Diário da República, 1.ª série
Lei n.º 71/2025
- Data
- 2025-12-22
- Tipo
- Lei
- Emitente
- CAPÍTULO II
Sumário
Procede à execução, na ordem jurídica interna, dos Regulamentos (UE) 2017/745 e 2017/746, na parte relativa à investigação clínica e ao estudo de desempenho de dispositivos médicos. TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL
Texto integral (7970 palavras)
Lei n.º 71/2025
1 — O INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, IP (INFARMED, IP),
é a entidade nacional responsável pela aplicação dos Regulamentos (UE) 2017/745 e 2017/746 e é o ponto
de contacto nacional para os efeitos do artigo 101.º do Regulamento (UE) 2017/745 e do artigo 96.º
do Regulamento (UE) 2017/746.
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2 — A Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC) é a comissão de ética competente
para a avaliação ética prevista nos capítulos vi do Regulamentos n.º 2017/745 e do Regulamento
(UE) 2017/746, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
3 — A CEIC pode designar uma das comissões de ética, previstas no Decreto-Lei n.º 80/2018, de
15 de outubro, e que integram a Rede Nacional das Comissões de Ética para a Saúde, para proceder
à avaliação prevista no número anterior, desde que observado o disposto nos n.os 1 e 2 do artigo 71.º do
Regulamento (UE) 2017/745 e o disposto nos n.os 1 e 2 do artigo 67.º do Regulamento (UE) 2017/746.
4 — O INFARMED, IP, e a CEIC estabelecem as formas de articulação necessárias ao cumprimento
dos prazos e procedimentos previstos nos Regulamentos acima referidos.
CAPÍTULO III
Disposições específicas relativas à investigação clínica de dispositivos
Artigo 5.º
Investigações clínicas a que se refere o artigo 82.º do Regulamento
1 — Uma investigação clínica a que se refere o n.º 1 do artigo 82.º do Regulamento (UE) 2017/745,
no caso de o promotor pretender avaliar o dispositivo sem marcação CE, ou que já ostenta marcação CE
fora do âmbito da finalidade prevista pelo fabricante, está sujeita ao regime de autorização previsto
para as investigações clínicas a que ser refere o artigo 62.º do referido Regulamento.
2 — Uma investigação clínica a que se refere o n.º 1 do artigo 82.º do Regulamento (UE) 2017/745,
no caso de o promotor pretender avaliar o dispositivo que já ostenta marcação CE no mesmo âmbito
da finalidade prevista pelo fabricante, sempre que a inclusão de qualquer participante seja previamente
fixada por um protocolo de estudo em que não se verifiquem as condições do n.º 2 do artigo 40.º da
presente lei, está sujeita ao regime de notificação previsto no artigo 74.º do Regulamento (UE) 2017/745.
Artigo 6.º
Apresentação de pedido, validação e avaliação
1 — O pedido para condução de uma investigação clínica, para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 62.º
do Regulamento (UE) 2017/745, realizado de acordo com o artigo 70.º do Regulamento (UE) 2017/745
e a notificação de uma investigação clínica a que se refere o artigo 74.º do Regulamento (UE) 2017/745,
são apresentados através do sistema eletrónico previsto no artigo 73.º do Regulamento (UE) 2017/745,
acompanhados de toda a documentação referida no anexo xv, capítulo ii do Regulamento (UE) 2017/745.
2 — O pedido para condução de uma investigação clínica a que se refere o n.º 1 do artigo 5.º da
presente lei, está igualmente sujeito ao regime de autorização do artigo 70.º do Regulamento (UE)
2017/745, sendo no entanto apresentados através do sistema eletrónico previsto no artigo 19.º da
presente lei, acompanhado de toda a documentação referida no anexo xv, capítulo ii do Regulamento
(UE) 2017/745, sem prejuízo de, em situações devidamente justificadas e aprovadas pelo INFARMED, IP,
ser excecionada a apresentação de determinada documentação.
3 — As notificações das investigações clínicas, a que se refere o n.º 2 do artigo 5.º da presente
lei, estão sujeitas ao procedimento previsto no artigo 74.º do Regulamento (UE) 2017/745, sendo no
entanto apresentados através do sistema eletrónico previsto no artigo 19.º da presente lei, acompa-
nhadas de toda a documentação referida no anexo xv, capítulo ii do Regulamento (UE) 2017/745, sem
prejuízo de, em situações devidamente justificadas e aprovadas pelo INFARMED, IP, ser excecionada
a apresentação de determinada documentação.
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4 — Nos termos e prazos previstos nos n.os 1 a 5 do artigo 70.º do Regulamento (UE) 2017/745
o INFARMED, IP, aprecia a validade do pedido, confirmando:
a) Se a investigação clínica é abrangida pelo âmbito de aplicação do Regulamento (UE) 2017/745; e
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b) Se o dossiê do pedido está completo em conformidade com o anexo xv, capítulo ii do Regula-
mento (UE) 2017/745, tendo igualmente em consideração o parecer, de natureza vinculativa, emitido
pela CEIC, relativo aos elementos constantes do referido anexo relevantes para a avaliação ética.
5 — Considerando-se válido o pedido, a sua conformidade com os aspetos científicos e éticos
previstos no Regulamento (UE) 2017/745 é avaliada pelo INFARMED, IP, e pela CEIC, respetivamente,
de acordo com o disposto nos artigos 70.º e 71.º do Regulamento (UE) 2017/745.
6 — As notificações de alterações substanciais a que se refere o artigo 75.º do Regulamento
(UE) 2017/745 são apresentadas através do Sistema eletrónico previsto no artigo 73.º do Regulamento
(UE) 2017/745 e acompanhada de uma versão atualizada da documentação pertinente referida no capí-
tulo ii do anexo xv do Regulamento (UE) 2017/745, devendo as alterações ser claramente identificáveis.
7 — O disposto no artigo 75.º do Regulamento (UE) 2017/745 aplica-se às investigações clínicas
a que se refere o artigo 5.º da presente lei, sendo as notificações de alterações substanciais apresentadas
através do sistema eletrónico previsto no artigo 19.º da presente lei, e acompanhadas de uma versão
atualizada da documentação pertinente referida no anexo xv, capítulo ii do Regulamento (UE) 2017/745,
devendo as alterações ser claramente identificáveis.
8 — A conformidade das notificações de alterações substanciais é avaliada, quanto aos aspetos
científicos e éticos, pelo INFARMED, IP, e pela CEIC, respetivamente, de acordo com o disposto nos
artigos 71.º e 75.º do Regulamento (UE) 2017/745.
