetivos de ordenamento
e desenvolvimento que o País quer prosseguir, a partir de uma visão territorial informada.
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Decorrente da discussão pública, foram consideradas 107 participações – 36 contributos de
pessoas a título individual e 71 de diversas entidades (associações de municípios, municípios,
entidades da administração central, universidades, associações e organizações profissionais,
setoriais e de ambiente e uma empresa). Com vista ao alargamento do debate e da participação,
foram realizadas 9 sessões públicas em 5 cidades do continente e nas duas regiões autónomas,
que contaram com mais de 950 participantes.
O PNPOT estrutura-se em três documentos. O Diagnóstico, a Estratégia e o Modelo Territorial
e a Agenda para o Território (Programa de Ação).
RELATÓRIO
1. O Diagnóstico
No capítulo 1 contextualiza-se Portugal no Mundo considerando a dimensão e universalidade
da língua e da diáspora Portuguesa, a posição no Atlântico e o enquadramento na Europa.
No capítulo 2 procede-se a uma caracterização da Organização, das Tendências e do De-
sempenho do Território, organizado em 9 subcapítulos:
A biodiversidade, os ecossistemas que a suportam, o solo e os recursos hídricos, são
encarados como ativos estratégicos essenciais para os objetivos da coesão territorial, a nível
nacional e regional. Num quadro de alterações climáticas e sustentabilidade ambiental, são
também de realçar os impactos esperados sobre os recursos, bem como os riscos associados à
zona costeira e à ocorrência de cheias. Os espaços rurais possuem ativos com enorme potencial
para o desenvolvimento sustentável do País, onde a agricultura, as florestas, a produção de
energia, os recursos geológicos, o turismo e outros serviços dos ecossistemas são perspetivados
numa lógica de produção especializada ou contribuindo para a multifuncionalidade. O capital
humano e as dinâmicas demográficas, decorrentes dos movimentos naturais e migratórios,
são um recurso estrutural para o desenvolvimento. A construção de uma economia mais com-
petitiva, inclusiva e sustentável, evidencia a importância de construir geografias inteligentes
assentes em processos mais inovadores e colaborativos e que possam rentabilizar os ativos
de cada território. As infraestruturas são um importante ativo em matéria de coesão e reforço
da competitividade e da integração externa, precisando de responder aos novos desafios da
descarbonização e da eficiência energética. Os equipamentos e serviços são recursos funda-
mentais na garantia da equidade de oportunidades e de direitos dos cidadãos, em matéria de
habitação, saúde, educação, apoio social, justiça, cultura, desporto e lazer. Na última década, as
mudanças sociais (na família, na estrutura etária, na mobilidade residencial) tiveram uma forte
expressão territorial, exibindo vulnerabilidades socioespaciais. O Estado e as famílias investi-
ram na habitação valorizando os ativos patrimoniais, mas continuam a persistir problemas de
acesso e carências. O sistema urbano é um dos elementos mais estruturantes na organização
do território. Reflete as dinâmicas de urbanização, identifica as centralidades funcionais, constrói
comunidades interurbanas e regiões funcionais e projeta os centros urbanos em matéria das
redes regionais, nacionais ou internacionais. Simultaneamente, reflete-se a qualidade de vida,
procurando sistematizar os condicionantes que devem ser contrariados em matéria de políticas
públicas. O uso e a ocupação do solo refletem a apropriação do território pelas comunidades
humanas no desenvolvimento das suas atividades ao longo do tempo, em função de contextos
socioeconómicos, institucionais e culturais.
No capítulo 3 a análise dos Mosaicos Territoriais complementa e aprofunda o diagnóstico
nacional, evidenciando a diversidade e especificidades regionais.
No capítulo 4 é abordado o Sistema de Gestão Territorial fazendo-se uma reflexão sobre o sis-
tema de planeamento em Portugal, identificando-se os desafios que se colocam à gestão territorial.
No capítulo 5 são refletidos os Problemas do Ordenamento do Território apresentando-se os
resultados da aplicação de um inquérito aos Problemas do PNPOT em vigor (2007), sendo depois
identificados e descritos os atuais.
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2. A Estratégia e o Modelo Territorial
Refletindo as Mudanças Críticas a longo prazo (2050) desenvolvem-se as tendências emergentes
em matéria de alterações climáticas, sociodemográficas, tecnológicas e económico-sociais. Identificam-
-se os fatores críticos de mudança, os seus impactos e as tendências territoriais num cenário de inação.
Partindo da identificação dos Princípios orientadores da Coesão Territorial, desenvolvem-se os
Desafios Territoriais que representam as grandes orientações estratégicas do PNPOT. Estas orien-
tações subdividem-se em 15 políticas de base territorial que vão informar o Modelo Territorial.
O Modelo Territorial estabelece o modelo de organização espacial, considerando 5 Sistemas:
o Sistema Natural, o Sistema Social, o Sistema Económico, o Sistema de Conetividades e o Sis-
tema Urbano. São também sistematizadas as Vulnerabilidades Críticas, evidenciando as maiores
fragilidades territoriais. No final é apresentado o Modelo Territorial e são mapeados os Territórios
que mais estarão sob pressão às Mudanças Críticas.
3. A Agenda para o Território
A Agenda para o Território organiza o Programa de Ação detalhando as Medidas de Política
estruturadas por Domínios de intervenção. Neste âmbito reforça-se o detalhe das políticas, justifica-se
a necessidade de intervir, identificam-se as entidades principais na operacionalização e alguns dos
seus parceiros, e apresentam-se os efeitos esperados e o sistema de indicadores de monitorização.
A territorialização do Programa de Ação é explicitada quando na parte final da Agenda para o
Território se organiza o Programa de Ação de cada Sistema. Novamente surgem o Sistema Natural,
o Sistema Social, o Sistema Económico, o Sistema de Conetividades e o Sistema Urbano e ainda
a territorialização das Vulnerabilidades Críticas. Aqui são representados os efeitos esperados e
os indicadores-chave para a monitorização da Agenda para o Território.
Concluindo, o PNPOT procura incorporar uma reflexão prospetiva em termos territoriais, iden-
tificando as Mudanças Críticas a longo prazo (2050) e responde nomeadamente a três questões:
• Quais devem ser as políticas territoriais orientadoras das futuras intervenções e como devem
ser especificamente direcionadas? Daqui decorrem os Desafios Territoriais e os Sistemas para o
Modelo Territorial.
• Como se devem abordar os desafios de desenvolvimento e criar novas oportunidades nos
principais campos do desenvolvimento sustentável, económico e social? Daqui decorrem as Me-
didas de Política estruturadas por Domínios de Intervenção.
• Que abordagens devem ser aplicadas para aumentar a eficiência das intervenções políticas,
em matéria de valorização dos ativos, construção de massa crítica e maximização das sinergias?
Daqui decorre a organização das Medidas de Política por Sistemas do Modelo Territorial.
No futuro, a dimensão territorial das políticas pode ser reforçada por incentivos à coopera-
ção, por intervenções dirigidas às áreas funcionais ou às áreas transfronteiriças ou às regiões,
fortalecendo a cooperação territorial. Devem ser desenvolvidas novas soluções de governança
que envolvam as autoridades públicas e os privados de forma a enfrentarem de forma partilhada
os desafios do ordenamento do território. Assim, reforçar as capacidades dos agentes nacionais,
locais e regionais para participarem em atividades de cooperação territorial é crucial.
0. Introdução
O documento que seguidamente se apresenta explicita a Estratégia de Ordenamento do
Território 2030, organizada em três capítulos:
1. Mudanças Críticas e Tendências Territoriais
2. Princípios e Desafios Territoriais
3. Modelo Territorial
A exploração das Mudanças Críticas a longo prazo (2050) tem por objetivo problematizar
as tendências emergentes mais relevantes e previsíveis, e salientar os seus potenciais impactos
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ambientais, sociais, económicos, tecnológicos e políticos. A finalidade é identificar as principais
tendências territoriais num cenário de inação da ação pública.
A definição dos Princípios e os Desafios Territoriais resulta quer dos problemas e dos recursos
estratégicos territoriais identificados no Diagnóstico quer das Mudanças Críticas e Tendências
Territoriais apresentadas no primeiro capítulo deste relatório.
No final, o Modelo Territorial estabelece o modelo de organização espacial ambicionado, tendo
por base sistemas territoriais, designadamente o Sistema Natural, o Sistema Urbano, o Sistema
Social, o Sistema Económico e o Sistema de Conetividade. São ainda consideradas as Vulnerabili-
dades Críticas, que decorrem de fragilidades territoriais atuais, com potencial de agravamento pelas
Mudanças Críticas, e como tal, exigem um esforço de adaptação induzido pelas políticas públicas.
Concluindo, a Estratégia de Ordenamento do Território aqui apresentada é concebida para
2030, tendo como cenário as visões prospetivas para 2050.
1. Mudanças críticas e tendências territoriais
A identificação e a exploração das Mudanças Críticas têm por objetivo perspetivar as tendên-
cias emergentes mais relevantes e previsíveis, em quatro grandes domínios: ambiental e climático;
sociodemográfico; tecnológico e económico e social. Este exercício estratégico pretende antecipar
algumas das questões territoriais que se poderão colocar no futuro e que, por isso, terão de ser
consideradas na conceção dos Desafios Territoriais e do Modelo Territorial. Nesta reflexão não foram
problematizados os fatores críticos geopolíticos e de evolução dos mercados globais, não obstante
o impacto que poderão vir a ter no País, dado o elevado nível de imprevisibilidade da sua evolução.
Em cada Mudança Crítica são perspetivados três fatores críticos emergentes, identificados
os impactos institucionais, sociais e económicos mais significativos e sistematizadas as tendên-
cias territoriais que poderão ocorrer num cenário de inação da ação pública. Apesar da compar-
timentação, que a seguir se apresenta, verifica-se que, frequentemente, os vários fatores críticos
interagem entre si, o que poderá reforçar algumas tendências.
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M1 | Mudanças Ambientais e Climáticas
Introdução
As alterações climáticas de origem antropogénica são uma evidência científica. Entre 2005
e 2014 as emissões globais de gases com efeito de estufa seguiram a trajetória do cenário mais
pessimista definido pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). O “The Global Risks
Report 2017” (WEF 2017) identifica os eventos climáticos extremos, a falta de água, os grandes
desastres naturais e as falhas na mitigação e adaptação às mudanças climáticas entre os principais
riscos globais em termos de impacto sobre a vida e a atividade humana.
Nas políticas de mitigação, Portugal comprometeu-se a garantir a neutralidade das suas
emissões até ao final da primeira metade do século XXI (2050), numa trajetória de redução de
gases com efeito de estufa a longo prazo, em linha com os objetivos europeus. Reconhece-se
atualmente que a mitigação não é suficiente para lidar com as mudanças do clima. Assim, é fun-
damental reforçar a adoção de medidas de adaptação.
A tendência mostra que o aumento da temperatura, conjuntamente com a alteração dos
padrões da precipitação e a subida do nível médio do mar, são as principais manifestações das
alterações climáticas em Portugal. Agravados pelo aumento de eventos meteorológicos extremos,
os efeitos das alterações climáticas vão ter expressões territoriais muito diferenciadas.
Fatores
I. Aumento da temperatura
Todos os cenários e projeções preveem um aumento significativo da temperatura média em
todas as regiões de Portugal até ao fim do século. Até 2040, no Continente, projetam-se aumentos
da temperatura máxima no verão entre 0,5ºC na zona costeira e 2ºC no interior, valores que po-
dem chegar até aos 3ºC e 7ºC, respetivamente, em 2100. Esta variação é acompanhada por um
incremento da frequência e intensidade de ondas de calor. Nas Regiões Autónomas, os aumentos
de temperatura deverão ser mais moderados para o final do século, podendo variar entre os 2ºC
e os 3ºC na Madeira, enquanto para os Açores os aumentos estimados são entre 2,5ºC e 3,2ºC.
II. Alteração dos padrões de precipitação
No que se refere à precipitação, a incerteza do clima é substancialmente maior. No entanto,
quase todos os cenários projetam a redução da precipitação em Portugal continental durante a
primavera, verão e outono, podendo essa redução atingir 20% a 40% da precipitação anual atual
no final do século (devido a uma redução da duração da estação chuvosa), com as maiores perdas
a ocorrerem nas regiões do sul. Os períodos de seca poderão ser mais recorrentes e intensos.
Na Madeira, estima-se igualmente uma importante redução da precipitação anual, até cerca de
30%, bem como alterações significativas na sua variabilidade interanual e sazonal, circunstâncias
agravadas pela limitada capacidade de retenção hídrica. Nos Açores, as projeções não indicam
uma tendência clara, no entanto poderá ocorrer uma ligeira tendência de aumento no inverno, até
10%, e de diminuição no verão.
III. Subida do nível médio do mar
Em termos mundiais o nível médio das águas do mar tem subido mais rapidamente nos últimos
anos do que nas décadas anteriores. Em Portugal, com base no marégrafo de Cascais, registaram-
-se subidas do nível médio do mar (SNM) de 2,1 mm/ano entre 1992 e 2004 e 4,0 mm/ano entre
2005 e 2016, seguindo a tendência global. Nos Açores, a subida poderá atingir um metro até ao
final do século. Portugal tem uma orla costeira sujeita a elevada pressão urbana e uma extensão
apreciável de litoral baixo e arenoso e baixo rochoso em situação crítica de erosão. Este fator é
potenciado pela perspetiva futura da ocorrência mais frequente de fortes temporais.
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Impactos
I. Degradação e perda de recursos ambientais
O ambiente, os habitats, os ecossistemas e as paisagens estarão sob pressão crescente.
A alteração dos padrões de precipitação e o aumento da temperatura poderão tornar evidentes
as tendências para a alteração da distribuição geográfica e das condições de desenvolvimento
de espécies vegetais e animais. Poderá haver alterações na disponibilidade e na qualidade da
água, sendo de atender às pressões decorrentes da agricultura, indústria, áreas urbanas e áreas
de turismo. O processo de desertificação do solo tenderá a intensificar-se. Em 2030, a gestão da
escassez de água e de alimentos (agrícolas e pesca) será um grande desafio. O aprovisionamento
alimentar poderá estar comprometido.
II. Riscos e vulnerabilidades
As alterações climáticas determinam mudanças na intensidade e incidência territorial dos
riscos associados às cheias e inundações fluviais, aos galgamentos costeiros, às ondas de calor
e à ocorrência de incêndios, com forte impacto em territórios de uso florestal, agravando em geral
a sua frequência e intensidade. As áreas urbanas estarão numa situação mais vulnerável. Outros
riscos ambientais, como a ocorrência de movimentos de massa em vertentes, podem ser agrava-
dos em severidade ou frequência. As alterações do clima são também um fator de injustiça social,
com consequências sobre as desigualdades intra e intergeracionais.
III. Alterações económicas e sociais
As previsíveis alterações do clima à escala local implicarão um consumo acrescido de energia
para climatização ou para a rega. As atividades económicas são chamadas a aderir a novos modelos
económicos baseados na eficiência, reutilização e circularidade e na economia de baixo carbono.
Haverão acrescidos esforços financeiros na prevenção e na recuperação de situações de emergência
decorrentes dos fenómenos climáticos extremos. Haverá maior pressão sobre a disponibilidade de
água. A sociedade terá de investir para responder ao impacto das alterações climáticas na adapta-
ção das infraestruturas e dos serviços sociais e de saúde que terão de responder ao impacto das
ondas de calor para combater o potencial aumento de morbilidade e mortalidade a elas associado.
Tendências Territoriais
Do ponto de vista europeu, Portugal está inserido na região do Mediterrâneo, onde a Península
Ibérica é sinalizada com um hotspot para as Alterações Climáticas. São esperadas consequências
para a sociedade e a economia europeias, embora os impactos territoriais tenham uma grande
variabilidade.
A disponibilidade de água no território, num contexto de escassez crescente, levanta desafios
infraestruturais a todas as escalas geográficas, implicando uma maior necessidade de armaze-
namento, níveis de maior eficiência no seu uso e um maior controlo das pressões que podem
ameaçar a sua quantidade e qualidade.
Os contrastes entre regiões húmidas e secas aumentarão, bem como a frequência e a in-
tensidade dos eventos climáticos extremos. Haverá impactos diferenciados, com consequências
diversificadas sobre a biodiversidade e na sua gestão.
A produtividade agrícola tenderá a ser alterada para muitas culturas, sobretudo as mais
exigentes em disponibilidades hídricas, exigindo capacidade para gerir as mudanças. Tendem
a aumentar os desequilíbrios territoriais no acesso a bens dependentes de recursos naturais e
alimentares. A produção e os consumos de proximidade poderão consolidar-se como tendência
e o valor do solo poderá ser objeto de novas abordagens integrando outras variáveis para além
da sua capacidade construtiva.
A energia será um fator crítico para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, pois
a necessidade de climatização nas cidades implicará consumos acrescidos. A opção por fontes
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de energia renovável e por formas de consumo locais devem ser reforçadas, com benefícios am-
bientais, sociais e económicos.
O planeamento e a construção do espaço urbano passam a incorporar as óticas da mitigação
e da adaptação, designadamente a alteração dos modos e formas de utilização dos transportes,
a redução do efeito de ilha de calor urbana, a gestão do ciclo da água e a eficiência do uso da
energia em todas as atividades, edifícios e infraestruturas neles existentes.
O agravamento dos riscos obriga a um olhar mais atento sobre as vulnerabilidades dos terri-
tórios e das populações. As migrações por razões associadas à escassez de recursos e aos riscos
ambientais, que já hoje são uma realidade, serão intensificadas pelos cenários das alterações
climáticas, podendo contribuir para aumentar o êxodo das regiões de baixa densidade do País.
Aumento projetado de exposição a perigos múltiplos relacionados com o clima, 2030
Número de perigos com aumento moderado Carta de perigosidade de ondas de calor
Fonte: Forzieri et. Al., 2016 Fonte: IPMA (2018)
Alteração da temperatura Alteração dos padrões de precipitação
Fonte: Portal do Clima, 2017 Fonte: Portal do Clima, 2017
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No horizonte temporal de pouco mais de duas décadas, o efeito conjugado do aumento da
temperatura média anual e da diminuição da precipitação média anual representa uma alteração
significativa das condições climáticas, tornando premente a necessidade da sua ponderação
nas opções de ocupação e gestão do território, quer nos usos do espaço rural quer do espaço
urbano. Os impactos regionais são também claramente diferenciados. Acrescida preocupação
será de considerar para o espaço urbano, em zonas costeiras, atendendo à subida estimada do
nível médio do mar.
Conclusão
Os fatores de mudança associados às alterações climáticas evidenciam que Portugal terá
em 2030 um território mais vulnerável. O vale do rio Tejo poderá marcar uma divisão entre o País
homogeneamente mais quente a sul e o de temperatura mais moderada a norte. A redução da
precipitação estará presente em todo o País, com relevantes perdas a sul, exceto nos Açores
onde se prevê um ligeiro e generalizado aumento da precipitação. As disponibilidades de água
no território levantarão desafios infraestruturais a todas as escalas geográficas, implicando
uma maior necessidade de rentabilização e eficiência das infraestruturas e da gestão para su-
prir períodos de seca, que tenderão a ser mais frequentes. O acesso generalizado a recursos
naturais tenderá a ser mais oneroso e a procura de soluções de proximidade e de circularidade
associadas a novos modelos de negócio mais sustentáveis poderá influenciar a organização
do território.
Portugal deverá estar a meio do seu caminho para garantir a neutralidade das suas emissões
(até ao final da primeira metade do século XXI - 2050), pelo que deverá organizar os territórios
de forma a que contribuam para este objetivo de acordo com as suas capacidades (soluções de
mobilidade, eficiência energética e redução de emissões associadas às áreas urbanas; captura
de CO2 em áreas rurais).
Será um País que deverá estar mais preparado para eventos extremos, onde os riscos
poderão ser acrescidos e onerosos quer em áreas urbanas (ondas de calor, inundações, erosão
costeira) quer rurais (incêndios florestais, perda da biodiversidade, redução de produtividade
agrícola), sendo fundamental assegurar soluções de organização do território orientadas para
o aumento da resiliência dos sistemas naturais, agrícolas, florestais e das comunidades, sal-
vaguardando nomeadamente a sustentabilidade e a conetividade da paisagem, e a soberania
alimentar.
M2 | Mudanças Sociodemográficas
Introdução
As mudanças demográficas são um dos principais desafios atuais e futuros. Nos últimos anos,
a sociedade portuguesa tem vindo a sentir as repercussões das alterações demográficas, tanto
em termos sociais, económicos e políticos como territoriais. As dinâmicas demográficas são um
dos principais modeladores da sociedade, assumindo um importante papel na configuração dos
territórios e, por isso, devem estar no centro da reflexão das políticas públicas.
No contexto europeu, Portugal manifesta uma situação preocupante devido à tendência de
perda de população em resultado dos saldos naturais e migratórios. Em todos os cenários, as
previsões apontam para uma contínua perda de população, que terá implicações em diversos
setores da sociedade e da economia. Face a estes cenários, o País terá de se preparar, adaptar
e reagir.
As implicações da evolução da população nas próximas décadas têm de ser entendidas
numa perspetiva global, de modo a identificar-se todas as tendências que lhe são inerentes
e responder aos diferentes fatores críticos que se vão colocar, nomeadamente em termos
territoriais.
As tendências mostram que o crescimento natural continuará em quebra, as estruturas
demográficas e familiares estarão em mutação, os padrões de vida e as dinâmicas profissionais
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irão alterar-se e os movimentos migratórios possivelmente vão-se intensificar. Estes fatores te-
rão implicações ao nível das necessidades de equipamentos e serviços, na oferta e procura de
habitação, no mercado de trabalho, na pressão sobre os sistemas sociais e nos modelos de ocu-
pação do território devido sobretudo ao crescimento negativo da população, ao envelhecimento
e à diminuição dos ativos.
Fatores
I. Crescimento natural negativo
Verifica-se uma significativa diminuição da fecundidade e da natalidade, o que coloca em
risco a capacidade de renovação das gerações. Menos nascimentos representam um menor nú-
mero de pessoas a chegar à idade fértil. A organização das famílias tem-se vindo a alterar, sendo
tendencialmente de pequena dimensão e com novas configurações (núcleos conjugais, núcleos
monoparentais, núcleos recompostos ou de composição informal). O desafio passa por criar con-
dições que favoreçam o aumento da fecundidade e, também, por preparar o País para viver com
menos jovens e atrair novos residentes.
II. Estrutura demográfica mais envelhecida
A esperança de vida à nascença continuará a aumentar, pois os ciclos de vida são cada vez
mais longos. A população será mais envelhecida e os índices de dependência mais elevados.
Os cenários futuros perspetivam uma diminuição de cerca de 600 mil jovens e um aumento de
1,4 milhões de idosos entre 2011 e 2040. Perspetiva-se uma inversão da pirâmide etária e a
continuação de um acentuado envelhecimento da população transversal a todo o País. Uma vida
mais longa com qualidade é o grande desafio.
III. Intensificação dos movimentos migratórios
A forte corrente emigratória de jovens adultos dos últimos anos intensificou a tendência para
a quebra demográfica. A saída de jovens qualificados em Portugal pode fragilizar o desenvol-
vimento futuro do País. A atração de novos imigrantes deverá ser entendida como um fator de
desenvolvimento do País, ao assumir um importante papel na mitigação do envelhecimento e no
combate à incapacidade de renovação demográfica da população portuguesa. Os novos imigran-
tes poderão ser de vários tipos: quadros atraídos pela qualidade de vida e dinâmica empresarial,
imigrantes de Países em conflito ou estrangeiros em idade de reforma seduzidos pelo clima e
pela segurança. A mobilidade interna vai continuar a favorecer as duas regiões metropolitanas e
as principais cidades.
Impactos
I. Alteração das necessidades de equipamentos e serviços
A população será mais escolarizada e terá maior acesso à informação e ao conhecimento,
à saúde e ao bem-estar. Poderá, assim, envelhecer com melhor qualidade de vida e viver mais
anos com saúde intelectual e física. Em termos de desafios, a existência de equipamentos e a
oferta de serviços pressupõem novas estratégias e modelos de intervenção ajustados à nova
realidade sociodemográfica, de modo a responder-se no futuro adequadamente às necessidades
da população (saúde, serviços sociais, educação e formação, cultura e lazer).
II. Envelhecimento e perda de ativos no mercado de trabalho
A redução do número de ativos no mercado de trabalho, devido à quebra da natalidade e
à emigração, diminui a disponibilidade de recursos humanos. Entre 2011 e 2040, estima-se que
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Portugal possa perder cerca de 1,7 milhões de ativos. A perda de efetivos e a incapacidade de
compensar a saída de população ativa representam, tendencialmente, uma menor disponibilidade
e um maior envelhecimento de recursos humanos para a economia. Isto faz emergir a necessidade
de conceber novas estratégias para o modelo económico, menos intensivas em recursos humanos,
mas mais exigentes nas suas qualificações, implicando um maior investimento no capital humano
através da educação formal, mas também da formação profissional.
III. Pressão acrescida sobre os sistemas sociais
A diminuição da população, sobretudo dos ativos, e o seu envelhecimento deverão afetar
a estrutura de funcionamento e o equilíbrio financeiro de importantes sistemas sociais (saúde,
educação, proteção social). O aumento do número de reformados e pensionistas continuará a
acentuar-se e, consequentemente, a aumentar a pressão sobre os sistemas de segurança social.
No futuro, mais de metade da população portuguesa (jovens e idosos) poderá estar dependente
de pessoas em idade ativa, implicando estratégias que visem adaptar os sistemas sociais e os
modelos de tributação e redistribuição da riqueza.
Tendências Territoriais
Na Europa, podem ser esperadas duas tendências principais (ESPON, 2017):
í Um fluxo em direção às áreas mais atrativas em termos de clima e condições de vida,
nomeadamente ao longo da costa mediterrânea.
í Um fluxo para as áreas metropolitanas, de preferência com boas perspetivas económicas,
podendo acentuar um padrão policêntrico em torno dos principais nós urbanos.
A nível europeu perspetiva-se o agravamento dos desequilíbrios territoriais. As áreas metro-
politanas continuarão a concentrar mais população e as regiões rurais periféricas irão enfrentar
os maiores desafios demográficos.
Em Portugal, tal como na Europa, muitas regiões rurais irão continuar a perder população
e os níveis de natalidade vão ser incapazes de esbater os impactos do envelhecimento e da
mortalidade, revelando-se uma tendência muito difícil de inverter. As migrações internas e
externas poderão contribuir para aumentar as disparidades territoriais, uma vez que há uma
forte tendência para a fixação populacional nas áreas urbanas. As duas metrópoles continuarão
a concentrar população e riqueza, já que polarizam as principais dinâmicas empreendedoras
e de inovação, bem como a população mais qualificada e diferenciada. Contudo, se algumas
áreas urbanas vão continuar a crescer outras poderão não ter dinamismo demográfico su-
ficiente e irão também diminuir de população, nomeadamente recursos humanos em idade
ativa.
O clima ameno, os níveis de segurança e a hospitalidade dos portugueses podem transfor-
mar Portugal numa alternativa residencial para europeus do centro e do norte da Europa, assim
como do norte de África. Políticas públicas dirigidas à imigração e à habitação devem levar em
consideração estas tendências, promovendo algum reequilíbrio territorial.
No contexto europeu perspetiva-se que a atração de pessoas altamente qualificadas de ou-
tras partes do mundo será, provavelmente, cada vez mais difícil. Por sua vez, os europeus mais
qualificados poderão optar por trabalhar e viver nos grandes centros urbanos localizados fora da
Europa. Portugal não será exceção em relação a esta tendência, sobretudo se não tiver uma base
socioeconómica suficientemente atrativa para criar oportunidades e diferentes possibilidades às
pessoas.
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Variação da população por NUTS III (2015-2025)
Fonte: The LUISA Territorial Modelling Platform (2017)
Conclusão
Os fatores de mudança sociodemográfica evidenciam que Portugal terá, em 2030, menos
população e uma estrutura demográfica mais envelhecida, com uma menor presença de população
jovem e ativa, o que se repercutirá nas estruturas familiares, sociais e económicas, mas também
territoriais.
O crescimento natural será negativo, refletindo as baixas taxas de fecundidade e os níveis
de envelhecimento da população. As migrações internas vão continuar a favorecer as duas metró-
poles e as principais cidades. A imigração poderá contribuir para um maior equilíbrio da estrutura
demográfica. A atração de novos residentes terá implicações nos hábitos e nos comportamentos
sociais e, consequentemente, nos modos de vida, bem como no funcionamento dos mercados de
trabalho e imobiliário. A emigração dos mais qualificados irá continuar se a estrutura económica
portuguesa não tiver capacidade de oferecer oportunidades adequadas às aspirações da popu-
lação em idade ativa.
Perspetiva-se o aumento das disparidades territoriais, continuando as metrópoles e as
principais cidades a congregar os maiores quantitativos populacionais e as áreas rurais mais
periféricas a registar perdas. Contudo haverá áreas rurais prósperas que possivelmente não
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perderão população em termos significativos e haverá cidades que vão registar dinâmicas
regressivas. Assim, é fundamental encontrar estratégias e instrumentos que contrariem os
desequilíbrios e as disparidades territoriais. As imigrações poderão ter um papel central no
equilíbrio demográfico, mas possivelmente não contribuirão para um maior equilíbrio territo-
rial. É fundamental encontrar estratégias e instrumentos que contrariem os desequilíbrios e as
disparidades territoriais.
M3 | Mudanças Tecnológicas
Introdução
As próximas décadas serão amplamente condicionadas pelas mudanças tecnológicas. Os flu-
xos globais estão a interligar mercados, bancos, empresas, escolas, comunidades e indivíduos.
O mundo estará mais inovador, interconectado e interdependente.
No futuro, as mudanças tecnológicas terão repercussões em todos os setores da sociedade.
Importa, assim, apostar na valorização das suas potencialidades em prol do desenvolvimento e
da melhoria da qualidade de vida de todos. Um dos maiores desafios que se colocam às regiões
e cidades, e aos respetivos sistemas de governança, é encontrar novas respostas e soluções para
os desafios e oportunidades que se adivinham.
A educação é uma precondição fundamental. Em Portugal, cerca de um terço da população
em idade ativa tem um grau de ensino superior, mas as diferenças territoriais são significati-
vas. As regiões apresentam diferentes desempenhos em matéria de inovação, refletindo os
desequilíbrios em termos de educação, formação, qualificações e capacidade de produção de
conhecimento.
As regiões metropolitanas e as principais cidades, onde se concentram empresas, inves-
tidores, empreendedores e outras entidades do sistema de investigação e inovação, eviden-
ciam um melhor potencial de conhecimento e inovação e de acesso a novas tecnologias. No
entanto, com a revolução tecnológica, cada vez mais pessoas, em mais lugares, têm mais
oportunidades de se conectar e colaborar com maior facilidade, o que cria novas oportunida-
des, nomeadamente nas áreas rurais (nas mais prósperas ou mesmo nas mais periféricas).
Contudo, as tecnologias também estão a potenciar e a intensificar as desigualdades sociais
com expressões territoriais.
Fatores
I. Digitalização, ciberespaço, automação e robótica
A digitalização, o ciberespaço, a automação e a robótica vão mudar o modo de funciona-
mento da economia e da sociedade. A nova fase é marcada pela criação do ciberespaço e a
sua articulação com as telecomunicações móveis, permitindo o acesso individual a um espaço
comunicacional e transacional global que está a ser organizado por plataformas digitais geridas
por operadores globais; e por outro, pelos avanços na automação e robótica que, por via da
inteligência artificial, se estendem aos serviços e às atividades intensivas em relacionamento
pessoal.
II. Mudança do paradigma energético
A mudança de paradigma energético necessário a um crescimento mundial sustentável
supõe uma maior diversidade nas energias primárias mobilizáveis para o funcionamento das
sociedades, e novas formas de utilização dos hidrocarbonetos através de transformações
energéticas que não envolvam a sua queima. Além disso, supõe também avanços tecnológi-
cos na utilização de energias renováveis, como eólicas e solar, por forma a aumentar a sua
densidade, reduzir o impacto da sua intermitência e avançar para soluções de armazenamento
da eletricidade produzida.
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III. Genética, medicina preditiva, prevenção e terapias personalizadas
As sociedades desenvolvidas vão defrontar-se com maior incidência de cancros, de doenças
crónicas e de doenças neurodegenerativas conducentes a perdas de autonomia total ou parcial.
Face a este padrão de morbilidade os avanços na genética e na genómica vão permitir identificar
precocemente riscos de contração de doenças, favorecer e valorizar a prevenção e caminhar para
terapêuticas mais personalizadas.
Impactos
I. Qualificações digitais, alterações no setor da saúde e novas soluções de mobilidade
O ritmo da mudança tecnológica está a acelerar, mas a maioria das pessoas poderá não
estar a conseguir assimilar esta evolução. O talento, as competências e a formação tecnológica
dos recursos humanos são vantagens valorizadas numa economia cada vez mais em rede.
É crucial apostar nas qualificações digitais em todos os níveis de ensino e na formação profis-
sional dos ativos. O possível desfasamento entre o ritmo das dinâmicas de aprendizagem e as
competências tecnológicas requeridas pode fragilizar as estruturas sociais, contribuindo para
uma sociedade mais desigual, entre aqueles que serão mais qualificados e os menos habilita-
dos tecnologicamente. A saúde, em sociedades com processos acelerados de envelhecimento
e com novos padrões de morbilidade, vai deparar-se com potenciais alterações no modo de
financiamento e prestação dos serviços de saúde necessários para garantir melhorias da quali-
dade de vida, permitindo corresponsabilizar de forma mais clara os cidadãos com a sua própria
saúde. Uma articulação mais estreita entre a transformação energética e as novas soluções de
mobilidade (veículos, sistemas de propulsão e gestão integrada a longa distância e no espaço
urbano) é fundamental.
II. Globalização, inteligência artificial e alterações na oferta de emprego
Os avanços na combinação de tecnologias de impressão 3D e robótica podem acelerar
uma evolução para formas mais descentralizadas de produção de bens, invertendo a dinâ-
mica da globalização assente na fragmentação internacional da produção. Essa evolução
pode traduzir-se numa redução significativa das trocas comerciais de bens transacionáveis e
na diminuição da extensão geográfica das cadeias de abastecimento atuais. A digitalização
tende por sua vez a gerar um crescimento exponencial dos fluxos de dados e da transação
de serviços. Simultaneamente, vai permanecer a liberdade de circulação de capitais, os
mercados financeiros globais e uma gestão mundial da poupança. Os processos robotizados
e automatizados, em termos de emprego, vão substituir as atividades mais desqualificadas
e mais intensivas em recursos humanos. Destrói-se emprego e criam-se novas formas de
trabalho. Os reajustamentos dos sistemas produtivos e das atividades decorrentes da revo-
lução tecnológica estão a reforçar o empreendedorismo e a criar novas oportunidades de
emprego, mas também a diminuir ou a fazer desaparecer outros empregos. As atuais formas
de regulação das atividades e do trabalho nem sempre conseguem responder eficazmente
aos direitos dos trabalhadores.
III. Mais equidade aos serviços de interesse geral e mais colaboração e inovação
Cada vez mais os atores são desafiados e encorajados a envolverem-se e a utilizarem a tec-
nologia nas suas interligações. As instituições públicas podem cooperar e favorecer o desenvolvi-
mento de serviços de interesse geral de acesso digital, de forma a reforçarem a equidade territorial.
As redes digitais serão também fundamentais na criação de ambientes favoráveis à capacitação
do capital humano, à inovação e à infraestruturação tecnológica, fomentando o desenvolvimento
de territórios inteligentes. As plataformas digitais irão mobilizar capacidades e competências cole-
Diário da República, 1.ª série
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tivas múltiplas, reforçar lideranças partilhadas e envolver mais atores institucionais e a sociedade
civil nos processos de decisão.
Tendências Territoriais
Ao nível europeu, Portugal surge numa posição intermédia, apresentando-se como um inova-
dor moderado, começando a traçar um caminho de especialização em algumas tecnologias-chave
(nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia e materiais avançados). O País destaca-se também pela
participação das PME na introdução de inovações. Em contrapartida, a economia verde nacional
é ainda muito pouco competitiva.
A digitalização, ciberespaço, automação e robótica podem aumentar as disparidades
territoriais, uma vez que os líderes destes processos tendem a capturar muitas das vantagens
competitivas (mercados, pessoas, produtos). Por isso, é importante que as cidades desenhem
e implementem estratégias de crescimento inteligente capazes de atrair talento, criatividade
e inovação.
As cidades vão polarizar o desenvolvimento social e económico. A revolução tecnoló-
gica e a digitalização fazem repensar os modelos de gestão e governança urbana. Novas
soluções tecnológicas estão a ser impulsionadas para o desenvolvimento “inteligente” das
cidades, contribuindo para uma gestão e utilização dos recursos de forma mais eficiente
e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Respondendo às novas exigências
ambientais, a habitação e a mobilidade nas cidades deverão sofrer profundas alterações
suportadas nas novas tecnologias. O desenvolvimento não depende apenas da inovação
assente em novas tecnologias, mas resulta também da qualidade e da multifuncionalidade
dos espaços urbanos.
O desenvolvimento e a utilização de tecnologias mais limpas, a par do reforço de produção
e utilização de energias renováveis e de produção industrial mais sustentável, concorrerá para a
descarbonização. Os territórios necessitam de comunidades ativas. O envolvimento dos cidadãos
nos processos de decisão e implementação das opções estratégicas será cada vez mais uma
tendência suportada nas novas tecnologias (que permitem partilhar informações, recolher opiniões
e fomentar a discussão sobre as principais questões urbanas). O urbanismo participativo e cola-
borativo contribuirá para a conceção de governos mais transparentes e eficientes, para o incentivo
da cidadania e para a maior resiliência urbana. Os serviços de acesso digital vão contribuir para
uma maior equidade territorial.
Simultaneamente, os mercados financeiros poderão reforçar o seu poder sobre os territórios.
Os investidores financeiros internacionais tornaram-se credores dos territórios e passaram a avaliar
e a condicionar o seu valor de mercado. Os movimentos de capitais internacionais passaram a
ser determinantes na fixação do preço dos ativos nacionais, tanto imobiliários como mobiliários
(ações, obrigações, títulos de dívida pública), no nível das taxas de juro e na remuneração da
poupança nacional.
Por outro lado, haverá mais ligações entre a esfera económica global e a escala local.
Os processos de produção poderão ser mais desconcentrados, pois os custos dos transportes
vão diminuir (nomeadamente veículos autónomos e drones) e a robótica, a impressão 3D e
a tecnologia logística estão a reduzir os custos de fabricação, permitindo que a produção em
pequena escala seja lucrativa. As estruturas económicas poderão ser mais pequenas e estar
mais próximas dos mercados finais, podendo contribuir para contrariar o abandono de certos
territórios.
A tecnologia abre mais oportunidades para as pessoas escolherem onde viver atendendo
às suas preferências relativamente aos locais e aos estilos de vida que pretenderem ter. Esta
dimensão poderá ser uma oportunidade para os territórios de menor densidade. Todavia, será
necessário garantir serviços de comunicação adequados e estáveis.
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Fatores de risco associados à globalização e à evolução tecnológica, por NUTS II
Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região, A minha Europa, O Nosso Futuro: Sétimo relatório sobre a
coesão económica, social e territorial”
Conclusão
As grandes transformações tecnológicas contribuirão para a revolução de todos os setores da so-
ciedade e da economia. No entanto, tenderão a fomentar a polarização geográfica, económica e social.
A integração de processos laborais mais inteligentes, eficientes e sustentáveis fará parte do
sistema económico e incute novos desafios às organizações e aos trabalhadores. Face às pers-
petivas de desenvolvimento futuro, o País tem de fomentar a capacitação para o conhecimento, a
inovação e a tecnologia, de modo a posicionar-se numa trajetória de desenvolvimento e projeção
internacional. Neste âmbito, importa contrariar processos de info e tecnoexclusão.
Para a transformação digital ter sucesso, é fundamental uma abordagem que inclua não só a
tecnologia, mas também modelos de governança e organização dos serviços, dos cidadãos e dos
Diário da República, 1.ª série
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processos de negócio, para definir estratégias adequadas, que permitam ligar tudo — pessoas,
dados, processos, dispositivos e máquinas.
As novas evoluções tecnológicas serão fundamentais para o desenvolvimento inteligente
dos territórios, contribuindo para uma gestão e utilização dos recursos de forma mais eficiente e
para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Neste âmbito, a habitação, os serviços e a
mobilidade irão sofrer profundas alterações suportadas nas novas tecnologias (nomeadamente
as tecnologias limpas), contribuindo para a descarbonização territorial.
M4 | Mudanças Económicas e Sociais
Introdução
Com a crise financeira e económica iniciada em 2008 os avanços aparentemente consegui-
dos no sentido de uma maior coesão territorial na Europa foram questionados. As disparidades
económicas aumentaram e os processos de estabilização e de convergência regional diminuíram.
Com os processos de globalização e financeirização das economias as desigualdades au-
mentaram. Nos últimos anos, o modelo de crescimento económico tem sido colocado em causa
por muitos académicos e decisores políticos. Este debate está relacionado com vários fatores,
nomeadamente a crescente escassez de recursos naturais finitos (pois o crescimento da riqueza
económica tem-se baseado no aumento sistemático do consumo) e uma maior consciencialização
de que o crescimento económico não gera necessariamente nem mais emprego nem uma distribui-
ção mais justa da riqueza. Por outro lado, num contexto de indefinição dos mercados financeiros,
as perspetivas apontam para crescimentos económicos lentos a longo prazo.
Também há argumentos para se perspetivar um futuro mais local, pois a globalização constrói-
-se localmente. As áreas (urbanas e não urbanas) com maiores níveis de empreendedorismo,
competitividade e com economias abertas e uma população diversificada e qualificada podem vir
a ter vantagens, num contexto de criação de valor através da mobilização dos ativos locais. Assim,
no futuro, cada indivíduo e organização deverá ter ao seu dispor ferramentas que permitam uma
maior intervenção do ponto de vista social e económico.
Fatores
I. Mudança na globalização
Os avanços na combinação de tecnologias de impressão 3D e robótica podem acelerar uma
evolução para formas mais descentralizadas de produção de bens, invertendo a dinâmica da
globalização assente na fragmentação internacional da produção. Essa evolução pode traduzir-
-se numa redução significativa das trocas comerciais de bens transacionáveis e nas cadeias de
abastecimento geograficamente muito extensas em que hoje se baseiam. A digitalização tende
por sua vez a gerar um crescimento exponencial dos fluxos de dados e da transação de serviços.
Permanecendo o papel crucial da liberdade de circulação de capitais, da existência de mercados
financeiros globais e de uma gestão mundial da poupança.
II. Maior consciência ecológica e novas perceções de bem-estar
O aquecimento global e a consciência da importância da proteção do ambiente e da biodi-
versidade estão a criar uma nova consciência ecológica. Assim, questionam-se os atuais mode-
los socioeconómicos, procuram-se novos padrões de bem-estar, discute-se a injustiça social e
contesta-se a insuficiente resiliência ambiental e económica.
III. Uma sociedade mais multipolar e participativa
O mundo é cada vez mais globalizado, policêntrico e interconectado, estando a emergir uma
multiplicidade de novos atores com poder de decisão e de atuação no atual contexto socioeco-
nómico. Os discursos populistas, decorrentes da crise social e financeira e da desconfiança dos
Diário da República, 1.ª série
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cidadãos nas instituições, colocam os governos sob pressão. Por outro lado, há cada vez mais
cidadãos informados e com vontade de se envolverem na conceção de estratégias, nos processos
de decisão ou no desenho e desenvolvimento de ações públicas.
Impactos
I. Desigualdades aumentam e emergem modelos económicos alternativos
Os ganhos da globalização e da financeirização das economias nacionais possivelmente não
serão distribuídos de uma forma equitativa. Assim, as desigualdades não só não irão desaparecer
como correm o risco de se acentuarem, à medida que a globalização prossegue. A perda relativa
de rendimentos obriga à procura de formas alternativas de criação de riqueza. À escala da vivência
real das comunidades locais, as alternativas que emergem assentam em modelos de economia
diferenciada, favorecendo uma maior proximidade entre os sistemas de produção e consumo, a
recirculação de bens, e a troca e partilha de produtos e serviços – produção peer- to-peer, eco-
nomia circular, economias de troca e partilha, entre outras.
II. Uma sociedade mais saudável e sustentável
Os desafios socioecológicos vão implicar mudanças ao nível dos estilos vida dos cidadãos
a diferentes níveis, nomeadamente na habitação, na alimentação, na mobilidade, nos hábitos
de consumo e de lazer, e na saúde. Neste sentido, as habitações terão de ser mais eficientes
energeticamente, os hábitos alimentares passarão a ser mais saudáveis, a mobilidade terá de ser
mais suave, as práticas de consumo e de lazer evoluirão para práticas mais sustentáveis e online
(e-commerce), o teletrabalho aumentará e a saúde deverá ser mais preventiva.
III. Uma sociedade mais colaborativa e resiliente
A tendência futura sugere um maior envolvimento das organizações e da sociedade civil nos
processos de decisão. Neste contexto, o setor público e os processos de governança assumirão
importantes papéis na facilitação. Os processos de mudança vão requerer capacidade de res-
posta e instituições transparentes, fortes e legitimadas. Os cidadãos serão chamados a intervir e
a envolver-se no poder de decisão em prol de uma sociedade mais resiliente e com maior capa-
cidade de resposta.
Tendências Territoriais
A tendência de desenvolvimento territorial global até 2030 mostra uma Europa com diferen-
ças económicas e sociais pronunciadas que tenderão a aumentar as disparidades espaciais
existentes. Assim, perspetiva-se que no futuro o território europeu será caracterizado por fortes
desigualdades socioeconómicas e níveis diferenciados de coesão.
Os centros urbanos e as metrópoles poderão responder com uma maior oferta de recursos
humanos, qualificações, atratividade económica e competitividade. As áreas rurais e periféricas
terão mais dificuldades em responder devido ao maior declínio populacional e à menor capacidade
das infraestruturas de suporte.
Haverá novas formas de gerar valor, como a economia circular e a bioeconomia, constituindo-
-se as cidades como importantes hotspots de mudança. A relação rural-urbana ou urbano-urbana
irá basear-se na dinamização de circuitos curtos de produção e consumo, na logística partilhada,
na mobilidade suave, ativa e partilhada, e nos depósitos de materiais e ecocentros, o que é es-
sencial para um melhor planeamento do sistema alimentar.
A persistência de assimetrias desafia a coesão e fragiliza um desenvolvimento mais equilibrado
do País. Sobressai assim a importância de usar as TICE para identificar e combater essas assi-
metrias e fomentar a cooperação entre as diferentes regiões, de modo a reforçar-se a integração
da sociedade e da economia. Perspetivando-se a possibilidade de um aumento das disparidades,
sublinha-se a necessidade de dinamizar a diversidade territorial a partir dos recursos locais e regio-
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nais. Uma nova economia alternativa e colaborativa, tendencialmente em crescimento, reforçará
a relação interurbana e rural-urbana.
Os recursos e serviços associados à arquitetura e à paisagem serão chamados a contribuir
para a promoção do turismo e da construção sustentáveis, a criação de emprego e a dinamização
da competitividade e internacionalização da economia nacional.
Fatores económicos e sociais com implicações nas dinâmicas urbanas e territoriais
Conclusão
A mudança de um mundo hegemónico para um mundo multipolar no poder económico e po-
lítico traz visíveis implicações para a Europa. Face à emergência de novos modelos económicos,
reforça-se a importância de fortalecer redes relacionais e colaborativas e ampliar a participação
dos cidadãos e dos diferentes atores nos processos de decisão e de resposta aos desafios eco-
nómicos e sociais.
Os limites ao crescimento e os problemas económico-financeiros sugerem uma transição
económica. No futuro haverá provavelmente menos emprego (pelo menos nos moldes atuais), mas
mais capacidade de criar valor e riqueza. Face ao contexto global, os novos modelos económicos
e sociais terão de ser mais distributivos e mais inclusivos, e necessariamente mais sustentáveis.
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Territorialmente, persistirão dinâmicas diferenciadas entre as diversas regiões que irão de-
safiar a coesão social, económica e territorial, podendo também comprometer o desenvolvimento
sustentável. Reforça-se assim a importância de encontrar respostas na política pública e nos
cidadãos, adequadas às diferentes realidades locais e regionais.
2. Princípios e desafios territoriais
Introdução
Nos últimos trinta anos, as políticas de desenvolvimento e de sustentabilidade da União Eu-
ropeia e dos seus Estados-Membros adotaram a coesão como pilar estratégico basilar. Se inicial-
mente o reforço da Coesão Económica e da Coesão Social constituía a questão mais premente,
a Coesão Territorial ganhou relevo na entrada do novo milénio, com o aumento progressivo do
número de Estados-Membros e a necessidade de diminuir os desequilíbrios territoriais no espaço
comunitário.
O “Livro Verde da Coesão Territorial” (CEC, 2008), o Tratado de Lisboa (UE, 2009), a “Agenda
Territorial da União Europeia 2020” (EC, 2011) e os consecutivos relatórios estratégicos sobre
“Coesão Económica, Social e Territorial” conferiram reconhecimento e dimensão institucional ao
conceito de Coesão Territorial, que passou assim a estar diretamente associado a um desenvol-
vimento mais harmonioso, potenciador das diversidades e complementaridades entre (e dentro
dos) Estados-Membros, através de uma maior valorização dos recursos locais e regionais. Deste
modo, a política de coesão europeia ganha uma componente de justiça espacial.
Seguindo de perto as diretivas das políticas europeias de coesão em vigor, bem como as
análises e recomendações presentes no “7.º Relatório sobre a Coesão Económica, Social e Ter-
ritorial” (2017), o PNPOT adota e desenvolve o princípio da Coesão Territorial na sua estratégia,
em consonância com orientações já presentes em documentos nacionais, com destaque para o
Programa Nacional para a Coesão Territorial (Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2016).
O País deverá crescer na produtividade global e aumentar a inclusão. As políticas não devem
ser conduzidas para reduzir as diferenças entre as regiões, mas para alargar a base territorial
da competitividade, o que significa estimular a inovação tendo como desafio aumentar o desen-
volvimento de todas as regiões. Os contextos territoriais são diversificados, os fatores de atrati-
vidade económica são distintos, as condições sociais são diversificadas, logo as políticas devem
diferenciar-se territorialmente. Desta forma reforça-se a competitividade externa e a inclusão interna.
2.1. Princípios Territoriais
Tendo por base o conceito de coesão territorial, o PNPOT assume os seguintes princípios
territoriais:
• Enfatizar a importância da Governança Territorial como motor de articulação institucional
e reforço da subsidiariedade, através da cooperação vertical entre diferentes níveis governamen-
tais, da cooperação horizontal entre distintos atores, e de uma maior coerência entre políticas
setoriais e políticas de base territorial, promovendo uma maior eficiência e eficácia, assim como
a transparência e a prestação de contas;
• Promover dinâmicas preferenciais de Organização Territorial, identificando os recursos
territoriais capazes de criar sinergias e gerar massas críticas que favoreçam geografias funcionais,
flexíveis e integradas, passíveis de apoiar ganhos de sustentabilidade e colmatar diferenças de
dimensão, densidade e acesso a serviços e amenidades;
• Valorizar a Diversidade e a Especificidade Territoriais, considerando os ativos e as
potencialidades locais e regionais como elementos de desenvolvimento e de diferenciação para
o aumento da coesão e da sustentabilidade, nomeadamente em territórios rurais ou menos de-
senvolvidos;
• Reforçar a Solidariedade e a Equidade Territoriais como forma de promover a dis-
criminação positiva dos territórios e reduzir as disparidades geográficas e sociais através de
mecanismos de política que garantam direitos iguais a todos os cidadãos, independentemente
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de residirem em áreas centrais ou periféricas ou com diferentes graus de desenvolvimento ou
expostas a diferentes riscos;
• Promover a Sustentabilidade da Utilização dos Recursos nos diversos Territórios,
assumindo a pressão da escassez e do desperdício dos recursos e delapidação do património
natural, paisagístico e cultural, e a importância do fomento de uma economia mais verde e circu-
lar, de uma energia mais limpa e eficiente, da descarbonização da sociedade e da contenção e
reversão das perdas de património natural, paisagístico e cultural;
• Incentivar as Abordagens Territoriais Integradas enquanto instrumentos de potencia-
ção dos ativos locais e regionais e de capacitação institucional a diferentes níveis territoriais,
desenvolvendo estratégias, políticas e intervenções de coordenação e de cooperação para a
coesão.
2.2. Desafios Territoriais
Seguindo os princípios da coesão territorial, considerando o Diagnóstico Estratégico (nomea-
damente os 18 Problemas do Ordenamento do Território) e a necessidade de gerir as tendências
territoriais previsíveis identificadas no capítulo anterior, foram identificados 5 grandes Desafios
Territoriais (subdivididos em 15 opções estratégicas de base territorial) a que a política de orde-
namento do território deverá dar resposta nas próximas décadas:
1. Gerir os recursos naturais de forma sustentável
1.1. Valorizar o capital natural
1.2. Promover a eficiência do metabolismo regional e urbano
1.3. Aumentar a resiliência socioecológica
2. Promover um sistema urbano policêntrico
2.1. Afirmar as metrópoles e as principais cidades como motores de internacionalização e
competitividade externa
2.2. Reforçar a cooperação interurbana e rural-urbana como fator de coesão interna
2.3. Promover a qualidade urbana
3. Promover a inclusão e valorizar a diversidade territorial
3.1. Aumentar a atratividade populacional, a inclusão social, e reforçar o acesso aos serviços
de interesse geral
3.2. Dinamizar os potenciais locais e regionais e o desenvolvimento rural face à dinâmica de
globalização
3.3. Promover o desenvolvimento transfronteiriço
4. Reforçar a conetividade interna e externa
4.1. Otimizar as infraestruturas ambientais e a conetividade ecológica
4.2. Reforçar e integrar redes de acessibilidades e de mobilidade
4.3. Dinamizar as redes digitais
5. Promover a governança territorial
5.1. Reforçar a descentralização de competências e a cooperação intersectorial e multinível
5.2. Promover redes colaborativas de base territorial
5.3. Aumentar a Cultura Territorial
Os Desafios Territoriais do PNPOT cruzam-se de uma forma alargada com os 17 Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, o que significa uma boa
correspondência estratégica. Os Desafios Territoriais abrangem visivelmente os ODS prioritá-
rios para Portugal (4. Educação de qualidade, 5. Igualdade de género, 9. Indústria, inovação e
infraestruturas, 10. Reduzir as desigualdades, 13. Ação climática, 14. Proteger a vida marinha).
Há no PNPOT uma forte cobertura dos desafios dirigidos à governança territorial, cruzando
todos os ODS.
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Os Desafios Territoriais do PNPOT respondem aos 18 Problemas do Ordenamento do Território
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Os Desafios Territoriais do PNPOT concorrem para os 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU
D1 | Gerir os recursos naturais de forma sustentável
Enquadramento
A valorização dos recursos naturais (nas suas diversas expressões territoriais e paisagens) é
uma condição-chave para a promoção de modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, inclu-
sivos e geradores de riqueza num quadro de equilíbrio e de coesão territorial. Há que reconhecer
que existem limiares críticos que foram já ultrapassados e que existem situações de conflito que
o ordenamento do território não tem conseguido resolver e que têm agora de ser encarados numa
perspetiva adaptativa e de recuperação de passivos ambientais.
Numa visão global e sistémica, o bem-estar social e o crescimento económico dependem
do capital natural, nas suas diversas formas, desde os recursos abióticos, as espécies e habi-
tats, os ecossistemas e paisagens, e os serviços por estes prestados, através de funções de
suporte, aprovisionamento, regulação e culturais, sendo que a manutenção e recuperação da
funcionalidade dos ecossistemas depende, por sua vez, da utilização sustentável e eficiente
dos recursos feita pela sociedade e pela economia. O capital natural deve ser assumido e pros-
seguido como um fator diferenciador e valorizador dos territórios e, consequentemente, como
um fator equilibrador da distribuição da riqueza em Portugal, tornando-se um valor apropriado
pela sociedade.
Importa, assim, adotar uma perspetiva circular e integrada para equacionar o desafio de gerir
os recursos naturais de forma sustentável, tendo em consideração os territórios onde os recursos
são produzidos, transformados e consumidos, e os fluxos de materiais, energia, pessoas e riqueza
estabelecidos entre os territórios de origem do fornecimento destes recursos e os territórios de
processamento e consumo dos mesmos.
Diário da República, 1.ª série
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Conhecer os fluxos, a recirculação dos recursos e serviços e as matrizes energéticas dentro
e entre regiões ou áreas urbanas permitirá criar novas dinâmicas e oportunidades económicas e
sociais. Promover a utilização sustentável do solo, nas suas diversas formas, de uso e ocupação
e a transição energética para a descarbonização, bem como reduzir os riscos relacionados com
a rutura do fornecimento de matérias e serviços e o desperdício de recursos implicam considerar
o metabolismo urbano e regional, como forma de assegurar uma maior aderência da organização
territorial e do uso e ocupação do solo às necessidades de promoção da equidade e da eficiência
da utilização dos recursos e descarbonização e desmaterialização da economia.
Tendo presente a situação de partida em matéria de perigos, vulnerabilidades e riscos, e
considerando o atual quadro de incerteza e de mudanças climáticas, é premente antecipar que
alguns territórios, pela sua natureza, estão sujeitos a maiores pressões e impactos, ou seja, que
são mais vulneráveis e que experimentarão mudanças mais ou menos pronunciadas. É funda-
mental conhecer e prever para poder atuar com antecedência, desenvolvendo um ordenamento
do território capaz de responder às novas realidades. Aumentar a resiliência socioecológica dos
territórios e a sua capacidade de resposta em situações adversas constitui a forma mais adequada
de enfrentar a mudança.
Assim, assume-se que valorizar o capital natural, melhorar a eficiência do metabolismo urbano
e regional e aumentar a resiliência socioecológica dos territórios são os três grandes desafios no
quadro da gestão sustentável dos recursos naturais.
1.1. Valorizar o capital natural
Capital natural — Biodiversidade Capital natural — Água
Fonte: ICNF; COS/DGT; EPIC/ISA; DGT (2018) Fonte: SNIAMB/APA (2017)
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Capital natural — Áreas potenciais Capital natural — Solo de elevado valor
de recursos minerais pedológico e ecológico
Fonte: LNEG (2018) Fonte: EPIC/ISA (2013)
Valorizar o capital natural significa reconhecer que os valores e recursos naturais são fonte
de matérias-primas e bens essenciais e que os ecossistemas naturais prestam serviços funda-
mentais para a qualidade de vida das pessoas, para a geração de riqueza e, portanto, para o
desenvolvimento económico e social. Este reconhecimento passa por considerar a importância
de três recursos fundamentais e estratégicos para a promoção da qualidade de vida e a geração
de riqueza: a água, o solo e a biodiversidade, os quais determinam a aptidão do território para
produzir bens e serviços e condicionam os modelos de uso e ocupação do solo. O ordenamento
do território necessitará de assegurar a integridade destes recursos e a sua gestão sustentável,
tendo em conta o seu valor ambiental, social e económico.
A disponibilidade e a qualidade da água, de origem superficial ou subterrânea, exigem
um planeamento e gestão dos recursos hídricos focados na boa manutenção do ciclo da
água em extensões geográficas coerentes e não segmentadas por limites administrativos.
A gestão por bacias hidrográficas implica assumir a importância deste recurso e atender aos
consumos atuais e futuros, tendo em conta cenários de alterações climáticas, demográficas
e económicas. O ordenamento do território deverá considerar as situações de escassez e as
capacidades de armazenamento, salvaguardar as áreas mais importantes para a recarga de
aquíferos, assegurando a sua permeabilidade e capacidade de infiltração, e promover soluções
sustentáveis de captação, retenção e utilização da água. Deverá ainda apoiar a conetividade
da rede hidrográfica e a manutenção e recuperação dos processos dinâmicos essenciais à
integridade estrutural e funcional das interfaces ribeirinhos e de transição (sistemas lagunares
e estuarinos).
O solo constitui uma componente básica dos ecossistemas naturais, assumindo funções de
suporte à biodiversidade e à produção de bens primários, de organização dos povoamentos e
Diário da República, 1.ª série
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da paisagem, bem como da gestão e controlo dos recursos naturais. Reconhecer o valor do solo
significa inverter as lógicas de crescente consumo artificializado, e preservar a sua integridade
melhorando as condições bióticas e contendo as situações de perda, degradação e artificialização.
A transformação do solo natural para solo artificializado, decorrente da urbanização, edificação e
outras ocupações artificializadas e ainda as utilizações relacionadas com intensidades excessivas
de exploração ou más práticas de mobilização, devem ser contidas, geridas e compensadas,
particularmente em situações de fragilidade biofísica e de acrescida perigosidade potenciada
pelas alterações climáticas. O ordenamento do território terá que travar a perda e degradação
dos solos com maior valor e propiciar utilizações sustentáveis e economicamente valorizadoras
para os mais frágeis e menos produtivos, no âmbito de atividades ligadas à agricultura, floresta,
conservação da natureza, pecuária, turismo e lazer, revertendo a tendência de abandono de áreas
rurais e de perda da biodiversidade, fomentando o conhecimento da propriedade, o emparcela-
mento e gestão conjunta, travando a sua fragmentação, as ocupações edificadas dispersas e as
urbanizações fragmentadas, impulsionando um efetivo ordenamento e gestão do uso e ocupação
do solo rural.
A biodiversidade tem de ser considerada como uma componente patrimonial e um ativo em
perigo de registar perdas irreversíveis, que urge ser defendido e protegido. A variedade biogeo-
gráfica portuguesa oferece condições para que o País se posicione na vanguarda da valorização
social e económica da biodiversidade. Visando um maior reconhecimento do valor social e eco-
nómico dos ecossistemas e dos serviços por eles prestados, importa aprofundar o conhecimento
técnico e científico neste domínio e melhorar a comunicação com os cidadãos, alicerçando uma
maior consciência coletiva sobre a importância destes serviços e sobre o papel do ordenamento
do território na promoção e conciliação de ocupações, usos e utilizações que potenciam as suas
funções. Importa implementar infraestruturas verdes como elementos estruturantes da organiza-
ção do território, promover atividades económicas e geração de emprego em torno da proteção
e aproveitamento sustentável dos recursos da biodiversidade e impulsionar a integração dos
serviços dos ecossistemas nas cadeias de valor económico, bem como melhorar os níveis de
redistribuição da riqueza a favor dos territórios que prestam serviços num quadro de melhoria do
desenvolvimento socioeconómico geral.
Para além destes três recursos vale a pena atender ainda à relevância da radiação solar,
enquanto elemento decisivo no comportamento e evolução dos ecossistemas e no desen-
volvimento das atividades humanas, e da ocorrência de recursos geológicos como uma das
componentes a aprofundar e ponderar nas opções espaciais de desenvolvimento e de trans-
formação do uso do solo.
Assim, ao reconhecer-se que os diferentes territórios têm aptidões específicas para a pro-
dução de serviços fundamentais, criam-se as condições necessárias para que sejam atribuídas
utilizações adequadas aos recursos disponíveis, valorizando o capital natural, beneficiando os
territórios onde este está presente e as populações que o promovem, e aumentando o valor glo-
bal de cada território. Assumir estes valores implica diferenciar os territórios em função das suas
capacidades de produção e de consumo de recursos naturais e equilibrar as dinâmicas que se
geram entre eles.
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1.2. Promover a eficiência do metabolismo regional e urbano
Balanço das alterações do uso do solo na Europa (2000-2012)
Fonte: DRAFT REPORT ‘Land resource efficiency: Integrated accounting of land cover change and soil
functions’ — Joint EEA-JRC report (não publicado — versão de abril 2017)
Territórios artificializados (1995) Territórios artificializados (2015)
Fonte: COS (1995 e 2015)
A eficiência da utilização dos recursos é central no conceito de sustentabilidade e é um dos
pressupostos da coesão territorial. Majorar as possibilidades de crescimento económico e de
progresso social é uma questão crucial, num quadro de limitações objetivas à manutenção dos
atuais ritmos de consumo de recursos naturais, de alimentos e de solo destinado a utilizações
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artificializadas. Torna-se, pois, fundamental encetar políticas de conservação e condicionamento
da extração de recursos e de maximização dos investimentos infraestruturais já realizados e dos
ciclos de utilização de recursos já mobilizados para os processos produtivos, reduzindo o consumo
descartável e o desperdício final, melhorando a eficiência do metabolismo dos territórios urbanos
e rurais e fomentando a economia circular e de partilha.
O desafio da eficiência do metabolismo urbano e regional assenta no objetivo de melhoria da
eficiência e sustentabilidade da utilização dos recursos naturais, respondendo à escassez existente
ou iminente através da diminuição do desperdício, enriquecendo o ciclo de vida dos produtos, redu-
zindo a produção de resíduos e transformando os remanescentes em recursos. Assenta igualmente
no objetivo de redução da pegada ecológica e de continuação de redução de emissões de carbono,
e de emissões de ruído e de poluentes para o ar que afetam a saúde, em que os transportes têm
uma quota-parte muito significativa. Nesta perspetiva, o incremento de sinergias e simbioses de
produção territorializadas e a criação de mercados locais são um aspeto chave.
Na prossecução deste objetivo, o ordenamento do território deve ter um papel ativo a várias
escalas de intervenção, contribuindo para o conhecimento dos fluxos de matérias, bens e produtos,
para a promoção de economias de aglomeração e de simbioses industriais e para a promoção
de estratégias, organizações territoriais que potenciem produções e consumos de proximidade,
nomeadamente, viabilizando a produção alimentar em modalidades alternativas, fomentando
bacias alimentares e mercados locais, aproximando as funções de residência, trabalho, logística
e comércio, potenciando a produção e o consumo descentralizados de energia renovável, uma
maior eficiência na captação, armazenamento e consumo de água e na reutilização de efluentes,
e promovendo a redução do desperdício alimentar através das dimensões de ação da prevenção
à distribuição caritativa, assim como a reutilização de produtos e materiais e a valorização de
resíduos através da promoção de espaços de retoma e recolha.
O planeamento territorial deverá identificar os fluxos numa base territorial e incrementar os níveis
de autossuficiência e de aprovisionamento. As cidades, sendo grandes consumidoras de recursos
naturais e de intensidade energética e principais fontes emissoras de poluentes e de produção de
resíduos, são também, por outro lado, locais onde a economia de aglomeração potencia soluções
inovadoras de partilha, reutilização e reparação de materiais e bens. Constituem, assim, lugares es-
senciais de aplicação, dinamização e agilização da economia circular e espaços prioritários nos pro-
cessos de descarbonização, para o que é fundamental conhecer o metabolismo urbano e periurbano.
É também fundamental promover a articulação das grandes cidades e com as regiões en-
volventes, de modo a reduzir a pressão sobre a importação de recursos, a distinguir os recursos
naturais e culturais e ativar o potencial produtivo endógeno e os mercados de proximidade. No
quadro do ordenamento do território, releva a preservação do recurso solo, travando-se a artifi-
cialização associada à expansão da urbanização e edificação e promovendo-se a compactação e
colmatação em função da infraestruturação existente e segundo soluções de densidade adequa-
das a cada território. Uma utilização mais eficiente e sustentável do solo implica a promoção de
cadeias de valor que potenciem o seu máximo aproveitamento, preservando as suas qualidades
de recurso natural e fomentando a reutilização e regeneração do solo já artificializado. Importân-
cia acrescida deve ser dada à recuperação das áreas de passivo ambiental, áreas de ocupação
obsoleta e abandonada e aos territórios comprometidos e afetados por ações de urbanização e
edificação incompletas e não utilizadas.
Melhorar o metabolismo urbano e regional passa por uma conjugação dos objetivos de racio-
nalização do consumo de recursos e do seu uso mais eficiente, de descarbonização da economia
e da sociedade de cidades mais saudáveis e de desenvolvimento socioeconómico assente nos
recursos locais. Implica a facilitação e promoção de práticas mais sustentáveis e eficientes e o es-
tímulo à economia circular, à bioeconomia e à ecoinovação e pressupõe modelos de planeamento
e de gestão urbanística mais dinâmicos e adaptativos, assim como a intensificação sustentável da
agricultura no contexto da eficiência na utilização dos recursos. A par das relações de proximidade,
num contexto de espaço europeu e mundial em que o País está inserido, por outro lado, assegurar
a função principal da produção de alimentos, com o desafio crescente de uma população mundial
em expansão e num quadro de recursos limitados, implica uma intensificação da atividade assente
em princípios de sustentabilidade, em que a agricultura de precisão dará um forte contributo.
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1.3. Aumentar a resiliência socioecológica
Impactes negativos das alterações climáticas Áreas de suscetibilidade a perigos naturais
no cenário de aquecimento e antrópicos em Portugal Continental
de 2ºC — Número de setores
Fonte: Agência Europeia do Ambiente, adaptado Fonte: ICNF, APA, ANPC e DGT (2017)
do projeto IMPACT2C, 2015
Vulnerabilidade à inundação Perigosidade potencial de incên- Agravamento ou desagrava-
costeira (cenário de alterações dio rural [ponderação da mento da suscetibilidade
climáticas 2050) % de dias acima de “risco física a cheias fluviais
elevado” — em cenário (lentas e rápidas) e, cená-
de alterações climáticas rio de alterações climáticas
(RCP 8.5)] (RCP 8.5)
Fonte: Projeto CIRAC (2017) Fonte: FCUL (2017)
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Portugal, onde existe um conjunto significativo de áreas com suscetibilidade a perigos naturais
e antrópicos é no continente europeu, um dos Países mais expostos aos impactos das alterações
climáticas, revelando, num cenário expectável de mudança climática com efeitos no aumento da
temperatura média, na variabilidade da precipitação ao longo do ano e da subida do nível médio
das águas do mar, acrescidas vulnerabilidades que potenciam alguns dos riscos já existentes.
A agravar esta situação perspetivam-se evoluções demográficas no sentido da diminuição e do
envelhecimento da população nomeadamente no interior do País, que tornam mais vulneráveis
as populações aí instaladas.
É, pois, fundamental prospetivar as mudanças e os seus impactos e antever e mitigar pre-
visíveis efeitos, considerando que cada território tem capacidades e limites distintos de absorver
essas mudanças mantendo a sua identidade ao nível das estruturas e funções essenciais. Assim,
num contexto de mudanças, nomeadamente climáticas e demográficas, é relevante considerar a
resiliência socioecológica de cada território, isto é, a sua capacidade de sofrer, resistir e adaptar-se
a modificações sem ultrapassar os limiares críticos para o seu normal funcionamento.
Importa que o ordenamento do território contribua para reduzir os riscos presentes e para
aumentar a capacidade adaptativa a estas mudanças, e não para agravar os seus efeitos negati-
vos: é o caso dos processos de urbanização que pressionam a ocupação urbana junto à costa e
em áreas de leito de cheia, das dinâmicas económicas que favorecem a utilização dos solos em
regime de monocultura e as que, em sentido contrário, desvalorizam os ativos territoriais e levam
ao abandono e isolamento das populações, bem como das dinâmicas de utilização intensa dos
recursos hídricos e de conflitos em áreas naturais relevantes para a conservação da natureza e
a biodiversidade.
O ordenamento do território terá de promover a valorização da aptidão do território e das
suas funções considerando as diversas ocupações, usos e utilizações, a gestão dos serviços dos
ecossistemas em prol da sociedade e da economia, a gestão do risco e a consciencialização dos
cidadãos sobre os perigos a que estão expostos. Terá de manter o enfoque nos princípios da pre-
venção, precaução e adaptação e assegurar uma maior racionalidade dos processos de urbanização
e edificação, no sentido da contenção da urbanização fragmentada e da edificação dispersa, bem
como dos processos de ordenamento silvícola e agrícola, no sentido de encontrar modelos de
ocupação mistos e resilientes, que promovam a exploração florestal e agrícola mais sustentável.
Releva-se a importância da promoção e implementação de infraestruturas verdes e azuis que
contribuam para a adoção de soluções de base natural, potenciadoras de sinergias entre objetivos
de restauração e incremento da resiliência dos ecossistemas, de adaptação do território aos im-
pactos das alterações climáticas e de minimização, vulnerabilidades e riscos e de funcionalidades
produtivas essenciais para a utilização sustentável do solo.
É necessário ordenar o território atendendo à sua capacidade de assegurar o funcionamento
dos sistemas ecológicos, sociais e económicos visando a melhoria das condições dos vários tipos
de espaços e da qualidade de vida dos seus habitantes bem como a potenciação da atratividade
dos territórios urbanos, urbano-rurais e rurais.
A seca, as cheias, a erosão do litoral, as vagas de frio, as ondas de calor, os incêndios flores-
tais, a desertificação e o despovoamento vão tornar-se mais evidentes, pelo que é fundamental
aumentar a resiliência e a capacidade adaptativa das populações e das atividades, numa lógica
de prevenção, proteção e acomodação, de redução de vulnerabilidades e riscos existentes e de
recuperação face a eventos extremos.
Para responder a esta exigência é indispensável garantir uma maior resiliência socioecológica
dos territórios nos vários níveis de planeamento e gestão, considerando os diversos limiares críti-
cos, os custos de inação e a opção entre soluções de base natural ou intervenções mais pesadas.
O papel multifuncional das infraestruturas verdes carece ser reforçado nas diferentes escalas,
nomeadamente quanto à redução da fragmentação dos habitats, à facilitação da conetividade
territorial e paisagística e à promoção da integração das políticas setoriais. O conhecimento dos
territórios, identificando os seus limiares de suporte e capacidade produtiva, desenvolvido com um
forte envolvimento e consciencialização da sociedade para os riscos e para uma maior capacidade
de agir, quer preventivamente quer em situações de emergência, exige um grande esforço público
e de todos os atores sociais.
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D2 | Promover um sistema urbano policêntrico
Enquadramento
Promover um sistema urbano policêntrico propicia uma organização territorial mais equili-
brada, estruturada por um conjunto de cidades que proporcionam uma diversidade de funções e
relações interurbanas e rurais-urbanas e criam oportunidades de vida e de bem-estar às popula-
ções. O desafio orienta-se no sentido de valorizar e qualificar o conjunto do sistema urbano, em
diferentes escalas, atores e formas, na sua diversidade e complexidade, como quadro de vida e
como suporte incontornável de modos de vida contemporâneos da população e de uma economia
moderna e competitiva.
Este desafio é central no ordenamento do território da Europa (e, em particular, em Portugal)
num contexto em que, num cenário de inação por parte da ação pública, as mudanças sociode-
mográficas, tecnológicas e económicas favorecem a concentração das populações, das atividades
económicas e das funções nas metrópoles e nas principais cidades. Apostar num sistema urbano
mais equilibrado contribui para contrariar as tendências polarizadoras e promove mais equidade
territorial no acesso aos serviços e comércio e aos processos de inovação económica e social.
Responder ao desafio do desenvolvimento urbano policêntrico à escala europeia passa por au-
mentar o número de cidades portuguesas com capacidade de inovação e polarização de âmbito
supranacional. Estas cidades, em conjunto com as regiões envolventes, deverão, pois, fortalecer
o seu posicionamento internacional. A importância do desenvolvimento urbano exprime-se a nível
mundial, pela atenção que as grandes organizações internacionais dedicam ao tema: a Agenda
2030 de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015), o Habitat III (ONU — Relatório Nacional,
2016), o Pacto de Amesterdão, Agenda Urbana para a União Europeia (2016), e a Nova Agenda
Urbana III (ONU, 2016).
É necessário valorizar e qualificar o conjunto do sistema urbano, em diferentes escalas,
atores e formas, na sua diversidade e complexidade, como quadro de vida e como suporte
incontornável de modos de vida contemporâneos da população e de uma sociedade moderna.
A nível nacional, o desenvolvimento urbano policêntrico passa pelo reforço dos nós urbanos
de âmbito regional e pela dinamização de interações urbanas e rurais-urbanas. A organização
policêntrica tende a evitar a concentração excessiva nas metrópoles e a potenciar a revitalização
das pequenas e médias centralidades. Pressupõe a cooperação e a conetividade em diversas
escalas, entre diferentes densidades e formas de povoamento, tendo em vista fortalecer os
recursos urbanos e explorar complementaridades que potenciem a criação de massas críticas.
O desenvolvimento urbano policêntrico constitui, assim, um fator de coesão ao nível nacional.
A promoção e a atualização dos PROT e os PIMOT, enquanto instrumentos de gestão territo-
rial, podem dar importantes contributos para a promoção e valorização de sistemas urbanos
policêntricos.
Para construir um sistema mais equilibrado de cidades, com relacionamentos funcionais
complementares entre si, é fundamental melhorar a qualificação urbana. Os espaços urbanos
deverão constituir oportunidades de desenvolvimento e consolidação de modos/estilos de vida
consentâneos com as necessidades e expectativas da sociedade portuguesa, garantindo uma
melhor qualidade de vida e de bem-estar às pessoas e às comunidades e atendendo às princi-
pais carências e desigualdades sociais, ao desenvolvimento económico e à competitividade das
empresas, e à valorização dos ecossistemas e à salvaguarda da segurança.
Assim, assume-se que afirmar as metrópoles e as principais cidades como motores de in-
ternacionalização e competitividade externa, reforçar a cooperação interurbana e rural-urbana
como fator de coesão interna e promover a qualificação urbana como elemento condicionador do
bem-estar social e da qualidade de vida constituem os três objetivos no quadro da estruturação
policêntrica do território.
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2.1. Afirmar as metrópoles e as principais cidades como motores de internacionalização
e competitividade externa
Cenário Europeu 2050, o crescimento favorece Cenário Europeu 2050, o crescimento favorece
as grandes metrópoles as redes de cidades
Fonte: ESPON (2014), “Making Europe Open and Fonte: ESPON (2014), “Making Europe Open and
Polycentric: Vision and Scenarios for the European Polycentric: Vision and Scenarios for the European
Territory towards 2050” Territory towards 2050”
Dimensão da base institucional Exportações de bens, por concelho (2015)
do conhecimento
e da inovação, por concelho (2017)
Fonte dos dados: ANI; FCT e DGEEC (2017) Fonte dos dados: INE, Estimativas do Comércio
Internacional de bens (2015)
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A globalização encontra nas escalas metropolitanas e cidades os principais nós de
amarração e articulação das suas redes, sublinhando as interdependências entre vários
subsistemas territoriais à escala internacional e criando uma geografia global de redes entre
cidades. O crescente processo de digitalização e desmaterialização acentua os fluxos e redes
globais, o que representa uma oportunidade para as cidades atraírem empresas internacionais,
desenvolverem nichos de especialização e complementaridades globais, desempenhando um papel
importante no processo de globalização. Neste processo de formação de uma nova geografia de
centralidades, as cidades devem reforçar o papel de principais nós de articulação de dois tipos
de dinâmicas. Por um lado, as relações com o sistema regional, funcionando as cidades como
centros de spillover regional e, simultaneamente, beneficiando da ampliação da densidade das
múltiplas camadas de complementaridades regionais diferenciadoras. Por outro lado, num quadro
de elevada competitividade externa, o reforço da dinâmica das relações com o sistema internacio-
nal, ampliando as trocas multidimensionais, alargando as escalas geográficas de penetração das
suas redes e posicionando-se face à crescente competição global entre cidades.
Centrando a atenção nas relações com o sistema internacional, as cidades devem-se posi-
cionar, em termos económicos, dentro das cadeias de valor globais, das cadeias de fornecimento
globais, das redes globais de comércio, dos sistemas globais de inovação, das redes globais de
investidores, talento, mercados de trabalho ou associações profissionais. Mas a dimensão social
também é necessária, daí que devem igualmente posicionar-se nas redes globais de organizações
intergovernamentais e não-governamentais, arte, cultura, património, turismo, ambientais, direitos
humanos, entre outras. Simultaneamente devem identificar as complementaridades diferenciadoras
que lhes permitam emergir face a esta competição multidimensional global das cidades. Para tal,
devem manter e gerar conetividades com os circuitos globais, proporcionar ambientes de negó-
cio e níveis de qualidade de vida atrativos à escala internacional, facilitar a conetividade social
e reforçar as externalidades positivas (materiais e de recursos humanos) que leve ao reforço da
sua imagem e reputação, aumentando a sua centralidade e capacidade de articulação na rede
global de cidades.
A organização do espaço europeu estrutura-se em torno de um conjunto de grandes cidades
e regiões metropolitanas que têm uma posição central no sistema urbano global. As cidades portu-
guesas são, no entanto, cidades com uma dimensão relativamente pequena quando comparadas
com as grandes metrópoles mundiais. Em termos estratégicos, é importante aumentar o número
de cidades portuguesas de dimensão europeia, com capacidade de inovação e polarização do
desenvolvimento económico, social e cultural. As cidades melhor conectadas e mais inseridas em
redes supranacionais são as portas de acesso ao mundo global.
Em Portugal, as duas áreas metropolitanas e as principais cidades precisam de desenvolver
estratégias solidárias com as regiões envolventes tendo em vista fortalecer a sua competitividade
e o posicionamento internacional. Trata-se de consolidar um conjunto de cidades que, simultanea-
mente, estruturem o território nacional e o projetem externamente. Para melhorar a relevância destes
contextos urbanos é necessário estimular processos de inovação, promover redes de cooperação
e fomentar dinâmicas de crescimento a partir da presença em mercados e espaços de decisão
supranacionais, tornando as cidades portuguesas rótulas de internacionalização, competitividade
e coesão de toda a base territorial do País.
As metrópoles e as principais cidades portuguesas concentram também os recursos insti-
tucionais, infraestruturais e humanos mais qualificados, podem também assumir-se como nós
urbanos estratégicos e parte integrante das redes colaborativas à escala transnacional (nomea-
damente à escala transfronteiriça), desenvolvendo funções económicas de valia internacional,
atraindo investimento, localizando equipamentos de referência e oferecendo um quadro de vida
diferenciador e atrativo. As atividades de investigação e desenvolvimento, a experimentação, a
formação avançada, o empreendedorismo e o desenvolvimento de novos negócios, bem como a
internacionalização e a projeção global das empresas, dos equipamentos e serviços, das univer-
sidades e centros de investigação e das próprias cidades, desempenham aqui um papel central.
Nas cidades transfronteiriças pode-se criar um modelo de ensino que permita a partilha de culturas
e métodos de ensino entre alunos e professores.
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Por outro lado, a diplomacia urbana, isto é, o desenvolvimento de canais e práticas sistemáticas
de cooperação e intercâmbio entre cidades de diferentes Países, pode desencadear processos de
aprendizagem a partir de experiências externas e fortalecer as capacidades urbanas necessárias
para impulsionar redes em torno de temas estratégicos para as regiões onde se inserem e para
o País.
2.2. Reforçar a cooperação interurbana e rural-urbana como fator de coesão interna
Relações interurbanas e rurais-urbanas (2011) Polaridades e redes de fluxos casa-trabalho/
escola, por concelho (2011)
Fonte dos dados: INE, Censos da População (2011) Fonte dos dados: INE, Censos da População (2011)
A interdependência crescente entre áreas urbanas, rurais e de povoamento difuso cria territórios
funcionais onde se pode reforçar formas reciprocamente benéficas de cooperação, integração e
sinergia, explorando novas oportunidades, aumentando a massa crítica de conjunto (populacional,
económica, social e cultural) e contribuindo para uma maior coesão do território nacional. Assim,
no futuro, as oportunidades de ação requerem modelos de intervenção mais equilibrados e inte-
gradores. Dinamizar o policentrismo ao nível nacional pressupõe aumentar as parcerias interur-
banas e rurais-urbanas e estimular novos formatos de governança territorial visando sobretudo o
reforço das complementaridades ambientais, económicas e sociais, potenciadoras de benefícios
para todas as áreas.