Artigo 7.º
Decisões
1 — O INFARMED, IP, é a entidade responsável pelas decisões a proferir no âmbito dos processos
de investigação clínica nos termos previstos no Regulamento (UE) 2017/745 e na presente lei, caben-
do-lhe proceder às respetivas notificações.
2 — A decisão relativa a um pedido de autorização de investigação clínica fundamenta-se nos
resultados da avaliação científica e ética, previstas no artigo 62.º e 71.º do Regulamento (UE) 2017/745,
e incorpora obrigatoriamente o parecer vinculativo da CEIC.
3 — As decisões a proferir sobre notificações relativas à realização de investigação clínica e sobre
alterações substanciais previstas no Regulamento (UE) 2017/745 e na presente lei consideram o parecer
vinculativo da CEIC na parte em que esta é responsável pela referida avaliação.
4 — Das decisões referidas no presente artigo cabe impugnação administrativa, por recurso tutelar
para o membro de Governo responsável pela área da saúde, bem como reação contenciosa, nos termos
gerais de direito.
Artigo 8.º
Medidas corretivas
Quando existirem razões objetivas para considerar que deixaram de ser cumpridos os requisitos
estabelecidos no Regulamento (UE) 2017/745 ou na presente lei, o INFARMED, IP, pode, por sua iniciativa
ou a pedido da CEIC, nos termos do artigo 76.º do Regulamento (UE) 2017/745, revogar a autorização da
investigação clínica, suspender ou encerrar a investigação clínica, ou exigir ao promotor a alteração de
qualquer aspeto da investigação clínica.
Artigo 9.º
Proteção dos participantes na investigação clínica
e consentimento esclarecido
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1 — Para além do disposto no Regulamento (UE) 2017/745 quanto à proteção dos participantes da
investigação clínica e ao consentimento esclarecido, a participação de participantes na investigação
clínica observa ainda o disposto nos artigos 10.º a 12.º da presente lei.
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2 — Para efeitos do disposto no Regulamento (UE) 2017/745 e na presente lei o representante
legalmente autorizado é uma pessoa singular ou coletiva, uma entidade ou um organismo que tem
poderes, para dar o consentimento esclarecido em nome de um participante incapaz ou de um menor,
de acordo com a legislação nacional respetivamente aplicável.
Artigo 10.º
Investigação clínica em menores
1 — A realização de investigação clínica em menores deve respeitar a sua vontade em participar.
2 — No caso de menor com idade igual ou superior a 16 anos, a sua participação só pode ocorrer
se, para além do consentimento esclarecido do seu representante legalmente autorizado, for obtido
o seu assentimento que obrigatoriamente deve revestir a forma escrita.
3 — Para efeitos do disposto no n.º 1, sempre que o menor, ainda que com menos de 16 anos, seja
capaz de formar uma opinião e avaliar a informação que lhe é prestada, deve ser obtido, independente-
mente da forma, o seu assentimento, para além do consentimento esclarecido do seu representante legal.
4 — O consentimento esclarecido e o assentimento referidos nos números anteriores podem ser
revogados a todo o tempo, sem prejuízo para o menor.
5 — O disposto nos números anteriores é também aplicável para efeitos do disposto na alínea a)
do n.º 2 do artigo 68.º do Regulamento (UE) 2017/745.
6 — Sempre que, no decurso de uma investigação clínica, o menor atinja os 16 anos de idade, deve,
antes que este possa continuar a sua participação na investigação clínica, obter-se o seu assentimento,
o qual revestir obrigatoriamente a forma escrita, sem prejuízo de se manter válido o consentimento do
seu representante legalmente autorizado.
7 — Sempre que, no decurso de uma investigação clínica, o menor atinja a maioridade, deve obter-se
expressamente o seu consentimento esclarecido, que obrigatoriamente deve revestir a forma escrita,
antes que este possa continuar a sua participação na investigação clínica, nos termos previstos na
alínea i) do artigo 65.º do Regulamento (UE) 2017/745.
8 — Um menor sujeito a medida de acolhimento ou a medida institucional, nos termos da legis-
lação, não pode ser sujeito a uma investigação clínica, salvo se da não participação na investigação
clínica resultar um potencial prejuízo ou desvantagem para o menor.
9 — As circunstâncias referidas no número anterior devem ser atestadas pelo médico assistente.
Artigo 11.º
Responsabilidade e compensação por danos
1 — O promotor e o investigador respondem, de forma solidária e independentemente de culpa, pelos
danos patrimoniais e não patrimoniais que a investigação clínica cause ao participante da investigação.
2 — O promotor deve obrigatoriamente contratar um seguro destinado a cobrir a responsabilidade
civil referida no número anterior, adequado à natureza e à extensão do risco.
3 — Sem prejuízo do disposto no número seguinte, os danos que afetem a saúde do participante
da investigação clínica durante a sua realização e no ano seguinte à conclusão da sua participação
presumem-se causados pela investigação clínica.
4 — A CEIC pode, atendendo à natureza da investigação clínica, no âmbito da respetiva avaliação,
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determinar fundamentadamente um prazo de presunção superior ao previsto no número anterior.
5 — A avaliação efetuada pelo INFARMED, IP, ou pela CEIC não constitui causa de exclusão ou de
limitação da responsabilidade prevista no presente artigo.
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6 — O disposto no Regulamento (UE) 2017/745 e na presente lei não constitui fundamento para
eximir o promotor, o investigador, os membros da respetiva equipa de investigação ou o centro de
investigação das formas de responsabilidade disciplinar, civil, contraordenacional ou penais estabe-
lecidas na lei.
Artigo 12.º
Fornecimento gratuito e uso compassivo
1 — Os dispositivos experimentais, os acessórios de dispositivos médicos, e demais dispositivos neces-
sários à sua utilização, bem como os dispositivos comparadores, os medicamentos a administrar, os custos
das consultas e tratamentos, e dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, são fornecidos
gratuitamente pelo promotor, sem prejuízo de compensações adicionais a estabelecer no contrato, quando:
a) A sua utilização decorra do protocolo de investigação clínica aprovado e seja adicional à prática
clínica estabelecida ou corrente para cada centro de investigação clínica em concreto;
b) Ainda não ostentem marcação CE;
c) Apesar de ostentarem marcação CE sejam estudados para uma finalidade diferente, nova popu-
lação, novos materiais ou alterações no desenho em relação ao previsto na avaliação da conformidade;
d) Apesar de ostentarem marcação CE sejam utilizados na recolha de dados adicionais relevan-
tes para a caraterização do seu desempenho e segurança, estejam no limiar de eventuais finalidades
diferentes ou subpopulações específicas.
2 — O pedido de investigação clínica é acompanhado de um resumo dos elementos probatórios
do desempenho e/ou segurança relativos ao dispositivo, e que estiveram na origem da aposição da
marcação CE e que complementem o racional da investigação clínica, cabendo à CEIC avaliar a infor-
mação sobre as condições de fornecimento por parte do promotor.
3 — Após a conclusão da investigação clínica, os dispositivos experimentais, os acessórios de
dispositivos médicos, e demais dispositivos e medicamentos necessários à sua utilização referidos no
n.º 1 devem ser fornecidos gratuitamente ao participante da investigação clínica, sob responsabilidade
do promotor, até à garantia da sua disponibilização efetiva no mercado nacional e no Serviço Nacional
de Saúde, e desde que o investigador considere indispensável a continuação da sua utilização pelo
participante, por não existirem alternativas de benefício clínico, de desempenho e segurança equipa-
ráveis, ou por a sua substituição não ser clinicamente adequada.
4 — Para efeitos do disposto no número anterior, o investigador deve:
a) Obter o consentimento informado do participante na investigação clínica ou do seu represen-
tante legalmente autorizado;
b) Elaborar um relatório clínico justificativo da necessidade de continuação da disponibilização
dos produtos ou procedimentos;
c) Comunicar, no mais curto prazo possível, ao INFARMED, IP, à CEIC, e ao responsável pelo centro
de investigação clínica a continuação da disponibilização do fornecimento previsto no número anterior;
d) Notificar o INFARMED, IP, e a CEIC dos acontecimentos adversos graves e defeitos dos dispo-
sitivos que ocorram no decurso da sua utilização.
Artigo 13.º
Contrato
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1 — O promotor celebra com o centro de investigação clínica um contrato, que integra as disposições
financeiras e outras designadamente os aspetos a que se refere o n.º 3.1.4 do capítulo ii do anexo xv
do Regulamento (UE) 2017/745 e que integram o pedido e foram objeto de avaliação e aprovação no
âmbito dos procedimentos referidos no artigo 6.º da presente lei.
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2 — O contrato que contemple os termos e condições referidas no número anterior pode ser for-
malizado antes, durante ou imediatamente após a notificação ao promotor da decisão sobre o pedido
ou notificação de investigação clínica, só podendo, no entanto, e em qualquer caso, produzir os seus
efeitos, após a notificação da decisão a que se refere o artigo 7.º da presente lei.
3 — O INFARMED, IP, em articulação com a CEIC pode divulgar orientações quanto ao que se refere o n.º 1.
4 — É aplicável quanto à remuneração do investigador o disposto no artigo 14.º da Lei n.º 21/2014,
de 16 de abril.
Artigo 14.º
Rastreabilidade, armazenamento, devolução e destruição
dos dispositivos experimentais
1 — Nos centros de investigação clínica, os dispositivos experimentais, os acessórios de dispositivos
médicos, e demais dispositivos necessários à sua utilização, bem como os dispositivos comparadores
e os medicamentos a administrar, devem ser armazenados, devolvidos ou destruídos em termos que
garantam a respetiva rastreabilidade.
2 — Para efeitos do disposto no número anterior, o centro de investigação assegura que são reali-
zados e mantidos registos da confirmação da receção, do armazenamento, da preparação, da dispensa,
da recolha, da devolução e da destruição dos dispositivos experimentais e demais dispositivos neces-
sários à sua utilização, bem como os dispositivos comparadores, e dos medicamentos a administrar,
garantindo a respetiva rastreabilidade.
3 — As informações pertinentes relativas à rastreabilidade, armazenamento, devolução e destruição
dos dispositivos experimentais, os acessórios de dispositivos médicos, e demais dispositivos neces-
sários à sua utilização, bem como os dispositivos comparadores e os medicamentos a administrar,
devem constar na documentação do pedido de realização ou da notificação de investigação clínica.
Artigo 15.º
Notificação de informações de segurança
1 — As notificações de acontecimentos adversos graves e de defeitos dos dispositivos, e respeti-
vas atualizações, relativos a uma investigação clínica a que se refere o n.º 1 do artigo 5.º da presente
lei, são também sujeitos ao regime de registo e notificação previsto no artigo 80.º do Regulamento
(UE) 2017/745, sendo, no entanto, apresentadas através do sistema eletrónico previsto no artigo 19.º
da presente lei.
2 — À investigação clínica a que se refere o n.º 2 do artigo 5.º da presente lei, é aplicável o disposto
nos n.os 5 e 6 do artigo 80.º do Regulamento (UE) 2017/745.
Artigo 16.º
Avaliação de informações de segurança
O INFARMED, IP, avalia as notificações de acontecimentos adversos graves e de defeitos dos
dispositivos, e respetivas atualizações, a que se refere o artigo 80.º do Regulamento (UE) 2017/745.
Artigo 17.º
Conclusão da investigação clínica
A notificação da informação da parte do promotor, relativa ao fim de uma investigação clínica a que
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se refere o artigo 5.º da presente lei, ou relativa a interrupção temporária ou conclusão antecipada da
mesma, é também sujeita ao regime previsto no artigo 77.º do Regulamento (UE) 2017/745, sendo, no
entanto, apresentada através do sistema eletrónico previsto no artigo 19.º da presente lei.
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Artigo 18.º
Idioma
1 — Os documentos que integram o dossiê do pedido de realização ou da notificação da inves-
tigação clínica bem como do dossiê da notificação de alteração substancial são redigidos em língua
portuguesa ou em língua inglesa, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 — Os documentos que integram o dossiê de uma investigação clínica dirigidos aos participantes,
bem como os correspondentes documentos que integram a notificação de alteração substancial, são
obrigatoriamente redigidos em língua portuguesa, salvo em casos excecionais devidamente justificados,
avaliados pela CEIC e autorizados pelo INFARMED, IP.
3 — As informações constantes dos rótulos e dos folhetos de instruções dos dispositivos expe-
rimentais, dos acessórios dos dispositivos médicos experimentais e dos dispositivos comparadores
e ainda o resumo do relatório da investigação clínica a que se refere o n.º 5 do artigo 77.º do Regulamento
(UE) 2017/745, são redigidas em língua portuguesa, com exceção dos casos devidamente justificados
e autorizados pelo INFARMED, IP.