Num cenário de perda demográfica e envelhecimento da população, a cooperação interurbana
e rural-urbana pode promover as regiões economicamente mais frágeis, fortalecer a sua resiliência
e fomentar padrões de produção e consumo mais sustentáveis, robustecendo as economias de
escala necessárias. Assim, as cidades precisam aumentar, ao nível regional e supramunicipal, as
suas articulações em torno de funções económicas estratégicas e de projetos de referência de
natureza ambiental ou social, sendo ainda necessário reforçar o papel económico dos territórios
rurais, valorizador da sua capacidade produtiva e das mais-valias associadas aos serviços que
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podem prestar às comunidades (sumidouros de carbono, produção de energia, produção de ali-
mentos, exploração de recursos minerais, entre outros). Deste modo, as políticas centradas na
cooperação interurbana ou rural-urbana necessitam de integrar as especificidades locais e promover
complementaridades institucionais e territoriais, potenciando o desenvolvimento socioeconómico
e a sustentabilidade ambiental. As cidades e os pequenos centros urbanos são as âncoras de
sustentação dos territórios de baixa densidade e de povoamento difuso, pela oferta de comércio,
equipamentos e serviços que garantem, pelas redes sociais e económicas que desenvolvem e
pelas oportunidades de sociabilidade que desencadeiam.
Ao nível da cooperação interurbana é fundamental estruturar subsistemas territoriais rentabili-
zando a oferta de equipamentos e de transporte público, promovendo, desta forma, mais equidade
territorial e bem-estar social. No que se refere à cooperação rural-urbana é crucial promover uma
maior articulação das cadeias de valor, dinamizar ativos e ofertas complementares e desenvol-
ver serviços de ecossistema com articulações a funções urbanas relevantes (nomeadamente no
âmbito do sistema alimentar, do mercado de trabalho, dos fluxos de pessoas e mercadorias, das
redes de informação e de investimento, das redes de água, energia e resíduos, e de serviços nas
áreas do turismo, lazer e bem-estar).
Os processos de intercâmbio podem basear-se em estratégias de cooperação e experimen-
tação interurbana e rural-urbana. A nível local e regional é preciso reforçar a implementação de
projetos que estimulem relacionamentos entre diferentes áreas geográficas, que combatam o
isolamento das áreas mais remotas e que fomentem dinâmicas mais integradas e sustentáveis
de ordenamento do território. É importante reforçar a implementação de projetos colaborativos
entre as áreas de alta e baixa densidade, entre os centros das cidades e as áreas urbanas mais
periféricas, entre as cidades e os espaços rurais envolventes. Neste âmbito, os espaços trans-
fronteiriços e os territórios ultraperiféricos devem ser objeto também de estratégias específicas
de reforço dos relacionamentos interurbanos e urbano-rurais.
2.3. Promover a qualidade urbana
Grau de urbanização na Europa por unidades Densidade populacional (2011)
administrativas de nível 2 (2016)
Fonte: Eurostat regional yearbook (2017) Fonte dos dados: INE, Censos da População
(2011)
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Número de famílias a realojar, Emissões de CO2 pelos transportes
por concelho (2018) rodoviários, por concelho (2015)
Fonte dos dados: Levantamento Nacional Fonte dos dados: APA (2017)
das Necessidades de Realojamento
Habitacional (fev. 2018)
Os processos de qualificação e de regeneração urbana são cada vez mais complexos e
envolvem múltiplas dinâmicas e atores. Qualificar as cidades passa por promover a qualidade
ambiental e funcional, a qualidade de vida dos cidadãos, o direito à cidade, e os usos mistos dos
territórios, contrariando tendências de segregação e exclusão espacial e valorizando os recursos
naturais, socioculturais e económicos.
As áreas urbanas devem promover modelos urbanos mais compatíveis com as especifici-
dades físicas do território (clima, relevo, recursos hídricos, entre outros), demonstrando maior
sensibilidade aos problemas e oportunidades ambientais. As preocupações com a renaturaliza-
ção das cidades, a reabilitação urbana, a redução do consumo de energia e água, a mobilidade
urbana sustentável e a utilização de energias alternativas favorecem o crescimento verde e um
desenvolvimento urbano mais sustentável, com repercussões ao nível da saúde e da qualidade
de vida dos cidadãos. Os modelos de uso e ocupação do solo devem ainda constituir-se como
fatores positivos na promoção de cidades. É fundamental assegurar a coerência e aderência com
as políticas e medidas em matéria de emissões e de qualidade do ar.
Monitorizar e qualificar o processo de urbanização em Portugal revela-se fundamental para a
melhoria da qualidade urbana. Neste âmbito, é também necessário garantir uma maior articulação
entre as diferentes escalas de gestão e de planeamento (local, regional e nacional). O ordena-
mento do território, o planeamento urbano e o urbanismo, concertadamente, deverão contribuir
para a valorização dos espaços urbanos tendo em vista: resolver as deficiências estruturais dos
territórios urbanos descontínuos, fragmentados e dispersos; estruturar e reforçar a conetividade
dos tecidos urbanos; desenvolver e reforçar centralidades urbanas, estruturando sistemas poli-
cêntricos; integrar funcional e ambientalmente os tecidos urbanos e os espaços abertos rústicos;
promover a qualidade urbana em matéria de segurança, riscos, eficiência energética e hídrica e
mobilidade para todos; promover e incentivar a elaboração de projetos integrados de urbanismos
e de planos de urbanização.
Diário da República, 1.ª série
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A implementação de sistemas inteligentes de mobilidade urbana, energia, água e resíduos
que contribuam para a descarbonização da sociedade e para uma utilização mais eficiente dos
recursos é prioritária. As novas tecnologias facilitam a qualificação das cidades, podem favorecer
a consciência socioecológica dos cidadãos, contribuir para alterar os comportamentos sociais
e apoiar o desenvolvimento de novas configurações de governança que tornem as cidades em
lugares melhores para viver e trabalhar. Complementarmente, a redução das distâncias e das
necessidades de deslocação, a repartição modal mais sustentável e uma melhor gestão da mobi-
lidade são preocupações igualmente importantes para a valorização do ambiente e da qualidade
de vida das populações.
Os contextos urbanos e as intervenções institucionais e dos cidadãos podem também pro-
mover a coesão e o equilíbrio social, diminuindo as desigualdades e os níveis de exclusão. Assim,
é necessário que a regeneração dos territórios dos territórios urbanos desfavorecidos valorize
as ações de base comunitária e os processos cocriativos, bem como, os espaços públicos e a
imagem urbana, uma vez que são os locais de referência da vida comunitária, propiciando um
maior sentimento de pertença e de identidade por parte dos cidadãos. É fundamental superar as
carências habitacionais recorrendo à reabilitação de fogos devolutos na malha urbana consolidada,
contrariando assim as tendências de segregação territorial e social e valorizando os recursos já
investidos no edificado.
Num contexto de crescente competição urbana por captação de residentes e visitantes, as
características urbanas intrínsecas (arquitetura, desenho urbano, oferta habitacional, de cultura e
lazer, entre outros) podem constituir vantagens diferenciadoras. Deste modo, as cidades devem
prosseguir políticas que melhorem as condições e a qualidade de vida dos seus residentes e que
visem transformar os visitantes em futuros residentes, captando assim pessoas, investimento e
rendimentos externos. De facto, investir na capacidade de atração dos nossos territórios é crucial
face a um cenário demográfico em perda.
A regeneração das áreas urbanas, tanto centrais como periféricas, incluindo a reabilitação do
edificado, a revitalização comercial e o desenvolvimento de novos serviços e áreas de serviço e
indústria bem infraestruturadas e localizadas, continuarão a ser estratégicas e deverão contribuir
ativamente para evitar a exposição da população a níveis de ruído e de poluição que afetem a
sua saúde. As pequenas empresas e os profissionais criativos, beneficiando das novas tecnolo-
gias, podem relacionar-se com a estrutura urbana, interagindo com a cultura, o património, a arte
e os locais de emprego e de residência. Os espaços económicos também são importantes, pelo
que importa planear a oferta de áreas de serviços, de comércio e de indústria, dotadas de boa
localização, infraestruturas adequadas e amenidades atrativas. Neste contexto e no que refere,
em especial ao comércio e alguns serviços, a sua localização deve visar não originar novas cen-
tralidades, mas favorecer a densificação das áreas comerciais já existentes, otimizando a estru-
tura comercial e de serviços instalada, contrariando as deslocações pendulares e promovendo
economias de aglomeração.
D3 | Promover a inclusão e valorizar a diversidade territorial
Enquadramento
Num contexto de profundas desigualdades territoriais, económicas e sociais, é fundamen-
tal o desenvolvimento de abordagens integradas do território que permitam potenciar o uso e o
aproveitamento dos recursos territoriais, procurando igualmente promover processos inclusivos
e integradores de natureza multiescalar. Este desafio é central no âmbito da política territorial
nacional, na medida em que é urgente contrariar as desigualdades socioespaciais tendo como
referência princípios de coesão territorial e justiça espacial.
Responder a este desafio passa por reduzir os níveis de pobreza e de exclusão social, au-
mentando a equidade de oportunidades e a igualdade de direitos dos cidadãos (habitação, saúde,
alimentação, educação e emprego), independentemente da sua condição socioeconómica e geo-
gráfica, nacionalidade, idade, género, etnia ou situação de deficiência. A acessibilidade (física e
digital) a serviços de interesse geral e a acessibilidade ao comércio de proximidade, num quadro
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de qualificação da qualidade de vida e do bem-estar das populações, são fatores cruciais para
um crescimento inclusivo e integrado.
Por sua vez, a dinamização dos diferentes potenciais locais e regionais e do desenvolvimento
rural é fundamental para reforçar identidades, gerar valor e criar emprego. É essencial apostar
na capacitação das organizações e empresas locais e na qualificação de recursos humanos, de
forma a estimular evoluções disruptivas geradoras de uma nova e mais alargada capacidade
competitiva por parte do tecido produtivo. Neste contexto, tem também importância a necessidade
de desenvolver as artes e os ofícios tradicionais.
Finalmente, é fundamental o desenvolvimento dos territórios transfronteiriços, através do pros-
seguimento de políticas de cooperação, tanto nas suas componentes mais tradicionais como em
novos domínios capazes de responder aos desafios da inovação societal e da internacionalização.
Assim, assume-se que aumentar a inclusão social e o acesso aos serviços de interesse geral,
bem como dinamizar os potenciais locais e regionais e o desenvolvimento rural, e promover o
desenvolvimento transfronteiriço constituem os três objetivos no quadro da inclusão e dinamização
da diversidade territorial.
3.1. Aumentar a atratividade populacional, a inclusão social, e reforçar o acesso aos
serviços de interesse geral
Perfis de vulnerabilidade social Síntese da acessibilidade aos serviços
e perda demográfica (2017) de interesse geral (2017)
®ŸŘǼs_Ÿǣ__ŸǣʲÝŗrʹˡ˟ˠˠʰˡ˟ˠ˦ʺʱÝr®ƻʹˡ˟ˠ˦ʺʱÝŗǢ ®ŸŘǼs_Ÿǣ__ŸǣʲÝŗrʹˡ˟ˠˠʰˡ˟ˠ˦ʺʱÝr®ƻʹˡ˟ˠ˦ʺʱÝŗǢ
ʹˡ˟ˠ˦ʺʱōǻǢǢǢʹˡ˟ˠˤʺʱōǢȚ_sʹˡ˟ˠ˦ʺʱōğȖǣǼÞYʹˡ˟ˠ˦ʺʱ ʹˡ˟ˠ˦ʺʱōǻǢǢǢʹˡ˟ˠˤʺʱōǢȚ_sʹˡ˟ˠ˦ʺʱōğȖǣǼÞYʹˡ˟ˠ˦ʺʱ
ōr_ȖOYŸʹˡ˟ˠ˦ʺ ōr_ȖOYŸʹˡ˟ˠ˦ʺ
Portugal está em perda demográfica e envelhecido, consequência da evolução negativa do
crescimento natural e dos saldos migratórios negativos, aliado ao aumento da esperança de vida
Diário da República, 1.ª série
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dos últimos anos. Esta tendência demográfica só poderá ser contrariada se conseguirmos aumentar
a atratividade populacional, nomeadamente de jovens imigrantes, de forma a equilibrar a nossa
estrutura demográfica e a necessidade de renovação das gerações. O envelhecimento é uma
vantagem para os indivíduos, as famílias e para a sociedade, mas quando combinado com certas
problemáticas sociais ou económicas, torna-se um dos fatores mais favoráveis à vulnerabilidade e
à exclusão social. Pelo que é necessário implementar medidas que intensifiquem a imigração e/ou
contrariem a emigração, que reforcem o as relações intergeracionais. e que promovam a inclusão
social. O processo de envelhecimento da população portuguesa representa um desafio social para
as políticas públicas. Pelo que é necessário implementar medidas que reforcem a qualidade de
vida dos mais idosos, promovam as relações intergeracionais e a inclusão social e intensifiquem
a imigração e/ou contrariem a emigração.
Atualmente, no território nacional inscrevem-se formas de injustiça espacial que incorporam
processos de exclusão social, conjugados com desequilíbrios na qualidade e no acesso aos serviços
e às infraestruturas. Na última década, sobretudo durante a crise pós-2008, emergiu uma paisagem
de menor valor, segregação e fragmentação territorial. A aplicação do conceito de desenvolvimento
harmonioso, seguindo a missão da política de coesão, considera fundamental proporcionar a todos
os europeus, independentemente do local onde residem, a oportunidade de serem incluídos e de
poderem fazer escolhas livremente. Em Portugal a segmentação social manifesta-se territorial-
mente com intensidades e perfis espaciais diferentes. São sobretudo os contextos metropolitanos
e urbanos que mais concentram populações excluídas ou pobres. Mas os processos de exclusão
apresentam diferentes perfis territoriais, numas áreas dominando o desemprego ou a precariedade
do emprego e os baixos rendimentos do trabalho, noutras os processos de envelhecimento e as
fragilidades em matéria de saúde e de rendimentos, e noutras ainda os grupos mais vulneráveis,
nomeadamente comunidades imigrantes. Estes perfis socioterritoriais sobressaem a dimensão
das desigualdades sociais e identificam injustiças espaciais em função dos diferentes fatores que
poderão ser levados em conta na territorialização das políticas sociais.
Em termos de inclusão social, é essencial garantir o acesso generalizado à habitação condigna
e a serviços de interesse geral, de acordo com os diferentes padrões de povoamento, desenvol-
vendo o capital social e melhorando as condições de bem-estar da população. Em Portugal, é
particularmente relevante que nas regiões pouco povoadas e menos desenvolvidas sejam imple-
mentadas políticas que garantam equidade territorial no acesso aos serviços, considerando as
complementaridades potenciadas pelo sistema urbano. As diferentes soluções de acessibilidade
(física e digital) e de mobilidade (deslocação das pessoas aos serviços ou dos serviços às pessoas)
devem procurar garantir aos distintos grupos populacionais o acesso efetivo às funções urbanas.
Rentabilizar recursos e afirmar os ativos e as especializações sub-regionais contribuem para a
qualidade de vida e o bem-estar das populações e para a sustentabilidade do sistema social,
nomeadamente nas áreas rurais ou de baixa densidade.
Promover níveis acrescidos de inclusão implicará igualmente mais inovação social, a qual
será particularmente decisiva no que respeita ao desenvolvimento de novos modelos mais cola-
borativos e partilhados de prestação, acesso e utilização de serviços, assim como ao usufruto de
bens públicos e coletivos, que ganham cada vez maior relevância na promoção da qualidade de
vida dos cidadãos e na resiliência e criatividade das comunidades locais.
Os serviços públicos e de interesse geral constituem um importante pilar do Modelo Social
Europeu, sendo um fator de coesão social, económica e territorial. O acesso a serviços de interesse
geral é essencial para melhorar o capital social e as oportunidades de desenvolvimento económico,
bem como as condições de bem-estar essenciais para todos os cidadãos.
Não obstante os recentes investimentos nesta matéria, perduram carências e/ou inadequa-
ções várias nas redes ou na qualidade dos serviços. Existem também insuficiências na articu-
lação intersectorial e a necessidade de avançar para novos modelos de serviços mais flexíveis
e adaptáveis às mudanças em curso e que ignoram um esforço sustentado de inovação social,
cultural e simbólica.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 43
3.2. Dinamizar os potenciais locais e regionais e o desenvolvimento rural face à dinâ-
mica de globalização
Base económica local e regional Rede de equipamentos e serviços PIB per capita em PPC face
e Redes de infraestruturas de conhecimento e inovação (2017) à UE28 e VAB,
por NUTS III (2015
Fonte dos dados: INE, Sistema Fonte dos dados: FCT; ANI Fonte dos dados: INE, Contas
de Contas Integradas e DGEEC (2017) Económicas Regionais (2017)
das Empresas (2017)
As pequenas economias abertas, como a portuguesa, competem e enriquecem, antes de
mais se forem capazes de:
í Evoluir a sua oferta ao exterior de bens, serviços, conteúdos e conceitos sintonizando-a
com os mercados e os segmentos setoriais de maior crescimento no comércio internacional e se
conseguirem reunir as condições para que essa oferta ao exterior possua uma maior componente
de valor acrescentado nacional;
í A partir do seu território, gerarem ativos físicos que se tornem atrativos para aplicação de
poupanças vindas do exterior graças à combinação de valências naturais, de ofertas que asse-
gurem qualidade de vida e de um património que suporte capital simbólico que muitos cidadãos
vindos do exterior desejem compartilhar.
Uma pequena economia aberta como a nossa, para evitar a desarticulação face a um mosaico
geográfico global em permanente mudança, necessita de definir estratégias multiescalares. Estas
devem atender, simultaneamente, aos elementos diferenciadores do mosaico geográfico nacional
(capital humano, institucional, territorial, simbólico) e a uma seleção estratégica dos territórios de
amarração a privilegiar no arquipélago global.
As comunidades, as cidades e as regiões têm de conceber estratégias de desenvolvimento
baseadas nas características territoriais e na potenciação dos seus recursos, de modo a promover
dinâmicas económicas mais equilibradas e policêntricas, valorizando as complementaridades e
encarando a diversidade territorial como um ativo. Os clusters económicos e os polos de compe-
titividade e tecnologia (saúde, têxtil, vestuário, calçado, mar, agroindustrial, habitat, automóvel,
mobiliário, entre outros), as artes e os ofícios locais (singulares de cada território), os sistemas
Diário da República, 1.ª série
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agroalimentares (vinha, olival, leite e derivados, frutícolas, hortícolas e leguminosas) e agroflores-
tais (pinhal, montado, eucaliptal), a produção de energia (fotovoltaica, eólica, hídrica, biomassa,
petroquímica), os recursos minerais (acautelando devidamente as questões ambientais) e o tu-
rismo, moldado e suportado por um património natural, cultural e simbólico diferenciado, constroem
mosaicos económicos com funcionalidades diversificadas que precisam ser potenciadas. Importa
desenvolver a cooperação entre os diferentes clusters, atividades e atores, de forma a aprofundar
as estratégias de especialização inteligente. A intensificação das relações dentro de regiões fun-
cionais, com fronteiras permeáveis, reforça as dinâmicas da inovação nos clusters consolidados
e contribui para a germinação de protoclusters.
Para promover o desenvolvimento rural e dinamizar os potenciais locais e regionais e para
alcançar a desejada transformação estrutural da economia nacional será decisivo afirmar os territó-
rios enquanto lugares de oportunidades e de qualidade de vida. Neste âmbito, a ação dos governos
e das lideranças locais e regionais será decisiva para criar ecossistemas regionais de inovação
baseados em colaborações interinstitucionais (público-privadas) e multinível (público-público),
que com base na criatividade e no conhecimento (tácito e explícito) acumulado nos lugares e nas
regiões, sejam suscetíveis de dinamizar combinações únicas de recursos e de ativos em torno de
projetos de futuro. As abordagens territoriais integradas necessitam de ser ativamente promovidas
enquanto instrumentos operacionais das estratégias de desenvolvimento e de alinhamento com
as prioridades nacionais e regionais.
Portugal precisa de reforçar os processos de inovação regional, intensificando a especialização
em torno de tecnologias-chave, intensivas em conhecimento e em ativos territoriais, como são as
inovações ambientais, as tecnologias e as infraestruturas verdes e a economia azul. Simultanea-
mente, podendo-se ativar novos modelos de organização territorial que facilitem o desenvolvimento
da indústria 4.0 e da economia circular e que aprofundem as estratégias de especialização inteli-
gente na intrínseca articulação com os territórios alvo de Desenvolvimento Local de Base Comu-
nitária (DLBC). A digitalização da economia, através, nomeadamente, da geração e utilização de
dados abertos e de processos baseados em big data e em serviços de cloud, necessita de estar
ao serviço da inovação e de dinâmicas mais ajustadas às necessidades dos cidadãos. Assim,
cada um dos ecossistemas territoriais de inovação deve progredir no seu ciclo de vida, através
de impulsos que acelerem a integração na revolução industrial 4.0 e a valorização das esferas
ambiental e da responsabilidade social, enquanto alavancas da inovação e de intensificação dos
processos de empreendedorismo.
Nas regiões menos desenvolvidas, as interfaces e infraestruturas empresariais e tecno-
lógicas ligadas à agricultura, à floresta, ao turismo, às energias renováveis, aos recursos na-
tural, arquitetónico, cultural artístico (incluindo as artes e os ofícios tradicionais) e paisagístico
precisam de estar conectadas com os principais centros de decisão e inovação, de forma a
dinamizarem um desenvolvimento económico mais diversificado através de vantagens compa-
rativas. A agricultura e a floresta devem ser promovidas enquanto atividades com importantes
funções económicas, em ligação com as indústrias conexas, devendo garantir-se inovação e
diferenciação, gerando produtos de maior valor acrescentado. Neste contexto, é fundamental
potenciar o seu contributo para o desenvolvimento dos territórios rurais e para a projeção ex-
terna do País, tendo ainda em conta outros valores e vetores como a paisagem, a cultura e o
turismo. Também as economias residenciais e de consumo (decorrentes do turismo interno e
externo, dos emigrantes em férias ou dos residentes imigrantes) são fundamentais para au-
mentar a dotação de bens e serviços transacionáveis. Por outro lado, é necessário reforçar a
atenção na educação e nas competências, o que significa intervenções centradas na criação de
sistemas mais eficientes de educação, emprego e formação, assegurando que as intervenções
em matéria de capital humano são diferenciadas e ajustadas de acordo com as necessidades
e os desafios de desenvolvimento de cada região.
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3.3. Promover o desenvolvimento transfronteiriço
Regiões Fronteiriças, por NUTS III Perda de PIB nas regiões fronteiriças
terrestres NUTS III
da UE devido a obstáculos transfronteiriços
Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região, Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região,
A minha Europa, O Nosso Futuro: Sétimo relatório A minha Europa, O Nosso Futuro: Sétimo relatório
sobre a coesão económica, social e territorial” sobre a coesão económica, social e territorial”
Densidade populacional, por freguesia (2011) Áreas Fronteiriças — NUTS III e NUTS II
Fonte dos dados: INE Portugal e INE Fonte: GEMCAT; Eurostat (2017)
Espanha, Censos da População (2011)
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Os impactos resultantes da ação conjugada dos fatores críticos de mudança emergentes,
oportunamente identificados, far-se-ão sentir no espaço transfronteiriço. Este espaço está confron-
tado, independentemente do lado da fronteira, com alterações significativas do seu enquadramento
de referência ao nível ambiental, demográfico, tecnológico, económico e social. Alterações cujas
consequências, num cenário de ausência de ação, se aprofundarão inevitavelmente de forma
agravada nestes territórios transfronteiriços.
O esbatimento do efeito de fronteira e o reforço das relações transfronteiriças, que historica-
mente constituíram os principais objetivos estratégicos da cooperação transfronteiriça europeia
ainda que não tenham sido integralmente alcançados, mitigaram visivelmente as consequências
adversas que decorrem desse efeito.
No futuro, o desafio com que as regiões de fronteira serão confrontadas será mais exigente e
justifica uma maior ambição, focando-se sobretudo na promoção do desenvolvimento conjunto destes
territórios. A promoção do desenvolvimento das áreas de fronteira precisa de ser prosseguida à escala
adequada para cada uma das temáticas ou áreas de intervenção conjunta — macrorregiões europeias,
regiões bilaterais NUTS II, cooperação intermunicipal entre NUTS III e eixos interurbanos (Eurocidades).
Impõe-se, por isso, um duplo salto qualitativo em matéria de políticas de cooperação transfronteiriça.
O comércio e os serviços são entendidos como uma componente estratégica na dinamização
das atividades económicas dos núcleos urbanos, nas suas variadas dimensões, sendo, simulta-
neamente, um ativo muito relevante para a qualidade de vida dos residentes e para a atração de
turistas e de não residentes. Neste contexto, a complementaridade entre os eixos interurbanos é
determinante na criação de escala fundamental ao dinamismo empresarial e à afirmação de uma
imagem distintiva dos territórios transfronteiriços.
Por um lado, será dada prioridade, visibilidade e notoriedade política à cooperação trans-
fronteiriça para o desenvolvimento, a qual se deverá traduzir em estratégias, ações e iniciativas
realmente transfronteiriças em que a ação comum e concertada entre os dois lados da fronteira
produz resultados e efeitos positivos que de outra forma não seriam atingíveis, em matérias vitais
para a sustentabilidade, integração e competitividade destas áreas.
Por outro, assistir-se-á ao alargamento do âmbito da cooperação transfronteiriça a novos
domínios, como as estratégias de especialização inteligente conjuntas, a articulação entre a inves-
tigação científica, o ensino superior e as empresas, as novas tecnologias, a internacionalização,
a preservação e valorização dos recursos comuns, a gestão e regeneração urbana, os serviços
de proximidade, os transportes e a educação, entre outros.
D4 | Reforçar a conetividade interna e externa
Enquadramento
É fundamental otimizar as redes de infraestruturas ambientais e de energia. As redes de água e
saneamento são infraestruturas essenciais para a qualidade de vida das populações. Tendo-se assistido
a uma infraestruturação generalizada nas últimas décadas, importa agora proceder à sua otimização,
garantindo maior eficiência e racionalidade económica num quadro de alterações climáticas e de
maior pressão sobre os recursos hídricos. Do mesmo modo, é essencial aprofundar os mecanismos
transfronteiriços de gestão das bacias hidrográficas e dos territórios naturais protegidos enquanto
infraestruturas naturais por excelência, assegurando níveis adequados de disponibilidade e qualidade
da água que mantenham a integridade dos ecossistemas fluviais e ribeirinhos e as necessidades de
abastecimento hídrico e de suporte da atividade primária. Ao nível de resíduos é preciso estimular
a prevenção e a redução da sua produção e perigosidade, bem como a reutilização/aproveitamento
de materiais já existentes, como, por exemplo, provenientes da construção, edificação e demolição,
conferindo-lhes uma dimensão de reutilização em todo o território nacional. Importante também é a
otimização e qualificação dos sistemas de transporte, recolha e tratamento. As redes de energia devem
passar a ser a interface entre a produção e os consumidores, permitindo acolher a produção local
de energia e desenvolver as capacidades de interconexão inter-regionais e com os Países vizinhos.
Num quadro de valorização nacional e transnacional é relevante consolidar uma nova pers-
petiva de conetividade que impende sobre o território — a Conetividade Ecológica — que será
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estruturada entre os diversos sistemas ecológicos que incluem a rede hidrográfica, com nós de
conetividade ao nível dos estuários e troços dos rios internacionais (a chamada rede azul), as
principais cumeadas e zonas de cabeceira, os sistemas litorais e as áreas naturais, protegidas e
relevantes para a conservação da natureza, nomeadamente a Rede Natura 2000.
Simultaneamente, as conetividades no espaço nacional, ibérico, europeu, atlântico e global são
também materializadas pelos sistemas aeroportuário, portuário, fluvial, rodoviário e ferroviário com
diferentes níveis de desenvolvimento. O sistema aeroportuário está a ser sobretudo pressionado
pela subida da procura turística. O sistema portuário assume um papel cada vez mais relevante
enquanto conjunto de plataformas logísticas multimodais cruciais para a conetividade marítima de
Portugal com a Europa e o resto do mundo. O congestionamento de tráfego ferroviário evidencia
a importância do eixo ferroviário entre os dois arcos metropolitanos. No transporte de passageiros
há uma excessiva dependência dos cidadãos do transporte automóvel individual.
As redes digitais poderão constituir importantes instrumentos para a coesão territorial. Em
termos de conetividade digital, apesar de Portugal ter um desempenho acima da média da União
Europeia, há ainda grandes diferenças territoriais em termos de cobertura de banda larga rápida,
com as áreas rurais a necessitarem de um investimento significativo. Uma inadequada resposta
tecnológica vai gerar segregação digital, que se pode traduzir num reforço dos níveis de exclu-
são social e em oportunidades diferenciadas para os indivíduos, as instituições e os territórios.
É fundamental que no futuro o País reforce a aposta na infraestruturação e no desenvolvimento
de plataformas e ferramentas digitais, impulsionando o desenvolvimento de novos modelos ope-
rativos e sistemas inovadores, novos processos produtivos e logísticos, uma maior capacitação
da população (smart communities) e novos modelos de governação (smart government).
Assume-se que otimizar as infraestruturas ambientais e de conetividade ecológica, reforçar
e integrar redes de acessibilidade e de mobilidade e dinamizar as redes digitais constituem os
objetivos tendo em vista conectar o País interna e externamente.
4.1. Otimizar as infraestruturas ambientais e a conetividade ecológica
Esquema de Conetividade Ecológica Nacional
Fonte dos dados: Rede hidrográfica — APA, Rede Nacional de Áreas Classificadas — ICNF, COS-DGT
Diário da República, 1.ª série
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Apesar de Portugal deter um assinalável grau de cobertura, colocam-se ainda alguns desafios
em matéria de infraestruturas ambientais (água e saneamento) que se prendem com o equilíbrio
económico e financeiro dos sistemas, a redução das perdas nas redes, baixando a intensidade
da pressão sobre os recursos (captação de água) e promovendo a reutilização da água antes da
sua devolução ao meio natural.
Por outro lado, a transição para a circularidade passa por prevenir a produção de resíduos,
pelo que será relevante a divulgação de redes que se dediquem à reparação e reutilização de
equipamentos/produtos, redes de simbioses industriais em que se estabelecem relações entre
empresas de setores distintos numa abordagem coletiva à aquisição de vantagens competitivas,
que envolvem a transação de materiais, energia, água e/ou resíduos (concretizada nomeadamente
através do desenvolvimento de ecoparques industriais). Uma oportunidade está associada à quan-
tidade de materiais que existe atualmente em stock na economia, em edifícios, infraestruturas e
bens duráveis, que pode ser vista como fonte futura de materiais e não de resíduos.
Importa também progredir na otimização das redes de recolha, transporte e valorização dos
vários fluxos específicos de resíduos, criando possíveis sinergias e efeitos de escala entre entidades
gestoras de gestão de fluxos específicos de resíduos bem como de outros emergentes, aportando-
-lhes uma dimensão de reutilização e remanufatura, a qual deverá assegurar a cobertura de todo
o território nacional, tendo em conta critérios de densidade populacional e de acessibilidade.
Os sistemas de recolha e tratamento devem promover a qualificação das suas infraestruturas
e a otimização da sua gestão, através da adoção de melhores processos e tecnologias de trata-
mento, visando o uso sustentável dos recursos naturais e enquadradas nas opções estratégicas
delineadas nos instrumentos de gestão territorial em vigor.
As redes de conetividade que se estabelecem através da rede hidrográfica, dos rios nacio-
nais e internacionais, das principais cabeceiras das linhas de água, do sistema litoral e da rede
fundamental de áreas protegidas, traçam no território os corredores ecológicos fundamentais para
a manutenção, valorização e salvaguarda dos processos inerentes ao funcionamento saudável
dos territórios e da conservação da biodiversidade, sendo indispensáveis para o bem-estar da
sociedade e da competitividade nacional. Conectando o País, a nível nacional, ibérico, europeu e,
em alguns casos, mundial, a rede de conetividade ecológica nacional revela a sua expressão no
território nacional e sinaliza a relevância de compreender, valorizar e assumir a interdependência
entre as fronteiras naturais, terrestres e marítimas do território nacional.
A transição energética permitirá a descentralização da produção e a centralização dos fluxos
de energia, pois as redes elétricas serão a interface entre a produção e os consumidores, tornando
possível integrar novas fontes de energias e melhorar a eficiência energética. Isto exige a adapta-
ção e o desenvolvimento das redes elétricas. Por um lado, para permitir acolher novos meios de
produção local de eletricidade e, por outro, para desenvolver capacidades de interconexão com as
regiões e os países vizinhos. Assim, criam-se condições para alargar a geografia da produção e do
consumo de energia, conectando diferentes regiões e permitindo diluir desigualdades territoriais.
O desenvolvimento das capacidades de interconexão alarga o perímetro geográfico de difusão
das energias renováveis entre os países europeus e permite mitigar a intermitência da produção.
Isto representa uma abertura dos mercados e cria novas oportunidades para o desenvolvimento
dos vários territórios.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 49
4.2. Reforçar e integrar redes de acessibilidades e de mobilidade
Velocidade média de ligações Rede de conetividade física
ferroviárias diretas (2014) e acessibilidade infraestrutural
Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região, Fonte dos dados: Infraestruturas de Portugal (2017)
A minha Europa, O Nosso Futuro: Sétimo relatório
sobre a coesão económica, social e territorial”
Os diferentes sistemas de transportes de articulação interna e externa do espaço continental
português apresentam estados de desenvolvimento distintos, consoante se posicionam para respon-
der às conetividades no espaço nacional, ibérico, europeu, atlântico e global. No espaço nacional é
necessário melhorar os sistemas de transportes ao nível da mobilidade metropolitana e urbana, mas
também nos territórios de baixa densidade. O relacionamento transfronteiriço é também uma prioridade.
O sistema aeroportuário é objeto de uma pressão de tráfego com origem no aumento da procura
turística, pelo que é premente reforçar as infraestruturas existentes no âmbito de uma estratégia
a médio/longo prazo, considerando sobretudo o cordão litoral Porto-Lisboa-Faro. Sobressai neste
domínio a situação do aeroporto de Lisboa, cujo nível de saturação torna premente a construção
de uma nova infraestrutura aeroportuária na região que permita aliviar a pressão sobre o atual
Aeroporto Humberto Delgado. A banalização do transporte aéreo trouxe novas e facilitadas opções
de deslocação internacional, mas acentua desigualdades territoriais em face das assimetrias de
acessibilidade aos principais aeroportos.
O sistema portuário deve aprofundar as vocações e as complementaridades entre os portos
nacionais e reforçar o papel destes enquanto portas de entrada na Europa e futuras âncoras
do desenvolvimento das autoestradas do mar. O movimento nos portos tem crescido e existem
constrangimentos em virtude da evolução no volume de carga e nas caraterísticas dos navios.
Só uma visão integrada rodoferroviária e ferro-portuária permitirá estabelecer uma estratégia que
resulte na efetiva diminuição do transporte comunitário por rodovia. O objetivo é posicionar Por-
tugal como referência nas cadeias logísticas internacionais. O sistema ferroviário deverá ampliar
as suas infraestruturas, induzindo crescimento de tráfego de passageiros e de mercadorias em
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 50
articulação com as infraestruturas portuárias, estancando o crescimento da procura na rodovia,
designadamente no transporte de mercadorias na Península Ibérica.
Terminado um extenso ciclo de construção da infraestrutura rodoviária, designadamente a de
altas prestações, as prioridades poderão agora jogar-se ao nível da manutenção e conservação das
extensas redes de diferentes níveis hierárquicos (com uma redução dos níveis de sinistralidade rodo-
viária). Haverá também que articular ligações locais que ainda faltam, quer as que visam potenciar a
atividade económica, quer as que garantam igualdade de oportunidades no acesso ao emprego, ser-
viços e equipamentos. A descarbonização dos transportes (veículos elétricos), a economia de partilha,
os veículos autónomos e novas formas de prestação de serviços irão mudar a mobilidade de pessoas
e mercadorias. Estas transformações em curso na mobilidade poderão trazer ganhos de eficiência ao
modo rodoviário, mas não eliminarão as externalidades do transporte individual, em particular nos que
respeita ao congestionamento e consumo de espaço urbano. Neste contexto, é necessário reforçar e
expandir a rede de carregamento de veículos elétricos e continuará a prosseguir políticas que promo-
vam a melhoria de eficiência em todos os modos, mas que diminuam a taxa de utilização automóvel.
No transporte de passageiros há um desequilíbrio da repartição modal, com excessiva dependência
dos cidadãos relativamente ao transporte automóvel individual, o que dificulta progressos significativos
na evolução do padrão de mobilidade, com custos ambientais e energéticos e implicações em matéria
de saúde pública e sinistralidade rodoviária. Nos arcos metropolitanos de Lisboa e do Porto há espaço
de progressão para o desenvolvimento das infraestruturas e dos serviços de passageiros em trans-
porte coletivo em canal dedicado, promovendo o policentrismo e o papel das cidades na rede urbana
nacional. Nas áreas metropolitanas, os sistemas de metro e elétrico existentes também poderão ser
incrementados, densificando a oferta nos núcleos centrais de maior compacidade. A intermodalidade e
a multimodalidade são muito importantes nos âmbitos metropolitanos para o transporte de passageiros
e mercadorias. As cidades precisam de apostar na organização da oferta de transportes coletivos rodo-
viários, regular e flexível (mais personalizada). O espaço urbano está sobrerrodoviarizado, impedindo
a multimodalidade e perpetuando as situações de congestionamento, ainda que venha a ser diminuído
pelos impactos tecnológicos. É estratégico melhorar o desempenho ambiental dos transportes e ace-
lerar os programas urbanos e interurbanos de curta distância com relevância para a articulação entre
os modos suaves, o transporte público rodoviário de passageiros (incluindo o transporte flexível) e
os serviços partilhados (táxi coletivo, van, car e bike-sharing). Neste âmbito, é de grande importância
os principais centros urbanos reforçarem a aposta na pedonalização dos espaços urbanos centrais.
4.3. Dinamizar as redes digitais
Rede mundial de cabos submarinos de fibra ótica (2017)
Fonte dos dados: TeleGeography (2017)
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N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 51
Cobertura de banda larga fixa, por NUTS III (2016) Acessibilidade digital, por concelho (2016)
Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região, Fonte dos dados: ANACOM (2017)
A minha Europa, O Nosso Futuro: Sétimo relatório
sobre a coesão económica, social e territorial”
As redes digitais poderão constituir importantes instrumentos para a coesão territorial. Atual-
mente, a acessibilidade digital não é ainda um fator de equidade territorial em Portugal. Os níveis
de acessibilidade são mais fortes nos contextos metropolitanos e urbanos e existe um vasto ter-
ritório que está insuficientemente infraestruturado. No futuro, haverá mais projetos que integram
o espaço físico e a tecnologia digital, fomentando a conetividade entre pessoas, instituições e
empresas. A revolução digital está já a transformar os nós e os fluxos com expressão no território
e a desenvolver uma nova organização da sociedade e da economia. Neste sentido, a integração
dos mundos físico e virtual vai-se intensificar.
Portugal surge numa posição central no contexto dos cabos submarinos de fibra ótica,
que ligam o continente aos territórios insulares e o País a todo o mundo e permitem controlar
a transmissão de dados e as redes de ligação entre os países. Portugal pode ganhar compe-
titividade com a sua posição geoestratégica na rede mundial de autoestradas marítimas de
fibra ótica, acrescentando valor à grande quantidade de dados de informação que vão chegar
de outros países e continentes. Portugal precisa de gerar novas oportunidades de afirmação
internacional, de desenvolvimento de novos projetos e de captação de investimento estran-
geiro, se conseguir tirar partido das infraestruturas existentes, da capacidade tecnológica e
do capital humano.
Internamente o País segue a tendência positiva da UE28 ao nível das comunicações, apre-
sentando das melhores coberturas de redes de nova geração (nomeadamente, na fibra ótica e no
4G). No futuro, para que a revolução tecnológica e a transformação digital sejam uma realidade é
fundamental que o País continue a reforçar a aposta na infraestruturação e no desenvolvimento
de plataformas e ferramentas digitais.
A forma como nos relacionamos, trabalhamos e executamos tarefas de rotina será cada vez
mais baseada nas redes tecnológicas de informação e numa maior interação entre as pessoas
Diário da República, 1.ª série
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e os dispositivos tecnológicos. Deste modo, deverá haver um maior investimento na capacita-
ção digital do capital humano e da sociedade em geral (smart communities), tendo em vista
acompanhar o acelerado desenvolvimento tecnológico e o aparecimento de novas ferramentas
e produtos digitais.
O setor empresarial reconhece cada vez mais a importância do digital. O aumento da densi-
dade digital contribuirá para agilizar os processos produtivos e logísticos e para dinamizar novos
processos de inovação e cooperação territorial. A revolução das redes digitais ao nível do setor
económico representará uma 4.ª Revolução Industrial assente em modelos de produção com uma
forte conetividade entre máquinas (por meio de sensores, dispositivos e internet). A revolução das
redes digitais e da conetividade (big data, internet das coisas, serviços de cloud) tornará os princi-
pais agentes económicos mais eficazes e eficientes, contribuindo para o aparecimento de novos
modelos de negócio, de consumo e de inovação. Neste âmbito são, especialmente, relevantes os
impactos nos setores cujos modelos de negócio dependem da sua dimensão espacial, tais como
o comércio e alguns serviços.
As redes tecnológicas e digitais ao serviço da comunidade e dos diversos setores poderão
impulsionar também maiores níveis e novos formatos partilhados de participação.
D5 | Promover a governança territorial
Enquadramento
A qualidade dos sistemas de governança e das instituições influencia decisivamente a ca-
pacidade de desenvolvimento dos territórios. A Política de Coesão consagrou, a partir da reforma
de 2013, as abordagens integradas de desenvolvimento de base local, capazes de promover a
inovação e o escrutínio público, a apropriação das estratégias pelos diferentes atores relevantes,
a mudança organizacional e a capacitação institucional. A necessidade de adoção de modelos de
governança mais eficazes, eficientes, transparentes e responsáveis resulta da crescente impor-
tância dos seguintes aspetos:
• Complexidade dos problemas e respetivas soluções (soluções multiparceiro, multinível e
multiescala);
• Necessidade de cooperação entre Estado, setor privado, sociedade civil e terceiro setor;
• Necessidade de coordenação entre políticas e respetivos instrumentos, sobretudo quando
territorializados;
• Exigência decorrente de uma nova geração de instrumentos de programação financeira
de base territorial que não se enquadram funcionalmente nas circunscrições administrativas
existentes;
• Articulação com um quadro legislativo em mutação no que diz respeito à administra-
ção do território: descentralização, funções das Comunidades Intermunicipais (CIM), entre
outros;
• Necessidade de incrementar uma melhor liderança e de responder às exigências de uma
sociedade civil mais informada, mobilizada e interventiva.
A política de planeamento e ordenamento do território deve ser estável e influenciar os qua-
dros financeiros plurianuais, nomeadamente o financiamento da União Europeia, tendo em vista
os desafios do período pós-2020 e os compromissos e prioridades nacionais no quadro da Agenda
das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (2030).
Por um lado, os territórios deverão ser organizados tendo por base uma estrutura político-
-administrativa eficiente, flexível, com capacidade de colaborar institucionalmente e de envolver
os cidadãos nos processos de decisão. Isto implica processos de desconcentração, e sobretudo,
descentralização, que desenvolvam as competências e os recursos a nível municipal, intermunicipal
e regional, bem como instituições públicas abertas e transparentes, capazes de operacionalizar
políticas mais ajustadas, coerentes e sustentáveis. É fundamental fomentar a cooperação nacional
e internacional (nomeadamente os relacionamentos transfronteiriços).
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 53
Por outro, é fundamental a adoção de processos e metodologias iterativos e amplamente
participados, estabelecidos a partir de dinâmicas e redes locais, sub-regionais e regionais, mul-
tiescalares e intersectoriais, baseadas na confiança entre agentes e suportadas por plataformas
colaborativas que promovam a cooperação e a inovação na cocriação, desenho, teste e experi-
mentação de novas abordagens de políticas públicas e na sua territorialização.
Por fim, é necessário aumentar a cultura territorial. A “cultura de território” corresponde à
cultura cívica dos membros de uma comunidade face ao território e ao seu ordenamento, a qual
reflete as suas orientações políticas, ideológicas e socioculturais. Por sua vez, a “cultura de orde-
namento do território” corresponde ao saber adquirido e partilhado pelos membros da comunidade
técnico-profissional deste domínio de intervenção. Aumentar a cultura territorial pressupõe uma
educação, um sistema e uma prática de planeamento que esteja de acordo com as expectativas
coletivas e as necessidades de valorização sustentável do território. O ordenamento do território
é um desígnio para o desenvolvimento do País.
Assim, assume-se que reforçar a cooperação intersectorial e multinível, promover re-
des colaborativas de base territorial e aumentar a cultura territorial constituem três objetivos
essenciais para promover uma governança territorial mais eficaz, eficiente, transparente e
responsável.
5.1. Reforçar a descentralização de competências e a cooperação intersectorial e multinível
Meritocracia do setor público (2013) Emprego público, por freguesia (2015)
®ŸŘǼsʲNŸŎÞǣǣŸrȖNjŸƼsÞʹˡ˟ˠ˦ʺʰˆōÞŘÌNJs¶ÞŸʰŎÞŘÌ
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Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 54
A necessidade de uma reforma administrativa orientada para a descentralização das funções
do Estado e para o reforço das competências das autarquias locais, com o fortalecimento e a
legitimação democrática dos níveis de governação regionais e supramunicipais, é cada vez mais
evidente. Isto vai traduzir-se ao nível da articulação intergovernamental e intersectorial, bem como
na coordenação entre os vários níveis de governação territorial: nacional, regional, metropolitano
e intermunicipal e municipal. A par da descentralização administrativa, é necessária mais desburo-
cratização, mais e melhor fiscalização ex post e mais e melhor divulgação das atuações públicas
e dos resultados que vão sendo alcançados.
A Política de Coesão destaca, em matéria de Governança Territorial, a necessidade de exis-
tirem sistemas de gestão partilhada, baseados em parcerias e instrumentos territoriais que não
têm de estar obrigatoriamente associados a um determinado enquadramento institucional. Esses
sistemas de gestão partilhada podem definir novas configurações e extravasar limites administra-
tivos e implicar abordagens institucionais mais flexíveis.
A governança territorial depende de contextos institucionais e governamentais cujas culturas
não mudam rapidamente, pois as alterações são processos longos e complexos, exigindo capa-
cidade administrativa e compromissos a médio e longo prazo. Por isso, é necessário estimular
processos de colaboração entre atores e de coordenação entre políticas e respetivos instrumentos.
Sistematizando, é crucial promover:
• Uma nova cultura nos serviços da administração pública, mais pró-ativa e focada na obten-
ção de resultados e na resolução de problemas;
• Processos de governança ascendentes (bottom-up), que partam da identificação das ne-
cessidades locais e regionais e do papel que os diversos atores devem desempenhar, tendo em
vista aprofundar ou complementar as políticas nacionais ou europeias;
• A diversidade de soluções, em função dos problemas a abordar, das características dos
stakeholders e dos contextos de desenvolvimento;
• O empoderamento de um maior número de indivíduos ou de recursos humanos institucionais
capazes de dinamizar e liderar processos de governança territorial, de tomar iniciativas e desenca-
dear processos inovadores, rentabilizando as respetivas redes de contactos e os conhecimentos
e competências adquiridas;
• A capacidade administrativa, técnica e financeira para gerir os processos de tomada de
decisão.
Para tal, será essencial dinamizar novas plataformas de colaboração capazes de sustentar e
facilitar os novos processos de desenvolvimento envolvendo uma maior diversidade de agentes.
Destacamos, entre outros, a criação de estratégias territoriais partilhadas, processos de governança
colaborativa, comunicação orientada para o envolvimento de diferentes públicos, adoção de pro-
cessos de aprendizagem institucional contínua, maiores níveis de responsabilização institucional
(accountability) e modelos de oferta de serviços alternativos (multifunções e público-privados,
entre outros).
As novas tecnologias podem contribuir também para aumentar a participação, fomentando
modelos de governação mais transparentes e eficientes (smart government) através da redução
da burocracia e da criação de novas oportunidades de auscultação e de colaboração entre agen-
tes de diferentes esferas. A utilização das tecnologias digitais facilitará assim a participação e
possibilitará a colaboração à distância, contribuindo para o desenvolvimento de novas formas de
criação de valor e riqueza.
Diário da República, 1.ª série
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5.2. Promover redes colaborativas de base territorial
Índice europeu de qualidade governamental (2017) Dimensão da base institucional e associações
de base territorial (2018)
Fonte: Comissão Europeia (2017), “A Minha Região, Fonte dos dados: CEGOT.UP
A minha Europa, O Noso Futuro: Sétimo relatório so-
bre a coesão económica, social e territorial”
Em termos de governança territorial procura-se um maior equilíbrio estratégico, nas várias
áreas do País, entre os efeitos das diversas políticas e um desenvolvimento sustentável apoiado
em soluções mais sistémicas, dando maior atenção à dimensão territorial. Este objetivo assenta
numa maior descentralização das decisões públicas e implica a necessidade de se desenvolverem
soluções de base local e regional para encarar os desafios da coesão, da sustentabilidade, da
competitividade e do desenvolvimento.
São cada vez mais importantes as novas alianças funcionais, pró-ativas e com geografias
flexíveis de governança, entre atores públicos e a sociedade civil, como é o caso das bacias hidro-
gráficas, das áreas classificadas, das designadas infraestruturas verdes e azuis, das estratégias
de eficiência coletiva ou das regiões urbanas funcionais. São geografias de geometria variável em
função das escalas geográficas e dos atores e instituições a envolver.
Os novos modelos de governação regional e sub-regional precisam de agregar atores, formais
e informais, dos setores público e privado, organizados e comprometidos que interagem — em
concertação ou em conflito — para realizar um objetivo, um conjunto de objetivos ou uma estratégia.
É importante criar condições que permitam aos atores pertinentes dos vários espaços regionais
e sub-regionais agir num conjunto de tópicos e áreas tão diversas como aquelas que cruzam a
competitividade, a sustentabilidade e a inclusão.
Em concreto, torna-se necessário, por um lado, reforçar e valorizar o papel dos Grupos de
Ação Local enquanto agentes de mudança dinamizadores de desenvolvimento dos territórios nas
suas múltiplas configurações e naturezas (rural, costeiro e urbano). Tendo de se assegurar em
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 56
simultâneo um modelo, de governação dos instrumentos de política financiadores, adequado à
prossecução dos objetivos e metas a atingir, definidos pelas comunidades locais nas suas Estra-
tégias de Desenvolvimento Local. Por outro lado, é fundamental continuar a apoiar a afirmação
das Comunidades Intermunicipais (CIM), correspondentes a NUTS III, enquanto espaços de
racionalidade estratégica, de cooperação e de intervenção intermunicipal, com escala adequada
para uma vasta gama de áreas de atuação das políticas públicas.
Para cumprir estes desígnios, é fundamental a adoção de medidas específicas de política
destinadas a capacitar e a mobilizar o tecido institucional, tendo em vista a qualificação da sua
atuação no apoio ao ordenamento do território, traduzidas na afetação de recursos e de compe-
tências, na disponibilização de plataformas de cooperação e na legitimação da interlocução com
os diferentes níveis de governo e com a administração.
A consolidação de parcerias, redes e alianças regionais e sub-regionais, ao nível institucional,
comunitário e empresarial, deverá ser incentivada, de forma a apoiar a construção, consensualiza-
ção e apropriação de estratégias e a sua implementação, bem como a monitorização e avaliação
dos resultados. Simultaneamente, a contribuição das empresas para a vida das comunidades é
irrefutável. Independentemente da dimensão ou da natureza das empresas, as estratégias de
gestão que fomentem o envolvimento e a participação de todos, promovam a não discriminação,
o respeito pela igualdade e diversidade, e incorporem valores e bens da sociedade, conseguem
maximizar o impacto positivo nas comunidades onde se inserem e onde operam. Assim, a incor-
poração de objetivos ambientais, sociais e culturais nos objetivos económicos torna-se uma parte
indispensável do modelo de desenvolvimento de uma sociedade sustentável. Uma abordagem
de base territorial constitui um forte incentivo à criação de sinergias, traduzidas em ganhos de
sustentabilidade.
A busca sistemática de soluções inovadoras para problemas, obstáculos e constrangimentos
sentidos nos vários territórios exige a adoção de metodologias mais experimentais, com base em
processos de “aprender fazendo”, em ferramentas e metodologias novas (design thinking, pro-
totipagem, cenarização, service design, entre outros), e na criação de espaços e oportunidades
para o diálogo e a cocriação de novas abordagens. Neste contexto, merece destaque a criação
de Laboratórios de Políticas Públicas focados na cocriação, desenho, teste e experimentação de
novas abordagens de política e na promoção de plataformas de diálogo e de inovação de proces-
sos de governança territorial.
5.3. Aumentar a Cultura Territorial
Portugal: Atlântico e Mediterrâneo Portugal: Norte e Sul Portugal: Natural e Cultural
Fonte dos dados: INE, Fonte dos dados: ICNF (2017) Fonte dos dados: ICNF,
Recenseamento geral agrícola (2009) SIPA (2017)
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Portugal: Macrocéfalo Portugal: Bimotor Portugal: Litoral e Interior
Fonte dos dados: DGAEP (2017) Fonte dos dados: INE, Estatísticas Fonte dos dados: Deliberação
do Comércio Internacional de Bens n.º 55/2015 (2015)
(2017)
Portugal: Interurbano Portugal: Intra e Inter-Regional Portugal: Urbano e Rural
Fonte dos dados: DGEEC (2016) Fonte dos dados: CAOP (2016) Fonte dos dados: INE, Censos
da População (2011);
COS (2015)
Em Portugal, o Ordenamento do Território é uma política relativamente recente, cuja
apropriação social é ainda muito marcada pelos valores de uma sociedade rural que assis-
tiu a um forte processo de urbanização. A cultura de ordenamento do território dominante é
sobretudo administrativa e regulamentar, relacionada essencialmente com o uso, ocupação
e transformação do solo. No entanto, o ordenamento do território tem de contribuir para a
resolução de problemas complexos a nível espacial, face às incertezas que influenciam as
perspetivas de desenvolvimento. De facto, as dinâmicas de transformação atuais coexistem
e/ou conflituam com a resiliência do sistema e das culturas de território e de ordenamento do
território prevalecentes.
Ou seja, o sistema e a prática de planeamento têm de se adequar de forma rápida e flexível
às necessidades coletivas de mudança. O ordenamento do território tem de procurar integrar
uma componente de participação e cocriação, fruto da articulação entre o Estado, os privados,
a sociedade civil e o terceiro setor, num processo colaborativo, e contribuir para o cumprimento
sistemático dos instrumentos de gestão territorial. Em matéria de gestão territorial é também ne-
cessário reforçar a fiscalização, pois também contribui para a cultura do ordenamento do território.
Assim, o futuro depende da capacidade da sociedade se articular e potenciar os seus recursos
para um melhor ordenamento do território.
Diário da República, 1.ª série
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As políticas públicas devem potenciar as capacidades da sociedade e ajudar a construir
ambientes que favoreçam o despoletar de processos adaptativos de mudança. Refletir e planear
passam por um conhecimento profundo da diversidade espacial do nosso País. Mais do que di-
cotomias territoriais existem complementaridades que potenciam relacionamentos interurbanos,
urbano-rurais, inter ou intrarregionais e internacionais, que se desejam benéficos para os vários
territórios envolvidos. O Portugal polissémico — o norte e o sul, o litoral e o interior, o atlântico e
o mediterrâneo, o natural e o cultural, o urbano e o rural, o macrocéfalo e o bipolar, os territórios
de alta e de baixa densidade — sublinha a diversidade territorial e gera sobretudo desafios e
oportunidades.
Mobilizar uma sociedade em torno de um compromisso territorial exige tempo para assimilar
nova informação e conhecimento e para estimular um processo de mudança. Esse compromisso
não se esgota, pois, no período de conceção do PNPOT, necessitando de ter continuidade. Assim,
reforçar a cultura territorial passa por um conjunto de processos que contribuam para adequar as
crenças, os valores e as orientações subjacentes à apropriação do território e ao seu ordenamento
de modo a que este seja um instrumento de resposta efetivo aos desafios de desenvolvimento
locais e regionais. Assim, aumentar a cultura de território e a cultura de ordenamento territorial
passam por intervenções a vários níveis:
1. Nova cultura de território, centra-se no papel da educação (informação, conhecimento,
valores, comportamentos) na importância das campanhas de sensibilização e consciencialização
e no papel da comunicação social;
2. Nova cultura de ordenamento do território, passa por um reforço das competências técnicas
e relacionais, uma maior capacitação institucional, numa maior aposta na governação colaborativa
e na governança territorial e nas próprias práticas de planeamento e de monitorização e avaliação.
3. Modelo territorial
Introdução
O Modelo Territorial estabelece um compromisso de organização do território reconhecendo o
valor dos recursos e da diversidade territorial e antevendo a necessidade de adaptação às mudanças
críticas emergentes. Deve por isso traduzir os desafios territoriais enunciados, contribuindo para
aumentar a capacidade de resiliência dos diferentes territórios num quadro de coesão territorial.
O Modelo Territorial irá também contribuir para uma maior coerência entre as políticas setoriais
e as políticas de base territorial.
O Modelo Territorial apoia-se em cinco sistemas territoriais fundamentais — o Sistema Natu-
ral, o Sistema Urbano, o Sistema Social, o Sistema Económico e o Sistema de Conetividade — e
identifica, num quadro prospetivo, os territórios especialmente vulneráveis às mudanças críticas,
que importam contrariar. Para cada sistema é apresentado um esquema territorial (cartograma)
que procura sintetizar os respetivos elementos estratégicos fundamentais.
Com base nesta abordagem multidimensional e prospetiva é definido no final o Modelo Territorial.
O Modelo Territorial representa a tradução espacial da estratégia de desenvolvimento do País,
para o qual concorre um conjunto de sistemas que irão informar o ordenamento do território.
Sistema Natural — Um País que conhece e compreende os seus recursos naturais valoriza os
serviços prestados pelos ecossistemas em prol do bem-estar social e procura afirmar a sua diversi-
dade territorial e construir estratégias de atratividade e de competitividade diferenciadoras, retirando
partido da especificidade dos seus recursos, da sua cultura e das identidades socioterritoriais.
Sistema Social — Um país que valoriza as pessoas, a igualdade de oportunidades e a igual-
dade de direitos aos cidadãos, em matéria de habitação, saúde, educação, apoio social, justiça,
cultura, desporto e lazer, independentemente da sua situação socioeconómica e geográfica, da
nacionalidade, idade, género, etnia ou situação de deficiência, eleva a qualidade de vida e o bem-
-estar social.
Sistema Económico — Um país que valoriza a diversidade e as especificidades territoriais
como elementos de desenvolvimento e competitividade baseia-se num sistema territorial que
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procura retirar partido dessa variedade, apoiando o potencial de articulação entre distintos tipos
de territórios, as estratégias estruturadas em clusters e com base em lógicas de especialização
inteligente e, ainda, a importância dos ativos dos territórios urbanos e rurais.
Sistema de Conetividade — Um país bem conectado em infraestruturas verdes, azuis e
cinzentas, que tira proveito da sua posição geográfica e da facilidade de relação com outros po-
vos, reconhece e valoriza as ligações e interconexões territoriais no espaço nacional e para além
dele, assumindo a relevância da gestão dos ecossistemas e das redes naturais, viárias e digitais.
Sistema Urbano — Um país que reconhece a importância da coesão e da equidade territorial
afirma a sua estratégia de organização territorial num sistema urbano mais policêntrico, promovendo
os centros urbanos enquanto âncoras do desenvolvimento regional e competitividade externa, e
dinamizando subsistemas territoriais capazes de gerar massas críticas que favoreçam ganhos de
sustentabilidade e acessibilidade em relação aos serviços de interesse geral.
Vulnerabilidades Críticas — Um país resiliente e com capacidade adaptativa consegue
alcançar maior sustentabilidade territorial através do conhecimento rigoroso dos problemas, da
prevenção e mitigação das vulnerabilidades existentes e do exercício de planeamento, tornando-
-se assim mais eficiente na aplicação e utilização dos investimentos públicos.
Os Sistemas do Modelo Territorial respondem aos Desafios de Base Territorial, de forma
coerente e articulada:
Sistemas do Modelo Territorial
Desafios de Base Territorial Sistema Sistema Sistema Sistema de Sistema
Natural Social Económico Conetividade Urbano
D1. Gerir os recursos naturais de forma sustentável
1.1. Valorizar o capital natural ** **
1.2. Promover a eficiência do metabolismo ** * ** **
regional e urbano
1.3. Aumentar a resiliência socioecológica ** * *
D2. Promover um sistema urbano policêntrico
2.1. Afirmar as metrópoles e as principais * ** * **
cidades como motores de internacionalização e
competitividade externa
2.2. Reforçar a cooperação interurbana e rural- * ** ** * **
urbana como fator de coesão interna
2.3. Promover a qualidade urbana * ** ** * **
D3. Promover a inclusão e valorizar a diversidade territorial
3.1. Aumentar a atratividade populacional, a ** ** ** **
inclusão social, e reforçar o acesso aos serviços
de interesse geral
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Sistemas do Modelo Territorial
Desafios de Base Territorial Sistema Sistema Sistema Sistema de Sistema
Natural Social Económico Conetividade Urbano
3.2. Dinamizar os potenciais locais e regionais ** * ** ** **
e o desenvolvimento rural face à dinâmica da
globalização
3.3. Promover o desenvolvimento * * ** ** **
transfronteiriço
D4. Reforçar a conetividade interna e externa
4.1. Otimizar as infraestruturas ambientais e a * * * ** *
conetividade ecológica
4.2. Reforçar e integrar redes de acessibilidades * * ** *
e de mobilidade
4.3. Dinamizar as redes digitais * * ** *
D5. Promover a governança territorial
5.1. Reforçar a descentralização de ** ** ** ** **
competências e a cooperação intersectorial e
multinível
5.2. Promover redes colaborativas de base ** ** ** ** **
territorial
5.3. Aumentar a Cultura Territorial ** ** ** ** **
Articulação forte **
Articulação média *
Sistema Natural
A territorialização do capital natural é um dos pilares do Modelo Territorial do PNPOT. Ela visa
identificar e espacializar, à escala nacional, as principais ocorrências dos recursos naturais — água,
solo e biodiversidade — enquanto recursos naturais fundamentais para o bom funcionamento
dos ecossistemas, para a qualidade dos seus serviços e para a sustentabilidade e solidariedade
intergeracional. Com a representação espacial do capital natural, o PNPOT visa dar expressão
territorial à macrodistribuição de recursos naturais no País, identificando as áreas onde a sua pre-
sença é mais expressiva ou potencial e onde existem maiores necessidades de gestão integrada
e de compatibilização de usos.
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A água é um dos recursos mais estratégicos para a presença das atividades humanas
no território. As áreas de concentração deste recurso vital e previsivelmente mais escasso
no futuro incluem: a rede hidrográfica de nível superior, que garante a presença terrestre
do ciclo da água e presta serviços de base ecológica e económica essenciais; as principais
reservas de água superficiais, asseguradas pelas albufeiras de águas públicas; os siste-
mas aquíferos principais e mais produtivos, que constituem as grandes reservas de água
subterrânea.
O recurso solo, por vezes entendido como mero suporte da ocupação humana artificiali-
zada e nem sempre adequadamente valorizado enquanto recurso natural essencial, escasso
e potencialmente finito, é assumido no PNPOT como sendo da maior relevância nas suas
valências quer pedológicas e de potencial produtivo primário quer ecológicas e de suporte
da biodiversidade e dos ciclos biogeoquímicos, como os da água, carbono, azoto e matéria
orgânica, através da representação espacial dos solos de elevado e muito elevado valor nes-
tas valências.
As áreas mais ricas em biodiversidade, associada aos recursos solo e água e ligada aos
usos do solo, constituem ativos estratégicos para a sustentabilidade, atratividade e competi-
tividade dos territórios. Assim, integram-se no capital natural as áreas protegidas e as áreas
da Rede Natura, por definição áreas fundamentais da presença de biodiversidade, o sistema
litoral onde ocorrem valores naturais únicos e indispensáveis ao equilíbrio da zona costeira
o sistema agroflorestal de sobreiro e azinho, dadas as suas características de adaptação
e multifuncionalidade, e a demais vegetação arbórea de interesse para a conservação da
natureza, que inclui as florestas puras ou mistas como as de pinheiro manso, castanheiro e
carvalhos, as áreas de montanha, pela sua associação potencial a ecossistemas e as espécies
de elevado valor ecológico.
Integram-se ainda no capital natural os territórios intensivamente florestados, aqui designa-
dos por áreas florestais a valorizar, por corresponderem a territórios que merecem a atenção de
políticas públicas para reforçar a sua valia ecológica no contexto da valorização do interior e da
minimização do perigo de incêndio, reconhecendo-se que a floresta é um ativo natural fundamental
quando adequadamente ordenada, gerida e conduzida.
O mapeamento da ocorrência dos solos de elevado e muito elevado valor pedológico e
ecológico inclui as principais áreas salvaguardadas como Reserva Agrícola Nacional e poderá
ser revisto quando da consolidação de nova informação suportada numa cartografia uniformizada
em escala e metodologia de classificação para todo o território nacional. O sistema hídrico e
o sistema litoral integram as grandes áreas associadas ao ciclo da água, salvaguardadas pela
Reserva Ecológica Nacional. Em qualquer dos casos, a identificação genérica dos recursos à
escala nacional não prejudica nem desvaloriza a necessidade de reconhecimento de muitas
outras áreas de interesse, definidas à escala própria da delimitação destas restrições de utili-
dade pública.
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Sistema Natural do Modelo Territorial
Sistema Social
O Sistema Social do Modelo Territorial para 2030 deve refletir, em primeiro lugar, as dinâmicas
sociodemográficas que o País vai registar. E aqui, merece especial destaque a severa redução
demográfica da população residente em Portugal. Em segundo, mapear as vulnerabilidades sociais
justifica uma política de inclusão social de base territorial seguindo as diferentes configurações e
geografias dos problemas sociais cada vez mais complexos. Em terceiro lugar, o acesso aos ser-
viços de interesse geral é substancial para melhorar o capital social e as condições de bem-estar
essenciais para todos os cidadãos.
Tendo como horizonte 2030, a evolução esperada da população residente em Portugal deverá
conduzir a uma redução demográfica. Este declínio será acompanhado pelo prolongamento do
acentuado processo de envelhecimento. Em termos regionais, apenas as regiões de Lisboa e do
Algarve poderão continuar a crescer — mas muito timidamente —, bem como a envelhecer. As
regiões do Norte e Centro Litoral, atendendo ao cenário de decréscimo e envelhecimento, irão
registar uma forte diminuição de ativos. As regiões de baixa densidade dos territórios rurais conti-
nuarão em perda, associada ao envelhecimento e ao isolamento. Os desequilíbrios demográficos
do País manter-se-ão ou poderão mesmo vir a agravar-se. Em matéria de migração e despovoa-
mento podem-se adotar abordagens proativas, incentivando a migração de retorno ou adotando
medidas de diáspora para facilitar o investimento de comunidades no desenvolvimento local, ou
melhorando a conetividade aos serviços culturais/sociais/educativos para atrair novas famílias.
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As intervenções que abordam o envelhecimento da população podem centrar-se na melhoria da
oferta de infraestruturas, de serviços sociais e de cuidados de saúde, ativando as oportunidades
de negócio e de emprego nestes setores. Aqui, poderão ter um papel decisivo os imigrantes ou
populações flutuantes (incluindo refugiados) que poderão ajudar a compensar as perdas demo-
gráficas e a dinamizar estratégias proativas de inovação social, económica e cultural.
As vulnerabilidades sociais prefiguram-se, no horizonte 2030, como complexas, não só pe-
los seus conteúdos e temáticas, mas sobretudo pelos seus contornos múltiplos, contraditórios e
mesmo imprevisíveis. Estamos, assim, numa teia de geografias entrecruzadas que ultrapassa as
tradicionais dicotomias norte-sul, litoral-interior ou metrópoles-territórios de baixa densidade. São
as duas áreas metropolitanas que condensam em termos absolutos mais problemas sociais e
grupos vulneráveis, mas simultaneamente é no interior dessas mesmas áreas que encontramos
maior acessibilidade a recursos e aos serviços da inclusão social. Por outro lado, nos territórios
rurais, e de forma contrária, verifica-se uma monovulnerabilidade associada ao forte envelhecimento
da população que tem e terá repercussões intensas em termos de despovoamento, isolamento,
envelhecimento desprotegido, insuficiências de suporte médico e social, entre outros. Alguns ter-
ritórios de baixa densidade salientam-se de forma muito intensa pelos indivíduos em situação de
vulnerabilidade social, como o litoral-sul alentejano.
No Arco Metropolitano do Porto (e também de algumas áreas de Lisboa) evidencia-se uma
forte vulnerabilidade associada sobretudo a situações de desemprego e baixos rendimentos e pre-
cariedade social — muito fruto dos impactos da crise económico-financeira pós-2008. Associadas
ao desemprego, surgem recorrentemente outros problemas sociais: a dependência do apoio social
para a subsistência dos agregados familiares, os baixos níveis de qualificação da população e a
precariedade do trabalho e, consequentemente, menores rendimentos e um baixo poder de compra.
A confirmar a complexidade das geografias das vulnerabilidades sociais, é pertinente mostrar
as áreas menos vulneráveis socialmente, no litoral e nas cidades médias. Mas, e de forma parado-
xal, vão-se descobrindo nestes territórios — sobretudo nas cidades médias, níveis de desemprego
significativos — ou de emprego precário, sobretudo junto da população com escolaridade superior,
situações de maior fragilidade familiar pela ocorrência de insolvências das famílias e pela com-
posição familiar (mães a residir só com filhos). Concluindo, as políticas de base territorial devem
privilegiar a diversidade e complexidade de geografias dos problemas sociais, seus contextos,
atores, consequências e impactos.
A oferta de serviços públicos e de interesse geral deve contribuir para garantir a equidade de
oportunidades e iguais direitos aos cidadãos (na saúde, educação, apoio social, justiça, cultura,
desporto, entre outros), independentemente da sua situação socioeconómica e geográfica, da
nacionalidade, idade, género, etnia ou situação de deficiência e/ou desfavorecimento. Assim, a
acessibilidade a estes serviços é um fator de inclusão e integração, e de promoção da qualidade
de vida e bem-estar das populações.
Em Portugal, as redes de equipamentos experimentaram um desenvolvimento assinalável
nas últimas décadas, fruto do aumento das preocupações sociais, dos investimentos realizados
pela administração central e local, e dos significativos apoios financeiros disponibilizados pelos
últimos Quadros Comunitários de Apoio. Apesar disso, persistem algumas carências, desfasamen-
tos nas redes ou na qualidade dos serviços, face às dinâmicas demográficas, sociais e económi-
cas e de ocupação do território. Existem também insuficiências na articulação intersectorial e a
necessidade de avançar para novos modelos de serviços. As ações políticas dirigidas a fornecer
serviços de interesse geral devem ser integradas como parte das políticas de desenvolvimento
local e regional. Para os transportes e outros serviços de interesse geral, os intervenientes no
mercado, muitas vezes, não oferecem espontaneamente um nível satisfatório de prestação de
serviços em alguns territórios. A intervenção pública é, portanto, importante, mas a despesa tem
de ser cuidadosamente ponderada em relação aos potenciais ganhos de qualidade de vida ou
atratividade residencial. No futuro adotar e implementar uma estratégia digital na prestação de
serviços vai ser central. Mapear e priorizar os serviços que devem ser digitalizados em nível local.
Alguns serviços já são ou serão fornecidos ao nível regional ou nacional, com base em diferentes
jurisdições, capacidades e procuras. Outros serviços podem ser entregues e organizados em
colaboração com os municípios vizinhos.
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Sistema Social do Modelo Territorial
Sistema Económico
Refletir o Sistema Económico para o Modelo Territorial passa por ter presente que Portugal
no contexto da globalização é uma pequena economia aberta. Enquanto pioneiros da 1.ª fase
da globalização, somos detentores de uma rede internacional de património cultural (material e
imaterial), relacional e afetivo que pode ser valorizado e convertido em capital económico diferen-
ciador, a par dos recursos endógenos do País, como são o capital territorial, o capital humano,
o capital institucional e organizacional, o capital cultural, o capital ambiental ou mesmo o capital
emocional e outras amenidades.
O modelo territorial não pode ignorar que o desenvolvimento do País tem sido assimétrico,
evidenciando disparidades territoriais nos níveis de progresso económico. No futuro as áreas
menos desenvolvidas têm de ter mais possibilidades de recuperar tanto no plano social como
económico. Simultaneamente, as regiões e as cidades mais desenvolvidas a nível nacional vão
competir com as suas congéneres externas. Assim, o País deverá crescer na produtividade global
e aumentar na perspetiva da inclusão. É preciso repensar o desenvolvimento tendo como objetivo
Diário da República, 1.ª série
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uma maior produtividade geral. Deste modo, as políticas não devem ser conduzidas para reduzir as
diferenças entre as regiões, mas para alargar a base territorial da competitividade, o que significa
estimular a inovação tendo como desafio aumentar a produtividade em todas as regiões. As inter-
venções devem-se concentrar no reforço das vantagens concorrenciais dos subsistemas territoriais,
apoiando investimentos integrados, fundadas em partenariados que reforcem as capacidades lo-
cais, os relacionamentos interurbanos e entre áreas urbanas e rurais. O reforço dos partenariados
entre a administração pública, as empresas com fins lucrativos ou sociais, as organizações não-
-governamentais e a sociedade civil deve ser incrementado. Os contextos territoriais são diversifi-
cados, os fatores de atratividade económica são distintos, logo as políticas devem diferenciar-se.
Em termos de política económica, a tendência é para o reforço da especialização inteligente
nos espaços subnacionais a partir dos recursos produtivos instalados, dos clusters existentes ou
emergentes e das redes de interação entre as diferentes atividades, organizações e territórios,
isto é, a partir do fortalecimento dos ecossistemas territoriais de inovação. Apostar na especia-
lização inteligente significa investir nos ativos locais, através de estratégias que assentam num
quadro adaptável aos contextos e às especificidades de cada região (nomeadamente os sistemas
transnacionais de inovação nas regiões transfronteiriças). Mas é preciso também entender que o
território é um bem transacionável, as suas cidades, as paisagens, os recursos naturais e culturais,
a gastronomia, o clima e as amenidades urbanas e rurais. O território tem um valor económico, que
é preciso valorizar, são ativos territoriais dos particulares, das empresas e do Estado que atraem
visitantes e novos residentes e investimentos externos.
Em termos territoriais, o sistema económico organiza-se em torno de um mosaico de atividades,
ordenadas em ecossistemas territoriais de inovação, um conjunto de infraestruturas e serviços, e
um capital humano ainda com níveis de qualificação insuficientes face aos desafios que se colocam
em matéria de aumento de produtividade e de inovação. Em termos de estrutura de atividades os
perfis territoriais são muito diversificados, podendo-se destacar nomeadamente:
í As regiões metropolitanas assumem uma elevada centralidade, enquanto nós estrutura-
dores do sistema económico nacional, desempenhando um papel central na inserção global, e
potenciando o capital económico, financeiro, institucional, organizacional e humano, num reforço
da sua capacidade centrípeta internacional. As centralidades urbanas sobressaem face aos territó-
rios envolventes pela concentração de atividades e organizações, sobretudo terciárias e, nalguns
casos, industriais. Estas centralidades organizam as especificidades territoriais, valorizando com-
plementaridades e ligando os ativos existentes. Funcionam ainda como centros locais e regionais
de spillover do conhecimento e inovação, e como nós de polarização das redes económicas
regionais, de articulação com as redes nacionais e, nalguns casos, possibilitando a inserção nas
escalas internacionais para a competitividade.
í Os espaços rurais, caracterizados fundamentalmente pelas atividades do setor primário
apresentam ainda uma base económica mais frágil, menos diversificada e pouco empregadora.
Importa promover um novo paradigma dirigido à agricultura e floresta enquanto geradoras de bens
transacionáveis e criar valor acrescentado através do incentivo à inovação e à transformação (reco-
nhecendo que a agroindústria e as indústrias de base florestal são já setores fundamentais em
várias regiões), assim como gerar valor a partir do seu capital ambiental nos contextos dos para-
digmas das economias verdes e circulares. Enquadram-se ainda nestes territórios a capitalização
dos recursos minerais, a exploração de recursos energéticos e a redução do impacto ambiental
resultante da atividade agrícola. Os espaços rurais deverão gerir os ativos físicos, combinando
o capital natural, a paisagem, a oferta de serviços e o capital simbólico de modo a produzirem
bens, serviços e conteúdos transacionáveis e atraírem populações externas (turistas e novos
residentes). Neste âmbito, potenciam-se as complementaridades rurais-urbanas à escala local,
regional e global. A 4.ª Revolução Industrial ao reduzir as externalidades positivas do efeito de
escala (vantagens que se verificam nas grandes cidades) pode favorecer estes territórios, sendo
importante promover a inteligência destes territórios.
Em matéria de infraestruturas, colocam-se dois tipos de desafios territoriais: é fundamental
reforçar a importância das infraestruturas das comunicações e do conhecimento, do apoio à
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aprendizagem ao empreendedorismo e à inovação (ensino superior, laboratórios e unidades de
investigação, incubadoras e centros tecnológicos), pois terão um papel fundamental na potencia-
ção dos recursos locais e regionais e na inserção deste mosaico de atividades económicas nos
desafios da 4.ª revolução industrial. O crescente papel do ciberespaço como espaço de informação,
colaboração interinstitucional, de transações e de entretenimento torna crucial a disponibilização
de acesso às comunicações e à Internet como fator de desenvolvimento e competitividade dos
territórios. A crescente intensidade de conhecimento subjacente aos processos de produção
emergentes, reforçam a importância das organizações de ensino e a necessidade de acautelar
os riscos que representam as assimetrias territoriais relativas aos níveis de qualificação do capital
humano. Deste modo, é importante antecipar as necessidades de qualificações/competências,
envolvendo as empresas e privilegiando uma eficiente articulação entre as entidades intervenientes
nestas matérias. Assim, dever-se-á apostar na formação dos ativos, na reconversão profissional e
na inclusão na economia digital, o que se irá traduzir em mais emprego qualificado e numa maior
inclusão social. O papel das infraestruturas de transportes e logística permanecerá fundamental.
Para além das ligações internas de conetividade, é indiscutível o lugar estratégico que ocupam,
possibilitando as exportações para um mercado cada vez mais globalmente integrado. No entanto,
no futuro aumentará a importância das infraestruturas de comunicação de última geração para a
inserção nas redes globais de conhecimento, inovação, comércio e serviços digitais.
Sistema Económico do Modelo Territorial
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Sistema de Conetividade
Em termos de modelo territorial, as redes de conetividade são cruciais para o ordenamento do
território, promovendo a interconexão dos ecossistemas, das pessoas e das atividades, contribuindo
para a valorização dos recursos e para um modelo de organização territorial mais sustentável.
Assim, o sistema territorial integra conetividades de natureza distinta: as infraestruturas e redes
verde e azul, as infraestruturas e redes de mobilidade e as redes digitais.
No âmbito da gestão das redes de conetividade ecológica, importa referenciar a escala
ibérica, quer na partilha de grandes rios quer na continuidade das áreas de conservação da na-
tureza. Em qualquer dos casos, as ações de ordenamento e gestão territorial e de política seto-
rial nos domínios da água e da conservação da natureza em cada um dos países têm impactos
que ultrapassam as suas fronteiras. O modelo territorial sublinha ainda a imprescindível ligação
mar-terra (estuários) e a importância do planeamento e gestão integrada das zonas costeiras
enquanto interfaces fundamentais do ponto de vista ecológico, social e económico. Por outro
lado, evidencia-se a conetividade ecológica garantida pela rede hidrográfica principal, o sistema
de cabeceiras das principais bacias hidrográficas, o sistema litoral e as áreas de conservação da
natureza classificadas, incluindo áreas e corredores de ligação entre elas.
O esquema de conetividade ecológica nacional é a base macro de uma infraestrutura verde.
Esta rede de conetividade deve ser desenvolvida e detalhada nos instrumentos de planeamento
e de política setorial mais adequados, permitindo a articulação com as Estruturas Regionais de
Proteção e Valorização Ambiental, no âmbito regional, e com as Estruturas Ecológicas Municipais,
no âmbito municipal. Esta rede de conetividade deve ainda respeitar os objetivos da Reserva Eco-
lógica Nacional, na sua qualidade de estrutura biofísica, e da rede nacional de áreas classificadas,
nos seus objetivos de conservação da natureza e biodiversidade.
Releva-se que, às escalas adequadas, a rede de conetividade ecológica é uma importante
via de interligação entre os meios urbano e rural, podendo apoiar funções de produção de bens
alimentares e de fornecimento de áreas de recreação e lazer. Releva-se, ainda, o papel das redes
de conetividade para a mitigação de vulnerabilidades territoriais face a perigos potenciais e para a
adaptação dos territórios aos seus impactos, bem como o seu contributo para o desenvolvimento
e a qualidade de vida das populações
O modelo territorial incorpora também a rede de infraestruturas fundamental, tendo em vista
um desenvolvimento territorial mais equilibrado, concorrendo para sistemas territoriais mais inte-
grados às escalas metropolitana, regional e nacional. Um sistema de conetividade estruturado em
corredores transversais e longitudinais presentes em todo o território nacional reforçará a equi-
dade espacial. A consolidação destes corredores (redes de ligações rodoviárias e/ou ferroviárias)
e de importantes nós de conetividade (infraestruturas logísticas, aeroportos e portos) contribuirá
para a diminuição das disparidades regionais e para a coesão territorial. Ao proporcionar-se uma
maior equidade de oportunidades de acesso a equipamentos e serviços e aos locais de emprego
contribui-se para a competitividade e a coesão dos territórios.
Complementarmente, a consolidação do sistema de conetividade poderá revelar-se uma
mais-valia no combate ao isolamento das regiões mais marginais e isoladas, sobretudo localiza-
das nos territórios menos densos e transfronteiriços. As zonas críticas em termos de mobilidade
são sobretudo as áreas metropolitanas e o corredor densamente povoado entre Setúbal, Lisboa e
Braga, revelando a necessidade de qualificar o corredor ferroviário. A diminuição da dependência
do transporte individual e a intensificação da mobilidade suave são prioritárias. À escala interna-
cional, as ligações portuárias e aéreas deverão ter um papel crucial no enquadramento de Portugal
nas principais redes europeias e internacionais, sobretudo tendo em consideração as dinâmicas
económicas e de atratividade turística. O papel das infraestruturas de transportes e de logística
permanecerá fundamental no estabelecimento das ligações para a circulação material nas redes
nacionais e internacionais. Para além da importância nas ligações internas, é indiscutível o lugar
estratégico em termos de ligações ao exterior, face a um mercado cada vez mais global e integrado,
como é o caso da rede de transporte de energia (gás, eletricidade). A interoperabilidade entre as
redes é estratégica à escala nacional e internacional.
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Através das redes digitais a conetividade territorial tem registado um crescimento exponen-
cial em todo o País, constituindo um importante contributo para o reforço da coesão e da inte-
gração territorial. Num futuro próximo, as redes digitais integradas nos processos de produção,
de prestação de serviços e na maioria das tarefas do quotidiano facilitarão o estabelecimento
de ligações entre territórios, pessoas, serviços e organizações, desencadeando novos modelos
de governação.