Artigo 19.º
Sistema eletrónico nacional
Sem prejuízo do disposto no artigo 73.º do Regulamento (UE) 2017/745, quanto ao funcionamento
do sistema eletrónico europeu, o INFARMED, IP, é responsável por um sistema eletrónico nacional que
garanta a apresentação de pedidos ou notificações relativas a investigações clínicas realizadas de
acordo com o artigo 5.º da presente lei, bem como a atualização da informação e a divulgação dessas
investigações clínicas.
CAPÍTULO IV
Disposições específicas relativas a estudos de desempenho
de dispositivos médicos para diagnóstico in vitro
Artigo 20.º
Apresentação de pedido, validação e avaliação
1 — Os pedidos relativos a estudos de desempenho, para os efeitos previstos no artigo 58.º, rea-
lizados de acordo com o artigo 66.º do Regulamento (UE) 2017/746, e as notificações dos estudos de
desempenho a que se refere o artigo 70.º do Regulamento (UE) 2017/746, são apresentados através
do sistema eletrónico previsto no artigo 69.º do Regulamento (UE) 2017/746, acompanhados de toda
a documentação referida nas secções 2 e 3 do anexo xiii e no anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746.
2 — Nos termos e prazos previstos nos n.os 1 a 5 do artigo 66.º do Regulamento (UE) 2017/746,
o INFARMED, IP, aprecia a validade do pedido, confirmando:
a) Se o estudo de desempenho é abrangido pelo âmbito de aplicação do Regulamento (UE) 2017/746; e
b) Se o dossiê do pedido está completo em conformidade com as secções 2 e 3 do anexo xiii
e o anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746, tendo igualmente em consideração o parecer vinculativo,
emitido pela CEIC, relativo aos elementos constantes dos referidos anexos relevantes para a avaliação ética.
3 — Considerando-se válido o pedido, a sua conformidade com os aspetos científicos e éticos
previstos no Regulamento (UE) 2017/746 é avaliada pelo INFARMED, IP, e pela CEIC, respetivamente,
de acordo com o disposto nos artigos 66.º e 67.º do Regulamento (UE) 2017/746.
4 — As notificações de alterações substanciais a que se refere o artigo 71.º do Regulamento
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(UE) 2017/746 são apresentadas através do sistema eletrónico previsto no artigo 69.º do Regulamento
(UE) 2017/746 e acompanhadas de uma versão atualizada da documentação pertinente referida nas
secções 2 e 3 do anexo xiii e no anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746, devendo as alterações ser
claramente identificáveis.
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5 — A conformidade das notificações de alterações substanciais é avaliada, quanto aos aspetos
científicos e éticos, pelo INFARMED, IP, e pela CEIC, respetivamente, de acordo com o disposto nos
artigos 67.º e 71.º do Regulamento (UE) 2017/746.
6 — As notificações dos estudos de desempenho referidas no n.º 2 do artigo 58.º do Regulamento
(UE) 2017/746, que impliquem testes de seleção da terapêutica (companion diagnostics) utilizando ape-
nas o remanescente das amostras anteriormente testadas, são apresentadas ao INFARMED, IP, através
dos meios eletrónicos, acompanhados de toda a documentação pertinente referida nas secções 2 e 3 do
anexo xiii, e no anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746, sem prejuízo de em situações devidamente jus-
tificadas e aprovadas pelo INFARMED, IP, ser excecionada a apresentação de determinada documentação.
7 — Para efeitos do número anterior o INFARMED, IP, procede à publicitação da informação no
seu sítio na Internet.
Artigo 21.º
Decisão
1 — O INFARMED, IP, é a entidade responsável pelas decisões a proferir no âmbito dos pedidos
de autorização e notificação de estudos de desempenho, previstos nos artigos 57.º, 58.º e 70.º do
Regulamento (UE) 2017/746, e de alterações substanciais, previstas no artigo 71.º do Regulamento
(UE) 2017/746, cabendo-lhe proceder às respetivas notificações.
2 — A decisão relativa a um pedido de autorização de estudo de desempenho realizada de acordo
com os artigos 57.º e 58.º do Regulamento (UE) 2017/746, fundamenta-se nos resultados da avaliação
científica e ética, previstas nos artigos 57.º, 58.º e 67.º do Regulamento (UE) 2017/746, e incorpora
obrigatoriamente o parecer vinculativo da CEIC.
3 — A decisão relativa a uma notificação de estudo de desempenho realizado de acordo com
o artigo 70.º do Regulamento (UE) 2017/746, fundamenta-se nos resultados da avaliação científica e ética,
previstas nas alíneas b) a l) e p) do n.º 5 do artigo 58.º, no artigo 71.º, no artigo 72.º, no artigo 73.º e no n.º 5
do artigo 76.º do Regulamento (UE) 2017/746, bem como, nas disposições aplicáveis dos anexos xiii e xiv.
4 — A decisão relativa a uma notificação de alteração substancial fundamenta-se na avaliação
realizada nos temos previstos no artigo 71.º do Regulamento (UE) 2017/746 e considera o parecer
vinculativo da CEIC na parte em que esta é responsável pela referida avaliação.
5 — Sem prejuízo do disposto no artigo 22.º da presente lei, as notificações dos estudos de desem-
penho a que se refere o n.º 6 do artigo 20.º da presente lei, não estão sujeitas a decisão pelo INFARMED, IP.
6 — Das decisões referidas no presente artigo cabe impugnação administrativa, por recurso tutelar
para o membro do Governo responsável pela área da saúde, bem como reação contenciosa, nos termos
gerais de direito.
Artigo 22.º
Medidas corretivas
Quando existirem razões objetivas para considerar que deixaram de ser cumpridos os requisitos
estabelecidos no Regulamento (UE) 2017/746 ou na presente lei, o INFARMED, IP, pode, por sua iniciativa
ou a pedido da CEIC, nos termos do artigo 72.º do Regulamento (UE) 2017/746, revogar a autorização
do estudo de desempenho, suspender ou encerrar o estudo de desempenho, ou exigir ao promotor
a alteração de qualquer aspeto do estudo de desempenho.
Artigo 23.º
Proteção dos participantes na realização de estudos
de desempenho e consentimento esclarecido
Lei n.º 71/2025
1 — Para além do disposto no Regulamento (UE) 2017/746 quanto à proteção dos participantes
na realização de estudos de desempenho e ao consentimento esclarecido, a participação na realização
de estudos de desempenho observa o disposto nos artigos 24.º a 26.º da presente lei.
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N.º 245
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2 — Para efeitos do disposto no Regulamento (UE) 2017/746 e na presente lei o representante
legalmente autorizado é uma pessoa singular ou coletiva, uma entidade ou um organismo que tem
poderes, para dar o consentimento esclarecido em nome de um participante incapaz ou de um menor,
de acordo com a legislação nacional respetivamente aplicável.
Artigo 24.º
Estudos de desempenho com menores
1 — A realização de estudos de desempenho com menores deve respeitar a vontade destes em participar.
2 — No caso de menor com idade igual ou superior a 16 anos, a sua participação só pode ocorrer
se, para além do consentimento esclarecido do seu representante legalmente autorizado, for obtido
o seu assentimento, que obrigatoriamente deve revestir a forma escrita.
3 — Para efeitos do disposto no n.º 1, sempre que o menor, ainda que com menos de 16 anos, seja
capaz de formar uma opinião e avaliar a informação que lhe é prestada, deve ser obtido, independente-
mente da forma, o seu assentimento, para além do consentimento esclarecido do seu representante legal.
4 — O consentimento esclarecido e o assentimento referidos nos números anteriores podem ser
revogados a todo o tempo, sem prejuízo para o menor.
5 — O disposto nos números anteriores é também aplicável para efeitos do disposto na alínea a)
do n.º 2 do artigo 64.º do Regulamento (UE) 2017/746.
6 — Sempre que, no decurso da realização do estudo de desempenho, o menor atinja os 16 anos
de idade, deve, antes que este possa continuar a sua participação estudos clínicos, obter-se o seu
assentimento, o qual deve obrigatoriamente revestir a forma escrita, sem prejuízo de se manter válido
o consentimento do seu representante legalmente autorizado.
7 — Sempre que, no decurso da realização do estudo de desempenho, o menor atinja a maioridade,
deve obter-se expressamente o seu consentimento esclarecido que obrigatoriamente deve revestir
a forma escrita antes que este possa continuar a sua participação estudos clínicos, nos termos pre-
vistos na alínea i) do n.º 1 do artigo 61.º do Regulamento (UE) 2017/746.
8 — Um menor sujeito a medida de acolhimento ou a medida institucional, nos termos da legislação,
não pode ser sujeito à realização do estudo de desempenho salvo se da não participação no estudo
resultar um potencial prejuízo ou desvantagem para o menor.
9 — As circunstâncias referidas no número anterior devem ser atestadas pelo médico assistente.
Artigo 25.º
Responsabilidade e compensação por danos
1 — O promotor e o investigador respondem, de forma solidária e independentemente de culpa,
pelos danos patrimoniais e não patrimoniais que o estudo de desempenho cause ao participante do
estudo de desempenho.
2 — O promotor deve obrigatoriamente contratar um seguro destinado a cobrir a responsabilidade
civil referida no número anterior, adequada à natureza e à extensão do risco.
3 — Sem prejuízo do disposto no número seguinte, os danos que afetem a saúde do participante
do estudo de desempenho durante a sua realização e no ano seguinte à conclusão da sua participação
presumem-se causados pelo estudo de desempenho.
4 — A CEIC pode, atendendo à natureza do estudo de desempenho, no âmbito da respetiva avalia-
Lei n.º 71/2025
ção, determinar fundamentadamente um prazo de presunção superior ao previsto no número anterior.
5 — A avaliação efetuada pelo INFARMED, IP, ou pela CEIC não constitui causa de exclusão ou de
limitação da responsabilidade prevista no presente artigo.
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6 — O disposto no Regulamento (UE) 2017/746 e na presente lei não constitui fundamento para
eximir o promotor, o investigador, os membros da respetiva equipa de estudo ou o centro de estudo
de desempenho das formas de responsabilidade disciplinar, civil, contraordenacional ou penais esta-
belecidas na lei.
Artigo 26.º
Fornecimento gratuito e uso compassivo
1 — Os dispositivos para estudo de desempenho e seus acessórios, bem como os dispositivos
médicos para diagnóstico in vitro comparadores, equipamentos, consumíveis, reagentes, calibrado-
res, materiais de controlo e software, utilizados nos estudos de desempenho, assim como todos os
medicamentos e dispositivos médicos necessários para os referidos estudos e custos das consultas
e tratamentos, e dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, são fornecidos gratuitamente
pelo promotor, sem prejuízo de compensações adicionais a estabelecer no contrato, quando:
a) A sua utilização decorra do protocolo de estudo de desempenho aprovado e seja adicional
à prática clínica estabelecida ou corrente para cada centro de estudo em concreto;
b) Ainda não ostentem marcação CE;
c) Apesar de ostentarem marcação CE sejam estudados para uma finalidade diferente ou nova
população relativamente ao previsto na avaliação da conformidade;
d) Apesar de ostentarem marcação CE sejam utilizados na recolha de dados adicionais relevantes
para a caraterização do seu desempenho.
2 — O pedido de estudo de desempenho é acompanhado de um resumo dos elementos probatórios
do desempenho relativo ao dispositivo médico para diagnóstico in vitro, e que estiveram na origem da
aposição da marcação CE e que complementem o racional do estudo de desempenho, cabendo à CEIC
avaliar a informação sobre as condições de fornecimento por parte do promotor.
3 — Após a conclusão do estudo de desempenho, os dispositivos para estudo de desempenho
e seus acessórios, equipamentos, consumíveis, reagentes, calibradores, materiais de controlo e software
necessários à sua utilização referidos no n.º 1 devem ser fornecidos gratuitamente ao participante do
estudo de desempenho, sob responsabilidade do promotor, até à garantia da sua disponibilização efetiva
no mercado nacional e no Serviço Nacional de Saúde, e desde que o investigador considere indispensável
a continuação da sua utilização pelo participante, por não existirem alternativas de benefício clínico,
de desempenho e segurança equiparáveis, ou por a sua substituição não ser clinicamente adequada.
4 — Para efeitos do disposto no número anterior, o investigador deve:
a) Obter o consentimento informado do participante do estudo de desempenho ou do seu repre-
sentante legalmente autorizado;
b) Elaborar um relatório clínico justificativo da necessidade de continuação da disponibilização
dos produtos ou procedimentos;
c) Comunicar ao INFARMED, IP, à CEIC, e ao responsável pelo centro de estudo de desempenho, no
prazo máximo de um mês, a continuação da disponibilização do fornecimento previsto no número anterior;
d) Notificar o INFARMED, IP, e a CEIC dos acontecimentos adversos graves e defeitos de dispositivo
que ocorram no decurso da utilização dos dispositivos médicos para diagnóstico in vitro para estudo
de desempenho e seus acessórios.