Sistema de Conetividade do Modelo Territorial
Sistema Urbano
O sistema urbano a desenvolver baseia-se numa estratégia de reforço do policentrismo
enquanto modelo territorial. A construção deste sistema urbano policêntrico deve reforçar o de-
senvolvimento urbano e a integração entre territórios (relações interurbanas e rurais-urbanas)
de forma a atenuar as disparidades socioeconómicas inter e intrarregionais. O reforço horizontal
e vertical das interações no âmbito do sistema urbano depende de uma distribuição de equipa-
mentos e serviços que atenda às especificidades e níveis de especialização de cada um dos
espaços urbanos.
Diário da República, 1.ª série
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O sistema urbano nacional organiza-se em torno dos seguintes elementos:
• Os centros urbanos, que estruturam a organização do território e garantem uma oferta
diversificada de funções urbanas
• Os subsistemas territoriais que articulam relacionamentos de proximidade e são o suporte
da equidade territorial na prestação de serviços de interesse geral;
• Os corredores de polaridades, que proporcionam o desenvolvimento de eixos favoráveis à
cooperação e à integração entre diferentes territórios.
O primeiro daqueles elementos, os centros urbanos, inclui três situações complementares:
as duas áreas metropolitanas, um conjunto de centros urbanos regionais e um leque diversificado
de outros centros urbanos. A AML e a AMP são os principais polos do País, âncoras da estrutura
urbana nacional e rótulas essenciais dos processos de internacionalização. Os centros urbanos
regionais destacam-se pela concentração de população residente, pela importância da base
económica e pela atratividade das suas funções urbanas. A construção de um compromisso
entre os objetivos de competitividade e de coesão regional deverá ancorar-se nas áreas me-
tropolitanas e nos centros urbanos regionais. Simultaneamente, um conjunto de outros centros
urbanos, com funções de âmbito municipal ou supramunicipal, constitui uma rede de suporte
básico à organização do território. As centralidades médias urbanas (e não só as grandes re-
giões metropolitanas) para além de disponibilizarem um leque mínimo de serviços urbanos, os
chamados serviços de interesse geral, devem igualmente oferecer, em função da sua estratégia
de especialização e internacionalização, serviços de diferenciação, como por exemplo serviços
de apoio ao investimento e às empresas, investigação e desenvolvimento, serviços culturais,
de apoios à organização de eventos, de lazer, saúde e bem-estar e de educação, porque estes
serviços adicionam valor aos territórios.
A consolidação de um sistema urbano policêntrico nacional assenta ainda na existência
de diversos subsistemas, sustentados em mobilidades, interações e parcerias de base terri-
torial envolvendo os três tipos de centros urbanos acima referidos. Posicionam -se enquanto
espaços de cidadania, de valorização de recursos, de quadros de vida e de integração terri-
torial, nomeadamente nas dimensões interurbanas e rurais -urbanas, devendo garantir uma
distribuição de serviços e uma oferta de equipamentos que promova a polivalência e a com-
plementaridade funcional bem como a equidade territorial, o que justifica a distinção entre os
subsistemas a valorizar, a consolidar e a estruturar. A oferta de serviços é fundamental para a
qualidade de vida dos residentes e para a atração/fixação de novos residentes, contribuindo
para a sustentabilidade dos territórios, nomeadamente os de baixa densidade demográfica,
económica e institucional. Os subsistemas apresentam atualmente configurações e níveis
diferenciados de consolidação e abrangência territorial, o que justifica a distinção entre sis-
temas urbanos estruturados e sistemas urbanos a estruturar. Nestes contextos espaciais é
possível organizar a oferta de serviços em função da natureza da mobilidade a incrementar
(o utente desloca-se ao serviço ou os serviços deslocam-se aos utentes) e das infraestru-
turas a mobilizar (através da mobilidade física ou digital). Os diferentes Ministérios, através
da organização da oferta dos serviços públicos e de interesse geral devem contribuir para a
consolidação do Sistema Urbano.
A estruturação do sistema urbano apoia-se também num conjunto de corredores a poten-
ciar, capazes de constituir uma rede promotora de desenvolvimento territorial. A estruturação
destes eixos de relacionamento pressupõe a intensificação das ligações de intermediação
e conetividade entre os principais centros urbanos regionais, enfatizando a importância dos
eixos transversais e longitudinais na integração territorial do País. Assim, estes corredores
podem ser instrumentos de potenciação de ativos regionais e de reforço da cooperação para
a coesão territorial.
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Sistema Urbano do Modelo Territorial
Vulnerabilidades Críticas
O mapeamento dos perigos atuais e a cenarização da sua expressão futura em contexto de
alterações climáticas é um dos objetivos do PNPOT, visando, a partir desta abordagem macro,
fomentar o detalhe do mapeamento dos perigos e aprofundar o seu conhecimento, no âmbito dos
planos territoriais e dos programas especiais ou setoriais de várias escalas. Neste sentido, relevam-
-se os perigos de erosão costeira, inundação, movimentos de massa em vertente, incêndio rural,
escassez de água, ondas de calor, desertificação do solo e sismos.
Considerando que é função do ordenamento do território ponderar a relação entre os
perigos naturais e os usos do solo, sobrepõe-se a este mapeamento, com base na informação
da COS (2015), as ocupações do solo que, pela sua natureza, podem induzir preocupações
de gestão e a necessidade de encetar ações de prevenção e de adaptação que reduzam
vulnerabilidades. Para o efeito, apresenta-se um mapeamento que evidencia a relação de
Diário da República, 1.ª série
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territórios suscetíveis a determinados perigos com as intensidades e formas de ocupação do
solo que neles ocorrem.
Relevam-se:
• Os territórios com perigosidade elevada e muito elevada de incêndio rural, em que os po-
voamentos florestais contínuos e densos ocupam uma percentagem de pelo menos 60% da área
concelhia, para os quais são necessárias novas políticas de ordenamento florestal que reduzam as
vulnerabilidades existentes e sejam perspetivadas face a eventos extremos de seca, calor e vento.
• Os territórios ocupados com agricultura em mais de 40% da área do concelho, inseridos
em áreas suscetíveis à seca e à desertificação do solo, merecem ações reforçadas para a gestão
eficiente da água e para a proteção e enriquecimento do solo.
• Os territórios densamente urbanizados e edificados suscetíveis à ocorrência de sismos
de intensidade muito elevada impõem uma chamada de atenção para medidas de proteção do
edificado, incluindo a adoção de soluções estruturais especiais e outras medidas de acréscimo
da resiliência dos elementos expostos em caso de catástrofe.
• Os territórios urbanizados e edificados sujeitos a perigos de inundação e galgamento
costeiro e as áreas de potencial perda de território por rompimento de cordões dunares e
recuo de arribas por constituírem situações de vulnerabilidade extrema onde os princípios da
precaução e da prevenção devem ser maximizados e onde se exigem soluções de adaptação
e acréscimo da resiliência dos elementos expostos e soluções no âmbito da defesa e valori-
zação costeira.
• Os territórios tradicionalmente ocupados por urbanização fragmentada e edificação dis-
persa, onde se verificam extensas e imbricadas fronteiras entre os aglomerados, as edificações
e a floresta que apresentam grande vulnerabilidades face ao perigo de incêndio rural, onde são
fundamentais a gestão das interfaces e a adoção de medidas de adaptação.
Com o mapeamento macro dos perigos naturais o PNPOT visa dar especial expressão às
situações em que a perigosidade conflitua com a ocupação e usos do solo, sem desvalorizar a
importância de se detalhar posteriormente estes e outros perigos naturais, bem como os perigos
tecnológicos diagnosticados.
Aos perigos e vulnerabilidades destacados impõe-se a consideração dos cenários de altera-
ção climática, que ao alterar as situações de referência de temperatura e precipitação e ao propi-
ciar eventos extremos de grande magnitude agravam perigos e intensificam as vulnerabilidades
dos elementos expostos. Pela sua posição geográfica Portugal apresenta-se como um território
significativamente exposto às alterações do clima, o que conjugado com as vulnerabilidades de
partida aponta para a necessidade de adoção de políticas de adaptação e mitigação dos efeitos
das alterações climáticas em todos os setores.
Importa assimilar que o território nacional apresenta vulnerabilidades diversas e que as ne-
cessidades de adaptação variam em função das áreas e circunstâncias em presença. Reduzir as
vulnerabilidades e incentivar a adaptação tem custos sociais e económicos, mas traz, também,
oportunidades de incentivo e promoção de novos modelos de ordenamento do território e de
desenvolvimento territorial que permitem obter ganhos para os objetivos de sustentabilidade,
através da valorização de soluções de base natural, da valoração e da valorização dos serviços
dos ecossistemas e, em geral, da valorização dos territórios rurais e da qualificação dos territórios
urbanos.
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Vulnerabilidades Críticas que condicionam o Modelo Territorial
Modelo Territorial
O Modelo Territorial representa a tradução espacial da estratégia de desenvolvimento do
País, correspondendo a um conjunto de sistemas territoriais que irão informar o ordenamento
do território. Estabelece um compromisso de organização do território nacional, tendo em vista
enfrentar as mudanças críticas com resiliência, capacidade adaptativa e geração de novas opor-
tunidades, e induzir respostas aos desafios que se colocam ao País, no quadro dos princípios da
coesão territorial.
A definição do Modelo Territorial baseia-se em quatro sistemas territoriais fundamentais — o sis-
tema natural, o sistema urbano, o sistema socioeconómico e o sistema de conetividade — e iden-
tifica os territórios especialmente vulneráveis às mudanças críticas em diferentes dimensões,
apontando para a necessidade de adoção de um sistema de governança adequado para a imple-
mentação territorializada de medidas de política pública multissetoriais e multiescalares. O modelo
de desenvolvimento sustenta-se numa abordagem de valorização económica, social e ambiental
do território e dos seus ativos, que privilegia os recursos e as capacidades económicas de cada
espaço e as redes de interação entre diferentes atores e escalas, numa crescente proximidade
relacional (local e global). A matriz territorial das atividades económicas cruza-se com contextos
sociais e ambientais diversificados, cuja abordagem articulada é preciso aprofundar em termos
de políticas territoriais.
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O capital natural é um ativo estratégico para promover o desenvolvimento dos territórios rurais
e para enfrentar vulnerabilidades crónicas agravadas pelas alterações climáticas. Um novo modelo
de desenvolvimento, territorialmente mais equilibrado e justo, em contexto de perda demográfica,
não poderá deixar de relevar o capital natural dos territórios rurais e de o valorizar em prol da
atratividade desses territórios e da promoção da riqueza, bem-estar e qualidade de vida do País na
sua globalidade. Neste âmbito são sinalizados os territórios com maior potencial ao nível do capital
natural, designadamente as áreas protegidas e as integradas na Rede Natura, o sistema litoral
e o sistema hídrico principal. Os territórios de uso florestal constituem ativos incontornáveis que,
para além da função de produção, podem desempenhar outras funções estruturantes enquanto
habitat e sumidouro de carbono. Também os territórios de uso agrícola são um importante ativo na
conservação e promoção da biodiversidade, na gestão sustentável dos recursos água e solo. Por
esse motivo, identificam-se as áreas mais ricas em capital natural e também as principais áreas
florestais a estruturar e a valorizar. Por outro lado, as mudanças climáticas agravarão vulnerabi-
lidades já existentes hoje, nomeadamente a pressão e perda de territórios litorais, a severidade
de secas e de incêndios rurais associados a eventos extremos e a condições climáticas mais
adversas, bem como a suscetibilidade à desertificação.
Em matéria de conetividade, a organização do território reflete a conetividade ecológica
e os corredores de acessibilidade e mobilidade. Assim, as redes de conetividade sejam elas
ecológicas, viárias, ferroviárias, aéreas, marítimas, digitais ou de transporte de energia (gás,
eletricidade) estruturam o território, sendo fundamental assegurar que as infraestruturas cinzentas
não quebram a conetividade da infraestrutura verde e azul. Estas redes constituem os principais
corredores territoriais, com os correspondentes nós de conetividade nacional e internacional. No
quadro da acessibilidade rodoviária, importa ter presente que o País organizou-se com base na
acessibilidade por transporte individual. É, por isso, necessário considerar a otimização desta
rede, diversificando e aumentando a sustentabilidade das formas de mobilidade e assegurando
o aproveitamento das infraestruturas e dos equipamentos existentes e contribuindo para a
descarbonização.
No sistema urbano, Portugal apresenta ainda um baixo nível de desenvolvimento do policen-
trismo, uma vez que a maioria dos centros urbanos tem uma fraca expressividade nos critérios
considerados fundamentais (densidade urbana, conetividade e cooperação territorial). A organi-
zação do sistema urbano policêntrico deve suportar-se nas principais estruturas urbanas, na base
económica, nas redes de serviços, e nos fluxos e interações económicas, sociais e ambientais.
Assim, o modelo territorial contraria uma visão dicotómica do território (litoral-interior) e sinaliza
uma organização territorial poliurbana, defendendo a necessidade de reforçar as articulações para
a construção do policentrismo.
O sistema urbano organiza-se em torno de duas áreas metropolitanas e de um conjunto de
centros urbanos regionais e um conjunto de subsistemas de cooperação territorial (relações in-
terurbanas e urbano-rurais). Assim, identificam-se 3 tipos de subsistemas territoriais, com limites
porosos e com geometrias variáveis: (1) os subsistemas territoriais a valorizar, são regiões urbanas
funcionais, espaços de carácter metropolitano ou poliurbano ou áreas sub-regionais polarizadas
por cidades médias. Correspondem a áreas relativamente densas, tendencialmente com um cres-
cimento urbano disperso e fragmentado territorialmente, com geografias económicas muito rela-
cionadas e bacias de emprego com pendularidades muito fortes, parcialmente estruturadas pelos
transportes públicos; (2) os sistemas territoriais a consolidar, são áreas sub-regionais polarizadas
por cidades médias, com uma dimensão populacional e económica relativamente pequena, em
que as relações urbanas e urbano-rurais precisam de ser intensificadas. Nestas áreas a consoli-
dação das redes urbanas existentes permitirá alcançar melhores níveis de eficiência e eficácia na
gestão das políticas públicas e na implementação de estratégias mais ambiciosas; (3) os sistemas
territoriais a estruturar, são áreas rurais com fraca densidade urbana, com um nível de oferta de
serviços relativamente escasso, com fraca dimensão populacional e económica. A mobilidade e a
estruturação da oferta de equipamentos e serviços nestas áreas são cruciais para garantir níveis
razoáveis de equidade territorial. Estes três tipos de subsistemas exigem políticas integradas de
base territorial diferenciadas, nomeadamente em matéria de promoção de mobilidade sustentável,
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de inovação económica e internacionalização, de coesão socioterritorial e/ou de valorização de
redes ecológicas.
O Modelo Territorial é condicionado pelas Mudanças Críticas com diferentes intensidades
(Mapa dos Territórios sob pressão), exigindo respostas diferenciadas territorialmente. As per-
das demográficas devem ser contrariadas com políticas de atração de residentes temporários e
novos residentes, as alterações climáticas exigem abordagens mais sustentáveis e as redes de
conetividade digital não podem condicionar a inovação social e económica. Assim, as políticas
económicas, sociais e ambientais têm de ser mais integradas e complementares, dada a dinâ-
mica e complexidade dos processos em curso. Perda demográfica e fraca vitalidade económica,
erosão e sobreocupação costeira, risco de incêndio nas áreas de forte concentração florestal e
elevada suscetibilidade à desertificação incidem num vasto território do País exigindo políticas de
antecipação e adaptação.
No futuro, o modelo de desenvolvimento do País terá de basear-se em novas formas de
organização e funcionamento territorial, promovidas por exercícios de planeamento mais partici-
pativos e colaborativos a várias escalas. Consubstanciando o PNPOT, o quadro de referência a
considerar na elaboração dos demais instrumentos de gestão territorial, o modelo territorial sinaliza
as componentes estratégicas para a organização do território nacional e para a cooperação com
os demais Estados-Membros.
O Modelo Territorial sintetiza a Estratégia Territorial e será a base da Agenda para o Território
(o Programa de Ação), tendo em consideração o diagnóstico prospetivo.
Territórios sob pressão
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Modelo Territorial
Programa da Ação
(Agenda para o território)
ÍNDICE GERAL
0. Introdução
1. Compromissos para o Território
2. Domínios e medidas
D1 | Domínio Natural
D2 | Domínio Social
D3 | Domínio Económico
D4 | Domínio de Conetividade
D5 | Domínio da Governança Territorial
3. Operacionalização do Modelo Territorial
4. Diretrizes para os Instrumentos de Gestão Territorial
5. Modelo de Governação
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6. Quadros de articulação
0. Introdução
A Agenda para o Território constitui o Programa de Ação 2030 do PNPOT. No seguimento do
Diagnóstico e do relatório de Estratégia, esta Agenda responde às opções estratégicas inerentes
aos desafios territoriais e visa concretizar o Modelo Territorial esquematizado.
A Agenda para o Território estrutura-se em 5 pontos:
No ponto 1 enunciam-se 10 compromissos para o território que traduzem as ideias fortes das
apostas de política pública para a valorização do território e para o reforço da consideração das
abordagens territoriais. Apresenta-se ainda o esquema de articulação do PNPOT com a Estratégia
para o Portugal 2030 e Programa Nacional de Investimentos 2030.
No ponto 2 apresenta-se o conjunto das medidas de política que integram o Programa de Ação
do PNPOT, estruturadas e organizadas em 5 domínios de intervenção: Domínio Natural, Domínio
Social, Domínio Económico, Domínio da Conetividade e Domínio da Governança Territorial.
No ponto 3 procede-se à Operacionalização do Modelo Territorial, estruturado de acordo com
os sistemas identificados na Estratégia: Sistema Natural, Sistema Social, Sistema Económico,
Sistema da Conetividade, Sistema Urbano e Vulnerabilidades Críticas.
No ponto 4 identificam-se as diretrizes para os instrumentos de gestão territorial, abordando
as questões de articulação e questões de conteúdo territorial e temático.
No ponto 5 apresenta-se o esquema do Modelo de Governação do PNPOT, identificando as
estruturas de operacionalização, monitorização e avaliação bem como de articulação e consulta.
A conceção deste programa baseou-se num processo colaborativo desenvolvido, em estreita
articulação com os Pontos Focais. Os diferentes ministérios foram convidados a enquadrar as
suas políticas setoriais nos 15 Desafios Territoriais da Estratégia. Desse exercício resultaram
113 medidas de política que foram objeto de agregação de forma concertada e articulada com os
sectores, resultando em 50 medidas de política, que aqui se apresentam.
1. Compromissos para o Território
10 Compromissos para o Território
Os 10 compromissos para o território traduzem as ideias fortes das apostas de política pública
para a valorização do território e para o reforço das abordagens integradas de base territorial.
10 Compromissos para o Território
1. Robustecer os sistemas territoriais em função das suas centralidades
2. Atrair novos residentes e gerir a evolução demográfica
3. Adaptar os territórios e gerar resiliência
4. Descarbonizar acelerando a transição energética e material
5. Remunerar os serviços prestados pelo capital natural
6. Alargar a base económica territorial com mais conhecimento, inovação e capacitação
7. Incentivar os processos colaborativos para reforçar uma nova cultura do território
8. Integrar nos IGT novas abordagens para a sustentabilidade
9. Garantir nos IGT a diminuição da exposição a riscos
10. Reforçar a eficiência territorial nos IGT
Estes compromissos estão em coerência com as grandes linhas de orientação estratégica
internacional, no quadro da Agenda 2030, e dos seus objetivos de desenvolvimento sustentável
e do Acordo de Paris.
A territorialização de políticas evidencia que territórios diferentes têm problemas, vocações
e potencialidades também diversos, carecendo de respostas diferenciadas.
Os resultados não são imediatos tornando-se de crucial importância a capacidade de construir
compromissos de base territorial em torno de objetivos comuns e o desenvolvimento de programas
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 77
com responsabilidades institucionais partilhadas, à luz dos desafios identificados e do Modelo
Territorial delineado.
10 Compromissos para o Território
1 Robustecer os sistemas territoriais em função das suas centralidades
a) Criar operações de desenvolvimento prioritário para os sistemas territoriais a estruturar,
com forte envolvimento local e pilotadas pela Estrutura de Missão para o Interior, de que é exemplo
Pinhal Interior
b) Intensificar as relações urbanas e urbano-rurais nos sistemas territoriais a consolidar visando
a melhoria dos níveis de eficiência e eficácia na gestão das políticas públicas, nomeadamente
através da organização dos sistemas de mobilidade sustentável flexíveis, oferta de habitação e
acesso a serviços de interesse geral, à escala das Comunidades Intermunicipais;
c) Conferir qualidade de vida às Áreas Metropolitanas com aposta nos sistemas de mobilidade
sustentável e oferta de habitação (acessível, arrendada e a partir da reabilitação) e melhorar a sua
projeção internacional nas diferentes redes internacionais (inovação e conhecimento, logística)
2 Atrair novos residentes e gerir a evolução demográfica
a) Apoiar uma política de promoção da natalidade nomeadamente através do aumento da rede
de serviços sociais de apoio à primeira infância, facilitando a articulação entre a vida profissional
e familiar, e melhorando a atratividade dos territórios em perda demográfica;
b) Promover uma política de imigração ativa dirigida a todas as áreas do território, em especial
para estudantes, jovens qualificados e reagrupamento familiar de trabalhadores agrícolas;
3 Adaptar os territórios e gerar resiliência
a) Preparar e gerir a floresta para ser sumidouro estável de um mínimo de 10 Mton de CO2
no âmbito de uma nova economia da Floresta (multifuncional e competitiva);
b) Executar o Plano de Ação Litoral XXI investindo continuadamente no litoral de forma a
combater o recuo da linha de costa, privilegiando as soluções de engenharia natural;
c) Reabilitar a rede hidrográfica, preservando os valores naturais, garantindo a redução do
risco de cheias e assegurando a qualidade das massas de água;
d) Gerir o recurso água pensado a partir da eficiência da procura, reutilizando efluentes trata-
dos para a rega e outros usos secundários e assegurando os meios de planeamento e operação
que reduzam o risco da seca.
4 Descarbonizar acelerando a transição energética e material
a) Incentivar a produção e consumo de energia a partir de fontes renováveis, destacando-se
a energia solar, aumentando a eletrificação do País e encerrando a produção de energia a partir
do carvão;
b) Desenvolver uma economia de baixo carbono assente em sistemas de transporte de baixo
carbono e na eficiência energética;
c) Promover a transição para uma economia circular, dando especial atenção às Agendas
Regionais de Economia Circular e às Agendas Urbanas;
5 Remunerar os serviços prestados pelo capital natural
a) Adotar instrumentos económicos para a conservação da biodiversidade e remuneração dos
serviços de ecossistemas no âmbito dos instrumentos de financiamento da agricultura e floresta,
e do Fundo Ambiental;
b) Incorporar nas transferências para os municípios fatores que privilegiem os territórios com
maior capital natural;
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6 Alargar a base económica territorial com mais conhecimento, inovação e capacitação
a) Valorizar economicamente o capital natural, patrimonial e cultural promovendo o empre-
endedorismo e a capacidade empresarial em territórios carenciados de atração de investimento,
emprego e residentes;
b) Promover: i) novas formas de gestão e valorização da floresta (nova economia da floresta);
ii) o restabelecimento de áreas agrícolas que incorporem mais inovação e conhecimento; iii) com-
binações de valorização de produtos locais e alimentação saudável e segura;
c) Promover apostas específicas de dinamização empresarial num quadro de parcerias
transfronteiriças;
d) Estimular a diversificação da base produtiva a partir da localização de atividades econó-
micas com uma forte componente tecnológica e científica, e ancoradas na rede de universidade
e politécnicos.
7 Incentivar os processos colaborativos para reforçar uma nova cultura do território
a) Progredir na organização territorial da administração do Estado promovendo a descon-
centração dos serviços públicos;
b) Promover parcerias para a gestão territorial capacitando os atores para as redes colaborati-
vas interurbanas, para a cogestão de áreas protegidas e para as parcerias urbano-rurais (mercados
locais, serviços de apoio à economia, serviços de apoio geral, rotas turísticas, entre outras);
8 Integrar nos IGT novas abordagens para a sustentabilidade
a) Promover a escala supramunicipal para o desenvolvimento de abordagens de sustentabili-
dade, nomeadamente para a gestão do ciclo urbano da água, de sistemas e infraestruturas, modelos
de economia circular e de mobilidade sustentável, adotando os princípios da gestão adaptativa;
b) Reforçar o sistema de gestão territorial melhorando a dinâmica de planeamento, tendo
em consideração o PNPOT e os seus desenvolvimentos a nível regional, os novos PROF e os
Programas Especiais;
9 Garantir nos IGT a diminuição da exposição a riscos
a) Incrementar a produção e disponibilização de conhecimento e informação de suporte ao
planeamento e gestão territorial de escala nacional, regional e supramunicipal;
b) Progredir na compatibilização entre os usos do solo e os territórios expostos a perigosidade.
10 Reforçar a eficiência territorial nos IGT
a) Travar a artificialização do solo e promover a reutilização do solo enquanto suporte das
atividades humanas edificadas;
b) Promover a concentração da habitação e das atividades, pela reabilitação e regeneração
urbanas, pela mobilidade sustentável, economia circular e de partilha e consumos de proximidade.
Portugal tem tido uma participação ativa em todo o processo de decisão relativo à Agenda
2030 de Desenvolvimento Sustentável e aos seus 17 objetivos no quadro das Nações Unidas,
assumindo a visão de desenvolvimento sustentável para o País através da necessária coerência
das políticas para o desenvolvimento e integração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) nos planos e programas nacionais e regionais, estando subjacentes, coerentemente, à
estratégia do PNPOT e aos indicadores para a sua monitorização.
O Acordo de Paris é o acordo mundial juridicamente vinculativo sobre as alterações climáti-
cas, que representa uma mudança de paradigma na implementação da Convenção Quadro para
as Alterações Climáticas. No quadro do Acordo de Paris e da política climática da UE, Portugal
comprometeu-se a assegurar a neutralidade das suas emissões até ao final da primeira metade
Diário da República, 1.ª série
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de 2050, estando a visão nacional relativa à descarbonização profunda da economia nacional
espelhada no Quadro Estratégico para a Política Climática.
Foram ponderados e assimilados os referenciais estratégicos sectoriais dos diferentes mi-
nistérios (devidamente identificadas nas medidas de política apresentadas), numa lógica de terri-
torialização das principais linhas de política.
Apesar de apenas abranger o espaço terrestre, o PNPOT garante a coerência, articulação e
compatibilização com o Ordenamento do Espaço Marítimo (OEM), de acordo com a Lei de Bases
Gerais da Política Pública de Solos, de Ordenamento do Território e de Urbanismo (LBPPSOTU)
e com a Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional (LBOGEM). Nos
ciclos de planeamento subsequentes deverão tendencialmente convergir na metodologia e na
substância o tratamento do território como um todo de modo a que o PNPOT possa constituir o
referencial para todo o território nacional, incluindo o espaço marítimo.
Tendo em conta as especificidade e os problemas das áreas de baixa densidade e reforçando
a estratégia territorial para a coesão, o PNPOT articula-se de forma estreita com o Programa de
Valorização do Interior, através de objetivos e medidas que concorrem e especificam abordagens
a territórios com problemáticas específicas.
O PNPOT tem em consideração as opções de desenvolvimento económico e social do País e
articula-se com a agenda estratégica para o ciclo de fundos comunitários Portugal 2030. A sequente
programação operacional dos fundos estruturais e de coesão, de política agrícola, de transpores e de
investigação e inovação do ciclo 2030, complementadas pelo financiamento nacional, serão o suporte
financeiro público principal das medidas de política, constantes do Programa de Ação do PNPOT.
O PNPOT constitui o referencial estratégico territorial para a elaboração do Programa Nacio-
nal de Investimento 2030. Este programa, elaborado em articulação com o PNPOT, concretiza os
projetos estruturantes que concorrem para a implementação das opções estratégicas e do modelo
territorial do PNPOT e detalha a programação operacional dos investimentos a realizar.
O enquadramento e a operacionalização do PNPOT deixa claro que a articulação do PNPOT
com estes importantes programas, será concretizada ao nível político, nas sedes próprias e ao
nível técnico, no âmbito dos trabalhos do Fórum Intersectorial, previsto no modelo de governação
do PNPOT, sendo, nessa sede, desenvolvida a programação operacional e definidos os instru-
mentos de seguimento da execução e de coordenação da monitorização e avaliação das medidas
de política com tradução territorial.
Em suma, o PNPOT constitui o referencial territorial nacional para a elaboração, alteração ou
revisão dos instrumentos de gestão territorial, bem como para a definição de estratégias setoriais
e de desenvolvimento socioeconómico com expressão no território.
Enquadramento Estratégico e Operacional do PNPOT
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2. Domínios e medidas
Os 10 Compromissos para o Território são operacionalizados no quadro de 5 Domínios de
Intervenção:
D1 Domínio Natural, que concorre para a otimização e a adaptação, dinamizando a apro-
priação e a capitalização dos recursos naturais e da paisagem.
D2 Domínio Social, que concorre para a educação, qualificação e a inclusão da população
e o acesso aos serviços públicos e de interesse geral.
D3 Domínio Económico, que concorre para a inovação, a atratividade e a inserção de Por-
tugal nos processos de globalização e aumentando a circularidade da economia.
D4 Domínio da Conetividade, que concorre para o reforço das interligações, aproximando
os indivíduos, as empresas e as instituições, através de redes e serviços digitais e de uma mobi-
lidade que contribui para a descarbonização.
D5 Domínio da Governança Territorial, que concorre para a cooperação e a cultura terri-
torial, capacitando as instituições e promovendo a descentralização e a desconcentração e uma
maior territorialização das políticas.
Os 5 Domínios de Intervenção
enquadram as
50
medidas
de
política
estabelecidas:
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Os 5 Domínios de Intervenção enquadram as 50 medidas de política estabelecidas:
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As Medidas de Política respondem aos Desafios Territoriais identificados no relatório da
Estratégia:
Cada Medida de Política tem uma designação (propósito de ação) e enquadra-se nos desafios
territoriais explicitados na Estratégia. O conteúdo explicitado nas Medidas de Política organiza-se
da seguinte forma:
- Em primeiro lugar, faz-se a descrição da Medida. Começa-se por justificar a necessidade
de intervenção (a partir do Diagnóstico e/ou dos Fatores Críticos de Mudança), faz-se uma des-
crição sumária das ações ou das orientações de política a desenvolver e define-se os objetivos
operacionais a atingir (o que se pretende resolver e/ou o que se vai conseguir);
- Em segundo lugar, descreve-se as condições fundamentais para a sua concretização, no-
meadamente as entidades responsáveis e os referenciais estratégicos e operacionais nacionais
que se relacionam com a Medida;
- Em terceiro lugar, explicita-se a informação necessária para a monitorização e avaliação,
primeiro, os efeitos esperados e depois os indicadores de monitorização. Os indicadores propos-
tos são ainda indicativos devendo posteriormente ser articulados com os indicadores ODS a ser
preparados pelo INE.
1 Domínio Natural
Palavras-Chave: Capitalizar | Adaptar | Otimizar | Apropriar
Índice das medidas.
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
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1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
1.4 Valorizar o território através da paisagem
1.5 Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos e mineiros
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da floresta
1.7 Prevenir riscos e adaptar o território à mudança climática
1.8 Valorizar o Litoral e aumentar a sua resiliência
1.9 Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço público
As Medidas de Política concorrem para os Desafios Territoriais
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO AMBIENTAL
1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9
Promover
Planear e
a
Valorizar gerir de Prevenir
Afirmar a Ordenar e reabilitaçã
Gerir o o recurso Valorizar forma riscos e Valorizar
DESAFIOS TERRITORIAIS biodiversi revitalizar o urbana,
recurso solo e o integrada adaptar o o litoral e
dade os qualificar
água num combater território os território aumentar
como um territórios o
clima em o seu através da recursos às a sua
ativo da ambiente
mudança desperdíci paisagem geológico alterações resiliência
territorial floresta urbano e
o se climáticas
o espaço
mineiros
público
1.1 Valorizar o capital natural
Promover a eficiência do metabolismo
1.2
regional e urbano
1.3 Aumentar a resiliência socioecológica
Afirmar as metrópoles e as principais
cidades como motores da
2.1
internacionalização e competitividade
externa
Reforçar a cooperação interurbana e rural-
2.2
urbana como fator de coesão interna
2.3 Promover a qualidade urbana
Aumentar a atratividade populacional, a
3.1 inclusão social, e reforçar o acesso aos
serviços de interesse geral
Dinamizar os potenciais locais e regionais e
3.2 o desenvolvimento rural face à dinâmica de
globalização
Promover o desenvolvimento
3.3
transfronteiriço
Otimizar as infraestruturas ambientais e a
4.1
conetividade ecológica
Reforçar e integrar redes de acessibilidade e
4.2
de mobilidade
4.3 Dinamizar redes digitais
Reforçar a descentralização de competências
5.1
e a cooperação intersectorial e multinível
Promover redes colaborativas de base
5.2
territorial
5.3 Aumentar a cultura territorial
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Medida 1.1
TÍTULO: Gerir o recurso água num clima em mudança
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 1.3; 3.2; 4.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Nas condições climáticas mediterrânicas, a água é um dos principais fatores limitantes ao
uso do solo, pelo que a sua disponibilidade e regularização assumem uma importância estra-
tégica. Apesar de Portugal ser um País com disponibilidades hídricas relativamente elevadas,
a irregularidade na distribuição dos recursos hídricos, em termos espaciais e temporais, tem
implicações diretas e indiretas no seu planeamento e gestão. Tudo indica que, num contexto
de alterações climáticas, se irão experimentar situações de seca cada vez mais frequentes e,
eventualmente, mais prolongadas mas também de ocorrência de cheias que, associadas a fe-
nómenos meteorológicos extremos de precipitação intensa, podem originar situações de risco
para populações assim como elevados prejuízos económicos.
A correta gestão da água é um fator determinante para a fixação de populações e de
atividades económicas. Não menos importante é a necessidade de proteção das populações
contra cheias, através de uma gestão das infraestruturas hidráulicas disponíveis e de um correto
ordenamento do território. As características hidrológicas do território e os riscos agravados por
alterações climáticas determinam desafios muito importantes na gestão dos recursos hídricos,
envolvendo múltiplos parceiros e setores de atividade, por vezes com interesses divergentes.
Nesta gestão é também essencial ter em conta a importância das bacias transfronteiriças, tendo
particular atenção o facto de no território nacional se localizarem as áreas de jusante dessas
mesmas bacias hidrográficas.
É assim fundamental assegurar uma gestão dos recursos hídricos que permita a sustenta-
bilidade do recurso, tendo em perspetiva a salvaguarda do abastecimento público e a resposta
equilibrada à satisfação das necessidades dos vários setores económicos bem como da sus-
tentabilidade dos ecossistemas.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida aponta um conjunto de orientações de planeamento e gestão integrada
de recursos hídricos por bacia hidrográfica, considerando as matérias que, sendo de âmbito
transversal, contribuem para a salvaguarda da água enquanto recurso em termos quantitativos
e qualitativos, designadamente o bom estado das massas de água. Seja em contexto rural ou
urbano, a presença de massas de água num território é um fator de diferenciação com mais-valias
sociais e económicas em termos de atratividade, nomeadamente para atividades económicas,
turismo, recreio e lazer.
É particularmente relevante garantir condições de infiltração, armazenamento e de dis-
tribuição de água, numa perspetiva estratégica de salvaguarda de abastecimento público, de
sustentabilidade da função essencial de produção de alimentos, contrariando o despovoamento
e o abandono dos territórios tendo em vista a resiliência das populações e dos territórios e,
assim, a coesão social, ambiental e territorial.
É necessário garantir a otimização e gestão das infraestruturas hidráulicas, independen-
temente dos seus fins (múltiplos, abastecimento, rega ou produção de energia) bem como a
redução de perdas nos sistemas de captação, transporte, distribuição e aplicação de água.
É igualmente importante promover utilizações que promovam a capacidade de retenção de água
no solo e a melhoria do seu ciclo. A concretização desta medida passa ainda por assegurar o
licenciamento das atividades pecuárias, a aplicação do Regime Jurídico das Utilizações dos
Recursos Hídricos (RJURH) e por implementar, de forma mais eficiente, o Programa de Ação
para Zonas Vulneráveis aos Nitratos de Origem Agrícola e o regime da Reserva Ecológica Na-
cional e Regime da Reserva Agrícola Nacional.
Diário da República, 1.ª série
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OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Assegurar que o planeamento da ocupação e usos do solo e a gestão das atividades
do território consideram as disponibilidades hídricas presentes, através de boas práticas (uso
eficiente da água e de fertilizantes e fitossanitários) de qualidade e quantidade dos recursos
hídricos.
2. Promover o incremento das disponibilidades de água nas bacias hidrográficas, nomea-
damente na bacia do Tejo, contrariando as vulnerabilidades decorrentes da irregularidade de
caudais agravada pelo aumento da ocorrência de secas.
3. Garantir que, em áreas estratégicas para a recarga de aquíferos, os usos são planeados e
adaptados à natureza desses territórios, nomeadamente assegurando a sua permeabilidade e ca-
pacidade de infiltração, a partir das orientações estratégicas e da delimitação cartográfica da REN;
4. Contribuir decisivamente para a redução e eliminação das pressões pontuais e difusas
sobre os recursos hídricos para atingir e manter o bom estado das massas de água, incluindo
as perdas de água nos sistemas;
5. Aumentar a resiliência dos territórios e viabilização das funções de produção (agricul-
tura, florestas e ecossistemas associados) num quadro de adaptação às alterações climáticas,
garantindo a sustentabilidade hídrica e de uso do solo, em particular, em áreas suscetíveis a
processos de desertificação;
6. Generalizar o uso eficiente do recurso água em todo o território e setores económicos e
criar condições para recurso à reutilização de água residuais tratadas sempre que adequado;
7. Promover a sustentabilidade económica da gestão da água;
8. Melhorar a conetividade territorial com base nas áreas associadas aos recursos hídricos,
incluindo a renaturalização das linhas de água;
9. Aumentar a resiliência a inundações em áreas urbanas e rurais e conter a ocupação
edificada nas áreas de maior suscetibilidade à inundação;
10. Valorizar os territórios com presença de lagos, lagoas, rios, ribeiras, albufeiras e águas/
estâncias termais, num quadro de reconhecimento de prestação de serviços ambientais e de
relevância para as atividades económicas;
11. Garantir a propriedade pública da água, valorizando o papel das autarquias, respeitando
as competências municipais em particular no que se refere aos Serviços Urbanos da Água.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação APA; DGADR; Regiões Au- Principais Parceiros ICNF; CIM; DRAP; Associações de
tónomas Agricultores; Organização de Pro-
dutores Florestais; GPP; DGRDN;
EDIA; Associações de Beneficiá-
rios e Regantes; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Planos de Gestão de Região Hidrográfica 2016-2021; Planos de Gestão de Seca por RH
(a elaborar até 2019);Planos de Gestão de Riscos de Inundação 2016-2021; Estratégia Nacio-
nal de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020); Programa de Ação de Adaptação
às Alterações Climáticas (em elaboração); Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água;
Programa nacional de Regadios; PAC 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Estratégia
Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais (ENEAPAI); Estratégia para o setor
de abastecimento de água e saneamento de águas residuais (PENSAAR 2020); Código de Boas
Práticas Agrícolas (CBPA); Reserva Ecológica Nacional; Plano de Prevenção, Monitorização e
Contingência para situações de Seca, Plano Nacional da Água (PNA), Estratégia Nacional do
Regadio; Programa de Ação para as Zonas Vulneráveis.
Diário da República, 1.ª série
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3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Usos e funções do território compatíveis com as disponibilidades hídricas.
- Salvaguarda das grandes reservas estratégicas de água superficial e subterrânea garan-
tindo igualmente o bom estado das massas de água
- Eficiência hídrica dos regadios com base no Programa Nacional de Regadio, incrementando
o uso eficiente da água, na utilização das áreas já infraestruturadas ou a infraestruturar;
- Permeabilidade de áreas estratégicas para a recarga de aquíferos e redução dos focos
de contaminação de águas subterrâneas;
- Redução dos nitratos de origem agrícola em zonas vulneráveis;
- Incremento de atividade florestal ambientalmente sustentável em territórios estratégicos
para o ciclo da água;
- Contenção da ocupação edificada em zonas de inundação;
- Valorização dos serviços prestados por ecossistemas associados a massas de água
interiores e de transição;
- Melhoria das disponibilidades hídricas em áreas mais vulneráveis à ocorrência de secas,
visando fins múltiplos.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Índice de escassez, por Bacia Hidrográfica (APA)
- Eficiência hídrica nas explorações agrícolas apoiadas, por concelho (DGADR)
- Área de adesão ao regadio nos perímetros hidroagrícolas, por concelho (DGADR)
- Massas de água em bom estado, por Bacia Hidrográfica (APA)
- Área artificializada em áreas suscetíveis a inundação, por concelho (DGT/COS)
- Usos (agrícola, florestal e áreas artificializadas) em áreas estratégicas para recarga de
aquíferos, por concelho (DGT/COS e APA)
Medida 1.2
TÍTULO: Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.1; 1.2; 1.3; 2.2; 2.3; 3.2; 4.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O solo é um recurso escasso e vulnerável com múltiplas funções produtivas, ecológicas e
de suporte à atividade humana. O desperdício deste recurso que decorre, principalmente, da
artificialização extensa e crescente de áreas para instalação de infraestruturas, equipamentos e
outras edificações destinadas à atividade económica e social, da degradação do valor pedológico
e ecológico intrínseco do solo provocado por utilizações e práticas indevidas ou inadequadas e
da fragmentação excessiva da propriedade e da sua utilização e consequente desvalorização
da rentabilidade produtiva.
A artificialização, degradação e fragmentação do solo são problemas persistentes com
causas enraizadas em lógicas económicas que desequilibram negativamente o valor do solo
rústico face ao urbano, que não valorizam as pequenas economias agrícolas e florestais, que
não incorporam nos encargos da atividade o valor dos serviços dos ecossistemas e, igualmente,
no comportamento da sociedade que, cada vez mais urbana, encara o solo como um mero
Diário da República, 1.ª série
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suporte ou um recurso infinito, não conseguindo fazer incorporar devidamente na regulação a
proteção deste recurso.
As tendências de decréscimo populacional, de desertificação e de alteração climática e
os desafios da valorização dos recursos naturais, da utilização mais eficiente e sustentável
dos recursos, da resiliência social e ecológica e da atratividade dos territórios rurais apontam
para a necessidade de inverter os fenómenos identificados e de adotar medidas de política e
diretrizes de planeamento e gestão para a proteção e valorização do solo no quadro de uma
cultura territorial que conhece, respeita e valoriza este recurso.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A eficácia do combate ao desperdício de solo depende da adoção de um conjunto de
medidas e diretrizes territoriais e setoriais a incorporar nas políticas, estratégias, programas e
planos a desenvolver nos vários níveis e esferas de atuação, designadamente: considerar a
aptidão do solo como um requisito do planeamento e gestão do uso e ocupação e utilização;
prevenir ocupações que afetem a sua capacidade produtiva e a perenidade do recurso solo
nomeadamente os classificados como reserva agrícola ou de suporte de sistemas agrícolas e
florestais de reconhecido valor; promover boas práticas de mobilização e estabilização, ações
de gestão do coberto vegetal, de controlo da erosão e incremento da capacidade de infiltração
e retenção de água e de enriquecimento orgânico; reconhecer e incorporar as mais-valias so-
ciais da ocupação do solo na regulação da atividade privada; aplicar os princípios da economia
circular ao solo, enquanto suporte de ocupações artificializadas. Do ponto de vista operacional,
a concretização desta medida passa por: i) conter as áreas destinadas a urbanização ou edi-
ficação fora das áreas urbanas existentes, pela colmatação de vazios urbanos e ocupação de
solos expectantes, pelo aproveitamento de solos ocupados por urbanização e edificação incom-
pleta e abandonada e pela contenção da edificação dispersa e isolada; ii) disponibilizar áreas
necessárias para novos usos e atividades a partir de solos já artificializados; iii) criar condições
legais e financeiras para a incorporação de áreas parcialmente infraestruturadas e edificadas,
atualmente abandonadas, no mercado de solos; iv) incorporar fogos devolutos no mercado de
habitação em resposta a novas necessidades de habitação, infraestruturas e equipamentos e
acolhimento de atividades económicas; v) reforçar a aplicação das regras de impedimento de
fragmentação e fomentar a valorização do emparcelamento da propriedade, bem como apoiar
e incentivar o associativismo da exploração produtiva, em territórios de elevada fragmentação
e vi) aumentar o conhecimento e obtenção de dados sobre o solo para a monitorização do seu
estado, incluindo a componente de teores de matéria orgânica e de poluentes de origem agrí-
cola e industrial e a produção de informação cartográfica de base sobre os solos em escalas
compatíveis com o planeamento à escala regional e municipal.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Preservar os solos de elevado valor, contrariar e inverter as situações de degradação.
2. Travar a artificialização do solo.
3. Promover a utilização agrícola, florestal e silvo pastoril do solo, incrementando a sua ca-
pacidade de produção sustentável, enquanto fator de atratividade e competitividade do território.
4. Aumentar a capacidade de sumidouro de carbono
5. Incrementar a regeneração de áreas urbanas obsoletas, a reabilitação do edificado e do
espaço público com valor patrimonial e a reutilização de espaços edificados para novos fins.
6. Recuperar passivos ambientais, nomeadamente em antigas áreas industriais ou mineiras,
visando o seu reaproveitamento ou renaturalização e mitigando os seus efeitos sobre o ambiente.
7. Travar a fragmentação da propriedade especialmente em territórios onde predomina a
reduzida dimensão.
8. Implementação faseada de um sistema de informação cadastral para colmatar défices
de conhecimento da propriedade imobiliária.
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9. Garantir a monitorização do solo.
10. Sensibilizar e informar os decisores e público em geral para o valor do solo e as boas
práticas para a sua conservação e valorização.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGADR; ICNF; APA, CCDR, Regiões Au- Principais Parceiros DGT; GPP; PPS;
tónomas, Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD); Estratégia Nacional
de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020); Programa Nacional para as Alterações
Climáticas 2020/2030 (PNAC); PAC 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Estratégia
Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (2030); Estratégia Nacional das Flo-
restas (ENF); Plano Nacional da Água (PNA)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Estabilização do grau de artificialização do solo
- Redução das áreas expetantes para a urbanização e edificação
- Incremento da regeneração e reabilitação urbanas
- Recuperação de passivos ambientais
- Incremento do conhecimento sobre os limites da propriedade e dos seus proprietários
- Incremento da atividade agrícola e florestal (produto e emprego)
- Aumento da capacidade de sumidouro de carbono do solo
- Salvaguarda dos solos de elevado valor e/ou suscetíveis à desertificação
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Áreas artificializadas, por concelho (DGT-COS)
- Áreas classificadas como solo urbano, por concelho (DGT/CRUS)
- N.º de fogos devolutos, por concelho (INE)
- N.º de fogos reabilitados, por concelho (INE)
- Área cadastrada ou com informação cadastral simplificada, por concelho (DGT)
- Áreas de passivo ambiental industrial prioritárias recuperadas, por concelho (APA)
- Teor de carbono no solo, por concelho (APA)
- Área de RAN, por concelho (DGADR)
Medida 1.3
TÍTULO: Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.1; 1.2; 1.3; 2.2; 2.3; 3.2; 4.1;
5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Portugal é detentor de espécies da flora e fauna, ricas e diversificadas, associadas a uma
grande variedade de ecossistemas, habitats e paisagens. A Estratégia Nacional de Conser-
vação da Natureza e Biodiversidade 2030 assume o património natural português como um
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 89
fator decisivo para a afirmação do País internacionalmente e como um ativo estratégico para
a concretização de um modelo de desenvolvimento assente na valorização do seu território e
nos seus valores naturais.
As preocupações com a conservação e valorização da biodiversidade não se encontram
restritas às áreas que integram o Sistema Natural Nacional de Áreas Classificadas (SNAC), mas
são alargadas a todo o território atendendo que se pretende uma visão integradora no âmbito
da conservação e utilização sustentável dos valores e recursos naturais. Tal está refletido no
conceito de Rede Fundamental de Conservação da Natureza, o qual integra o SNAC, a Reserva
Ecológica Nacional, a Reserva Agrícola Nacional e o Domínio Hídrico, regimes que integram as
estruturas biofísicas estruturantes do território e que prestam inúmeros serviços de ecossiste-
mas, de regulação e manutenção, de aprovisionamento e de conservação.
É importante atender que existe uma estreita relação entre as atividades que ocorrem no
território, com especial destaque para as atividades agrícolas e florestais, principalmente as de
natureza extensiva, e as condições para afirmar no território a biodiversidade como um ativo
territorial. Com efeito, os ecossistemas agrícolas e florestais proporcionam um vasto conjunto de
serviços/bens públicos para além do fornecimento de bens transacionáveis, os quais incluem,
designadamente, a proteção dos solos, a regulação do regime hidrológico e da qualidade da
água, a mitigação das alterações climáticas e sequestro de carbono e também a conservação
da biodiversidade e dos recursos genéticos para a agricultura e a silvicultura, bem como a
preservação da paisagem rural.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida concretiza-se através da implementação da matriz estratégica e das medidas
de política da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (2030), supor-
tada nos três vértices: melhorar o estado de conservação do Património Natural; promover o
reconhecimento do valor do património natural e fomentar a apropriação dos valores naturais e
da biodiversidade pela sociedade; aponta um conjunto de orientações de planeamento e gestão
e dá indicações normativas e legislativas, necessárias à sua concretização, atendendo que a
afirmação da biodiversidade e os serviços dos ecossistemas como ativos territoriais implica
o reconhecimento pela sociedade da relevância do seu valor económico, social e ambiental,
enquanto fonte de matérias-primas, de serviços e de bens essenciais.
Atende à existência de uma estreita relação entre os usos e as atividades que ocorrem no
território e a diversidade e riqueza dos seus valores e recursos naturais. A biodiversidade é en-
tendida como uma componente patrimonial e um ativo que pode potenciar o território que, por se
encontrar em perigo de registar perdas irreversíveis, urge ser defendido, protegido ou aumentado.
Avança para que o reconhecimento da relevância dos serviços prestados pelos ecossiste-
mas seja fator de diferenciação positiva dos territórios que asseguram a sua manutenção com
base no desenvolvimento de uma cartografia nacional de referência dos ecossistemas e dos
serviços dos ecossistemas, da avaliação da sua condição através de indicadores objetivos e
valoração desses serviços.
Suporta o desenvolvimento de infraestruturas verdes e de soluções de base-natural para
gestão territorial dos riscos.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Contribuir para a afirmação territorial da Rede Fundamental de Conservação da Natureza;
2. Valorizar e reforçar a identidade dos territórios das áreas da rede nacional de áreas
protegidas afirmando-se como territórios atrativos e demonstrativos das boas práticas de gestão
ativa sobre ecossistemas, espécies e habitats;
3. Identificar e reduzir as pressões e ameaças específicas sobre os valores naturais, tendo
em vista prevenir e travar e quando possível, reduzindo a deterioração do seu estado de con-
servação dos valores naturais;
Diário da República, 1.ª série
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4. Aumentar a consciência coletiva sobre a importância dos serviços prestados pelos ecos-
sistemas e promover a sua contabilidade e integração nas cadeias de valor económico;
5. Criar condições legais e fiscais para diferenciar positivamente os territórios que investem
e asseguram a preservação dos seus recursos em prol do bem de todos e do desenvolvimento
socioeconómico geral;
6. Estimular a criação de novos empregos através de um sistema de incentivos à fixação
de empresas que contribuam para a diversificação da base económica da Rede Nacional de
Áreas Protegidas em torno da conservação da natureza e aproveitamento sustentável dos
recursos biogenéticos;
7. Aprofundar o conhecimento técnico e cientifico no domínio dos serviços dos ecossistemas
e da relação entre as atividades que ocorrem no território e a sua biodiversidade.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação ICNF; DGRM; Regiões Autónomas Principais Parceiros DGADR; APA; CCDR; TP;
ERT, MPI; FCT; GPP;
IPMA; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (2030); Estratégia
Nacional das Florestas; Estratégia Nacional para o Mar; Política Comum de Pescas; Política
de Coesão; Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo; PAC 2014-2020; Plano
Estratégico PAC pós-2020
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Afirmação da Rede Nacional de Áreas Protegidas como territórios atrativos e demonstra-
tivos de boas práticas de gestão ativa sobre ecossistemas, espécies e habitats
- Reconhecimento da relevância dos serviços prestados pelos ecossistemas enquanto fator
de diferenciação positiva dos territórios;
- Integração das abordagens dos ecossistemas e serviços dos ecossistemas nos instru-
mentos de planeamento e gestão territorial;
- Diminuição da perda de biodiversidade e incremento do conhecimento e da avaliação do
seu estado de conservação;
- Aumento do emprego associado a atividades de suporte à biodiversidade dos territórios.
- Produção de informação e mapeamento de ecossistemas e seus serviços para dispor da
sua valoração e posterior remuneração.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Superfície (ha) de áreas protegidas de âmbito regional e local, integradas na Rede Na-
cional de Áreas Protegidas (RNAP), por concelho (ICNF)
- N.º de áreas protegidas com programas de execução do programa de ordenamento, por
concelho (ICNF)
- N.º de áreas protegidas com modelo de gestão partilhada, por concelho (ICNF)
- N.º de Sítios de Importância Comunitária (RN2000) com plano de gestão ou instrumento
equivalente, por concelho (ICNF)
- Percentagem de aumento de avaliações do estado de conservação positivas obtidas para
o período 2019-2024, por concelho (ICNF)
- Percentagem de território com ecossistemas e serviços mapeados e avaliados, por con-
celho (ICNF)
Diário da República, 1.ª série
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- Variação da superfície de sistemas agrícolas suporte de biodiversidade e dos objetivos
de gestão da Rede Natura 2000 e da RNAP apoiados na SAU, por concelho (ICNF/GPP)
- N.º planos de gestão florestal em áreas classificadas com objetivos específicos orientados
para a gestão dessas áreas, por concelho (ICNF)
- Percentagem de espécies e habitats protegidos (Diretiva Habitats), agrícolas florestais,
com estado de conservação favorável, por concelho (ICNF)
- Variação do índice de aves comuns (total, agrícola e florestal), por concelho (ICNF)
Medida 1.4
TÍTULO: Valorizar o território através da paisagem
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 2.2; 2.3; 3.2; 3.3; 4.1; 4.2;
5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A paisagem e a arquitetura constituem expressão da identidade histórica e da cultura
coletivas e contribuem fortemente para o desenvolvimento do País, designadamente em
termos de sustentabilidade ambiental, económica, social e cultural. A paisagem resulta da
constante interação entre o Homem e a Natureza ao longo do tempo e reflete opções de uso e
de aproveitamento do solo incentivadas pelas políticas agrícola e florestal e de ordenamento
do território e urbanismo, as quais condicionam, direcionam e propiciam a transformação
das paisagens.
A qualidade da paisagem e da arquitetura, em meio urbano e rural, é fundamental para o
desenvolvimento sustentável e harmonioso dos territórios e para qualidade de vida dos cidadãos.
Portugal apresenta um longo historial de reconhecimento do valor da paisagem e da sua ligação
ao ordenamento do território, todavia, não existe ainda uma prática generalizada e sistemática
de consideração da paisagem nos instrumentos de gestão territorial e de incorporação dos
seus valores na gestão urbanística e territorial, nem uma plena integração destes valores no
ordenamento e gestão agrícola e florestal.
As décadas de acentuado e acelerado processo de urbanização e infraestruturação em
contexto de deficiente planeamento e gestão, não asseguraram uma transformação territorial
guiada por princípios de valorização paisagística e levaram à disseminação de elementos edifica-
dos de fraca qualidade arquitetónica e de deficiente integração e à fragmentação e degradação
de paisagens. Também a rápida concentração da população nos grandes centros urbanos e o
abandono das atividades tradicionais rurais levaram à emergência de algumas paisagens des-
qualificadas marcadas pelo abandono da agricultura com a expansão e sem gestão dos matos
e florestas e por situações de urbanização e edificação em áreas desadequadas.
A adoção de usos agrícolas e florestais adequados são essenciais para a qualificação
da paisagem rural e para a sua transformação harmoniosa, contribuindo decisivamente para
a redução da carga combustível que, tal como tem sido identificado, se encontra na base do
problema dos incêndios. Por outro lado, o ordenamento das paisagens urbanas e periurbanas,
pelo papel que desempenham e pela suscetibilidade às dinâmicas demográficas a que estão
sujeitas, configurarão, nas próximas décadas, uma questão especialmente crítica.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida aponta a necessidade de novas abordagens territoriais, no sentido de promover
a qualidade da paisagem rural, urbana e periurbana, incentivando a preservação, a salvaguarda
e a valorização do património arquitetónico, arqueológico e paisagístico, aumentando a cons-
ciência cívica sobre o valor cultural das paisagens e da arquitetura, e estimulando a participação
Diário da República, 1.ª série
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dos cidadãos, das organizações e dos diferentes interesses socioeconómicos em processos
de conservação e valorização do património.
Estas abordagens passam prioritariamente pela integração de objetivos de qualificação da
paisagem nos planos territoriais e nos instrumentos de financiamento das políticas agrícolas e
florestal, bem como pela promoção de iniciativas de educação, sensibilização e envolvimento
dos cidadãos nas matérias de paisagem e do ordenamento do território.
Visa-se prosseguir os princípios orientadores de implementação da Convenção da Paisa-
gem e da PNAP, fazendo da salvaguarda e valorização da arquitetura e da paisagem desígnios
nacionais para a qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável do País; Pretende-se:
Construir hoje o património de Amanhã atendendo que a paisagem é evolutiva e viva; garantir
a proteção de paisagens reconhecidas e valorizadas e uma gestão evolutiva qualificada das
paisagens em geral, reforçando a identidade regional e local; Assegurar a inovação urbana e
do desenvolvimento rural; valorizar os produtos locais diferenciados e de qualidade e incentivar
projetos educacionais, de sensibilização e de envolvimento das populações locais na caracteri-
zação da paisagem e no estabelecimento de critérios de qualidade paisagística, incrementando
o sentido de pertença, de identidade e de responsabilidade dos indivíduos perante a comunidade
e o território.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Proteger e valorizar o património natural, cultural, arquitetónico e paisagístico.
2. Integrar as preocupações de salvaguarda e valorização da paisagem nos instrumentos
de gestão do território e de avaliação ambiental e nas práticas de gestão urbanística, bem como
nos instrumentos de política setorial em particular agrícola, florestal e de infraestruturas.
3. Incorporar nos instrumentos de financiamento da agricultura, floresta, conservação da
natureza e infraestruturas critérios de elegibilidade e de prioridade que promovam a salvaguarda
da qualidade da paisagem.
4. Promover a recuperação e a diversidade paisagística, a reutilização e a reabilitação do
património edificado abandonado ou degradado.
5. Promover a paisagem como recurso para a geração de emprego, promoção do turismo
e da economia em geral.
6. Valorizar o património natural e cultural e a arquitetura e a paisagem no âmbito de estraté-
gias de internacionalização da economia portuguesa e de projeção de territórios regionais e locais.
7. Promover o conhecimento, a compreensão e a educação para a arquitetura e a paisagem.
8. Garantir a avaliação e a monitorização das transformações da paisagem a nível nacional
e regional, especialmente nas áreas onde as dinâmicas se verifiquem de forma mais rápida e
acentuada
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGT; CAAP; DGADR; ICNF; Re- Principais Parceiros CCDR; Rede de Parceiros
giões Autónomas PNPAP; DGCP; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Politica Nacional de Arquitetura e Paisagem; Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; Es-
tratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (2030); Estratégia Nacional
para o Turismo 2027; PAC 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Estratégia Nacional de
Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020); Estratégia Nacional de Gestão Integrada da
Zona Costeira; Estratégia Nacional para a Energia 2020; Estratégia Nacional para as Florestas;
Estratégia Nacional de Educação Ambiental; Nova Geração de Políticas de Habitação; Plano
Estratégico dos Transportes e Infraestruturas; Plano Nacional da Água; Programa Nacional
para a Coesão Territorial
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3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Valorização dos sistemas agroflorestais de sobreiro e azinho promotores da multifuncio-
nalidade e demais florestação arbórea de interesse para a conservação da natureza
- Aumento do coberto vegetal autóctone em zonas de montanha;
- Aumento da identidade cultural nacional regional e local;
- Aumento da atratividade turística dos territórios rurais;
- Qualificação da paisagem urbana e periurbana pelo aproveitamento e/ou reconversão
dos espaços abandonados e desqualificados;
- Reabilitação do património cultural e arquitetónico em espaço urbano e rural;
- Aumento do conhecimento e da cultura paisagística e territorial
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Fragmentação da paisagem, por concelho (DGT)
- Variação de áreas agrícolas e de enquadramento em espaços urbanos e periurbanos,
por concelho (DGT)
- Peso da superfície de sistemas agrícolas de suporte à biodiversidade apoiados na SAU,
por concelho (Recenseamento Agrícola)
- Superfície ocupada por sistemas agroflorestais de sobreiro e azinho, por concelho (DGT/COS)
- Superfície ocupada com vegetação arbórea com interesse para a conservação da natu-
reza, por concelho (DGT/COS)
- Superfície ocupada por monocultura de eucalipto e pinheiro bravo, por concelho (DGT/COS)
- Variação dos espaços urbanos e periurbanos abandonados, por concelho (CCDR)
- Variação do coberto vegetal em áreas de montanha, por concelho (DGT/COS)
- N.º de PDM com medidas de qualificação, salvaguarda e gestão da paisagem, por con-
celho (CCDR)
Medida 1.5
TÍTULO: Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos e mineiros
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 3.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Os recursos geológicos fornecem matérias-primas indispensáveis à manutenção da
sociedade e a sua relevância tende a aumentar face às dinâmicas que se anteveem para
uma sociedade descarbonizada. Portugal dispõe de recursos geológicos significativos,
também no seu espaço marítimo, um dos maiores do mundo, envolvendo recursos minerais
(metálicos e não metálicos), massas minerais (pedreiras), recursos hidrogeológicos (águas
minerais naturais e de nascente), recursos geotérmicos e património geológico e mineiro,
que interessa inventariar, avaliar e valorizar, alguns dos quais têm elevada relevância mun-
dial como sejam os minerais de estanho, tungsténio, cobre e lítio. O conjunto de atividades
relacionadas com a valorização destes recursos representa um significativo impacto na
economia nacional e regional, sendo um importante fator de desenvolvimento, em particular
nas regiões mais desfavorecidas.
A importância socioeconómica e as implicações em termos de ordenamento do território,
justificam o aprofundamento do conhecimento do potencial geológico com interesse económico,
por forma a facilitar a sua identificação nos Instrumentos de Gestão do Território (IGT) e a ado-
ção de um quadro de salvaguarda que preserve a sua compatibilização, com as outras políticas
Diário da República, 1.ª série
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nacionais, com base nos princípios do desenvolvimento sustentável, que contemple de modo
integrado as vertentes económica, social e ambiental. Embora numa escala mais pequena,
e apenas em algumas regiões, a utilização de recursos geotérmicos poderá contribuir para a
redução da utilização de fontes fósseis de energia e de emissão de GEE.
Otimizar a valorização dos recursos geológicos e minerais implica também a prevenção
da produção de resíduos e a sua gestão, bem como a utilização eficiente de recursos e a
consideração dos impactes ambientais decorrentes da sua implementação. Por sua vez nas
antigas explorações mineiras, atualmente desativadas ou abandonadas, e em particular nas
situações de contaminação de solos e do meio hídrico, deve ser assegurada a continuidade
dos processos de remediação e recuperação ambiental que deverão contemplar os princípios
da economia circular.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida aponta para a necessidade de apoiar ações de identificação, caraterização e
quantificação dos recursos geológicos, nomeadamente a nível da localização das ocorrências
minerais e sua dimensão, sendo para o efeito importante concretizar uma base de dados geoló-
gicos digital, de mapeamento e caraterização dos recursos, baseada na informação atualizada
e considerando os resultados de prospeção e pesquisa dos projetos realizados, para de forma
mais fidedigna caracterizar esse potencial.
O esclarecimento dos contextos geológicos das diferentes áreas deverá dar suporte técnico
e científico a decisões em matéria de planeamento e de gestão do território, sendo também um
importante instrumento de valorização sustentada do potencial nacional e de apoio ao investidor.
Esta base de conhecimento deverá ser complementada com atividades de I&D que promovam
o valor acrescentado nacional, sendo também importante, numa perspetiva de circularidade da
economia, que se desenvolvam projetos de investigação ou iniciativas de inovação relacionadas
com a reciclagem dos minerais que reduza a “pressão” sobre os minerais de origem primária.
O mapeamento do potencial em recursos geológicos permitirá uma melhor ponderação
dos interesses e valores em presença no território, com a elaboração do “plano sectorial dos
recursos minerais no âmbito do RJIGT”, e contribuirá positivamente para a tomada de decisão
relativa à outorga de concessões e de licenças de exploração. Será também importante pro-
mover a utilização dos recursos geotérmicos, para climatização e produção de águas quentes
sanitárias em edifícios públicos e de serviços, bem como e a valorização e proteção das águas
minerais. Esta medida contempla, ainda, o prosseguimento da recuperação e reabilitação am-
biental de antigas explorações mineiras degradadas e abandonadas a respetiva monitorização
após a fase de reabilitação.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar o conhecimento do potencial geológico nacional a nível de localização das
ocorrências minerais.
2. Otimizar a valorização sustentada dos recursos geológicos e mineiros nacionais.
3. Apoiar os processos de decisão no âmbito da elaboração dos Instrumentos de Gestão
do Território (identificação de áreas afetas à exploração de recursos geológicos assegurando
a minimização dos impactes ambientais e a compatibilização de usos).
4. Possibilitar a demarcação de áreas de potencial interesse geológico e respetiva classi-
ficação legal, que assegure a preservação dos recursos e o respetivo aproveitamento.
5. Desenvolver projetos de I&D que promovam a valorização da fileira dos recursos e a
circularidade da economia.
6. Concluir o Plano de Recuperação ambiental das áreas mineiras abandonadas e degra-
dadas, e assegurar a implementação de programas de monitorização e controlo após a fase
de reabilitação;
7. Assegurar a proteção dos núcleos populacionais, das pessoas, da paisagem, dos recursos
hídricos e dos sistemas ecológicos relativamente à exploração de recursos geológicos e mineiros.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 95
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGEG; LNEG; EDM; Regiões Autó- Principais Parceiros CCDR; ACPMR
nomas
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Resolução do Conselho de Ministros n.º 11/2018 (Estratégia Lítio)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Apoio à definição de uma estratégia integrada abrangendo toda a fileira dos recursos
geológicos numa ótica de circularidade da economia
- Desenvolvimento económico sustentado, em particular de regiões mais desfavorecidas
- Definição de um quadro de compatibilização de usos entre a atividade mineira e extrativa
e os valores ambientais e de ordenamento do território
- Recuperação dos passivos mineiros
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Superfície do Território coberto com cartografia geológica à escala 1:50.000 face ao total
nacional (%) (LNEG)
- Território com potencial geológico relevante mapeado e avaliado (%) (LNEG)
- Superfície de área mineira reabilitada face ao total de área identificada como contami-
nada (%) (EDM)
- Número de passivos mineiros intervencionados/passivos mineiros identificados (%) EDM
- Número de iniciativas e Projetos de I&D que promovam a valorização dos recursos e a
circularidade da economia (DGEG, EDM, LNEG)
- Superfície do território abrangida por concessões, contratos de prospeção e pesquisa e
licenças (DGEG)
- Investimento realizado em áreas atribuídas em contratos e licenças para exploração e
prospeção e pesquisa (DGEG)
Medida 1.6
TÍTULO: Ordenar e revitalizar os territórios da floresta
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.1; 1.3; 2.2; 3.2; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A evolução ocorrida na economia e na sociedade portuguesa nos últimos 50 anos, sendo
inegavelmente positiva para a qualidade de vida e desenvolvimento do País, não estancou o
êxodo da população mais jovem para os grandes centros urbanos. O progressivo envelhecimento
da população rural levou ao abandono das atividades tradicionais do setor primário.
Em partes significativas do território nacional, sobretudo onde predomina a muito pequena
propriedade, o desaparecimento das atividades tradicionais deu origem a um progressivo alar-
gamento do uso florestal por vezes espontâneo e sem os requisitos mínimos de uma exploração
produtiva organizada e profissional. Apesar da grande fragmentação da propriedade geraram-se
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 96
extensos territórios contínuos de povoamentos florestais e em muitos casos deficientemente
geridos, com grande concentração de combustível em subcoberto e forte exposição ao perigo
de incêndio.
Neste contexto, as políticas de desenvolvimento rural e regional e as medidas e instru-
mentos de gestão e incentivo ao setor florestal, não são suficientes para estimular a condução
e aproveitamento florestal sustentável e rentável, nem uma organização associativa dos atores
(Proprietários e Produtores Florestais) que supere a fragmentação da propriedade e permita
melhorar a condução da exploração. Por outro lado, as políticas de ordenamento do território e
de ordenamento florestal também não asseguraram um contributo suficiente para induzir a ade-
quada multifuncionalidade nem uma adequada coexistência de usos com expetativa da atração
de pessoas e atividades. De igual modo, permitiu-se uma dispersão do edificado habitacional
e de suporte à economia, com a implantação de elementos isolados e extensas interfaces
urbano-florestais, levando a uma maior exposição ao perigo de incêndio e a um maior número
de ignições resultantes da atividade humana.
Assim, estes territórios têm sido recorrentemente percorridos por incêndios rurais de
grande magnitude que depreciam o património económico das populações e das empresas,
empobrecem o património natural e cultural do País e causaram já perdas e danos pessoais
irreversíveis. O planeamento, o reordenamento e a revitalização dos territórios florestais, o uso
do fogo como ferramenta de gestão rural e proteção da paisagem e o reforço da sua dimensão
de capital natural num quadro de valorização económica, constituem, assim, desafios cruciais
para o desenvolvimento e a coesão territorial a efetuar num quadro de multifuncionalidade
produtiva, de proteção e conservação de baixa densidade, de atratividade de residentes e visi-
tantes e de valorização dos serviços ambientais que prestam ao desenvolvimento e qualidade
de vida do País.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A medida visa a criação de instrumentos e mecanismos que abordem o abandono dos
territórios rurais, através da promoção de cadeias económicas diversificadas e com valor
e da requalificação de métodos de gestão desses territórios, como o uso tradicional do
fogo ou da silvopastorícia, tendo a floresta como pilar, promovendo a fixação de agentes
económicos mobilizadores, a atração de residentes e de visitantes e da diversificação e
promoção dos serviços dos ecossistemas, em contextos territoriais de densidade e vocação
diversificados.
Pretende-se revitalizar atividades e fomentar novos potenciais, a partir dos recur-
sos endógenos e do incremento da multifuncionalidade baseada nas atividades diretas e
complementares da floresta (nomeadamente dos sistemas silvopastoris e da floresta de
montanha). Simultaneamente, pretende-se o reconhecimento, a recuperação e a criação
de serviços associados. Para além da valorização dos produtos da floresta, silvopastorícia,
caça e pesca, e do fomento das atividades de turismo, lazer e recreação baseados nos re-
cursos e valores locais, pretende-se a valorização dos serviços dos ecossistemas prestados
por estes territórios, designadamente a biodiversidade e o solo vivo, a infiltração da água,
o sumidouro de carbono, a bioenergia e os valores culturais, em particular a qualificação da
paisagem. Os instrumentos de ordenamento do território devem conduzir à implementação
de modelos de estruturação do povoamento humano que organizem e permitam robustecer
centralidades prestadoras de serviços às pessoas e à economia e que obstem à dispersão
habitacional e empresarial, garantindo a adequada articulação com o planeamento de defesa
contra incêndios.
Devem ainda, em articulação com os instrumentos de financiamento, aplicar modelos de
organização do solo rural com uma abordagem integrada ao ordenamento florestal e agrícola
e destes com o ordenamento urbano, que seja fomentador da diversificação de espécies e da
criação de mosaicos de usos e de infraestruturas verdes, diversificando a paisagem e incre-
mentando a resiliência aos incêndios rurais
Diário da República, 1.ª série
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OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aplicar modelos de ordenamento e gestão territorial que se coordenem com o ordena-
mento florestal, preconizado nos Programas Florestais de Ordenamento Florestal, com a gestão
agrícola e agrossilvopastoril e que articulem de forma consistente as opções de ordenamento
com os instrumentos de defesa contra incêndios.
2. Promover o robustecimento de redes de centralidades urbanas de apoio e de parcerias
urbano-rurais, contendo a dispersão do edificado e criando condições de atratividade para residentes.
3. Robustecer as economias locais, promovendo a produção florestal sustentável, e as
produções agrícolas e pecuárias extensivas, criando novas economias ligadas à gestão do
território, à paisagem, aos serviços dos ecossistemas e ao turismo, à recreação e ao lazer e
tendo em conta o papel de sumidouro da floresta.
4. Criar mecanismos de incentivo e financiamento ajustados às exigências da renovação
da floresta com espécie mais valorizadas do ponto de vista económico e ambiental, e modelos
de gestão mais resilientes ao fogo, num quadro de gestão agregada da propriedade florestal e
de organizações de produtores florestais.
5. Reduzir o risco e o impacto dos incêndios rurais, através da revitalização das atividades e
da instalação de faixas de gestão de combustíveis, do fomento da pastorícia e do fogo prescrito,
e de soluções de descontinuidade e enriquecimento da diversidade estrutural da paisagem e
aumentar o número de aglomerados adaptadas ao regime de fogo por via de utilizações pro-
dutivas dos espaços envolventes.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação ICNF; GPP; DGADR; Regiões Principais Parceiros CCDR; Municípios; CIM; TP; ERT;
Autónomas ANPC; Cluster das Indústrias da
Fileira Florestal
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Lei de Bases de Política Florestal; Estratégia Nacional para as Florestas; Programas Re-
gionais de Ordenamento Florestal; Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação;
Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios; Estratégia Nacional para a Conservação
da Natureza e Biodiversidade, Estratégia Nacional para a Adaptação às Alterações Climáticas e
Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030; PAC 2014-2020; Plano Estratégico
PAC pós-2020; Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Incremento de formas de gestão agrupada na exploração florestal
- Incremento de atividades económicas geradoras de valor para as economias locais
- Incremento da concentração do edificado urbano, rural e empresarial e gestão dos inter-
faces urbano-rurais
- Incremento da multifuncionalidade e da diversidade de espécies florestais
- Aumento da resiliência do território aos incêndios rurais
- Incremento do número de aglomerados populacionais adaptados aos riscos
- Redução do número de ignições de incêndios rurais
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Área de povoamentos monoespecíficos de eucalipto e pinheiro, por concelho (ICNF)
- Área integrada em gestão agrupada (ZIF, EGF, UGF, Agrupamento de Baldios) (ICNF)
- Área com cadastro predial ou informação cadastral simplificada (DGT)
Diário da República, 1.ª série
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- Área ocupada por floresta, por espécie (ICNF)
- Áreas de conversão de floresta e outros usos (ICNF)
- Área ardida, por concelho (ICNF)
- Empregos criados nos territórios florestais, por concelho (INE)
- Empresas criadas nos territórios florestais, por concelho (INE)
- Investimento em I&D nos domínios da floresta, da gestão de combustíveis e dos serviços
dos Ecossistemas, por concelho (FCT)
- Número de aglomerados populacionais e áreas empresariais adaptadas ao regime de
fogo, por concelho (ANPC)
Medida 1.7
TÍTULO: Prevenir riscos e adaptar o território às alterações climáticas
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.3; 2.3; 4.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
As características e posição geográfica do território português associadas a usos e
ocupações do solo que nem sempre valorizam a suscetibilidade territorial a perigos naturais,
nem geriram a concentração espacial de utilizações conflituantes, determina, atualmente, a
existência de vulnerabilidades em partes significativas do território nacional e a elevada ex-
posição de pessoas e bens a riscos impactantes dos pontos de vista ambiental, económico e
social. Com o mapeamento macro dos perigos naturais, o PNPOT visa dar especial expressão
às situações em que a ocupação e usos do solo potenciam a sua vulnerabilidade ou são por
ela afetados, sem desvalorizar a importância de se detalhar posteriormente estes e outros
perigos naturais, bem como os perigos tecnológicos diagnosticados, desenvolvendo estudos
e produzindo conhecimento à escala adequada. O ordenamento do território terá que manter
o enfoque nos princípios da redução, prevenção, precaução e adaptação, e assegurar uma
maior racionalidade dos processos de urbanização e edificação, bem como dos processos de
ordenamento silvícola e agrícola, no sentido de encontrar modelos de ocupação mais resilien-
tes. No contexto das alterações climáticas globais, tem-se vindo a associar às regiões medi-
terrânicas, para além da subida do nível das águas do mar, a redução da precipitação média,
o aumento da temperatura e a maior incidência de ondas de calor e de eventos extremos de
cheias e de secas, pelo que é fundamental aumentar a resiliência e a capacidade adaptativa
das populações e das atividades, numa lógica de prevenção e redução de vulnerabilidades
a riscos existentes e de precaução de riscos futuros. Reduzir as vulnerabilidades, melhorar a
preparação e incentivar a adaptação tem custos sociais, económicos e ambientais, que serão
sempre inferiores aos custos da inação, como tem sido demonstrado em diversas avaliações.
Além disso, a adaptação introduz oportunidades de incentivo e promoção de novos modelos
de ordenamento do território e de desenvolvimento territorial que permitem obter ganhos para
os objetivos de sustentabilidade, através da adoção de soluções de base natural, da valori-
zação dos serviços dos ecossistemas e, em geral, da valorização dos territórios rurais e da
qualificação dos territórios urbanos.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A presente medida promove o conhecimento sobre a incidência territorial dos perigos na-
turais e antrópicos, tendo em conta quando aplicável a adaptação às alterações climáticas, e a
sua divulgação para consciencialização e participação dos cidadãos em matéria de prevenção
e redução de riscos.
Diário da República, 1.ª série
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No que respeita à avaliação, sensibilização e preparação face à ocorrência de riscos, a
medida encontra-se alinhada com a Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva.
No que respeita à adaptação às alterações climáticas, esta medida é operacionalizada
através da implementação da Estratégia Nacional para a Adaptação às Alterações Climáticas.
Esta medida incide em particular sobre:
- O aprofundar do conhecimento sobre as áreas vulneráveis aos perigos;
- O desenvolvimento de um conjunto de orientações técnicas para a avaliação de riscos,
incluindo a necessidade de localização das áreas de perigosidade mais elevada, bem como a
identificação dos usos, atividades ou elementos mais vulneráveis a cada perigo;
- A necessidade de aplicação de normas de construção e gestão urbana em zonas de risco;
- O desenvolvimento e a disseminação de orientações relativas a medidas de prevenção
e redução do risco, incluindo o climático, para adoção nos planos territoriais;
- A Educação para o Risco, a divulgação do conhecimento e o envolvimento das comuni-
dades nos projetos e ações de reforço da resiliência, incluindo medidas de autoproteção;
- A melhor governança para a prevenção e gestão do risco.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Fomentar uma maior coordenação e articulação entre as entidades envolvidas e as
políticas e planos setoriais, territoriais, e de financiamento.
2. Produzir e atualizar cartografia para a prevenção e redução de riscos, em função das
vulnerabilidades dos territórios, considerando, quando pertinente, a cenarização climática.
3. Elaborar e disseminar orientações técnicas em matéria de riscos e de alterações climá-
ticas para os programas e planos territoriais, com vista à convergência de princípios, de enten-
dimentos e de soluções, aproveitando a experiência dos projetos financiados pelo programa
AdaPT, como o Portal do Clima e o ClimAdaPT.Local, entre outros.
4. Implementar uma cultura de sensibilização para o risco, potenciando o acesso à infor-
mação, a troca de experiências e a difusão de boas práticas de prevenção e redução do risco
e de adaptação às alterações climáticas;
5. Potenciar uma cultura resiliência territorial, através da colaboração das entidades públicas
e privadas e do envolvimento das comunidades.
6. Promover ações de prevenção e redução de riscos e de adaptação dos territórios às altera-
ções climáticas, privilegiando as soluções participadas e de base natural como as mais adequadas.
7. Implementar a Estratégia Nacional para a Adaptação às Alterações Climáticas na sua
vertente territorial.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação APA; DGT; LNEC; ICNF; ANPC; Principais Parceiros IPMA; CCDR; ANMP; CIM; Clus-
GPP; DGADR; Regiões Au- ter das Indústrias da Fileira
tónomas. Florestal; Cluster da Vinha e
do Vinho; Municípios.
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva; Estratégia Nacional de Adaptação
às Alterações Climáticas (ENAAC 2020); Planos de Gestão dos Riscos de Inundação; Ava-
liação Nacional de Risco (ANPC e APA); Relatório técnico do Plano Setorial de Prevenção e
Redução de Riscos, resultante do Despacho 15682/2012, de 10 de dezembro (DGT); Plano de
prevenção, monitorização e contingência para situações de seca; Plano nacional da defesa da
Floresta contra incêndios; Planos de Ação Nacionais, de Contingência e de Prospeção relativo
a Sanidade Vegetal e Planos de Contingência e Erradicação, Controlo e Vigilância relativos a
Diário da República, 1.ª série
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Sanidade Animal; Programa Operacional de Sanidade Florestal; Plano de Ação Nacional de
Combate à Desertificação
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Fortalecimento da governação na gestão do risco, com vista à sua diminuição e ao au-
mento da resiliência das comunidades.
- Adaptação dos usos e ocupação do solo às vulnerabilidades territoriais
- Aumento do número de municípios com cartas de risco atualizadas.
- Integração da avaliação de risco e da definição das medidas de prevenção e redução dos
seus efeitos nos processos de elaboração dos programas e planos territoriais.
- Implementação de uma cultura de sensibilização para o risco e aumento da adesão a
atitudes e comportamentos de boas práticas de prevenção e redução do risco.
- Melhoria da preparação das comunidades face aos perigos.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Municípios com cartografia de risco atualizada que tenha em conta, quando pertinente,
cenários climáticos (ANPC)
- Número de programas e planos territoriais (publicados no período de vigência do PNPOT)
que integraram medidas de prevenção e redução de riscos considerando, quando pertinente,
cenários climáticos (DGT, ANPC, APA)
- Número de materiais didático-pedagógicos e ações formativas no quadro do Referencial
de Educação para o Risco (DGE e ANPC)
- Número de publicações de orientações técnicas em matéria de riscos e alterações climá-
ticas para os programas e planos territoriais (ANPC, DGT, APA)
- Número de aldeias e de pessoas abrangidas pelos programas “Aldeia Segura” e “Pessoa
Segura” e programas regionais e locais similares, para os diferentes perigos (ANPC)
- Municípios abrangidos por estratégias e/ou planos de adaptação às alterações climáticas
em implementação (APA)
Medida 1.8
TÍTULO: Valorizar o Litoral e aumentar a sua resiliência
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.3; 2.3; 3.1; 4.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O litoral português estende-se por cerca de 2000 km repartidos entre a zona costeira
continental (987 km) e insular. Os concelhos do litoral concentram 75% da população e aco-
lhem as principais áreas urbanas e de atividade económica. É também neste território que a
atividade portuária, a pesca, o turismo, o lazer e recreio balnear encontram suporte ao seu
desenvolvimento. As características intrínsecas da zona costeira determinam a sua riqueza
litológica, morfológica e biológica e suportam uma grande diversidade de habitats, de espécies
e de paisagens de elevada qualidade, gerando valores e recursos naturais e patrimoniais que
no seu conjunto fundamentam a classificação de aproximadamente 50% da costa portuguesa
como Áreas Protegidas e Rede Natura 2000.
Pela sua posição geográfica e função de interface terra-mar e pela qualidade dos seus
recursos e valores naturais, o litoral foi alvo de pressões significativas por parte de usos e ocu-
pações urbanas e edificadas, muitas vezes desordenadas e desqualificadas e de utilizações
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 101
massificadas que geraram uma degradação acentuada de recursos e valores naturais e fortes
conflitos de uso, desvalorizadores quer da sua valia ambiental quer da sua valia económica e,
naturalmente, social.
Este litoral apresenta forte suscetibilidade a perigos de erosão e galgamento costeiro e
regista um historial de perdas acentuadas de território nos troços com caraterísticas geomor-
fológicas mais frágeis e vulneráveis ao avanço do mar, potenciadas pela subida das águas do
mar agravada pelos efeitos das alterações climáticas e tem vindo a exigir avultados recursos
financeiros aplicados na defesa e proteção de pessoas e bens, sendo nesta zona que se podem
identificar as maiores ameaças à sustentabilidade ambiental e económica do País.
Atendendo que as opções de ordenamento para o litoral, têm que estar firmemente su-
portadas em estratégias de salvaguarda de recursos e sistemas naturais e de diminuição da
exposição de pessoas, bens e atividades ao risco, é indispensável uma atitude antecipativa dos
problemas, assumindo no processo de adaptação, a interiorização das suas diferentes verten-
tes, nomeadamente a prevenção, a proteção, a acomodação e o recuo planeado em áreas de
risco elevado, numa lógica de corresponsabilização, coerência e articulação aos vários níveis
de planeamento e de gestão de dinheiros públicos.
A contenção da ocupação urbana, a conciliação de usos e ocupações, a gestão de se-
dimentos, o equilíbrio e conciliação de ações de defesa e de valorização, o incremento do
conhecimento, a partilha de informação e o reforço e incremento da articulação institucional,
numa perspetiva de gestão integrada do litoral, valorizadora dos recursos e valores e do seu
potencial ambiental económico e social, guiada por perspetivas realistas de precaução, pre-
venção e ação e seguindo um referencial coordenado e articulado no quadro dos instrumentos
de gestão territorial e dos instrumentos de ordenamento do espaço marítimo são imperativos
do desenvolvimento do País.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A valorização do litoral e o aumento da sua resiliência efetiva-se, quer através da adoção
de orientações estratégicas consignadas na Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da
Zona Costeira, quer através de orientações de planeamento e gestão estabelecidas nos pro-
gramas da orla costeira e transpostas para os planos territoriais, quer através de intervenções
de valorização, defesa, promoção do conhecimento, governação e comunicação, programadas
no Plano de Ação Litoral XXI. O Plano de Ação Litoral XXI é o instrumento de referência para
a gestão ativa da zona costeira no horizonte 2030, numa lógica de intervenção e redução de
risco. Tem como objetivo último manter a integridade da orla costeira, através da salvaguarda
e da promoção dos valores ambientais e paisagísticos, da valorização da fruição pública das
áreas dominiais e das atividades que robustecem a sua economia. A gestão continuada do Li-
toral não dispensa conhecimentos técnicos e científicos especializados e um sistema global de
monitorização. É necessário concretizar parcerias interinstitucionais com incidência na gestão
integrada da zona costeira, entre outros, ao nível da adaptação, valorização, na monitorização
e na disponibilização e partilha de informação. A existência de planos de ordenamento distintos
para a orla costeira e para o espaço marítimo, implica a necessidade de políticas coordenadas
e complementares.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Implementar o Plano de Ação Litoral XXI, numa lógica de assegurar a concretização da
programação das ações físicas e da adequada programação financeira associada;
2. Desenvolver lógicas e modelos de ordenamento adaptativo da zona costeira capazes
de responder às exigências ambientais, sociais e económicas, adotando uma atitude anteci-
pativa face aos riscos (instalados e os que acrescem em cenário de alterações climáticas) que
comporta as estratégias de Prevenção, Proteção, Acomodação e Retirada, desenvolvidas de
forma coerente e articulada aos diversos níveis.
Diário da República, 1.ª série
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3. Promover a implementação de medidas de adaptação local, nomeadamente no âmbito
da gestão urbana, integrando-as com a defesa costeira e com a monitorização local.
4. Requalificar e valorizar os territórios costeiros na ótica da proteção e valorização dos
recursos e dos sistemas naturais, contribuindo para a preservação dos valores paisagísticos e
culturais, e proceder ao restauro ecológico das áreas que asseguram a estabilidade biofísica
do litoral, como as que integram a REN;
5. Reduzir os fatores de pressão sobre a zona costeira, interditando na orla costeira, fora das
áreas urbanas, novas edificações que não se relacionem diretamente com a fruição do mar e con-
dicionar a edificação na restante zona costeira, incluindo a contenção das ocupações edificadas
em zonas de risco dando prioridade à retirada de construções de génese ilegal, que se encontrem
nas faixas mais vulneráveis do litoral, arenoso e em arriba e requalificar e conter áreas urbanas;
6. Atender ao valor cultural e económico da zona costeira, pela sua capacidade de suporte
de comunidades costeiras e ribeirinhas que dela dependem para o desenvolvimento de atividades
tradicionais, designadamente a pesca, o turismo costeiro, o recreio e o lazer, a navegação;
7. Garantir a articulação e compatibilidade dos programas e dos planos territoriais com os
instrumentos do espaço marítimo quando incidam na mesma área ou em áreas que pela interde-
pendência estrutural ou funcional dos seus elementos necessitem de uma coordenação integrada;
8. Garantir a corresponsabilização dos diversos níveis e aprofundar a articulação dos diver-
sos atores com competências de atuação na orla costeira, em especial nos espaços em risco,
dos setores do mar e dos recursos hídricos interiores, numa parceria de vontades ajustada aos
problemas e às soluções que se colocam na atualidade
9. Assegurar a produção de conhecimento, a partilha de informação, a articulação das de-
cisões da administração pública promovendo o acesso à informação e a participação pública.
10. Interditar atividades que aumentem os riscos sobre a orla costeira.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação APA; ICNF; DGRM; Regiões Outros Parceiros CCDR; Administrações Portuárias;
Autónomas Municípios; DGPC; TP; DGT; ONG;
Laboratórios do Estado; Doca-
pesca; IPMA
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira (ENGIZC), Plano Nacional
da Água (PNA); Plano de Ação Litoral XXI; Planos de Gestão de Região Hidrográfica; Planos
de Gestão dos Riscos de Inundação; Estratégica Nacional de Adaptação às Alterações Climá-
ticas (ENAAC); Estratégia Nacional para o Mar (ENM); Plano de Situação (Regime Jurídico do
Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional), Estratégia Nacional de Conservação
da Natureza e Biodiversidade (2030)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Redução e controlo da vulnerabilidade do litoral aos perigos
- Ocupação mais resiliente da zona costeira
- Contenção de construções na zona costeira e redução em áreas de risco
- Valorização e manutenção das condições naturais que suportam as atividades específicas
da Zona Costeira (pescas, turismo, lazer, portos, …)
- Reforço da cooperação e da articulação institucional
- Aumento da consciencialização social dos riscos sobre a zona costeira
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 103
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Extensão da costa em situação crítica de erosão, por concelho (APA)
- Número de praias com intervenções de requalificação, por concelho (APA)
- Número de edifícios e da população em faixas de salvaguarda ao risco, por concelho (APA/INE)
- Área edificada na zona costeira – 500 m ou 2 km, por concelho (DGT/COS)
Medida 1.9
TÍTULO: Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço
público
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.3; 3.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A qualidade do ambiente urbano constitui um imperativo constitucional e um compromisso
internacional do País no quadro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da Nova
Agenda Urbana das Nações Unidas.
Os processos de qualificação do ambiente urbano e a reabilitação do edificado e dos espaços
públicos constituem um dos grandes desafios da próxima década considerando o modo como
as infraestruturas e o edificado foram instalados no território, quer nas áreas consolidadas mais
antigas quer nas áreas periféricas desqualificadas, nomeadamente nas áreas urbanas de génese
ilegal. No quadro da qualidade do ambiente urbano, e considerando a problemática das áreas
urbanas em abandono e as áreas urbanas periféricas desqualificadas, é fundamental melhorar
a qualidade urbanística, promover a multifuncionalidade de usos compatíveis, desenvolver solu-
ções de base natural, recuperar e valorizar os ecossistemas urbanos, periurbanos e ribeirinhos,
e fortalecer identidades territoriais. Por outro lado, é também importante considerar a segurança
rodoviária e os níveis de insegurança como fatores de sustentabilidade/qualificação, uma vez
que qualificar o ambiente urbano e o espaço publico passa também torná-los mais seguros.
A contenção urbana é e deve ser uma prática comum para a gestão do desenvolvimento ur-
bano sustentável focado no uso eficiente do solo e na preservação dos serviços dos ecossistemas.
No entanto, as práticas de planeamento têm também de admitir a complexidade dos sistemas
urbanos, a possibilidade de experimentação em função das especificidades e dos contextos
urbanos e da diversidade de expectativas de qualidade de vida e bem-estar das populações.
A qualificação dos espaços urbanos degradados e periféricos deve contemplar, também, a
oferta de novas áreas habitacionais qualificadas e funcionais por via da reabilitação do parque
edificado, reorientando e concentrando os apoios para a reabilitação urbanas para as periferias
e áreas suburbanas com definição de políticas pró ativas que combinem a qualificação do es-
paço público, a localização de novas atividades produtivas, a criação de emprego e oferta uma
cultural e de lazer, que atraia jovens, criatividade e ofereça novos modos de vida adaptados a
uma sociedade em processo de digitalização.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A qualificação do ambiente urbano deve ancorar-se nas prioridades estratégicas e orienta-
ções dos Planos Diretores Municipais ou Intermunicipais e traduzir-se num conjunto integrado
de ações em diversos domínios temáticos que promovam a melhoria do ambiente urbano e da
qualidade de vida e bem-estar na diversidade das áreas urbanas, incluindo:
- Ações de qualificação dos espaços públicos urbanos, de modo a dotá-los das condições
de dimensionamento, acessibilidade, conforto e segurança para todos e a promover a sua uti-
lização com suporte da mobilidade ativa das pessoas;
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 104
- Ações de melhoria do conforto bioclimático e acústico e de adaptação dos espaços ur-
banos às alterações climáticas, assegurando condições de eficiência e fiabilidade energética
e hídrica dos sistemas urbanos;
- Ações de reabilitação, regeneração e revitalização urbanas, orientadas para a oferta
e a melhoria das condições de habitabilidade e de acesso à habitação e para a regeneração
física e funcional de espaços urbanos obsoletos ou de génese ilegal, como forma de conter a
artificialização do solo rústico e promover a compactação urbana e a mobilidade sustentável.
A reabilitação deverá criar melhores condições para a prática da atividade e do exercício físico
por parte da população;
- Soluções de base natural em espaços urbanos que permitam melhorar os seus serviços
de ecossistemas, tais como suporte da biodiversidade, captação de carbono, captação e qua-
lidade da água e depuração do ar;
- Ações de salvaguarda do património urbanístico e arquitetónico e a promoção da exce-
lência da arquitetura pública e qualificação da sua localização e envolvente urbanística de modo
a contribuir para a acessibilidade e o reconhecimento coletivo dos serviços de interesse geral
e de uma identidade cultural;
- Ações de participação das comunidades locais nas opções de planeamento e nas ações
de qualificação do ambiente urbano. É fundamental qualificar os espaços urbanos degradados
e periféricos desenvolvendo uma oferta de novas áreas habitacionais qualificadas e funcionais
por via da reabilitação do parque edificado e da requalificação dos espaços públicos
É fundamental também reorientar os apoios para a regeneração urbana para as periferias
e áreas suburbanas, com a definição de políticas proativas que combinem a qualificação do
espaço público, a localização de novas atividades produtivas, a criação de emprego e uma oferta
cultural e de lazer que atraia jovens, criatividade e ofereça novos modos de vida adaptados a
uma sociedade em processo de digitalização.
As soluções de base natural que é imperioso estimular devem traduzir-se em ações de:
promoção de conetividade entre nichos de flora e fauna preexistentes; aumento da área verde
e azul; implementação de mais sumidouros de carbono; aumento da permeabilidade dos pavi-
mentos artificializados; incentivo ao desentubamento de cursos de água canalizados; realização
de diagnósticos do conforto climático no interior e no exterior das habitações e disseminação
dessa informação; combinação inteligente e atrativa de mobilidade pública e privada; melho-
ria das condições físicas e de segurança dos circuitos pedonais e ciclovias; erradicação dos
passivos ambientais; diminuição das iniquidades sociais, culturais, económicas e ambientais;
informação sobre o potencial solar dos telhados do edificado; incremento dos incentivos ao uso
eficiente da água; aumento da (in)formação dos cidadãos para a participação na construção de
uma cidade mais saudável.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a reabilitação, regeneração e revitalização urbanas.
2. Aumentar a oferta de espaços públicos acessíveis, seguros e confortáveis para todos
3. Melhorar o conforto bioclimático dos espaços urbanos
4. Melhorar a eficiência e fiabilidade energética e hídrica dos sistemas urbanos
5. Conter a artificialização do solo rústico e melhorar os serviços de ecossistemas dos
espaços urbanos
6. Melhorar a acessibilidade e o reconhecimento dos serviços de interesse geral
7. Assegurar a conservação e integridade do património arquitetónico e urbanístico
8. Reforçar a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida ou outras incapacidades no
espaço urbano.
9. Incentivar a integração da componente cultural, estética e identitária na conceção e
animação do espaço público.
10. Aumentar a participação cívica no planeamento urbano.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 105
11. Desenvolver novas abordagens aos espaços verdes nas cidades, com o aumento do
número de jardins verticais em fachadas, varandas e terraços de edifícios públicos e privados,
e ainda o aumento do número de coberturas verdes.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGT; APA; Municípios; Regiões Principais Parceiros CCDR; IMT; IAPMEI; APAP;
Autónomas ANSR; CIM; ADL; GAL, DGCP
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; Estratégia Nacional para o Ar; Programa Nacional
para as Alterações Climáticas 2020/2030; Política Nacional de Qualidade do Ar 2030; Política
Nacional de Ruído 2030 (a elaborar até 2021); Estratégia Nacional para a Habitação (2015-2031);
Lei de Programação das Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviço de Segurança
do MAI; Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da oferta de espaços públicos acessíveis.
- Aumento do conforto bioclimático dos espaços urbanos.
- Contenção da artificialização do solo rústico.
- Melhoria dos serviços de ecossistemas urbanos.
- Aumento das áreas urbanas reabilitadas.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- População exposta ao ruído> a Lden 65Dba, por concelho (APA)
- N.º de dias com qualidade do ar fraca ou má em áreas urbanas, por concelho (APA)
- Equipamentos e espaços verdes urbanos (ha por 1000 habitantes), por concelho (INE)
- Proporção da superfície das massas de água com bom estado/potencial ecológico (% da
área total), por concelho (INE - APA)
- Temperatura média do ar, por concelho (IPMA)
- Emissões de partículas de suspensão PM10, de CO2, de NOx, de SOx e de NMVOC
(sem fontes primárias), por concelho (APA)
- Espaços públicos reabilitados (área em m2), por concelho (CCDR, Câmaras Municipais) (INE)
- N.º de Áreas de Reabilitação Urbana e Operações de Reabilitação Urbana
- Área abrangida por Áreas de Reabilitação Urbana e Operações de Reabilitação Urbana (m2)
- N.º de Áreas Urbanas de Géneses Ilegal com e sem processo de reconversão
D2 Domínio Social
Palavras-Chave: Educar | Qualificar | Incluir | Aceder
Índice das medidas.
2.1 Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demográfica
2.2 Promover uma política de habitação integrada
2.3 Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso
2.4 Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações socioeconómicas
2.5 Melhorar a qualidade de vida da população idosa e reforçar as relações intergeracionais
2.6 Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos serviços
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 106
2.7 Promover a inclusão social, estimular a igualdade de oportunidades e reforçar as redes
de apoio de proximidade
2.8 Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e artísticas
2.9 Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão sociocultural
2.10 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos serviços públicos
e de interesse geral
As Medidas de Política concorrem para os Desafios Territoriais
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO SOCIAL
2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10
Promover a
Qualificar e
Fomentar uma Melhorar os Melhorar a inclusão social, Promover a
DESAFIOS TERRITORIAIS capacitar os Reforçar o Valorizar o
abordagem Promover uma cuidados de qualidade de vida estimular a digitalização, a
recursos acesso à justiça e património e as Potenciar a inovação
territorial política de saúde e da população igualdade de interoperabilidade e a
humanos e a proximidade práticas culturais, social e fortalecer a
integrada de habitação reduzir as idosa e reforçar oportunidades e acessibilidade aos
ajustar às aos respetivos criativas e coesão sociocultural
resposta à perda integrada desigualdades as relações reforçar as redes serviços públicos e de
transformações serviços artísticas
demográfica de acesso intergeracionais de apoio de interesse geral
socioeconómicas
proximidade
1.1 Valorizar o capital natural
Promover a eficiência do
1.2
metabolismo regional e urbano
Aumentar a resiliência
1.3
socioecológica
Afirmar as metrópoles e as
principais cidades como motores da
2.1
internacionalização e
competitividade externa
Reforçar a cooperação interurbana e
2.2 rural-urbana como fator de coesão
interna
2.3 Promover a qualidade urbana
Aumentar a atratividade
populacional, a inclusão social, e
3.1
reforçar o acesso aos serviços de
interesse geral
Dinamizar os potenciais locais e
3.2 regionais e o desenvolvimento rural
face à dinâmica de globalização
Promover o desenvolvimento
3.3
transfronteiriço
Otimizar as infraestruturas
4.1 ambientais e a conetividade
ecológica
Reforçar e integrar redes de
4.2
acessibilidade e de mobilidade
4.3 Dinamizar redes digitais
Reforçar a descentralização de
5.1 competências e a cooperação
intersectorial e multinível
Promover redes colaborativas de
5.2
base territorial
5.3 Aumentar a cultura territorial
Medida 2.1
TÍTULO: Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demo-
gráfica
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.2; 3.1; 3.2; 3.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Em termos prospetivos, a perda demográfica (associada a saldos naturais e migratórios
negativos) é uma realidade aparentemente incontornável em partes relevantes do território
nacional, alcançando atualmente grande expressividade num número elevado de concelhos.
A retração populacional é mais acentuada nos territórios de baixa densidade e rurais com uma
base económica frágil e pouco atrativa em termos de emprego. Numa lógica de reforço da
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 107
coesão social e territorial, torna-se importante atrair população, nomeadamente jovem, tendo
em vista a preservação das atividades agroflorestais, a afirmação das Áreas Protegidas como
territórios atrativos e demonstrativos de boas práticas no âmbito do desenvolvimento sustentável,
a rendibilização dos investimentos realizados em infraestruturas públicas e a necessidade de
diversificar e inovar a base económica existente.
O combate à perda demográfica assenta no pressuposto que este é um fenómeno terri-
torialmente muito diferenciado e com efeitos significativos no desenvolvimento local, e que as
estratégias de atração que tanto se podem dirigir para os mais jovens e famílias com crianças,
como para os mais velhos, nomeadamente reformados (emigrantes entretanto reformados).
Os municípios com maior necessidade de desenvolver estratégias para lidar com a perda
demográfica são, na maioria das vezes, os que têm menor capacidade para aplicarem respostas
políticas integradas a longo prazo e para construírem um compromisso assente em múltiplas
escalas de governança. Isto significa que a atratividade populacional é um desafio que deve ser
respondido sobretudo com políticas à escala nacional, articuladas com políticas de integração
municipal ou supramunicipal.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
As estratégias integradas e ativas de captação de não residentes são particularmente im-
portantes nos territórios rurais. No entanto, a definição de um quadro conceptual de atratividade
a novos residentes tem de reconhecer o papel estruturante das principais cidades e apostar na
captação de investimento exterior relacionado com estratégias de desenvolvimento local e/ou
de valorização de recursos endógenos, nomeadamente através de:
- Especialização dos serviços e melhoria de acesso a serviços fundamentais de forma a
aumentar a qualidade de vida, promovendo formas de funcionamento em rede entre equipa-
mentos sociais e culturais, reforçando as complementaridades interfuncionais (recursos e pro-
gramação conjunta), nomeadamente o desenvolvimento de centros multigeracionais (centros
de idosos e creches);
- Reforço da utilização das novas tecnologias e aumento do acesso aos serviços por co-
netividade digital;
- Descentralização/desconcentração de funções e emprego público para territórios de
baixa densidade;
- Criação de incentivos para a instalação de jovens empresários ou novos residentes e
flexibilização das medidas de apoio à criação do próprio emprego;
- Medidas de apoio à instalação de novas atividades económicas por forma a criar em-
prego, a atrair e apoiar a instalação de novos residentes e incentivos à realização de estágios
profissionais para jovens em empresas instaladas ou que se venham a instalar;
- Desenvolvimento de estratégias que potenciem a utilização de recursos das áreas rurais
e a economia “verde”, numa diversificação inteligente;
- Promover as relações de proximidade entre as comunidades locais, valorizando o seu
envolvimento na conservação do património natural e sociocultural das Áreas Protegidas e as
atividades e saberes tradicionais e autênticos de Portugal;
- Criação de apoios específicos e simplificação da carga administrativa para a “agricultura
familiar”;
- Criação de benefícios para as famílias jovens (reforço do abono de família; majoração
do salário para algumas profissões, entre outros);
- Aumento das sinergias e da capacidade de cooperação entre municípios, tendo em vista
o desenvolvimento de estratégias de atração de novos residentes, sustentadas em parcerias
entre atores privados e públicos, com o objetivo de aumentar a atratividade de residentes a
tempo parcial ou novos residentes;
- Apoio à recuperação/reutilização de edifícios patrimoniais ou com valor histórico para a
instalação de empresas, nomeadamente na área da cultura, artes e turismo;
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 108
- Acautelar e apoiar a integração de imigrantes, tanto em contextos urbanos como rurais,
nomeadamente em áreas com escassez de recursos humanos disponíveis.
Poderá ser desenvolvida também uma estratégia para reforço da atratividade residencial,
através nomeadamente de uma política de habitação que crie bolsas de habitação de arrendamento
para jovens, garantindo habitação a baixo custo a partir da valorização de habitações devolutas e
da reabilitação de património degradado ou abandonado, envolvendo municípios e proprietários.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a renovação geracional nas áreas rurais, através da melhoria da atratividade
de novos residentes.
2. Melhorar a qualidade de vida, através de um melhor acesso aos serviços, da diversifi-
cação da base económica e da criação de emprego.
3. Valorizar os produtos locais, a paisagem, o património e a cultura dos territórios rurais
numa lógica de projeção, geração de riqueza e diversificação inteligente.
4. Criar sinergias em rede entre municípios e atores dos territórios de baixa densidade.
5. Apostar na aproximação digital dos territórios e promover a inovação social e uma nova
geração de serviços de acesso digital.
6. Conceber estratégias territoriais consistentes de atratividade e adequadas a realidades
com menores recursos populacionais.
7. Aumentar a rede de mobilidade nas áreas rurais e das ligações urbano-rurais.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação ISS, IEFP; IAPMEI; AIPCEP; Principais Parceiros CCDR; GPP; DGADR; CIM;
ANI; Regiões Autónomas Associações Empresariais;
Associações de Agricultores;
produtores agroflorestais,
ICNF, ADL; GAL; Municípios,
Turismo de Portugal, I.P
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Política de Desenvolvimento Rural 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Programa
Nacional para a Coesão Territorial
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço dos incentivos às famílias e à fixação de unidades empresariais nas áreas rurais
em maior declínio.
- Melhoria da qualidade de vida e do acesso aos equipamentos e serviços nos territórios
de baixa densidade.
- Criação de emprego e desenvolvimento do tecido empresarial nas áreas rurais.
- Valorização dos recursos locais, naturais e culturais.
- Aumento da atratividade residencial, económica, ambiental, cultural e de lazer das áreas
rurais e dos territórios de baixa densidade.
- Atratividade de residentes a tempo parcial.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Variação da população residente, por concelho (INE)
- Variação da população residente imigrante, por concelho (INE)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 109
- Taxa de população idosa, por concelho (INE)
- Taxa de população jovem, por concelho (INE)
- Taxa bruta de natalidade, por concelho (INE)
- Variação da população empregada, por vínculo contratual, por concelho (INE)
- Investimento exterior captado, por concelho (INE)
- Taxa de crescimento anual de adesão à marca Natural.pt (ICNF)
Medida 2.2
TÍTULO: Promover uma política de habitação integrada
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.3; 3.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A habitação é um bem essencial à vida das pessoas e um direito fundamental constitu-
cionalmente consagrado. A reabilitação é, atualmente, um tema incontornável, quer se fale
de conservação do edificado, eficiência material, qualificação ambiental, desenvolvimento
sustentável, ordenamento do território, preservação do património ou coesão socioterritorial.
Ambas assumem-se, assim, como instrumentos chave para a melhoria da qualidade de vida
das populações, para a qualificação e atratividade dos territórios construídos e para a promoção
da sustentabilidade no desenvolvimento urbano.
Do Diagnóstico do Levantamento das Necessidades de Realojamento Habitacional resulta
a constatação que persistem situações de grave carência habitacional em Portugal, tendo sido
identificadas 25.762 famílias em situação habitacional claramente insatisfatória. Resulta também
evidente a concentração de necessidades habitacionais nas áreas metropolitanas de Lisboa e
do Porto, onde residem 74% das famílias identificadas.
O facto é que persistem problemas de natureza estrutural, aos quais ainda é necessário
atender, nomeadamente, em termos de: acesso à habitação por parte da população, equilíbrio
entre os vários segmentos de ofertas habitacionais e qualificação do edificado. As carências
habitacionais não decorrem, portanto, apenas das dificuldades de acesso à habitação, mas
também, da persistência de vários tipos de carências qualitativas da habitação, nomeadamente,
a degradação, a sobrelotação, desajustamento das habitações às características populacionais
(sobretudo relacionadas com os constrangimentos físicos de uma população mais envelhecida)
e insuficiência de infraestruturas. Tendo em consideração as alterações climáticas, sublinha-se
também a necessidade de apostar na melhoria do desempenho ambiental, nomeadamente da
eficiência material e energética, determinantes para a qualificação do conforto habitacional e
para a sustentabilidade do desenvolvimento urbano.
A diversidade e especificidade das expressões territoriais destas carências levanta ainda
desafios adicionais na prossecução desta medida, exigindo instrumentos flexíveis capazes de
dar uma resposta adequada nos territórios em processo de desvitalização e, simultaneamente,
em alguns contextos urbanos, sobretudo metropolitanos, onde o aumento da procura se tem
traduzido numa dinâmica de aumento dos preços de venda e de arrendamento. Estas pressões
contraditórias sobre a habitação necessitam de ser geridas numa perspetiva inclusiva e eficiente,
evitando a segmentação do mercado.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida visa dar resposta às famílias que vivem em situação de grave carência ha-
bitacional, garantindo que a gestão do parque habitacional público concorre para a existência
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 110
de uma bolsa dinâmica de alojamentos capaz de dar resposta às necessidades mais graves e
urgentes de uma forma célere, eficaz e justa.
Procura, também garantir o acesso à habitação aos que não têm resposta por via do mer-
cado, incentivando uma oferta alargada de habitação para arrendamento a preços acessíveis
e a melhoria das oportunidades de escolha e das condições de mobilidade dentro e entre os
diversos regimes e formas de ocupação dos alojamentos e ao longo do ciclo de vida das famílias.
Procura, ainda, criar as condições para que a reabilitação seja a principal forma de inter-
venção ao nível do edificado e do desenvolvimento urbano, assumindo a generalização da sua
expressão territorial e fomentando intervenções integradas, contribuindo também para a circu-
laridade da economia e poupança de matérias-primas. Em termos de qualidade habitacional, a
degradação do edificado, a sobrelotação, o desconforto, a desadequação às necessidades da
população com mobilidade reduzida e as insuficiências em matéria de infraestruturas, exigem
uma atenção especial das políticas de habitação.
Pretende, finalmente, promover a inclusão social e territorial e as oportunidades de escolha
habitacional, apostando em abordagens integradas e participativas nos bairros de arrendamento
públicos e no reforço da informação, encaminhamento e acompanhamento de proximidade.
Importa assumir a necessidade de criar as condições para que os bairros passem a ser parte
integrante e integrada das áreas urbanas onde se inserem, bem como para que os seus mora-
dores possam beneficiar de uma melhoria das suas condições de vida.
Os desafios que a política de habitação e reabilitação enfrenta na atualidade implicam uma
mudança na forma tradicional de conceber e implementar as políticas públicas neste domínio,
acarretando:
- Uma reorientação da sua centralização no objeto — a “casa” — para o objetivo — o “acesso
à habitação”;
- A passagem de uma política de habitação cujos principais instrumentos assentaram na
construção de novos alojamentos e no apoio à compra de casa para uma política que privilegia
a reabilitação e o arrendamento;
- A criação de instrumentos mais flexíveis e adaptáveis a diferentes realidades, públicos-
-alvo e territórios;
- Uma forte cooperação horizontal (entre políticas e organismos setoriais), vertical (entre a
administração central, regional e locais) e entre os setores público, privado e cooperativo, bem
como uma grande proximidade aos cidadãos;
- A disponibilização, regular e de fácil acesso, de informação rigorosa sobre preços e
acessibilidade no mercado da habitação, que permita uma atitude preventiva face a dinâmicas
presentes no território, apoiar a criação e adequação dos instrumentos de política pública aos
desafios em presença, avaliar a sua implementação e resultados e apoiar os cidadãos nas suas
decisões e funcionar como fator de regulação do mercado.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Dar resposta às famílias que vivem em situação de grave carência habitacional.
2. Aumentar a disponibilização de habitação com apoio público suprindo as necessidades
e garantindo o acesso à habitação aos que não têm resposta por via do mercado.
3. Aumentar a reabilitação do edificado e promover a qualidade urbana.
4. Reforçar a função social da habitação e a sua disponibilização para arrendamento de longa
duração promovendo a inclusão social e territorial e as oportunidades de escolha habitacional.
5. Privilegiar o mercado de arrendamento em relação à aquisição de habitação.
6. Aumentar a eficiência hídrica e energética dos alojamentos e as condições de habita-
bilidade.
7. Adaptar os alojamentos a uma população com mobilidade reduzida nomeadamente face
a um cenário de envelhecimento.
8. Monitorizar o mercado habitacional.
Diário da República, 1.ª série
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2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação IHRU; AM; Municípios; Regiões Principais Parceiros CCDR; Promotores, proprietários
Autónomas e gestores de habitação de in-
teresse social; Associações de
proprietários Associações de
inquilinos e moradores; Associa-
ções do setor da habitação; CIM
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Nova Geração de Políticas para a Habitação (NGPH); Estratégia Nacional para a Habi-
tação (ENH) para o período de 2015-2031; Programa Nacional para as Alterações Climáticas
2020/2030 (PNAC); Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (Estratégia para a
Eficiência Energética — PNAEE 2016)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Alargamento dos beneficiários da política de habitação e da dimensão do parque habi-
tacional com apoio público.
- Redução da sobrecarga das despesas com habitação no regime de arrendamento.
- Aumento do peso da reabilitação no total de fogos concluídos.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de fogos do parque habitacional público, por concelho (INE, Inquérito à Caracterização
da Habitação Social)
- N.º de fogos do parque habitacional com apoio público (fogos destinados a famílias
carenciadas ou em situação de sobrecarga de custos habitacionais de propriedade pública,
ou de outras entidades sempre que disponibilizados no regime de arrendamento apoiado, no
regime de renda condicionada, no regime de propriedade resolúvel ou ao abrigo do Programa
de Arrendamento Acessível), por concelho (IHRU)
- Taxa de sobrecarga das despesas em habitação, no regime de arrendamento (INE)
- Valor mediano das vendas por m2 de alojamentos familiares, por concelho (INE)
- Valor mediano das rendas por m2 de novos contratos de arrendamento de alojamentos
familiares, por concelho (INE)
- N.º de alojamentos com certificação energética, por concelho (ADENE — Agência para
a Energia)
Medida 2.3
TÍTULO: Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 3.1; 5.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A heterogeneidade territorial em matéria de oferta de serviços tem forte impacto no bem-estar
e na qualidade de vida das populações. Por outro lado, os territórios apresentam características
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 112
sociodemográficas diferenciadas que devem influenciar a tipologia da oferta de serviços de
saúde. Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso é um desafio em
matéria de coesão territorial e equidade social, de progresso económico e de desenvolvimento
sustentável da sociedade.
Para além da alteração do paradigma demográfico e epidemiológico, com uma maior pre-
valência da doença crónica e uma população mais envelhecida, assistimos hoje a uma forte
redução da estrutura familiar de apoio, exigindo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) se
reconfigure como forma de continuar a dar resposta às necessidades de saúde da população
portuguesa.
Neste âmbito é fundamental dotar o SNS de capacidade para responder melhor e mais
depressa às necessidades dos cidadãos, simplificando o acesso, aproveitando os meios de
proximidade, modernizando a prestação de serviços de saúde através do uso das TIC e reco-
nhecendo o papel dos cuidadores informais que prestam apoio a pessoas dependentes nas
suas residências.
A saúde em todas as políticas deverá ser uma estratégia de referência para a promoção da
coesão territorial e equidade social, do progresso económico e do desenvolvimento sustentável
da sociedade.
Assim, em Portugal o estado de saúde do indivíduo é ainda um condicionante à sua quali-
dade de vida e à interação e integração dos indivíduos na família, no trabalho e na comunidade,
continuando a ser um dos países com maior esperança de vida e menos saúde e qualidade de
vida após os 60 anos.
Em termos de ordenamento do território, o desenvolvimento e a qualificação dos aglomera-
dos urbanos devem atender à localização das infraestruturas e equipamentos, à rede de saúde
existente, potenciando a acessibilidade e rentabilizando os investimentos realizados.
Nos espaços transfronteiriços deve-se promover a cooperação tendo em vista uma melhor
gestão da oferta dos principais serviços de proximidade (ex. saúde e transportes).
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Os cuidados de saúde primários são a base do sistema de saúde e devem situar-se próximo
das comunidades. Neste âmbito é fundamental recuperar a centralidade da rede de cuidados de
saúde primários na política de saúde expandindo e melhorando a sua capacidade, através da
dotação deste nível de cuidados com um novo tipo de respostas nomeadamente no âmbito da
prevenção, deteção precoce e tratamento da doença, promoção da saúde, gestão da doença
crónica, saúde mental e cuidados paliativos. A promoção das atividades e do exercício físico
são também dimensões importantes a reforçar em matéria de qualidade de vida e saúde e,
simultaneamente de prevenção da doença.
O desenvolvimento e a qualificação dos aglomerados urbanos devem ser articulados com a
rede de equipamentos e infraestruturas de saúde potenciando a acessibilidade e a racionalização
da utilização dos mesmos. Neste âmbito, é ainda fundamental prever as futuras implicações e
pressões sobre o SNS, sobretudo por força do envelhecimento da população, tendo em vista
planear adequadamente a oferta de serviços em termos territoriais.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Coordenar o desenvolvimento e crescimento dos aglomerados com as principais redes
de equipamentos e infraestruturas de saúde potenciando a acessibilidade e a racionalização
da utilização dos mesmos.
2. Criar novos equipamentos e serviços de saúde e melhorar a qualidade dos existentes.
3. Colmatar as desigualdades no acesso a equipamentos e serviços de saúde atendendo
à acessibilidade física e digital e reforçar a prevenção primária e secundária.
4. Garantir que todos os portugueses têm um médico de família atribuído independente-
mente do local de residência.
Diário da República, 1.ª série
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5. Aumentar a literacia dos cidadãos em saúde, independentemente da idade e da localiza-
ção geográfica, apoiando cuidadores informais em cuidados domiciliários e prevenindo a doença.
6. Estimular a adoção de estilos de vida saudáveis, diminuindo a vida sedentária e os
consumos nocivos, sobretudo nos contextos urbanos.
7. Promover uma gestão mais eficiente e eficaz dos recursos do SNS, tendo em conside-
ração as características das populações residentes dos diferentes territórios.
8. Promover uma abordagem integrada e de proximidade da doença crónica.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação ARS; DGS; ACSS; SPMS; Re- Principais Parceiros CCDR; Municípios; Setor Soli-
giões Autónomas dário e Social; Associações
de Doentes
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Plano Nacional de Saúde; Plano Estratégico para o Desenvolvimento dos Cuidados Palia-
tivos; Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde; Rede de Cuidados de Saúde Primários;
Programa Nacional para a Saúde Mental; Plano Nacional de Saúde Mental; Plano Estratégico
para a Reforma do SNS na área dos Cuidados de Saúde Primários; Plano de Desenvolvimento
da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Programa de «Literacia em saúde e
integração de cuidados», Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável, e o
Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento do número de cidadãos com médico de família atribuído e aumento dos equi-
pamentos de saúde existentes.
- Aumento da acessibilidade das pessoas aos Cuidados de Saúde Primários, melhorando a
deteção precoce da doença e o seguimento na comunidade, através de modelos colaborativos.
- Aumento da cobertura geográfica ao nível da prevenção primária.
- Existência de pelo menos uma resposta em psicologia, nutrição, saúde visual, saúde oral, me-
dicina física e de reabilitação e meios complementares de diagnóstico e terapêutica em cada ACES.
- Estímulo da participação ativa da comunidade no apoio aos doentes e famílias.
- Aumento da literacia em saúde e da capacitação dos cidadãos, contribuindo para a tomada
de decisões informadas sobre a sua saúde.
- Existência de pelo menos uma Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos
em cada ACES.
- Reabilitação psicossocial dos indivíduos com doença mental grave e dependência psicos-
social, através de uma abordagem na comunidade, estimulando a sua recuperação, autonomia
e integração social.
- Promoção da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de utentes sem médico de família atribuído, por concelho (MS)
- Taxa de utilização de consultas médicas pela população inscrita, por concelho (MS)
- N.º de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, por concelho (MS)
- N.º de internamentos evitáveis, por concelho (MS)
- N.º de Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, por concelho (MS)
- Taxa de pessoas com registo de Doença Mental entre o n.º de utentes inscritos nos CSP,
por concelho (MS)
- Taxa de utilização de consultas de saúde oral, por concelho (MS)
Diário da República, 1.ª série
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Medida 2.4
TÍTULO: Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações
socioeconómicas
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.1; 2.2; 3.1; 3.2; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Os baixos níveis de escolaridade e qualificação que ainda se observam em Portugal,
quando comparado com as sociedades mais desenvolvidas, são um obstáculo à promoção da
qualidade de vida e ao desenvolvimento económico. A territorialização dos principais indicadores
no domínio da educação (por um lado, a oferta dos diferentes níveis de ensino, particularmente
o pré-escolar; por outro, as taxas de retenção e desistência e os níveis de escolaridade) eviden-
ciam a importância de se desenvolver uma política desconcentrada, articulando a oferta com
as características sociais da população escolar e com a base económica regional. Assim, urge
aumentar a escolaridade e as qualificações, através da flexibilização curricular, da adaptação
da oferta formativa dos vários níveis de ensino (do básico ao superior) e do reforço dos cursos
profissionais e técnicos.
Neste âmbito é necessário continuar o trabalho de combate ao insucesso escolar e de
valorização do papel da escola enquanto espaço de abertura do leque de oportunidades de
vida, de percursos sociais, de inclusão das pessoas com deficiências, das minorias étnicas e
culturais-religiosas. É crucial aumentar os níveis de escolaridade da população, nomeadamente
ao nível do universitário e politécnico, de forma a reforçar as competências da população por-
tuguesa. E é igualmente fundamental sensibilizar para a necessidade da formação ao longo
da vida e reforçar a oferta formativa, tendo em conta o contexto social de rápida e complexa
mudança em que vivemos. O sistema de ensino e formação terá de adaptar-se às novas reali-
dades tecnológicas, económicas e sociais.
Em termos de ordenamento do território, o desenvolvimento e a qualificação dos aglo-
merados urbanos devem atender à localização das infraestruturas e equipamentos, à rede de
educação existente, potenciando a acessibilidade e rentabilizando os investimentos realizados.
Nos espaços transfronteiriços deve-se promover a cooperação tendo em vista uma melhor gestão
da oferta dos principais serviços de proximidade (ex. educação e transportes).
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A articulação entre a oferta formativa e as necessidades de competências da base econó-
mica e social precisa de ser aprofundada, através da flexibilização curricular e de um sistema
de governança mais eficaz ajustado aos contextos territoriais. Neste âmbito, é ainda crucial in-
crementar a inserção nas redes internacionais de ensino/aprendizagem, nomeadamente através
do e-learning e da participação em projetos europeus (dirigidos à mobilidade de estudantes e
professores dos vários níveis e sistemas de ensino).
De forma transversal, é necessário adaptar os conteúdos formativos do sistema nacional
de ensino (do básico ao superior) e desenvolver cursos profissionais e ações de formação ao
longo da vida, em constante articulação com as mudanças societais. É fundamental aprofundar
a flexibilização curricular do sistema educativo, ajustar a oferta educativa do ensino superior
e desenvolver a formação, (re)qualificação profissional e a aprendizagem ao longo da vida.
Importa também aumentar as qualificações e as competências nas tecnologias digitais através
da adaptação dos conteúdos formativos dos vários níveis e sistemas de ensino e formação.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Coordenar o desenvolvimento e o crescimento dos aglomerados com as principais redes
de equipamentos de educação potenciando a acessibilidade e a rentabilização dos investimen-
tos em infraestruturas.
Diário da República, 1.ª série
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2. Aumentar a literacia e as competências da generalidade dos cidadãos, rentabilizando
as infraestruturas físicas e a disponibilidade dos serviços.
3. Qualificar os jovens através cursos profissionais, garantindo a conclusão da escolaridade
obrigatória, e o desempenho de funções especializadas através de cursos pós-secundários,
tendo de haver uma atenção especial para as áreas demograficamente mais densas e jovens,
mas também para os grupos mais vulneráveis nomeadamente imigrantes.
4. Reforçar a qualificação do capital humano quanto às competências digitais e quanto
às necessidades de competências especializadas para os setores que compõem cada um dos
ecossistemas de inovação de base territorial.
5. Reforçar a qualificação do capital humano com competências específicas aos setores
económicos em crescimento, atendendo a estrutura territorial das atividades económicas.
6. Reforçar a articulação entre a oferta formativa e as necessidades de competências da
base económica e social, fortemente segmentada em termos territoriais.
7. Incrementar a inserção em redes internacionais de ensino-aprendizagem.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGES; IEFP, ANQEP, DGE; Principais Parceiros CCDR; Ensino Superior; Ensino
TP; DGPM; IAPMEI; Regiões Básico e Secundário; DRE;
Autónomas Parceiros sociais; Associação
de País; Portugal Clusters; En-
tidades Gestores de Clusters;
SGPM; Associações empre-
sariais; DGRM; ADL; GAL; IN-
CODE (FCT)
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional de Especialização Inteligente (ENEI); Estratégia Regional de Especia-
lização Inteligente (EREI); Agenda Digital para a Educação (em elaboração); Estratégia Turismo
2027 (ET 27)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Diminuição do abandono escolar e aumento do sucesso escolar.
- Aumento da qualificação da população em geral.
- Alinhamento da oferta educativa e formativa com as necessidades dos setores de atividade
e dos ecossistemas de inovação de base territorial.
- Aumento da empregabilidade da população ativa e em particular dos ativos jovens.
- Aumento da qualificação nomeadamente em competências digitais e competências sec-
torialmente e territorialmente especializadas.
- Reforço da inserção dos estabelecimentos de ensino e de formação nas redes globais,
particularmente europeias.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Taxa de alunos matriculados no ensino pré-escolar, por concelho (INE)
- Taxa de retenção e desistência do sistema de ensino, por concelho (INE)
- Taxa de população com 30-34 anos com pelo menos o ensino superior, por concelho (INE)
- % de trabalhadores por contra de outrem por níveis de qualificação, por concelho (GEP/
MTSSS, Quadros de Pessoal)
- Desemprego registado jovem, por níveis de escolaridade, por concelho (IEFP/MTSSS)
- N.º médio de alunos por computador com ligação à internet no ensino básico e secundário,
por concelho (DGEEC)
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Medida 2.5
TÍTULO: Melhorar a qualidade de vida da população idosa e reforçar as relações
intergeracionais
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 3.1; 3.2; 4.3; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A população portuguesa tem uma estrutura etária envelhecida e a esperança de vida con-
tinua a aumentar. Portugal tem uma das esperanças de vida mais elevadas a nível mundial e
é dos países em que os idosos têm uma qualidade de vida pior.
Em termos territoriais, as áreas de menor densidade apresentam estruturas sociodemográfi-
cas claramente envelhecidas, em contextos sobretudo rurais, onde o isolamento está relacionado
com um povoamento escasso e disperso. Mas é nas principais cidades, sobretudo nas áreas
metropolitanas, que prevalecem os idosos com mais de 75 anos, muitas vezes a residirem sós
e a necessitarem de apoio e cuidados.
O envelhecimento da população não é um problema em si, contudo, a sua conjugação com
vários problemas sociais (isolamento e abandono, inatividade, débil integração na vida social),
de saúde (incapacidade física ou mental) ou económicos (rendimentos reduzidos, baixa capa-
cidade de consumo, grande dependência de prestações sociais) pode desencadear situações
de vulnerabilidade e exclusão social. Face a este cenário, é fundamental proporcionar uma
melhor qualidade de vida da população idosa (através, por exemplo, do apoio social, como são
as Pensões e o CSI) e reforçar o relacionamento intergeracional, encarando os idosos com um
ativo da comunidade e não como um peso da sociedade.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Pretende-se atender às situações de maior vulnerabilidade da população idosa, através
de uma intervenção que vise desenvolver uma abordagem territorial integrada para respon-
der aos desafios do envelhecimento, que articule ações na habitação, na mobilidade, nos
serviços de saúde e de apoio social, e nos serviços de proximidade. Assim, esta medida
deve contribuir para:
- Adaptar e qualificar equipamentos e espaços públicos atendendo aos constrangimentos
físicos de uma população mais envelhecida;
- Melhorar o seu acesso à saúde (cuidados primários, cuidados continuados, cuidados
paliativos, entre outros);
- Aumentar, diversificar e adaptar a oferta de habitação às necessidades dos idosos (ha-
bitação pública, residências para seniores, apoios à adaptação das habitações às necessida-
des/fragilidades físicas e mentais dos idosos);
- Promover diferentes soluções de acessibilidade (física e digital) e de mobilidade (deslo-
cação das pessoas aos serviços ou dos serviços às pessoas), de modo a garantir um acesso
mais equitativo à população mais idosa e reforçar os seus níveis de bem-estar;
- Promover formas de apoio a uma vida independente, reforçando a qualidade dos servi-
ços (nomeadamente, através da valorização dos cuidadores de pessoas idosas e de pessoas
dependentes);
- A promoção das atividades e do exercício físico são dimensões importantes a reforçar
em matéria de qualidade de vida e saúde dos idosos contribuindo de prevenção de situações
de doença;
- Valorizar o envelhecimento ativo e de qualidade (trabalho a tempo parcial, autoemprego,
trabalho voluntário), permitindo fomentar a aposta na economia social de qualidade, articulada
e sustentada com ofertas de turismo sénior (particularmente dirigido a cidadãos estrangeiros),
que poderão incrementar uma dinâmica social e económica mais sustentável;
Diário da República, 1.ª série
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- Dinamizar o convívio intergeracional, a intervenção de proximidade e a vida comunitária
(introdução de locais de multisserviços, que incluem atendimento municipal aos idosos, coleta
de mantimentos, transporte para os cuidados domiciliários, apoio para estudantes, locais de
acesso à internet para aceder a serviços públicos), de forma a combater o abandono e o iso-
lamento físico e social;
- Promover o trabalho em rede e reajustar os recursos (em particular os equipamentos e os
serviços sociais), para responder às necessidades de uma estrutura demográfica que perdeu
juventude e ganhou população mais envelhecida.
- Reforçar os Programas Especiais de Policiamento de Proximidade, nomeadamente o
programa Apoio 65 — Idosos em Segurança, têm tentado responder à crescente necessidade
da ocorrência de iniciativas operacionais de apoio a vítimas espacialmente vulneráveis, cujo
papel deve ser reforçado e desenvolvido.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover uma vida digna, autónoma e saudável aos idosos.
2. Disponibilizar assistência pessoal aos idosos para a realização de atividades de vida
diária e de mediação em contextos diversos.
3. Combater o limiar da pobreza e situações de maior vulnerabilidade dos idosos.
4. Proporcionar condições para que as famílias consigam prestar maior apoio aos idosos.
5. Reforçar os níveis de comunicação e acessibilidade da população idosa (redes digitais
de comunicação e mobilidade, serviços ao domicílio).
6. Melhorar a prestação de informação/atendimento às pessoas idosas e às suas famílias.
7. Estimular a independência, a atividade e a participação familiar, social e económica dos
idosos.
8. Reajustar a oferta de equipamentos, os espaços e os serviços públicos e as condições
de habitabilidade a uma população mais envelhecida.
9. Operacionalizar um serviço de teleassistência.
10. Alargar a rede de respostas especializadas (centros de dia, centros de noite e cuidados
continuados).
11. Reforçar a segurança de proximidade e reforçar a proteção prioritária dos idosos em
situações especialmente vulneráveis.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação ISS; GNR; PSP; Regiões Au- Principais Parceiros Setor Solidário e Social; ONG;
tónomas Ensino Básico e Secundário;
CCDR; ADL; GAL, SPMS;
ACSS; EMPIS; INCODE.
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável; Plano de Desenvolvimento
da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e ao Plano Estratégico para o Desen-
volvimento dos Cuidados Paliativos
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Melhoria da qualidade de vida e do bem-estar dos idosos.
- Redução dos níveis de pobreza dos idosos.
- Melhorar a oferta de equipamentos e serviços dirigidos a uma estrutura sociodemográfica
envelhecida.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 118
- Diminuição do isolamento dos idosos e aumento da sua independência e inserção na
vida familiar, social e económica.
- Envelhecimento mais ativo e com maior qualidade e saúde intelectual e física.
- Melhoraria da mobilidade de pessoas idosas nos equipamentos e espaços públicos.
- Criação de novas oportunidades e novos negócios gerados por um perfil demográfico
mais envelhecido.
- Aumento dos comportamentos securitários por parte dos idosos em situações especial-
mente vulneráveis.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de idosos a viverem sós, por concelho (GNR, Operação Censos Sénior e PSP)
- N.º de idosos em tratamento de cuidados continuados e cuidados paliativos, por concelho
(MS e MTSSS)
- Valor da prestação média de pensões e complementos (Pensão de velhice da Segurança
Social — Regime Geral; Pensão social de velhice e do RESSAA; Complemento solidário para
idosos); por concelho (ISS/MTSSS)
- N.º de lugares existentes nas seguintes respostas sociais: Serviço de apoio domiciliário:
Centro de dia; Centro de Noite; Estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI), por concelho
(GEP/MTSSS, Carta Social)
Medida 2.6
TÍTULO: Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos serviços
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 3.1; 4.3; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O sistema jurídico português é complexo e nem sempre compreendido pelos cidadãos,
razão pela qual importa promover a respetiva literacia. Por outro lado, cumpre assegurar a dis-
tribuição geográfica equitativa dos serviços de justiça bem como garantir a presença do Estado
em todo o território, possibilitando uma maior acessibilidade e proximidade aos serviços de
justiça por parte dos cidadãos. Impõe-se ainda melhorar os serviços de perícias médico-legais
em alguns locais, tendo em vista aumentar a celeridade dos processos a elas associados.
A articulação com o sistema de justiça europeu urge ser robustecida facilitando a interação com
cidadãos estrangeiros. Mostra-se também urgente proceder ao redimensionamento territorial
das infraestruturas da rede de justiça, com particular enfoque na rede prisional para além do
edificado judiciário.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Promovendo o equilíbrio territorial da rede de Justiça cumpre implementar um conjunto de
medidas, designadamente:
- A continuação da promoção de maior equidade na localização dos tribunais, mediante a
construção de novos edifícios bem como a requalificação e ampliação de alguns dos existentes.
- A promoção da utilização de dados abertos relativos à justiça, em multilingue.
- A possibilidade de constituição de uma empresa, em Portugal, por cidadãos estrangeiros,
com recurso a certificado eletrónico de autentificação forte.
- A continuação da disponibilização dos serviços digitais com outros Estados-membros.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 119
- A promoção da requalificação e modernização do edificado prisional e das Forças de
Segurança, aproximando respetivamente o recluso do seu meio natural e social e as Forças
de Segurança dos cidadãos.
- A divulgação da linha justiça junto de entidades de base local.
- A criação de uma rede de casas com duplo objetivo: facilitar a integração social dos
jovens sujeitos a medidas tutelares educativas e apoiar a transição dos ex-reclusos do meio
prisional para o meio livre.
- A garantia de cobertura territorial dos gabinetes médico-legais e forenses.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aproximar a justiça dos cidadãos, assegurando a distribuição territorial equitativa dos
tribunais e serviços associados.
2. Facilitar a transição da vida condicionada em centro educativo ou em ambiente prisional
para o meio natural e social.
3. Melhorar a eficiência do sistema prisional e diminuir a distância entre os estabelecimentos
prisionais e a residência dos reclusos.
4. Garantir uma melhor cobertura territorial e uma maior eficácia na realização dos exames
e perícias médico-legais.
5. Disponibilizar em língua estrangeira os dados indicadores da justiça.
6. Expandir os serviços de justiça reforçando a interoperabilidade e disponibilidade digital
(nomeadamente o serviço de registo “empresa on-line” e E-Justice).
7. Promover a linha de justiça em localidades de maior vulnerabilidade territorial.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação DGAJ; DGRSP; SGMJ; IGFEJ; Principais Parceiros Freguesias; Municípios; ADL;
INMLCF; DGPJ; IRN; PGR; Setor Solidário e Social; En-
CSM; Regiões Autónomas sino Básico e Secundário; Ga-
binete do Secretário de Estado
das Autarquias Locais
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Plano Justiça mais Próxima — Programa de Modernização da Justiça
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Facilitar a todos, independentemente da parcela territorial onde residam, o acesso ao
direito e à tutela jurisdicional efetiva.
- Melhoria da reintegração e da prevenção da reincidência dos jovens e dos adultos sujeitos
a medidas cumpridas em meio institucional.
- Melhoria da celeridade e da resposta do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses
- Reforço da transparência do sistema de justiça português.
- Aumento da criação de empresas estrangeiras em Portugal.
- Promoção do envolvimento das entidades de base territorial local na divulgação dos
diferentes modos de acesso ao direito e à justiça.
- Maior apoio ao cidadão comunitário na interação com o sistema de justiça nacional
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de tribunais intervencionados (novos ou requalificados), por concelho (Ministério da
Justiça)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 120
- N.º de beneficiários dos programas de ressocialização em casas de autonomia, por con-
celho (Ministério da Justiça)
- N.º de estabelecimentos prisionais construídos ou requalificados, por concelho (Ministério
da Justiça)
- N.º de entidades locais envolvidas na divulgação da linha justiça, por concelho (Ministério
da Justiça)
- N.º de serviços nacionais disponibilizados no portal E-justice (Ministério da Justiça)
Medida 2.7
TÍTULO: Promover a inclusão social, estimular a igualdade de oportunidades e
reforçar as redes de apoio de proximidade
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.3; 3.1; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Portugal regista ainda níveis consideráveis de pobreza e exclusão social e desequilíbrios
na qualidade e no acesso aos serviços e às infraestruturas. Territorialmente, a fragmentação
social manifesta-se com intensidades e perfis diferentes, registando-se uma maior concentração
de populações mais vulneráveis nos contextos metropolitanos e urbanos. Nesses contextos
evidenciam-se grupos mais vulneráveis, nomeadamente comunidades imigrantes, idosos sós,
população desempregada, jovens com insuficiente qualificação, vítimas de violência doméstica,
toxicodependência, VIH, entre outros.
Deste modo, a promoção da inclusão social e o reforço das redes de apoio de proximidade
deverão estruturar-se através da regeneração das áreas mais desfavorecidas e de intervenções
integradas para o combate às problemáticas sociais existentes de acordo com as especificidades
de cada território, numa ação multidimensional e com uma governação multinível.
Em termos de ordenamento do território, o desenvolvimento e a qualificação dos
aglomerados urbanos devem atender à localização das infraestruturas e equipamentos, à
rede de serviços existente, potenciando a acessibilidade e rentabilizando os investimentos
realizados.
Nos espaços transfronteiriços deve-se promover a cooperação tendo em vista uma melhor
gestão da oferta dos principais serviços sociais de proximidade.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Pretende-se atender às situações de maior vulnerabilidade social e segmentação socioes-
pacial, através de intervenções que visem o combate a situações de pobreza e marginalidade
urbana, favorecendo:
- O acesso a recursos, equipamentos e serviços e promovendo a participação económica
dos grupos excluídos do mercado de trabalho;
- A promoção da inclusão e da participação social, cultural e cívica das comunidades imi-
grantes e das minorias étnicas;
- O reforço das políticas sectoriais dirigidas às famílias no âmbito do combate à pobreza
e à exclusão;
- O fomento do trabalho em rede, da cooperação intersectorial e multinível e das formas
locais de intervenção no domínio das questões sociais;
- A promoção do empreendedorismo e da inovação social e o aumento dos sentimentos
de pertença, identidade e enraizamento territorial;
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 121
- O combate à informalidade económica e à precariedade laboral e social;
- A promoção das atividades e do exercício físico em todas as idades são dimensões impor-
tantes em termos da promoção da inclusão social e da qualidade de vida e o bem-estar social;
- Por fim, o reforço das redes de apoio de proximidade das Forças e Serviços de Segurança
e dos Programas Especiais de Policiamento de Proximidade contribui para uma melhor resposta
em termos de segurança tendo em consideração as necessidades das populações.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Dar uma resposta mais célere e adequada aos problemas sociais, baseada no conhe-
cimento e adequação das respostas às necessidades das comunidades locais.
2. Apoiar a inclusão social das pessoas, nomeadamente as mulheres, em situação de
sem-abrigo e portadoras de deficiência ou incapacitadas, imigrantes, desempregados ou noutra
situação de risco ou vulnerabilidade.
3. Promover o desenvolvimento de instrumentos capacitadores das instituições da eco-
nomia social.
4. Implementar serviços partilhados que permitam uma maior racionalidade de recursos e
a eficácia da sua gestão.
5. Potenciar os recursos materiais e imateriais (conhecimento, recursos paisagísticos,
histórico-culturais, ambientais, entre outros) como marca identitária dos espaços urbanos e
rurais.
6. Fomentar os processos de base comunitária e cooperativa e as redes de apoio local e
comunitário.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação MAI, ISS, INR, SECI; SEALRA; Principais Parceiros CCDR; Redes Sociais; Setor So-
CIM; Regiões Autónomas lidário e Social; GAL; Ensino
Superior; Ensino Básico e Se-
cundário; EMPIS; SICAD, ARS;
ACSS; DGS; GNR, PSP, SEF
e Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo
(ENIPSSA) — 2017-2023; Programa Nacional para a Coesão Territorial; Lei de Programação
das Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviço de Segurança do MAI.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Redução dos níveis de segregação social, combate às situações críticas de pobreza,
especialmente a infantil, e reforço da inclusão dos cidadãos.
- Redução da segmentação socioespacial nos espaços urbanos ou nos territórios social-
mente mais envelhecidos ou fortemente atingidos por calamidades.
- Redução das vulnerabilidades e dos riscos sociais associados às situações de sem-abrigo,
às minorias étnicas, aos consumos de substâncias psicoativas e às práticas desviantes.
- Integração progressiva das populações em situação de maior vulnerabilidade no contexto
laboral, social e comunitário.
- Capacitação das famílias com os instrumentos necessários e adequados para uma inte-
gração social com sucesso.
- Reforço das redes de apoio de proximidade.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 122
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Taxa de pessoas com 75 ou mais anos, por concelho (INE)
- N.º de vítimas de violência doméstica, por concelho (APAV)
- N.º de titulares de abono de família e nº de beneficiários de RSI, por concelho (ISS/
MTSSS)
- Taxa específica de fecundidade de mulheres de 15 a 19 anos de idade (‰), por concelho (INE)
- N.º de pessoas em situação de sem-abrigo (ISS/MTSSS)
Medida 2.8
TÍTULO: Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e artísticas
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.3; 2.1; 2.3; 3.1; 3.2; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O desenvolvimento de atividades culturais disseminado pelos territórios é patamar funda-
mental de desenvolvimento social, de qualidade de vida, de fomento de pluralismo e um crédito
direto para a cidadania. A territorialização da cultura, dos seus agentes e estruturas é também
um móbil fundamental para o desenvolvimento de atividades sustentáveis economicamente,
pois permite uma proximidade com as populações através de um trabalho autónomo, qualificado
e portador de confiabilidade. A identificação e a gestão de territórios pertinentes de cultura e
criatividade são uma garantia de singularidade e de protagonismo e consequentemente um
fator de internacionalização.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida situada nas estruturas e agentes da cultura local contraria a tendência para
a instrumentalização da cultura e promove uma colaboração da cultura com o social, o eco-
nómico, o turístico, o rural e o comunitário. Desta forma, será possível a descentralização e
desburocratização do acesso e da distribuição de apoios, pois almejam-se estratégias ativas de
autossustentação, de trabalho colaborativo e em rede, assim como, de projetos inter-regionais,
que operam no pressuposto da redução de assimetrias regionais e da eficiência no uso de
recursos. Desta forma é importante: i) promover a criação artística e cultural, assegurando a
diversificação, descentralização e difusão e incentivando mecanismos que estimulem o alcance,
desenvolvimento e adesão de diferentes públicos; ii) desenvolver mecanismos de diagnóstico
e avaliação das iniciativas culturais e artísticas regionais operando um mapeamento eficaz e
atualizado de recursos culturais, artísticos e criativos, capaz de reequacionar modalidades de
coprodução, de cofinanciamento, de cocriação e de cocomunicação; iii) fomentar a criação,
produção e difusão das artes através da definição de sistemas de incentivos financeiros adequa-
dos ao seu desenvolvimento e valorização intrínseca, bem como pela produção de informação
relevante para o setor e pelo reconhecimento dos percursos, projetos e agentes singulares a
nível nacional; iv) fortalecer a projeção internacional das estruturas, projetos e agentes culturais
portugueses, facilitando o acesso a canais de divulgação e distribuição ou criando incentivos
à concretização desses meios – nomeadamente pelo turismo; v) estimular o diálogo interdisci-
plinar nas artes e a sua participação em políticas intersectoriais articulando, nomeadamente,
com a ação social, a educação, a ciência, a economia e o desenvolvimento; vi) protagonizar ou
participar na realização de projetos e ações que contribuam para a qualificação e valorização
dos projetos e estruturas territoriais, mas também dos seus territórios, populações e identidades;
vii) fomentar as atividades e o exercício físico enquanto determinantes em matéria de inovação
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 123
e coesão sociocultural; viii) promover os conhecimentos e as técnicas tradicionais associados
à construção e manutenção do património construído, visando assegurar a sua salvaguarda e
transmissão às gerações futuras; ix) valorizar o património mundial da UNESCO, nomeadamente
o património cultural e material.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a criação artística e cultural.
2. Fazer um mapeamento dos recursos culturais, artísticos e criativos.
3. Fomentar a criação, produção e difusão das artes.
4. Fortalecer a projeção internacional das estruturas, projetos e agentes culturais portugueses.
5. Estimular o diálogo interdisciplinar nas artes e a sua participação em políticas intersectoriais.
6. Promover as práticas artísticas como fator de Inclusão e coesão Social
7. Organizar programas e iniciativas de envolvimento da população jovem para a preser-
vação do património cultural e natural.
8. Valorizar as culturas de construção tradicional.
9. Promover a salvaguarda dos valores culturais, patrimoniais culturais e paisagísticos/
culturais.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação SEC/DGARTES; DGPC; Re- Principais Parceiros Municípios; CIM; AM; DRC; ERT;
giões Autónomas CCDR; Ensino Básico e Se-
cundário; EMPIS, Agentes e
Estruturas Culturais Regionais
e Locais
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
O Lugar da Cultura — Modelos de Desenvolvimento para o Século XXI (GEPAC); Estratégia
Nacional para a Educação e Cultura; Programa Cultura 2020; Europa Criativa 2020; Portugal Es-
paço 2030; Plano Nacional das Artes; Plano Nacional de Leitura; Plano Nacional de Cinema
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço de práticas artísticas enraizadas nas especificidades locais e nas memórias dos
seus diferentes segmentos populacionais.
- Aumento da atratividade turística, criativa e artística de destinos regionais com especial
singularidade cultural, artística e criativa e seu impacto internacional.
- Aumento do diálogo profícuo entre as artes e a educação, a ação social e a economia,
estimulando a inclusão social de segmentos populacionais mais vulneráveis.
- Fomento da relação entre as comunidades/cidadãos e o seu património e a criação de
iniciativas sociais, culturais, artísticas e económicas inovadoras.
-Valorização do património mundial da UNESCO, promovendo-se a salvaguarda dos valores
culturais, patrimoniais culturais e paisagísticos/culturais.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Mapeamentos de estruturas e agentes culturais, artísticos e criativos locais, por concelho
(Indicador a construir)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 124
Medida 2.9
TÍTULO: Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão sociocultural
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 3.1; 3.2; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O papel do Estado Social, apesar de essencial para a coesão social e para providenciar
serviços públicos, está crescentemente condicionado por restrições de financiamento, pelas
dinâmicas de envelhecimento da população e pela própria escala e complexidade dos problemas
sociais a resolver. Assim, a inovação social surge como uma via de ação alternativa, capaz de
potenciar iniciativas de integração social com um impacto direto e positivo na vida das pessoas,
na sociedade e na economia. A Declaração de Roma de 25 de março de 2017 reconhece a
inovação social como um instrumento fundamental para a criação de sustentabilidade e de valor
social. No mesmo sentido, o Diagnóstico do Portugal 2030 identifica o seu papel na minimização
das desigualdades sociais e da pobreza.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida abrange um conjunto de ações destinadas à promoção da empregabilidade e
do empreendedorismo social dos jovens NEET, dos DLD, dos imigrantes e populações flutuantes
e ainda dos idosos, pautadas pela mobilização de recursos para intervenções/soluções integra-
das de natureza inovadora, reforçando e qualificando um ecossistema de empreendedorismo
social. Deslocando-nos para as organizações, esta medida ambiciona capacitar e motivar as
organizações sociais para a inovação, promover o empreendedorismo social e facilitar a im-
plementação de projetos de cidadãos empreendedores em áreas-chave de desenvolvimento
integrado, quer nas zonas urbanas, quer nas zonas de baixa densidade, conferindo visibilidade
às dinâmicas dos ecossistemas de empreendedorismo social e de inovação social assentes
em redes colaborativas.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a empregabilidade e o empreendedorismo social dos NEET, dos DLD, dos
imigrantes e das populações flutuantes;
2. Potenciar a implementação de projetos de cidadãos empreendedores, designadamente
no âmbito do envelhecimento ativo;
3. Mobilizar as organizações sociais e empresariais para intervenções/soluções integradas
de natureza inovadora;
4. Reforçar e qualificar um ecossistema de empreendedorismo social e de inovação social
assente em parcerias inovadoras a partir de redes colaborativas estabelecidas com agentes
de referência;
5. Gerar projetos sociais inovadores para reforçar a inclusão e a competitividade territorial
dos territórios urbanos através de redes urbanas de inovação e crescimento (clusters de ativi-
dades criativas/culturais ou intensivas em conhecimento) e da regeneração urbana (edificado
e espaço público);
6. Fomentar projetos de inovação social de sustentabilidade e coesão em territórios de
baixa densidade através da otimização da gestão e prestação em rede dos serviços coletivos
(educação, saúde, cultura, sociais, económicos, associativos, entre outros).
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 125
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação EMPIS; ANI; IAPMEI; ACM, Principais Parceiros ISS, IEFP, Fundações; Setor Soli-
Regiões Autónomas dário e Social; Ensino Básico e
Secundário; Instituições Finan-
ceiras e Investidores; CCDR;
CIM; ADL; GAL; Rede Nacional
de Incubadoras; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Portugal Inovação Social; Estratégia Nacional para o Empreendedorismo (StartUp Portu-
gal); Iniciativa “Portugal i4.0; Estratégia de Inovação Tecnológica e Empresarial para Portugal
2018-2030; Programa Laboratórios Colaborativos (CoLABS); Plano Nacional de Saúde; Estra-
tégia Nacional para a Deficiência; Plano Nacional Contra as Drogas; II Plano para a Integração
dos Imigrantes; Plano Estratégico para as Migrações, Plano Nacional de Saúde Mental; Estra-
tégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação 2018-2030 “Portugal + Igual”, IV Plano
Nacional para a Igualdade, Género, Cidadania e Não Discriminação; Plano de Emergência
Social (PES); Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo
(ENIPSSA) — 2017-2023; Plano Nacional Para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool;
Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da empregabilidade e do empreendedorismo social dos NEET, dos DLD, dos
imigrantes e das populações flutuantes.
- Mobilização das organizações sociais e empresariais para intervenções/soluções inova-
doras integradas de base local.
- Reforço e qualificação dos ecossistemas de empreendedorismo social e de inovação so-
cial assente em parcerias a partir de redes colaborativas estabelecidas com diferentes agentes.
- Fomento da inovação social na baixa densidade através da otimização da gestão e pres-
tação em rede dos diferentes serviços coletivos (educação, saúde, cultura, sociais, económicos,
associativos, entre outros).
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de parcerias de impacto social criadas apoiadas em iniciativas de inovação social
(EMPIS)
- Projetos de inovação social concluídas com recurso a instrumentos financeiros (EMPIS)
- Soluções inovadoras desenvolvidas no âmbito de projetos de inovação e experimentação
social (EMPIS)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 126
Medida 2.10
TÍTULO: Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos servi-
ços públicos e de interesse geral
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.2; 2.3; 3.1; 4.3; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O diagnóstico territorial que suporta a presente proposta de alteração ao PNPOT identifica
como problemas para o ordenamento do território, designadamente, a verificação de:
- Desajustes territorialmente, entre a procura e a oferta de serviços públicos e de interesse
geral, com encargos excessivos de manutenção e gestão, face à efetiva utilização;
- Disrupções nas estruturas económicas e sociais com efeitos assimétricos no território
face às transformações tecnológicas e organizacionais inerentes aos modelos da economia
circular e digital.
Tendo presente a Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública, atual-
mente em execução, torna-se necessário assegurar a sua continuidade e aprofundamento
no período temporal subsequente. As Tecnologias da Informação e das Comunicações (TIC)
vão, em paralelo ao governo digital, ter reflexos no futuro da democracia. As TIC possibilitam
e criam novas oportunidades para a introdução de práticas de participação e de envolvimento
dos cidadãos que influenciam os processos democráticos de tomada de decisão de uma forma
mais eficaz e imediata.
Incrementar a acessibilidade significa, também, dar continuidade ao alargamento da rede
de Lojas e Espaços Cidadão, ampliando a rede de serviços de proximidade e a cobertura ter-
ritorial de muitos serviços públicos encerrados em muitas zonas do País.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
O sucesso de uma estratégia digital bem como o imperativo de contrariar o fosso digital,
seja ele de cariz social ou territorial, está diretamente condicionado, por um lado, pela disponi-
bilização, em condições de preço idênticas, de infraestruturas e serviços de telecomunicações
homogéneos e de qualidade em todo o território nacional e, por outro lado, pela existência de
medidas ativas de combate à exclusão digital através do reforço das competências e das ca-
pacidades individuais e coletivas.
A adoção e a concretização de uma estratégia digital global no horizonte de 2030,
visando a modernização administrativa, deverão traduzir -se numa garantia de maior trans-
parência, abertura nos processos de decisão, tornando -os mais inclusivos e contrariando
os eventuais desequilíbrios digitais e territoriais. A digitalização da administração pública
deverá corresponder a uma estratégia e a imperativos de modernização e de reforma do
setor público tendo por foco e objeto principal a perspetiva e as necessidades dos utiliza-
dores.
A melhoria da acessibilidade aos serviços públicos e privados — de interesse público — de-
verá conduzir ao alargamento da rede de Lojas e Espaços do Cidadão, incluindo na sua compo-
nente de Espaços Cidadão Móvel ampliando a rede de serviços de proximidade e a cobertura
territorial de muitos serviços públicos encerrados em várias zonas do País, designadamente
nos territórios do interior.
A introdução de práticas de participação e envolvimento dos cidadãos na gestão dos
serviços públicos, com recurso às TIC, proporcionam a iteração e o diálogo, enquanto
instrumento de mudança e integração social e de monitoração dos serviços públicos e de
interesse geral.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 127
No futuro, a abordagem da acessibilidade das populações aos serviços públicos de in-
teresse geral estará muito relacionada com as medidas relacionadas com a digitalização e
interoperabilidade.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Alargar a rede e ampliar dos serviços públicos prestados por via digital, garantindo uma
cobertura desejavelmente para todos.
2. Alargar da rede de Lojas e Espaços do Cidadão e ampliação dos serviços públicos prestados;
3. Reforçar a eficácia e a eficiência dos serviços públicos e de interesse geral por via da
conetividade digital.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação AMA; Regiões Autónomas Principais Parceiros Cluster TICE; ACEPI; Associações
Empresariais; Ensino Básico e
Secundário; CCDR; CIM; DGT;
Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia TIC 2020; Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da acessibilidade e da qualidade dos serviços públicos e de interesse geral.
- Aumento da disponibilidade de dados em tempo real, permitindo aumentar a capacidade
de interligar informação e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
- Aumento da transparência, comparabilidade e exigência, com implicações na qualidade
da oferta de serviços públicos nos diferentes territórios.
- Maior envolvimento dos cidadãos nos processos de administração e gestão do bem público
contribuindo para melhorar a qualidade dos serviços e melhorar a sua qualidade de vida.
- Aumento da produtividade na Administração Pública e da eficácia e eficiência da sua ação.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Transparência municipal, por concelho (DGAL — Portal de Transparência Municipal)
D3 Domínio Económico
Palavras-Chave: Inovar | Atrair | Globalizar | Circular
Índice das medidas.
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
3.4 Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
3.6 Promover a economia do Mar
3.7 Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de trabalho
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 128
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
3.11 Organizar o território para a economia circular
3.12 Promover a competitividade da silvicultura
As Medidas de Política concorrem para os Desafios Territoriais
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO ECONÓMICO
3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 3.11 3.12
Qualificar
DESAFIOS o Reforçar a
Dinamizar Dinamizar Desenvol
TERRITORI Reforçar a políticas
Afirmar
Valorizar e
emprego e
ver Reindustri
internacio Organizar Promover
os ativos Promover contrariar nalização o a
competiti ativas os ativos revitalizar ecossiste alizar com
AIS estratégic a a ea território competiti
vidade da para o territoriais o mas de base na
os economia precarieda atração de para a vidade da
agricultur desenvolv patrimoni comércio inovação Revoluçã
turísticos do mar de no investime economia silvicultur
a imento ais e os de base o 4.0
nacionais mercado nto circular a
rural serviços territorial
de externo
trabalho
Valorizar o
1.1 capital natural
Promover a
eficiência do
1.2 metabolismo
regional e urbano
Aumentar a
1.3 resiliência
socioecológica
Afirmar as
2.1 metrópoles e as
principais
cidades como
motores da
internacionalizaç
ão e
competitividade
externa
Reforçar a
cooperação
interurbana e
2.2 rural-urbana
como fator de
coesão interna
Promover a
2.3 qualidade urbana
Aumentar a
atratividade
populacional, a
3.1 inclusão social, e
reforçar o acesso
aos serviços de
interesse geral
Dinamizar os
potenciais locais
e regionais e o
3.2 desenvolvimento
rural face à
dinâmica de
globalização
3.3 Promover o
desenvolvimento
transfronteiriço
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 129
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO ECONÓMICO
3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 3.11 3.12
Qualificar
DESAFIOS o Reforçar a
Dinamizar Dinamizar Desenvol
TERRITORI Reforçar a políticas
Afirmar
Valorizar e
emprego e
ver Reindustri
internacio Organizar Promover
os ativos Promover contrariar nalização o a
competiti ativas os ativos revitalizar ecossiste alizar com
AIS estratégic a a ea território competiti
vidade da para o territoriais o mas de base na
os economia precarieda atração de para a vidade da
agricultur desenvolv patrimoni comércio inovação Revoluçã
turísticos do mar de no investime economia silvicultur
a imento ais e os de base o 4.0
nacionais mercado nto circular a
rural serviços territorial
de externo
trabalho
Otimizar as
infraestruturas
4.1 ambientais e a
conetividade
ecológica
Reforçar e
integrar redes de
4.2 acessibilidade e
de mobilidade
Dinamizar redes
4.3 digitais
Reforçar a
descentralização
de competências
5.1 e a cooperação
intersectorial e
multinível
Promover redes
5.2 colaborativas de
base territorial
Aumentar a
5.3 cultura territorial
Medida 3.1
TÍTULO: Reforçar a competitividade da agricultura
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 2.1; 2.2; 3.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A competitividade do setor agrícola é fundamental para gerar valor para os territórios.
A melhoria da competitividade e da viabilidade da agricultura portuguesa depende da gestão
eficiente dos fatores de produção e da melhoria do desempenho ambiental, de todos os tipos de
agricultura, nomeadamente através da conversão para modelos de intensificação sustentável
de forma a dar resposta aos vários desafios com que o setor se defronta, nomeadamente os
identificados em termos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Tal justifica-se
dado o contexto global em que nos inserimos, no qual o desafio de alimentar e prover produtos
e matérias-primas a uma população mundial em crescimento tem de ser compatibilizado com
os recursos disponíveis.
Salienta-se ainda o desafio que as alterações climáticas colocam à agricultura portuguesa,
tendo em conta que se prospetiva que a região mediterrânica seja das mais afetadas, pelo que
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 130
a gestão eficiente e sustentável dos recursos assume especial relevância. Torna-se, assim, ne-
cessária a adoção de processos e técnicas inovadoras e eficientes nesta matéria, valorizando os
subprodutos agrícolas e incentivando a utilização e produção de fontes de energias renováveis.
Um modelo sustentável passa por uma intensificação que valoriza os processos ecológicos,
com o recurso a técnicas mais sustentáveis, fundadas numa melhor valorização dos serviços
dos ecossistemas. Passa também por uma inovação que mobiliza e aplica o conhecimento
científico e os saberes locais, num quadro de aprendizagem acrescida.
Neste contexto, assume também importância a promoção de modelos de agricultura mais
sustentáveis, como o modo de produção biológico, dado constituir um modo de produção com
um importante contributo no equilíbrio dos ecossistemas, da biodiversidade, do bem-estar dos
animais, da preservação dos recursos genéticos vegetais e animais.
Paralelamente, é necessário reduzir o desperdício dos produtos agrícolas alimentares, entre
o local de produção e de consumo, sendo este um dos desafios mais prementes da sociedade
atual, no contexto da transição de uma economia linear para uma economia circular.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Uma agricultura mais competitiva e sustentável passará por uma intensificação sustentável
dos processos produtivos, atendendo a especificidades territoriais nomeadamente em função da
qualificação e vocação do solo rústico e gestão sustentável de recursos naturais. É necessário
promover a valorização dos serviços de ecossistemas (incluindo a garantia da integridade do
potencial polinizador), a exploração de novos modelos de produção (através da mobilização da
inovação e de investimento em novas tecnologias, como a agricultura de precisão) e a mobili-
zação e transferência do conhecimento científico). Deverá igualmente internalizar os aspetos
de natureza social e de gestão adequada do capital humano necessário para suportar modelos
intensificados de produção, compatíveis com a capacidade de carga dos diferentes territórios
em termos de infraestruturas, equipamentos e da capacidade de acolhimento e fornecimento
de mão-de-obra, particularmente relevante à escala municipal.
Interessa garantir a competitividade assente na segurança alimentar — assegurando as
necessidades alimentares e nutricionais dos cidadãos —, no aprofundamento da integração nos
mercados, na racionalização dos canais de distribuição (produção-consumo), na capacidade
de alavancar a inovação e as tecnologias para encurtar as distâncias com os mercados e as
cadeias de valor global e no fomento de boas práticas na redução do desperdício alimentar.
Num contexto de maior vulnerabilidade ao risco, a promoção de medidas de gestão, na ótica
da prevenção e da contingência, é fundamental. Importa assim promover a modernização, garan-
tindo e aumentando a capacidade de armazenamento de água, através da eficiência do regadio
instalado e da criação complementar de novas áreas de regadio onde e quando for adequado.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a redução de custos, a eficiência e a sustentabilidade na utilização dos recursos.
2. Fomentar os princípios da economia circular e da bioeconomia na agricultura.
3. Promover o investimento na gestão sustentável dos efluentes pecuários.
4. Prevenir, reduzir e monitorizar o desperdício alimentar.
5. Promover a gestão de risco nas explorações agrícolas.
6. Fomentar a capacidade de produção dos modos de produção sustentável incluindo a
agricultura biológica, nomeadamente pela operacionalização do Portal Bio e pelo Observatório
Nacional da Produção Biológica.
7. Melhorar a distribuição de valor nas diferentes cadeias agroalimentares
8. Promover a transferência de conhecimento para uma gestão sustentável e eficiente dos
recursos e a adoção de produtos e processos inovadores.
9. Implementar o Programa Nacional de Regadios direcionando o apoio à modernização,
incluindo novas áreas do regadio, prioritariamente para as áreas mais afetadas pelas alterações
climáticas e em risco de desertificação.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 131
10. Dar continuidade ao processo de internacionalização agroalimentar.
11. Desenvolver a investigação e a inovação, reforçando capacidades e competências a
partir sistema científico e de ensino superior em articulação com as empresas.
12. Expandir a produção em modo biológico.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação GPP; DGADR; IAPMEI; ANI; Principais Parceiros DRAP, Organizações de Produ-
Municípios; SPGM/Agro- tores Agrícolas e Florestais;
garante; Regiões Autóno- CNCDA, ICNF, CCDR; Associa-
mas ções de Beneficiários e Regan-
tes; Agro-food cluster; Cluster
Produtech; Cluster Tooling &
Engineering; Cluster das indús-
trias da fileira florestal; Colab da
Transformação Digital
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
PAC 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Plano de Ação da Economia Circular;
Estratégia Nacional para os Efluentes Pecuários e Agroindustriais (ENEAPAI); Programa Nacional
de Regadios; Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar; Estratégia Nacional
para a Agricultura Biológica (ENAB); Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação
(PANCD); Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade 2030; Pro-
grama Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030; Estratégia Nacional de Adaptação
às Alterações Climáticas (ENAAC 2020)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Desenvolvimento e reforço de uma agricultura competitiva, viável e sustentável.
- Reforço da segurança alimentar.
- Alinhamento com os princípios da economia circular.
- Diversificação das soluções de tratamentos de efluentes pecuários.
- Consciencialização ambiental dos produtores agropecuários.
- Redução dos níveis de desperdício alimentar, nas diferentes fases da cadeia agroalimentar.
- Aumento da área em agricultura biológica, e da disponibilidade de produtos biológicos
nacionais no mercado.
- Intensificação da atividade agrícola que salvaguarde a manutenção e, em caso disso, a
recuperação da biodiversidade, prioritariamente o sistema nacional de áreas classificadas.
- Aumento da resiliência dos setores produtivos atendendo às disponibilidades de água.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Peso das exportações de bens agroalimentares no total de exportações, por concelho (INE)
- Peso da agricultura biológica na superfície agrícola (%) por região agrária (INE; DGADR)
- Proporção da área de regadio infraestruturada realizada por concelho (%) (DGADR — SIR)
- Emissões de GEE e outros poluentes atmosféricos, nitratos e de outras substâncias de
origem agrícola e agropecuária (APA)
- N.º de patentes de invenções ambientais registadas na agricultura por NUTS II (INE)
- Despesa em investigação e desenvolvimento (I&D — €) das empresas com investigação
e desenvolvimento, na atividade agroalimentar, por NUTS II (INE)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 132
Medida 3.2
TÍTULO: Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 1.3; 3.1; 3.2; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Os territórios rurais apresentam um conjunto de fragilidades particulares, cuja principal
ameaça à sua sobrevivência está ligada ao despovoamento e envelhecimento da população
e o consequente esvaziamento económico, com repercussões na competitividade territorial,
constituindo uma ameaça à manutenção dos valores naturais, paisagísticos, culturais, econó-
micos que lhe estão associados.