Artigo 27.º
Contrato
Lei n.º 71/2025
1 — O promotor, celebra com o centro de estudo de desempenho um contrato, que integra as
condições do estudo as transações financeiras e compensações pagas aos participantes do estudo,
ao investigador e ao centro de estudo, que integram o pedido e foram objeto de avaliação e aprovação
no âmbito dos procedimentos referidos nos n.os 1 a 5 do artigo 20.º da presente lei.
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2 — O contrato que contemple os termos e condições referidas no número anterior, pode ser for-
malizado antes, durante ou imediatamente após a notificação ao promotor da decisão sobre o pedido
ou a notificação do estudo de desempenho, só podendo, no entanto, e em qualquer caso, produzir os
seus efeitos, após a notificação de decisão a que se refere o artigo 20.º da presente lei.
3 — O INFARMED, IP, em articulação com a CEIC pode divulgar orientações quanto ao que se refere o n.º 1.
4 — É aplicável quanto à remuneração do investigador o disposto no artigo 14.º da Lei n.º 21/2014,
de 16 de abril.
Artigo 28.º
Rastreabilidade, armazenamento, devolução e destruição
dos dispositivos para estudo de desempenho
1 — Nos centros de estudo de desempenho, os dispositivos médicos para diagnóstico in vitro para
estudo de desempenho e seus acessórios, bem como os dispositivos médicos para diagnóstico in vitro
comparadores, equipamentos, consumíveis, reagentes, calibradores, materiais de controlo e software
utilizados nos estudos de desempenho, assim como todos os medicamentos e dispositivos médicos
necessários para os referidos estudos, devem ser armazenados, devolvidos ou destruídos em termos
que garantam a respetiva rastreabilidade.
2 — Para efeitos do disposto no número anterior, o centro de estudo assegura que são realizados
e mantidos registos da confirmação da receção, do armazenamento, da preparação, da dispensa, da
recolha, da devolução e da destruição dos dispositivos médicos para diagnóstico in vitro para estudo
de desempenho e dos seus acessórios, equipamentos, consumíveis, reagentes, calibradores, materiais
de controlo e software, garantindo a respetiva rastreabilidade.
3 — As informações pertinentes relativas à rastreabilidade, armazenamento, devolução e destrui-
ção dos dispositivos médicos para diagnóstico in vitro para estudo de desempenho e seus acessórios,
bem como os dispositivos médicos para diagnóstico in vitro comparadores, equipamentos, consumí-
veis, reagentes, calibradores, materiais de controlo e software utilizados nos estudos de desempenho,
assim como todos os medicamentos e dispositivos médicos necessários para os referidos estudos,
devem constar na documentação do pedido de realização ou da notificação do estudo de desempenho.
Artigo 29.º
Avaliação de informações de segurança
O INFARMED, IP, avalia as notificações de acontecimentos adversos graves e de defeitos dos
dispositivos e respetivas atualizações a que se refere o artigo 76.º do Regulamento (UE) 2017/746.
Artigo 30.º
Idioma
1 — Os documentos que integram o dossiê do pedido de realização ou da notificação de um estudo
de desempenho bem como do dossiê da notificação de alteração substancial são redigidos em língua
portuguesa ou em língua inglesa, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 — Os documentos que integram o dossiê de um estudo de desempenho dirigidos aos participantes,
bem como os correspondentes documentos que integram a notificação de alterações substanciais são
obrigatoriamente redigidos em língua portuguesa, salvo em casos excecionais devidamente justificados,
avaliados pela CEIC e autorizados pelo INFARMED, IP.
3 — As informações constantes dos rótulos e dos folhetos de instruções dos dispositivos para
Lei n.º 71/2025
estudo de desempenho, dos seus acessórios e dos dispositivos médicos para diagnóstico in vitro
comparadores, e ainda o resumo do relatório do estudo de desempenho a que se refere o n.º 5 do
artigo 73.º do Regulamento (UE) 2017/746, são redigidas em língua portuguesa, com exceção dos
casos devidamente justificados e autorizados pelo INFARMED, IP.
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CAPÍTULO V
Fiscalização e controlo
Artigo 31.º
Entidade competente para a fiscalização
1 — Compete ao INFARMED, IP, a fiscalização e o controlo do cumprimento das disposições cons-
tantes dos Regulamentos (UE) 2017/745 e 2017/746 e da presente lei, sem prejuízo das competências
atribuídas por lei a outras entidades.
2 — O INFARMED, IP, credencia os seus trabalhadores para efeitos do disposto no número anterior.
3 — A fiscalização do INFARMED, IP, abrange:
a) Todos os centros ou centros de investigação ou centros de estudos de desempenho, como
sejam estabelecimentos, instituições, laboratórios, unidades ou locais de saúde, públicos, privados ou
do setor social, onde a investigação clínica ou o estudo de desempenho se realize;
b) O local de fabrico, do dispositivo experimental ou do dispositivo para estudo de desempenho, quando
estabelecido em território nacional.
Artigo 32.º
Conservação da documentação
1 — A documentação necessária para fornecer elementos de prova relativos ao capítulo ii do
anexo xv do Regulamento (UE) 2017/745 e ao capítulo i do anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746,
deve ser adequadamente conservada pelo período estabelecido no capítulo iii do anexo xv do Regu-
lamento (UE) 2017/745 e no capítulo ii do anexo xiv do Regulamento (UE) 2017/746, respetivamente,
e estar disponível para consulta.
2 — O INFARMED, IP, pode, a qualquer momento, solicitar e avaliar toda a documentação referida
no artigo anterior.
3 — Em caso de falência ou cessação de atividade do promotor ou da sua pessoa de contacto ou do
representante legal, devidamente estabelecido em território nacional, antes do termo do período referido
no n.º 1, os respetivos sócios, administradores, gerentes, liquidatários, o administrador judicial provisório
ou o administrador de insolvência, devem garantir o acesso da documentação à autoridade competente.
CAPÍTULO VI
Infrações, sanções e coimas
Artigo 33.º
Contraordenações
1 — Sem prejuízo da responsabilidade criminal, disciplinar, civil e das sanções ou medidas admi-
nistrativas a cuja aplicação houver lugar, constitui contraordenação a infração às disposições previstas
nos Regulamentos (UE) 2017/745 e 2017/746 e na presente lei, nos termos dos números seguintes.