Novos desafios e oportunidades são colocados ao desenvolvimento rural. Com o reforço
da consciência socioecológica, começa a existir uma maior abertura para explorar o potencial
de valorização dos ativos locais — não só os recursos mas também o conhecimento — para
promover o desenvolvimento assente em empresas (startups, microempresas, empreendedores),
que exploram os ativos naturais locais de modo sustentável e num ciclo regenerativo, permitindo
o suporte da atividade no longo prazo e a criação de mais-valias, capazes de suportar o retorno
dos investimentos no território.
O desenvolvimento destes territórios dependerá também da capacidade dos locais e das
regiões modernizarem a sua base económica, de fixar e atrair população e de promoverem pro-
cessos de inovação. É crucial o reforço de medidas dirigidas às atividades económicas ligadas
ao setor agrícola, existentes e a criar, de forma a integrarem um mercado mais competitivo, que
potencie o valor acrescentado fixado nas regiões.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A dinamização do desenvolvimento rural deverá basear-se numa estratégia de coordenação
entre os diferentes agentes, setores e territórios promovendo a fixação de população, através
da criação de condições socioeconómicas que viabilizem as economias rurais, nomeadamente
no que se refere ao acesso aos serviços, e a medidas fiscais e sociais.
Importa ainda reconhecer e tirar partido das potencialidades associadas aos diversos
territórios, numa lógica de diversificação inovadora das atividades como, por exemplo, a
valorização paisagística, a conservação e valorização de biodiversidade, o turismo e recre-
ação, a atividade cinegética e a pesca, a produção de energia e a proteção dos recursos
hídricos.
Pretende-se valorizar o mundo rural, contando para tal com a promoção da agricultura
familiar, o apoio às pequenas e médias explorações, e a dinamização de circuitos curtos de
comercialização, como forma da valorizar o rendimento dos produtores, assim como o desen-
volvimento da investigação e consequente aplicação nas atividades produtivas.
Neste sentido, é importante assegurar o desenvolvimento sustentável da economia rural,
designadamente através da preservação da atividade agrícola, florestal e silvopastoril com o
seu caráter multifuncional — económico, social e ambiental —, da promoção da instalação de
novos agricultores/empresários, enquanto fator de rejuvenescimento, capacidade de inovação e
empreendedorismo, e da valorização da agricultura familiar, como contributo para a manutenção
da estrutura social e ocupação dos territórios.
Acresce ainda a importância da qualificação do capital humano, enquanto fator de inova-
ção rural e de fomento do empreendedorismo endógeno; da criação de redes colaborativas
com a comunidade local, enquanto espaços de partilha de conhecimento e da promoção de
processos de inovação e de inserção de novas tecnologias, enquanto facilitadores de acesso
a novos mercados.
Neste contexto, devem ser contempladas iniciativas substanciadas no conhecimento local;
em redes colaborativas; na diversificação de produtos e processos; em empreendedorismo
local e social, que consigam trazer valor acrescentado e investimento externo para os projetos
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 133
baseados na mobilização do capital local. O estabelecimento de parcerias e/ou contratos entre
os fornecedores (agricultores/produtores florestais) de serviços ambientais e os potenciais
beneficiários dos mesmos (setor turístico, de produção de água e energia, de proteção contra
a erosão) deve ser promovido.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover o desenvolvimento económico e sustentável dos territórios rurais.
2. Melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais.
3. Criar novas atividades económicas de valorização e regeneração de ativos locais.
4. Promover a fixação de jovens agricultores e jovens empresários rurais.
5. Promover a modernização da base económica agrícola e rural (promoção de processos
de inovação agrícola e rural)
6. Promover a manutenção e o desenvolvimento da agricultura familiar, designadamente
na vertente agroflorestal.
7. Promover as estratégias de desenvolvimento local.
8. Promover os circuitos curtos, mercados locais e sistemas alimentares locais, adaptando,
quando adequado, os instrumentos de Mercado e de concorrência.
9. Valorizar os produtos locais tradicionais, a paisagem e a cultura dos territórios rurais,
nomeadamente a dieta mediterrânica.
10. Dinamizar redes colaborativas de inovação rural, nomeadamente os Centros de Com-
petências.
11. Fomentar parcerias e contratos de fornecimento dos serviços dos ecossistemas agrí-
colas e florestais
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação GPP; DGADR; SPGM/Agroga- Principais Parceiros APA; CCDR; CIM; Municípios; As-
rante; Regiões Autónomas sociações Empresariais; ICNF,
Associações de Agricultores;
produtores agroflorestais; ADL;
GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
PAC 2014-2020; Plano Estratégico PAC pós-2020; Programa Nacional para a Coesão
Territorial; Estratégia Nacional para as Florestas (ENF); Estratégia Nacional de Conservação
da Natureza e Biodiversidade (2030); Programa de Ação Nacional de Combate à Desertifi-
cação (PANCD)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da atratividade do meio rural.
- Minimização das situações de perda demográfica nos meios rurais.
- Surgimento de novas iniciativas económicas.
- Criação de redes de cooperação para a transferência do conhecimento e da inovação.
- Valorização dos recursos e ativos endógenos com potencial turístico, através da dinami-
zação e animação do território
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 134
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Variação da população residente nos concelhos de baixa densidade, concelho (INE)
- Variação da população residente jovem nos concelhos de baixa densidade, concelho (INE)
- N.º de empresas criadas nos concelhos de baixa densidade, por concelho (INE)
- N.º de postos de trabalho criados nos concelhos de baixa densidade, por concelho (INE)
- Número de explorações agrícolas que recebem apoio para participação em mercados
locais e cadeias de abastecimento curto, por concelho (MAFDR)
Medida 3.3
TÍTULO: Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 3.2; 5.1; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Esta medida visa promover a valorização dos ativos estratégicos nacionais estabeleci-
dos na Estratégia Turismo 2027 (ET27), os quais se agrupam em três categorias: i) ativos
diferenciadores, ii) ativos qualificadores e iii) ativos emergentes a que se junta um ativo
único e transversal — as pessoas. Os ativos diferenciadores consubstanciam atributos-
-âncora que constituem a base e a substância da oferta turística nacional, reunindo uma ou
mais das seguintes características: endógenos — que refletem características intrínsecas
e distintivas do destino/território, que possuem reconhecimento turístico internacional e/ou
elevado potencial de desenvolvimento no futuro; não transacionáveis — que são parte de
um destino/ território concreto, não transferíveis para outro local e não imitáveis; geradores
de fluxos — que estimulam a procura. A ET27 identifica cinco ativos diferenciadores, a sa-
ber: clima e luz; história, cultura e identidade; mar; natureza; água. Os ativos qualificadores
caracterizam-se por enriquecer a experiência turística e/ou acrescentam valor à oferta dos
territórios, alavancados pelos ativos diferenciadores do destino e compreendem os seguintes
ativos: gastronomia e vinhos; Eventos artístico-culturais, desportivos e de negócios. Os ativos
emergentes são ativos que começam a ser reconhecidos internacionalmente e que apre-
sentam elevado potencial de crescimento, podendo no futuro gerar movimentos de elevado
valor acrescentado e de potenciar o efeito multiplicador do turismo na economia: bem-estar;
LIVING — Viver em Portugal.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida visa contribuir para dar resposta aos desafios que se colocam ao turismo
nacional e que estão identificados na ET27, designadamente: (i) pessoas: promover o em-
prego, a qualificação e valorização das pessoas e o aumento dos rendimentos dos profis-
sionais do turismo; (ii) coesão — alargar a atividade turística a todo o território e promover
o turismo como fator de coesão social; (iii) crescimento em valor — ritmo de crescimento
mais acelerado em receitas vs dormidas; (iv) turismo todo o ano — alargar a atividade tu-
rística a todo o ano, de forma que o turismo seja sustentável; (v) acessibilidades — garantir
a competitividade das acessibilidades ao destino Portugal e promover a mobilidade dentro
do território; (vi) procura — atingir os mercados que melhor respondem aos desafios de
crescer em valor e que permitem alargar o turismo a todo ano e em todo o território; (vii) ino-
vação — estimular a inovação e empreendedorismo; (viii) sustentabilidade — assegurar a
preservação e a valorização económica sustentável do património cultural e natural e da
identidade local, enquanto ativo estratégico, bem como a compatibilização desta atividade
com a permanência da comunidade local; (ix) simplificação — simplificar a legislação e
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 135
tornar mais ágil a administração pública e (x) investimento — garantir recursos financeiros
e dinamizar o investimento.
Esta medida concorre para o desenvolvimento de uma abordagem integradora e agregadora
de conhecimento e de competências, mobilizando vários setores para a implementação da ET27,
alinhando-a com os recursos financeiros disponíveis. Para tal, pretende-se dinamizar a organi-
zação e a articulação das diferentes ofertas turísticas existentes, bem como das identidades e
das iniciativas de promoção, numa lógica de maior seletividade de investimentos e de reforço da
coordenação setorial e territorial, contribuindo para a afirmação dos ativos estratégicos turísticos
nacionais e/ou para o reforço da competitividade e da internacionalização do Destino Portugal.
Assim, aposta-se em ações estruturadas de valorização dos ativos do património natural,
cultural e paisagístico dos territórios, através de processo de cocriação de uma identidade e de
um referencial partilhado pelos agentes e pelas populações, e que se ajuste às diferentes neces-
sidades e procuras dos atuais e potenciais turistas. Estas iniciativas deverão também promover
a participação da sociedade nos processos de cocriação e de planeamento turístico.
Pretende-se o desenvolvimento de estratégias de eficiência coletiva de valorização turís-
tica, seja de estruturação e qualificação da oferta ou de promoção da procura, através do apoio
a projetos de valorização económica e de uma gestão ativa do património natural, cultural e
paisagístico dos territórios, que resultem da articulação coerente entre o investimento público,
ou privado sem fins lucrativos, e o investimento de carácter e iniciativa empresarial suscetível
de criar valor acrescentado e emprego.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
Esta medida visa contribuir, de forma transversal para a territorialização da política nacional
de turismo. Os objetivos operacionais — e em linha com o previsto na ET 27 — são os seguintes:
1. Valorizar o Território e as comunidades, envolvendo a conservação e o usufruto do patri-
mónio histórico-cultural e identitário, bem como o património natural, a autenticidade e a vivência
das comunidades locais, a economia do mar e a qualidade urbana das cidades e regiões;
2. Impulsionar a economia, assegurando a competitividade das empresas, a redução de
custos de contexto, a atração de investimento, a economia circular e o estímulo ao empreen-
dedorismo e inovação;
3. Potenciar o conhecimento, dinamizando a formação adaptada às necessidades do mer-
cado e à capacitação de empresários e gestores, criando e difundido conhecimento e afirmando
Portugal como Smart Destination;
4. Gerar redes e conetividade, contemplando a captação e reforço de rotas aéreas, a me-
lhoria dos sistemas de mobilidade rodoferroviária e de navegabilidade, incentivando o trabalho
em rede e promovendo um turismo para todos;
5. Projetar Portugal, reforçando a internacionalização de Portugal enquanto destino para
visitar, investir, viver e estudar, dinamizando o turismo interno e captando congressos e eventos
internacionais.
A afirmação dos ativos estratégicos nacionais decorrerá, em grande medida, da capacidade
de concretização dos objetivos acima definidos.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação TP; ERT; ARPT, IAPMEI; Por- Principais Parceiros ICNF; APA; CCDR; AM; CIM;
tugal Ventures; Regiões DGPC; Municípios; Entidades
Autónomas Gestoras dos Geoparques e
Reservas da Biosfera; Ensino
Superior; Associações Empre-
sariais; ADL; GAL
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 136
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Turismo 2027; Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiver-
sidade 2030; Programa Nacional para a Coesão Territorial.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Preservação e valorização económica sustentável do património natural e cultural e da
identidade local, enquanto ativo estratégico para o desenvolvimento dos territórios, com des-
taque para as regiões rurais.
- Valorização económica das águas interiores enquanto ativo turístico estratégico, fator de de-
senvolvimento económico, social e ambiental da comunidade local e diminuição da sazonalidade.
- Enriquecimento da cadeia de valor do turismo, numa lógica de articulação intersectorial
- Reforço da qualificação e da competitividade turística do País e das regiões.
- Atração de turistas e residentes temporários, diversificando os segmentos da oferta tu-
rística e gerando maior valor acrescentado.
- Territorialização e integração de políticas públicas em torno do turismo.
- Potenciação da participação e da interação entre os agentes económicos e sociais con-
gregando as empresas, associações, universidades e centros de I&D, autarquias, organismos
públicos e sociedade civil.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Capacidade de alojamento a turistas em empreendimentos turísticos e estabelecimentos
de alojamento local, por concelho (N.º camas/utentes) (Registo Nacional de Turismo)
- N.º de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico, por concelho (INE)
- Proporção de hóspedes estrangeiros (%), por concelho (INE)
- Proporção de dormidas (%) nos estabelecimentos hoteleiros entre os meses de julho-
-setembro, por concelho (INE)
- Proveitos totais (€) dos estabelecimentos hoteleiros, por concelho (INE)
- N.º de projetos de I&D+I em setores e subsectores do Turismo (COMPETE)
- N.º instituições dos setores e subsectores do Turismo com atividade de I&D (DGEEC)
- N.º de diplomados no ensino superior, na área de educação e formação ligada ao Turismo,
por concelho de residência do diplomado (DGEEC/RAIDES)
- N.º de empresas com reconhecimento de “Turismo de Natureza” (ICNF)
Medida 3.4
TÍTULO: Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.3; 3.1; 3.2; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A atratividade futura do território depende da perceção do seu valor potencial num mundo
globalizado, da sua capacidade para gerar/atrair poupança e investimento reprodutivo que va-
lorize a “herança territorial” e gere desenvolvimento sustentado a partir do património cultural
e natural.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 137
A valorização sustentável do património cultural, tanto material quanto imaterial, tem um
papel fundamental na reabilitação e revitalização dos territórios, bem como na dinamização da
participação social e do exercício da cidadania. Para isso, é crucial a existência de políticas
integradas e de investimentos adequados que salvaguardem e promovam infraestruturas e
sítios culturais, museus, culturas e línguas autóctones, assim como o conhecimento tradicional
e as artes. Esta medida decorre do reconhecimento de que o desenvolvimento do turismo em
Portugal tem tido um impacto significativo sobre o património, sendo este cada vez mais assu-
mido como um vetor de dinamização da atividade económica. Há assim uma necessidade de
reforçar as políticas de gestão, salvaguarda e valorização do património, seguindo os princípios
da Estratégia para o Século XXI e da Convenção de Faro, que visam dinamizar novas formas de
governança do património cultural assentes na responsabilidade partilhada, no desenvolvimento
sustentável e no acesso democrático à cultura. Por outro lado, é vital promover uma estratégia
para a prevenção e mitigação dos riscos múltiplos, decorrentes de situações de desastre, efeitos
das alterações climáticas ou degradação contínua e lenta do património, articulando-se com
a Estratégia Nacional para a Proteção Civil Preventiva e os planos de gestão de emergência.
Em termos de património natural, os indivíduos procuram cada vez mais novos padrões
de bem-estar, assentes numa maior consciência ecológica e novas perceções de bem-estar.
Esta dinâmica está a alterar os padrões de consumo, implicando um aumento da procura pelas
atividades físicas e desportivas e pelo usufruto da natureza. Assim, novas atividades económicas
estão a surgir, respondendo às novas necessidades dos residentes e dos turistas.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
O PNPOT, ao identificar o potencial e as oportunidades de valorização do território num
horizonte temporal alargado, funciona como uma âncora e um instrumento agregador para
estimular as parcerias e a criatividade dos vários agentes económicos.
Por um lado, esta medida irá promover e agilizar os processos de preservação e rendibi-
lização do património público que se encontra devoluto, tornando-o apto para afetação a uma
atividade económica ou social capaz de gerar riqueza e postos de trabalho, promover o reforço da
atratividade local e regional, a desconcentração da procura turística e o desenvolvimento regional.
Por outro lado, esta medida deve compreender um conjunto de ações que permitam dar
forma a uma abordagem integradora com vista à gestão do património, através de novas for-
mas de governança e com base em parcerias e redes colaborativas, suportadas numa gestão
partilhada, seguindo o princípio de cooperação e intercâmbio, mas também da rentabilização
do património existente. Pretende-se aumentar a cooperação das entidades do setor público
e privado, bem como das comunidades, na proteção e dinamização do património cultural e
natural, contribuindo para aumentar o acesso e o usufruto do património.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a preservação e valorização do património edificado segundo as normas
técnicas e as regras da arte.
2. Promover uma melhor gestão do património cultural e natural.
3. Assegurar as condições para a resiliência do património cultural em perigo.
4. Reforçar o valor económico e social do património cultural e natural, assegurando a sua
exploração de forma sustentável.
5. Incrementar o conhecimento, a fruição e a responsabilização dos cidadãos na governança
do património cultural e natural.
6. Fomentar redes de parceria e de desenvolvimento em torno do património cultural e
natural.
7. Valorizar as culturas de construção tradicional.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 138
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação TP; DGPC; DGTF; IAPMEI; Principais Parceiros CCDR; ANPC; ICNF; DGADR;
Regiões Autónomas; Ensino Superior; ADL; GAL;
Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Turismo 2027; Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas
(ENAAC 2020); Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva; Estratégia Nacional
de Educação para a Cidadania; Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversi-
dade (2030); Estratégia Nacional para o Portugal Pós 2020; Politica Nacional de Arquitetura e
Paisagem; Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020; Estratégia Nacional para a Gestão
Integrada da Zona Costeira (ENGIZC); Estratégia Nacional para as Florestas (ENF); Nova Ge-
ração de Políticas de Habitação; Programa Nacional para a Coesão Territorial
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Diminuição dos riscos associados ao património histórico-cultural e promoção da cultura
de prevenção a nível territorial.
- Diminuição do número de edifícios públicos devolutos e rentabilização dos ativos territoriais.
- Criação de riqueza e postos de trabalho.
- Reforço da atratividade turística de diferentes destinos regionais e desconcentração da
procura por várias regiões do País.
- Promoção da responsabilidade partilhada na governança do património cultural e fomento
da relação entre as comunidades/cidadãos e o seu património cultural.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de bens e sítios patrimoniais com planos de emergência, por concelho (DGPC) (DGPC)
- N.º de intervenções de qualificação no património, por concelho (Câmaras Municipais)
- N.º de projetos de I&D+I em setores culturais, por NUTS III (COMPETE)
Medida 3.5
TÍTULO: Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.1; 2.2; 2.3; 3.2; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Cada vez mais se reconhece a capacidade do comércio e dos serviços alavancarem o
desenvolvimento e a revitalização económica. A regeneração comercial e empresarial e o desen-
volvimento turístico precisam de ser geridos num País que tem aumentado exponencialmente
a sua capacidade de atração e que se posiciona em lugar de destaque a nível europeu e até
mundial. Assim sendo, é necessário capitalizar e rendibilizar as oportunidades oferecidas pelos
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 139
processos de recuperação económica e desenvolvimento associados ao urbanismo comercial,
à economia criativa, às atividades de serviços e ao surgimento de novos empreendedores e
de novos modelos de negócio que estão a revitalizar e a alterar as dinâmicas de recuperação
e utilização dos espaços urbanos.
É evidente a capacidade de inovação da oferta de comércio e serviços nas principais
cidades portuguesas, mas o potencial urbano, que está a ser descurado, deve ser contrariado
como forma de dinamizar e revitalizar os espaços urbanos e de promover a qualidade de vida
nas cidades e nas periferias urbanas envolventes.
As áreas comerciais dos centros das cidades têm de ser revitalizadas e as áreas empre-
sariais abandonadas e degradadas, existentes em diferentes contextos urbanos, têm de ser
regeneradas em termos económicos e urbanísticos.
A dinâmica do comércio e serviços online vai trazer repercussões territoriais muito signi-
ficativas que é necessário acautelar. Simultaneamente a procura desencadeada pela atrativi-
dade turística está a renovar completamente as atividades de alguns espaços urbanos, sendo
necessário refletir as repercussões económicas, mas também sociais (repulsão de atividades
e de residentes). Por fim, a recirculação de bens, a troca de produtos e de serviços, e a partilha
de ativos produtivos (coworking) está de certa forma também a alterar as práticas de comércio
e serviços.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Pretende-se potenciar a revitalização económica do comércio e dos serviços das cidades
e metrópoles portuguesas. Esta medida entende o comércio e os serviços não só como ativida-
des que satisfazem as necessidades básicas da população e concorrem para aumentar a sua
qualidade de vida, mas também como atividades que permitem valorizar o potencial cultural,
lúdico e turístico.
Numa primeira perspetiva, é importante criar estratégias para potencializar o dinamismo
económico associado ao comércio e aos serviços como forma de estruturar o espaço urbano
e estimular os processos de recuperação dos espaços urbanos devolutos. Isto passa por uma
gestão adequada da oferta, das tipologias e especialidades, tendo em conta o papel de cada
centralidade urbana e a resposta às necessidades básicas (de primeira necessidade) das po-
pulações. No caso particular do comércio, a criação de estímulos à instalação de pequenos
empreendedores de atividades quer básicas quer diferenciadoras deve equilibrar a captação de
investimentos de maior envergadura. Numa segunda perspetiva, isto passa pelo potenciamento
do setor cultural e turístico, através da promoção de ativos locais e da preservação do patrimó-
nio material e imaterial como ativo central de atração e dinamização dos espaços urbanos, de
estímulo às atividades económicas urbanas e à captação de capital nacional/estrangeiro. Nesse
sentido, deve reforçar-se o trabalho em rede interinstitucional, a cooperação intersectorial e as
formas locais de intervenção, seguindo lógicas intraurbanas e interurbanas, tendo em vista o
desenvolvimento de uma oferta integrada, mas diferenciadora. Esta oferta física de comércio
e serviços andará no futuro a par de uma oferta muito agressiva de produtos e serviços online
que é necessário avaliar os impactos.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Providenciar uma oferta comercial e de serviços que satisfaça as necessidades das
populações (residentes e visitantes), potenciando polarizações e contribuindo para estruturar
e estimular, económica e urbanisticamente, as áreas urbanas onde se inserem.
2. Regenerar e aumentar a atratividade dos espaços urbanos através do desenvolvimento
comercial e empresarial, numa lógica de afirmação regional e/ou internacional.
3. Recuperar áreas urbanas devolutas ou abandonadas, através de estratégias de articu-
lação de pequenos empreendedores com abordagens inovadoras com o poder estruturante de
grandes marcas internacionais.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 140
4. Aumentar a especialização e a diferenciação da oferta de bens e serviços associados
às atividades de comércio e serviços culturais, turísticos e de lazer, concertando agendas inte-
gradas, como forma de alavancar o desenvolvimento urbano e territorial.
5. Desenvolver “marcas territoriais”, assentes no comércio, nos produtos locais e nos
valores culturais e patrimoniais, que promovam as especificidades urbanas/regionais e sejam
fatores de diferenciação.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coordenação SEAC/DGAE; Regiões Au- Principais Parceiros Organizações de Cariz Cultural;
tónomas ANMP; AT; Associações Co-
merciais e Empresariais; DGPC;
Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Revitalização económica dos espaços urbanos, criação de emprego e atração de inves-
timento e visitantes.
- Melhoria do ordenamento comercial.
- Reforço da atratividade/atividade turística dos espaços urbanos.
- Modernização e qualificação na prestação do comércio e dos serviços.
- Dinamização da economia circular no comércio e serviços.
- Reforço dos negócios associados a novos conceitos (comércio sustentável, comércio
justo, comércio e serviços de partilha, entre outros).
- Revitalização e inovação empresarial do comércio e serviços nos espaços urbanos.
- Dinamização do comércio online e da economia de partilha.
- Promoção do empreendedorismo e da inovação (empresarial, comercial, cultural, criativa
e turística).
- Dinamização dos serviços e do comércio de proximidade nas áreas fortemente residenciais.
- Fortalecimento das dinâmicas comerciais, culturais e criativas nos espaços urbanos
principais.
- Preservação e capitalização dos produtos locais e do património material e imaterial.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Total de estabelecimentos no comércio e serviços por Concelho, anual (INE)
- Total de estabelecimentos no comércio e serviços no(s) Centro(s) Urbano(s), anual (INE)
- Variação anual de estabelecimentos no comércio e serviços no Concelho (INE)
- Total de emprego no comércio e serviços no Concelho, anual (INE)
- Total de emprego no comércio e serviços no(s) Centro(s) Urbano(s), anual (INE)
- Variação anual do emprego no comércio e serviços (INE)
- N.º de estabelecimentos financiados anualmente relativamente ao n.º total de estabele-
cimentos (COMPETE)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 141
Medida 3.6
TÍTULO: Promover a economia do mar
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 1.3; 3.2; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O Crescimento Azul — a promoção do crescimento sustentável de longo prazo no conjunto
dos setores marinho e marítimo — é reconhecido enquanto motor da economia nacional e eu-
ropeia, com grande potencial para a inovação e o crescimento socioeconómico.
Num quadro do desenvolvimento económico e social do território e das comunidades costei-
ras é importante potenciar o aproveitamento dos recursos do oceano e das atividades ligadas à
economia do mar, de forma sustentável e respeitadora do ambiente, garantindo uma coordenação
eficiente e integração coerente nos Instrumentos de Gestão Territorial, em particular, a articulação
entre o ordenamento do espaço marítimo e o ordenamento da zona costeira. Torna-se também
necessária a avaliação da eficácia da dinâmica do Crescimento Azul num contexto territorial, em
particular, nas zonas identificadas de maior interdependência e incidência territorial.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A presente medida visa potenciar o aproveitamento dos recursos do oceano e zonas cos-
teiras, promovendo o desenvolvimento económico e social, de forma sustentável e respeitadora
do ambiente, através de:
- Utilização dos recursos vivos, através da pesca e atividades económicas associadas, como
a transformação e valorização do pescado, que constitui uma fileira com enorme tradição em
Portugal e um peso social e económico relevante, que importa valorizar, e que contribui para a
redução da dependência externa do abastecimento para o consumo nacional,
- Desenvolvimento da aquicultura e da produção salineira e no aproveitamento de recursos
genéticos no âmbito do desenvolvimento da biotecnologia marinha setores de atividade com
potencial de crescimento;
- Exploração e desenvolvimento das energias renováveis oceânicas que apresentam
potencial para contribuir para o desenvolvimento de um vasto conjunto de atividades, através
da implementação de uma política industrial inovadora focada na criação de uma nova fileira
exportadora;
- Dinamização dos portos comerciais, que apresentam um desenvolvimento económico
significativo, acompanhado de uma diversificação da oferta de infraestruturas e serviços portu-
ários, designadamente o GNL, visando o reforço da sua capacidade competitiva;
- No reordenamento de portos de pesca e varadouros, a articular com o setor dos portos
de recreio e marinas, tendo em vista garantir condições de segurança, de acesso e infraestru-
turas, a criação de sinergias e, simultaneamente, a mitigação de potenciais conflitos no uso do
espaço litoral nacional;
- Na náutica de recreio e no turismo marítimo (cruzeiros), setores com significativo potencial
de crescimento em Portugal, com destaque para o turismo costeiro (sol e mar);
- A criação, num quadro ordenado, das necessárias infraestruturas de apoio, como ma-
rinas e centros náuticos e reparação naval, poderá ser um fator catalisador do incremento de
atividades desportivas;
- Com a expansão da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal criam-se novas opor-
tunidades para a valorização económica e ambiental do País;
- Reanimação e apoio à atividade de construção e reparação naval.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Concretizar o potencial económico, geoestratégico e geopolítico do território marítimo na-
cional, tornando-o um ativo com benefícios económicos, sociais e ambientais permanentes.
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2. Criar condições para atrair investimento, nacional e internacional, em todos os sectores
da economia do mar, promovendo o crescimento, o emprego, a coesão social e a integridade
territorial e aumentando a contribuição direta do sector mar para o PIB nacional.
3. Reforçar a capacidade científica e tecnológica nacional, estimulando o desenvolvimento
de novas áreas de ação que promovam o conhecimento do oceano e potenciem, de forma eficaz,
eficiente e sustentável, os seus recursos, usos, atividades e serviços dos ecossistemas.
4. Potenciar as cadeias de valor e os territórios associados à economia do mar garantidas
pela articulação entre o ordenamento do espaço marítimo e ordenamento da zona costeira.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coor- DGPM; DGRM; IAPMEI; Portugal Principais Parceiros IPMA; CCDR; ICNF, Municípios;
denação Ventures; ANI; Administrações Cluster do Mar; Cluster Produtech;
Portuárias; Docapesca; Regi- Cluster Tooling & Engineering Ceiia;
ões Autónomas Associações Empresariais; Colab da
Transformação Digital; ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional para o Mar (ENM); Estratégia para o Aumento da Competitividade
da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026; Estratégia Industrial para as
Energias Renováveis Oceânicas (EI-ERO); Estratégia Nacional da Conservação da Natureza
e Biodiversidade 2030
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aproveitamento dos recursos naturais marítimos, criando atividades económicas susten-
táveis e diversificando a matriz de desenvolvimento regional.
- Boas práticas ambientais e benefícios sociais na exploração dos recursos marinhos vivos
e não vivos.
- Atividade portuária comercial articulada, maximizando o seu potencial agregado e a in-
tegração nas redes de transportes e cadeias logísticas.
- Portos de pesca e varadouros reestruturados e ordenados segundo uma perspetiva eco-
nomicamente sustentável, socialmente inclusiva e geradora de emprego, tirando partido dos
valores estéticos em que se inserem e maximizando os benefícios locais.
- Náutica desenvolvida nas vertentes de recreio, educação, desporto e turismo, integrando
uma rede de apoios náuticos em áreas estratégicas do País, com forte intervenção territorial
(plataformas de construção e comercialização e assistência de meios e equipamentos).
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Valor Acrescentado Bruto no setor da economia do mar (INE)
- Formação Bruta de Capital Fixo no setor da economia do mar (INE)
- N.º de empresas do setor da economia mar, por concelho (INE)
- Taxa de volume de negócios relativos à Pesca Sustentável (Agenda 20-30 Oceano)
- N.º de projetos de I&D+I no setor da economia do mar (COMPETE)
- Taxa de financiamento dirigida à inovação nos sectores da economia do mar (ANI)
- Pessoal ao serviço em empresas do setor da economia do mar, por concelho (INE)
- Volume de negócios das empresas do setor da economia do mar, por concelho (INE)
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Medida 3.7
TÍTULO: Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de trabalho
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.1; 2.2; 2.3; 3.1; 3.2; 3.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A capacitação do capital humano (nível de escolaridade dos trabalhadores e aprendizagem
ao longo da vida) proporciona mais e melhores oportunidades de vida e é um fator essencial para
a produtividade da economia. Ao longo das últimas décadas, Portugal tem registado significativas
melhorias na qualificação da população (consequente do alargamento da escolaridade obrigatória
e da democratização do acesso ao ensino). Contudo, o País continua a deter baixos níveis de
instrução e qualificação em comparação com a maioria dos países da União Europeia. A distri-
buição do capital humano a nível nacional evidencia um perfil espacial caracterizado pela forte
concentração geográfica dos mais qualificados nas áreas metropolitanas e nas principais cidades.
Por outro lado, a taxa de desemprego continua a ser superior à média da União Europeia
e registam-se ainda acentuadas dificuldades de integração no mercado de trabalho, sobretudo
no que se relaciona com a empregabilidade da população mais jovem ou dos desempregados
de longa duração. A precariedade do trabalho e os baixos níveis remuneratórios dominam em
áreas com uma base económica intensiva em trabalho.
Em termos territoriais, a problemática do emprego deve ser central nas políticas de inser-
ção social, pois o comportamento socioespacial faz emergir uma segmentação baseada no
desemprego, na desqualificação, na precariedade e nos baixos salários, sobretudo localizada
no Noroeste do País e na Região Norte, e no Algarve por efeitos da sazonalidade laboral. Esta
evidência realça a importância de interligar as políticas de qualificação e de emprego aos de-
safios de revitalização e qualificação das respetivas bases económicas.
Assim, é fundamental territorializar as políticas de qualificação do emprego e de inserção
dos ativos no mercado de trabalho, potenciando e reforçando o empreendedorismo e a com-
petitividade da base económica local e regional.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Pretende-se atender às situações de maior vulnerabilidade em termos de emprego, de
qualificação e de inserção no mercado de trabalho, através de intervenções que visem:
- Contribuir para a melhoria da produtividade e da competitividade das empresas, através
da qualificação profissional dos trabalhadores, particularmente dos menos qualificados;
- Melhorar a adequação das competências dos recursos humanos às necessidades do
mercado de trabalho;
- Reforçar as atividades de aprendizagem ao longo da vida, inseridas no contexto empresarial;
- Potenciar a empregabilidade dos mais jovens, bem como a possibilidade de progresso
profissional e pessoal, através de cursos de aprendizagem;
- Combater as injustiças espaciais, no que se refere à integração no mercado de trabalho
e à qualidade do emprego;
- Reforçar os apoios ao empreendedorismo e à criação de autoemprego por jovens e
desempregados;
- Combater o desemprego de longa duração, a informalidade económica e a precariedade
laboral e social;
- Reforçar o estabelecimento de redes de parcerias para a formação/qualificação profis-
sional e a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Diminuir as disparidades territoriais em termos de capacitação dos recursos humanos
e dos indicadores de desemprego e de precariedade do emprego.
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2. Combater os elevados défices de qualificação da população portuguesa.
3. Apoiar os jovens e os adultos na identificação de respostas educativas e formativas
adequadas.
4. Promover a inserção dos jovens qualificados no mercado de trabalho.
5. Criar condições para a inserção dos desempregados de longa duração na vida ativa.
6. Apoiar o empreendedorismo e a criação de autoemprego e de micronegócios por parte
dos jovens e dos desempregados.
7. Promover uma melhor articulação entre a procura e oferta de emprego, nomeadamente
no trabalho sazonal, por exemplo, na agricultura e no turismo.
8. Dinamizar iniciativas de economia social, empreendedorismo e inovação.
9. Aumentar a eficácia e a eficiência na utilização dos recursos públicos nacionais e comu-
nitários mobilizados em iniciativas de formação e de incentivo à empregabilidade.
10. Combater situações de precariedade laboral e social, e de desemprego.
11. Prevenir e combater as desigualdades entre mulheres e homens, e promover a conci-
liação da vida profissional, familiar e pessoal.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coor- IEFP, ANQEP, IAPMEI; CITE, CIG, Principais Parceiros CCDR; Escolas Profissionais; Mu-
denação Portugal Ventures; Regiões Autó- nicípios; Freguesias; Entidades
nomas Gestores dos Clusters; Portugal
Clusters; Associações Empre-
sariais; Empresas; Parceiros
sociais, ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Agenda Digital para a Educação (em elaboração); Estratégia de Inovação Tecnológica e
Empresarial para Portugal 2018-2023; Iniciativa Portugal i4.0; Programa Nacional para a Coesão
Territorial, Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação 2018-2030 “Portugal + Igual”
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Melhoria da qualificação dos recursos humanos.
- Ajustamento dos programas de formação e qualificação dos ativos às necessidades do
tecido empresarial nacional, de acordo com os perfis de especialização local e regional.
- Promoção de ações de empreendedorismo e de inovação social, e reforço da criação de
autoemprego por parte da população jovem e desempregada.
- Aumento da inserção laboral de jovens qualificados.
- Melhoria da qualidade do emprego e incentivo a vínculos laborais mais estáveis.
- Maior integração laboral dos desempregados de longa duração e dos inativos.
- Promoção da mobilidade geográfica do mercado de trabalho (temporária e permanente).
- Redução das situações de precariedade laboral e social.
- Redução do risco de pobreza e de exclusão social da população mais jovem desempre-
gada ou desqualificada.
- Diminuição das situações de jovens que não estão a trabalhar, não frequentam o sistema
de ensino, nem estão em formação (NEET).
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de indivíduos que concluíram os cursos de aprendizagem, por concelho (IEFP/
MTSSS)
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- Desempregados registados de longa duração inseridos na vida profissional, por sexo,
por concelho (IEFP/MTSSS)
- Desemprego registado jovem, por concelho (IEFP/ MTSSS)
- Desemprego registado jovem qualificado, por concelho (IEFP/ MTSSS)
- % de trabalhadores por conta de outrem com contratos a termo, por concelho (Quadros
de Pessoal, GEP/MTSSS)
- % de trabalhadores por conta de outrem a tempo parcial, por concelho (Quadros de
Pessoal, GEP/MTSSS)
- Evolução do pessoal ao serviço, por tipo de contrato, sexos e grupos etários, por concelho
(INE; MTSSS)
Medida 3.8
TÍTULO: Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.1; 2.3; 3.2; 3.3; 5.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A estratégia de criação de clusters de competitividade, seguida nos últimos quadros co-
munitários, contribuiu para uma especialização produtiva dos territórios, por via da agregação
de conhecimento e de competências em torno de determinadas atividades económicas, tirando
partido das economias de aglomeração. As atuais estratégias de especialização inteligente
(ENEI e EREI) devem ser aprofundadas tendo em vista evidenciar os efeitos das economias
de aglomeração, que beneficiem das economias das redes e da capacidade de criar proximi-
dade multidimensional (territorial, social, cognitiva, organizacional, entre outras) e multiescalar
(local, regional, nacional, internacional e global), orientando-se para o reforço das relações
de complementaridade que possam acelerar os processos de inovação e, assim, aumentar a
competitividade e o crescimento económico.
A diversidade de mosaicos de atividades económicas observados no território nacional induz
ao desenvolvimento de estratégias baseadas nas especificidades territoriais, na potenciação dos
seus recursos diferenciadores e no capital territorial em geral, através do reforço dos processos
de inovação desenvolvidos no seio desses ecossistemas de base territorial, alinhados com a
estratégia de especialização inteligente. São necessárias políticas públicas que ajudem, nuns
casos, a germinar e, noutros, a evoluir para estádios mais avançados. Urge criar e/ou reestru-
turar o sistema de governança dos ecossistemas; identificar e caracterizar o capital territorial
de cada ecossistema; construir objetivos e metas partilhados e tangíveis; reforçar e/ou articular
as infraestruturas tecnológicas de inovação; reforçar a produção de conhecimento aplicado
aos objetos do ecossistema; robustecer a capacidade organizacional; identificar e fortalecer
as organizações com papel de liderança, de spillover e de broker; diversificar as esferas ins-
titucionais envolvidas nos processos de inovação de cada ecossistema; reforçar os canais de
financiamento à inovação e ao empreendedorismo; reforçar as redes endógenas à escala local
e regional; difundir e enraizar uma cultura local de inovação e empreendedorismo nos atores do
ecossistema e na generalidade das comunidades locais/regionais; criar e intensificar as redes
exógenas às escalas nacional, internacional e global.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Trata-se de uma medida de ação agregadora de iniciativas de germinação e robustecimento
das diferentes componentes dos ecossistemas de inovação de base territorial, que procura
integrar um leque de instrumentos flexíveis cuja aplicação territorial deve seguir geometrias
variáveis em função dos estádios de evolução de cada um dos ecossistemas de inovação de
base territorial. Assim, a medida abrange os seguintes aspetos:
- Identificação e caracterização das componentes dos ecossistemas territoriais de inovação,
considerando as especificidades do capital territorial de cada ecossistema, e aprofundamento
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 146
do conhecimento sobre os clusters e a sua envolvente, favorecendo a integração atendendo à
especialização dos clusters e aos outros setores com eles relacionados, em consonância com
a especialização inteligente;
- Identificação das áreas prioritárias do investimento público em I&D, assente em proces-
sos participados e colaborativos, estimulando sistemas de governança que reforcem as redes
locais e regionais de conhecimento e inovação, e a sua inserção noutras escalas territoriais de
interação (nacional, internacional e global);
- Reforço da rede de polos de empreendedorismo e inovação e das suas interligações, ba-
seado em complementaridades e em relacionamentos diversificados com outros setores, através
do apoio às iniciativas empreendedoras e à criação do próprio emprego, que contribuem para
incrementar a cultura empreendedora, a aceleração da inovação e a orientação internacional
das ideias de negócio;
- Capacitação das organizações do sistema científico nacional (universidades, institutos
de investigação e politécnicos), estimulando a ciência empreendedora, as universidades em-
preendedoras e os cientistas empreendedores, reforçando a contratação de investigadores e
docentes (jovens doutorados), estimulando a produção de conhecimento avançado e a quali-
ficação do capital humano especializado nas temáticas com forte apropriação territorial, assim
como a valorização económica do conhecimento e dos processos de I&D por via das ligações
às empresas e a outros atores territoriais;
- Capacitação dos Centros de Interface e dos Laboratórios Colaborativos nas áreas-chave
de cada um dos ecossistemas territoriais de inovação levando em conta os clusters existentes e
as estratégias de especialização inteligente, para facilitar as relações entre os diferentes atores
do ecossistema, favorecendo a capacidade de absorção de conhecimento pelas organizações
empresariais e o spillover institucional e social, e contribuindo para a atração de empresas intensi-
vas em conhecimento, inovação e emprego qualificado, nomeadamente o emprego científico;
- Geração de processos de cocriação económica, com os utilizadores e cidadãos (open
innovation e espaços de open innovation), reforçando as atividades partilhadas, envolvendo todas
as partes nos processos de empreendedorismo em processos colaborativos de aprendizagem,
experimentação e partilha dos riscos associados a estes processos;
- Atração e criação de financiamento (incluindo capital de risco) associado a estruturas de
apoio administrativo ao investimento e ao envolvimento de empreendedores experientes para
o desempenho do papel de mentores e financiadores de novas atividades de startups.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Identificar e caracterizar as componentes dos ecossistemas territoriais de inovação.
2. Identificar as áreas prioritárias do investimento público em I&D+i.
3. Aumentar a capacidade de absorção de conhecimento por parte das organizações em-
presariais, do setor público e do terceiro setor.
4. Reforçar a rede de polos de empreendedorismo e inovação e a sua interligação baseada
em complementaridades e relacionamentos diversificados com outros setores.
5. Capacitar as infraestruturas tecnológicas para a transferência de tecnologia para o
mercado, o setor público e o terceiro setor.
6. Criar e capacitar centros de interface nas áreas-chave de cada um dos ecossistemas
territoriais de inovação.
7. Incentivar as empresas a apostar no desenvolvimento de produtos e serviços com in-
corporação de valor local ou regional.
8. Gerar processos de cocriação económica, estimulando a criação de redes multiescalares
de conhecimento e inovação.
9. Dinamizar um crescimento económico inclusivo.
10. Atrair financiamento privado e reforçar o financiamento à inovação e ao empreende-
dorismo.
Diário da República, 1.ª série
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11. Reforçar a rede de municípios que apoiam o empreendedorismo responsável à escala
local e regional.
12. Promover a integração vertical dos clusters (passando a integrar desde o setor primário
até ao setor terciário).
13. Aumentar a articulação entre os diferentes clusters (interclusterização), indo de encontro
à Estratégia de Especialização Inteligente.
14. Criação de incubadoras de inovação e empreendedorismo social de base local e re-
gional e promoção de programas de aceleração para projetos neste domínio
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades de Coor- IEFP, CASES; AICEP; ANI; Principais Parceiros Administrações Portuárias; Entidades Ges-
denação FCT; IAPMEI; CCDR; toras de Clusters; Rede Nacional de Fa-
DGPM; DGRM; IPMA; bLabs e Makers; SPGM; Empresas; Setor
AD&C; Portugal Ventures; Solidário e Social; ONG; Associações Em-
Regiões Autónomas presariais; COTEC Portugal; Ensino Su-
perior; Entidades do SCT; EMPIS; DGAE;
Centros de Competências; ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional de Especialização Inteligente (ENEI); Estratégia de Economia Circular;
Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável; Estratégia para o Aumento da Competitivi-
dade de Redes de Portos Comerciais do Continente — Horizonte 2026; Observatório do Atlântico;
Programa Nacional para a Coesão Territorial; Lei da Ciência; Estratégia de Inovação Tecnológica e
Empresarial para Portugal 2018-2023; Programa GoPortugal; Programa INTERFACE; Programa La-
boratórios Colaborativos (CoLabs); Programa Clube de Fornecedores; Programa Nacional de Clusters
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Capacitação das organizações dos ecossistemas, aumentando a capacidade de produção,
absorção e capitalização do conhecimento.
- Reforço dos sistemas de governança dos ecossistemas de inovação de base territorial a
partir das plataformas de interface e colaborativas (clusters de competitividade, polos/centros
tecnológicos, polos de empreendedorismo e inovação, plataformas digitais, entre outros).
- Aumento do empreendedorismo e dos processos de criação e evolução das startups nos
sistemas de inovação de base territorial.
- Incremento dos processos de I&D+i em rede colaborativa de cocriação económica e do
subsequente spillover local do conhecimento.
- Intensificação da inovação nos territórios rurais e reforço das redes colaborativas inter-
regionais e urbano-rurais.
- Reforço da especialização em atividades mais intensivas em conhecimento e tecnologia,
com reflexos na subida das exportações destes bens, serviços, conteúdos e conceitos.
- Aumento do emprego em geral e do emprego qualificado, particularmente o emprego
jovem, científico e a atração de “talentos” estrangeiros para as empresas e para a investigação
no ensino superior, com vínculos estáveis.
- Aumento da atratividade de investimento direto estrangeiro e de poupanças internacionais
que contribuam para reforçar as exportações de bens, serviços, conteúdos e conceitos.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de projetos de I&D+i em rede interorganizacional, por concelho (ANI; FCT)
- N.º de empresas pertencentes a clusters, por concelho (IAPMEI)
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- Número de Empresas gazelas, por concelho (INE)
- Nascimentos de empresas em setores de alta e média-alta tecnologia, por NUTS III
(INE)
- Proporção de exportações de produtos e bens de alta tecnologia (%), por NUTS III
(INE)
- Proporção da despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) no PIB (%), por NUTS III
(INE)
- Despesas em I&D das instituições e empresas com atividade em I&D, NUTS III (INE)
- Valor Acrescentado Bruto, por NUTS III (INE)
- Evolução da produtividade, por concelho e NUTS III (INE)
- Produto Interno Bruto, por NUTS III (INE)
- Emprego científico segundo o vínculo laborar, por NUTS III (FCT)
Medida 3.9
TÍTULO: Reindustrializar com base na Revolução 4.0
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.1; 2.2; 2.3; 3.2; 3.3; 4.3; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Reindustrializar significa aderir ao modelo da economia do conhecimento, enfatizando a
produção cada vez mais integrada de bens e serviços.
A convergência entre o mundo físico, os sistemas biológicos, as ciências da vida e as
tecnologias digitais está na base da 4.ª Revolução Industrial. O forte impacto da internet e a
emergência da indústria 4.0 gera a necessidade de ativar novos modelos territoriais que apro-
fundem a estratégia de especialização inteligente. As mudanças tecnológicas resultantes da
integração, interligação e inteligência dos sistemas ciberfísicos e a tendência de digitalização
da economia permitem antever mudanças socioeconómicas significativas, implicando transfor-
mações nos atuais sistemas produtivos e até a emergência de novos setores ou, pelo menos,
reconfigurações dos setores existentes.
A disrupção digital é a fonte de diversas mudanças. Antevê-se a emergência de um novo
ambiente económico e social, alavancado pela conetividade digital, do ciberespaço e da reali-
dade virtual, permitindo mais inovação, eficiência e realidade virtual. Perante a emergência desta
conetividade no sistema socioeconómico, é necessário gerar as condições para uma maior
integração produtiva, mais flexível, assente no conhecimento e na inovação, suportada nas
tecnologias digitais, na internet das coisas, em objetos inteligentes e interconectados, em que
as vantagens competitivas assentam no mercado que privilegia a qualidade e a diferenciação,
em que são determinantes as alianças estratégicas e as parcerias e as redes.
Esta perspetiva de mudança socioeconómica implica não só reforçar as infraestruturas,
mas também dinamizar processos de adaptação de base territorial.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida de ação, simultaneamente intersectorial e de base territorial, procura aler-
tar para a necessidade de antecipar, preparar e capitalizar as grandes mudanças que vão
ocorrer até 2050. Estando em causa mudanças estruturais, deve-se incidir nos principais
sistemas socioeconómicos, nomeadamente nos sistemas de ensino e formação profissional,
de formação superior, de investigação, e nos sistemas económico, financeiro e legislativo,
procurando promover transformações no sentido da adaptação, incorporação e produção das
tecnologias 4.0.
A inovação será mais colaborativa, assente em meios de produção conectados, flexíveis,
robotizados e inteligentes, integrando as cadeias de logística e os canais digitais de distribuição
e serviços.
Diário da República, 1.ª série
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Deverá haver um maior foco em atividades de alto valor acrescentado, com um reforço
crescente nas ligações entre indústria e serviços, com uma oferta muito mais personalizada,
com uma fabricação mais distribuída, através da impressão 3D, em que os clusters serão mais
abrangentes, integrando o setor terciário e/ou o setor primário, e haverá um novo reposiciona-
mento das empresas nas cadeias de valor globais.
É central a promoção das competências digitais, pois serão transversais às necessida-
des socioeconómicas, mas importa continuar a (re)qualificar os recursos humanos, sobretudo
as formações dirigidas para as atividades de serviços, tanto a montante (design, engenharia
e desenvolvimento) como a jusante (circuitos de distribuição e ligação aos clientes, serviços
pós-venda e gestão da marca e da imagem do produto), tendo presente as necessidades dos
ecossistemas de inovação de base territorial em processos de mudança.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Adequar os conteúdos programáticos do ensino básico, secundário e profissional, a
oferta formativa do ensino superior e a oferta de (re)qualificação e formação profissional às
novas exigências tecnológicas e relacionais.
2. Avaliar de que forma o ensino superior e o sistema científico podem posicionar-se aten-
dendo aos diferentes ativos regionais.
3. Promover a cooperação interinstitucional de base territorial, para preparar os processos
de mudança, de forma a dinamizar processos de adaptação de base territorial.
4. Desenvolver o papel das startups na inovação tecnológica direcionada à indústria 4.0.
5. Promover a tecnologia 4.0 portuguesa no mercado externo, a internacionalização das
empresas e a atração de investimento estrangeiro.
6. Promover a reindustrialização de Portugal com base na “nova fábrica do futuro”, isto é,
empresas que integrem produtos e serviços e que visem a criação de soluções com alto valor
acrescentado.
7. Reforçar a inserção nas cadeias globais de produção, abastecimento e distribuição, e
simultaneamente reforçar a participação nas redes digitais globais que integram horizontalmente
todos os segmentos da cadeia de valor.
8. Apostar na inovação de sectores estratégicos de produção nacional, com base no apro-
veitamento de potencialidades e recursos existentes em cada território.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
COTEC Portugal; ACEPI; ISQ; IPQ; SPGM; PME
Entidades IAPMEI; FCT; ANI; CCDR; Investimentos; Entidades Gestoras de Clusters;
Principais
de DGPM; Regiões Autóno- Associações empresariais; Centros de Interface
Parceiros
Coordenação mas e Centros Tecnológicos; Colab da Transformação
Digital; Ensino Superior; Entidades do SCT
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Iniciativa Portugal i4.0; Estratégia Nacional de Especialização Inteligente (ENEI); Estratégias
Regionais de Especialização Inteligente (EREI)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Capacitação do capital humano e do capital social em geral nas tecnologias digitais. SOCIAL
- Aceleração da adoção das tecnologias e dos conceitos da indústria 4.0 no tecido empre-
sarial português.
- Ajustamento dos sistemas de inovação de base territorial à Revolução Industrial 4.0.
Diário da República, 1.ª série
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- Reforço da presença e visibilidade internacional das empresas tecnológicas portuguesas
e, consequentemente, aumento das exportações.
- Conversão de Portugal num hub atrativo para o investimento no contexto 4.0.
- Reforço do processo da reindustrialização
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- VAB das industrias da alta e média-alta tecnologia, por NUTS III (INE)
- VAB dos serviços intensivos em conhecimento de alta tecnologia, por NUTS III (INE)
- Proporção da despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) no PIB, por NUTS III
(INE)
- População entre os 30 e 34 anos com o 3º ciclo de ensino superior por domínios cientí-
ficos, por concelho (INE)
- Estudantes do ensino superior nos cursos STEM (Science, Technology, Engineering, and
Mathematics), por concelho (DGEEC)
- Taxa de pessoal ao serviço das indústrias de alta e média-alta tecnologia, por NUTS III
(INE)
- Taxa de pessoal ao serviço em serviços intensivos em conhecimento de alta e média-alta
tecnologia, por NUTS III (INE)
- Proporção de investigadoras/es equivalente a tempo integral (ETI) na população ativa,
por NUTS III (INE)
Medida 3.10
TÍTULO: Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 2.1; 2.3; 3.2; 3.3; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
As exportações e a balança comercial positiva contribuíram para a resiliência nacional no
período de crise financeira e para os atuais resultados positivos do crescimento do PIB. Nos
últimos anos, a atração de turistas e residentes a tempo parcial aumentaram e o investimento
externo no setor do imobiliário e construção intensificou-se. A inserção de Portugal em redes
internacionais nos domínios da ciência e da cultura também foi reforçada. Os fatores de atra-
tividade distintivos de Portugal são sobretudo a localização geográfica, o clima, o ambiente e
a qualidade de vida, as competências tradicionais nas áreas da engenharia e da indústria e os
novos centros de conhecimento e as novas competências (I&D, inovação empresarial, qualifi-
cação dos recursos humanos). A conetividade digital e aérea e a presença no ciberespaço vão
ser determinantes.
O crescimento económico estrutural passa, entre outros, pelo reforço das exportações
de bens, serviços, conteúdos e conceitos, cuja diferenciação global deve-se orientar por uma
crescente incorporação de conhecimento e inovação. Por outro lado, o investimento direto
estrangeiro (IDE) é uma condição importante para o robustecimento da estrutura produtiva e
para o reforço de participação nas redes globais de produção de bens, serviços, conteúdos e
conceitos, e promover o desenvolvimento económico. Em termos de processos de inovação
e empreendedorismo, o IDE, sob a forma de capital de risco, é particularmente relevante para
alavancar atividades intensivas em conhecimento e em incerteza, que estão na base da emer-
gência das startups.
A maior propensão para que o IDE, as poupanças internacionais, os turistas, os residentes
a tempo parcial, os “talentos”, investigadores ou estudantes estrangeiros se dirijam para as
metrópoles ou para as cidades médias contribui para reforçar a capacidade de internacionali-
zação de Portugal. O seu efeito positivo estende-se às regiões envolventes, através de efeitos
de spillover, quando devidamente estimulados e programados por via da mobilização das
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 151
complementaridades próprias do capital territorial específico das regiões, reforçando as redes
interurbanas e as relações urbano-rurais.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida pretende intensificar e alargar a base territorial de internacionalização do País,
das suas empresas e organizações, mas também das suas metrópoles, regiões e cidades. Visa
o reforço da competitividade à escala global dos produtos, serviços, conteúdos e conceitos
desenvolvidos pelas empresas nacionais, assim como das características diferenciadoras da
base territorial, por via do reforço da presença nas redes globais.
Em termos de internacionalização há algumas orientações estratégicas de base territorial
que podem ser evidenciadas:
- As ações de internacionalização devem atender à geografia internacional (à escala dos
Estados Federais, das Grandes Áreas Metropolitanas ou das Províncias) selecionando territó-
rios-alvo prioritários e focando as ações em função das especificidades desses territórios e dos
respetivos objetivos de captação. É fundamental desenvolver uma política de internacionalização
territorializada.
- A história de Portugal enquanto País pioneiro da globalização, com um vasto património
material e imaterial que ao longo dos séculos foi construindo nos cinco continentes, constitui um
ativo a mobilizar e valorizar em termos de ações para a internacionalização, pois é um recurso
e uma ligação intercultural que facilita o diálogo e gera empatia para os negócios.
- São também importantes os encontros, congressos, feiras internacionais, ações de
promoção internacional, diplomacia económica, missões empresariais, imprensa internacional
especializada, competições desportivas de alta competição, atração de grandes eventos inter-
nacionais sediados em Portugal (a exemplo da web summit), entre outros.
- A promoção e amplificação internacional das amenidades territoriais do País (ambientais,
paisagísticas, culturais, gastronómicas, entre outras), das instituições (desportivas, científicas,
museológicas, fundações) ou ainda de algumas personalidades (ligadas a êxitos desportivos,
literários, musicais, artísticos, políticos, de alcance global), são ativos a utilizar numa maior
inserção nas redes globais, pois projetam uma imagem internacional positiva de Portugal;
- Por último, a aposta na valorização do capital territorial específico das cidades e regiões
possibilita, por esta via, o reforço da capacidade de internacionalização da base económica. Neste
sentido, é necessário dinamizar mecanismos que permitam facilitar, agilizar, desburocratizar e
apoiar a atração de turistas e residentes a tempo parcial e de poupanças internacionais.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Identificar e selecionar, na geografia internacional, os territórios prioritários (à escala
dos Estados Federados, das Províncias e das Grandes Áreas Metropolitanas) para direcionar
e intensificar as exportações e para aumentar a captação de investimentos, de talentos, de
estudantes universitários e de investigadores e de turistas ou residentes a tempo parcial.
2. Reforçar a competitividade e a inserção nas redes internacionais de capitais, mercado-
rias, informação, conhecimento, investigação e inovação.
3. Aumentar e criar uma nova vaga de exportações de bens, serviços, conteúdos e concei-
tos das empresas portuguesas, nomeadamente os intensivos em conhecimento e tecnologia e
diversificar os destinos internacionais;
4. Promover a ascensão na cadeia de valor das atividades industriais já consolidadas.
5. Reforçar o investimento de capitais portugueses no estrangeiro, atendendo ao perfil da
economia portuguesa, nomeadamente em regiões estratégicas.
6. Reforçar e diversificar a captação de investimento direto estrangeiro, sobretudo dirigido
aos setores intensivos em conhecimento e tecnologia, ao empreendedorismo e às startups, e
as regiões de origem desse IDE.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 152
7. Atrair turistas e residentes temporários ou permanentes com capacidade financeira ou
talento.
8. Afirmar a dimensão internacional de Portugal, através de uma maior liderança das me-
trópoles e das principais cidades.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades TP, AICEP; IAPMEI; DGAE; PME Investimentos; Entidades gestoras dos clusters;
Principais
de Portugal Ventures; GPP; DGPM; Associações Ensino Superior; Entidades do
Parceiros
Coordenação Empresariais; Regiões Autónomas SCT; COTEC Portugal; CCDR
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Iniciativa Portugal i4.0; Estratégia Turismo 2027 (ET 27)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da competitividade dos territórios
- Atração de investimento estrangeiro, nomeadamente para financiamento em startups.
- Reforço das exportações de bens e serviços.
- Atração de turistas e residentes a tempo parcial.
- Atração de poupanças internacionais para o sector imobiliário, turismo, construção e
infraestruturas.
- Atração de talentos, investigadores e estudantes estrangeiros.
- Aumento das parcerias externas.
- Reforço da internacionalização das empresas e outras organizações (universidades,
museus, hospitais, entre outras).
- Reforço da imagem positiva de Portugal no exterior (metrópoles, cidades e regiões por-
tuguesas).
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Taxa das exportações de bens no PIB, por concelho (INE)
- N.º de eventos internacionais sediados em Portugal, por concelho (AICEP)
- % de TCO qualificados estrangeiros no total de trabalhadores qualificados, por concelho
(Quadros de Pessoal, GEP/MTSSS)
- N.º dormidas de hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros, por concelho
(INE)
- Volume de negócios para o exterior (euros) das sociedades com menos de 250 pessoas
ao serviço, por NUTS III (INE)
- Proporção do Valor Acrescentado Bruto em ramos de atividade internacionalizáveis (%),
por NUTS III (INE)
- Número de estudantes de doutoramento de países estrangeiros, por concelho (DGEEC)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 153
Medida 3.11
TÍTULO: Organizar o território para a economia circular
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 1.2; 1.3; 2.2; 3.2; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O território é fonte de recursos e de serviços ambientais cuja qualidade e capacidade de
regeneração importa preservar, de modo a garantir a qualidade e sustentabilidade do tecido
socioeconómico por ele suportado. Com a pressão sobre a procura de recursos e a consequente
erosão da qualidade de serviços ambientais tendente a agravar-se, apoiar a transição para uma
economia circular apresenta-se como um fator essencial à gestão sustentável e à resiliência
do território. É, por isso, fundamental garantir uma simbiose entre as políticas de território e de
economia circular, por forma a melhor capturar benefícios ambientais, económicos, sociais e
ambientais.
A economia circular oferece um modelo alternativo de funcionamento da economia, onde
os produtos e materiais são mantidos no seu valor económico mais elevado, pelo maior tempo
possível, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais e a produção de resíduos
e contribuindo ativamente para a regeneração de serviços ambientais.
Neste contexto, é importante o desenvolvimento de políticas que promovam: (i) o fecho de
ciclos que possa induzir a regeneração de recursos na economia; (ii) a otimização do uso dos
recursos já mobilizados; (iii) a eficácia do sistema, excluindo as externalidades negativas como
o uso de materiais não regeneráveis, tóxicos ou poluição.
No quadro da economia circular, a componente de gestão territorial intervém na ma-
nutenção da produtividade e regeneração de recursos, quer por via da sua ação nos ciclos
biológicos — solo, água, e materiais naturais e minerais — como por via da sua ação sobre
ciclos técnicos — metabolismo, atividades económicas e ambiente construído.
A dimensão territorial “região” é considerada um fator importante no processo de transição,
não só pelas especificidades geográficas de cada uma delas e por garantirem escala suficiente
como também pela conetividade entre zonas urbanas e rurais (as primeiras têm um papel mais
preponderante, sobretudo por serem centros de consumo e serviços e pelo seu potencial de
eficiência; enquanto as áreas periurbanas e rurais providenciam a produção e os recursos de
base). Isto também representa uma oportunidade de melhoria da densificação das relações entre
as atividades agrícolas e industriais, e destas com o conceito de economia circular. Os resultados
de projetos internacionais sobre o potencial de economia verde regional demonstram que há
espaço para Portugal progredir a múltiplos níveis como forma de enfrentar desafios ambientais,
desigualdades sociais e criar crescimento económico e emprego.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida foca-se na articulação dos diferentes atores — governo, empresas, comu-
nidade — nomeadamente em torno de âncoras como regiões-cluster, áreas de localização
empresarial e cidades, fazendo uso de ferramentas “macro” como:
- A análise de fluxo de materiais e energia de modo a organizar uma gestão, mas eficiente
e produtiva a diferentes escalas geográficas;
- O levantamento de materiais críticos (e. g. recursos geológicos, minas urbanas) de modo
a aferir de oportunidades de suprimento de recursos deficitários para a atividade económica
nacional, ou:
- O fomento de simbioses industriais entre atividades económicas, desenvolvendo e/ou
promovendo em conjunto sinergias que permitam maior rentabilidade no uso dos espaços e
serviços, substituição e uso em cascata de materiais residuais e energia, permitindo reduzir
custos e gerar mais-valias ambientais como a redução dos consumos de energia, de emissões
e de resíduos e maior eficiência na utilização dos recursos naturais.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 154
A economia do mar, a exploração agrícola, o agroalimentar, a construção ou o turismo são
setores fundamentais para a mudança de paradigma que se pretende da economia linear para
a economia circular, constituindo também “âncoras”, nomeadamente através do uso eficiente
de recursos e de valorização de boas práticas de sustentabilidade por parte de empresas e
destinos (no caso do turismo).
Para alcançar os objetivos de promoção do modelo da economia circular é importante a
potenciação de áreas empresariais responsáveis (por exemplo, ZER — Zonas Empresariais
Responsáveis, eco parques industriais), nomeadamente pelo facto da concentração de
empresas nesses espaços poder potenciar simbioses industriais — de espaço, materiais e
serviços — e um efeito de demonstração e imitação de comportamentos ambientalmente
responsáveis, que poderá ser incentivado e reforçado em função de atribuição do rótulo
“Parque Empresarial Circular”, mediante o cumprimento de um conjunto de critérios/indi-
cadores preestabelecidos. Atendendo às especificidades socioeconómicas de cada região,
é necessário analisar os setores e projetos chave para a economia circular de forma a
promover sinergias e garantir simbioses ajustadas, por forma a melhor capturar benefícios
económicos e ambientais.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Conhecer a natureza, quantidade e localização de acumulações de subprodutos passí-
veis de integrar processos de economia circular.
2. Identificar as prioridades de intervenção nas situações que constituem passivos am-
bientais.
3. Identificar os fluxos atuais da geração e destino de subprodutos, com vista à sua or-
ganização adequada presente e futura tendo em consideração os consumos de energia e as
emissões nos vários cenários alternativos de utilização de subprodutos e matérias-primas;
4. Fomentar a alteração de comportamentos individuais e das empresas (consumo e
produção);
5. Criar novos empregos associados ao ecodesign, servitização, reparação, reutilização,
remanufatura, recondicionamento.
6. Promover a criação de uma Rede de Cidades Circulares.
7. Fomentar a adoção dos princípios da economia circular nos Instrumentos de Gestão
do Território.
8. Desenvolver projetos de I&D que promovam a circularidade da economia.
9. Melhorar a coesão/coordenação entre as entidades que têm impacto direto sobre o
território.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
CCDR; CIM; APA; ANI; IA- DGT; Entidades Gestoras dos Clusters; Associa-
Entidades PMEI; IPQ; IPAC; ASAE; ções Empresariais e Industriais; Entidades do
Principais
de ADENE; AICEP; DGEG; SCT; Ensino Superior; Ensino Básico e Secun-
Parceiros
Coordenação DGPM; Municípios; Regiões dário; Empresas; DGRM; ICNF; TP; CNCDA;
Autónomas DGAE; DGS; COTEC Portugal; ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Plano de Ação para a Economia Circular — Agendas Regionais de Economia Circular;
Estratégia Turismo 2027; Plano Nacional de Promoção de Biorrefinarias (PNPB 2030); Plano
Nacional de Ciência & Tecnologia; Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar;
Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas (PETI 3+); Estratégia Nacional da Conservação
da Natureza e Biodiversidade 2030
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 155
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Melhoria nos índices de produtividade no uso de recursos, derivada de uma produção e
consumo mais eficiente e sustentável nos diferentes níveis territoriais e respetivos agentes.
- Fixação e/ou desenvolvimento de atividades económicas de valorização e regeneração
de ativos locais.
- Redução da intensidade carbónica e material da economia.
- Maior consciencialização dos impactes ambientais, económicos e sociais decorrentes
dos desafios identificados e das soluções desenvolvidas.
- Redução de emissões (emissões atmosféricas, produção de resíduos e emissão de
efluentes líquidos).
- Integração dos princípios da economia circular nas atividades económicas e na gestão
territorial (IGT)
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de ações de sensibilização para a economia circular, por concelho (A construir)
- N.º de planos intermunicipais temáticos sobre economia circular (CIM)
- N.º de ZER (Zonas Empresariais Responsáveis) e de empresas aí instaladas (IAPMEI)
- N.º de simbioses industriais estabelecidas (mediante registo via APA ou IAPMEI)
- N.º de projetos financiados no âmbito dos projetos PT2020, LIFE, Horizonte 2020, etc.
enquadrados em eixos de economia circular, economia verde, economia azul, consumo e pro-
dução sustentável, entre outros, por concelho (Entidades Gestoras dos Programas)
- N.º de PDM com a integração da temática da economia circular (Câmaras Municipais)
Medida 3.12
TÍTULO: Promover a competitividade da silvicultura
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 3.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A competitividade do setor florestal é fundamental para gerar valor para os territórios em
que a floresta é a opção de uso do solo e, numa política de desenvolvimento nacional e de
ordenamento do território, importa atender que as espécies madeireiras sustentam um setor
da indústria nacional. A internacionalização da economia à escala global tem consequências
no setor florestal refletindo-se no mercado dos produtos florestais, tanto na sua componente
de consumo como sobretudo nos preços praticados, e na competitividade das diferentes subfi-
leiras florestais. É necessário assegurar racionalidade, eficiência e profissionalismo na gestão
e exploração florestal e na própria indústria transformadora, para reduzir custos de produção
e aumentar a qualidade dos produtos florestais nacionais, tornando-os mais competitivos nos
mercados internacionais. É importante reconhecer o papel da floresta de produção como principal
sumidouro de carbono a nível nacional e a relevância da sua gestão num quadro de racionalidade
económica, bem como o seu contributo para outras atividades económicas que, com maior ou
menos expressão lhe estão associadas como sejam a gestão dos subprodutos, a utilização da
biomassa, a produção de cogumelos, a caça e a pesca em áreas interiores. Um dos maiores
entraves à modernização e ao crescimento económico reside na fraca qualificação profissional
dos recursos humanos, na reduzida capacidade tecnológica e na insuficiente penetração de
inovação. Fragilidades estas que atualmente adquirem grande relevância face às alterações
que têm vindo a ser introduzidas nos sistemas económicos e nas organizações, decorrentes
da evolução tecnológica e de novos processos produtivos e de gestão.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 156
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A dinamização de formas de organização e gestão dos espaços florestais é fomentada
através da concessão de apoios e de priorização nos investimentos. O desenvolvimento do
setor requer a execução da agenda de investigação, definida em conjunto com os parceiros,
incorporando a inovação desejável e as preocupações identificadas no âmbito dos Centros
de Competências, da Agenda Estratégica de Investigação e Inovação Agroalimentar, Flo-
restas e Biodiversidade e da Rede Nacional de Experimentação e Investigação Agrária e
Animal — REXIA 2. De igual forma, são considerados processos capazes de apoiarem a
formação, a capacitação e a qualificação dos agentes do sector, nomeadamente a revisão
dos perfis e das qualificações na área da silvicultura, ajustando os conteúdos formativos da
formação inicial para jovens, e da formação ao longo da vida para adultos, garantindo uma
maior flexibilidade e adequação ao exercício das profissões, numa lógica de reforço e apro-
fundamento de competências para os desafios da competitividade e da melhoria da gestão
nas vertentes ambiental, social e económica, por um lado, e da incorporação da prevenção
de riscos, por outro. É ainda fundamental promover a inovação, a transferência do conheci-
mento e a adoção de práticas de gestão empresarial que reduzam custos, diversifiquem as
fontes de rendimento nas explorações e aumentem a produção para o mercado, ao mesmo
tempo que se alarga esse mesmo mercado, incluindo a nível internacional, pela promoção
dos produtos florestais, enquanto materiais ambientalmente amigáveis – renováveis, reci-
cláveis, reutilizáveis, de elevado potencial para se atingir os objetivos da Economia Circular,
sem prejuízo da produção de produtos de cariz regional/local que, pela sua diferenciação,
poderão acrescentar maior valor e contribuir para o desenvolvimento local/ rural. Finalmente
interessará potenciar o papel sumidouro das florestas, assim como o papel dos produtos
florestais como substitutos de fontes fósseis de energia e de matérias-primas com maior
intensidade carbónica.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Potenciar o efeito de sumidouro das florestas e promover a sua resiliência
2. Dinamizar formas de organização e de gestão sustentável dos espaços florestais, que
racionalizem os investimentos e otimizem custos, gerando maior valor
3. Promover o cadastro predial da propriedade florestal, através da definição em diploma
legal da unidade mínima de cultura - florestal, evitando o excessivo fracionamento da pro-
priedade florestal bem como por via dos instrumentos de gestão fundiária que libertem terras
abandonadas para a floresta;
4. Desenvolver a inovação e a investigação florestal;
5. Qualificar os agentes do setor;
6. Melhorar a gestão sustentável dos espaços florestais, promovendo a implementação
dos modelos e normas de gestão dos PROF
7. Promover a utilização dos produtos florestais no âmbito da economia circular, incluindo
biomassa e substituição de matérias-primas de origem fóssil e/ou com maior intensidade car-
bónica
8. Melhorar o acesso a mercados e reforçar a penetração dos produtos florestais no mer-
cado nacional e internacional
9. Diversificar as atividades e os produtos nas explorações florestais e agroflorestais
10. Aumentar o contributo da cinegética, da pesca, da silvopastorícia, da apicultura, da
produção de resina, cogumelos e de outros produtos não lenhosos no valor económico da
floresta
Diário da República, 1.ª série
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2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades Gestoras de Cluster da Fileira Florestal,
Associações Profissionais; Cluster Produtech;
ICNF, GPP, Municípios; OPF,
Entidades Cluster Tooling & Engineering; Colab de Trans-
Entidades Gestoras de Clus- Principais
de formação Digital; ISQ; Proprietários florestais;
ters e Associações Profissio- Parceiros
Coordenação ANQEP; FCT; ANPC; IRN, AT; CCDR; DGT; En-
nais; Regiões Autónomas
tidades titulares e gestoras de zonas de caça e
de pesca em águas interiores
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Lei de Bases de Política Florestal; Estratégia Nacional para as Florestas; Programas Re-
gionais de Ordenamento Florestal; Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação;
Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios; Estratégia Nacional para a Conservação
da Natureza e Biodiversidade, Estratégia Nacional para a Adaptação às Alterações Climáticas
e Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030; PAC 2014- 2020; Plano Estra-
tégico PAC pós 2020; Estratégia Nacional para uma Proteção Civil Preventiva.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Preparar e gerir a floresta para ser sumidouro estável de um mínimo de 10 Mton de CO2;
- Aumentar a rentabilidade e a sustentabilidade económica do setor florestal numa ótica
multifuncional;
- Aumentar o conhecimento e a sua aplicação ao nível das explorações florestais e das
empresas do setor;
- Diversificação das fontes de rendimento das explorações florestais
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- % de espaços florestais com inventário da estrutura da propriedade, por concelho (ICNF)
- VAB da silvicultura e indústria florestal, por concelho (INE)
- Área integrada em gestão florestal gerida de forma agrupada (ZIF, EGF, UGF) por con-
celho (ICNF)
- Área florestal com plano de gestão florestal, por concelho (ICNF)
- Volume de investimento em I&D+i, por concelho (ANI; FCT)
- Superfície do território ordenado (com zonas de caça) (ICNF)
- N.º de caçadores e pescadores de águas interiores licenciados (ICNF)
- Quantidade total de colheita de pinha declarada por concelho (ICNF)
- Quantidade de resina declarada (atividade de extração), por concelho (ICNF)
- Emissões líquidas de GEE da floresta (APA)
D4 Domínio da Conetividade
Palavras-Chave: Interligar | Aproximar | Digitalizar | Descarbonizar
Índice das medidas.
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
4.2 Otimizar a conetividade ecológica nacional
4.3 Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade no acesso aos serviços e
infraestruturas empresariais
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 158
4.4 Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de transporte
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
4.8 Ampliar a conetividade digital internacional através de cabos submarinos
4.9 Reforçar os serviços de banda larga e implementação de redes da nova geração 5G
As Medidas de Política concorrem para os Desafios Territoriais
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 159
Medida 4.1
TÍTULO: Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.2; 4.1
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A gestão integrada do ciclo urbano da água contribui significativamente para o desenvol-
vimento económico de Portugal, tanto pela capacidade de criar emprego e riqueza, como pela
crescente melhoria que tem conferido à qualidade de vida das populações e à proteção do
Ambiente. Os recursos infraestruturais do setor revelam a existência de um vasto património
construído para os quais importa assegurar um consistente esforço na sua gestão, em termos
de operação, manutenção e reabilitação das infraestruturas, indispensável à prestação susten-
tável de um serviço de qualidade.
A política de resíduos, integrada no ciclo de vida dos produtos, deve ser centrada numa
economia tendencialmente circular e que garanta uma maior eficiência na utilização dos recursos
naturais, com vista a reduzir o impacto da sua produção.
Dessa forma será assegurado uma trajetória sustentável de redução de emissões de
gases com efeito de estufa compatível com o objetivo de neutralidade carbónica em 2050 e
introduzidas medidas de eficiência energética nos processos de tratamento, aumentando o nível
de autossuficiência das instalações, introduzir medidas de redução/ eficiência energética, por
exemplo, produção própria de energia;
As alterações climáticas e os eventos extremos cada vez mais frequentes, tornam fun-
damental aumentar a resiliência das infraestruturas ambientais e de energia, reduzindo a sua
vulnerabilidade.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A medida “Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia” permite aumentar a eficiên-
cia e resiliência das infraestruturas, bem como promover a gestão eficiente de recursos (água,
materiais e energia).
Esta medida aponta um conjunto de orientações de gestão, necessárias à sua concreti-
zação, no sentido de: aumentar a eficiência e eficácia da prestação dos serviços de águas,
bem como assegurar a sua sustentabilidade infraestrutural, económica, financeira e ambiental;
realizar intervenções adicionais para adaptação dos níveis de tratamento das infraestruturas
existentes de abastecimento de água e saneamento de águas residuais, face às novas exigên-
cias e alterações legislativas; promover a reabilitação de ativos como melhoria funcional das
infraestruturas; potenciar a utilização e produção de energias renováveis, através de medidas de
eficiência energética e produção própria de energia nas infraestruturas; implementar estratégias
de prevenção e gestão de resíduos; e dinamizar soluções de recolha seletiva multimaterial e
orgânica, prosseguindo o cumprimento da hierarquia de resíduos e otimizando as infraestruturas
associadas.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento de água, saneamento de águas
residuais e de drenagem de águas pluviais;
2. Reduzir o consumo energético das infraestruturas (e.g., através da produção de energia
através do aproveitamento dos recursos)
3. Reduzir os impactos adversos decorrentes da produção e gestão de resíduos, suportada
num upgrade tecnológico nas instalações de tratamento;
4. Promover a eficiência da utilização de recursos na economia, com utilização de resíduos
como matéria-prima secundária no processo de fabrico de outras indústrias, dando continuidade
e aumentando o ciclo de vida dos recursos primários;
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 160
5. Desenvolver e implementar soluções de equipamentos e produtos com menores emis-
sões atmosféricas e menor ruído nos processos produtivos;
6. Promover a melhoria das infraestruturas de recolha, tratamento e disponibilização ao
público e entidades relevantes, da informação de emissões e de qualidade do ar.
7. Incentivar a produção de energia solar de forma descentralizada nas empresas e em
territórios de elevado potencial solar.
8. Reduzir as emissões no sector dos resíduos e águas residuais
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades Entidades gestoras de água e saneamento;
Principais Entidades privadas; Setores de
de DGEG; ADENE; Municípios; SGRU; Regiões
Parceiros atividade económica
Coordenação Autónomas
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia para o setor de abastecimento de água e saneamento de águas residuais
(PENSAAR 2020); Planos de Gestão de Região Hidrográfica; Programa Nacional para o Uso
Eficiente da Água; Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais;
Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC 2020/2030) Estratégia Nacional de
Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020); Estratégia Nacional do Ar 2020 (ENAR
2020); Estratégia Nacional do Ruído Ambiente 2030.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento de fiabilidade e segurança nos sistemas de abastecimento de água.
- Aumento da resiliência dos sistemas e infraestruturas às alterações climáticas e aos
efeitos dos eventos extremos.
- Redução de perdas de água e controlo de afluências indevidas.
- Garantia do cumprimento das políticas ambientais comunitárias sucessivamente mais
exigentes.
- Promoção de soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários, agroin-
dustriais e industriais.
- Potenciar a utilização e produção de energias renováveis e introduzir medidas de redu-
ção/eficiência energética nas infraestruturas (por exemplo, produção própria de energia).
- Incrementar a recolha seletiva multimaterial e orgânica.
- Incentivar as sinergias e simbioses industriais em matéria de resíduos.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- % Condições funcionais das infraestruturas de abastecimento e saneamento
- % Fiabilidade e segurança nos sistemas de abastecimento e saneamento
- % Reciclagem dos resíduos urbanos
- % Reciclagem dos resíduos de embalagens
- % População exposta ao ruído
- % Emissões de poluentes atmosféricos
- Proporção de resíduos urbanos depositados em aterro, por concelho (INE)
- Proporção de resíduos urbanos recolhidos seletivamente, por concelho (INE)
- Qualidade das águas para o consumo humano, por concelho (INE)
- Percentagem de população com serviço de abastecimento de água potável, por concelho
(INE)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 161
- Percentagem de resíduos sólidos reciclados, por concelho (INE)
- Emissões de poluentes atmosféricos (CO2, NOx, Sox, PM10), por concelho (APA)
Medida 4.2
TÍTULO: Otimizar a conetividade ecológica nacional
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.1; 1.3; 1.4; 5.1; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A conetividade do território é frequentemente associada à rede de rodoferroviária. Contudo,
a funcionalidade do território aumenta se nele se estabelecerem redes de conetividade que
assegurem a articulação entre usos e atividades dependentes do seu capital natural. A rede
hidrográfica e a rede do sistema nacional de áreas classificadas constituem-se como elementos
essenciais à circulação e interconexão de fluxos de matérias, energia e à prestação de serviços
de ecossistemas que beneficiem as pessoas e a biodiversidade.
A Reserva Ecológica Nacional destaca-se como estrutura biofísica que integra o conjunto
de áreas do território que pelo seu valor e sensibilidade ecológica ou pela exposição e susce-
tibilidade perante riscos naturais são objeto de proteção especial.
Importa consolidar ao nível do ordenamento do território, redes de conetividade ecológica
(azul e verde) que favoreçam a coesão territorial, garantindo à escala ibérica e nacional, o papel
dos ecossistemas de transição e de continuidade, nomeadamente pela dependência de caudais
dos principais rios internacionais ou, com o mar, ao nível dos estuários e sistemas lagunares.
Da mesma forma, é relevante associar estas áreas à interface urbano/ rural, a funções de
amortecimento, por exemplo de cheias, do ruído ou mesmo do risco de incêndio. Também, as
áreas associadas às faixas de proteção a infraestruturas rodoferroviárias podem desempenhar
um papel relevante em termos de enquadramento, salvaguarda das mesmas infraestruturas e
de valorização destas áreas do território num quadro mais alargado de infraestruturas verdes.
Assim, uma boa parte das ações de valorização ambiental do território está associada à
gestão das áreas que constituem esta rede de conetividade ecológica, pelo que a sua definição
pressupõe que o território seja entendido como um sistema integrado, em que se pretende pro-
teger e recuperar as funções naturais dos ecossistemas, promovendo um desenvolvimento que
assenta na diversidade ecológica e que deverá traduzir-se em benefícios sociais e económicos,
tanto em contexto urbano como rural.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida assenta na necessidade do reforço da cooperação multinível, atendendo que
nos instrumentos de planeamento, têm sido estabelecidas redes de conetividade ecológica
de âmbito regional e municipal, assentes nas estruturas ecológicas regionais e municipais, na
REN, na RAN, e no Domínio Hídrico, assegurando a presença dos corredores ecológicos ne-
cessários à manutenção, valorização e salvaguarda dos processos inerentes ao funcionamento
do território. Do ponto de vista conceptual, esta medida pretende dar a necessária coerência
ao conjunto das Estruturas Regionais de Proteção e Valorização Ambiental, à escala regional,
e ao conjunto das Estruturas Ecológicas Municipais. Atende-se, ainda, à relevância das áreas
que, estando associadas a infraestruturas de acessibilidade rodoferroviárias, desenham no
território uma rede de corredores verdes que, através das suas zonas buffer, potenciam o seu
enquadramento na paisagem e a conetividade territorial.
Entende-se, assim, que a representação de uma estrutura de conetividade a nível nacio-
nal, ajuda a ter uma leitura integrada do território, apontando-se um conjunto de orientações
de suporte ao enquadramento dos princípios de conetividade ecológica nos instrumentos de
gestão territorial, considerando que o esquema de conetividade nacional apresentado no PNPOT
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 162
constitui uma base simplificada que deve ser desenvolvida e detalhada nos níveis e instrumentos
de planeamento e de política sectorial mais adequados.