2 — São sancionadas com coimas de € 500 a € 50 000, no caso de pessoas singulares, ou de
€ 5000 a € 750 000, no caso de pessoas coletivas:
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a) A realização de investigação clínica sem o pedido ou a notificação nos termos previstos no
Regulamento (UE) 2017/745 e na presente lei, bem como a realização de investigação clínica em descon-
formidade com os termos em que a notificação foi realizada, em violação do disposto nos artigos 62.º,
70.º e 74.º do referido Regulamento ou no artigo 6.º da presente lei;
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b) A realização de estudo de desempenho sem o pedido ou notificação nos termos previstos no
Regulamento (UE) 2017/746 e na presente lei, bem como a realização do estudo de desempenho em
desconformidade com os termos em que a notificação foi realizada, em violação do disposto nos arti-
gos 57.º, 58.º, 66.º e 70.º do Regulamento (UE) 2017/746 ou no artigo 20.º da presente lei;
c) O incumprimento das obrigações de notificação relativas às alterações substanciais das investiga-
ções clínicas previstas no artigo 75.º do Regulamento (UE) 2017/745 ou no n.º 6 do artigo 6.º da presente lei;
d) O incumprimento das obrigações de notificação relativas às alterações substanciais dos estudos de
desempenho previstas no artigo 71.º do Regulamento (UE) 2017/746 ou no n.º 5 do artigo 20.º da presente lei;
e) O incumprimento das normas e princípios de boas práticas clínicas, previstas nos Regulamentos
(UE) 2017/745 e 2017/746 e na presente lei;
f) O incumprimento das obrigações de notificação previstas no artigo 77.º do Regulamento
(UE) 2017/745 ou no artigo 17.º da presente lei, bem como a incompletude do seu conteúdo;
g) O incumprimento das obrigações de notificação previstas no artigo 73.º do Regulamento
(UE) 2017/746, bem como a incompletude do seu conteúdo;
h) O incumprimento da obrigação de registo, notificação e monitorização de acontecimentos adver-
sos graves e de defeitos dos dispositivos a que se refere o artigo 80.º do Regulamento (UE) 2017/745
ou o artigo 15.º da presente lei;
i) O incumprimento da obrigação de registo, notificação e monitorização de acontecimentos adver-
sos graves e de defeitos dos dispositivos a que se refere o artigo 76.º do Regulamento (UE) 2017/746;
j) O incumprimento do disposto nos artigos 18.º e 30.º da presente lei quanto ao idioma utilizado
na documentação ou rotulagem;
k) O incumprimento do disposto no artigo 13.º e no artigo 27.º da presente lei quanto à celebração
de contrato com conteúdo desconforme com a aprovação;
l) O incumprimento do disposto nos artigos 12.º e 26.º da presente lei quanto ao fornecimento gratuito;
m) O incumprimento do disposto no n.º 2 do artigo 11.º e no n.º 2 do artigo 25.º quanto à realiza-
ção da investigação clínica ou de estudo de desempenho sem seguro de responsabilidade civil ou com
seguro desconforme com a avaliação realizada no âmbito do pedido ou notificação da investigação
clínica ou estudo de desempenho;
n) A violação dos termos das decisões previstas nos artigos 7.º e 21.º da presente lei;
o) O incumprimento das obrigações relativas à conservação da documentação previstas no
artigo 32.º da presente lei.
3 — A tentativa e a negligência são puníveis, sendo os montantes, máximos e mínimos das coimas,
reduzidos a metade dos valores fixados no número anterior.
Artigo 34.º
Sanções acessórias
Pela prática das contraordenações previstas no artigo anterior pode ser aplicada, em função da
gravidade da infração e da culpa, nos termos do regime geral das contraordenações, a sanção acessória
de suspensão ou de interdição de realização de investigações clínicas ou de realização de estudos de
desempenho, consoante aplicável, pelo período máximo de dois anos.
Artigo 35.º
Processo de contraordenação
Lei n.º 71/2025
1 — A instrução dos procedimentos de contraordenação cabe ao INFARMED, IP.
2 — A aplicação das coimas previstas na presente lei compete ao órgão máximo do INFARMED, IP.
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Artigo 36.º
Produto das coimas
O produto das coimas é distribuído da seguinte forma:
a) 60 % para o Estado;
b) 40 % para o INFARMED, IP.
Artigo 37.º
Responsabilidade
1 — Pela prática das contraordenações previstas na presente lei podem ser responsabilizadas
pessoas singulares, pessoas coletivas, independentemente da regularidade da sua constituição, bem
como sociedades e ou associações sem personalidade jurídica.
2 — As pessoas coletivas ou equiparadas, nos termos do disposto no número anterior, são res-
ponsáveis pelas contraordenações previstas na presente lei quando os factos tiverem sido praticados
pelos seus órgãos no exercício das suas funções.
3 — Os titulares dos órgãos das pessoas coletivas e entidades equiparadas incorrem na sanção
prevista para a pessoa coletiva ou equiparada, especialmente atenuada, quando, conhecendo ou devendo
conhecer a prática da infração, não adotem as medidas adequadas para lhes por termo imediatamente,
a não ser que sanção mais grave lhes caiba por força de outra disposição legal.
CAPÍTULO VII
Taxas
Artigo 38.º
Taxas
1 — Os procedimentos inerentes à apreciação dos pedidos e das notificações relativas a inves-
tigações clínicas ou de estudos de desempenho e das notificações de alterações substanciais estão
sujeitos ao pagamento de taxas, a cobrar pelo INFARMED, IP, cujos montantes são fixados por portaria
dos membros do Governo responsáveis pela área das finanças e da saúde, no prazo máximo de 30 dias
após a entrada em vigor da presente lei.
2 — O produto das taxas referidas no número anterior constitui receita própria do INFARMED, IP.
3 — A investigação clínica ou os estudos de desempenho de natureza não comercial, bem como nos
casos em que o promotor seja o investigador, estão isentos do pagamento das taxas referidas no n.º 1.
CAPÍTULO VIII
Disposições complementares, transitórias e finais
Artigo 39.º
Regulamentação
1 — Sem prejuízo dos atos de execução e dos atos delegados previstos nos Regulamentos, compete
ao INFARMED, IP, em articulação com a CEIC, adotar, definir e divulgar as disposições necessárias à regula-
mentação ou à aplicação da presente lei e dos Regulamentos (UE) 2017/745 e 2017/746, designadamente
Lei n.º 71/2025
sob a forma de deliberações, circulares e documentos orientadores necessários à sua aplicabilidade.
2 — Para efeitos do número anterior, o INFARMED, IP, e a CEIC procedem à publicitação da informação
nos seus sítios na internet, sem prejuízo do recurso a outras formas de comunicação aos interessados.
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Artigo 40.º
Disposições transitórias e finais
1 — As investigações clínicas que tiverem sido iniciadas antes da data de início da aplicação do
Regulamento (UE) 2017/745 continuam a reger-se pela Lei n.º 21/2014, de 16 de abril, alterada pela
Leis n.os 73/2015, de 27 de julho, e 49/2018, de 14 de agosto, sem prejuízo da aplicação do regime de
notificação de acontecimentos adversos graves e de defeitos de dispositivos previstos no artigo 80.º
do Regulamento (UE) 2017/745 e no artigo 14.º da presente lei.
2 — Os estudos clínicos, que cumulativamente preencham as condições previstas nas alíneas
seguintes continuam a reger-se pela Lei n.º 21/2014, de 16 de abril:
a) A decisão de utilizar um dispositivo esteja claramente dissociada da decisão de incluir ou não
o participante no estudo;
b) Os dispositivos sejam utilizados de acordo com as instruções de utilização do fabricante, nas
condições previstas no procedimento de avaliação de conformidade;
c) A inclusão de qualquer participante numa determinada estratégia terapêutica não seja previa-
mente fixada por um protocolo de estudo, mas dependa da prática corrente; e
d) Não seja aplicado aos participantes qualquer outro meio complementar de diagnóstico e tera-
pêutica ou procedimento de avaliação e sejam utilizados métodos epidemiológicos para analisar os
dados recolhidos.
3 — O disposto na Portaria n.º 63/2015, de 5 de março, é aplicável enquanto não for publicada
a portaria a que se refere o artigo 38.º da presente lei.
Artigo 41.º
Direito subsidiário
Em tudo quanto não se encontre previsto no presente regime aplica-se subsidiariamente o Regime
Geral do Ilícito de Mera Ordenação Social, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 433/82, de 27 de outubro.
Artigo 42.º
Entrada em vigor
A presente lei entra em vigor 30 dias após a sua publicação.
Aprovada em 12 de dezembro de 2025.
O Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.
Promulgada em 13 de dezembro de 2025.
Publique-se.
O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.
Referendada em 15 de dezembro de 2025.
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro.
119899218
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TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL
Portaria n.º 452/2025/1, de 22 de dezembro
Sumário: Portaria de extensão do contrato coletivo entre a ADCP ― Associação das Adegas Coopera-
tivas de Portugal e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, Floresta, Pesca,
Turismo, Indústria Alimentar, Bebidas e Afins ― SETAAB.
Portaria de extensão do contrato coletivo entre a ADCP — Associação das Adegas Cooperativas
de Portugal e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores
da Agricultura, Floresta, Pesca, Turismo, Indústria Alimentar, Bebidas e Afins — SETAAB
O contrato coletivo entre a ADCP — Associação das Adegas Cooperativas de Portugal e o Sindi-
cato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, Floresta, Pesca, Turismo, Indústria Alimentar, Bebidas
e Afins — SETAAB, publicado no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE), n.º 14, de 15 de abril de 2025,
abrange, no território nacional, as relações de trabalho entre empregadores que se dediquem ao setor
de atividade da vitivinicultura, nomeadamente das adegas cooperativas, cooperativas agrícolas com
secção vitivinícola, seus cooperadores, uniões ou federações de adegas cooperativas, e trabalhadores
ao seu serviço, uns e outros representados pelas associações outorgantes.
As partes signatárias requereram a extensão do contrato coletivo, na mesma área geográfica
e setor de atividade, a todos os empregadores não filiados na associação de empregadores outorgante
e trabalhadores ao seu serviço, das profissões e categorias profissionais previstas na convenção,
filiados na associação sindical outorgante.
De acordo com o n.º 1 do artigo 514.º do Código do Trabalho, a convenção coletiva pode ser apli-
cada, no todo ou em parte, por portaria de extensão a empregadores e a trabalhadores integrados no
âmbito do setor de atividade e profissional definido naquele instrumento. O n.º 2 do referido normativo
legal determina ainda que a extensão é possível mediante a ponderação de circunstâncias sociais
e económicas que a justifiquem, nomeadamente a identidade ou semelhança económica e social das
situações no âmbito da extensão e no instrumento a que se refere.
Existindo identidade económica e social entre as situações que se pretende abranger com a exten-
são e as previstas na convenção em apreço, foi promovida a realização do estudo de avaliação dos indi-
cadores previstos nas alíneas a) a e) do n.º 1 da Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 82/2017,
de 9 de junho, através dos elementos disponíveis no apuramento do relatório único/quadros de pessoal
de 2023. Segundo o estudo, estavam abrangidos pelo instrumento de regulamentação coletiva de tra-
balho revisto, direta e indiretamente, 388 trabalhadores por conta de outrem a tempo completo (TCO),
excluindo os praticantes e aprendizes e o residual, dos quais 41,8 % são mulheres e 58,2 % são homens.
De acordo com os dados da amostra, o estudo indica que, para 118 TCO (38,4 % do total), as remune-
rações devidas são superiores às remunerações convencionais, enquanto, para 270 TCO (58,2 % do
total), as remunerações devidas são inferiores às convencionais, dos quais 54,1 % são homens e 45,9 %
são mulheres. Quanto ao impacto salarial da extensão, a atualização das remunerações representa
um acréscimo de 1,1 % na massa salarial do total dos trabalhadores e de 1,8 % para os trabalhado-
res cujas remunerações devidas serão alteradas. Na perspetiva da promoção de melhores níveis de
coesão e igualdade social, o estudo indica que há diminuição dos rácios de desigualdade calculados.
Neste contexto, ponderadas as circunstâncias sociais e económicas justificativas da extensão de
acordo com o disposto no n.º 2 do artigo 514.º do Código do Trabalho, promove-se o alargamento do
âmbito de aplicação do contrato coletivo às relações de trabalho não abrangidas por regulamentação
coletiva negocial porquanto tem, no plano social, o efeito de uniformizar as condições mínimas de
trabalho dos trabalhadores e, no plano económico, o de aproximar as condições de concorrência entre
empregadores do mesmo setor.