A concretização desta medida não introduz novas servidões ou restrições de utilidade
pública nem prevê novas medidas legislativas.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Promover a conetividade ecológica nacional respondendo à relevância da interdepen-
dência do País ao nível das fronteiras naturais, terrestres e marítimas.
2. Consolidar, estrategicamente, no território, a rede de conetividade ecológica nacional,
em linha com os princípios de uma Infraestrutura Verde, consubstanciando o continuum dos
ecossistemas essenciais à delimitação da Estrutura Ecológica.
3. Reforçar a gestão adequada dos territórios que se constituem como interface com
Espanha, onde o conceito de conetividade ecológica deverá garantir a interligação e a con-
tinuidade da circulação de fluxos e de recursos coerentes com as exigências ambientais de
ambos os países.
4. Reforçar, ao nível dos estuários, a avaliação e o planeamento concertado com o sector
do Mar às várias escalas de intervenção, no sentido de valorizar a relevância ambiental, social
e económica destes territórios e garantir a conetividade sustentável entre a terra e mar.
5. Fazer respeitar a integridade da estrutura de conetividade ecológica nacional face à
construção de infraestruturas e equipamentos.
6. Desenvolver estudos para a caracterização e valoração dos serviços dos ecossistemas,
que traduzam o valor económico, social e ambiental, suportando os critérios de definição de
uma infraestrutura verde em linha com as orientações europeias nesta matéria.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
ICNF; APA; CCDR;
Entidades de Coordenação Principais Parceiros DGRM; CAP; Municípios
Regiões Autónomas
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Planos de Gestão de Região Hidrográfica; Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações
Climáticas (ENAAC 2020); Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade
2030; Política Nacional de Arquitetura e Paisagem; Estratégia Nacional para a Floresta
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Inclusão no processo de avaliação e decisão de opções territoriais dos princípios de
conetividade ecológica;
- Valorização económica e social das áreas integradas na conetividade ecológica nacional,
no contexto rural e urbano e nas várias escalas de planeamento;
- Valorização do território aumentando os serviços dos ecossistemas e contributo para
ofertas de recreio e lazer;
- Aumento da qualidade da paisagem;
- Incremento do reconhecimento do valor dos territórios de fronteira pela promoção de
sinergias transfronteiriças;
- Incremento da continuidade e complementaridade das redes ecológicas regionais e
municipais;
- Implementação do conceito de Infraestrutura Verde;
- Redução dos custos públicos em áreas riscos ambientais.
Diário da República, 1.ª série
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INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Indicadores de fragmentação e homogeneidade da paisagem (a articular com o trabalho
a nível europeu sobre esta matéria - indicador partilhado com a Medida Paisagem)
- Variação da visitação de áreas protegidas fronteiriças
- Variação do número de unidades de turismo de Natureza
- N.º estudos que aumentem o conhecimento sobre a conetividade ecológica e a gestão
do território com vista à promoção dos serviços dos ecossistemas
- Taxa de cumprimento das matérias constantes da Convenção de Albufeira (ind partilhado
com Recurso água) Área da EEM integrada em ERPVA e Área da EEM/ERPVA integrada em
áreas da RFCN
Medida 4.3
TÍTULO: Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos serviços
e às infraestruturas empresariais
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 3.1; 3.2; 3.3; 4.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Não obstante o intenso investimento realizado nas últimas décadas, que permitiu dotar o
País de uma rede rodoviária moderna, abrangente e equilibradamente distribuída às escalas
nacional e regional, continuam a existir necessidades pontuais por suprir em termos de infraes-
truturas.
Essas necessidades originam desigualdades ao nível da acessibilidade, que representam
injustiças espaciais, que importa corrigir em prol da coesão e equidade territorial. É também
fundamental garantir não só uma rede estruturante que assegure níveis adequados de aces-
sibilidade, mas igualmente as redes capilares que distribuem territorialmente a acessibilidade.
Por outro lado, o forte investimento na rede rodoviária contrastou com algum abandono do
sistema ferroviário, que importa atenuar.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida pretende suprir as carências de acessibilidade, aumentando a equidade de
oportunidades no domínio económico, social e ambiental. Isto será obtido através de:
- Conclusão da rede rodoviária estruturante e fechos de malha, privilegiando os investi-
mentos com maior contributo para a correção de assimetrias de acessibilidade.
- Promoção de ligações rodoviárias de proximidade a territórios mais carenciados e áreas
empresariais e em regiões transfronteiriças.
- Reforço da acessibilidade física à rede ferroviária nacional.
- Assegurar o investimento público em infraestruturas estratégicas em articulação com o
sistema produtivo e o aumento da eficiência energética e da proteção do meio ambiente.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Melhoria da cobertura e do desempenho da rede rodoviária estruturante.
2. Aumento dos níveis de acessibilidade rodoviária em territórios mais isolados.
3. Aumento da acessibilidade e desempenho (procura) do transporte ferroviário de pas-
sageiros.
4. Alargamento da eletrificação da rede ferroviária nacional e aumento da capacidade e
desempenho do sistema ferroviário nos eixos com maior potencial de procura.
5. Melhorar a acessibilidade enquanto potenciadora da atração de atividades económicas
e melhoria da qualidade de vida da população.
Diário da República, 1.ª série
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2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades IMT; IP; Concessionárias de AMT; AM; CIM; Municípios; Operadores de
Principais
de Autoestradas; Regiões Transporte Terrestre; Operadores logísticos
Parceiros
Coordenação Autónomas e turísticos
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Plano Rodoviário Nacional; Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas – Horizonte
2014-2020 (PETI 3+); Plano de Investimentos “Ferrovia 2020”; Plano de Valorização das Áreas
Empresariais
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da equidade territorial em termos de acesso aos serviços e às infraestruturas
económicas.
- Aumento das condições para o reforço da competitividade dos polos empresariais e das
regiões fronteiriças.
- Melhorar a oferta de infraestruturas potenciadoras de uma maior procura.
- Melhorar as condições para atrair não residentes, sobretudo nas regiões com piores
acessibilidades.
- Aumento da atividade económica e atração de não residentes (novos residentes, turistas,
visitantes), sobretudo nas regiões geograficamente mais desfavorecidas.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Acessibilidade Geográfica, por concelho (MPI)
- Índice de Sinuosidade Ponderado, por concelho (MPI)
- Acessibilidade Estrutural, por concelho (MPI)
Medida 4.4
TÍTULO: Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de trans-
porte
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.3; 2.3; 4.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Os investimentos ao longo das últimas décadas permitem a Portugal usufruir hoje de vastas
infraestruturas e sistemas de transportes, que são usadas diariamente para a atividade social
e económica do País, constituindo um fator de coesão e de competitividade.
Tais infraestruturas e sistemas representaram importantes esforços do País e devem,
também por isso, ser devidamente rendibilizadas. No entanto, com o crescimento e envelheci-
mento das infraestruturas e dos sistemas de transporte é necessário investir na sua renovação,
requalificação e adaptação. Esta necessidade também decorre da evolução dos padrões exigidos
pela sociedade, economia e ambiente.
Por outro lado, a incerteza que caracteriza os nossos tempos, e em particular as ameaças
que decorrem das alterações climáticas e tecnológicas, obrigam a promover a flexibilidade e a
resiliência das infraestruturas e dos sistemas, aumentando a sua longevidade e eficiência.
Ao mesmo tempo, face ao aumento da atratividade do País, é fundamental reforçar e qua-
lificar a oferta dos sistemas de transporte como alavancas do desenvolvimento regional.
Diário da República, 1.ª série
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DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Preservar e rendibilizar redes de transporte existentes, assegurando adequados níveis de
funcionalidade, desempenho e segurança e introduzindo flexibilidade e resiliência para fazer
face a incertezas, nomeadamente através de:
- Adaptação de infraestruturas de transportes às alterações climáticas e tecnológicas;
- Redução das externalidades negativas dos transportes, incluindo emissões atmosféricas
e de gases com efeito de estufa;
- Reposição e atualização contínuas do desempenho dos transportes;
- Garantia das condições nos vários modos de transporte face ao aumento esperado do
turismo;
- Melhoria das condições de segurança, capacidade de tráfego e sustentabilidade das vias
e dos sistemas de transporte.
- Promoção de condições para a prática de atividade e exercício físico em algumas artérias
viárias.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Manter ou repor os níveis de qualidade e desempenho nos transportes.
2. Aumentar a longevidade das infraestruturas e dos sistemas de transporte.
3. Reduzir externalidades negativas e aumentar a sustentabilidade ambiental em particu-
lar as emissões de poluentes atmosféricos e de gases com efeito de estufa associadas a este
setor.
4. Rendibilizar os investimentos realizados no passado e os ativos existentes.
5. Desenvolver a multimodalidade associada ao transporte de mercadorias.
6. Diminuir os impactos ambientais do transporte.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
IP; Administrações Portuárias; Concessio- Municípios; Administração Central e
Entidades
nárias de Infraestruturas de Transporte Principais Local; IMT; AMT; Operadores lo-
de
(aeroportuária, portuárias e rodoviárias); Parceiros gísticos, de transporte e turismo;
Coordenação
ANSR; Regiões Autónomas DGEG
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas – Horizonte 2014-2020 (PETI 3+); Planos
de Segurança e de Intervenções da IP; Plano Estratégico da ANA; Estratégia para o Aumento
da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026; Plano Es-
tratégico Nacional de Segurança Rodoviária - PENSE 2020
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Manutenção ou reposição dos níveis de qualidade e desempenho nos transportes.
- Aumento da longevidade das infraestruturas e sistemas de transporte, contribuindo para
a diminuição dos impactos ambientais do transporte.
- Valorização dos investimentos realizados no passado e dos ativos existentes, tendo em
vista o aumenta da eficiência dos investimentos.
- Desenvolvimento da multimodalidade associada ao transporte de mercadorias visando
melhorar a eficácia das infraestruturas.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 166
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Emissões de GEE associadas ao setor dos transportes, por concelho (APA)
- Consumo de energia primária associada ao setor dos transportes, por concelho (DGEG;
Ministério das Infraestruturas)
- População com acesso a serviços de transporte público, por concelho (AML, AMP, IMT)
- Tempos de acesso aos serviços públicos de interesse geral, por concelho (MPI)
- Evolução da procura de transportes públicos, por concelho (AML, AMP, IMT)
- Evolução dos indicadores de sinistralidade rodoviária, por concelho (Autoridade Nacional
de Segurança Rodoviária)
- Evolução do parque de viaturas por tipo de combustível/propulsão, por concelho (IMT)
Medida 4.5
TÍTULO: Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 2.3; 3.1; 4.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A mobilidade é o desafio maior das metrópoles portuguesas e um fator essencial para o
desenvolvimento económico e a coesão social. É à escala metropolitana que os principais proble-
mas de mobilidade surgem e, por conseguinte, é a essa escala que as decisões de planeamento,
tarifário, oferta de transportes e obrigações de serviço público têm de ser definidas. Ao mesmo
tempo, o setor dos transportes está muito dependente do modo rodoviário, com consequências
ao nível da sinistralidade e aos níveis ambiental e energético. Portugal tem de reduzir, até 2030,
as emissões do setor dos transportes em 26%, o que implicará não só a modernização do setor,
como um grande esforço de investimento no transporte coletivo, na mobilidade partilhada, elé-
trica e suave. Nesse sentido, deve ser estimulada a adoção de padrões exigentes de eficiência
energética, complementados com tecnologias e/ou processos que decorrem em grande medida
da revolução digital, com vista igualmente à inclusão das pessoas com mobilidade reduzida e
menos recursos. Em termos de equidade territorial, a mobilidade deve ser vista como um dos
temas centrais da descentralização, organizando-se em torno de subsistemas urbanos, contri-
buindo para uma maior racionalização dos recursos e para uma maior equidade no acesso aos
serviços de proximidade. Nos territórios de baixa densidade, a mobilidade deve ser equacionada
pois é uma garantia da equidade territorial, nomeadamente aos serviços de interesse geral.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A mobilidade passa a ser vista como uma oferta diversificada, partilhada e de baixas emis-
sões, de soluções para uma procura fragmentada em territórios desiguais, e projetada cada
vez menos para o automóvel. Assim, o reforço da mobilidade sustentável e inclusiva passa,
primeiramente, por concretizar a descentralização de competências e a reorganização dos
serviços de transportes públicos de passageiros. Isto inclui, nomeadamente, projetar e pensar
a problemática da mobilidade à escala metropolitana, criando uma autoridade de transporte
a esta escala, retirando-se o Estado dessa função; bem como afirmar um modelo multimodal,
cujo preço reflita as externalidades positivas do uso do transporte coletivo e não discrimine
negativamente as populações periféricas. Assim, deve promover-se uma rede integrada de
mobilidade a nível metropolitano, que responda de forma eficiente e adequada a diferentes
contextos territoriais em termos de modos, redes, frequências e qualidade do serviço, e melhore
a eficiência e sustentabilidade da logística urbana. Assume-se que, para garantir um serviço
adequado, o sistema possa ser parcialmente deficitário, cabendo às áreas metropolitanas gerir
esse diferencial, suportados pelos fundos comunitários, e cabendo ao Estado a responsabili-
dade na subsidiação da componente social dos transportes, dos “descontos” não comerciais
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 167
e em garantir os investimentos necessários à expansão e manutenção das redes e canais de
transporte com um reduzido grau de liberdade de percurso.
Não se pretende, contudo, descurar o transporte individual, antes alterar o seu paradigma,
focando-o na promoção de modos e tecnologias de transporte mais eficientes e mais sustentáveis,
incluindo modos suaves, mobilidade partilhada, autónoma, elétrica e conectada. Esta descar-
bonização dos transportes, de igual importância no transporte público, está também associada
à renovação das frotas e à redução das barreiras ao acesso, tendo em conta a integração das
pessoas com mobilidade reduzida.
Por fim, pretende-se assegurar a compatibilização entre as políticas de usos do solo e de
mobilidade, sendo que o Estado garante uma maior coesão social e os principais investimentos,
com as autoridades metropolitanas a assumirem o papel de planeadores da oferta e gestores
(diretos ou indiretos) responsáveis pelo tarifário e as obrigações de serviços públicos.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Descentralizar a mobilidade, empoderando uma autoridade de transportes metropolitana.
2. Criar um sistema tarifário e uma rede de oferta unificada.
3. Planear redes de mobilidade metropolitanas, gerindo os sistemas de transportes por
forma a garantir equidade territorial.
4. Assegurar a coerência entre as políticas de usos do solo e de acessibilidades e trans-
portes, em prol de uma mobilidade mais sustentável.
5. Promover a descarbonização do setor dos transportes e o descongestionamento ur-
bano, melhorando a oferta e qualidade dos transportes públicos, e apostando em modos mais
sustentáveis de mobilidade coletiva ou individual.
6. Viabilizar/estimular novas soluções para uma mobilidade mais eficiente, universal e
inclusiva.
7. Preparar as infraestruturas para estas soluções e aumentar a capacidade e o desem-
penho dos sistemas coletivos competitivos.
8. A promoção de medidas que priorizem o transporte coletivo e público, valorizando-o
sobre o transporte individual, através de incentivos adequados, da promoção da fiabilidade e
segurança da operação, reforçando o carácter intermodal e a articulação metropolitana entre
os diversos modos de transportes.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
IMT; IP; AM, CIM; DGAL, Municípios; Con-
Entidades Empresas de Transportes; Operado-
cessionárias de Autoestradas; Empresas Principais
de res de Transporte, CCDR, ANSR;
públicas de Transporte; Regiões Autó- Parceiros
Coordenação CEiia; Cluster Mobinov
nomas
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
QEPiC (Quadro Estratégico para a Política Climática); Programa Nacional para as Alterações
Climáticas 2020/2030 (PNAC); Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (Estratégia
para a Eficiência Energética - PNAEE 2016); Estratégia Nacional de Adaptação a Alterações
Climáticas (ENAAC 2020); Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis 2013- 2020
(PNAER 2020); Compromisso para o Crescimento Verde (CCV); PETI / Pacote da mobilidade;
Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas – Horizonte 2014-2020 (PETI 3+)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Descentralização da mobilidade.
- Melhoria da acessibilidade de pessoas e bens.
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- Aumento do nível e qualidade da oferta de transportes públicos e consequentemente da
procura
- Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos, nomeadamente as emis-
sões do sistema de transportes.
- Aumento da quota de mercado associada a modos mais sustentáveis (transporte coletivo
de passageiro e outros modos e tecnologias de transporte mais eficientes do ponto de vista
ambiental, incluindo os modos suaves e soluções de mobilidade partilhada e elétrica);
- Diminuição dos utilizadores de transporte individual motorizado.
- Aumento da equidade de acesso aos serviços.
- Redução das emissões no sector dos transportes
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Emissões de GEE associadas ao setor dos transportes (APA)
- Consumo de energia primária associada ao setor dos transportes (DGEG; Ministério das
Infraestruturas)
- População com acesso a serviços de transporte público, por concelho (IMT)
- População por repartição modal das viagens pendulares, por concelho (INE)
- Tempos de acesso aos serviços públicos de interesse geral, por concelho (IMT)
- Evolução da procura de transportes públicos, por concelho (IMT)
- Evolução dos indicadores de sinistralidade rodoviária, por concelho (Autoridade Nacional
de Segurança Rodoviária)
- Evolução do parque de viaturas por tipo de combustível/propulsão, por concelho (IMT)
- N.º de interfaces existentes nas áreas metropolitanas (AM);
- N.º de parques de estacionamento periférico gratuitos nos grandes centros urbanos e nos
principais polos de atração económica e empresarial, por concelho (AM).
Medida 4.6
TÍTULO: Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 4.2; 4.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Verifica-se a tendência para consolidar uma visão cada vez mais integrada e transversal
da mobilidade ao nível dos operadores de transporte, através da criação de serviços integra-
dos. Esta integração foi exponenciada com o desenvolvimento das novas tecnologias e da
digitalização, que deram ao setor um elevado potencial de transformação e permitiram otimizar
recursos e estimular ganhos de eficiência ao nível da gestão e da operação dos sistemas.
Desse modo, deve apontar-se para uma gestão mais eficiente das infraestruturas através da
implementação de novos sistemas de controlo e operação (incluindo medidas de automação),
ao mesmo tempo que se foca nas necessidades dos utilizadores. Esta melhoria de conetivi-
dade deve afetar passageiros e mercadorias, aproximando estes dos centros logísticos e dos
prestadores de serviços.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
O melhoramento da digitalização da gestão e da operação dos sistemas de transporte,
através da sistematização e automação da informação irá permitir ultrapassar os constrangi-
mentos atuais, potenciar a sua eficiência e conetividade, potenciando o seu papel enquanto
motor de crescimento da economia portuguesa. Para tal, será necessário criar ferramentas
suportadas por tecnologias de comunicações móveis capazes de criar uma maior proximidade
com o utilizador partilhando informação em tempo real; desenvolver novas formas de negócio,
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 169
focados nos serviços de mobilidade partilhada e de integração entre os sistemas financeiros e
operacionais das empresas; implementar sistemas de controlo, gestão e operação, que incor-
porem soluções de interoperabilidade dos sistemas de transporte e de infraestruturas e que
permitem uma gestão mais eficiente dos ativos e uma otimização dos custos operacionais e
dinamizar redes de informação ao longo das cadeias logísticas, criando e aplicando um novo
modelo harmonizado de procedimentos eletrónicos de transporte intermodal.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar a eficiência das cadeias logísticas e as economias de escala entre os sistemas
e os clientes finais.
2. Simplificar e desmaterializar os procedimentos nos transportes.
3. Potenciar a intermodalidade e a utilização de transportes mais amigos do ambiente.
4. Promover negócios inovadores centrados no setor dos transportes e nos serviços de
mobilidade partilhada.
5. Ajudar a maximizar a utilização das infraestruturas nacionais para o transporte de mer-
cadorias.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades IMT; IP; Administrações Portuárias; AMT; Operadores logísticos e de trans-
Principais
de Empresas públicas de Transporte; portes; APDC; Cluster Tice; Ceiia;
Parceiros
Coordenação Regiões Autónomas Rede Nacional de Incubadoras
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
PETI / Pacote da mobilidade; Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas – Horizonte
2014-2020 (PETI 3+); Agenda Portugal Digital; Estratégia para o Aumento da Competitividade
da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da eficiência dos sistemas de transporte.
- Redução das externalidades negativas dos sistemas de transporte, incluindo a redução
das emissões no sector dos transportes.
- Aumento dos utilizadores dos sistemas de transporte.
- Aumento da carga transportada pelos sistemas de transporte.
- Aumento da proximidade entre o fornecedor e o utilizador.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de troços de via qualificado (MPI)
- Dimensão da frota reabilitada e qualificada (MPI)
- Aumento da esperança média de vida útil das infraestruturas e da frota (MPI)
- Variação do N.º de passageiros transportados (MPI)
- Variação da carga (mercadorias) transportada (MPI)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 170
Medida 4.7
TÍTULO: Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.1; 3.2; 4.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A conetividade externa assume-se cada vez mais como fator de suporte do desenvolvimento
socioeconómico, não só pela atividade económica direta que gera, mas sobretudo pela compe-
titividade que proporciona e pela multiplicação de oportunidades de ligação das empresas e dos
cidadãos ao resto do mundo. Portugal, no meio das principais rotas comerciais e de navegação
mundiais centrais e não centrais, tem vindo a beneficiar do aumento rápido da sua conetividade
externa, alavancado sobretudo nas infraestruturas portuárias e aeroportuárias. Esse aumento
da conetividade tem tradução direta no crescimento da procura e do consequente nível de sa-
turação das principais infraestruturas, em particular no setor portuário, com taxas de utilização
muito elevadas e muito próximas da capacidade máxima instalada nos terminais dos portos de
Leixões, Lisboa e Sines atualmente existentes O posicionamento geográfico e geopolítico do
País confere-lhe condições favoráveis para que continue a crescer neste domínio, tendo assim
condições privilegiadas no negócio de bunkering de Gás Natural Liquefeito (GNL), nos seguin-
tes segmentos: navegação comercial, turismo, transporte de longa e curta distância. É assim
necessário apostar no reforço da capacidade e atratividade das infraestruturas de transporte
internacional. Complementarmente, importa estender territorialmente os benefícios proporcio-
nados por esta conetividade externa, o que justifica a melhoria das ligações das infraestruturas
de transporte internacional às redes de distribuição. Igualmente, a nível regulatório, as novas
restrições ambientais abrem mercado para o uso do GNL como combustível base da mobilidade
marítima, substituindo o fuel.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Alargar a conetividade externa, potenciando e distribuindo territorialmente as oportunida-
des criadas pelo posicionamento geográfico do País, através do reforço das infraestruturas de
conexão internacional e das suas ligações intra e intermodais ao resto do território nacional,
nomeadamente através de:
- Reforço da capacidade das redes de infraestruturas, adaptando-as à pressão de tráfego
no sistema portuário, através inevitavelmente da construção de novos terminais nos portos de
Leixões, Lisboa e Sines, e aeroportuário, nomeadamente através da construção de uma nova
infraestrutura aeroportuária na região de Lisboa que dê resposta rápida à necessidade de alívio
do atual Aeroporto Humberto Delgado;
- Afirmação do hub GNL portuário e criação e um mercado sustentável para o GNL marítimo,
garantindo desta forma ganhos de atratividade e sustentabilidade do sistema portuário;
- Melhoria da integração logística e da ligação das infraestruturas portuárias e aeroportuá-
rias às redes de transporte terrestre (com destaque para as ligações ao sistema ferroviário) e
fluviais;
- Aumento da interoperabilidade do sistema ferroviário e, consequentemente, da sua inte-
gração na Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T).
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar/adequar/otimizar a capacidade portuária e aeroportuária
2. Melhorar as condições de desenvolvimento dos hubs portuários e aeroportuários
3. Assumir Portugal como hub comercial de GNL transcontinental, hub de transhipment de
GNL Small-Scale e Área de Serviço GNL marítimo
4. Melhorar o desempenho e a eficiência das cadeias logísticas e de mobilidade
5. Aumentar a interoperabilidade do sistema ferroviário
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 171
6. Aumentar a competitividade e atratividade dos sistemas de transporte internacional
7. Aumentar a conetividade externa para passageiros e mercadorias
8. Aumentar a procura interna e externa da atividade económica
9. Melhorar as conetividades e a cooperação com Espanha.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
ANAC; AMT; IMT; Concessionárias e demais
DGRM; Administrações Portuá-
Entidades empresas do setor marítimo; NAV, compa-
rias; ANA – Aeroportos de Principais
de nhias e demais empresas do setor aéreo;
Portugal; IP; Regiões Autó- Parceiros
Coordenação Cluster AED; Portugal Clusters; Operadores
nomas
ferroviários, logísticos e turísticos
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continen-
te — Horizonte 2026; Plano Estratégico de Transporte e Infraestruturas — Horizonte 2014-2020
(PETI 3+); Plano de investimentos “Ferrovia 2020”; Plano Estratégico da ANA
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da atratividade externa dos sistemas logísticos e de transporte.
- Aumento dos fluxos de pessoas à escala internacional.
- Aumento dos fluxos de mercadorias à escala internacional.
- Consolidação de Portugal como hub comercial de GNL transcontinental.
- Aumento da interoperabilidade dos sistemas de transportes.
- Aumento das transações económicas internacionais.
- Aumento da atividade turística externa.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Mercadorias carregadas (t) por Porto declarante e tipo de carga (INE)
- N.º de passageiros desembarcados nos portos e aeroportos, tipo de tráfego e natureza
do tráfego (INE)
- Proporção de mercadorias movimentadas (%) nos portos por Porto declarante, tipo de
carga e tipo de fluxo das mercadorias (INE)
Medida 4.8
TÍTULO: Ampliar a conetividade digital internacional através de cabos submarinos
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 4.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Portugal, devido à sua posição geoestratégica privilegiada, é um ponto fulcral de
ancoragem de cabos submarinos. Amarram no País 9 sistemas internacionais de cabo
submarino que permitem a interligação diversificada e direta de Portugal a todos os
Continentes. O País tem de momento capacidade de resposta às suas necessidades de
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 172
interligação nacional o que presentemente constitui alguma vantagem competitiva no que
toca à criação de valor.
Assim, importa não só continuar a potenciar este posicionamento de Portugal interna-
cionalmente, como promover, nacionalmente, as ligações às regiões autónomas. A partir de
2024-25, o mais tardar, prevê-se que as atuais interligações em fibra ótica das Regiões Au-
tónomas ao Continente chegarão ao fim da sua vida útil, necessitando-se de alternativas, via
cabo submarino, que substituam as existentes (anel Continente-Açores-Madeira). Uma nova
ligação entre a Madeira e o Continente, através do cabo Ellalink, está já prevista. Contudo,
no que diz respeito à ligação entre os Açores e o Continente, bem como entre os Açores
e a Madeira, não existe, para já, qualquer previsão de novas ligações, o que é necessário
acautelar em devido tempo.
No decorrer da próxima década chegarão ao fim da vida útil 5 dos 9 sistemas internacio-
nais que presentemente amarram em Portugal. Também para este caso serão necessárias
alternativas de modo a que Portugal possa continuar a constituir-se como um nó da rede
internacional.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Em primeiro lugar deve ser consolidado o posicionamento estratégico de Portugal (como
hub de ancoragem de cabos submarinos internacionais. Ao mesmo tempo deve-se construir
uma estratégia nacional que potencie a amarração de sistemas internacionais em cabo sub-
marino em território nacional. Estas medidas devem garantir uma conetividade internacional
diversificada, autónoma e independente de redes terrestres, que responda às necessidades
futuras do País e potencie o desenvolvimento de indústrias tecnológicas e de conteúdos, de
projetos científicos, de polos de desenvolvimento e inovação e a interligação entre centros de
investigação e redes universitárias.
Tendo em conta o prazo de vida útil das atuais ligações, principalmente entre os Açores e
o Continente e os Açores e a Madeira, devem-se acautelar soluções de conexão via cabo sub-
marino que contribuam para a aproximação dos territórios e a coesão nacional. No que respeita
à amarração de cabos submarinos internacionais, se resolvido o problema de interligação entre
as Regiões Autónomas e entre estas e o Continente, estará criada uma plataforma de amarração
de cabos submarinos internacionais que poderá deste modo dar resposta aos anseios de tornar
o País com um papel mais importante na rede mundial, quer para as funções de hub de trânsito,
quer para dar resposta às necessidades do País em termos de acesso a uma rede mundial,
com diversificação, autonomia, qualidade de serviço, com condições comerciais vantajosas e
com independência de redes terrestres.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar conetividade internacional.
2. Tornar Portugal num nó da rede internacional.
3. Assegurar o futuro das ligações entre o Continente e as Regiões Autónomas.
4. Promover a interligação entre as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
5. Criar oportunidades de mais-valias para o setor.
6. Tornar Portugal num nó preponderante na interligação dentro da CPLP.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades
Principais
de ANACOM; Regiões Autónomas DGRM; Ceiia; Cluster do Mar
Parceiros
Coordenação
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 173
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Agenda Portugal Digital
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento da conetividade a nível internacional e nacional.
- Aproximação digital entre as Regiões Autónomas e entre as Regiões Autónomas e o
Continente.
- Implantação de pontos de troca de tráfego Internet (IXPs) e de pontos de presença de
operadores (PoPs). Com o desenvolvimento da instalação de novas Telehouses.
- Implantação de centros de I&D internacionais assim como de polos de desenvolvimento
e inovação.
- Desenvolvimento da indústria de armazenamento de dados e de localização de conteúdos.
- Criação de valor através da contratação por terceiros da utilização dos cabos submarinos.
- Integração do assunto da rede submarina na defesa da estratégia nacional para a ZEE.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de novos cabos submarinos amarrados em Portugal (ANACOM)
- N.º de países conectados por cabo a partir de Portugal (ANACOM)
- Capacidade total dos cabos submarinos amarrados em Portugal (ANACOM)
- Substituição das ligações entre o Continente, a Região Autónoma dos Açores e a Região
Autónoma da Madeira (ANACOM)
Medida 4.9
TÍTULO: Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de redes da nova
geração 5G
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 4.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Visando satisfazer o aumento da procura de consumo de dados e tendo em conta as ino-
vações tecnológicas, é necessário investimento em infraestruturas e em redes de nova geração,
de modo a garantir a qualidade do serviço e a adequação das ofertas disponibilizadas. Para
este efeito, designadamente no âmbito dos sistemas de banda larga sem fios para prestação
de serviços de comunicações eletrónicas terrestres, é imperativa a disponibilização de espetro
radioelétrico.
Neste contexto, é de notar que a Comissão Europeia harmonizou as condições técnicas da
faixa dos 700 MHz (2016), na qual se releva a importância da disponibilização coordenada desta
faixa para sistemas terrestres capazes de fornecerem serviços de comunicações eletrónicas
de banda larga sem fios, incluindo a disponibilização de espetro para ligações descendentes
suplementares (suplemental downlink — SDL). Posteriormente, a UE aprovou a utilização da
faixa de frequências de 470 790 MHz (2017), a qual estabelece uma abordagem coordenada
deste espetro de modo a garantir, a partir de 2020, a disponibilização de serviços de banda
larga móvel na faixa dos 700 MHz. Estas aprovações implicam a migração da atual rede de
TDT, o que constitui uma oportunidade para alavancar o desenvolvimento de novos serviços
digitais, garantindo a prestação de serviços de banda larga de modo a assegurar o acesso e a
conetividade, proporcionando igualmente economias de escala.
Neste âmbito, cabe também referir que a UE aprovou o roadmap para a introdução do
5G, a qual reitera que a atribuição da faixa dos 700 MHz deverá acontecer na maioria dos
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 174
Estados-Membros até 2020. O roadmap insere-se na prossecução dos objetivos estratégicos
de conetividade para 2025, em que, entre outros, se estabelece a necessidade de cobertura
5G ininterrupta.
Assim, torna-se crucial a introdução e implementação do 5G em Portugal, com vista a se-
guir os atuais desafios tecnológicos, e de forma a garantir os objetivos definidos no 5G Action
Plan.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A libertação da subfaixa 694-790 MHz das atuais utilizações de TDT implica uma alteração
das condições técnicas da rede. Esta alteração irá ter um impacto na população que acede à
TDT, que terá de proceder a alterações nos seus sistemas de receção. Consoante o cenário
adotado para esta transição, as implicações nas condições de acesso da população à nova rede
serão de menor ou maior monta. Em termos gerais, a disponibilização da faixa dos 700 MHz
deve ser vista de forma complementar ao processo de introdução do 5G em Portugal. Assim,
para promover a implementação do 5G em Portugal é necessário o desenvolvimento das se-
guintes ações: identificar e atribuir espetro adicional aos operadores, implicando, no caso da
faixa dos 700 MHz, a migração da rede atual de TDT; fomentar a realização de projetos piloto
5G; Fomentar a investigação e desenvolvimento do 5G; promover a cooperação entre as indús-
trias de telecomunicações e os potenciais mercados “verticais” de 5G; planear o espetro com
vista à implementação das tecnologias 5G; ter a acesso a instrumentos de financiamento que
eventualmente venham a ser implementados a nível europeu; definir o calendário estratégico
de implementação e marcos estratégicos, em linha com os objetivos da Comissão Europeia
(CE); definir medidas para facilitar a instalação de estações de base, em particular de small
cell; estimular o investimento em infraestruturas de redes.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Garantir as condições técnicas para o acesso da população à TV gratuita.
2. Desenvolver as redes de suporte aos serviços de comunicações eletrónicas de banda
larga sem fios, tendo em vista a implementação do 5G.
3. Reforço da banda larga a nível nacional, em especial nas áreas rurais, e melhor acesso
aos conteúdos digitais.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Entidades
Principais Operadores de telecomunicações e da rede
de ANACOM; Regiões Autónomas
Parceiros de TDT; Cluster TICE.
Coordenação
RELACIONAMENTO COM OUTRAS MEDIDAS
A implementação do 5G poderá ter impacto no plano nacional de banda larga (Agenda
Portugal Digital), que deverá ser atualizado conforme apropriado, com o objetivo de acomodar
o 5G, assim como os novos objetivos de banda larga de conetividade gigabit, e incluir também
oportunidades para comunicações governamentais com o 5G.
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Agenda Portugal Digital; “INCoDe.2030”
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 175
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço da cobertura de banda larga
- Implementação do 5G
- Reforço da infraestruturação digital tendo em vista a diminuição da infoexclusão e o
incremento da economia digital
- Aumento dos utilizadores dos sistemas de transporte.
- Aumento da carga transportada pelos sistemas de transporte.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Migração da TDT, garantindo o acesso da população à TV gratuita (ANACOM)
- Reafetação de espetro, quer o atualmente utilizado pela rede TDT, bem como espetro
adicional (ANACOM)
- Implementação de conetividade de nova geração 5G em Portugal (ANACOM)
- N.º de conexões de internet por 100 000 habitantes, por NUTS III (INE)
- Acessos à internet em banda larga por 100 habitantes (%), por NUTS III (INE)
D5 Domínio da Governança Territorial
Palavras-Chave: Capacitar | Cooperar | Descentralizar | Territorializar
Índice das medidas.
5.1 Promover a informação geográfica
5.2 Ativar o conhecimento e uma nova cultura territorial
5.3 Potenciar e qualificar a cooperação territorial
5.4 Aprofundar a descentralização e a desconcentração e promover a cooperação e a go-
vernança multinível
5.5 Experimentar e prototipar soluções inovadoras
5.6 Reforçar as abordagens integradas de base territorial
5.7 Fomentar a cooperação intraurbana para uma cidade sustentável e inteligente
5.8 Fortalecer as articulações rurais-urbanas
5.9 Dinamizar as articulações interurbanas e os subsistemas territoriais
5.10 Aprofundar a cooperação transfronteiriça
As Medidas de Política concorrem para os Desafios Territoriais
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO DE GOVERNANÇA TERRITORIAL
5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 5.8 5.9 5.10
DESAFIOS Aprofundar a
Fomentar a
Ativar o descentralização e a Dinamizar as
TERRITORIAIS Promover a conhecimento
Potenciar e
desconcentração e
Experimentar Reforçar as cooperação
Fortalecer as articulações Aprofundar a
qualificar a e prototipar abordagens intraurbana para
informação e uma nova promover a articulações interurbanas e cooperação
cooperação soluções integradas de uma cidade
geográfica cultura cooperação e a rurais-urbanas os subsistemas transfronteiriça
territorial inovadoras base territorial sustentável e
territorial governança territoriais
inteligente
multinível
1.1 Valorizar o capital natural
Promover a eficiência do metabolismo
1.2 regional e urbano
1.3 Aumentar a resiliência socioecológica
Afirmar as metrópoles e as principais
cidades como motoras da
2.1 internacionalização e competitividade
externa
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 176
MEDIDAS DE AÇÃO DO DOMÍNIO DE GOVERNANÇA TERRITORIAL
5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 5.8 5.9 5.10
DESAFIOS Aprofundar a
Fomentar a
Ativar o descentralização e a Dinamizar as
TERRITORIAIS Promover a conhecimento
Potenciar e
desconcentração e
Experimentar Reforçar as cooperação
Fortalecer as articulações Aprofundar a
qualificar a e prototipar abordagens intraurbana para
informação e uma nova promover a articulações interurbanas e cooperação
cooperação soluções integradas de uma cidade
geográfica cultura cooperação e a rurais-urbanas os subsistemas transfronteiriça
territorial inovadoras base territorial sustentável e
territorial governança territoriais
inteligente
multinível
Reforçar a cooperação interurbana e rural-
2.2 urbana como fator de coesão interna
2.3 Promover a qualidade urbana
Aumentar a atratividade populacional, a
3.1 inclusão social, e reforçar o acesso aos
serviços de interesse geral
Dinamizar os potenciais locais e regionais
3.2 e o desenvolvimento rural face à dinâmica
de globalização
Promover o desenvolvimento
3.3 transfronteiriço
Otimizar as infraestruturas ambientais e a
4.1 conectividade ecológica
Reforçar e integrar redes de acessibilidade
4.2 e de mobilidade
4.3 Dinamizar redes digitais
Reforçar a descentralização de
5.1 competências e a cooperação intersectorial
e multinível
Promover redes colaborativas de base
5.2 territorial
5.3 Aumentar a cultura territorial
Medida 5.1
TÍTULO: Promover a informação geográfica
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS Todos os Desafios Territoriais
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A informação geográfica é uma ferramenta essencial para um universo muito alargado
de atividades económicas e sociais e um suporte imprescindível para todas as atividades de
planeamento e gestão territorial e ambiental. Para além disso, com o incremento da produção e
disseminação dos dispositivos tecnológicos passou a constituir-se como um recurso de utilização
corrente de muitos cidadãos, empresas e organizações que recorrem a serviços produzidos
sobre a informação geográfica para ações básicas da sua vida quotidiana.
A informação geográfica topográfica e ortofotocartográfica, a informação temática de base
territorial e os serviços sobre estes produzidos são hoje simultaneamente recursos e requisitos
das sociedades e fatores de produção do conhecimento e da inovação, com fortes retornos
para a economia e para a qualidade de vida das pessoas. Em Portugal existem ainda défices
de aquisição de dados e de produção de informação, bem como significativos constrangimentos
à disponibilização aberta e acessível da informação geográfica. Importa por isso fomentar a
produção de informação em áreas claramente deficitárias no quadro da transformação digital e
prosseguir uma política de dados abertos que alargue substancialmente a base dos utilizadores
da informação geográfica, promova a melhoria do conhecimento sobre o território e as dinâmicas
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 177
territoriais e base territorial e incentive a inovação ao nível da decisão e gestão territorial e do
funcionamento dos territórios.
As infraestruturas de informação geográfica e as plataformas colaborativas assumem-se
neste contexto como ferramentas tecnológicas essenciais, as primeiras enquanto suportes da
organização e sistematização de conjuntos de dados geográficos residentes em diversas enti-
dades produtoras e as segundas enquanto sedes de organização de processos de produção de
informação. As infraestruturas da sociedade da informação e do conhecimento são essenciais
para que se evolua do conceito de acesso a repositórios de dados para o de acesso a proce-
dimentos de mobilização de dados e informação e de produção de nova informação a partir da
manipulação integrada da preexistente.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Esta medida visa a modernização das infraestruturas de informação geográfica e das plata-
formas colaborativas associadas aos principais sistemas nacionais de informação geográfica e
territorial e às infraestruturas temáticas e regionais, tendo em vista tornar o acesso à informação
mais simples e mais interativo e fomentar análises geográficas mais integradas.
Com esta medida pretende-se também alargar os procedimentos automáticos de produção
e disponibilização de dados geográficos, através de procedimentos de submissão eletrónica
para múltiplos fins e fomentar a interoperabilidade da administração pública.
Pretende-se, igualmente, fomentar parcerias para a produção e disponibilização de car-
tografia de base e de informação cadastral bem como incrementar a produção de informação
temática relevante e incentivar políticas de dados abertos, através da promoção da disponibili-
zação gratuita dos principais conjuntos de dados geográficos por via de serviços de internet de
visualização e descarregamento.
Em termos de informação geográfica Portugal tem obrigações na gestão e disponibilização de
dados e serviços de informação geográfica de acordo com princípios e regras europeias, estabeleci-
das para as componentes da infraestrutura de informação geográfica, previstas na Diretiva Inspire.
O acompanhamento e a avaliação regular das políticas de ordenamento do território e
urbanismo e das políticas sectoriais com impacto na organização do território são uma ação
central nesta medida, com relevância para a capacidade de análise integrada de informação,
nomeadamente em termos de serviços de interesse geral. A disponibilização de informação
geográfica tem também em vista aumentar a produção de conhecimento territorial e a inovação
em matéria de gestão territorial.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aumentar a partilha de dados geográficos entre entidades públicas e melhorar os pro-
cessos de pesquisa e acesso, bem como a capacidade de avaliação da sua adequação para
um determinado fim e o conhecimento das suas condições de utilização.
2. Aumentar a utilização da informação geográfica por parte de cidadãos, empresas e or-
ganizações, a partir das infraestruturas de informação geográfica e territorial nacionais SNIG e
SNIT e de outras infraestruturas de âmbito nacional, regional e temático (e.g. SNIC, SNIAMB,
SIARL, SNIMar, SNIRH).
3. Disponibilizar produtos da base de dados nacional de informação geográfica de referência
como a cartografia topográfica e ortofotocartografia, e cartografia específica como a Carta de
Ocupação do Solo (COS) e a Carta do Regime de Uso do Solo (CRUS).
4. Viabilizar o acesso, através de ponto único, à informação geográfica e territorial de
natureza vinculativa, em prejuízo da manutenção das responsabilidades de depósito e gestão
por parte das respetivas entidades responsáveis pela informação.
5. Facilitar o acompanhamento e a avaliação regular das políticas públicas de ordenamento
do território e urbanismo e das políticas sectoriais com impacte na organização do território.
6. Promover o conhecimento sobre o território e a inovação territorial e gerar processos de
criação de valor económico e social a partir da exploração da informação geográfica.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 178
7. Incrementar o conhecimento sobre a propriedade do solo.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
APA; CCDR; Entidades do
SCT; AM; CIM; Municípios;
Entidades de Coordenação DGT; Regiões Autónomas Principais Parceiros IGeoE, IH; ICNF; DGPC,
Turismo de Portugal, I.P;
Cluster TICE
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Diretiva INSPIRE; Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital; Programa Sim-
plex
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Modernização das infraestruturas de informação geográfica e das plataformas colabora-
tivas associadas aos principais sistemas nacionais de informação geográfica e territorial (SNIT
e SNIG) e modernização e incremento das infraestruturas temáticas e regionais
- Produção e disponibilização de informação integrada em domínios identificados como
relevantes para o ordenamento e a gestão do territorial, nomeadamente no domínio dos serviços
de interesse geral
- Incremento da organização, sistematização e disponibilização da informação geográfica
- Incremento de dados abertos disponibilizados através de serviços de internet de visua-
lização e descarregamento.
- Aumento do conhecimento sobre o território, as dinâmicas territoriais e o sistema de
gestão territorial
- Melhoria das práticas de monitorização e avaliação no domínio do território
- Incremento da produção e disponibilização de informação cadastral
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de utilizadores e acessos às principais infraestruturas de informação geográfica
(eg SNIG, SNIT, SNIC, SIARL, SNIR, SNIAMB) (Plataformas) [DGT]
- N.º de temas de informação organizada, sistematizada e disponibilizada através de infra-
estruturas de informação geográfica (SNIG) [DGT]
- % de temas de informação com serviços de visualização e de descarregamento (SNIG)
[DGT]
- Mapear os serviços de interesse geral (saúde, educação, social, justiça, desporto, cultura,
administração pública, ciência e inovação), por concelho (DGT em colaboração com os vários
ministérios)
- % de área coberta com cadastro predial ou informação cadastral
- N.º de utilizadores COS, CRUS
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 179
Medida 5.2
TÍTULO: Ativar o conhecimento e uma nova cultura territorial
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: Todos os Desafios Territoriais
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
As políticas publicas devem ajudar a construir ambientes que favoreçam ou despoletem
processos adaptativos de mudança potenciando as capacidades das sociedades. Assim, reforçar
a cultura territorial passa por um conjunto de processos que podem contribuir para adequar as
crenças, os valores, as lógicas e as práticas de apropriação do território. O ordenamento do
território deve ser um instrumento de resposta aos desafios de desenvolvimento local e regional.
Assim, a cultura de território e a cultura de ordenamento do território são fatores condicionadores,
positivos ou negativos, do desenvolvimento do País.
O défice de “(…) uma cultura cívica valorizadora do ordenamento do território (…)” identifi-
cado no PNPOT 2007 ainda se mantém, apesar dos progressos verificados na disponibilização
de informação geográfica; na integração do ordenamento do território nos currículos do ensino
básico e secundário; no aumento dos projetos de investigação científica relacionados com o
território; e no aumento do número de iniciativas de divulgação e sensibilização em matéria
ambiental e territorial. É tempo também de estender este foco na dimensão marítima, onde
assenta parte da estratégia de desenvolvimento nacional, nomeadamente na promoção de
gerações oceânicas.
Urge promover uma cultura de cidadania ativa para as questões do território capaz de
mobilizar a sociedade em torno de compromissos territoriais, fomentando o acompanhamento
e a cooperação ativa das entidades que representam diferentes interesses, assim como dos
demais agentes territoriais e cidadãos interessados, para a obtenção de soluções concertadas
de desenvolvimento e a garantia de equidade nas oportunidades geradas.
As visões territoriais dicotómicas que prevalecem nas representações da população por-
tuguesa (litoral e interior; Norte e Sul; Lisboa e o resto) transfiguram, e de certa forma anulam,
a riqueza espacial do País. Sublinhar a diversidade é o primeiro passo para se gerarem novos
desafios e oportunidades.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A medida valoriza o papel da educação no reforço da informação, do conhecimento, dos valo-
res e dos comportamentos relativos ao território, bem como na promoção de uma cidadania ativa,
a partir de processos de partilha e de cooperação entre cidadãos e entre estes e as instituições.
É preciso promover uma cultura que a todos envolva e responsabilize, e que ajude a construir solu-
ções coletivas em matéria de ordenamento territorial. É assumido que mobilizar uma sociedade em
torno de um compromisso territorial exige tempo para assimilar a informação geográfica e o conhe-
cimento e para estimular processos de mudança. Trata-se, assim, de ativar a atenção e o interesse
da sociedade para o território, fomentando uma cultura cívica informada, participativa e cocriativa.
Esta medida subdivide-se em três linhas da atuação.
Na primeira linha de atuação trabalham-se os saberes adquiridos e partilhados pelos
membros da comunidade técnico-profissional do ordenamento do território e desenvolvem-se
processos de aprendizagem que respondam às exigências em matéria de conhecimentos e
competências, integrando as expectativas coletivas e as necessidades de valorização susten-
tável dos distintos ativos territoriais. Este reforço de competências técnicas e relacionais visa
uma maior capacitação institucional para a governação colaborativa e a governança territorial,
com implicações profundas ao nível político-institucional.
A segunda, dirigida às populações mais jovens e à mobilização de todos os cidadãos,
e podendo também ser operacionalizada no quadro da Estratégia Nacional de Educação
Ambiental (ENEA). Centra-se no papel da educação e no fortalecimento de uma cidadania
ativa valorizadora do território e dos princípios do ordenamento do território e de uma maior
Diário da República, 1.ª série
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sustentabilidade ambiental. Sustenta-se também no desenvolvimento de campanhas de sen-
sibilização e consciencialização e no reforço do papel da comunicação social neste âmbito.
As atividades físicas, o exercício físico e o desporto de rendimento podem também contribuir
para esta dimensão. Complementarmente, reconhecendo-se que a compreensão do urbanismo
e da arquitetura reforça o sentido cívico e deverá manter-se como elemento essencial da cultura
territorial no nosso País, deverão também ser dinamizadas campanhas enquadradas no Plano
Nacional de Arquitetura e Paisagem.
A terceira linha aponta uma Agenda para o aprofundamento e conhecimento científico
em matérias do território, fomentando diferentes abordagens de sustentabilidade e inovação
territorial. Importa fomentar redes colaborativas Academia/Administração.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Valorizar o território (terrestre e marítimo) e a paisagem, visando aumentar o sentido
de pertença, de identidade e de responsabilidade dos cidadãos no que se refere às formas de
uso, ocupação e apropriação dos diferentes territórios.
2. Capacitar e mobilizar os cidadãos e as instituições para a participação, monitorização
e avaliação no domínio do ordenamento e gestão territorial.
3. Simplificar, agilizar e tornar mais transparente o acompanhamento e a participação nos
processos de gestão territorial por parte das diferentes entidades e pela sociedade civil.
4. Passar a mensagem da forte relação entre o ordenamento do território e a qualidade
de vida.
5. Ativar a nova cultura territorial para todo e qualquer cidadão, incluindo nos diferentes
processos e canais de participação.
6. Promover os conhecimentos e as técnicas tradicionais associadas à construção e ma-
nutenção do património construído.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Ensino Superior; Ensino
Básico e Secundário;
AM; CIM; DGPC; ONG;
DGT, APA; AD&C; CCDR; Ordens e Associações
Entidades de Coordenação Principais Parceiros
Regiões Autónomas Profissionais; Empresas
e Associações Empresa-
riais; DGPM; ICNF; ADL;
GAL; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Nacional de Educação Ambiental; Programa Nacional para a Coesão Territorial;
Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; Plano Nacional de Arquitetura e Paisagem; Estratégia
Nacional para o Mar; Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento do número de projetos de investigação e da produção científica em matérias
ligadas ao território e ao seu planeamento, gestão e governação
- Aumento da consciência cívica dos cidadãos e da sua importância como atores sociais
e interventivos em temáticas territoriais.
- Reforço da participação cívica nos processos de elaboração, monitorização e avaliação
de instrumentos de gestão territorial.
Diário da República, 1.ª série
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- Envolvimento das comunidades locais na resolução de problemas e cocriação de soluções
de ordenamento do território.
- Reforço da capacitação técnica das instituições e dos agentes na gestão do território;
- Potenciar as boas práticas, designadamente através da elaboração e divulgação de ma-
nuais e exemplos de referência em matéria de ordenamento do território, urbanismo, arquitetura
e gestão da paisagem.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Variação da participação registada nos processos de consulta pública dos IGT (DGT)
- N.º de campanhas de sensibilização realizadas (DGT)
- N.º de escolas e de população escolar abrangida (DGT)
- N.º de projetos ou redes colaborativas (DGT)
- N.º de boas práticas identificadas em entidades da administração (DGT)
- N.º de projetos de inovação em Agendas Territoriais que promovam a investigação e a
experimentação para a ação
Medida 5.3
TÍTULO: Potenciar e qualificar a cooperação territorial
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 1.1; 2.1; 2.2; 3.1; 3.2; 3.3; 4.3;
5.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O ordenamento do território tem de integrar uma componente de participação e cocriação,
baseada na articulação entre o Estado, os privados, a sociedade civil e o terceiro setor, num
processo colaborativo. Desta forma, o futuro depende da capacidade de uma sociedade se
articular para potenciar os seus ativos tendo em vista um desenvolvimento sustentável. Assim,
é fundamental aumentar as competências técnicas e relacionais e reforçar a capacitação
institucional para a governança territorial e para novas práticas de planeamento, assentes na
coordenação entre políticas, e respetivos instrumentos, e na colaboração entre atores.
Não obstante a presença no território de redes de colaboração institucional ativas, os níveis
de cooperação nacional, regional e sub-regional, a capacidade de construção de compromissos
de base territorial em torno de objetivos comuns e o desenvolvimento de medidas em parceria
são ainda responsabilização institucional em termos globais, débeis. A procura de soluções
para problemas complexos e o aproveitamento de oportunidades territoriais implicam novas
formas de organização coletiva e de coordenação de políticas, assentes em redes de atores
com geometrias variáveis que promovam relações de confiança e sejam capazes de articular
ações de diferentes níveis e áreas de governação.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A constituição, consolidação e funcionamento de redes colaborativas de âmbito nacional,
regional e local, enquanto instrumentos da ação coletiva, implicam a adoção de uma nova pers-
petiva de relacionamento intersectorial e interinstitucional, bem como uma adequada capacidade
de governação territorial. Será, assim, necessária a adoção de processos de aprendizagem
institucional contínua, a aceitação de maiores níveis de responsabilização institucional (accoun-
tability), a dotação das instituições com competências e recursos adequados e o alargamento
da participação através do envolvimento de novos atores
Será fundamental, para melhorar a eficiência e a eficácia da ação coletiva e dos modelos
de governação, a adoção e institucionalização de programas de capacitação institucional de
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âmbito nacional, regional, metropolitano, intermunicipal e municipal que compreendam, desig-
nadamente:
(i) Um levantamento e uma avaliação que procedam à identificação das necessidades de
capacitação institucional a partir do reconhecimento das competências e capacidades presentes
nos diferentes territórios;
(ii) A possibilidade de utilização de uma gama alargada de abordagens e metodologias de
capacitação institucional;
(iii) O desenvolvimento de ações de formação e capacitação dirigidas não apenas às enti-
dades da administração pública, mas também a outros agentes relevantes, formais e informais,
públicos, privados e do terceiro setor, que participam nos diferentes sistemas de governança
territorial (de diferentes domínios, nomeadamente, ensino, formação, emprego, setor social,
desporto, cultura e lazer).
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Reforçar a capacidade de os diferentes atores institucionais promoverem ações de de-
senvolvimento territorial e participarem em redes de cooperação estratégica a várias escalas
geográficas.
2. Promover a cooperação interinstitucional e interescalar e o trabalho em rede, em prol da
realização de objetivos estratégicos partilhados e da concretização das metas e dos resultados
fixados em termos territoriais.
3. Monitorizar, avaliar e ajustar as estratégias e os instrumentos de capacitação institu-
cional.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
Municípios; AM; CIM; Asso-
ciações Empresariais; As-
sociações de agricultores;
DGPM; CCDR; AD&C;
Entidades de Coordenação Principais Parceiros Organização de Produtores
Regiões Autónomas
Florestais; Ensino Superior;
DGRM; ONG, ADL; GAL,
Turismo de Portugal, I.P
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço das competências e capacidades dos atores institucionais públicos para a pro-
moção de ações em redes de cooperação estratégica para o desenvolvimento territorial.
- Reforço das redes de cooperação institucional às escalas local, sub-regional, regional,
nacional e internacional.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de programas de capacitação institucional criados e executados nas diferentes escalas
territoriais (a construir)
- N.º de projetos de capacitação dos atores institucionais, incluindo empresariais, na promo-
ção de ações de desenvolvimento territorial e participação em redes de cooperação estratégica
(a construir)
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- N.º de atores, ligações e projetos institucionais envolvidas em redes de cooperação às
escalas sub-regionais e regionais, por NUTS III (a construir)
- N.º de atores, ligações e projetos institucionais envolvidos em redes de cooperação à
escala nacional, por NUTS III (a construir)
- N.º de atores, ligações e projetos institucionais (instituições públicas e privadas) envolvidos
em redes de cooperação de inserção internacional, por NUTS III (a construir)
Medida 5.4
TÍTULO: Aprofundar a descentralização e promover a cooperação e a governança
multinível
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 2.3; 3.1; 3.2; 5.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
Portugal confronta-se, com um significativo desafio organizativo que condiciona os processos
de desenvolvimento territorial. Justifica-se, assim, a adoção de novos modelos de governança
territorial, formal e informal, que aproximem a tomada de decisão do terreno e das populações
e que propiciem soluções mais integradas, participadas e multissectoriais para os problemas e
as oportunidades específicos de cada território.
A descentralização administrativa deve corresponder a processos graduais a efetuar, visando
a consolidação de uma estrutura político-administrativa eficiente, flexível, com capacidade de
colaborar institucionalmente e de envolver os cidadãos nos processos de decisão. A sua con-
cretização deverá, ainda, permitir uma atuação pública mais diferenciada entre territórios e um
maior recurso à experimentação de novas soluções. Neste contexto de reforço dos níveis de
decisão subnacionais, as áreas metropolitanas e as comunidades intermunicipais, que corporizam
o associativismo municipal, surgem, cada vez mais, como atores incontornáveis e centros de
racionalidade estratégica supramunicipal, determinantes para a obtenção de ganhos de escala.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A operacionalização desta medida implica a adoção de reformas que valorizem e privilegiem
de forma sistemática os processos de descentralização e que, paralelamente, desenvolvam as
competências e afetem os recursos humanos e financeiros necessários a nível local, intermu-
nicipal e regional, bem como a capacitação das instituições públicas, tornando-as mais abertas
e transparentes, capazes de operacionalizar políticas mais ajustadas, exigentes, coerentes e
sustentáveis.
A descentralização administrativa, enquanto processo estruturante e princípio fundamental
da organização do Estado, deve envolver uma reflexão estratégica que permita identificar e
priorizar as áreas e domínios em que esta deverá incidir bem como um sistema de monitorização
que permita uma avaliação efetiva.
A par da descentralização e correspondente transferência de atribuições, competências e
recursos para o nível local, cumpre também criar condições para o aprofundamento e valorização
do papel do associativismo municipal e das decisões inter e supramunicipais, designadamente
nas áreas de intervenção em que a escala NUTS III é mais adequada do que a escala municipal.
Garantir uma resposta mais próxima, eficiente e eficaz da territorialização das políticas
públicas, não é dissociável de uma repartição mais equilibrada dos recursos entre a Adminis-
tração Central e Local.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Aproximar a decisão pública dos cidadãos e dos territórios.
2. Reforçar a transversalidade e a coordenação da atuação interministerial e a governança
multinível.
Diário da República, 1.ª série
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3. Adotar novos formatos partilhados de participação, fomentando modelos de governança
mais transparentes, eficientes e eficazes.
4. Aumentar o financiamento local, de forma a assegurar os recursos necessários tendo
em vista uma maior coesão territorial.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AM; CIM; ANMP; ANAFRE;
Entidades de Coordenação DGAL; Regiões Autónomas Principais Parceiros
CCDR; Municípios
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Reforma do Estado e Processo de Descentralização
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento do grau de territorialização das decisões e das políticas públicas.
- Decisões públicas mais transparentes, eficientes e eficazes, fruto do reforço da transver-
salidade e da coordenação da atuação interministerial, da governança multinível e de novos
formatos partilhados de participação.
- Aumento da capacidade financeira a nível descentralizado.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de competências descentralizadas, a nível municipal, intermunicipal e regional (DGAL)
- Reforço financeiro das autarquias (variação) (DGAL)
Medida 5.5
TÍTULO: Experimentar e prototipar soluções inovadoras
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS: 3.2; 5.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A imprevisibilidade e a rapidez das transformações, que se fazem sentir na atualidade e
que se perspetivam no futuro, em domínios tão relevantes como o ambiente, o clima, a socie-
dade, a saúde, a cultura, a demografia, apelam a novas formas de pensamento com recurso à
criatividade, à investigação, à tecnologia e à inteligência coletiva.
Os territórios inteligentes são aqueles que, de forma sistemática, procuram soluções ino-
vadoras para ultrapassar, desafios, problemas, obstáculos e constrangimentos bem como para
potenciar o aproveitamento das oportunidades e das vantagens, através da adoção de novas
metodologias de abordagem aos problemas, designadamente, mais experimentais.
A governança dos territórios encarada em sentido lato, não como um fim em si próprio,
mas antes como um instrumento e um processo que agrega atores, formais e informais, dos
setores público, privado e do terceiro setor, organizados e comprometidos que interagem — em
concertação ou em conflito — para prosseguir um conjunto de objetivos coletivos que inclui o
desenho, conceção e a implementação de novas políticas públicas ajustadas aos territórios e
às suas especificidades. Para tanto, torna-se necessário estimular o surgimento de plataformas
colaborativas às diferentes escalas, que congreguem uma maior diversidade de agentes públi-
cos e privados, que aportem recursos complementares, que permitam conceber e desenvolver
soluções ajustadas aos múltiplos desafios com que os territórios estão confrontados.
Diário da República, 1.ª série
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As tecnologias da informação e da comunicação, em suma a digitalização e as possibi-
lidades que estes fenómenos aportam devem desempenhar um papel determinante, através,
nomeadamente, da geração e utilização de dados abertos e de processos baseados em big
data, devem ser colocadas ao serviço da inovação e de dinâmicas mais ajustadas às necessi-
dades dos cidadãos e aos desafios com que as comunidades e os territórios estão confronta-
dos. A inovação regional, assente nos dados abertos, no big data, na internet das coisas, e na
inteligência artificial, poderá ter impactos significativos no crescimento da economia de partilha
e no desenvolvimento dos serviços públicos ou privados com interesse público.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
No âmbito da presente medida propõe-se a constituição e a concessão de apoio institucional
e financeiro ao funcionamento de uma rede de laboratórios/plataformas colaborativas focadas na
cocriação, desenho, e experimentação e teste de novas abordagens de políticas públicas e de
soluções inovadoras para desafios concretos, que se colocam nas diferentes escalas territoriais
e no cruzamento das várias áreas de governação e do conhecimento. Neste âmbito, devem
ser também potenciadas outras redes de laboratórios e plataformas colaborativas já existentes.
Deste modo, estas plataformas devem ser potenciadas e potenciar outras já existentes,
ainda que informais (ex: Rede Douro Vivo), dando margem para que possam também constituir
mecanismos de troca de informação e de identificação de problemas e soluções, e que assim
permitam melhorar a gestão e resolução de conflitos de usos no território.
Com base em metodologias adequadas e mais experimentais (por exemplo, crowdsourcing,
learning by doing, design thinking, prototipagem, cenarização, service design, entre outros) estas
plataformas colaborativas, de caráter eminentemente imaterial, devem agregar um conjunto
alargado de entidades (públicas, privadas e empresas) bem como estimular o envolvimento da
administração pública, das empresas, das instituições de ensino superior dos cidadãos e das
comunidades em geral.
A partir de informação de qualidade, gerada, trabalhada e disponibilizada através da aposta
na abertura de dados (open data), lançando mão das novas tendências tecnológicas (por
exemplo, big data e de inteligência artificial) deverá ser estimulado o surgimento de soluções e
tecnologias capazes de dar resposta aos desafios territoriais e societais identificados.
A economia da partilha e o empreendedorismo social poderão desempenhar aqui um papel
relevante na cocriação e desenho de novos serviços de interesse geral.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Inovar nas abordagens aos problemas, no desenho e conceção das políticas públicas e na
identificação de soluções para os desafios que se colocam aos territórios e às comunidades;
2. Prototipar, experimentar e testar as novas soluções e abordagens;
3. Envolver a administração pública, o tecido empresarial, as universidades e o terceiro
setor na busca de novas ofertas suscetíveis de virem a ser escaladas para outros contextos e
dimensões;
4. Intensificar a utilização das novas tecnologias digitais no desenvolvimento de novos
serviços;
5. Estimular a participação dos cidadãos e dos utilizadores no teste e na experimentação
das novas soluções.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AM; CIM; Ensino Superior; Ensino
Entidades ANI, CCDR, IAPMEI, AMA,
Principais Parceiros Básico e Secundário; DGPM;
de Coordenação Regiões Autónomas
IPMA; Municípios
Diário da República, 1.ª série
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RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia TIC 2020; Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Inovação nas abordagens aos problemas e nas soluções.
- Envolvimento da comunidade empresarial na busca de novas ofertas.
- Encontra soluções suscetíveis de virem a ser escaladas.
- Utiliza as novas tecnologias digitais no desenvolvimento de novos serviços.
- Estimula à participação dos cidadãos e dos utilizadores no teste e na experimentação
das novas soluções.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de laboratórios/plataformas colaborativas de experimentação de base territorial, por
concelho (ANI; FCT; MPMA)
- N.º de iniciativas de desenvolvimento de ideias e soluções tecnológicas e digitais, marato-
nas de programação, iniciativas de dados abertos (hackathon; meet-ups; city app competitions)
(Iniciativa INCoDe)
- Despesas em iniciativas de desenvolvimento de ideias e soluções tecnológicas e digitais,
maratonas de programação e iniciativas de dados abertos (Iniciativa INCoDe)
- Recursos financeiros afetos à implementação de soluções inovadoras (Iniciativa IN-
CoDe)
Medida 5.6
TÍTULO: Reforçar as abordagens integradas de base territorial
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 2.3; 3.1; 3.2; 5.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A territorialização das políticas públicas através de intervenções integradas de base terri-
torial ganhou relevo nos últimos anos e, por isso, têm vindo a ser consideradas um instrumento
adequado para o aproveitamento das oportunidades de desenvolvimento e das vantagens
competitivas territoriais.
O Relatório Barca (2009) sustenta que este tipo de instrumentos de programação integrada
de base territorial de natureza multissetorial, multiatores e multifundo tem resultados superio-
res às intervenções espacialmente cegas, que assumem, normalmente, um caráter top-down.
Na sua essência, as abordagens integradas de base territorial assentam no conhecimento,
no capital e na valorização dos recursos locais e num quadro estratégico desenvolvido local-
mente de forma colaborativa para facilitar o desenvolvimento endógeno.
A experiência recente demonstra que, não obstante os avanços registados em matéria de
abordagens territoriais integradas tanto em áreas urbanas como rurais, persiste ainda um rele-
vante caminho a fazer no aprofundamento e aperfeiçoamento do desenho, adoção e execução
das estratégias de desenvolvimento integradas, nomeadamente no que se refere à flexibilização
da programação, à desburocratização/simplificação administrativa e aos modelos de governança,
que se revelam muito exigentes em termos de tempo e de recursos técnicos e financeiros.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Respondendo ao imperativo comunitário da territorialização das políticas públicas, deve
ser consolidada e alargada a adoção de abordagens e estratégias de base territorial, aprofun-
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 187
dando os instrumentos previstos pela regulamentação comunitária e reforçando os recursos
financeiros que lhe são afetos.
Para além das intervenções integradas de base territorial já consagradas no âmbito dos
períodos de programação anteriores e atual, como as iniciativas comunitárias Urban e Leader,
as DLBC (Desenvolvimento Local de Base Comunitária) rurais, costeiras e urbanas, os Pactos
de Desenvolvimento e Coesão Territorial (PDCT) e os Planos Estratégicos de Desenvolvimento
Urbano (PEDU) deverão, também, ter enquadramento, nesta medida, os ecossistemas de ino-
vação de base territorial e outros tipos de estratégias de eficiência coletiva de base territorial
(como foi o PROVERE).
No próximo período de programação comunitária a territorialização das políticas públicas
deverá ser parcialmente assegurada através da manutenção do caráter integrador de base
territorial das abordagens, e das estratégias que as sustentam, contrariando o condicionamento
monotemático que poderá conduzir a estratégias demasiado compartimentadas (por exemplo,
descarbonização, eficiência energética, migrantes, entre outros).
Por outro lado, será ainda de evitar que as restrições impostas pela regulamentação comu-
nitária e pela programação dos fundos estruturais continuem a introduzir, no próximo período de
programação, limitações injustificadas que se traduzem em dissonâncias entre, por um lado, os
desafios identificados e as estratégias construídas a nível local de forma participada e, por outro,
a execução dos respetivos planos de ação demasiado condicionada em termos de objetivos e
prioridades temáticas e elegibilidades definidos de forma transversal pela Comissão Europeia
para os vários estados-membros beneficiários da Política de Coesão. Este fenómeno de har-
monização, que se acentuou ao longo do tempo, tem por consequência a desvalorização e a
descredibilização destas abordagens aos olhos dos agentes e parceiros locais, com evidentes
efeitos negativos em termos da sua mobilização e posterior envolvimento.
No contexto da preparação do próximo período de programação uma particular atenção deverá
ser dada ao planeamento e articulação multinível e plurissectorial, aos modelos de governação a
adotar e à sua legitimação, à capacitação institucional, e ainda à participação e ao envolvimento
das populações no desenho e na implementação das estratégias integradas de base territorial.
Por outro lado, é fundamental a adoção de modelos de simplificação efetiva dos procedi-
mentos administrativos e financeiros, permitindo diminuir a afetação dos recursos humanos,
técnicos e financeiros afetos a tarefas administrativas e favorecendo o acompanhamento es-
tratégico, a assistência técnica aos promotores de projetos e à execução dos planos de ação,
bem como à sua monitorização e avaliação.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Reforçar a participação e o envolvimento das comunidades locais nos processos de
desenvolvimento territorial e na mobilização do conhecimento, do capital e dos recursos locais;
2. Privilegiar as abordagens integradas de base territorial assentes em estratégias diferen-
ciadas e ajustadas às especificidades dos diferentes tipos de territórios;
3. Adotar novos formatos partilhados de participação, fomentando modelos de governança mais
abertos, transparentes, eficientes e eficazes na prossecução de objetivos estratégicos coletivos;
4. Aumentar a afetação de recursos financeiros, designadamente dos fundos europeus
estruturais de investimento, às abordagens integradas de base territorial tendo em vista uma
maior coesão territorial.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AD&C; GPP; DGADR;
Entidades CIM; CCDR; ANMP; ANAFRE;
DGPM; IAPMEI; AM; Principais Parceiros
de Coordenação ADL; GAL; Municípios
Regiões Autónomas
Diário da República, 1.ª série
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RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial; Planos de Desenvolvimento Regional
(PDR)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço da participação cívica, resultante de uma maior aproximação entre os processos
de decisão e os cidadãos, designadamente na conceção, implementação, monitorização e
avaliação das estratégias locais de desenvolvimento integrado.
- Decisões públicas mais transparentes, eficientes e eficazes, fruto do reforço dos novos
formatos integrados e participados.
- Reforço da qualidade de vida, da eficiência económica e da sustentabilidade ambiental,
decorrente da implementação de abordagens integradas de base territorial.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Total de financiamento da componente dos FEEI afeta à implementação de abordagens
integradas de base territorial (FEEI)
- Participação dos eleitores na última eleição municipal, por concelho (INE)
- Participação de mulheres nos cargos ministeriais, como deputadas, presidentes de câmara
ou vereadoras municipais, por concelho (INE)
- Proporção de participação comunitária em projetos cofinanciados no total de receitas de
capital das câmaras municipais, por concelho (INE)
Medida 5.7
TÍTULO: Fomentar a cooperação intraurbana para uma cidade sustentável e inteli-
gente
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 1.2; 1.3; 2.3; 3.1; 4.1; 4.2; 5.1;
5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
A importância do desenvolvimento urbano sustentável assente em novos processos de
governança exprime-se a nível mundial através de várias iniciativas internacionais: a Agenda
2030 de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015), o Habitat III (ONU — Relatório Nacional,
2016), o Pacto de Amesterdão, Agenda Urbana para a União Europeia (2016), e a Nova Agenda
Urbana III (ONU, 2016). O grande desafio desta medida de política é garantir o desenvolvimento
de soluções que respondam ao 11.º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU: “Tornar
as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis”.
O desenvolvimento urbano deve assentar em processos de governação e governança
intraurbana, mais flexíveis, transparentes e descentralizados, permitindo novos níveis de comu-
nicação e de criação de sinergias e trocas de conhecimentos e compromissos entre atores com
diferentes competências. Isto impõe envolver diferentes entidades e cidadãos, e desenvolver
colaborações e cocriações multissetoriais e multidisciplinares (de quíntupla hélice) tendo em
vista a criação de soluções inovadoras e criativas e a concretização de objetivos que as cidades
se auto propõem.
Em Portugal, nas últimas décadas a dinâmica populacional privilegiou sobretudo as
duas grandes metrópoles e algumas cidades médias. Houve uma rápida expansão urbana,
sustentada muitas vezes em espaços urbanos de fraca qualidade arquitetónica, urbanística e
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 189
ambiental. As políticas públicas de OT não responderam aos desafios de sustentabilidade que
se foram constituindo. O diagnóstico atual sobressai a necessidade de uma política concertada
em termos de atuação intraurbana tendo em vista a resolução de carências persistentes, no-
meadamente, a dificuldade de acesso e a fraca qualidade habitacional, os elevados níveis de
degradação do edificado e de consumos energéticos, a necessidade de revitalizar o comércio
e estimular novas indústrias e serviços, e simultaneamente contrariar níveis de ruído e de po-
luição e outros perigos para a saúde da população, contrariando o uso intenso de transportes
individuais, e problemas de sustentabilidade e eficiência na gestão urbanística e na gestão
dos recursos naturais.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
A política urbana deverá privilegiar ações de governança de base comunitária e proces-
sos colaborativos e cocriativos, incentivando a participação das instituições e dos cidadãos
nos procedimentos de criação e decisão, propiciando um maior sentimento de pertença e de
identidade por parte de todos, e potenciando o desenvolvimento socioeconómico e ambiental
e a sustentabilidade urbana. As intervenções em matéria de valorização dos espaços urbanos
devem ter em vista a resolução das deficiências estruturais dos territórios urbanos descontínuos,
fragmentados e dispersos; a estruturação e o reforço da conetividade dos tecidos urbanos; a
afirmação de centralidades intraurbanas; e a integração funcional e ambientalmente os tecidos
urbanos. Trata-se de apostar na cooperação, negociação e articulação de interesses para en-
contrar soluções conjuntas que integrem aspetos sociais, económicos e ambientais.
Esta medida de política vem reforçar a importância dos espaços urbanos, nas suas capa-
cidades de se adaptarem e responderem aos desafios futuros:
- Na inclusão social, em torno de uma cidade mais justa e equitativa para os cidadãos, que
inclui processos de planeamento mais inclusivos e dirigidos ao bem-estar social, garantindo a
acessibilidade aos equipamentos e aos espaços públicos a todos;
- Na habitação, no qual o direito a um alojamento é uma prioridade, contrariando a segre-
gação social, dinamizando a reabilitação do edificado, resolvendo as carências no interior da
habitação e melhorando a eficiência energética;
- Na saúde, privilegiando a paisagem natural, as cidades mais limpas, com qualidade do
ar e da água, que influenciem positivamente a saúde humana;
- Nas infraestruturas verdes, preservando-as e permitindo um maior contacto com a natu-
reza e a biodiversidade, contribuindo para um bem-estar mais saudável;
- Na mobilidade, privilegiando alternativas de transporte mais suaves, seguras e limpas,
com mais transporte público e soluções multimodais de baixo carbono e acedendo a um forne-
cimento de energias renováveis e inteligentes com baixo teor de carbono;
- Na economia, que promove a circularidade na produção e consumo, dinamizando a reu-
tilização e a reciclagem, minimizando os desperdícios e a própria utilização dos recursos, com
menores perdas ambientais e financeiras;
- Na resiliência, pela maior capacidade de adaptação e mitigação às alterações climáticas,
que lida com chuvas torrenciais mais intensas, promove serviços ecossistémicos e políticas
energéticas que reduzem as emissões de gases com efeito de estufa;
- Na inteligência, tecnológica e digital, possibilitando o desenvolvimento de soluções mais
inovadoras, a digitalização dos serviços e o reforço das competências e da transparência das
instituições. Isto significa a alocação de recursos para áreas ou matérias específicas em função
das comunidades urbanas. O governo, os atores públicos e privados, a sociedade civil e as
empresas criam redes inovadoras para encontrarem propostas sustentáveis para as cidades.
São iniciativas bottom-up suportadas em processos participativos. Devem representar oportu-
nidades de inovação, criando valor social e contribuir para a sustentabilidade ecológica, social
e económica. As cidades surgem como locais adequados de inovação, pois reúnem vários
atores, bases de conhecimento e competências e um ambiente que facilita a geração e difusão
de inovação.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 190
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Implementar projetos colaborativos através do desenvolvimento de ações de base co-
munitária, assentes na cooperação e na cocriação intraurbana.
2. Desenvolver ambientes urbanos mais sustentáveis e resilientes.
3. Promover a inclusão social e o acesso à qualidade habitacional.
4. Promover a descarbonização das cidades, nos transportes, nas residências, nas ativi-
dades económicas e nos edifícios e espaços públicos.
5. Dinamizar a desmaterialização, reutilização, reciclagem e recuperação nos processos
produtivos, distributivos e de consumo.
6. Aumentar a eficiência energética e hídrica e os serviços ecossistémicos.
7. Aumentar a participação das instituições e dos cidadãos nos procedimentos de criação
e de decisão.
8. Promover a inovação, social, económica e ecológica.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
DGT, Municípios, Regiões CCDR; AM; CIM; ANMP;
Entidades de Coordenação Principais Parceiros
Autónomas APA; ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; Estratégia Nacional para o Ar (ENAR 2020); Pro-
grama Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030; Política Nacional de Qualidade
do Ar 2030; Política Nacional de Ruído 2030 (a elaborar até 2021); Estratégia Nacional para
a Habitação (2015-2031); Lei de Programação das Infraestruturas e Equipamentos para as
Forças e Serviço de Segurança do MAI; Programa Nacional para as Alterações Climáticas
2020/2030 (PNAC); Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (Estratégia para a
Eficiência Energética — PNAEE 2016); Estratégia TIC 2020; Plano de Ação para a Economia
Circular — Agendas Regionais de Economia Circular; Agenda Portugal Digital.
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento dos processos colaborativos para a cooperação e cocriação intraurbana;
- Reforço da sustentabilidade e da resiliência urbana num cenário de aceleradas alterações
climáticas;
- Promoção da inclusão social e do acesso à qualidade habitacional num contexto de en-
velhecimento e alterações demográficas;
- Reforço da descarbonização nas cidades, nos transportes, nas residências, nas atividades
económicas e nos edifícios e espaços públicos;
- Aumento da desmaterialização, reutilização, reciclagem e recuperação nos processos
produtivos, distributivos e de consumo nas áreas urbanas;
- Intensificação da eficiência energética e hídrica e dos serviços ecossistémicos em con-
textos urbanos;
- Aumento da participação das instituições e dos cidadãos nos procedimentos de criação e
de decisão, potenciando um maior sentimento de pertença e de identidade por parte de todos;
- Dinamização da inovação social, económica e ecológica, para responder aos novos
desafios urbanos.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 191
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- Consumo de energia elétrica por habitante (Kwh), por concelho (INE)
- Resíduos urbanos recolhidos seletivamente, por habitante (Kg/hab.), por concelho
(INE)
- Resíduos urbanos recolhidos por habitante (Kg/hab.), por concelho (INE)
- Equipamentos e espaços verdes urbanos (ha) por 1000 habitantes, por concelho (INE)
- Águas residuais tratadas (m3) dos sistemas de drenagem e tratamento de águas resi-
duais (%), por concelho (INE)
- Crimes contra o património por 1000 habitantes, por concelho (INE)
- Taxa de criminalidade (%), por concelho (INE)
- Km de ciclovias por 100.000 habitantes, por concelho (Câmaras Municipais)
- Metros quadrados de área pública ao ar livre de recreação per capita, por concelho (Câ-
maras Municipais)
- N.º de conexões de internet por 1000 habitantes, por concelho (INE)
- N.º de ligações móveis por 100.000 habitantes (INE)
Medida 5.8
TÍTULO: Fortalecer as articulações rurais-urbanas
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 2.3; 3.1; 3.2; 3.3; 4.1; 4.2; 5.1;
5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O desenvolvimento urbano pode ter impactos ambientais e sociais negativos em áreas
predominantemente rurais e medianamente urbanas, nomeadamente no que se refere ao
acesso local a serviços de apoio, à perda de competitividade, à atratividade de população e à
pressão em termos de uso do solo.
O desenvolvimento das áreas rurais e urbanas nem sempre tem sido considerado de
forma articulada em termos de políticas. Contudo, o rural e o urbano podem reforçar as suas
articulações físicas e funcionais numa lógica de ganhos mútuos, gerando externalidades
positivas e aumentando a competitividade, a coesão, o desenvolvimento, o bem-estar e a
sustentabilidade. Nesse sentido, importa salientar que as complementaridades rural-urbano
devem ser atendidas a vários níveis geográficos, administrativos e temáticos. Esta inter-relação
pode oferecer mais-valias do ponto de vista demográfico e ambiental, do aproveitamento
eficaz do capital natural e da potenciação de sectores económicos, como o agroalimentar
e os circuitos de proximidade, permitindo igualmente associar as áreas de produção com a
conservação da biodiversidade e a produção de outros serviços de ecossistemas, como o
desporto, o recreio e o turismo.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
O sistema urbano-rural assenta numa abordagem multitemática e flexível, dependente de
fatores externos de nível institucional e territorial. Nas regiões metropolitanas, as áreas rurais e
urbanas devem tornar-se fornecedoras mútuas de serviços diferenciados. As cidades médias e
as áreas rurais envolventes devem funcionar em rede e constituir-se como polos de crescimento
semiautónomos, pois dependem dos centros urbanos para serviços especializados e para aceder
a mercados mais alargados. Nas áreas de baixa densidade as áreas rurais devem assumir-se
como motores de crescimento, já que detêm o capital natural que alavanca uma parte significativa
das economias locais e regionais. Assim, é necessário identificar o papel e o tipo de parcerias a
desenvolver e facilitar os respetivos mecanismos de governança de base territorial, articulando
as políticas urbanas e regionais com as políticas de desenvolvimento rural.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 192
As articulações rurais-urbanas devem ajudar os territórios a melhorar a sua produção de
bens públicos, criar economias de escala na oferta de serviços públicos e desenvolver novas
oportunidades económicas em estreita articulação com atores locais e outros agentes do territó-
rio. Salienta-se, primeiro, o reforço das cadeias de valor, nomeadamente associadas ao sistema
alimentar urbano e aos circuitos curtos agroalimentares. Salienta-se, igualmente, o reforço da
sustentabilidade e a atratividade dos recursos naturais e da qualidade da paisagem. Importa
valorizar, gerir e monitorizar os serviços de ecossistema em áreas predominantemente urbanas
e medianamente (nomeadamente, a agricultura e as florestas), quer na vertente produtiva, quer
na de lazer e cultura, quer ainda em termos de regulação, descarbonização e adaptação às
alterações climáticas.
Atendendo à especificidade dos territórios e das relações que estabelecem entre si, con-
sidera-se que uma agenda rural-urbana deve ser desenvolvida à escala nacional e operacio-
nalizada às escalas regional e intermunicipal.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Identificar as principais temáticas capazes de incentivar a coesão territorial com base
em regiões funcionais, favorecendo novas geografias ad hoc a partir da interpenetração do
rural e do urbano.
2. Encorajar a integração entre políticas urbanas e políticas rurais através de uma agenda
nacional comum.
3. Promover um ambiente legal e institucional que promova a formação de parcerias ur-
bano-rurais.
4. Encorajar a integração territorial através do acesso a serviços, emprego e amenidades
em áreas urbanas e rurais integradas funcionalmente.
5. Abordar os desafios territoriais a uma escala que tenha em conta as ligações funcionais
entre as áreas urbanas e rurais, nomeadamente através do reforço das cadeias de valor e da
implementação de circuitos curtos agroalimentares; do aumento do autoaprovisionamento alimen-
tar/segurança alimentar; da fixação de atividades económicas e população jovem no setor primário;
do reforço da atratividade dos recursos naturais e paisagísticos; do apoio a ações e planos de
defesa, ampliação e gestão da estrutura verde e florestal nas áreas predominantemente e mediana-
mente urbanas e rurais; e do aumento da eficiência energética associada ao metabolismo urbano.
6. Estimular o desenvolvimento de agendas intermunicipais ou regionais, escalas mais
apropriadas mais a operacionalização dos objetivos.
7. Desenvolver “marcas territoriais”, assentes no comércio, nos produtos locais e nos valores
culturais e patrimoniais, que promovam as especificidades urbanas/regionais e sejam fatores
de diferenciação, integrando os espaços rurais com o tecido urbano de proximidade.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AD&C; APA; CIM; AM; IMT; IAP-
UMVI; GPP; DGADR; DGT;
Entidades MEI; ONG; ICNF, Associações e
CCDR; Municípios; Regiões Principais Parceiros
de Coordenação Empresas do setor agroflorestal,
Autónomas
ADL; GAL
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial; Plano de Ação para a Economia Circu-
lar – Agendas Regionais de Economia Circular; PAC 2014-2020; Programa de Desenvolvimento
Rural 2020; Plano Nacional de Arquitetura e Paisagem; Estratégia Nacional de Conservação da
Natureza e Biodiversidade (2030); Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudá-
vel (PNPAS); Estratégia Nacional para as Florestas (ENF); PRODERAM 2020; PRORURAL +,
iniciativa Alimentação; Estatutos da agricultura familiar a nível nacional; Estratégia Cidades
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 193
Sustentáveis 2020; Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável; Estratégia Nacional para o
Ar; Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030 (PNAC); Política Nacional de
Qualidade do Ar 2030; Política Nacional de Ruído 2030
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Melhoria dos relacionamentos institucionais entre os atores dos meios rurais e urbanos.
- Exploração de novas oportunidades económicas baseada na capitalização integrada
rural-urbana dos ativos locais e do capital natural.
- Aumento da integração coesão e territorial rural-urbana.
- Atração de novos residentes e empresas.
- Melhoria de gestão dos fluxos naturais e materiais entre área rurais e urbanas.
- Aumento mútuo da qualidade de vida das áreas rurais e urbanas.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- População residente nas áreas urbanas, periurbanas e rurais, por concelho (INE)
- N.º de parcerias institucionais de redes urbano-rurais, por concelho (a construir)
- Área de floresta nas áreas urbanas e periurbanas, por concelho (ICNF; COS-DGT)
Medida 5.9
TÍTULO: Dinamizar as articulações interurbanas e os subsistemas territoriais
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 2.3; 3.1; 3.2; 4.1; 5.2
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
No Modelo Territorial do PNPOT estão identificados um conjunto de subsistemas terri-
toriais que têm como referencial principal as articulações interurbanas. A construção de um
sistema urbano policêntrico apoia-se no desenvolvimento dos centros urbanos e numa maior
articulação e cooperação territorial (relações interurbanas e urbano-rurais), de forma a atenuar
as disparidades socioeconómicas inter e intrarregionais e a aumentar as economias de escala,
importantes sobretudo nos contextos de menor densidade urbana.
Os diversos subsistemas territoriais apoiam-se em mobilidades, interações e parcerias.
Posicionam-se enquanto espaços de valorização de recursos, de cidadania, de quadros de
vida e de integração territorial. Assim, podem contribuir para uma distribuição mais equitativa
de recursos e serviços e promover a complementaridade funcional e a equidade territorial.
Na última década assistiu-se à afirmação destes subsistemas territoriais (em alguns casos
regiões funcionais) baseados na intensificação das articulações interurbanas. Os serviços pú-
blicos e de interesse geral concentraram-se nas metrópoles e nos centros urbanos regionais.
Registou-se o reforço do policentrismo funcional e da suburbanização no interior dos arcos
metropolitanos e nas periferias das principais centralidades urbanas. Em grande medida, as
ligações territoriais quotidianas aumentaram e os fluxos de pessoas e bens intensificaram-se.
Os subsistemas territoriais estruturam-se de forma crescente, conferindo ao território português
uma textura mais integrada.
A integração territorial através de acordos de cooperação territorial, com geometrias variadas
tendo em vista servir vários propósitos, a escalas apropriadas de atuação, é uma prioridade.
Estes subsistemas territoriais são um suporte para diferenciar territorialmente a ação pública,
diminuindo os custos e aumentando os impactos. Neste âmbito, deve-se refletir políticas inte-
gradas de base territorial dirigidas a diferentes objetivos tendo em vista aumentar a eficiência
da ação pública. A cooperação deve dirigir-se para temáticas estratégicas emergentes.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 194
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Nestes contextos territoriais, as estratégias de cooperação territorial podem direcionar-se
para diferentes domínios: encontrar respostas aos desafios sociodemográficos desenvolvendo
políticas concertadas de atração de novos residentes ou residentes temporários; cooperar em
matéria do reforço da eficiência energética, da economia circular ou da economia do conheci-
mento; cooperar para o reforço da mobilidade física ou digital; cooperar na prestação de ser-
viços básicos e especializados, etc. Os subsistemas territoriais permitem organizar a oferta de
serviços em função da natureza da mobilidade a incrementar (o utente desloca-se ao serviço ou
os serviços deslocam-se aos utentes) e das infraestruturas a mobilizar (através da mobilidade
física ou digital).
O elemento central desta medida reside na cooperação entre distintas entidades, tendo
em vista uma maior coordenação territorial. A boa governação visando a coesão territorial é,
portanto, crucial. Isto implica o reconhecimento, por parte de políticos e de outras entidades
interessadas, das vantagens de partilhar responsabilidades (económicas, sociais, ambientais,
culturais). Os subsistemas territoriais apresentam, no entanto, configurações e níveis diferencia-
dos de consolidação, implicando abordagens diferenciadas. Podem-se identificar três tipos de
subsistemas territoriais: subsistemas territoriais a valorizar; subsistemas territoriais a consolidar;
e subsistemas territoriais a estruturar.
1. Subsistemas territoriais a valorizar — existem subsistemas com níveis elevados de
polarização, morfotipologias urbanas muito diversificadas e problemas de sustentabilidade e
mobilidade. São subsistemas que têm um papel crescente na criação de riqueza e onde é im-
perativo desencadear um planeamento mais integrado e sustentável, com base em estratégias
mais colaborativas. A intensificação das deslocações em determinados territórios evidencia a
concentração geográfica das oportunidades, do emprego e da oferta de serviços. São subsis-
temas territoriais com grande capacidade de atração e que influenciam a configuração do sis-
tema urbano nacional e que, por isso, podem capitalizar as oportunidades de desenvolvimento
decorrentes da urbanização.
2. Subsistemas territoriais a consolidar — existem subsistemas que precisam de ser mais
consolidados, correspondendo a estruturas interurbanas que polarizam territórios rurais, onde
as economias de escala necessitam de ser reforçadas. Sendo subsistemas a estruturar e a
potenciar, as intervenções devem concentrar-se no reforço das vantagens competitivas, apoia-
das em investimentos integrados e na prestação de serviços adaptados às necessidades dos
diferentes territórios.
Estas abordagens devem ser fundadas em parcerias que reforcem as capacidades locais,
interurbanas, entre centros urbanos e áreas rurais e entre áreas rurais. Têm de ser abordagens
coordenadas envolvendo diferentes domínios de ação.
3. Subsistemas territoriais a estruturar. Por fim, existem contextos de baixa densidade ur-
bana, onde as pequenas centralidades têm fraca capacidade polarizadora e poderá não estar
garantida a prestação de serviços urbanos essenciais para o bem-estar das populações resi-
dentes. São territórios pouco povoados, onde a fragilidade institucional dificulta a montagem de
processos estratégicos colaborativos. Nestes contextos é crucial valorizar os ativos existentes
e promover uma maior cooperação territorial, organizando a oferta diversificada de funções,
promovendo complementaridades e interações entre espaços urbanos e rurais e desencadeando
estratégias integradas em diferentes domínios.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Identificar as principais temáticas capazes de incentivar a coesão territorial com base em
regiões funcionais ou sistemas territoriais, favorecendo novas geografias para a cooperação.
2. Encorajar a integração entre políticas urbanas e políticas rurais aumentando a massa
crítica de atuação.
3. Encorajar a cooperação territorial através do acesso a serviços, emprego e amenidades
em áreas integradas funcionalmente.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 195
4. Abordar os desafios territoriais a uma escala que tenha em conta as ligações funcionais
entre as áreas urbanas e rurais, nomeadamente através da gestão coordenada de serviços, da
gestão dos sistemas de transporte, do reforço das articulações no âmbito de uma economia de
conhecimento e tendo em vista um reforço da globalização, entre outras temáticas.
5. Estimular o desenvolvimento de agendas intermunicipais ou regionais, de geometrias
multivariadas, construindo escalas mais apropriadas para a operacionalização dos objetivos
desta medida.
6. Promover o desenvolvimento territorial policêntrico, a partir da articulação entre centros
urbanos e às ligações urbano-rurais, que configurem eixos ou subsistemas urbanos de coo-
peração e de relação funcional, apoiados em estruturas de mobilidade e de serviços que os
dinamizem e consolidem.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AD&C; AM; CIM, IMT; IAPMEI;
UMVI, DGT; CCDR; Regiões
Entidades de Coordenação Principais Parceiros ONG; Associações Empre-
Autónomas
sariais
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial; Plano de Ação para a Economia Circular – Agen-
das Regionais de Economia Circular; Estratégia Cidades Sustentáveis 2020; Agenda 2030 de De-
senvolvimento Sustentável; Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030 (PNAC)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Reforço e diversificação dos relacionamentos de base territorial entre entidades públicas
e privadas;
- Maior racionalização do investimento público nacional e comunitário.
- Aumento da integração, equidade e coesão territorial;
- Melhoria de gestão dos serviços de interesse geral;
- Aumento da qualidade de vida das populações residentes nas áreas rurais e urbanas;
- Reforço das redes de cooperação territorial.
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de parcerias para a gestão dos serviços de interesse geral, por tipo de subsistema
territorial (a construir)
- N.º de redes de cooperação territorial, por temática, e por tipo de subsistema territorial
(a construir)
Medida 5.10
TÍTULO: Aprofundar a cooperação transfronteiriça
ENQUADRAMENTO NOS DESAFIOS TERRITORIAIS 2.2; 3.3; 5.1; 5.2; 5.3
1. DESCRIÇÃO DA MEDIDA
JUSTIFICAÇÃO DA MEDIDA
O efeito de fronteira condicionou o desenvolvimento destes territórios, encontrando-se
as regiões periféricas da União Europeia entre as que detêm menores índices de riqueza,
de emprego e de desenvolvimento humano. Os territórios transfronteiriços entre Portugal e
Espanha, quando comparados com as médias nacionais, caracterizam-se globalmente por
uma baixa densidade populacional e uma população envelhecida. Apresentam vulnerabilidades
socioeconómicas específicas, bem como défices de competitividade.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 196
As pequenas e médias cidades das regiões de fronteira da Europa viram o seu desenvolvi-
mento condicionado por se encontrarem longe dos centros urbanos e das capitais das regiões
centrais. No âmbito do processo de construção europeia e da alteração das políticas regionais
e de coesão territorial, económica e social, desenvolveram-se novas respostas (programas re-
gionais e fundos de cooperação transfronteiriça, como o Interreg) para fazer face às dificuldades
que estas regiões enfrentam. Não obstante os progressos verificados, o esbatimento do efeito
de fronteira e o reforço das relações transfronteiriças que constituem os principais objetivos
estratégicos da cooperação transfronteiriça europeia, não foram ainda alcançados na Europa,
em geral, e em Portugal, em particular, sendo importante desenvolver esforços acrescidos na
concretização de modelos de cooperação mais amplos que potenciem as complementaridades
tanto no âmbito económico-empresarial, de infraestruturas e serviços públicos da rede de cidades
transfronteiriça, como na valorização do capital natural e do património cultural, associados às
extensas áreas de elevado valor natural transfronteiriças integradas no Sistema Nacional de
Áreas Classificadas.
O programa de iniciativa comunitária Interreg (Transfronteiriço), criado em 1990, contribuiu
nos últimos anos para alterar o relacionamento entre os territórios de fronteira de Portugal e
Espanha. A aplicação deste instrumento de política regional europeia registou em Portugal
uma evolução significativa ao longo dos últimos anos. Inicialmente, a parte mais significativa
do investimento canalizado através do Interreg para as regiões de fronteira dirigiu-se para a
promoção da acessibilidade, em particular para o apoio às infraestruturas rodoviárias.
No futuro, o aprofundamento da cooperação transfronteiriça implicará a adoção de uma
nova geração de instrumentos, metodologias e domínios de intervenção que permitam aos
territórios de fronteira enfrentar os desafios e oportunidades com que estarão confrontados,
nomeadamente no que respeita aos transportes e mobilidade, à conservação e uso susten-
tável dos recursos naturais, combate aos efeitos transfronteiriços da poluição, a gestão da
água, a dotação e partilha de serviços públicos, o aproveitamento e a valorização económica
dos recursos únicos (naturais, culturais e patrimoniais), ao desenvolvimento económico, ao
envelhecimento da população, à conciliação do trabalho com a vida familiar, aos novos con-
textos demográficos, à investigação, inovação e ensino superior, e ao emprego, entre outros.
O financiamento comunitário, em paridade dos dois lados da fronteira, é indispensável e decisivo
para o aprofundamento da cooperação transfronteiriça não sendo, contudo, condição suficiente
para garantir um desenvolvimento sustentável destes espaços territoriais específicos. Deverá,
por isso, ser acompanhado pela introdução de uma nova cultura territorial de cooperação que
valorize e reforce a notoriedade política e que permita a simplificação e a descomplexificação
administrativa e regulamentar.
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
O aprofundamento da cooperação transfronteiriça implica a materialização de um conjunto
de intervenções e iniciativas articuladas, coerentes e sistemáticas adequadas a fazer face aos
desafios comuns identificados conjuntamente nas regiões de fronteira e a explorar o potencial
de crescimento e de valorização económica, social, cultural e ambiental desses espaços ter-
ritoriais.
Neste contexto, esta medida engloba um conjunto de intervenções entre as quais desta-
cam-se:
• O reforço da dimensão política e estratégica da cooperação transfronteiriça – assente
na articulação política, ao nível nacional e regional, através da consensualização de objetivos
estratégicos de políticas públicas a incorporar nos programas e projetos, colocando as proble-
máticas e as potencialidades comuns dos territórios de fronteira do interior de Portugal e de
Espanha no centro do relacionamento ibérico;
• O ajustamento dos instrumentos europeus de apoio à cooperação transfronteiriça – de-
signadamente a criação de uma plataforma para a Cooperação Transfronteiriça – cujo objetivo
é garantir a coerência estratégica da gestão e execução dos instrumentos de financiamento
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 197
comunitários dirigidos ao desenvolvimento dos espaços de fronteira e ao aprofundamento da
cooperação transfronteiriça, nomeadamente, através da adoção de novas e do reforço das
estruturas existentes de cooperação de âmbito NUTS II;
• A definição de estratégias de desenvolvimento para estes territórios transfronteiriços, que
priorizem objetivos e identifiquem interesses comuns, que conferiram maior coerência à ação
pública e que sustentem a adoção no âmbito da cooperação transfronteiriça das novas aborda-
gens territoriais previstas na regulamentação comunitária, designadamente das estratégias de
desenvolvimento local participativo baseadas na comunidade e/ou dos instrumentos territoriais
integrados (ITI) transfronteiriços;
• A disseminação e aprofundamento da figura da Eurocidade enquanto a um conjunto de
cidades que se encontram na proximidade da fronteira, com uma reduzida distância entre si,
de média e pequena dimensão, pertencentes a países distintos, e estruturadas em função de
marcos jurídicos e institucionais de cooperação transfronteiriço da UE.
São aglomerações com uma gestão mais integrada e com importantes relações de com-
plementaridade, visando o desenvolvimento conjunto do território (económico, empresarial, ati-
vidades logísticas, potencial humano, turismo, social e cultural, e urbano), envolvendo a gestão
partilhada de infraestruturas e equipamentos (saúde, desporto, segurança social e cultura). Em
Portugal estão constituídas as seguintes Eurocidades: Valença/Tui; Chaves/Verin; Elvas/Campo
Maior/Badajoz; Vila Real de Santo António/Castro Marim/Ayamonte; Monção/Salvaterra;
• O estabelecimento de estratégias de eficiência coletiva para o aproveitamento e valo-
rização económica dos recursos patrimoniais, naturais e culturais dos territórios de fronteira
enquanto instrumento para apoiar o investimento produtivo, o desenvolvimento, o emprego e a
competitividade de base territorial;
• Dinamização de redes institucionais e empresariais transfronteiriças que contribuam
para a qualificação dos recursos patrimoniais e naturais dos espaços de fronteira de interior,
tendo em vista a estruturação e promoção de produtos turísticos conjuntos. Procurando,
desta forma contribuir para reforçar a atratividade turística das regiões transfronteiriças de
baixa densidade;
• A dotação e o acesso partilhado aos serviços públicos e privados de proximidade nos
espaços de fronteira (ex. transportes, saúde, serviços sociais e de educação e desporto);
• O reforço dos intercâmbios transfronteiriços de investigadores, alunos, professores e
profissionais;
• A dotação e o acesso partilhado aos serviços públicos e privados de proximidade nos
espaços de fronteira (ex. transportes, saúde, serviços sociais e de educação e desporto);
• O reforço dos intercâmbios transfronteiriços de investigadores, alunos, professores e
profissionais, para a partilha de conhecimentos, culturas e métodos de ensino e aprendizagem;
A transição para modelos de cooperação territorial transfronteiriços mais amplos poderá
estar, contudo, condicionada, entre outros fatores, pelas diferenças de âmbito geográfico,
dos limites naturais ou dos tipos de governabilidade administrativa ou legislativa, que terão
de ser atendidas, entre os quais as dinâmicas e instrumentos do ordenamento do território.
Os instrumentos de gestão territorial deverão prever o desenvolvimento de políticas de ordena-
mento transfronteiriço com vista ao desenvolvimento futuro de equipamentos e infraestruturas
a instalar num ou noutro lado da fronteira, partilhados e geridos pelos municípios portugueses
e espanhóis.
OBJETIVOS OPERACIONAIS
1. Dar prioridade, visibilidade e notoriedade política à cooperação transfronteiriça para o
desenvolvimento;
2. Consensualizar, articular, operacionalizar e monitorizar de forma permanentemente, as
estratégias e prioridades de intervenção nos territórios de fronteira, designadamente, através
da adoção de novas estruturas de articulação e cooperação;
Diário da República, 1.ª série
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3. Gerir conjuntamente projetos de cooperação transfronteiriça, incluindo na área da
conservação da natureza, através da gestão de áreas classificadas e na gestão de cursos de
águas transfronteiriços.
4. Garantir a coerência estratégica da gestão e execução dos instrumentos de financiamento
comunitários dirigidos ao desenvolvimento dos espaços de fronteira e ao aprofundamento da
cooperação transfronteiriça;
5. Estimular a competitividade económica dos espaços de fronteira a partir do aprovei-
tamento dos valores naturais, patrimoniais e culturais, partilhados entre Portugal e Espanha,
existentes, designadamente, nas bacias hidrográficas;
6. Reforçar o apoio ao investimento privado de caráter empresarial nos espaços de fronteira,
articulando-o com investimento público, planeado em conjunto;
7. Alargar do âmbito da cooperação transfronteiriça a novos domínios como a gestão e
regeneração urbana, os serviços de proximidade, os transportes e a educação, entre outros.
8. Desenvolver políticas de ordenamento do território que tenham em consideração a ins-
talação de equipamentos e infraestruturas comuns nos dois lados da fronteira.
2. RESPONSABILIDADES DE CONCRETIZAÇÃO
ENTIDADES ENVOLVIDAS
AECT; Eurocidades; Outras redes
de cooperação territorial; Entida-
CCDR/Unidades de Coordena-
des gestoras das Reservas da
Entidades ção Regionais do Programa
Principais Parceiros Biosfera Transfronteiriças; Muni-
de Coordenação de Cooperação Transfrontei-
cípios; Portugal Clusters; Ensino
riço; Regiões Autónomas
Superior; Centros de Competên-
cia; AD&C; ICNF; APA; UMVI
RELAÇÃO COM REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS E OPERACIONAIS NACIONAIS
Programa Nacional para a Coesão Territorial; Estratégias Regionais de Especialização
Inteligente (EREI); Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (2030)
3. MONITORIZAÇÃO
EFEITOS ESPERADOS:
- Aumento do número de iniciativas e de projetos de cooperação transfronteiriça (de cariz
social, económico, cultural, ambiental), promovendo a partilha de conhecimento, equipamentos,
serviços e infraestruturas.
- Modernização económica relacionada com as atividades logísticas e intermodais e loca-
lização de novas empresas.
- Desenvolvimento de novos espaços com atividades logísticas e equipamentos de turismo
e cultural.
- Qualificação e reabilitação urbana e dos espaços públicos num âmbito transfronteiriço.
- Potenciação dos recursos locais.
- Atração de população (visitantes e novos residentes).
INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO
- N.º de projetos INTERREG entre as áreas de fronteira por tipologia de projeto, por con-
celho (INTERREG)
- N.º de instituições em redes INTERREG com atuação em território transfronteiriço (IN-
TERREG)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 199
3. Operacionalização do Modelo Territorial
No capítulo anterior apresentaram-se as 50 Medidas de Política agregadas em Domínios
de Intervenção. De forma a evidenciar a territorialização dessas medidas e o seu contributo para
a implementação do Modelo Territorial apresentado na Estratégia, neste capítulo identificam-se
para cada sistema do Modelo Territorial (Sistema Natural; Sistema Social; Sistema Económico;
Sistema da Conetividade e Sistema Urbano), bem como para os Territórios de Vulnerabilidade
Crítica, as medidas de política que contribuem com uma articulação forte ou média, para a sua
concretização.
Cada Sistema está mapeado e são identificadas as Medidas de Política que mais
concorrem para a sua concretização, com os efeitos esperados selecionados. As Medidas
de Política diretas são as que advém do próprio Domínio de atuação, as indiretas são as
que pertencem a outro domínio, mas que têm impacto na concretização do Sistema em
causa. No final são selecionados alguns indicadores para a monitorização da implantação
do Sistema.
Operacionalização do Modelo Territorial
A Governança Territorial vai jogar um papel importante e central no desenvolvimento dos
diferentes Sistemas, sendo necessário criar as condições de suporte:
- Organizar e dispor de informação de suporte à operacionalização de cada Sistema;
- Ativar uma nova cultura territorial reconhecendo e valorizando a diversidade espacial e
os valores intrínsecos a cada Sistema;
- Apostar na capacitação e na qualificação tendo em vista o reforço da cooperação territorial,
essencial para a uma implementação colaborativa do Programa de Ação;
- Reforçar a capacidade das administrações locais, supramunicipais e regionais. Aprofun-
dar a descentralização e a desconcentração e promover uma maior governança multinível irá
contribuir para que as políticas públicas possam ser territorializadas, conduzidas numa escala
apropriada ou construindo economias de escala mais ajustadas à aplicação dos investimentos
ou à prestação dos serviços;
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 200
- Favorecer a inovação e as boas práticas na concretização dos diferentes Sistemas de
modo a favorecer novas possibilidades de experimentar e prototipar soluções nos diferentes
territórios.
Bons mecanismos de governança territorial contribuem para a valorização do capital
natural, para diminuir as desigualdades sociais e as diferenças em matéria de produtividade
e/ou para dinamizar novos processos de gestão das políticas públicas. Assim, é preciso
continuar a testar novas formas de gerir o território, em todas as escalas administrativas ou
geográficas, seguindo geometrias espaciais variadas em funções dos objetivos, tendo em
vista coordenar os diferentes domínios da ação pública para tirar partido das complementa-
ridades e das sinergias.
Os dispositivos de governo adotados para a concretização dos diferentes Sistemas de-
vem identificar as escalas adequadas de atuação, testar novas formas de gerir as políticas
e os investimentos públicos, e garantir a coordenação dos diferentes níveis de ação pública.
A dimensão infranacional (municipal, supramunicipal e regional) das políticas públicas não pode
ser negligenciada nos numerosos domínios de ação.
Índice da Operacionalização do Modelo Territorial.
S1 Sistema Natural
S2 Sistema Social
S3 Sistema Económico
S4 Sistema de Conetividade
S5 Sistema Urbano
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N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 201
Sistema Natural do Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 202
Medidas de Política.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 203
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
• Usos e funções do território compatíveis com as disponibilidades hídricas.
• Salvaguarda das grandes reservas estratégicas de água superficial e subterrânea garan-
tindo igualmente o bom estado das massas de água.
• Permeabilidade de áreas estratégicas para a recarga de aquíferos e redução da conta-
minação de águas subterrâneas.
• Incremento de atividade florestal ambientalmente sustentável em territórios estratégicos
para o ciclo da água.
• Valorização dos serviços prestados por ecossistemas associados a massas de água
doce e de transição.
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
• Estabilização do grau de artificialização do solo.
• Incrementa a atividade agrícola e florestal ambientalmente sustentável.
• Salvaguarda dos solos de elevado valor e/ou suscetíveis à desertificação.
1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
• Afirmação da Rede Nacional de Áreas Protegidas como territórios atrativos e demonstra-
tivos de boas práticas de gestão ativa sobre ecossistemas, espécies e habitats.
• Reconhecimento da relevância dos serviços prestados pelos ecossistemas enquanto fator
de diferenciação positiva dos territórios
• Diminuição da perda de biodiversidade e incremento do conhecimento e da avaliação do
seu estado de conservação.
1.4 Valorizar o território através da paisagem
• Valorização dos sistemas agroflorestais de sobreiro e azinho promotores da multifuncio-
nalidade e demais florestação arbórea de interesse para a conservação da natureza.
• Aumento do coberto vegetal autóctone em zonas de montanha.
• Aumento da identidade cultural nacional regional e local.
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da Floresta
• Incremento da multifuncionalidade e da diversidade de espécies florestais
• Aumento da resiliência do território aos incêndios rurais
1.7 Prevenir riscos e adaptar o território à mudança climática
• Adaptação dos usos e ocupação do solo às vulnerabilidades territoriais.
• Melhoria da preparação das comunidades face aos perigos.
1.8 Valorizar o Litoral e aumentar a sua resiliência
• Redução e controlo da vulnerabilidade do litoral aos perigos
• Ocupação mais resiliente da zona costeira
• Valorização e manutenção das condições naturais que suportam as atividades específicas
da Zona Costeira (pescas, turismo, lazer, portos, …)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 204
4.2 Otimizar a conetividade ecológica nacional
• Incremento do reconhecimento do valor dos territórios de fronteira pela promoção de
sinergias transfronteiriças;
• Incremento da continuidade e complementaridade das redes ecológicas regionais e
municipais;
• Implementação do conceito de Infraestruturas Verdes
Efeitos Indiretos
1.5 Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos e mineiros
• Definição de um quadro de compatibilização de usos entre a atividade mineira e extrativa
e os valores ambientais e de ordenamento do território
1.9 Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço público
• Contenção da artificialização do solo rústico
2.1 Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demográfica
• Valorização dos recursos locais, naturais e culturais.
• Aumento da atratividade residencial, económica, ambiental, cultural e de lazer das áreas
rurais e dos territórios de baixa densidade.
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
• Alinhamento com os princípios da economia circular.
• Maior diversificação das soluções de tratamentos de efluentes pecuários e consciencia-
lização ambiental dos produtores agropecuários.
• Intensificação sustentada da atividade agrícola que tenha em conta a manutenção e, em
caso disso, a recuperação da biodiversidade
3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
• Aumento da atratividade do meio rural, novos residentes, visitantes e investimentos.
• Surgimento de novas iniciativas económicas de valorização e regeneração de ativos
locais.
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
• Preservação e valorização económica sustentável do património natural e cultural e da
identidade local, enquanto ativo estratégico para o desenvolvimento dos territórios, com desta-
que para as regiões rurais.
• Valorização económica das águas interiores enquanto ativo turístico estratégico, fator de
desenvolvimento económico, social e ambiental da comunidade local e diminuição da sazona-
lidade.
3.6 Promover a economia do Mar
• Atividades sustentáveis e diversificação de outras atividades no aproveitamento dos re-
cursos naturais marítimos, garantindo uma matriz de desenvolvimento regional;
• Boas práticas ambientais e os benefícios sociais na exploração dos recursos marinhos
vivos e não vivos;
3.11 Organizar o território para a economia circular
• Melhoria nos índices de produtividade no uso de recursos, derivada de uma produção e
consumo mais eficiente e sustentável nos diferentes níveis territoriais e respetivos agentes.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 205
• Redução da intensidade carbónica e material da economia.
• Redução de emissões (emissões atmosféricas, produção de resíduos e emissão de
efluentes líquidos).
3.12 Promover a competitividade da silvicultura
• Aumentar a rentabilidade e a sustentabilidade económica do setor florestal numa ótica
multifuncional.
• Aumentar o conhecimento e a sua aplicação ao nível das explorações florestais e das
empresas do setor.
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
• Redução de perdas de água e controlo de afluências indevidas;
• Promoção de soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários, agroin-
dustriais e industriais.
4.4 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
• Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos sociais, económicos e
ambientais, nomeadamente as emissões do sistema de transportes.
• Aumento da quota de mercado associada a modos mais sustentáveis.
Indicadores de monitorização.
• Índice de escassez, por bacia hidrográfica (APA)
• Taxa de massas de água em bom estado, por bacia hidrográfica (APA)
• Evolução dos usos (agrícola, florestal e áreas artificializadas) nas áreas estratégicas para
recarga de aquíferos, por concelho (DGT; APA)
• Taxa de áreas artificializadas, por concelho (DGT)
• RAN por concelho (DGADR)
• Superfície de áreas protegidas de âmbito regional e local, integradas na Rede Nacional
de Áreas Protegidas, por concelho (ICNF).
• Percentagem de área com ecossistemas e serviços mapeados e avaliados, por concelho (ICNF)
• Fragmentação da paisagem, por concelho (DGT)
• Variação do coberto vegetal em áreas de montanha, por concelho (DGT)
• Superfície ocupada por sistemas agroflorestais de sobreiro e azinho por concelho (DGT)
• Superfície ocupada com vegetação arbórea com interesse para a conservação da natu-
reza (DGT)
• Superfície ocupada por monocultura de eucalipto e pinheiro bravo (DGT)
• Extensão da costa em situação crítica de erosão (APA)
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
1.1 MAmb APA; DGADR; Regiões Autónomas ICNF; CIM; DRAP; Associações de Agriculto-
res; Organização de Produtores Florestais;
GPP; DGRDN; EDIA; Associações de Be-
neficiários e Regantes; Municípios
1.2 MAmb, MAFDR DGADR; ICNF; APA, CCDR; Regiões DGT; GPP; PPS; Municípios
Autónomas
1.3 MAFDR, MAmb, MMar ICNF; DGRM; Regiões Autónomas DGADR; APA; CCDR; TP; ERT, MPI; FCT;
GPP; IPMA; Municípios
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 206
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
1.4 MAmb, MAFDR DGT; CAAP; DGADR; ICNF; Regiões CCDR; Rede de Parceiros PNPAP; DGCP;
Autónomas Municípios
1.6 MAFDR, MAmb ICNF; GPP; DGADR, Regiões Au- CCDR; Municípios; CIM; TP, ERT, ANPC;
tónomas Cluster das Indústrias da Fileira Florestal
1.7 MAmb, MAFDR, MAI APA; DGT; LNEC; ICNF; ANPC; GPP; IPMA; CCDR; ANMP; CIM; Cluster das Indús-
DGADR; Regiões Autónomas trias da Fileira Florestal; Cluster da Vinha e
do Vinho; Municípios
1.8 MAmb, MMar APA; ICNF; DGRM; Regiões Autó- CCDR; Administrações Portuárias; Municí-
nomas pios; DGPC; TP; DGT; ONG; Laboratórios
do Estado; Docapesca; IPMA
4.2 MAmb ICNF; APA; CCDR; Regiões Autó- DGRM; CAP; Municípios
nomas
Sistema Social do Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 207
Medidas de Política.
SISTEMA
MEDIDAS DE AÇÃO QUE CONCORREM PARA O SISTEMA SOCIAL SOCIAL
DOMÍNIO Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o
1.9
NATURAL espaço público
Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda
2.1
demográfica
2.2 Promover uma política de habitação integrada
Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de
DOMÍNIO 2.3
acesso
SOCIAL
Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às
2.4
transformações socioeconómicas
Melhorar a qualidade de vida da população idosa e reforçar as
2.5
relações intergeracionais
2.6 Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos serviços
Promover a inclusão social e reforçar as redes de apoio de
2.7
proximidade
2.8 Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e artísticas
2.9 Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão sociocultural
Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade
2.10
aos serviços públicos e de interesse geral
3.2 Dinamizar as políticas ativas para o desenvolvimento rural
DOMÍNIO
Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de
ECONÓMICO 3.7
trabalho
Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos
DOMÍNIO DA 4.3
serviços e às infraestruturas empresariais
CONETIVIDADE
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
DOMÍNIO DA GOVERNANÇA TERRITORIAL
Articulação
forte
Articulação
média
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 208
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
2.1 Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demográ-
fica
• Reforço dos apoios/incentivos às famílias e à fixação de unidades empresariais nas áreas
rurais em maior declínio.
• Aumento da qualidade de vida e do acesso aos equipamentos e serviços nos territórios
de baixa densidade.
• Criação de emprego e desenvolvimento do tecido empresarial nas áreas rurais e com
bases económicas mais enfraquecidas.
• Valorização dos recursos locais, naturais e culturais.
• Aumento da atratividade residencial, económica, ambiental, cultural e de lazer das áreas
rurais e dos territórios de baixa densidade.
2.2 Promover uma política de habitação integrada
• Concretização do direito à habitação condigna e a uma melhor qualidade de vida.
• Alargamento dos beneficiários da política de habitação e da dimensão do parque habi-
tacional com apoio público.
• Redução da sobrecarga das despesas com habitação no regime de arrendamento.
• Aumento do peso da reabilitação no total de fogos concluídos.
2.3 Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso
• Aumento do número de cidadãos com médico de família atribuído e aumento dos equi-
pamentos de saúde existentes;
• Aumento da acessibilidade das pessoas aos Cuidados de Saúde Primários, melhorando
a deteção precoce da doença e o seguimento na comunidade, através de modelos colabora-
tivos;
• Aumento da cobertura geográfica ao nível da prevenção primária;
• Existência de pelo menos uma resposta em psicologia, nutrição, saúde visual, saúde
oral, medicina física e de reabilitação e meios complementares de diagnóstico e terapêutica
em cada ACES;
• Existência de pelo menos uma Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos
em cada ACES;
2.4 Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações socio-
económicas
• Diminuição do abandono escolar e aumento do sucesso escolar
• Aumento da qualificação da população em geral
• Alinhamento da oferta educativa e formativa com as necessidades dos setores de atividade
e dos ecossistemas de inovação de base territorial.
• Aumento da empregabilidade da população ativa e em particular dos ativos jovens.
2.5 Melhorar a qualidade de vida da população idosa e reforçar as relações interge-
racionais
• Melhoria da qualidade de vida e do bem-estar dos idosos.
• Redução dos níveis de pobreza dos idosos.
• Melhorar a oferta de equipamentos e serviços dirigidos a uma estrutura sociodemográfica
envelhecida.
• Diminuição do isolamento dos idosos e aumento da sua independência e inserção na
vida familiar, social e económica.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 209
2.6 Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos serviços
• Maior facilidade e igualdade social e territorial no acesso ao direito e à tutela jurisdicional
efetiva.
• Melhoria da reintegração e da prevenção da reincidência dos jovens e dos adultos sujeitos
a medidas cumpridas em meio institucional.
2.7 Promover a inclusão social e reforçar as redes de apoio de proximidade
• Redução dos elevados níveis de segregação social, combate às situações críticas de
pobreza, especialmente a infantil, e reforço da inclusão dos cidadãos.
• Redução da segmentação socioespacial nos espaços urbanos ou nos territórios social-
mente mais envelhecidos ou fortemente atingidos por calamidades.
• Redução das vulnerabilidades e dos riscos sociais associados às situações de sem-abrigo,
às minorias étnicas, aos consumos de substâncias psicoativas e às práticas desviantes.
2.8 Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e artísticas
• Reforço de práticas artísticas enraizadas nas especificidades locais e nas memórias dos
seus diferentes segmentos populacionais.
• Aumento do diálogo profícuo entre as artes e a educação, a ação social e a economia,
estimulando a inclusão social de segmentos populacionais mais vulneráveis.
• Fomento da relação entre as comunidades/cidadãos e o seu património e a criação de
iniciativas sociais, culturais, artísticas e económicas inovadoras.
2.9 Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão sociocultural
• Aumento da empregabilidade e do empreendedorismo social dos NEET, dos DLD, dos
imigrantes e das populações flutuantes.
• Mobilização das organizações sociais e empresariais para intervenções/soluções inova-
doras integradas de base local.
• Reforço e qualificação dos ecossistemas de empreendedorismo social e de inovação social
assente em parcerias a partir de redes colaborativas estabelecidas com diferentes agentes.
• Fomento da inovação social na baixa densidade através da otimização da gestão e pres-
tação em rede dos diferentes serviços coletivos (educação, saúde, cultura, sociais, económicos,
associativos, etc.).
2.10 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos serviços
públicos e de interesse geral
• Aumento da acessibilidade e da qualidade dos serviços públicos e de interesse geral.
• Aumento da disponibilidade de dados em tempo real, permitindo aumentar a capacidade
de interligar informação e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
Efeitos Indiretos
1.9 Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço pú-
blico
• Aumento do conforto urbano com vista à proteção da saúde humana, da qualidade de
vida das populações e da preservação dos ecossistemas.
• Criação de espaços públicos mais integrados, com maior identidade cultural e ambien-
talmente mais sustentáveis, reforçando a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida ou
outras incapacidades.
• Aumento da área de espaço público e de espaços verdes por habitante.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 210
3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
• Aumento da atratividade do meio rural.
• Minimização das situações de perda demográfica nos meios rurais.
3.7 Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de trabalho
• Melhoria da qualificação dos recursos humanos.
• Ajustamento dos programas de formação e qualificação dos ativos às necessidades do
tecido empresarial nacional, de acordo com os perfis de especialização local e regional.
• Aumento do empreendedorismo e dos processos de criação e evolução das startups nos
sistemas de inovação de base territorial.
• Redução do risco de pobreza e de exclusão social da população mais jovem desempre-
gada ou desqualificada.
• Diminuição das situações de jovens que não estão a trabalhar, não frequentam o sistema
de ensino, nem estão em formação (NEET).
• Maior integração laboral dos desempregados de longa duração e dos inativos.
• Fomento de iniciativas de inserção laboral dos jovens qualificados.
• Melhoria da qualidade do emprego e incentivo a vínculos laborais mais estáveis.
• Redução das situações de precariedade laboral e social.
4.3 Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade no acesso aos
serviços e infraestruturas empresariais
• Aumento da equidade territorial em termos de acesso aos serviços e às infraestruturas
económicas.
• Melhorar as condições para atrair não residentes, sobretudo nas regiões com piores
acessibilidades.
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
• Melhoria da acessibilidade de pessoas e bens.
• Aumento do nível e qualidade da oferta de transportes públicos e consequentemente da
procura.
• Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos sociais, económicos e
ambientais, nomeadamente as emissões do sistema de transportes.
• Aumento da equidade de acesso aos equipamentos e serviços.
Indicadores de monitorização.
• Crescimento natural, por concelho (INE)
• Crescimento migratório, por concelho (INE)
• Variação da população, por concelho (INE)
• Taxa de fecundidade, por concelho (INE)
• Taxa de população idosa, por concelho (INE)
• Taxa de desemprego total, por concelho (INE)
• Taxa de desemprego jovem, por níveis de escolaridade, por concelho (IEFP)
• Taxa de desemprego feminino, por concelho (INE)
• Taxa de retenção escolar, por concelho (MEdu)
• Taxa de sucesso escolar, por concelho (MEdu)
• Taxa de população com 30-34 anos com pelo menos o ensino superior, por concelho (INE)
• N.º médio de alunos por computador com ligação à internet no ensino básico e secundário,
por concelho (DGEEC)
• N.º de fogos do parque habitacional com apoio público, por concelho (IRHU)
• Taxa de cobertura das respostas para a 1.ª Infância (creche e ama), por concelho
(GEP — MSESS, Carta Social)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 211
• Taxa de cobertura das principais respostas sociais à deficiência ou incapacidade (para
as Crianças, Jovens e Adultos), por concelho (GEP — MSESS, Carta Social)
• Taxa de cobertura das principais respostas sociais para as Pessoas Idosas, por concelho
(GEP — MSESS, Carta Social)
• N.º de utentes sem médico de família atribuído, por concelho (MS)
• N.º de internamentos evitáveis, por concelho (MS)
• Taxa de utilização de consultas médicas pela população inscrita, por concelho (MS)
• Camas da Rede Nacional de Cuidados Continuados por 1.000 habitantes 65 anos, por
concelho (ACSS)
• Taxa de crianças e jovens em risco, por concelho (CPCJ)
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização da Medida
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) (Entidades)
2.1 MTSSS, MECon ISS, IEFP; IA PMEI; AICEP; ANI; Re- CCDR; GPP; DGADR; CIM; Associações Em-
giões Autónomas presariais; Associações de Agricultores;
produtores agroflorestais, ICNF, ADL; GAL;
Municípios
2.2 MAmb IHRU; A M; Municípios; Regiões Au- CCDR; Promotores e gestores de habitação de
tónomas interesse social; Associações de proprietários,
Associações de inquilinos e moradores; Asso-
ciações do setor da habitação; CIM
2.3 MS ARS; DGS; ACSS; SPMS; Regiões CCDR; Municípios; Setor Solidário e Social; As-
Autónomas sociações de Doentes; Municípios
2.4 MTSSS; MMar; ME- DGES; IEFP, ANQEP, DGE; TP; CCDR; Ensino Superior; Ensino Básico e Secun-
duc; MCTES, ME- DGPM; IAPMEI; Regiões Autóno- dário; DRE; Parceiros sociais; Associação de
Con mas País; Portugal Clusters; Entidades Gestores
de Clusters; SGPM; Associações empresariais;
DGRM; ADL; GAL
2.5 MTSSS, MA I ISS; GNR; PSP; Regiões Autóno- Setor Solidário e Social; ONG; Ensino Básico
mas e Secundário; CCDR; A DL; GAL, SPMS;
A CSS
2.6 MJ DGAJ; DGRSP; SGMJ; IGFEJ; Regiões Autónomas Freguesias; Municípios;
INMLCF; DGPJ; IRN; PGR; CSM; ADL; Setor Solidário e Social; Ensino Básico
e Secundário; Gabinete do Secretário de Es-
tado das Autarquias Locais
2.7 MTSSS, MPMA ISS, INR, SECI; SEALRA; CIM, Re- CCDR; Redes Sociais; Setor Solidário e Social;
giões Autónomas GAL; Ensino Superior; Ensino Básico e Se-
cundário; EMPIS; SICAD, ARS; ACSS; DGS;
Municípios
2.8 MC SEC/DGA RTES; Regiões Autóno- Municípios; CIM; AM; DRC; ERT; CCDR; Ensino
mas Básico e Secundário; Agentes e Estruturas
Culturais Regionais e Locais
2.9 MTSSS, MECon, EMPIS; ANI; IAPMEI; Regiões Au- ISS, IEFP, Fundações; Setor Solidário e Social;
MPMA tónomas Ensino Básico e Secundário; Instituições Fi-
nanceiras e Investidores; CCDR; CIM; A DL;
GA L; Rede Nacional de Incubadoras; Muni-
cípios
Cluster TICE; A CEPI; Associações Empresa-
2.10 MPMA AMA; Regiões Autónomas riais; Ensino Básico e Secundário; CCDR; CIM;
DGT; Municípios
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 212
Sistema Económico do Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 213
Medidas de Política.
SISTEMA
MEDIDAS DE AÇÃO QUE CONCORREM PARA O SISTEMA ECONÓMICO
ECONÓMICO
DOMÍNIO
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da floresta
NATURAL
Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda
2.1
demográfica
2.2 Promover uma política de habitação integrada
DOMÍNIO
Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações
SOCIAL 2.4
socioeconómicas
Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos
2.10
serviços públicos e de interesse geral
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
3.2 Dinamizar as políticas ativas para o desenvolvimento rural
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
3.4 Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
3.6 Promover a economia do mar
DOMÍNIO
Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de
ECONÓMICO 3.7
trabalho
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
3.11 Organizar o território para a economia circular
3.12 Promover a competitividade da silvicultura
Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos
4.3
serviços e às infraestruturas empresariais
DOMÍNIO DA
Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de
CONECTIVIDADE 4.4
transporte
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
Ampliar a conectividade digital internacional através dos cabos
4.8
submarinos
Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de redes da
4.9
nova geração 5G
DOMÍNIO DA GOVERNANÇA TERRITORIAL
Articulação forte
Articulação média
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 214
Em termos de Governança Territorial, o PNPOT deve atender a várias dimensões:
- À coordenação interministerial e intersectorial;
- À articulação vertical entre as diferentes escalas subnacionais;
- À articulação horizontal entre as diferentes regiões funcionais.
Isto pressupõe uma maior articulação com as Estratégias de Especialização Inteligente
(RIS3) nacional (ENEI) e regionais (EREIs).
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
• Desenvolvimento de uma agricultura competitiva, viável e sustentável.
• Redução dos níveis de desperdício alimentar, nas diferentes fases da cadeia agroali-
mentar.
• Aumento da área em agricultura biológica e da disponibilidade de produtos biológicos
nacionais no mercado.
• Intensificação sustentada da atividade agrícola que tenha em conta a manutenção e, em
caso disso, a recuperação da biodiversidade
3.2 Dinamizar as políticas ativas para o desenvolvimento rural
• Aumento da atratividade do meio rural, novos residentes, visitantes e investimentos.
• Surgimento de novas iniciativas económicas de valorização e regeneração de ativos
locais
• Criação de redes de cooperação para a transferência do conhecimento e da inovação
nos meios rurais.
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
• Preservação e valorização económica sustentável do património natural e cultural e da
identidade local, enquanto ativo estratégico para o desenvolvimento dos territórios, com desta-
que para as regiões rurais.
• Enriquecimento da cadeia de valor do turismo, numa lógica de articulação intersectorial
• Reforço da qualificação e da competitividade turística do País e das regiões.
• Atração de turistas e residentes temporários, diversificando os segmentos da oferta tu-
rística e gerando maior valor acrescentado.
3.4 Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
• Diminuição dos riscos associados ao património histórico-cultural e promoção da cultura
de prevenção a nível territorial.
• Diminuição do número de edifícios públicos devolutos e rentabilização dos ativos terri-
toriais.
• Criação de riqueza e postos de trabalho.
• Reforço da atratividade turística de diferentes destinos regionais e desconcentração da
procura por várias regiões do País.
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
• Revitalização económica, criação de emprego e atração de investimento e turistas.
• Revitalização e inovação empresarial do comércio e serviços nos espaços urbanos.
• Dinamização do comércio on-line e da economia de partilha.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 215
• Promoção do empreendedorismo e da inovação (empresarial, comercial, cultural, criativa
e turística).
3.6 Promover a economia do mar
• Aproveitamento dos recursos naturais marítimos, criando atividades económicas susten-
táveis e diversificando a matriz de desenvolvimento regional.
• Atividade portuária comercial articulada, maximizando o seu potencial agregado e a inte-
gração nas redes de transportes e cadeias logísticas.
• Portos de pesca e varadouros reestruturados e ordenados segundo uma perspetiva eco-
nomicamente sustentável, socialmente inclusiva e geradora de emprego, tirando partido dos
valores estéticos em que se inserem e maximizando os benefícios locais.
• Náutica desenvolvida nas vertentes de recreio, educação, desporto e turismo, integrando
uma rede de apoios náuticos em áreas estratégicas do País, com forte intervenção territorial
(plataformas de construção e comercialização e assistência de meios e equipamentos).
3.7 Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no mercado de trabalho
• Melhoria da qualificação dos recursos humanos.
• Ajustamento dos programas de formação e qualificação dos ativos às necessidades do
tecido empresarial nacional, de acordo com os perfis de especialização local e regional.
• Promoção de ações de empreendedorismo e de inovação social, e reforço da criação de
autoemprego por parte da população jovem e desempregada.
• Aumento da inserção laboral de jovens qualificados.
• Melhoria da qualidade do emprego e incentivo a vínculos laborais mais estáveis.
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
• Aumento do empreendedorismo e dos processos de criação e evolução das startups nos
sistemas de inovação de base territorial.
• Incremento dos processos de I&D+i em rede colaborativa de cocriação económica e do
subsequente spillover local do conhecimento.
• Intensificação da inovação nos territórios rurais e reforço das redes colaborativas
inter-regionais e urbano-rurais.
• Reforço da especialização em atividades mais intensivas em conhecimento e tecnologia,
com reflexos na subida das exportações destes bens, serviços, conteúdos e conceitos.
• Aumento do emprego em geral e do emprego qualificado, particularmente o emprego
jovem, científico e a atração de “talentos” estrangeiros para as empresas e para a investigação
no ensino superior.
• Aumento da atratividade de investimento direto estrangeiro e de poupanças internacionais
que contribuam para reforçar as exportações de bens, serviços, conteúdos e conceitos.
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
• Aceleração da adoção das tecnologias e dos conceitos da indústria 4.0 no tecido empre-
sarial português.
• Ajustamento dos sistemas de inovação de base territorial à Revolução Industrial 4.0.
• Reforço da presença e visibilidade internacional das empresas tecnológicas portuguesas
e, consequentemente, aumento das exportações.
• Conversão de Portugal num hub atrativo para o investimento no contexto 4.0.
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
• Atração de investimento estrangeiro, nomeadamente para financiamento em startups.
• Reforço das exportações de bens e serviços.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 216
• Atração de turistas e residentes a tempo parcial.
• Atração de poupanças internacionais para o sector imobiliário, turismo, construção e
infraestruturas.
• Atração de talentos, investigadores e estudantes estrangeiros.
• Aumento das parcerias externas.
• Reforço da internacionalização das empresas e outras organizações (universidades,
museus, hospitais, entre outras).
3.11 Organizar o território para a economia circular
• Melhoria nos índices de produtividade no uso de recursos, derivada de uma produção e
consumo mais eficiente e sustentável nos diferentes níveis territoriais e respetivos agentes.
• Fixação e/ou desenvolvimento de atividades económicas de valorização e regeneração
de ativos locais.
• Redução da intensidade carbónica e material da economia.
• Redução de emissões (emissões atmosféricas, produção de resíduos e emissão de
efluentes líquidos).
3.12 Promover a competitividade da silvicultura
• Aumentar a rentabilidade e a sustentabilidade económica do setor florestal numa ótica
multifuncional.
• Aumentar o conhecimento e a sua aplicação ao nível das explorações florestais e das
empresas do setor.
Efeitos Indiretos
1.5 Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos e mineiros
• Apoio à definição de uma estratégia integrada abrangendo toda a fileira dos recursos
geológicos numa ótica de circularidade da economia
• Desenvolvimento económico sustentado, em particular de regiões mais desfavorecidas
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da Floresta
• Redução das áreas abandonadas sem utilização produtiva.
• Incremento do associativismo na exploração florestal.
• Incremento de atividades económicas geradoras de valor para as economias locais.
Efeitos Esperados.
2.1 Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demográfica
• Reforço dos apoios/incentivos às famílias e à fixação de unidades empresariais nas áreas
rurais em maior declínio.
• Criação de emprego e desenvolvimento do tecido empresarial nas áreas rurais e com
bases económicas mais enfraquecidas.
• Aumento da atratividade residencial, económica, ambiental, cultural e de lazer das áreas
rurais e dos territórios de baixa densidade.
2.4 Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações socio-
económicas
• Diminuição do abandono escolar e aumento do sucesso escolar
• Aumento da qualificação da população em geral
• Alinhamento da oferta educativa e formativa com as necessidades dos setores de atividade
e dos ecossistemas de inovação de base territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 217
• Aumento da empregabilidade da população ativa e em particular dos ativos jovens.
• Aumento da qualificação nomeadamente em competências digitais e competências sec-
torialmente e territorialmente especializadas.
• Reforço da inserção dos estabelecimentos de ensino e de formação nas redes globais,
particularmente europeias.
2.10 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos serviços
públicos e de interesse geral
• Disponibilidade de dados em tempo real, permitindo aumentar a capacidade de interligação
de informação e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
4.3 Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos serviços e às
infraestruturas empresariais
• Aumento da equidade territorial em termos de acesso aos serviços e às infraestruturas
económicas.
• Aumento das condições para o reforço da competitividade dos polos empresariais e das
regiões fronteiriças.
• Melhorar a oferta de infraestruturas potenciadoras de uma maior procura.
• Aumento da atividade económica e atração de não residentes (novos residentes, turistas,
visitantes), sobretudo nas regiões geograficamente mais desfavorecidas.
4.4 Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de transporte
• Manutenção ou reposição dos níveis de qualidade e desempenho nos transportes.
• Desenvolvimento da multimodalidade associada ao transporte de mercadorias visando
melhorar a eficácia das infraestruturas.
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
• Melhoria da acessibilidade de pessoas e bens.
• Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos sociais, económicos e
ambientais, nomeadamente as emissões do sistema de transportes.
• Aumento da equidade de acesso aos equipamentos e serviços.
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
• Aumento da eficiência dos sistemas de transporte.
• Redução das externalidades negativas dos sistemas de transporte.
• Aumento da carga transportada pelos sistemas de transporte.
• Aumento da proximidade entre o fornecedor e o utilizador.
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
• Aumento da atratividade externa dos sistemas logísticos e de transporte.
• Aumento dos fluxos de pessoas à escala internacional.
• Aumento dos fluxos de mercadorias à escala internacional.
• Consolidação de Portugal como hub comercial de GNL transcontinental.
• Aumento da interoperabilidade dos sistemas de transportes.
• Aumento das transações económicas internacionais.
• Aumento da atividade turística externa.
4.8 Ampliar a conetividade digital internacional através dos cabos submarinos
• Aumento da conetividade a nível internacional e nacional.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 218
• Aproximação digital entre as Regiões Autónomas e entre as Regiões Autónomas e o
Continente.
• Implantação de pontos de troca de tráfego Internet (IXPs) e de pontos de presença de
operadores (PoPs), com o desenvolvimento da instalação de novas Telehouses.
• Implantação de centros de I&D internacionais assim como de polos de desenvolvimento
e inovação.
• Desenvolvimento da indústria de armazenamento de dados e de localização de conteúdos.
• Criação de valor através da contratação por terceiros da utilização dos cabos submarinos.
• Integração do assunto da rede submarina na defesa da estratégia nacional para a ZEE.
4.9 Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de redes da nova gera-
ção 5G
• Reforço da cobertura de banda larga
• Implementação do 5G
• Reforço da infraestruturação digital tendo em vista a diminuição da infoexclusão e o
incremento da economia digital
Indicadores de monitorização.
• Produto Interno Bruto, por NUTS III (INE)
• Valor Acrescentado Bruto, por NUTS III (INE)
• Evolução do Emprego, por concelho e NUTS III (INE)
• Evolução da produtividade, por concelho e NUTS III (INE)
• Taxa das exportações de bens e por produtos no PIB, por NUTS III (INE)
• Proporção de exportações de produtos e bens de alta tecnologia, por NUTS III (INE)
• N.º de dormidas de hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos de alojamento turístico,
por concelho e NUTS III (INE)
• Número de empresas gazelas, por concelho (INE)
• Proporção da despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) no PIB, por NUTS III
(INE)
• Evolução das exportações de bens agroalimentares no total de exportações, por concelho
(INE)
• N.º de projetos PT2020, LIFE, Horizonte 2020, e outros enquadrados nos eixos de econo-
mia circular, economia verde, economia azul, consumo e produção sustentável, entre outros.
• Valor Acrescentado Bruto no setor da economia do mar (INE)
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
3.1 MAFDR; MEcon GPP; DGADR; IAPMEI; ANI; Mu- DRAP; Organizações de Produtores Agrícolas e Flo-
nicípios; SPGM/Agrogarante; restais; CNCDA; ICNF; CCDR; Associações de
Regiões Autónomas Beneficiários e Regantes; Agro-food cluster; Cluster
Produtech; Cluster Tooling & Engineering; Cluster
das indústrias da fileira florestal; Colab da Trans-
formação Digital
3.2 MAFDR; MEcon GPP; DGADR; SPGM/Agrogarante; APA; CCDR; CIM; Municípios; Associações Empresa-
Regiões Autónomas riais; ICNF; Associações de Agricultores; produtores
agroflorestais; ADL; GAL
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 219
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
3.3 MEcon TP; ERT; ARPT; IAPMEI; Portugal ICNF; APA; CCDR; AM; CIM; DGPC; Municípios; En-
Ventures; Regiões Autónomas tidades Gestoras dos Geoparques e Reservas da
Biosfera; Ensino Superior; Associações Empresa-
riais; ADL; GAL
3.4 MEcon; MC TP; DGPC; DGTF; IAPMEI; Regiões CCDR; ANPC; ICNF; DGADR; Ensino Superior; ADL;
Autónomas; GAL; Municípios
3.5 MEcon SEAC/DGAE; Regiões Autónomas Organizações de Cariz Cultural; ANMP; AT; Asso-
ciações Comerciais e Empresariais; DGPC; Mu-
nicípios
3.6 MMar; MEcon DGPM; DGRM; IAPMEI; Portugal IPMA; CCDR; ICNF; Municípios; Cluster do Mar;
Ventures; ANI; Administrações Cluster Produtech; Cluster Tooling & Engineering
Portuárias; Docapesca; Regiões Ceiia; Associações Empresariais; Colab da Trans-
Autónomas formação Digital; ADL; GAL
3.7 MTSSS; MEcon IEFP; ANQEP; IAPMEI; Portugal CCDR; Escolas Profissionais; Municípios; Fregue-
Ventures; Regiões Autónomas sias; Entidades Gestores dos Clusters; Portugal
Clusters; Associações Empresariais; Empresas;
Parceiros sociais; ADL; GAL
3.8 MTSSS; MCTES; IEFP; CASES; AICEP; ANI; FCT; Administrações Portuárias; Entidades Gestoras de
MEcon; MMar; IAPMEI; CCDR; DGPM; DGRM; Clusters; Rede Nacional de FabLabs e Makers;
MPI IPMA; AD&C; Portugal Ventures; SPGM; Empresas; Setor Solidário e Social; ONG;
Regiões Autónomas Associações Empresariais; COTEC Portugal; En-
sino Superior; Entidades do SCT; EMPIS; DGAE;
Centros de Competências; ADL; GAL
3.9 MEcon; MMar; IAPMEI; FCT; ANI; CCDR; DGPM; COTEC Portugal; ACEPI; ISQ; IPQ; SPGM; PME
MCTES Regiões Autónomas; Investimentos; Entidades Gestoras de Clusters;
Associações empresariais; Centros de Interface
e Centros Tecnológicos; Colab da Transformação
Digital; Ensino Superior; Entidades do SCT
3.10 MEcon; MAFDR; TP; AICEP; IAPMEI; DGAE; PME Entidades gestoras dos clusters; Ensino Superior;
MMAr Investimentos; Portugal Ventures; Entidades do SCT; COTEC Portugal; CCDR
GPP; DGPM; Associações Em-
presariais; Regiões Autónomas
3.11 MAmb; MEcon; CCDR; CIM; APA; ANI; IAPMEI; DGT; Entidades Gestoras dos Clusters; Associações
MCTES; MMar IPQ; IPAC; ASAE; ADENE; AI- Empresariais e Industriais; Entidades do SCT; En-
CEP; DGEG; DGPM; Municípios; sino Superior; Ensino Básico e Secundário; Em-
Regiões Autónomas presas; DGRM; ICNF; TP; CNCDA; DGAE; DGS;
COTEC Portugal; ADL; GAL
3.12 MAmb; MAFDR; ICNF; GPP; Municípios; OPF; En- Entidades Gestoras de Cluster da Fileira Florestal;
MEcon tidades Gestoras de Clusters e Associações Profissionais; Cluster Produtech; Clus-
Associações Profissionais; Re- ter Tooling & Engineering; Colab de Transformação
giões Autónomas Digital; ISQ; Proprietários florestais; ANQEP; FCT;
ANPC; IRN; AT; CCDR; DGT
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 220
Sistema de Conetividade do Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 221
Medidas de Política.
SISTEMA DE
MEDIDAS DE AÇÃO QUE CONCORREM PARA O SISTEMA DE CONECTIVIDADE
CONETIVIDADE
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
DOMÍNIO
1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
NATURAL
1.4 Valorizar o território através da paisagem
2.3 Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso
Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações
DOMÍNIO 2.4
socioeconómicas
SOCIAL
Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos
2.10
serviços públicos e de interesse geral
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
DOMÍNIO
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
ECONÓMICO
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
DOMÍNIO DA 4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
CONETIVIDADE 4.2 Otimizar a conetividade ecológica nacional
Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos
4.3
serviços e às infraestruturas empresariais
Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de
4.4
transporte
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
Ampliar a conectividade digital internacional através dos cabos
4.8
submarinos
Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de redes da
4.9
nova geração 5G
DOMÍNIO DA GOVERNANÇA TERRITORIAL
Articulação forte
Articulação média
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
• Valorização dos serviços prestados pelos ecossistemas associados a massas de água
interiores e de transição
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 222
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
• Garantia do cumprimento das políticas ambientais comunitárias sucessivamente mais
exigentes;
• Promoção de soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários, agroin-
dustriais e industriais;
• Potenciar a utilização e produção de energias renováveis e introduzir medidas de redu-
ção/eficiência energética nas infraestruturas (e.g. produção própria de energia).
4.2 Otimizar a conetividade ecológica nacional
• Valorização económica e social das áreas integradas na conetividade ecológica nacional,
no contexto rural e urbano e nas várias escalas de planeamento;
• Valorização do território aumentando os serviços dos ecossistemas e as ofertas para
recreio e Turismo de Natureza;
• Incremento do reconhecimento do valor dos territórios de fronteira pela promoção de
sinergias transfronteiriças;
• Incremento da continuidade e complementaridade das redes ecológicas regionais e
municipais;
• Implementação do conceito de Infraestrutura Verde.
4.3 Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a equidade aos serviços e às
infraestruturas empresariais
• Aumento da equidade territorial em termos de acesso aos serviços e às infraestruturas
económicas.
• Aumento das condições para o reforço da competitividade dos polos empresariais e das
regiões fronteiriças.
4.4 Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de transporte
• Manutenção ou reposição dos níveis de qualidade e desempenho nos transportes.
• Desenvolvimento da multimodalidade associada ao transporte de mercadorias visando
melhorar a eficácia das infraestruturas.
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
• Melhoria da acessibilidade de pessoas e bens.
• Aumento do nível e qualidade da oferta de transportes públicos e consequentemente da
procura
• Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos sociais, económicos e
ambientais, nomeadamente as emissões do sistema de transportes.
• Aumento da quota de mercado associada a modos mais sustentáveis.
• Diminuição dos utilizadores de transporte individual motorizado.
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
• Aumento da eficiência dos sistemas de transporte.
• Redução das externalidades negativas dos sistemas de transporte.
• Aumento dos utilizadores dos sistemas de transporte.
• Aumento da carga transportada pelos sistemas de transporte.
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
• Aumento da atratividade externa dos sistemas logísticos e de transporte.
• Aumento dos fluxos de pessoas à escala internacional.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 223
• Aumento dos fluxos de mercadorias à escala internacional.
• Consolidação de Portugal como hub comercial de GNL transcontinental.
• Aumento da interoperabilidade dos sistemas de transportes.
• Aumento das transações económicas internacionais.
• Aumento da atividade turística externa.
4.8 Ampliar a conetividade digital internacional através dos cabos submarinos
• Aumento da conetividade a nível internacional e nacional.
• Aproximação digital entre as Regiões Autónomas e entre as Regiões Autónomas e o
Continente.
• Implantação de pontos de troca de tráfego Internet (IXPs) e de pontos de presença de
operadores (PoPs), com o desenvolvimento da instalação de novas Telehouses.
• Criação de valor através da contratação por terceiros da utilização dos cabos submarinos.
• Integração do assunto da rede submarina na defesa da estratégia nacional para a ZEE.
4.9 Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de redes da nova gera-
ção 5G
• Reforço da cobertura de banda larga
• Implementação do 5G
• Reforço da infraestruturação digital tendo em vista a diminuição da infoexclusão e o
incremento da economia digital
Efeitos Indiretos
1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
Diminuição da perda de biodiversidade e incremento do conhecimento e da avaliação do
seu estado de conservação
1.4 Valorizar o território através da paisagem
• Valorização dos sistemas agroflorestais de sobreiro e azinho promotores da multifuncio-
nalidade e demais florestação arbórea de interesse para a conservação da natureza
2.3 Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades de acesso
• Reforço da equidade territorial no acesso aos equipamentos e serviços de saúde.
2.4 Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às transformações socio-
económicas
• Aumento da qualificação nomeadamente em competências digitais e competências sec-
torialmente e territorialmente especializadas.
2.10 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos serviços
públicos e de interesse geral
• Aumento da acessibilidade e da qualidade dos serviços públicos e de interesse geral.
• Aumento da transparência, comparabilidade e exigência, com implicações na qualidade
dos serviços públicos.
• Disponibilidade de dados em tempo real, permitindo aumentar a capacidade de interligação
de informação e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
• Aumento da produtividade na Administração Pública e a eficácia e eficiência da sua ação.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 224
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
• Reforço da qualificação e da competitividade turística do País e das regiões.
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
• Preservação e capitalização dos produtos locais e do património material e imaterial.
3.6 Promover a economia do mar
• Atividade portuária comercial articulada, maximizando o seu potencial agregado e a inte-
gração nas redes de transportes e cadeias logísticas.
• Portos de pesca e varadouros reestruturados e ordenados segundo uma perspetiva eco-
nomicamente sustentável, socialmente inclusiva e geradora de emprego, tirando partido dos
valores estéticos em que se inserem e maximizando os benefícios locais.
• Náutica desenvolvida nas vertentes de recreio, educação, desporto e turismo, integrando
uma rede de apoios náuticos em áreas estratégicas do País, com forte intervenção territorial
(plataformas de construção e comercialização e assistência de meios e equipamentos).
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
• Intensificação da inovação nos territórios rurais e reforço das redes colaborativas
inter-regionais e urbano-rurais.
• Aumento da atratividade de investimento direto estrangeiro e de poupanças internacionais
que contribuam para reforçar as exportações de bens, serviços, conteúdos e conceitos.
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
• Aceleração da adoção das tecnologias e dos conceitos da indústria 4.0 no tecido empre-
sarial português.
• Conversão de Portugal num hub atrativo para o investimento no contexto 4.0.
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
• Reforço das exportações de bens e serviços.
• Atração de turistas e residentes a tempo parcial.
• Atração de poupanças internacionais para o sector imobiliário, turismo, construção e
infraestruturas.
• Reforço da internacionalização das empresas e outras organizações (universidades,
museus, hospitais, entre outras).
Indicadores de monitorização.
• Acessibilidade Geográfica, por concelho (MPI)
• Índice de Sinuosidade Ponderado, por concelho (MPI)
• Acessibilidade Estrutural, por concelho (MPI)
• Tempos de acesso aos serviços públicos de interesse geral, por concelho (MPI)
• Evolução da procura de transportes públicos, por concelho (AML, AMP, IMT)
• N.º de passageiros nos relacionamentos externos (entradas e saídas), por modo de trans-
porte (marítimo, aéreo e ferroviário) (ANA; CP; Associação dos Portos de Portugal)
• Quilómetros de via qualificados, por concelho (MPI)
• Quilómetros de ciclovias, por concelho (IMT)
• N.º de utilizadores das apps digitais associadas aos sistemas de transportes, por concelho
• Capacidade total dos cabos submarinos amarrados em Portugal (ANACOM)
• N.º de conexões de internet por 100 000 habitantes, por NUTS III (INE)
• Acessos à internet em banda larga por 100 habitantes (%), por NUTS III (INE)
• Extensão da Rede Hidrográfica Valorizada (APA)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 225
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
1.1 MAmb APA; DGADR; Regiões Autónomas ICNF; CIM; DRAP; Associações de Agri-
cultores; Organização de Produtores
Florestais; GPP; DGRDN; EDIA; Asso-
ciações de Beneficiários e Regantes;
Municípios
4.1 MEcon Entidades gestoras de água e saneamento; Entidades privadas; Setores de atividade
DGEG; ADENE; Municípios; SGRU; Regi- económica
ões Autónomas
4.2 MAmb ICNF; APA; CCDR; Regiões Autónomas DGRM; CAP; Municípios
4.3 MPI IMT; IP; Concessionárias de Autoestradas; AMT; AM; CIM; Municípios; Operadores de
Regiões Autónomas Transporte Terrestre; Operadores logísti-
cos e turísticos
4.4 MPI, MMar; MAI IP; Administrações Portuárias; Concessio- Municípios; Administração Central e Lo-
nárias de Infraestruturas de Transporte cal; IMT; AMT; Operadores logísticos,
(aeroportuária, portuárias e rodoviárias); de transporte e turismo; DGEG
ANSR; Regiões Autónomas
4.5 MAmb, MPI IMT; IP; AM, CIM; Municípios; Concessioná- Empresas de Transportes; Operadores de
rias de Autoestradas; Empresas públicas Transporte, CCDR, ANSR; CEiia; Cluster
de Transporte; Regiões Autónomas Mobinov
4.6 MPI, MMar IMT; IP; Administrações Portuárias; Empre- AMT; Operadores logísticos e de trans-
sas públicas de Transporte; Regiões Au- portes; APDC; Cluster Tice; Ceiia; Rede
tónomas Nacional de Incubadoras
4.7 MPI; MMar DGRM; Administrações Portuárias; ANA ANAC; AMT; IMT; Concessionárias e de-
– Aeroportos de Portugal; IP; Regiões mais empresas do setor marítimo; NAV,
Autónomas companhias e demais empresas do setor
aéreo; Cluster AED; Portugal Clusters;
Operadores ferroviários, logísticos e tu-
rísticos
4.8 MPI ANACOM; Regiões Autónomas DGRM; Ceiia; Cluster do Mar
4.9 MPI ANACOM; Regiões Autónomas Operadores de telecomunicações e da rede
de TDT; Cluster TICE
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N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 226
Sistema Urbano do Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 227
Medidas de Política.
O PNPOT evidencia a importância do desenvolvimento e implementação de uma Política
Urbana Nacional, para o País poder melhor capitalizar as oportunidades de desenvolvimento
decorrentes da urbanização e cumprir as suas responsabilidades globais, bem como as metas
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Nova Agenda Urbana (NAU).
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 228
As políticas de desenvolvimento urbano têm de considerar que as cidades estão interconec-
tadas no seio de um Sistema Urbano. Nos últimos anos, as políticas têm sobretudo procurado
reduzir os custos sociais e ambientais presentes nos contextos urbanos, mas podem também
valorizar o papel das cidades no desenvolvimento económico e na capacidade para favorecer
a inovação com impacto no conjunto da economia.
O desenvolvimento urbano sustentável passa por estratégias integradas e flexíveis, que
têm em consideração os desafios colocados pela globalização, as especificidades regionais
e os potenciais de transformação atendendo aos diferentes contextos urbanos. Integram
políticas para a coesão social, inovação e emprego, e formas de garantir a sustentabilidade
ambiental.
Pilotar o desenvolvimento sustentável passa estrategicamente por uma gestão adequada
dos espaços urbanos. É necessário privilegiar as densidades, otimizar a utilização do solo,
reduzir as necessidades de transporte, valorizar os espaços de socialidade, de interação
cultural e social de forma a contribuir para melhorar a qualidade urbana. As intervenções de-
vem contribuir para a sustentabilidade e a inclusão e garantir uma qualidade de vida a todos.
As cidades sustentáveis, resilientes e inclusivas resultam de uma boa governança, são efi-
cazes, fazem um planeamento adequado da ocupação do solo, uma participação inclusiva
e um financiamento eficiente. A erradicação da pobreza e das desigualdades sociais, a luta
contra as mudanças climáticas e a garantia de um ambiente saudável e agradável para vi-
ver, atuando para uma transição para energias mais sustentáveis são prioritários. Deve-se
promover a urbanização racional, em prol de um desenvolvimento sustentável, equitativo e
tendo como objetivo a prosperidade urbana.
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
• Contenção da ocupação edificada em zonas de inundação.
• Valorização dos serviços prestados por ecossistemas associados a massas de água
doce e de transição.
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
• Estabilização do grau de artificialização do solo.
• Redução das áreas expectantes para a urbanização e edificação.
• Incremento da regeneração e reabilitação urbanas.
• Incremento do conhecimento sobre os limites da propriedade e dos seus proprietários.
1.4 Valorizar o território através da paisagem
• Qualificação da paisagem urbana e periurbana pelo aproveitamento e/ou reconversão
dos espaços abandonados e desqualificados.
• Reabilitação do património cultural e arquitetónico em espaço urbano e rural.
• Aumento do conhecimento e da cultura paisagística e territorial.
1.7 Prevenir riscos e adaptar o território à mudança climática
• Diminuição do risco e aumento da resiliência das comunidades.
• Integração da avaliação de risco e da definição das medidas de prevenção e redução dos
seus efeitos nos processos de elaboração dos programas e planos territoriais.
• Aumento da adesão a atitudes e comportamentos de boas práticas de prevenção e re-
dução do risco e de autoproteção.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 229
1.9 Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço público
• Criação de cidades mais compactas e verdes.
• Aumento do conforto urbano com vista à proteção da saúde humana, da qualidade de
vida das populações e da preservação dos ecossistemas (inclui o melhoramento da qualidade
do ar, a diminuição da população exposta ao ruído e a conservação da biodiversidade).
• Criação de espaços públicos mais integrados, com maior identidade cultural e ambien-
talmente mais sustentáveis, reforçando a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida ou
outras incapacidades.
• Aumento da área de espaço público e de espaços verdes por habitante.
2.1 Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta à perda demográfica
• Aumento da qualidade de vida e do acesso aos equipamentos e serviços nos territórios
de baixa densidade.
• Criação de emprego e desenvolvimento do tecido empresarial nas áreas rurais e com
bases económicas mais enfraquecidas.
• Aumento da atratividade residencial, económica, ambiental, cultural e de lazer das áreas
rurais e dos territórios de baixa densidade.
2.2 Promover uma política de habitação integrada
• Concretização do direito à habitação condigna e a uma melhor qualidade de vida.
• Alargamento dos beneficiários da política de habitação e da dimensão do parque habi-
tacional com apoio público.
• Redução da sobrecarga das despesas com habitação no regime de arrendamento.
• Aumento do peso da reabilitação no total de fogos concluídos.
2.5 Melhorar a qualidade de vida da população idosa e reforçar as relações interge-
racionais
• Melhoria da qualidade de vida e do bem-estar e redução dos níveis de pobreza dos
idosos.
• Envelhecimento mais ativo e com maior qualidade e saúde intelectual e física.
• Desenvolvimento de instrumentos facilitadores da mobilidade de pessoas idosas a ser-
viços, equipamentos e espaços públicos.
• Existência de equipamentos e serviços ajustados a uma estrutura sociodemográfica mais
envelhecida.
• Diminuição do isolamento dos idosos e aumento da sua independência e inserção na
vida familiar, social e económica.
• Criação de novas oportunidades e novos negócios gerados por um perfil demográfico
mais envelhecido.
• Reforço da mistura geracional.
• Construção de cidades mais amigas das pessoas idosas.
2.7 Promover a inclusão social e reforçar as redes de apoio de proximidade
• Redução dos elevados níveis de segregação social e fragmentação espacial.
• Inclusão dos cidadãos e combate às situações críticas de pobreza, especialmente a in-
fantil, e à exclusão social em territórios vulneráveis, envelhecidos ou fortemente atingidos por
calamidades.
• Redução das vulnerabilidades e dos riscos sociais associados às situações de sem-abrigo,
às minorias étnicas, aos consumos de substâncias psicoativas e às práticas desviantes.
• Capacitação das famílias com os instrumentos necessários e adequados para uma inte-
gração social com sucesso.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 230
• Integração progressiva das populações em situação de maior vulnerabilidade no contexto
laboral, social e comunitário.
• Reforço das redes de apoio de proximidade.
2.8 Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e artísticas
• Promoção de uma cultura da pluralidade, diversidade, multiculturalidade e da diferença
do ponto de vista da identidade e da memória coletiva.
• Criação de espaços, de sociabilidades e de práticas artísticas enraizadas nas especifici-
dades locais e nas memórias dos seus diferentes segmentos populacionais.
• Promoção do reforço da atratividade turística, criativa e artística de destinos regionais
com especial singularidade cultural, artística e criativa e seu impacto internacional.
2.10 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a acessibilidade aos serviços
públicos e de interesse geral
• Aumento da acessibilidade e da qualidade dos serviços públicos e de interesse geral.
• Aumento da transparência, comparabilidade e exigência, com implicações na qualidade
dos serviços públicos.
• Disponibilidade de dados em tempo real, permitindo aumentar a capacidade de interligação
de informação e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
• Capacidade de envolver os cidadãos nos processos de administração e gestão do bem pú-
blico contribuindo para a qualidade dos serviços e para a melhoria da sua qualidade de vida.
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
• Preservação e valorização económica sustentável do património natural e cultural e da
identidade local, enquanto ativo estratégico para o desenvolvimento dos territórios, com desta-
que para as regiões rurais.
• Enriquecimento da cadeia de valor do turismo, numa lógica de articulação intersectorial
• Territorialização e integração de políticas públicas em turismo.
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
• Revitalização económica de espaços urbanos, criando emprego e formas de atração de
investimento e visitantes.
• Fortalecimento das dinâmicas empresariais e comerciais nos espaços urbanos.
• Aproximação das populações aos serviços básicos e ao comércio de primeira necessidade.
• Fortalecimento das dinâmicas comerciais, culturais e criativas nos espaços urbanos
principais.
• Promoção do empreendedorismo e da inovação a vários níveis (empresarial, comercial,
cultural, criativa e turístico).
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
• Aumento do empreendedorismo e dos processos de criação e evolução das startups nos
sistemas de inovação de base territorial.
• Incremento dos processos de I&D+i em rede colaborativa de cocriação económica e do
subsequente spillover local do conhecimento.
• Reforço da especialização em atividades mais intensivas em conhecimento e tecnologia,
com reflexos na subida das exportações destes bens, serviços, conteúdos e conceitos.
• Aumento do emprego em geral e do emprego qualificado, particularmente o emprego
jovem, científico e a atração de “talentos” estrangeiros para as empresas e para a investigação
no ensino superior.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 231
• Aumento da atratividade de investimento direto estrangeiro e de poupanças internacionais
que contribuam para reforçar as exportações de bens, serviços, conteúdos e conceitos.
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
• Capacitação do capital humano e do capital social em geral nas tecnologias digitais.
• Aceleração da adoção das tecnologias e dos conceitos da indústria 4.0 no tecido empre-
sarial português.
• Conversão de Portugal num hub atrativo para o investimento no contexto 4.0.
3.10 Reforçar a internacionalização e a atração de investimento externo
• Atração de investimento estrangeiro, nomeadamente para financiamento em startups.
• Reforço das exportações de bens e serviços.
• Atração de turistas e residentes a tempo parcial.
• Atração de poupanças internacionais para o sector imobiliário, turismo, construção e
infraestruturas.
• Atração de talentos, investigadores e estudantes estrangeiros.
• Aumento das parcerias externas.
• Reforço da imagem positiva de Portugal no exterior (metrópoles, cidades e regiões por-
tuguesas).
• Reforço da internacionalização das empresas e outras organizações (universidades,
museus, hospitais, entre outras).
3.11 Organizar o território para a economia circular
• Articulação entre os domínios territoriais e o progresso numa economia circular são múl-
tiplos e transversais.
• Uma melhoria nos índices de produtividade no uso de recursos, dada a promoção de
produção e consumo mais eficiente e sustentável nos diferentes níveis territoriais e agentes
neles contidos.
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
• Aumento de fiabilidade e segurança nos sistemas de abastecimento de água.
• Aumento da resiliência dos sistemas e infraestruturas às alterações climáticas e aos
efeitos dos eventos extremos.
• Redução de perdas de água e controlo de afluências indevidas.
• Incrementar a recolha seletiva multimaterial e orgânica.
4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
• Melhoria da acessibilidade de pessoas e bens.
• Aumento do nível e qualidade da oferta de transportes públicos e consequentemente da
procura
• Redução do congestionamento do tráfego e demais impactos, nomeadamente as emis-
sões do sistema de transportes.
• Aumento da quota de mercado associada a modos mais sustentáveis (transporte coletivo
de passageiro e outros modos e tecnologias de transporte mais eficientes do ponto de vista
ambiental, incluindo os modos suaves e soluções de mobilidade partilhada e elétrica).
• Diminuição dos utilizadores de transporte individual motorizado.
• Aumento da equidade de acesso aos serviços.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 232
4.6 Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de transporte
• Aumento da eficiência dos sistemas de transporte.
• Redução das externalidades negativas dos sistemas de transporte.
Indicadores de monitorização.
• Taxa de áreas artificializadas, por concelho (DGT)
• Percentagem de teor de carbono no solo, por concelho (APA)
• Variação da população, por concelho (INE)
• Taxa de população idosa, por concelho (INE)
• Desemprego total, por concelho (IEFP/MTSSS)
• Taxa de retenção escolar, por concelho (MEdu)
• Taxa de população com 30-34 anos com pelo menos o ensino superior, por conce-
lho (INE)
• N.º de fogos do parque habitacional com apoio público, por concelho (IRHU)
• N.º de utentes sem médico de família atribuído, por concelho (MS)
• Taxa de utilização de consultas médicas pela população inscrita, por concelho (MS)
• Evolução do emprego, por concelho (INE)
• Taxa das exportações de bens e produtos, por concelho (INE)
• N.º de dormidas de hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos de alojamento turístico,
por concelho (INE)
• Número de empresas gazelas, por concelho (INE)
• Tempos de acesso aos serviços públicos de interesse geral, por concelho (MPI)
• Evolução da procura de transportes públicos, por concelho (AML, AMP, IMT)
• Quilómetros de ciclovias, por concelho (IMT)
• N.º de conexões de internet por 10 000 habitantes, por concelho (INE)
• Acessos à internet em banda larga por 100 habitantes (%), por concelho (INE)
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
1.1 MAmb APA; DGADR; Regiões Autónomas ICNF; CIM; DRAP; Associações de Agri-
cultores; Organização de Produtores
Florestais; GPP; DGRDN; EDIA; Asso-
ciações de Beneficiários e Regantes;
Municípios
1.2 MAmb; MAFDR DGADR; ICNF; APA; CCDR; Regiões DGT; GPP; PPS; Municípios
Autónomas
1.4 MAmb; MAFDR DGT; CAAP; DGADR; ICNF; Regiões CCDR; Rede de Parceiros PNPAP; DGCP;
Autónomas Municípios
1.7 MAmb; MAFDR; MAI APA; DGT; LNEC; ICNF; ANPC; GPP; IPMA; CCDR; ANMP; CIM; Cluster das In-
DGADR; Regiões Autónomas dústrias da Fileira Florestal; Cluster da
Vinha e do Vinho; Municípios
1.9 MAmb DGT; APA; Municípios; Regiões Autó- CCDR; IMT; IAPMEI; APAP; ANSRM; CIM;
nomas ADL; GAL; DGCP
2.1 MTSSS; MEcon ISS; IEFP; IAPM EI; AICEP; ANI; Regiões CCDR; GPP; DGADR; CIM; Associações
Autónomas Empresariais; Associações de Agricul-
tores; produtores agroflorestais; ICNF;
ADL; GAL; Municípios
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 233
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
2.2 MAmb IHRU; AM; Municípios; Regiões Autó- CCDR; Promotores e gestores de habita-
nomas ção de interesse social; Associações de
proprietários; Associações de inquilinos
e moradores; Associações do setor da
habitação; CIM
2.5 MTSSS; MAI ISS; GNR; PSP; Regiões Autónomas Setor Solidário e Social; ONG; Ensino Bá-
sico e Secundário; CCDR; ADL; GAL;
SPMS; ACSS
2.7 MTSSS; MPMA ISS; INR; SECI; SEA LRA; CIM; Regiões CCDR; Redes Sociais; Setor Solidário e
Autónomas Social; GAL; Ensino Superior; Ensino
Básico e Secundário; EMPIS; SICAD;
ARS; ACSS; DGS; Municípios
2.8 MC SEC/DGARTES; DGPC; Regiões Au- Municípios; CIM; AM; DRC; ERT; CCDR;
tónomas Ensino Básico e Secundário; Agentes e
Estruturas Culturais Regionais e Locais
2.10 MPMA AMA; Regiões Autónomas Cluster TICE; ACEPI; Associações Em-
presariais; Ensino Básico e Secundário;
CCDR; CIM; DGT; Municípios
3.3 MEcon TP; ERT; ARPT; IAPMEI; Portugal Ven- ICNF; APA; CCDR; AM; CIM; DGPC; Mu-
tures; Regiões Autónomas nicípios; Entidades Gestoras dos Geo-
parques e Reservas da Biosfera; Ensino
Superior; Associações Empresariais;
ADL; GAL
3.5 MEcon SEAC/ DGAE; Regiões Autónomas Organizações de Cariz Cultural; ANMP; AT;
Associações Comerciais e Empresariais;
DGPC; Municípios
3.8 MTSSS; MCTES; ME- IEFP; CA SES; AICEP; ANI; FCT; IAP- Administrações Portuárias; Entidades
con; MMar; MPI MEI; CCDR; DGPM; DGRM; IPMA; Gestoras de Clusters; Rede Nacional de
AD&C; Portugal Ventures; Regiões FabLabs e Makers; SPGM; Empresas;
Autónomas Setor Solidário e Social; ONG; Associa-
ções Empresariais; COTEC Portugal; En-
sino Superior; Entidades do SCT; EMPIS;
DGAE; Centros de Competências; ADL;
GAL
3.9 MEcon; MMar; MCTES IAPMEI; FCT; ANI; CCDR; DGPM; Re- COTEC Portugal; ACEPI; ISQ; IPQ; SPGM;
giões Autónomas; PME Investimentos; Entidades Gestoras
de Clusters ; Associações empresariais;
Centros de Interface e Centros Tecnoló-
gicos; Colab da Trans formação Digital;
Ensino Superior; Entidades do SCT
3.10 MEcon; MA FDR; MMAr TP; AICEP; IAPMEI; DGAE; PME In- Entidades gestoras dos clusters; En-
vestimentos; Portugal Ventures; GPP; sino Superior; Entidades do SCT;
DGPM; Associações Empresariais; COTEC Portugal; CCDR
Regiões Autónomas
3.11 MAmb; M Econ; MC- CCDR; CIM; APA; ANI; IAPMEI; IPQ; DGT; Entidades Gestoras dos Clusters; As-
TES; MMar IPAC; ASAE; ADENE; AICEP; DGEG; sociações Empresariais e Industriais; En-
DGPM; Municípios; Regiões Autóno- tidades do SCT; Ensino Superior; Ensino
mas Básico e Secundário; Empresas; DGRM;
ICNF; TP; CNCDA; DGAE; DGS; COTEC
Portugal; ADL; GAL
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 234
Área de Governação Coordenação da operacionalização
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) da Medida (Entidades)
4.1 MEcon Entidades gestoras de água e sanea- Entidades privadas; Setores de atividade
mento; DGEG; ADENE; Municípios; económica
SGRU; Regiões Autónomas
4.5 Mamb; MPI IMT; IP; AM; CIM; Municípios; Conces- Empresas de Transportes; Operadores de
sionárias de Autoestradas; Empresas Transporte; CCDR; ANSR; CEiia; Cluster
públicas de Transporte; Regiões Au- Mobinov
tónomas
4.6 MPI; MMar IMT; IP; Administrações Portuárias; AMT; Operadores logísticos e de trans-
Empresas públicas de Transporte; portes; APDC; Cluster Tice; Ceiia; Rede
Regiões Autónomas Nacional de Incubadoras
Vulnerabilidades Críticas que condicionam o Modelo Territorial.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 235
Medidas de Política.
Efeitos Esperados.
Efeitos Diretos
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
• Eficiência hídrica dos regadios com base no Programa Nacional de Regadio, incrementando
o uso eficiente da água, na utilização das áreas já infraestruturadas ou a infraestruturar;
• Contenção da ocupação edificada em zonas de inundação.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 236
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
• Estabilização do grau de artificialização do solo;
• Incremento da atividade agrícola e florestal ambientalmente sustentável e geradora de
emprego.
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da Floresta
• Aumento da resiliência do território aos incêndios rurais.
• Incremento do número de aglomerados populacionais adaptados aos riscos.
• Redução do número de ignições de incêndios rurais.
1.7 Prevenir riscos e adaptar o território à mudança climática
• Fortalecimento da governação na gestão do risco, com vista à sua diminuição e ao au-
mento da resiliência das comunidades.
• Adaptação dos usos e ocupação do solo às vulnerabilidades territoriais.
• Aumento do número de municípios com cartas de risco atualizadas.
• Integração da avaliação de risco e da definição das medidas de prevenção e redução dos
seus efeitos nos processos de elaboração dos programas e planos territoriais.
• Implementação de uma cultura de sensibilização para o risco e aumento da adesão a
atitudes e comportamentos de boas práticas de prevenção e redução do risco.
• Melhoria da preparação das comunidades face aos perigos.
1.8 Valorizar o Litoral e aumentar a sua resiliência
• Redução e controlo da vulnerabilidade do litoral aos perigos.
• Ocupação mais resiliente da zona costeira.
• Contenção de construções na zona costeira e redução em áreas de risco.
• Aumento da consciencialização social dos riscos sobre a zona costeira.
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
• Desenvolvimento de uma agricultura competitiva, viável e sustentável.
• Consciencialização ambiental dos produtores agropecuários.
Efeitos Indiretos
1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
• Integração dos ecossistemas e serviços dos ecossistemas nos instrumentos de planea-
mento e gestão territorial;
• Diminuição da perda de biodiversidade e incremento do conhecimento e da avaliação do
seu estado de conservação.
1.4 Valorizar o território através da paisagem
• Qualificação da paisagem urbana e periurbana pelo aproveitamento e/ou reconversão
dos espaços abandonados e desqualificados.
1.9 Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente urbano e o espaço público
• Aumento do conforto bioclimático dos espaços urbanos.
3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
• Aumento da atratividade do meio rural.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 237
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
• Aumento da resiliência dos sistemas e infraestruturas às alterações climáticas e aos
efeitos dos eventos extremos.
4.2 Otimizar a conetividade ecológica nacional
• Redução dos custos públicos em áreas riscos ambientais.
4.4 Renovar, qualificar e adaptar as infraestruturas e os sistemas de transporte
• Valorização dos investimentos realizados no passado e dos ativos existentes, tendo em
vista o aumenta da eficiência dos investimentos.
Indicadores de monitorização.
• Eficiência hídrica nas explorações agrícolas apoiadas, por Bacia Hidrográfica (DGADR)
• Área artificializada em áreas suscetíveis a inundação, por concelho (DGT/COS)
• Área povoada com novas espécies após incêndio, por concelho (ICNF)
• Área ardida, por concelho (ICNF)
• Aglomerados populacionais e áreas empresariais adaptadas ao regime de fogo, por
concelho; (ANPC)
• Municípios com cartografia de risco atualizada que tenha em conta cenários climáticos,
por concelho (ANPC)
• Municípios abrangidos por estratégias e/ou planos de adaptação às alterações climáticas
em implementação, por concelho (APA)
• Áreas artificializadas em áreas de risco, por concelho (DGT)
• Extensão da costa em situação crítica de erosão (APA)
• Área edificada na zona costeira, por concelho (DGT/COS)
• Área de regadio infraestruturada realizada por concelho (DGADR – SIR)
Responsabilidades de concretização (das medidas com Efeitos Diretos no Sistema)
Área de Governação Coordenação da operacionalização da Medida
Parceiros Principais (Entidades)
(Ministérios) (Entidades)
1.1 MAmb APA; DGADR; Regiões Autónomas ICNF; CIM; DRA P; Associações de Agriculto-
res; Organização de Produtores Florestais;
GPP; DGRDN; EDIA; Associações de Be-
neficiários e Regantes; Municípios
1.2 MAmb, MAFDR DGA DR; ICNF; APA, CCDR, Regiões DGT; GPP; PPS; Municípios
Autónomas
1.6 MAFDR, MAmb ICNF; GPP; DGADR, Regiões Autóno- CCDR; Municípios; CIM; TP, ERT, ANPC; Clus-
mas ter das Indústrias da Fileira Florestal
1.7 MAmb, MAFDR, MAI APA; DGT; LNEC; ICNF; ANPC; GPP; IPMA; CCDR; ANMP; CIM; Cluster das Indús-
DGADR; Regiões Autónomas trias da Fileira Florestal; Cluster da Vinha e
do Vinho; Municípios
1.8 MAmb, MMar APA; ICNF; DGRM; Regiões Autóno- CCDR; Administrações Portuárias; Municí-
mas pios; DGPC; TP; DGT; ONG; Laboratórios
do Estado; Docapesca; IPMA
3.1 MAFDR; MEcon GPP; DGA DR; IA PMEI; ANI; Municí- DRAP, Organizações de Produtores Agrícolas
pios; SPGM/Agrogarante; Regiões e Florestais; CNCDA, ICNF, CCDR; Associa-
Autónomas ções de Beneficiários e Regantes; Agro-food
cluster; Cluster Produtech; Cluster Tooling &
Engineering; Cluster das indústrias da fileira
florestal; Colab da Transformação Digital
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 238
4. Diretrizes para os Instrumentos de Gestão Territorial
Neste capítulo, constam as diretrizes para os instrumentos de gestão territorial, subdividido
em duas secções:
- Uma primeira que se relaciona com as diretrizes de coordenação e articulação para o
Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, para os Programas Setoriais,
Especiais e Regionais e ainda para os Programas e Planos Intermunicipais e Municipais.
- Uma segunda, que contém diretrizes de conteúdo para os Programas Regionais de
Ordenamento do Território e os Planos Diretores Municipais, dado que estes instrumentos são
determinantes para a concretização das orientações e diretrizes de organização e funcionamento
territorial emanadas do PNPOT.
1. DIRETRIZES DE COORDENAÇÃO E ARTICULAÇÃO
Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
1. A operacionalização do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
(PNPOT) concretiza-se através do desenvolvimento e execução de um conjunto de medidas de
política de diferentes naturezas, âmbito territorial, nível e esfera de competências, identificadas
no Programa de Ação, bem como através da integração e tradução das opções estratégicas e de
organização territorial nos instrumentos de gestão territorial e nas demais estratégias e programas
setoriais com efeitos territoriais, seguindo o presente quadro de orientações e diretrizes.
2. O PNPOT pondera e articula os instrumentos estratégicos de política territorial ou com
incidência territorial, estabelecendo o quadro de referência nacional para os instrumentos de
gestão territorial competentes por domínios temáticos e âmbitos geográficos mais restritos e
promove a articulação da política de ordenamento do território com a política de ordenamento
e gestão do espaço marítimo.
3. O PNPOT assume que o funcionamento do sistema de gestão territorial assenta na in-
teração coordenada de programas e planos territoriais, através da articulação interna e externa
de políticas horizontais e verticais que se efetivam no âmbito da formatação e dinâmica de cada
um dos instrumentos de gestão territorial e através de mecanismos de conexão e de atualização
sucessiva destes mesmos instrumentos.
4. A consideração do PNPOT pelos diversos instrumentos de gestão territorial e estratégias
de política setorial e de desenvolvimento socioeconómico contribui para o aprofundamento da
territorialização das políticas públicas, nomeadamente para a estabilização de critérios de
organização do sistema urbano, de mobilidade e de acesso a serviços de interesse geral e de
interesse para a economia.
5. A Estratégica, o Modelo Territorial, as Medidas de Política e as Diretrizes do PNPOT
constituem o referencial para a elaboração, alteração ou revisão dos instrumentos de gestão
territorial de âmbito nacional, regional, intermunicipal e municipal, devendo ser integradas, tra-
duzidas e desenvolvidas nos vários programas e planos, em função da sua dinâmica e tendo
em consideração os objetivos, conteúdos e funções de cada tipo de instrumento.
6. A Estratégia, o Modelo Territorial, as Medidas de Política e as Diretrizes do PNPOT
constituem, igualmente, a matriz para a definição de estratégias setoriais e de desenvolvimento
socioeconómico com expressão espacial, promovendo a articulação entre interesses e orien-
tando a territorialização das opções setoriais de investimento público e de definição estratégica
e operacional dos quadros de financiamento comunitário.
7. Neste enquadramento, o PNPOT constitui a referência para a elaboração do Programa
Nacional de Investimentos 2030. Este programa, estabelece os projetos estruturantes que
concorrem para a concretização das opções estratégicas e do modelo territorial do PNPOT e
detalha a programação operacional dos investimentos com tradução espacial.
8. A Estratégica Portugal 2030, terá igualmente como matriz o PNPOT, devendo os pro-
gramas operacionais dos fundos estruturais e de investimento, constituir o suporte financeiro
público principal para a concretização das medidas de política, constantes do Programa de
Ação do PNPOT.
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N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 239
9. A articulação do PNPOT com a Estratégica Portugal 2030, com os Programas Opera-
cionais e com o Programa Nacional de Investimentos 2030, será concretizada no âmbito dos
trabalhos do Fórum Intersectorial, previsto no modelo de governação do PNPOT, sendo, nessa
sede, desenvolvida a programação e definidos os instrumentos de acompanhamento da exe-
cução e da monitorização e da avaliação das medidas de política preconizadas.
10. O Relatório do Estado do Ordenamento do Território (REOT) será o principal instrumento
de reporte da monitorização e avaliação do PNPOT. Este relatório será produzido de dois em dois
anos, no contexto do Observatório do Ordenamento do Território e do Urbanismo, a funcionar
junto da DGT, com a colaboração das entidades representadas no Fórum Intersectorial.
11. O REOT nacional estabelecerá um modelo de articulação vertical e horizontal com os
REOT regionais e municipais e com os instrumentos de reporte setorial, tendo em vista a cons-
tituição de um sistema integrado de indicadores de monitorização e avaliação das dinâmicas
territoriais e do sistema de gestão territorial e de um sistema de governação da produção e dispo-
nibilização dos indicadores de resultado e realização das medidas de política do PNPOT, envol-
vendo a DGT, as CCDR, os Municípios, o INE e outras entidades produtoras de informação oficial.
12. A entrada em vigor do PNPOT será seguida da produção de um primeiro REOT, confi-
gurado como um relatório base para a monitorização e avaliação e para a definição do modelo
de governação do sistema de indicadores do PNPOT.
13. Em sede do REOT base devem ser confirmados, adaptados e desenvolvidos os indi-
cadores listados para cada uma das medidas de política do PNPOT, tendo em vista consolidar
o conjunto de indicadores de monitorização e avaliação e desenvolver os respetivos atributos.
A consolidação dos indicadores deve seguir princípios de compatibilização, harmonização e
simplificação num quadro de coordenação e articulação dos vários sistemas de indicadores
oficiais e estabelecer as responsabilidades de reporte.
14. Neste âmbito será explicitada a relação dos indicadores de monitorização da implemen-
tação do PNPOT com os indicadores de desenvolvimento sustentável, cujo alinhamento deve ser
demonstrado, bem como com outros indicadores específicos e metas assumidas pelo País.
Programas Sectoriais
15. O PNPOT teve em conta e desenvolve orientações e medidas enquadradas por instru-
mentos de política setorial com incidência espacial, nomeadamente Estratégias e Programas
Sectoriais (PS), de acordo com o princípio da coordenação interna estabelecido na Lei de Bases
Gerais da Política Pública de Solos, Ordenamento do Território e Urbanismo e atendendo aos
ciclos de planeamento.
16. O PNPOT teve em devida consideração diversos documentos estratégicos relevantes
para a abordagem territorial, mormente as Estratégias Setoriais que se constituem como refe-
renciais da intervenção dos diversos setores. Em sentido inverso, o PNPOT preconiza que a
estratégia o modelo territorial e as medidas de política orientem a elaboração e dinâmica e de
novas Estratégias Setoriais com incidência territorial.
17. As Estratégias Setoriais com expressão espacial são integradas no sistema de moni-
torização e avaliação da execução do PNPOT a par dos PS. A sua dinâmica é alvo de acompa-
nhamento e articulação, seguindo os princípios orientadores da coordenação interna de políticas
com incidência territorial preconizados pela referida Lei.
18. O PNPOT assume-se como plataforma de concertação de políticas sectoriais com efeitos
na organização do território e na ocupação, uso e utilização do solo. As propostas que consubs-
tanciam as medidas de política representam um compromisso dos diversos atores institucionais
na prossecução dos objetivos operacionais e na condução das políticas públicas no quadro dos
desafios e compromissos para o território identificados à luz da Estratégia e Modelo Territorial.
Programas Especiais
19. De acordo com o atual quadro legal do ordenamento do território os instrumentos de
gestão territorial de natureza especial sofreram uma alteração tipológica e substantiva, passando
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 240
a designar-se por Programas Especiais (PE) e deixando de vincular direta e imediatamente os
particulares.
20. Não obstante a alteração ocorrida, os PE mantêm os objetivos e o conteúdo material das
figuras de plano antecedentes, continuando, assim, a constituir um meio supletivo de intervenção
do governo para a tutela de interesses públicos de índole nacional estabelecendo regimes de
salvaguarda de recursos e valores naturais e regimes de gestão, através do estabelecimento
de ações, permitidas, condicionadas ou interditas. Cabe, por sua vez, aos planos territoriais
dispor sobre o uso ocupação e transformação do solo consentâneos com as condições de
salvaguarda definidas nos PE.
21. Neste enquadramento, a operacionalização do regime de salvaguarda estabelecido pelo
PE passa pela integração obrigatória das normas relativas à ocupação, uso e transformação do
solo nos Planos Diretores Municipais (PDM), e Planos Diretores intermunicipais (PDMI), pela
integração de normas nos Instrumentos de Ordenamento do Espaço Marítimo (IOEM), quando
aplicável, e pelo estabelecimento de Regulamentos Administrativos, no que diga respeito a
normas de gestão que extravasem o conteúdo material dos planos territoriais e a esfera de
competências das autarquias locais, ou o dos IOEM se aplicável.
22. Tal operacionalização passa, também, pela corresponsabilização das várias entidades
da administração central e local, em razão das suas atribuições e competências, nas opções
que, direta ou indiretamente, venham tomar sobre o uso do solo, incluindo o financiamento.
23. A elaboração dos PE atende às exigências deste novo modelo e assegura uma estru-
turação e organização dos conteúdos materiais e documentais, que garante a manutenção da
leitura global e da coerência interna de cada PE e simultaneamente facilita a sua integração
nos PDM e PDMI e nos IOEM.
24. Aquando da integração de normas do PE no conjunto dos planos territoriais a que
corresponde a sua área geográfica é respeitada a estrutura e lógica interna de cada plano ter-
ritorial e a esfera de competências local, sem prejuízo da garantia do respeito pelo regime de
salvaguarda estabelecido.
25. A integração das normas relativas à ocupação, uso e transformação do solo nos PDM e
PDMI implica a tradução do modelo de salvaguarda dos recursos e valores naturais dos PE fazendo
uso, se necessário das adequadas figuras da dinâmica dos instrumentos de gestão territorial.
26. Os PE reforçam o adequado sistema de planeamento e as práticas de gestão a várias
escalas e esferas de competência e aprofundam o envolvimento e responsabilização local e
setorial nas políticas de salvaguarda de recursos e valores naturais e de prevenção de riscos,
bem como contribuem para facilitar a elaboração dos planos territoriais e conferir maior segu-
rança aos cidadãos, através da concentração lógica de normas de ordenamento do território
num único instrumento, o PDM ou PDMI.
Programas Regionais de Ordenamento do Território
27. As mudanças críticas, os princípios da coesão territorial e os desafios territoriais identifi-
cados na Estratégia do PNPOT, assim como os Sistemas e o Modelo Territorial são desenvolvidos
e objetivados nos Programas Regionais de Ordenamento do Território (PROT) no âmbito da
definição de um quadro de referência estratégico regional, orientador para os planos territoriais
e para os instrumentos de programação estratégica e operacional de âmbito regional.
28. Não obstante a alteração de nomenclatura introduzida pelo novo quadro legal do ordena-
mento do território, os PROT mantiveram a sua natureza estratégica e o anterior conteúdo material
e documental, sendo, apenas, de salientar a orientação de reforço da articulação dos PROT com
os programas operacionais regionais e o foco dado à definição de indicadores de avaliação.
29. Considerando que os PROT do Centro e do Norte, não chegaram a ser aprovados,
que o novo quadro legal veio prever a recondução dos planos regionais em vigor a programas
regionais e que a entrada em vigor do PNPOT2018 irá alterar significativamente o quadro de
referência anterior, configura-se uma necessidade de atualizar e completar o quadro de planea-
mento regional.
Diário da República, 1.ª série
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30. Relevando a orientação legal que aponta para o reforço da articulação dos PROT com
os programas operacionais, a Estratégia, o Modelo Territorial e o Programa de Execução dos
futuros PROT constituem-se como peças fundamentais da programação estratégica e opera-
cional do período 2030.
31. O PNPOT aponta, assim, para a necessidade de desenvolvimento de estratégias e
modelos territoriais regionais atualizados que enquadrem o desenvolvimento socioeconómico
regional e a definição dos futuros programas operacionais, afirmando como prioritário dar início
aos exercícios de elaboração e alteração dos PROT, considerando as dinâmicas das instituições
da região e sem prejuízo da redefinição do modelo de competências das CCDR.
32. À luz das opções e orientações do PNPOT e atendendo à premência, o exercício de
preparação e de elaboração ou alteração dos PROT é orientado pela necessidade de facultar a
montante e/ou em paralelo, ao longo do processo, documentos de enquadramento e de estra-
tégia regional que permitam atempadamente orientar a programação estratégica e operacional
2030, nomeadamente no que se refere ao sistema urbano regional.
33. Os programas de ação que acompanham os PROT devem incluir mecanismos de
dinâmica que permitam adaptar-se à evolução dos ciclos e programas de financiamento co-
munitários.
34. Enquanto instrumentos de desenvolvimento regional e quadro de referência para os
planos territoriais, os PROT estabelecem orientações e diretrizes específicas para a definição
dos regimes de ocupação, uso e transformação do solo, tendo em consideração preocupações
relevantes de interesse nacional e regional, nomeadamente a minimização de vulnerabilidades
e salvaguarda de riscos, o combate à edificação dispersa e isolada e à fragmentação da pro-
priedade, a mobilidade sustentável, o uso eficiente dos recursos e a sua valorização.
35. Os PROT incidem sobre os territórios de racionalidade administrativa regional, corres-
pondentes aos territórios de atuação das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Re-
gional do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, podendo ser autonomizados
PROT para as áreas metropolitanas.
36. A área geográfica de incidência de cada um dos PROT não prejudica que os seus es-
tudos e estratégias considerem territórios de racionalidade e coerência funcional, quer ao nível
interno da região quer ao nível da articulação externa.
37. A elaboração dos PROT, nas Regiões Autónomas é da responsabilidade dos respetivos
Governos Regionais, devendo ser elaborado pelo menos um PROT para cada arquipélago.
38. A entrada em vigor dos PROT deve ser seguida da preparação de um Relatório do
Estado do Ordenamento do Território (REOT) base de âmbito regional, articulado com o REOT
nacional, que se constitua como um relatório de partida para a futura monitorização e avaliação
das dinâmicas territoriais e da implementação das medidas do PROT, bem como do funciona-
mento e dos resultados do modelo de governação.
39. O PROT, enquanto instrumento de planeamento estratégico de âmbito regional, tem
um papel fundamental na articulação horizontal e vertical de políticas públicas, pelo que a
concertação a nível regional dos interesses e objetivos nacionais setoriais e municipais é um
fator crítico do funcionamento do sistema de gestão territorial e da política de ordenamento
do território. Neste contexto a elaboração dos PROT deverá constituir uma oportunidade para
criar um fórum intersectorial e multinível de articulação e concertação de políticas públicas ao
nível regional.
Programas e Planos Intermunicipais
40. A cooperação intermunicipal é uma orientação do PNPOT, tanto ao nível do modelo
de organização territorial como da definição de objetivos de promoção da competitividade ter-
ritorial, de racionalização da utilização de recursos e de reforço das capacidades de gestão do
território.
41. As figuras de planeamento intermunicipal foram ampliadas pelo novo quadro legal,
passando a considerar a possibilidade dos municípios se associarem para a elaboração de
Diário da República, 1.ª série
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planos territoriais (PDM, PU e PP) para além da possibilidade de continuarem a poder cooperar
no âmbito de programas intermunicipais (PIOT) destinados a articular as políticas regionais com
políticas municipais, em territórios com significativa interdependência estrutural ou funcional.
42. O PNPOT tem os programas intermunicipais como instrumentos relevantes, cuja ela-
boração deve ser fomentada no quadro das comunidades intermunicipais, com o objetivo de
reforçar redes de colaboração e articulação e de concretizar as medidas de política nos domí-
nios dos sistemas natural, urbano, económico, social, conetividade e de governança, seja nos
contextos metropolitanos, onde existe uma elevada densidade de relações físicas e funcionais
que carecem de estruturação e otimização, seja nos demais territórios, onde o incremento
de massa crítica e de racionalidade do acesso a serviços de interesse geral e de serviços de
interesse económico é crucial.
43. Sem prejuízo das figuras formais dos programas e planos intermunicipais e tendo
em vista fomentar as iniciativas e promover a capacitação para o planeamento intermunicipal,
o PNPOT incentiva o desenvolvimento de exercícios específicos de ordenamento do território à
escala intermunicipal, nomeadamente exercícios de transposição de programas de natureza se-
torial e especial (ex. ordenamento florestal, agricultura/alimentação de proximidade, conservação
da natureza), estudo e esquematização de soluções no âmbito de abordagens de sustentabili-
dade (ex. mobilidade sustentável, economia circular, adaptação climática, estruturas ecológicas,
riscos e soluções de base natural) e organização da prestação de serviços de interesse geral.
44. O PNPOT sublinha que os documentos estratégicos exigidos no âmbito das aborda-
gens integradas de base territorial e da contratualização de fundos comunitários devem ser
enquadrados por estratégias configuradas no âmbito da preparação e elaboração de figuras de
planeamento intermunicipal ou, na sua ausência, por exercícios de integração supramunicipal
das estratégias dos planos diretores municipais dos territórios abrangidos, tendo em vista a me-
lhoria da articulação dos instrumentos de gestão territorial e dos instrumentos de financiamento
comunitário e a maior racionalidade do sistema no seu todo.
Planos Diretores Municipais e Intermunicipais
45. O planeamento de âmbito municipal é da responsabilidade dos municípios (indivi-
dualmente ou associados) e tem como objetivo definir os modelos de organização do território,
estabelecer os regimes de uso do solo urbano e rústico e programar a urbanização e a edifica-
ção, num quadro estratégico de desenvolvimento municipal ou intermunicipal e de opções de
organização territorial enquadradas pelos referenciais orientadores e pelas diretrizes de âmbito
nacional (setoriais e especiais) e regional
46. O Plano Diretor Municipal (PDM) é um instrumento fundamental do sistema de gestão
territorial, abrangendo a totalidade do território municipal e sendo de elaboração obrigatória.
Pelo papel que desempenham no sistema de gestão territorial, os PDM devem ter um conteúdo
estratégico reforçado.
47. Diagnosticando-se um acréscimo progressivo e significativo dos conteúdos regulamenta-
res dos PDM em detrimento dos conteúdos estratégicos, o PNPOT sublinha a necessidade destes
planos reafirmarem a sua dimensão estratégica e de limitarem os conteúdos regulamentares.
Para este objetivo deve contribuir uma melhoria da formulação e explicitação da componente
estratégica, em sintonia com a avaliação ambiental dos planos, por parte dos municípios, e
um maior contributo e apoio na produção e disponibilização de informação e conhecimento em
matérias relevantes para a adoção de novas abordagens de sustentabilidade, bem como um
maior esforço na contenção dos efeitos de alterações legislativas, por parte da administração
central e periférica.
48. Juntam-se às preocupações do ponto anterior a constatação da fraca dinâmica dos PDM,
pelo menos em algumas regiões, o que associado ao predomínio da sua vertente regulamen-
tadora rígida introduz disfuncionalidades no sistema de gestão territorial e de descredibilização
dos instrumentos de planeamento, bem como tensões institucionais a obviar. Compete aos
municípios promover a dinâmica do planeamento e assegurar uma gestão ativa e adaptativa
do território enquadrada por instrumentos de planeamento atualizados.
Diário da República, 1.ª série
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49. O PNPOT aponta para a necessidade de se ponderar a essência do PDM e de se
adotarem orientações e práticas consentâneas com a necessidade de um planeamento mais
explícito e firme nos princípios e regras gerais de organização e de regime de uso do solo e de
salvaguarda de riscos e mais flexível nas regras de gestão, incorporando dispositivos orientado-
res da sua dinâmica futura, mecanismos de programação em função de informação de gestão e
soluções de remissão para outras figuras de gestão territorial (planos de urbanização e planos
de pormenor) e para regulamentos municipais.
50. A reclassificação do solo rústico para urbano, à luz do atual quadro legal é enquadrada
por Plano de Pormenor. Reiterando o caráter estratégico do PDM, o PNPOT aponta para a ne-
cessidade dos PDM estabelecerem, em nome da estratégia que os enformam, princípios e regras
gerais da reclassificação do solo, garantindo que se evitam operações de reclassificação casuís-
ticas que desvirtuem a referida estratégia bem como o modelo de organização territorial gizado.
51. Por outro lado, importa conciliar as orientações de reforço do caráter estratégico, de
dinâmica adaptativa e de focagem de conteúdos do PDM com o objetivo de concentrar neste
tipo de plano as disposições relativas ao uso do solo, incluindo as decorrentes de PE e PS,
encontrando mecanismos de integração adequados.
52. É essencial melhorar a articulação dos PDM com os instrumentos de ordenamento flo-
restal e de defesa da floresta e combate de incêndios, construindo um edifício de planeamento
e gestão mais integrado e que melhor responda aos desafios dos territórios e à salvaguarda
de pessoas e bens.
53. Os Planos de Urbanização (PU) e Planos de Pormenor (PP) desenvolvem os PDM e,
nessa medida, refletem os quadros de referência nacionais e regionais.
54. O PNPOT afirma a necessidade de dotar os principais centros urbanos dos respetivos
PU e incentiva a adoção de Planos de Urbanização e de Pormenor e Unidades de Execução,
em função da respetiva adequabilidade e para os diversos tipos de espaço urbano, libertando os
PDM de conteúdos urbanísticos excessivos e tornando mais qualificada, eficiente e adaptativa
a gestão urbanística.
55. Afirma ainda a necessidade de capacitar as instituições e atores para a operacionali-
zação do regime económico do uso do solo, em articulação com o código das expropriações e
outros instrumentos legais e financeiros que condicionam a sua aplicação.
2. DIRETRIZES DE CONTEÚDO
Considerando que os PROT e os PDM são determinantes para a concretização das orien-
tações e diretrizes de organização e funcionamento territorial emanadas do PNPOT, quer pelos
respetivos âmbitos territoriais, quer pela sua índole estratégica nas escalas regional e municipal,
quer ainda pelo seu papel de articulação vertical, explicitam-se um conjunto diretrizes de conteúdo
que estes instrumentos devem considerar. Apresentam-se ainda diretrizes para os PU e PP.
Programas Regionais de Ordenamento do Território
56. Estabelecer o modelo territorial de organização da macroestrutura de referência para
as grandes opções económicas e sociais, garantindo níveis de coesão adequados, a suportar
por uma matriz de atividades e redes, potenciadora dos recursos próprios e favorecedora da
convergência regional, como resultado da aproximação conjunta dos diversos espaços sub-
-regionais.
57. Identificar as opções prioritárias de nível regional para as quais deve ser direcionado o
investimento que contribuam para a implementação do modelo territorial e, em particular, para
robustecer o sistema de centralidades e as relações funcionais de coesão e competitividade,
dinamizar o alargamento da base económica, integrar as novas abordagens da sustentabilidade
e mitigar vulnerabilidades territoriais, assim como para estruturar os subsistemas territoriais.
58. Definir o sistema urbano regional, desenvolvendo e completando o modelo territorial
do PNPOT com a identificação das centralidades mais relevantes para a potenciação das inter-
-relações funcionais e organização e suporte dos respetivos subsistemas territoriais
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59. Identificar medidas e ações para robustecer as centralidades e as redes de colaboração
nacionais e internacionais, alcançar uma maior equidade no acesso aos serviços de interesse
geral, providenciar serviços de interesse para economia e potenciar as relações urbano-rurais,
gerando economias locais e circuitos de proximidade com potencial de atratividade externa.
60. Articular as políticas agrícolas, florestais e ambientais e densificar as diversas áreas
de potencial e de sensibilidade, tendo em vista fomentar o adequado aproveitamento do solo
e gestão das paisagens, garantindo sistemas sustentáveis e criação de capital natural, acau-
telando reconversões de usos adequadas, prevenindo e reduzindo vulnerabilidades e riscos e
contribuindo para a descarbonização.
61. Considerar no modelo territorial as especificidades do povoamento e da estrutura
fundiária regional, estabelecendo diretrizes para o uso do solo e padrões de edificabilidade de
suporte à habitação e atividades económicas que privilegiem a concentração do edificado e
a rentabilização das infraestruturas e equipamentos, contendo o desperdício inerente à frag-
mentação da urbanização e da edificação dispersa, promovendo a reabilitação e a regenera-
ção urbana, a mobilidade sustentável a economia de partilha e os consumos de proximidade.
62. Integrar dinâmicas de alteração demográfica e de envelhecimento da população, de
evolução tecnológica e de transição digital e potenciais regionais de especialização e diversifi-
cação económica, criando quadros de atratividade e competitividade sustentáveis.
63. Desenvolver à escala regional estratégias e abordagens integradas de sustentabilidade,
designadamente nos domínios dos riscos e da adaptação às alterações climáticas, das estruturas
ecológicas, da paisagem e da valorização dos serviços dos ecossistemas, da economia circular,
da descarbonização, da mobilidade sustentável, das redes de energias renováveis, fornecendo
quadros de referência para o planeamento de nível municipal e intermunicipal.
Planos Diretores Municipais
64. Explicitar a estratégia territorial municipal, estabelecendo os princípios e os objetivos
subjacentes ao modelo de desenvolvimento de desenvolvimento territorial preconizado, ex-
plicando a coerência do modelo com as orientações de ordenamento do território nacionais e
regionais, bem como com as orientações específicas de natureza setorial e especial aplicáveis
e identificando as inerentes opções de organização, classificação e qualificação do solo e de
regulamentação e programação adotadas.
65. Assumir a Avaliação Ambiental estratégica do PDM como um exercício de integração
das abordagens que concorrem para a sustentabilidade, bem como para a articulação dos PROT
com os PDM em matéria de definição de âmbito e de sistema de indicadores de monitorização
e avaliação.
66. Definir o sistema urbano e as áreas de localização empresarial tendo em conta a inser-
ção das centralidades nas redes municipais e supramunicipais e considerando os sistemas de
mobilidade e as adequadas condições de acesso da população a serviços de interesse geral e
das empresas a serviços de interesse económico.
67. Considerar a perspetiva da eficiência energética nas opções de povoamento e de
mobilidade, classificando e qualificando o solo com base em pressupostos de eficiência ener-
gético-ambiental e descarbonização, favorecendo a redução das necessidades de deslocação
e fomentando novas formas de mobilidade sustentável.
68. Identificar carências e necessidades habitacionais e promover disponibilidades de ha-
bitação acessível em regime de arrendamento, através da reabilitação e regeneração urbana
e de políticas específicas, considerando a habitação como um fator determinante da atração
de novos residentes.
69. Reforçar as dimensões do ordenamento agrícola e florestal, tendo em vista valorizar os
recursos endógenos, gerir compatibilidades de usos e gerar novas economias multifuncionais
e novas relações urbano-rurais, assentes na promoção das atividades agrícolas e florestais,
na valorização dos serviços dos ecossistemas, nomeadamente no que se refere à água, solo
e biodiversidade e nas atividades de turismo, lazer, recreação e cultura.
Diário da República, 1.ª série
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70. Delimitar as áreas de suscetibilidade a perigos e de risco, tendo em consideração os
cenários de alteração climática e definir as medidas de precaução, prevenção, adaptação e re-
dução da exposição a riscos, incluindo a identificação de elementos expostos sensíveis a gerir
e a relocalizar, considerando a análise de perigosidade e risco próprias e à escala adequada
e as macrovulnerabilidades territoriais críticas apontadas pelo PNPOT e desenvolvidas pelos
PROT.
71. Identificar medidas de redução e minimização das vulnerabilidades da interface urbano-
-florestal e de prevenção do risco de incêndio, através da identificação e definição de regras de
gestão e segurança de aglomerados urbanos, de aglomerados rurais e de áreas de edificação
dispersas, incluindo áreas de localização empresarial e unidades dispersas, identificando em
cada situação tipo a sua articulação com os instrumentos de planeamento florestal e de pre-
venção e combate de incêndios.
72. Garantir a diminuição da exposição ao risco na ocupação da orla costeira, interditando
por princípio e fora das áreas urbanas, novas edificações que não se relacionem diretamente
com a fruição do mar e a contenção das ocupações edificadas em zonas de risco dando priori-
dade à retirada de construções de génese ilegal, que se encontrem nas faixas mais vulneráveis
do litoral.
73. Desenvolver abordagens e integrar estratégias e diretrizes de sustentabilidade que
garantam a salvaguarda e valorização de recursos e valores naturais, nomeadamente da água,
solo e biodiversidade, a criação de estruturas ecológicas e infraestruturas verdes, a conservação
da natureza, em particular em áreas classificadas e a valorização dos serviços dos ecossistemas
e a qualificação das unidades de paisagem.
74. Travar a artificialização do solo, adequar a extensão do solo urbano, promover a rege-
neração, reabilitação, reutilização e revitalização urbana, e restringir a nova edificação dispersa
e isolada em solo rústico. O solo rústico deve tendencialmente limitar-se a acolher as atividades
económicas relacionadas com as utilizações que lhe são próprias, seguindo as diretrizes que,
para o efeito, estejam contempladas nos Programas Regionais. Por outro lado, as novas cons-
truções destinadas a habitação, devem cingir-se ao solo urbano, aglomerados rurais ou áreas
de edificação dispersa, nestas últimas nos termos das orientações dos Programas Regionais e
salvaguardando as vulnerabilidades aos perigos, nomeadamente de incêndio, cheia e inundação
e deslizamento de vertentes.
75. Identificar os passivos ambientais e o solo urbano com usos obsoletos e ocupações
desqualificadas e definir estratégias e ações de incentivo à sua recuperação, reconversão e/ou
reposição tendo em vista a sua incorporação nas cadeias de valor económico e social, nomea-
damente através de mecanismos de compensação pela instalação de novos usos.
76. Definir modelos de organização territorial e normativos de gestão que potenciem a
descarbonização da economia e da sociedade, a mobilidade sustentável, a economia circular
e de partilha e os consumos de proximidade.
77. Identificar os territórios com potencial, aptidão e condições para a instalação de fontes
de energias renováveis e para a exploração de recursos naturais e estabelecer os requisitos
de conciliação de usos e de exploração, sem prejuízo da manutenção do seu entretanto apro-
veitamento agrícola, florestal ou outro, que não condicione uma opção futura.
78. Considerar a paisagem e a arquitetura como recursos com valor patrimonial, cultural,
social e económico, estabelecendo as bases para a gestão e qualificação da paisagem e a
promoção de uma cultura territorial.
Planos de Urbanização e Planos de Pormenor
79. A qualidade do desenho urbano e da urbanização são dimensões fundamentais do
funcionamento das áreas urbanas e do seu relacionamento com as áreas rurais, contribuindo
para a sustentabilidade e eficiência do uso de recursos, para a atratividade territorial e para
qualidade de vida dos habitantes. Para alcançar níveis superiores de qualidade nestas dimen-
sões o PNPOT aponta a necessidade de se reforçar a dinâmica de elaboração de Planos de
Diário da República, 1.ª série
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Urbanização e de Pormenor e/ou Unidades de Execução, à escala territorial adequada e em
função das necessidades e objetivos das intervenções.
80. Em função das realidades territoriais a abordagem de planeamento e gestão deve
considerar as áreas de urbanização concentrada, centrais e periféricas, as áreas de urbaniza-
ção descontínua e fragmentada (incluindo situações de incompletude e abandono) e áreas de
edificação dispersa a estruturar, independentemente da sua génese legal ou ilegal, encontrando
os instrumentos e as escalas mais adequadas para a definição de soluções de desenho urbano,
urbanização e funcionalidade.
81. Considerando o contributo dos espaços urbanos para os compromissos de descarboni-
zação e eficiência da utilização de recursos e para os objetivos de qualidade de vida o PNPOT
afirma como cruciais no âmbito do desenho urbano e da urbanização a promoção de modelos
de proximidade funcional e de mobilidade sustentável e de desincentivo da artificialização do
solo, através da reabilitação e regeneração e da reutilização do construído e da adoção de
soluções de base natural e criação de espaços verdes.
82. Considerando a importância das sinergias dos espaços urbanos e rurais, nas suas di-
versas funções e atividades para as abordagens da sustentabilidade, nomeadamente economia
circular, mobilidade sustentável e adaptação climática e para a qualidade de vida da população,
nomeadamente recreação e lazer, alimentação saudável e acesso a serviços de interesse geral,
o PNPOT aponta para o interesse dos instrumentos de planeamento PU e PP considerarem
áreas de intervenção que promovam essas sinergias, sem prejuízo da manutenção da devida
classificação em solo urbano e rústico.
5. Modelo de Governação
O estabelecimento de um Modelo de Governança para a implementação do Programa
Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) constitui uma condição de sucesso
da concretização da Estratégia, do Modelo Territorial, das Medidas de Política e das Diretrizes
preconizadas pelo Programa.
O Modelo de Governança do PNPOT visa congregar e institucionalizar a participação de
um conjunto diversificado de atores públicos e privados representativos dos diversos interes-
ses públicos com expressão territorial e dos vários interesses da sociedade civil, nos domínios
ambiental, económico, social e cultural.
O Modelo de Governança foi concebido para responder aos desafios da implementação
do PNPOT, em três dimensões essenciais:
Ação — mobilização de atores relevantes para a concretização das orientações estraté-
gicas, diretrizes e medidas de política, para a promoção de iniciativas de inovação territorial e
de disseminação de boas práticas;
Monitorização — acompanhamento sistemático e reporte continuado da concretização
das orientações estratégicas, diretrizes e medidas de política, com a colaboração dos atores
responsáveis pelas diversas áreas de política pública;
Avaliação — análise das realizações, resultados e efeitos das medidas de política e das
respetivas condições de concretização, aferição de dinâmicas territoriais face a objetivos de po-
lítica e metas nacionais, com a participação e envolvimento de um conjunto alargado de atores.
A estrutura de governança do PNPOT é constituída por órgãos de natureza operacional,
consultiva e de avaliação, designadamente o Fórum Intersectorial, o Observatório do Ordena-
mento do Território e Urbanismo e um conjunto de Conselhos e Comissões Consultivas.
1. Fórum Intersectorial
O PNPOT estabelece a constituição de uma estrutura de governança, designada por Fórum
Intersectorial do PNPOT que, sob tutela e coordenação do nível político, visa promover a coor-
denação de decisões com incidência territorial relevantes para a implementação do Programa,
incrementar a cooperação intersectorial e multinível no âmbito da definição de estratégias setoriais
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 247
e de instrumentos de gestão territorial, impulsionar redes colaborativas de ação e assegurar a
monitorização e avaliação sistemática.
A coordenação nacional do Fórum Intersectorial compete à Direção-Geral do Território
(DGT), em colaboração com as representações das Regiões Autónomas e das Comissões de
Coordenação e Desenvolvimento Regional a quem compete a coordenação de âmbito regional,
em função das respetivas competências e autonomias.
Este Fórum é constituído por representantes das diversas áreas de política pública relevan-
tes para a implementação do PNPOT no continente e nas regiões autónomas, nomeados pelas
respetivas tutelas. As entidades que integram o Fórum Intersectorial articulam-se diretamente
com os órgãos políticos nacionais do Continente e Regiões Autónomas.
O Fórum Intersectorial é competente pelo acompanhamento, dinamização e avaliação da
implementação do PNPOT e pela prossecução da operacionalização das Medidas de Política,
configurando-se como uma plataforma de diálogo e de cooperação estratégica e operacional
dos parceiros públicos para a definição e execução de políticas públicas concertadas numa
base territorial e como um instrumento de promoção do envolvimento e da participação das
organizações da sociedade civil nas decisões de organização e desenvolvimento territorial.
O Fórum Intersectorial deve funcionar em composições flexíveis e de geometria variá-
vel – plataformas de articulação de políticas setoriais - em função de matérias e prioridades e
da natureza e tipo de atividades a desenvolver.
Identifica-se à partida o interesse de constituição de plataformas de articulação nas seguin-
tes áreas de política: i) ambiente, agricultura e florestas; ii) setores responsáveis por serviços
de interesse geral; iii) ordenamento do território e desenvolvimento regional.
2. Observatório do Ordenamento do Território e Urbanismo
As atividades de monitorização e avaliação da implementação do PNPOT são cometidas
ao Observatório do Ordenamento do Território e do Urbanismo (OOTU) a constituir na DGT,
com o objetivo de assegurar a monitorização e avaliação sistemática das dinâmicas territoriais,
do sistema de gestão territorial e da implementação do PNPOT, em termos de realizações,
resultados e efeitos, bem como de processo.
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 248
As atividades do Observatório serão desenvolvidas por uma equipa de suporte da DGT
com a colaboração e apoio específico das entidades representadas no Fórum Intersectorial em
função das matérias e das competências nos diversos domínios de política.
O Relatório do Estado do Ordenamento do Território constitui o principal documento de
reporte da avaliação do PNPOT, sendo produzido de 2 em 2 anos.
3. Conselhos e Comissões Consultivas
Ao nível político identificam-se dois órgãos relevantes para a articulação e consulta em
matéria de implementação do PNPOT. O Conselho de Concertação Territorial (CCT), o Conselho
Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
A Comissão Nacional do Território (CNT) pela sua natureza será um órgão fundamental de
consulta e de operacionalização da implementação da Agenda para o território em articulação
com as plataformas do Fórum Intersetorial.
Ao nível técnico prevê-se a criação de uma Comissão Acompanhamento da Implementação
do PNPOT, constituída pelas entidades que integraram a comissão que acompanhou a alteração
do Programa, dando-se continuidade ao trabalho realizado na fase antecedente e valorizando-se
a experiência acumulada.
Esta Comissão visa assegurar a participação e envolvimento de organizações relevantes
da sociedade civil no acompanhamento e monitorização da implementação do Programa.
Considerando o papel do futuro Conselho Superior de Obras Públicas na ponderação dos
investimentos estruturantes a constar do Plano Nacional de Investimentos a coordenação do
PNPOT integrará este órgão.
Na sequência da aprovação do PNPOT, o Governo definirá a composição e modelo de
funcionamento do Fórum Intersectorial e estabelecerá os seus objetivos prioritários.
6. Quadros de articulação
Seguidamente, apresentam-se os seguintes quadros de coerência e articulação:
- Quadro 1: Articulação das Medidas de Política com os Desafios Territoriais
- Quadro 2: Articulação das Medidas de Política com os Compromissos para o Território
- Quadro 3: Articulação das Medidas de Política com os Problemas do Ordenamento do
Território
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
Quadro 1: Articulação das Medidas de Política com os Desafios Territoriais
DESAFIOS TERRITORIAIS
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 3.1 3.2 3.3 4.1 4.2 4.3 5.1 5.2 5.3
Aumentar a
Reforçar a atratividade
Afirmar as Dinamizar os Reforçar a
cooperação populacional, Reforçar e
Promover a metrópoles e as potenciais locais Otimizar as descentralização Promover
interurbana Promover a inclusão integrar redes
MEDIDAS DE AÇÃO Valorizar eficiência do Aumentar a principais cidades e regionais e o Promover o infraestruturas Dinamizar de redes Aumentar
e rural- a social, e de
o capital metabolismo resiliência como motores da desenvolvimento desenvolvimento ambientais e a redes competências e colaborativas a cultura
urbana qualidade reforçar o acessibilidade
natural regional e socioecológica internacionalização rural face à transfronteiriço conectividade digitais a cooperação de base territorial
como fator urbana acesso aos e de
urbano e competitividade dinâmica de ecológica intersectorial e territorial
de coesão serviços de mobilidade
externa globalização multinível
interna interesse
geral
Gerir o recurso água num clima em
1.1
mudança
5 de setembro de 2019
Valorizar o recurso solo e combater
1.2
o seu desperdício
Afirmar a biodiversidade como um
1.3
ativo territorial
Valorizar o território através da
1.4
paisagem
Planear e gerir de forma integrada os
DOMÍNIO 1.5
recursos geológicos e mineiros
AMBIENTAL
Ordenar e revitalizar os territórios da
1.6
floresta
Prevenir riscos e adaptar o território
1.7
às alterações climáticas
Valorizar o litoral e aumentar a sua
1.8
resiliência
Promover a reabilitação urbana,
1.9 qualificar o ambiente urbano e o
espaço público
Fomentar uma abordagem territorial
2.1 integrada de resposta à perda
demográfica
DOMÍNIO
Promover uma política de habitação
SOCIAL 2.2
integrada
Melhorar os cuidados de saúde e
2.3
reduzir as desigualdades de acesso
Pág. 249
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
DESAFIOS TERRITORIAIS
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 3.1 3.2 3.3 4.1 4.2 4.3 5.1 5.2 5.3
Aumentar a
Reforçar a atratividade
Afirmar as Dinamizar os Reforçar a
cooperação populacional, Reforçar e
Promover a metrópoles e as potenciais locais Otimizar as descentralização Promover
interurbana Promover a inclusão integrar redes
MEDIDAS DE AÇÃO Valorizar eficiência do Aumentar a principais cidades e regionais e o Promover o infraestruturas Dinamizar de redes Aumentar
e rural- a social, e de
o capital metabolismo resiliência como motores da desenvolvimento desenvolvimento ambientais e a redes competências e colaborativas a cultura
urbana qualidade reforçar o acessibilidade
natural regional e socioecológica internacionalização rural face à transfronteiriço conectividade digitais a cooperação de base territorial
como fator urbana acesso aos e de
urbano e competitividade dinâmica de ecológica intersectorial e territorial
de coesão serviços de mobilidade
externa globalização multinível
interna interesse
geral
Qualificar e capacitar os recursos
2.4 humanos e ajustar às transformações
socioeconómicas
5 de setembro de 2019
Melhorar a qualidade de vida da
2.5 população idosa e reforçar as
relações intergeracionais
Reforçar o acesso à justiça e a
2.6
proximidade aos respetivos serviços
Promover a inclusão social,
estimular a igualdade de
2.7
oportunidades e reforçar as redes de
apoio de proximidade
Valorizar o património e as práticas
2.8
culturais, criativas e artísticas
Potenciar a inovação social e
2.9
fortalecer a coesão sociocultural
Promover a digitalização, a
interoperabilidade e a acessibilidade
2.10
aos serviços públicos e de interesse
geral
Reforçar a competitividade da
3.1
agricultura
Dinamizar políticas ativas para o
3.2
desenvolvimento rural
Afirmar os ativos estratégicos
3.3
turísticos nacionais
Pág. 250
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
DESAFIOS TERRITORIAIS
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 3.1 3.2 3.3 4.1 4.2 4.3 5.1 5.2 5.3
Aumentar a
Reforçar a atratividade
Afirmar as Dinamizar os Reforçar a
cooperação populacional, Reforçar e
Promover a metrópoles e as potenciais locais Otimizar as descentralização Promover
interurbana Promover a inclusão integrar redes
MEDIDAS DE AÇÃO Valorizar eficiência do Aumentar a principais cidades e regionais e o Promover o infraestruturas Dinamizar de redes Aumentar
e rural- a social, e de
o capital metabolismo resiliência como motores da desenvolvimento desenvolvimento ambientais e a redes competências e colaborativas a cultura
urbana qualidade reforçar o acessibilidade
natural regional e socioecológica internacionalização rural face à transfronteiriço conectividade digitais a cooperação de base territorial
como fator urbana acesso aos e de
urbano e competitividade dinâmica de ecológica intersectorial e territorial
de coesão serviços de mobilidade
externa globalização multinível
interna interesse
geral
Valorizar os ativos territoriais
3.4
patrimoniais
DOMÍNIO Dinamizar e revitalizar o comércio e
3.5
ECONÓMICO os serviços
5 de setembro de 2019
3.6
Promover a economia do mar
Qualificar o emprego e contrariar a
3.7
precariedade no mercado de trabalho
Desenvolver ecossistemas de
3.8
inovação de base territorial
Reindustrializar com base na
3.9
Revolução 4.0
Reforçar a internacionalização e a
3.10
atração de investimento externo
Organizar o território para a
3.11
economia circular
Promover a competitividade da
3.12
silvicultura
Otimizar as infraestruturas
4.1
ambientais e de energia
Otimizar a conectividade ecológica
4.2
nacional
Suprir carências de acessibilidade
tendo em vista a equidade aos
4.3
serviços e às infraestruturas
empresariais
Pág. 251
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
DESAFIOS TERRITORIAIS
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 3.1 3.2 3.3 4.1 4.2 4.3 5.1 5.2 5.3
Aumentar a
Reforçar a atratividade
Afirmar as Dinamizar os Reforçar a
cooperação populacional, Reforçar e
Promover a metrópoles e as potenciais locais Otimizar as descentralização Promover
interurbana Promover a inclusão integrar redes
MEDIDAS DE AÇÃO Valorizar eficiência do Aumentar a principais cidades e regionais e o Promover o infraestruturas Dinamizar de redes Aumentar
e rural- a social, e de
o capital metabolismo resiliência como motores da desenvolvimento desenvolvimento ambientais e a redes competências e colaborativas a cultura
urbana qualidade reforçar o acessibilidade
natural regional e socioecológica internacionalização rural face à transfronteiriço conectividade digitais a cooperação de base territorial
como fator urbana acesso aos e de
urbano e competitividade dinâmica de ecológica intersectorial e territorial
de coesão serviços de mobilidade
externa globalização multinível
interna interesse
geral
Renovar, requalificar e adaptar as
4.4 infraestruturas e os sistemas de
transporte
DOMÍNIO DE
5 de setembro de 2019
Promover a mobilidade
CONECTIVIDADE 4.5
metropolitana e interurbana
Digitalizar a gestão e a operação dos
4.6
sistemas de transporte
Alargar as infraestruturas físicas de
4.7
conexão internacional
Ampliar a conectividade digital
4.8 internacional através dos cabos
submarinos
Reforçar os serviços de banda larga
4.9 e implementação de redes da nova
geração 5G
5.1 Promover a informação geográfica
Ativar o conhecimento e uma nova
5.2
cultura territorial
DOMÍNIO DE
Potenciar e qualificar a cooperação
GOVERNANÇA 5.3
territorial
TERRITORIAL
Aprofundar a descentralização e a
desconcentração e promover a
5.4
cooperação e a governança
multinível
Experimentar e prototipar soluções
5.5
inovadoras
Pág. 252
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
DESAFIOS TERRITORIAIS
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 3.1 3.2 3.3 4.1 4.2 4.3 5.1 5.2 5.3
Aumentar a
Reforçar a atratividade
Afirmar as Dinamizar os Reforçar a
cooperação populacional, Reforçar e
Promover a metrópoles e as potenciais locais Otimizar as descentralização Promover
interurbana Promover a inclusão integrar redes
MEDIDAS DE AÇÃO Valorizar eficiência do Aumentar a principais cidades e regionais e o Promover o infraestruturas Dinamizar de redes Aumentar
e rural- a social, e de
o capital metabolismo resiliência como motores da desenvolvimento desenvolvimento ambientais e a redes competências e colaborativas a cultura
urbana qualidade reforçar o acessibilidade
natural regional e socioecológica internacionalização rural face à transfronteiriço conectividade digitais a cooperação de base territorial
como fator urbana acesso aos e de
urbano e competitividade dinâmica de ecológica intersectorial e territorial
de coesão serviços de mobilidade
externa globalização multinível
interna interesse
geral
Reforçar as abordagens integradas
5.6
de base territorial
Fomentar a cooperação intraurbana
5.7 para uma cidade sustentável e
5 de setembro de 2019
inteligente
Fortalecer as articulações rurais-
5.8
urbanas
Dinamizar as articulações
5.9 interurbanas e os subsistemas
territoriais
Aprofundar a cooperação
5.10
transfronteiriça
Pág. 253
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
Quadro 2: Articulação das Medidas de Política com os Compromissos para o Território
10 Compromissos para o Território
Alargar a Incentivar
Robustecer Adaptar Remuner base os Garantir Reforça
Atrair novos Descarboniz Integrar nos
os sistemas o ar os económica processos nos IGT ra
residentes e ar IGT novas
territoriais territóri serviços territorial colaborativ a eficiênci
gerir a acelerando abordagens
Medida de Ação em função oe prestados com mais os para diminuiç a
evolução a transição para a
das suas gerar pelo conhecimen reforçar ão da territori
sociodemográf energética e sustentabilida
centralidad resiliênc capital to, inovação uma nova exposição al nos
ica material de
es ia natural e cultura do a riscos IGT
capacitação território
5 de setembro de 2019
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
DOMÍNIO 1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
NATURAL
1.4 Valorizar o território através da paisagem
Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos
1.5
e mineiros
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da floresta
Prevenir riscos e adaptar o território às alterações
1.7
climáticas
1.8 Valorizar o litoral e aumentar a sua resiliência
Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente
1.9
urbano e o espaço público
Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta
2.1
à perda demográfica
2.2 Promover uma política de habitação integrada
Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades
2.3
de acesso
Pág. 254
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
10 Compromissos para o Território
Alargar a Incentivar
Robustecer Adaptar Remuner base os Garantir Reforça
Atrair novos Descarboniz Integrar nos
os sistemas o ar os económica processos nos IGT ra
residentes e ar IGT novas
territoriais territóri serviços territorial colaborativ a eficiênci
gerir a acelerando abordagens
Medida de Ação em função oe prestados com mais os para diminuiç a
evolução a transição para a
das suas gerar pelo conhecimen reforçar ão da territori
sociodemográf energética e sustentabilida
centralidad resiliênc capital to, inovação uma nova exposição al nos
ica material de
es ia natural e cultura do a riscos IGT
capacitação território
Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às
2.4
5 de setembro de 2019
transformações socioeconómicas
Melhorar a qualidade de vida da população idosa e
2.5
reforçar as relações intergeracionais
DOMÍNIO Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos
SOCIAL 2.6
serviços
Promover a inclusão social, estimular a igualdade de
2.7 oportunidades e reforçar as redes de apoio de
proximidade
Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e
2.8
artísticas
Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão
2,9
sociocultural
2.1 Promover a digitalização, a interoperabilidade e a
0 acessibilidade aos serviços públicos e de interesse geral
DOMÍNIO 3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
ECONÓMICO 3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
3.4 Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
Pág. 255
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
10 Compromissos para o Território
Alargar a Incentivar
Robustecer Adaptar Remuner base os Garantir Reforça
Atrair novos Descarboniz Integrar nos
os sistemas o ar os económica processos nos IGT ra
residentes e ar IGT novas
territoriais territóri serviços territorial colaborativ a eficiênci
gerir a acelerando abordagens
Medida de Ação em função oe prestados com mais os para diminuiç a
evolução a transição para a
das suas gerar pelo conhecimen reforçar ão da territori
sociodemográf energética e sustentabilida
centralidad resiliênc capital to, inovação uma nova exposição al nos
ica material de
es ia natural e cultura do a riscos IGT
capacitação território
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
5 de setembro de 2019
3.6 Promover a economia do mar
Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no
3.7
mercado de trabalho
Desenvolver os ecossistemas de inovação de base
3.8
territorial
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
3.1 Reforçar a internacionalização e a atração de
0 investimento externo
3.1
Organizar o território para a economia circular
1
3,1
Promover a competitividade da silvicultura
2
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
4.2 Otimizar a conectividade ecológica nacional
Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a
4.3
equidade aos serviços e às infraestruturas empresariais
Pág. 256
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
10 Compromissos para o Território
Alargar a Incentivar
Robustecer Adaptar Remuner base os Garantir Reforça
Atrair novos Descarboniz Integrar nos
os sistemas o ar os económica processos nos IGT ra
residentes e ar IGT novas
territoriais territóri serviços territorial colaborativ a eficiênci
gerir a acelerando abordagens
Medida de Ação em função oe prestados com mais os para diminuiç a
evolução a transição para a
das suas gerar pelo conhecimen reforçar ão da territori
sociodemográf energética e sustentabilida
centralidad resiliênc capital to, inovação uma nova exposição al nos
ica material de
es ia natural e cultura do a riscos IGT
capacitação território
Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os
DOMÍNIO DE 4.4
5 de setembro de 2019
sistemas de transporte
CONECTIVIDA
DE 4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de
4.6
transporte
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
Ampliar a conectividade digital internacional através dos
4.8
cabos submarinos
Reforçar os serviços de banda larga e a implementação de
4.9
redes da nova geração 5G
5.1 Promover a informação geográfica
5.2 Ativar o conhecimento e uma nova cultura territorial
5.3 Potenciar e qualificar a cooperação territorial
Aprofundar a descentralização e a desconcentração e
5.4
promover a cooperação e a governança multinível
5.5 Experimentar e prototipar soluções inovadoras
DOMÍNIO DE
GOVERNANÇA 5.6 Reforçar as abordagens integradas de base territorial
TERRITORIAL Fomentar a cooperação intraurbana para uma cidade
5.7
sustentável e inteligente
Pág. 257
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
10 Compromissos para o Território
Alargar a Incentivar
Robustecer Adaptar Remuner base os Garantir Reforça
Atrair novos Descarboniz Integrar nos
os sistemas o ar os económica processos nos IGT ra
residentes e ar IGT novas
territoriais territóri serviços territorial colaborativ a eficiênci
gerir a acelerando abordagens
Medida de Ação em função oe prestados com mais os para diminuiç a
evolução a transição para a
das suas gerar pelo conhecimen reforçar ão da territori
sociodemográf energética e sustentabilida
centralidad resiliênc capital to, inovação uma nova exposição al nos
ica material de
es ia natural e cultura do a riscos IGT
capacitação território
5.8 Fortalecer as articulações rurais-urbanas
5 de setembro de 2019
Dinamizar as articulações interurbanas e os subsistemas
5.9
territoriais
5.1 Aprofundar a cooperação transfronteiriça e dinamizar as
0 Eurocidades
Quadro 3: Articulação das Medidas de Política com os Problemas do Ordenamento do Território
PROBLEMAS DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Assimetrias
Ineficiência Défices de
Insuficiente Desajustes Bolsas de Assimetrias inter- Insuficiente
Ineficiente energética Défice de produção e Défice
Degradação Falhas planeamento e Desperdício de entre pobreza, Desajustes territoriais regionais do Territórios de cultura de
Riscos e utilização e Envelhecimento racionalidade constrangimentos de uma
e perda de no permanência solo urbanizado oferta e de no sistema no acesso e tecido baixa cooperação
MEDIDAS DE AÇÃO Alterações dos intensidade e abandono de territorial no à cultura
recursos acesso à de áreas e procura de segregação de uso das económico atratividade e de
Climáticas recursos e carbónica territórios investimento disponibilização do
naturais habitação urbanas infraestruturado serviços e exclusão transportes novas com falhas de socioeconómica trabalho
produtos na público de informação território
desqualificadas públicos social tecnologias produtividade em rede
economia e geográfica
e inovação
na
mobilidade
1.1 Gerir o recurso água num clima em mudança
1.2 Valorizar o recurso solo e combater o seu desperdício
Pág. 258
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
PROBLEMAS DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Assimetrias
Ineficiência Défices de
Insuficiente Desajustes Bolsas de Assimetrias inter- Insuficiente
Ineficiente energética Défice de produção e Défice
Degradação Falhas planeamento e Desperdício de entre pobreza, Desajustes territoriais regionais do Territórios de cultura de
Riscos e utilização e Envelhecimento racionalidade constrangimentos de uma
e perda de no permanência solo urbanizado oferta e de no sistema no acesso e tecido baixa cooperação
MEDIDAS DE AÇÃO Alterações dos intensidade e abandono de territorial no à cultura
recursos acesso à de áreas e procura de segregação de uso das económico atratividade e de
Climáticas recursos e carbónica territórios investimento disponibilização do
naturais habitação urbanas infraestruturado serviços e exclusão transportes novas com falhas de socioeconómica trabalho
produtos na público de informação território
desqualificadas públicos social tecnologias produtividade em rede
economia e geográfica
e inovação
na
mobilidade
1.3 Afirmar a biodiversidade como um ativo territorial
1.4 Valorizar o território através da paisagem
Planear e gerir de forma integrada os recursos geológicos
1.5
DOMÍNIO e mineiros
AMBIENTAL
1.6 Ordenar e revitalizar os territórios da floresta
5 de setembro de 2019
Prevenir riscos e adaptar o território às alterações
1.7
climáticas
1.8 Valorizar o litoral e aumentar a sua resiliência
Promover a reabilitação urbana, qualificar o ambiente
1.9
urbano e o espaço público
Fomentar uma abordagem territorial integrada de resposta
2.1
à perda demográfica
2.2 Promover uma política de habitação integrada
Melhorar os cuidados de saúde e reduzir as desigualdades
2.3
de acesso
Qualificar e capacitar os recursos humanos e ajustar às
2.4
transformações socioeconómicas
Melhorar a qualidade de vida da população idosa e
2.5
reforçar as relações intergeracionais
DOMÍNIO
Reforçar o acesso à justiça e a proximidade aos respetivos
SOCIAL 2.6
serviços
Promover a inclusão social, estimular a igualdade de
2.7 oportunidades e reforçar as redes de apoio de
proximidade
Valorizar o património e as práticas culturais, criativas e
2.8
artísticas
Potenciar a inovação social e fortalecer a coesão
2.9
sociocultural
Promover a digitalização, a interoperabilidade e a
2.10
acessibilidade aos serviços públicos e de interesse geral
3.1 Reforçar a competitividade da agricultura
Pág. 259
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
PROBLEMAS DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Assimetrias
Ineficiência Défices de
Insuficiente Desajustes Bolsas de Assimetrias inter- Insuficiente
Ineficiente energética Défice de produção e Défice
Degradação Falhas planeamento e Desperdício de entre pobreza, Desajustes territoriais regionais do Territórios de cultura de
Riscos e utilização e Envelhecimento racionalidade constrangimentos de uma
e perda de no permanência solo urbanizado oferta e de no sistema no acesso e tecido baixa cooperação
MEDIDAS DE AÇÃO Alterações dos intensidade e abandono de territorial no à cultura
recursos acesso à de áreas e procura de segregação de uso das económico atratividade e de
Climáticas recursos e carbónica territórios investimento disponibilização do
naturais habitação urbanas infraestruturado serviços e exclusão transportes novas com falhas de socioeconómica trabalho
produtos na público de informação território
desqualificadas públicos social tecnologias produtividade em rede
economia e geográfica
e inovação
na
mobilidade
3.2 Dinamizar políticas ativas para o desenvolvimento rural
DOMÍNIO
3.3 Afirmar os ativos estratégicos turísticos nacionais
ECONÓMICO
3.4 Valorizar os ativos territoriais patrimoniais
3.5 Dinamizar e revitalizar o comércio e os serviços
3.6 Promover a economia do mar
5 de setembro de 2019
Qualificar o emprego e contrariar a precariedade no
3.7
mercado de trabalho
3.8 Desenvolver ecossistemas de inovação de base territorial
3.9 Reindustrializar com base na Revolução 4.0
Reforçar a internacionalização e a atração de
3.10
investimento externo
3.11 Organizar o território para a economia circular
3.12 Promover a competitividade da silvicultura
4.1 Otimizar as infraestruturas ambientais e de energia
4.2 Otimizar a conectividade ecológica nacional
Suprir carências de acessibilidade tendo em vista a
4.3
equidade aos serviços e às infraestruturas empresariais
Renovar, requalificar e adaptar as infraestruturas e os
4.4
sistemas de transporte
DOMÍNIO DE 4.5 Promover a mobilidade metropolitana e interurbana
CONETIVIDADE
Digitalizar a gestão e a operação dos sistemas de
4.6
transporte
4.7 Alargar as infraestruturas físicas de conexão internacional
Ampliar a conectividade digital internacional através dos
4.8
cabos submarinos
Reforçar os serviços de banda larga e implementação de
4.9
redes da nova geração 5G
5.1 Promover a informação geográfica
Pág. 260
N.º 170
Diário da República, 1.ª série
PROBLEMAS DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Assimetrias
Ineficiência Défices de
Insuficiente Desajustes Bolsas de Assimetrias inter- Insuficiente
Ineficiente energética Défice de produção e Défice
Degradação Falhas planeamento e Desperdício de entre pobreza, Desajustes territoriais regionais do Territórios de cultura de
Riscos e utilização e Envelhecimento racionalidade constrangimentos de uma
e perda de no permanência solo urbanizado oferta e de no sistema no acesso e tecido baixa cooperação
MEDIDAS DE AÇÃO Alterações dos intensidade e abandono de territorial no à cultura
recursos acesso à de áreas e procura de segregação de uso das económico atratividade e de
Climáticas recursos e carbónica territórios investimento disponibilização do
naturais habitação urbanas infraestruturado serviços e exclusão transportes novas com falhas de socioeconómica trabalho
produtos na público de informação território
desqualificadas públicos social tecnologias produtividade em rede
economia e geográfica
e inovação
na
mobilidade
5.2 Ativar o conhecimento e uma nova cultura territorial
5.3 Potenciar e qualificar a cooperação territorial
Aprofundar a descentralização e a desconcentração e
5.4
promover a cooperação e a governança multinível
5.5 Experimentar e prototipar soluções inovadoras
DOMÍNIO DE
5 de setembro de 2019
GOVERNANÇA
5.6 Reforçar as abordagens integradas de base territorial
TERRITORIAL
Fomentar a cooperação intraurbana para uma cidade
5.7
sustentável e inteligente
5.8 Fortalecer as articulações rurais-urbanas
Dinamizar as articulações interurbanas e os subsistemas
5.9
territoriais
5.10 Aprofundar a cooperação transfronteiriça
Pág. 261
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 262
LISTA DE SIGLAS
ACEPI — Associação de Economia Digital
ACES — Agrupamento de Centros de Saúde
ACCS — Administração Central do Sistema de Saúde
AD&C — Agência para o Desenvolvimento e Coesão
ACPMR — Associação Cluster Portugal Mineral Resources
ADENE — Agência para a Energia
ADL — Associação de Desenvolvimento Local
ADSL — Asymmetric Digital Subscriber Line
AECT — Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial
AEM — Ambulâncias de Emergência Médica
AICEP — Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal
AM — Área Metropolitana
AMA — Agência para a Modernização Administrativa
AML — Área Metropolitana de Lisboa
AMP — Área Metropolitana do Porto
AMT — Autoridade da Mobilidade e dos Transportes
ANA — Aeroportos de Portugal
ANAC — Autoridade Nacional da Aviação Civil
ANACOM — Autoridade Nacional de Comunicações
ANAFRE — Associação Nacional de Freguesias
ANI — Agência Nacional de Inovação
ANMP — Associação Nacional de Municípios Portugueses
ANPC — Autoridade Nacional de Proteção Civil
ANQEP — Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional
ANSR — Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária
APA — Agência Portuguesa do Ambiente
APAP — Associação Portuguesa Arquitetos Paisagistas
APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
APDC — Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações
ARDITI — Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Ino-
vação
ARPT — Agências Regionais de Promoção Turística
ARS — Administração Regional de Saúde
ARU — Áreas de Reabilitação Urbana
AT — Autoridade Tributária e Aduaneira — Finanças
BCAA — Boas Condições Agrícolas e Ambientais
CAAP — Comissão de Acompanhamento da Arquitetura e Paisagem
CADAC — Comissão para a Aplicação e Desenvolvimento da Convenção de Albufeira
CAOP — Carta Administrativa Oficial de Portugal
CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal
CASES — Cooperativa António Sérgio para a Economia Social
CCDR — Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional
CE = EC — Comissão Europeia
CEC — Commission of the European Communities
CEE — Comunidade Económica Europeia
CEP — Convenção Europeia da Paisagem
CIM — Comunidade Intermunicipal
CIRAC — Maps of Floods and Risk in Climate Change Scenarios
CM — Câmara Municipal
CNADS — Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável
CNCDA — Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 263
COMPETE — Programa Operacional Temático Competitividade e Internacionalização
COS — Carta de Uso e Ocupação do Solo
COSA — Carta de Uso e Ocupação do Solo para os Açores
COTEC — Associação Empresarial para a Inovação
CP — Comboios de Portugal
CPCJ — Comissão de Proteção de Crianças e Jovens
CPLP — Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
CRUS — Carta do Regime de Uso do Solo
CSI — Complemento Solidário para Idosos
CSM — Conta Satélite do Mar
CSM — Conselho Superior da Magistratura
CSP — Cuidados de Saúde Primários
CTEM — Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática
DGADR — Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural
DGAE — Direção-Geral das Atividades Económicas
DGAEP — Direção-Geral da Administração e do Emprego Público
DGAJ — Direção-Geral da Administração da Justiça
DGARTES — Direção-Geral das Artes
DGEEC — Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência
DGEG — Direção-Geral de Energia e Geologia
DGOTDU — Direção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano
DGPC — Direção-Geral do Património Cultural
DGPJ — Direção-Geral da Política de Justiça
DGRSP — Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
DGS — Direção-Geral da Saúde
DGT — Direção-Geral do Território
DGTF — Direção-Geral do Tesouro e Finanças
DLBC — Desenvolvimento Local de Base Comunitária
DLD — Desempregado de Longa Duração
DPH — Domínio Público Hídrico
DPM — Domínio Público Marítimo
DRAP — Direção Regional de Agricultura e Pescas
DRC — Direção Regional de Cultura
EDEC — Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário
EDM — Empresa de Desenvolvimento Mineiro
EEA — European Environment Agency
E-learning — Ensino à distância
EMPIS — Estrutura de Missão Portugal Inovação Social
ENCNB — Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (2030)
ENEA — Estratégia Nacional de Educação Ambiental
ENGIZC — Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira
EPIC — Explicitly Parallel Instruction Computing (EPIC WebGIS)
ERT — Entidade Regional do Turismo
ESPON — European Spatial Planning Observation Network (Observatório em Rede do
Ordenamento do Território Europeu)
ET 27 — Estratégia para o Turismo
ETAR — Estação de Tratamento de Águas Residuais
ETC — Equivalente a Tempo Completo
ETC — European Territorial Cooperation
EUA — Estados Unidos da América
EUROSTAT — Autoridade Estatística da União Europeia
FAO — Food and Agriculture Organization (Organização das Nações Unidas para a Ali-
mentação e a Agricultura)
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 264
FCT — Fundação para a Ciência e a Tecnologia
FCUL — Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
FEEI — Fundos Europeus Estruturais e de Investimento
FLUP-CEGOT — Faculdade de Letras da Universidade do Porto — Centro de Estudos em
Geografia e Ordenamento do Território
FTTH/B — Fibra Ótica
GAL — Grupo de Ação Local
GEE — Gases com Efeito de Estufa
GEMCAT — Generación de Empleo de Calidad Transfronterizo (Criação de Emprego de
Qualidade Transfronteiriço)
GEP — Gabinete de Estratégia e Planeamento
GEP/MTSSS — Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solida-
riedade e Segurança Social
GNL — Gás Natural Liquefeito
GNR — Guarda Nacional Republicana
GPP — Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral
I&D — Investigação e Desenvolvimento
IAPMEI — Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação
ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas
ICS — Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
IDE — Investimento Direto Estrangeiro
IEFP — Instituto do Emprego e Formação Profissional
IGeoE — Instituto Geográfico do Exército
IGFEJ — Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça
IGOT/UL — Instituto de Geografia e Ordenamento do Território/Universidade de Lisboa
IGT — Instrumento de Gestão Territorial
IH — Instituto Hidrográfico
IHRU — Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana
IMT — Instituto da Mobilidade e dos Transportes
INE — Instituto Nacional de Estatística
INEM — Instituto Nacional de Emergência Médica
INMLCF — Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses
INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
Interreg — European Territorial Cooperation — ETC
IP — Itinerário Principal
InfP — Infraestruturas de Portugal
IPCC — Intergovernmental Panel on Climate Change
IPMA — Instituto Português do Mar e da Atmosfera
IPSS — Instituição Particular de Solidariedade Social
IRN — Instituto dos Registos e do Notariado
ISA — Instituto Superior de Agronomia
ISS — Instituto da Segurança Social
JF — Junta de Freguesia
JRC — Joint Research Centre
JUL — Janela Única Logística
KET — Key Enabling Technologies
LDI — Land Degradation Index
LEADER — Ligações Entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural (Programa)
LMPMAVE — Linha de Máxima Preia-Mar de Águas Vivas Equinociais
LNEG — Laboratório Nacional de Energia e Geologia
LUISA — Territorial Modelling Platform Land Use-based Integrated Sustainability Assessment
MAFDR — Ministério da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural
MAI — Ministério da Administração Interna
Diário da República, 1.ª série
N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 265
MAmb — Ministério do Ambiente
MC — Ministério da Cultura
MCTES — Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
MEcon — Ministério da Economia
MEdu — Ministério da Educação
MF — Ministério das Finanças
MJ — Ministério da Justiça
MMar — Ministério do Mar
MPI — Ministério do Planeamento e das Infraestruturas
MPMA — Ministério da Presidência e da Modernização Administrativa
MS — Ministério da Saúde
MTSSS — Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
NAV — Navegação Aérea de Portugal — NAV Portugal
NEET — Not in Education, Employment, or Training (jovens que não estão a trabalhar, não
frequentam o sistema de ensino, nem estão em formação)
NUTS — Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos
OMS — Organização Mundial de Saúde
ONG — Organização Não-Governamental
ONU — Organização das Nações Unidas
ONGA — Organização Não-Governamental de Ambiente
ONGD — Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento
OOM — Observatório Oceânico da Madeira
OPF — Organização de Produtores Florestais
OT — Ordenamento do Território
PAC — Política Agrícola Comum
PALOP — Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa
PAMUS — Planos de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentável
PANCD — Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação
PDI — Plano Diretor Intermunicipal
PDM — Plano Diretor Municipal
PDR — Programa de Desenvolvimento Rural
PENSAAR — Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas
Residuais 2020
PEM — Posto de Emergência Médica
PEOT — Plano Especial de Ordenamento do Território
PERSU — Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos
PET — Plano Estratégico de Transportes
PETI 3+ (2014-2020) — Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas
PGF — Plano de Gestão Florestal
PGR — Procuradoria-Geral da República
PGRH — Plano de Gestão de Região Hidrográfica
PGRI — Plano de Gestão dos Riscos de Inundações
PIB — Produto Interno Bruto
PIDT&I — Plano de Ação para a Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
da Região Autónoma da Madeira
PME — Pequenas e Médias Empresas
PNA — Plano Nacional da Água
PNAP — Política Nacional de Arquitetura e Paisagem
PNDFCI — Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios
PNPOT — Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
PNR — Programa Nacional de Reformas
POAP — Plano de Ordenamento de Área Protegida
POBH — Plano de Ordenamento de Bacia Hidrográfica
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N.º 170 5 de setembro de 2019 Pág. 266
POC — Programa para a Orla Costeira
PORDATA — Base de Dados Portugal Contemporâneo
POSF — Programa Operacional de Sanidade Florestal
PP — Plano de Pormenor
PPC — Paridade do poder de compra
PPI — Plano de Pormenor Intermunicipal
PPS — Parceria Portuguesa para o Solo
PREPCRAM — Plano Regional de Emergência de Proteção Civil da Região Autónoma da
Madeira
PRN — Plano Rodoviário Nacional
PROF — Programa Regional de Ordenamento Florestal
PROT OVT — Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo
PROT — Plano Regional de Ordenamento do Território
PROTRAM — Plano Regional de Ordenamento da Região Autónoma da Madeira
PS — Plano Setorial
PSP — Polícia de Segurança Pública
PU — Plano de Urbanização
PUI — Plano de Urbanização Intermunicipal
RAA — Região Autónoma dos Açores
RAM — Região Autónoma da Madeira
RAN — Reserva Agrícola Nacional
RCM — Resolução do Conselho de Ministros
RCP — Representative Concentration Pathways
REN — Reserva Ecológica Nacional
REOT — Relatório do Estado do Ordenamento do Território
RFCN — Rede Fundamental de Conservação da Natureza
RGA — Recenseamento Geral da Agricultura
RH — Região Hidrográfica
RJIGT — Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial
RJREN — Regime Jurídico da Reserva Ecológica Nacional
RJSPTP — Regime Jurídico do Serviço Público do Transporte de Passageiros
RLVT — Região de Lisboa e Vale do Tejo
RN2000 — Rede Natura 2000
RNAP — Rede Nacional de Áreas Protegidas
RNCCI — Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
RSES — Rede de Serviços e Equipamentos Sociais
RSI — Rendimento Social de Inserção
RTE-T — Rede Transeuropeia de Transportes
SAU — Superfície Agrícola Utilizada
SCI — Sistema de Contas Integradas
SCML — Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
SCT — Sistema Científico e Tecnológico
SCTA — Sistema Científico e Tecnológico dos Açores
SEALRA — Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa
SEC — Secretário de Estado da Cultura
SECI — Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade
SEF — Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
SEIPD — Secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência
SGMJ — Secretaria-Geral do Ministério da Justiça
SIARL — Sistema de Informação de Apoio à Reposição da Legalidade
SIC — Sítios de Interesse Comunitário
SICAD — Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
SIMPLEX — Simplificação Administrativa e Legislativa
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SIPA — Sistema de Informação para o Património Arquitetónico
SIV — Suporte Imediato de Vida
SNAC — Sistema Nacional de Áreas Classificadas
SNIAMB — Sistema Nacional de Informação de Ambiente
SNIC — Sistema Nacional de Informação Cadastral
SNIG — Sistema Nacional de Informação Geográfica
SNIRH — Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos
SNIT — Sistema Nacional de Informação Territorial
SNM — Subida do Nível Médio do Mar
SNS — Serviço Nacional de Saúde
SPGM — Sistema Português de Garantia Mútua
SPMS — Serviços Partilhados do Ministério da Saúde
SRTT — Sistema Regional de Transferência de Tecnologia
TDT — Televisão Digital Terrestre
TER — Turismo no Espaço Rural
TIC — Tecnologias da Informação e Comunicação
TICE — Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica
TIP — Ambulância Transporte Inter-hospitalar Pediátrico
TIPAU — Tipologia das Áreas Urbanas
TP — Turismo de Portugal
UE — União Europeia
UMIPE — Unidade Móvel de Intervenção Psicológica de Emergência
UMVI — Unidade de Missão valorização do Interior
UNESCO — United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)
URBACT — Programa de Cooperação Territorial Europeia com o objetivo de promover o
desenvolvimento urbano sustentável em cidades da Europa
UTA — Unidade de Trabalho Anual
VAB — Valor Acrescentado Bruto
VIH — Vírus da Imunodeficiência Humana
VMER — Viatura Médica de Emergência e Reanimação
ZC — Zona de Caça
ZEC — Zona Especial de Conservação
ZEE — Zona Económica Exclusiva
ZIF — Zona de Intervenção Florestal
ZPE — Zona de Proteção Especial
112493613
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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS