Boletim do Trabalho e Emprego

Contrato coletivo entre a Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (ANCIPA) e o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços - SITESE (confeitaria e conservação de

Data
2026-05-15
Meio processual
REGULAMENTAÇÃO COLETIVA DO TRABALHO
Tipo
Convenções Coletivas

Sumário

Contrato coletivo entre a Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (ANCIPA) e o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços - SITESE (confeitaria e conservação de fruta - administrativos) - Alteração salarial e outras e texto consolidado

Texto integral (15 657 palavras)

Contrato coletivo entre a Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (ANCIPA) e o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços - SITESE (confeitaria e conservação de fruta - administrativos) - Alteração salarial e outras e texto consolidado Alteração salarial e outras ao CCT publicado no Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 23, de 22 de junho de 2025. CAPÍTULO I Área, âmbito e vigência do contrato Cláusula 1.ª Área e âmbito O presente CCT aplica-se em todo o território nacional à área administrativa do setor da indústria e comér- cio de produtos de confeitaria e conservação de fruta, e obriga, por um lado, as empresas representadas pela ANCIPA - Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (setor de confeitaria e conservação de fruta) e, por outro, os trabalhadores administrativos ao seu serviço, representados pela asso- ciação sindical outorgante, cujas profissões e categorias profissionais se encontram previstas nos anexos I e III. Cláusula 2.ª Vigência, denúncia e revisão 1- O presente CCT entra em vigor no dia 1 do mês seguinte ao da sua publicação no Boletim do Trabalho e Emprego e terá um prazo de vigência de 24 meses, salvo o disposto no número seguinte. 2- A tabela salarial e demais cláusulas de expressão pecuniária terão um prazo de vigência de 12 meses, serão revistas anualmente e produzem efeitos a 1 de janeiro de 2026. (...) CAPÍTULO V Retribuição mínima do trabalho Cláusula 26.ª Diuturnidades 1- Os trabalhadores têm direito a uma diuturnidade de 22,00 € por cada três anos de permanência na mesma categoria profissional, até ao limite de 5 diuturnidades. 2- Os trabalhadores admitidos a partir de janeiro de 2016, têm direito a uma diuturnidade de 22,00 € por cada três anos de permanência na mesma categoria profissional, até ao limite de 3 diuturnidades. (...) BTE 18 | 62 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 29.ª Abono para falhas Aos caixas, cobradores e aos trabalhadores que fizerem pagamentos e ou recebimentos é atribuído um abono mensal para falhas de 33,00 €, a pagar independentemente do ordenado. Cláusula 41.ª-A Tolerância no dia de aniversário 1- O trabalhador tem direito a dispensa do cumprimento do dever de assiduidade, desde que não ponha em causa o normal funcionamento da empresa, no seu dia de aniversário, sem perda de remuneração. 2- Nos casos que recai em dia de descanso obrigatório, descanso complementar, feriado ou tolerância o mesmo ocorre no dia útil seguinte. 3- Aos trabalhadores que nasceram a 29 de fevereiro, e em ano comum, deverá ser concedida dispensa ao serviço no dia 1 de março. 4- Caso a dispensa referida nos números anteriores não possa ser concedida por colocar em causa o normal funcionamento da empresa, a mesma será gozada, por acordo entre as partes, no prazo de 3 meses. Cláusula 47.ª Subsídio de refeição 1- Todos os trabalhadores abrangidos por este contrato têm direito a um subsídio diário de refeição. 2- O valor do subsídio de refeição é de 6,75 € diários e será pago sempre que o trabalhador preste um míni- mo de quatro horas de serviço. 3- A entidade patronal, em vez do pagamento daquele subsídio, pode fornecer, em espécie, o almoço ou o jantar. Cláusula 61.ª Grandes deslocações no Continente, Ilhas e estrangeiro 1- As grandes deslocações no Continente, Ilhas e estrangeiro dão ao trabalhador direito: a) A retribuição que auferirem no local de trabalho habitual; b) Ajuda de custo de 70,00 € por dia de deslocação no Continente e Ilhas e de 120,00 € no estrangeiro, desde que pernoite fora do local da sua residência habitual quando não deslocado. (...) ANEXO III Tabela salarial (Em vigor de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2026) Níveis Categorias profissionais Retribuições (€) Chefe de centro de recolha de processamento de dados I Chefe de escritório 1 260,00 Chefe de serviços administrativos Analista de sistemas. Chefe de departamento Chefe de divisão II Tesoureiro 1 180,00 Inspetor administrativo Chefe de contabilidade Técnico de contas Chefe de secção III Guarda-livros 1 135,00 Programador de computador BTE 18 | 63 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Correspondente em línguas estrangeiras Prog. mecanográfico ou de peri-informática IV Secretário de direção 1 090,00 Técnico administrativo Fogueiro-encarregado Caixa Controlador de aplicação Assistente administrativo de 1.ª V Esteno-datilógrafo em línguas estrangeiras 1 025,00 Operador de computador Ajudante de guarda-livros Fogueiro de 1.ª classe Cobrador de 1.ª classe Assistente administrativo de 2.ª VI Esteno-datilógrafo em língua portuguesa 995,00 Fogueiro de 2.ª classe Rececionista Cobrador de 2.ª classe VII Telefonista de 1.ª classe 960,00 Fogueiro de 3.ª classe Contínuo (mais de 18 anos) VIII Datilógrafo 935,00 Estagiário Contínuo de 18 anos IX Trabalhador/a de limpeza 925,00 Paquete até 17 anos Declaração final dos outorgantes Para cumprimento do disposto na alínea g) do número 1 do artigo 492.º, conjugado com o artigo 496.º do Código do Trabalho, serão potencialmente abrangidos pela presente convenção coletiva de trabalho 42 empre- sas e 1780 trabalhadores. Texto consolidado CAPÍTULO I Área, âmbito e vigência do contrato Cláusula 1.ª Área e âmbito O presente CCT aplica-se em todo o território nacional à área administrativa do setor da indústria e comér- cio de produtos de confeitaria e conservação de fruta, e obriga, por um lado, as empresas representadas pela ANCIPA - Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (setor de confeitaria e conservação de fruta) e, por outro, os trabalhadores administrativos ao seu serviço, representados pela asso- ciação sindical outorgante, cujas profissões e categorias profissionais se encontram previstas nos anexos I e III. Cláusula 2.ª Vigência, denúncia e revisão 1- O presente CCT entra em vigor no dia 1 do mês seguinte ao da sua publicação no Boletim do Trabalho e Emprego e terá um prazo de vigência de 24 meses, salvo o disposto no número seguinte. BTE 18 | 64 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 2- A tabela salarial e demais cláusulas de expressão pecuniária terão um prazo de vigência de 12 meses, serão revistas anualmente e produzem efeitos a 1 de janeiro de 2026. 3- A denúncia pode ser feita, por qualquer das partes, com a antecedência de, pelo menos, três meses em relação aos prazos de vigência previstos nos números anteriores e deve ser acompanhada de proposta de alte- ração e respetiva fundamentação. 4- A parte que recebe a denúncia deve responder no prazo de 30 dias após a receção da proposta, devendo a resposta, devidamente fundamentada, exprimir pelo menos uma posição relativa a todas as cláusulas da pro- posta, aceitando, recusando ou contrapropondo. 5- Após a apresentação da contraproposta deve, por iniciativa de qualquer das partes, realizar-se a primeira reunião para celebração do protocolo do processo de negociações e entrega dos títulos de representação dos negociadores. 6- As negociações terão a duração de 30 dias, findos os quais as partes decidirão da sua continuação ou da passagem à fase seguinte do processo de negociação coletiva de trabalho. 7- Enquanto este CCT não for alterado ou substituído no todo ou em parte, renovar-se-á automaticamente decorridos os prazos de vigência constantes nos precedentes números 1 e 2. CAPÍTULO II Admissão e carreira profissional Cláusula 3.ª Admissão As condições mínimas de admissão para o exercício das funções inerentes às categorias constantes do CCT são as previstas no anexo II deste contrato. Cláusula 4.ª Período experimental O período experimental rege-se pelo Código do Trabalho. Cláusula 5.ª Admissão para efeitos de substituição 1- A admissão de qualquer trabalhador para efeitos de substituições temporárias entende -se feita sempre a título provisório, mas somente durante o período de ausência do substituído e desde que esta circunstância e o motivo da substituição constem de documento escrito. 2- A retribuição ao substituto não pode ser inferior à praticada na empresa para o grau ou escalão profissio- nal cujas funções ele vai exercer. 3- Do documento de admissão, assinado por ambas as partes, devem constar, além da sua identificação e das funções a desempenhar, a indicação do motivo da admissão e o nome do substituído, devendo ser entregue um duplicado ao trabalhador substituto. 4- A falta do documento referido no número anterior implica que a admissão seja considerada conforme o disposto na cláusula 4.ª 5- Considera-se automaticamente admitido com caráter definitivo o profissional que continue ao serviço por mais 30 dias após o regresso à atividade efetiva do substituído, e a data de admissão provisória é considerada, para todos os efeitos, como data da admissão definitiva, podendo, porém, ocupar lugar e funções diferentes, sem prejuízo da remuneração auferida e respetiva categoria. 6- O contrato celebrado com o trabalhador substituto caducará, sem prejuízo da caducidade legal, com o regresso do trabalhador substituído à sua atividade dentro da empresa, obrigando-se, no entanto, a entidade patronal a conceder ao substituto um aviso prévio de oito dias úteis, devendo a empresa, neste período, facultar ao trabalhador tempo necessário para contactos conducentes a novo emprego, sem prejuízo da remuneração. Cláusula 6.ª Categorias profissionais Os profissionais abrangidos por este contrato serão classificados, de harmonia com as suas funções, nas categorias constantes do anexo I. BTE 18 | 65 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 7.ª Acesso e promoções 1- A entidade empregadora obriga-se a promover os trabalhadores ao seu serviço de acordo com o estabele- cido no anexo II para a respetiva categoria. 2- Sempre que as entidades empregadoras, independentemente das promoções obrigatórias previstas no anexo II, tenham necessidade de promover profissionais a categorias superiores, devem observar as seguintes preferências: a) Competência e zelo profissionais comprovados por serviços prestados, habilitações literárias e profissio- nais e antiguidade; b) Para os cargos de chefia, as entidades empregadoras ouvirão previamente os trabalhadores que vão ser chefiados pelo profissional. Cláusula 8.ª Preenchimento de vagas por promoção interna No preenchimento de uma vaga criada no quadro da empresa, a entidade empregadora dará preferência, em igualdade de circunstâncias, aos seus empregados nas categorias inferiores, ouvida a comissão de trabalhado- res ou, na sua falta, o delegado sindical. CAPÍTULO III Direitos e deveres das partes Cláusula 9.ª Deveres da entidade empregadora São deveres da entidade empregadora: a) Providenciar para que haja bom ambiente moral e instalar os trabalhadores em boas condições no local de trabalho, nomeadamente no que diz respeito à segurança e saúde no trabalho, prevenção de doenças profissio- nais e ainda às condições de salubridade previstas na lei; b) Promover e dinamizar, por todas as formas, a formação profissional dos trabalhadores; c) Prestar ao sindicato todos os esclarecimentos de natureza profissional que lhe sejam pedidos sobre os tra- balhadores ao seu serviço e sobre quaisquer outros factos que se relacionem com o cumprimento do presente contrato coletivo; d) Cumprir as disposições da lei e deste contrato coletivo; e) Passar certificados contendo informações de carácter profissional expressamente solicitadas por escrito pelos trabalhadores; f) Usar de respeito, de justiça e de lealdade em todos os atos que envolvam relações com os trabalhadores, assim como exigir do pessoal investido em funções de chefia e fiscalização que trate com correção os traba- lhadores sob as suas ordens; g) Facultar aos seus trabalhadores que frequentem estabelecimentos de ensino oficial ou equivalente o tem- po necessário à prestação de provas de exame, bem como facilitar-lhe a assistência às aulas; h) Dispensar e facilitar nos termos da lei e deste contrato o exercício da respetiva atividade aos trabalhadores que sejam dirigentes ou delegados sindicais, membros das comissões de trabalhadores, da comissão paritária ou das comissões de conciliação e julgamento e dirigentes das instituições de previdência; i) Segurar todos os trabalhadores durante o período de trabalho e nas deslocações de ida e regresso do traba- lho desde que haja possibilidade de englobar essas duas situações no mesmo seguro de acidentes de trabalho; j) Havendo acordo por escrito entre o trabalhador e a empresa, enviar mensalmente o valor da quota ao sindicato respetivo; l) Facultar a consulta pelo trabalhador do respetivo processo individual, sempre que as circunstâncias o justifiquem; m) Não exigir do trabalhador serviços que não sejam exclusivamente os da sua profissão ou que não estejam de acordo com a sua categoria, especialidade ou possibilidades físicas; n) Confirmar, por escrito, uma ordem dada a um trabalhador quando o mesmo, apresentando razões válidas, tiver consciência que o seu cumprimento poderá pôr seriamente em risco a sua integridade física, os bens patrimoniais da empresa, ou seja, contrária à sua deontologia profissional. BTE 18 | 66 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 10.ª Deveres dos trabalhadores São deveres dos trabalhadores: a) Cumprir rigorosamente as cláusulas do presente contrato; b) Comparecer ao serviço com assiduidade e realizar o trabalho com zelo e diligência, segundo as normas e instruções recebidas, salvo na medida em que estas se mostrem contrárias aos seus direitos e garantias; c) Respeitar e tratar com urbanidade a entidade patronal, os companheiros de trabalho e todas as pessoas que estejam ou entrem em relações com a empresa, na medida em que sejam correspondidos; d) Prestar, em matéria de serviço, todos os conselhos e ensinamentos que os subordinados ou companheiros necessitem; e) Guardar lealdade à entidade empregadora não divulgando informações referentes a métodos lícitos de organização da produção e comercialização, nem exercendo, direta ou indiretamente, atividade concorrencial com a empresa, salvo autorização expressa desta. Fica salvaguardado o direito do trabalhador ao controlo da produção, nos termos da lei e deste contrato, e a todas as atividades inerentes a uma aturada vigilância sobre atos de eventual sabotagem económica; f) Zelar pelo estado e conservação do material que lhe estiver confiado e velar pela sua utilização, salvo desgaste motivado por uso normal e ou acidente; g) Contribuir e ou executar, na medida do possível, todos os atos tendentes à melhoria da produtividade da empresa; h) Cumprir e fazer cumprir as normas de salubridade, segurança e saúde no trabalho. Cláusula 11.ª Garantias dos trabalhadores 1- É proibido à entidade empregadora: a) Opor-se, por qualquer forma, a que o trabalhador exerça os seus direitos ou beneficie das suas garantias, bem como despedi-lo ou aplicar-lhe sanções por causa desse exercício; b) Exercer pressão sobre o trabalhador para que atue no sentido de influir desfavoravelmente nas condições de trabalho ou da retribuição dele ou dos seus companheiros; c) Diminuir a retribuição ou modificar as condições normais de trabalho dos profissionais ao seu serviço, de forma a que dessa modificação resulte ou possa resultar diminuição da retribuição e demais regalias de carácter permanente; d) Admitir ao seu serviço trabalhadores na situação de reformados, comissionistas sem retribuição certa mínima, ou em regime e tempo parcial, bem como trabalhadores que já exerçam outra profissão, salvo se os trabalhadores forem admitidos para cargos ou postos de trabalho de complexidade técnica ou elevado grau de responsabilidade, ouvida a comissão de trabalhadores e os delegados sindicais; e) Transferir o trabalhador para outro local de trabalho ou zona de atividade, salvo o previsto no presente acordo; f) Obrigar o trabalhador a adquirir bens ou utilizar serviços fornecidos pela entidade patronal ou por pessoa por ela indicada; g) Explorar, com fins lucrativos, quaisquer cantinas, refeitórios, economatos e outros estabelecimentos para fornecimento de bens ou prestação de serviços aos trabalhadores; h) Despedir ou readmitir um trabalhador, mesmo com o seu acordo, havendo o propósito de o prejudicar em direitos ou garantias já adquiridos; i) Despedir o trabalhador contra o disposto neste contrato e na lei; j) Opor-se ao exercício do controlo de gestão tal como vem definido constitucionalmente e vier a ser regu- lamentado na lei ordinária; l) Intervir por qualquer meio na organização sindical dos trabalhadores e na organização dos trabalhadores dentro da empresa; m) Fazer promessas ou ameaças aos trabalhadores com o fim de levá-los a tomar posições políticas ou partidárias; n) Exercer pressão sobre os trabalhadores para que divulguem matéria de segredo profissional. 2- A prática por parte da entidade empregadora de qualquer ato em contravenção com o disposto nesta cláusula dá ao trabalhador lesado a faculdade de rescindir o contrato de trabalho, com direito à indemnização fixada na nos termos legais. 3- Constitui violação das leis do trabalho, e como tal será punida, a prática dos atos previstos nesta cláusula. BTE 18 | 67 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 12.ª Proibição de assédio e discriminação 1- É proibida a prática de assédio e discriminação nos locais de trabalho ou fora destes, por questões ali originadas. 2- Entende-se por assédio o comportamento de trabalhador, superior hierárquico, empregador ou seu repre- sentante, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador. 3- Os trabalhadores não podem adotar comportamentos discriminatórios em relação aos demais ou a tercei- ros, que sejam destinatários dos serviços da entidade empregadora ou que de qualquer modo interajam com a entidade empregadora, nomeadamente, com base na raça/etnia, género, idade, incapacidade física, orientação sexual, opiniões, ideologia política e/ou religião. 4- Sempre que tiver conhecimento de atos ou situações que possam consubstanciar a prática de assédio, a entidade empregadora desencadeará a competente ação disciplinar, mediante a instauração de um inquérito prévio ou de um processo disciplinar. 5- Sempre que o trabalhador vítima de atos ou situações que possam consubstanciar a prática de assédio es- tiver inscrito no sindicato outorgante do presente CCT, a entidade empregadora deverá comunicar ao sindicato a ocorrência em causa e as diligências desencadeadas. 6- Todas as diligências desencadeadas devem assegurar internamente, quer na relação com colegas, quer com os destinatários dos serviços da entidade empregadora, o devido tratamento dos dados pessoais e a reser- va da privacidade das pessoas envolvidas. 7- O denunciante e as testemunhas por si indicadas não podem ser sancionados disciplinarmente, a menos que atuem com dolo, com base em declarações ou factos constantes dos autos de processo, judicial ou contra- ordenacional, desencadeado por assédio até decisão final, transitada em julgado, sem prejuízo do exercício do direito ao contraditório. 8- Considera-se abusiva a sanção disciplinar motivada pelo facto de o trabalhador ter alegado ser vítima de assédio ou ser testemunha em processo judicial e/ou contraordenacional de assédio. 9- Presume-se abusivo o despedimento ou outra sanção aplicada alegadamente para punir uma infração, quando tenha lugar: a) Até seis meses após o facto mencionado no número anterior; b) Até um ano após a denúncia ou outra forma de exercício de direitos relativos a igualdade, não discrimi- nação e assédio. 10- O empregador que aplicar sanção abusiva deve indemnizar o trabalhador nos termos gerais, com as alterações constantes das alíneas seguintes: a) Em caso de despedimento, o trabalhador tem direito a optar entre a reintegração e uma indemnização calculada nos termos da lei; b) Em caso de sanção pecuniária ou suspensão do trabalho, a indemnização não deve ser inferior a 10 vezes a importância daquela ou da retribuição perdida. Cláusula 13.ª Transferência do local de trabalho - Princípio geral Entende-se por transferência do local de trabalho toda e qualquer alteração do contrato que seja tendente a modificar o local habitual de trabalho, ainda que com melhoria imediata da retribuição. Cláusula 14.ª Transferência coletiva por mudança total ou parcial do estabelecimento 1- A entidade empregadora não pode transferir o trabalhador para outro local de trabalho, a não ser com a sua inteira concordância por escrito em documento donde constem as condições e termos dessa transferência, salvo se desta não resultar prejuízo sério para o trabalhador ou se a transferência for motivada por mudança total ou parcial do estabelecimento onde aquele presta serviço. 2- O trabalhador, querendo rescindir o contrato, tem direito à indemnização fixada neste contrato para despe- dimento, salvo se a entidade empregadora provar que da mudança não resulta prejuízo sério para o trabalhador. 3- Por «prejuízo sério» entende-se aquele que é suscetível de provocar ao trabalhador perda ou desvantagens graves em bens de carácter patrimonial ou não. 4- A faculdade de rescisão referida no número 2 mantém-se durante os quatro meses subsequentes à transfe- BTE 18 | 68 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 rência efetuada nos termos desta cláusula, desde que o trabalhador prove a existência de prejuízo sério, impre- visível à data em que deu o seu acordo. Será ouvida a comissão sindical, delegado sindical ou, na falta destes, o sindicato, para apreciação do prejuízo sério invocado pelo trabalhador, sempre que entre este e a entidade patronal não haja acordo acerca dessa natureza. 5- Em caso de transferência do local de trabalho, a título definitivo ou provisório, a entidade empregadora custeará não só as despesas de deslocação do trabalhador e agregado familiar, mobiliário e outros, como tam- bém suportará o aumento do custo da renda da habitação, que será pago em recibo separado. Cláusula 15.ª Transferências individuais 1- Toda e qualquer transferência do local de trabalho, ainda que envolva uma pluralidade de trabalhadores, que não sejam motivadas pela mudança total ou parcial do estabelecimento, entende-se como transferência individual. 2- A transferência do trabalhador nos termos do número anterior será feita de acordo com a parte final do número 1 e com o número 5 da cláusula anterior. 3- O trabalhador pode rescindir o contrato durante os quatro meses subsequentes e receber as indemnizações fixadas neste contrato para o despedimento, se provar que da transferência resultou prejuízo sério e se a enti- dade patronal se recusar a colocá-lo de novo no local anterior. CAPÍTULO IV Duração e organização do tempo de trabalho Cláusula 16.ª Período normal de trabalho 1- Sem prejuízo dos horários de menor duração já praticados, o período normal de trabalho semanal será de quarenta horas, de segunda-feira a sexta-feira. 2- A duração normal de trabalho em cada dia não pode exceder oito horas. 3- O período normal de trabalho diário deverá ser interrompido por intervalo de duração não inferior a uma hora nem superior a duas, de modo que os trabalhadores não prestem mais de cinco horas de trabalho conse- cutivo. Cláusula 17.ª Banco de horas 1- Por acordo entre a entidade empregadora e o trabalhador, o período normal de trabalho pode ser aumen- tado ou reduzido até 2 horas diárias e atingir 45 horas semanais, tendo o acréscimo por limite 150 horas por ano nos seguintes casos: a) Reduções, acréscimos ou picos de trabalho previsíveis; b) Situações de conciliação da vida familiar com a vida profissional; c) Outras situações acordadas entre a entidade empregadora e o trabalhador. 2- O banco de horas pode ser constituído quer por iniciativa da entidade empregadora, quer por iniciativa do trabalhador, necessitando da concordância da contraparte. 3- Os acréscimos de trabalho referidos na alínea b) do número 1 não contemplam a eventual prestação de trabalho em prolongamento ou antecipação do respetivo turno para substituição de trabalhador ausente. 4- A necessidade de acréscimo da prestação de trabalho, ou a sua redução, deve ser comunicada com a an- tecedência de, pelo menos, dez dias. 5- O trabalho prestado em dias de descanso semanal do trabalhador (estabelecido no horário) não pode inte- grar o banco de horas. O trabalho prestado em dia feriado não pode integrar o banco de horas, salvo se for um dia normal de trabalho para o trabalhador. 6- Sempre que o trabalho prestado em acréscimo tenha o seu início ou termo em hora em que não haja os transportes coletivos habitualmente utilizados pelo trabalhador, a entidade empregadora suportará as despesas com outro meio de transporte a acordar entre as partes. 7- A compensação do trabalho prestado em acréscimo ao período normal de trabalho poderá ser efetuada: a) A pedido do trabalhador, por redução equivalente ao tempo de trabalho. Neste caso, o trabalhador deve BTE 18 | 69 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 comunicar com a antecedência de, pelo menos, cinco dias, que pretende utilizar o período de redução para compensação das horas de trabalho prestadas em acréscimo, não podendo, no entanto, afetar o regular funcio- namento da entidade empregadora. A entidade empregadora terá em consideração o pedido do trabalhador e comunicar-lhe-á a sua decisão no prazo de 72 horas; b) Por iniciativa da entidade empregadora, devendo esta comunicar ao trabalhador com a antecedência de, pelo menos, dez dias, que pretende utilizar o período de redução, para compensação das horas de trabalho prestadas em acréscimo. 8- Por acordo entre a entidade empregadora e o trabalhador, a compensação do trabalho prestado em acrés- cimo poderá também ser efetuada, no todo ou em parte, através da dispensa de trabalho em dias completos ou meios-dias, ou por adição ao período de férias do trabalhador. 9- A compensação das horas de trabalho prestadas em acréscimo ou em redução, no termos previstos nos números anteriores, deve ser efetuada no ano civil a que o acréscimo ou a redução de trabalho se reportam, salvo quando resultar da prestação de trabalho nos últimos três meses do ano, situação em que a compensação poderá ser efetuada até ao final do primeiro trimestre do ano seguinte. 10- Caso não tenha sido efetuada a compensação nos termos referidos nos números anteriores: a) O total de horas não trabalhadas considera-se saldado a favor do trabalhador; b) O total de horas prestadas em acréscimo de tempo de trabalho será pago pelo valor que for devido ao trabalhador pela prestação de trabalho suplementar. 11- Ocorrendo cessação do contrato de trabalho por qualquer motivo, sem que tenha havido oportunidade de compensação das horas de trabalho prestadas em acréscimo, o trabalhador tem o direito de receber essas horas pelo valor da retribuição horária. 12- A utilização do banco de horas poderá ser iniciada com o acréscimo do tempo de trabalho ou com redu- ção do mesmo. Cláusula 18.ª Trabalho suplementar 1- Considera-se trabalho suplementar prestado fora do período normal de trabalho e não nos dias de descan- so semanal. 2- Só em casos inteiramente imprescindíveis e justificáveis é obrigatório o trabalho suplementar, podendo o trabalhador, mesmo nestes casos, recusar a sua prestação, mediante apresentação de razões ponderosas. 3- Sem prejuízo do disposto na lei, a empresa apenas poderá recorrer, por cada trabalhador, ao máximo de cento e sessenta horas anuais de trabalho suplementar 4- Em prestação de trabalho suplementar haverá um intervalo de quinze minutos entre o período normal e o período de trabalho extraordinário, que contará, para todos os efeitos, como trabalho prestado. 5- Se o trabalho for prestado em dia de descanso semanal (com exclusão do complementar), o trabalhador terá direito a descansar num dos três dias subsequentes, sem perda da retribuição a que tiver direito. 6- A realização de horas extraordinárias, assim como o motivo que as origina, será obrigatoriamente regis- tada em livro próprio. 7- A prestação de trabalho suplementar em dia útil, dia de descanso complementar ou feriado confere ao trabalhador o direito a um descanso compensatório remunerado, correspondente a 25 % das horas de trabalho suplementar realizado. 8- O descanso compensatório vence-se quando perfizer um número de horas igual ao período normal de trabalho diário e deve ser gozado num dos 30 dias seguintes. Cláusula 19.ª Remuneração de trabalho suplementar 1- O trabalho suplementar dá direito a uma retribuição especial, a qual será igual à retribuição normal, acres- cida das seguintes percentagens: a) 50 %, se o trabalho for diurno; b) 75 %, se for noturno, incluindo já o acréscimo legal; c) 100 %, se for prestado em dia de descanso semanal, feriado ou descanso complementar, mesmo que seja noturno. 2- Para efeitos da alínea b) do número anterior, considera-se trabalho noturno o prestado entre as 22h00 de um dia e as 7h00 do dia seguinte. 3- A entidade empregadora fica obrigada a assegurar ou pagar o transporte sempre que o trabalhador preste BTE 18 | 70 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 trabalho suplementar nos casos em que é obrigatório. O tempo gasto neste transporte é também pago como trabalho suplementar, exceto se este for prestado em prolongamento do horário normal geral. 4- Nos casos em que o trabalho suplementar for obrigatório e se prolongue para além de duas horas será assegurada ao trabalhador uma refeição. 5- A fórmula a considerar no cálculo das horas simples para a remuneração do trabalho suplementar é a seguinte: Vencimento mensal x 12 Horas de trabalho semanal x 52 Cláusula 20.ª Trabalho em regime de tempo parcial 1- Considera-se trabalho a tempo parcial aquele que é prestado nas condições e limites fixados na presente cláusula. 2- Aos trabalhadores em regime de trabalho a tempo parcial aplicam-se todos os direitos e regalias previstos na presente convenção coletiva ou praticados na empresa, na proporção do tempo de trabalho prestado, in- cluindo, nomeadamente, a retribuição mensal e os demais subsídios de carácter pecuniário. 3- O contrato de trabalho a tempo parcial deve revestir forma escrita, ficando cada parte com um exemplar. 4- Do contrato referido no número anterior deverá constar obrigatoriamente o seguinte: a) O motivo justificativo, devidamente circunstanciado; b) Os limites do horário diário e semanal; c) A categoria profissional; d) O local de trabalho; e) A remuneração mensal e outros subsídios. 5- Só é permitida a admissão de trabalhadores em regime de tempo parcial nas seguintes condições: a) Para fazer face aos designados «picos de venda»; b) Desde que o número de trabalhadores admitidos nesse regime não exceda 5 % do total de trabalhadores da empresa. 6- A duração máxima do trabalho dos trabalhadores em regime de tempo parcial será de quatro horas diárias e de vinte horas semanais. 7- Os trabalhadores admitidos neste regime poderão integrar os quadros de duas ou mais empresas desde que, no conjunto, não prestem mais de oito horas diárias nem quarenta horas semanais. 8- Cessando o motivo justificativo constante do contrato, o trabalhador terá preferência no preenchimento de postos de trabalho a tempo inteiro que forem criados ou fiquem vagos. 9- As situações de passagem à prestação de trabalho a tempo parcial de trabalhadores admitidos a tempo inteiro, a pedido destes, são reguladas nos termos da legislação aplicável. Cláusula 21.ª Isenção de horário de trabalho 1- Os profissionais que venham a ser isentos de horário de trabalho nos termos legais têm direito a retribui- ção especial. 2- Sempre que a isenção implicar a possibilidade de prestação de trabalho para além do período normal, a retribuição especial prevista no número anterior nunca será inferior à correspondente a uma hora de trabalho extraordinário por dia. 3- O trabalhador isento de horário de trabalho não está condicionado nos períodos de abertura e termo do estabelecimento, não podendo, no entanto, ser compelido a prestar serviço em dias de descanso semanal ou feriados. Cláusula 22.ª Teletrabalho 1- O regime de teletrabalho resulta de acordo escrito, nos termos da legislação em vigor. 2- Sempre que um trabalhador cujas funções e métodos de trabalho permitem a execução de funções em teletrabalho e o mesmo o requeira, a recusa da entidade empregadora deverá ser devidamente fundamentada. 3- O acordo previsto no número 1, da presente cláusula, deve conter obrigatoriamente a referência à morada BTE 18 | 71 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 onde o trabalhador exerce as funções, que deve ser comunicada à seguradora responsável pela cobertura dos acidentes de trabalho. 4- O empregador é responsável pela disponibilização ao trabalhador dos equipamentos e sistemas neces- sários à realização do trabalho e à interação trabalhador-empregador, devendo ser fixado se são fornecidos diretamente ou adquiridos pelo trabalhador, com a concordância do empregador acerca das suas características e preços. 5- São integralmente compensadas pelo empregador todas as despesas adicionais que, comprovadamente, o trabalhador suporte como direta consequência da aquisição ou uso dos equipamentos e sistemas informáticos ou telemáticos necessários à realização do trabalho, nos termos do número anterior, incluindo os acréscimos de custos de energia e da rede instalada no local de trabalho em condições de velocidade compatível com as necessidades de comunicação de serviço, assim como os custos de manutenção dos mesmos equipamentos e sistemas. 6- O pagamento da compensação prevista no número anterior é devido imediatamente após a realização das despesas pelo trabalhador. 7- A compensação prevista no número 6 é considerada, para efeitos fiscais, custo para o empregador e não constitui rendimento do trabalhador. 8- O trabalhador, em regime de teletrabalho, continuará a auferir todas as componentes salariais que auferia antes da adoção esse regime, incluindo o subsídio de refeição nos mesmos valores dos trabalhadores que não se encontrem em teletrabalho. 9- Deve ser assegurado aos trabalhadores em teletrabalho o direito à desconexão, nomeadamente através da adequação dos meios de controlo de assiduidade e da utilização dos meios de comunicação em conciliação com os horários de trabalho, podendo o trabalhador recusar atender o contacto tentado pela entidade patronal fora do seu horário de trabalho, sem qualquer consequência disciplinar ou outras. 10- Deve ser garantida a privacidade dos trabalhadores, não permitindo em nenhuma circunstância o acesso por meios digitais a informação confidencial do trabalhador no contexto pessoal e familiar. CAPÍTULO V Retribuição mínima do trabalho Cláusula 23.ª Retribuição mínima Para efeitos de retribuição do trabalho, as categorias profissionais abrangidas por este contrato são agru- padas em níveis, correspondendo a cada nível uma remuneração mínima mensal, nos termos dos anexos III e III-A. Cláusula 24.ª Tempo e forma de pagamento 1- O pagamento a cada trabalhador deve ser efetuado até uma hora antes do fim da jornada de trabalho do último dia útil de cada mês. 2- No ato de pagamento da retribuição a empresa é obrigada a entregar aos trabalhadores um talão preenchi- do de forma indelével, no qual figurem o nome completo do trabalhador, a respetiva categoria, classe, escalão ou grau, os números de beneficiário da caixa de previdência, de sócio de sindicato, o período de trabalho a que corresponde a remuneração, diversificando as importâncias relativas ao trabalho normal, às horas suple- mentares, ao trabalho prestado em dia de descanso semanal ou feriado, às diuturnidades, subsídios, descontos e montante líquido a receber. 3- O pagamento será feito em dinheiro, exceto se o trabalhador pedir ou der o seu acordo a pagamento por cheque ou transferência bancária. 4- O pagamento será feito ao mês, qualquer que seja o horário e a categoria do trabalhador. Cláusula 25.ª Retribuição dos trabalhadores que exerçam funções inerentes a diversas categorias 1- Sempre que um trabalhador execute com regularidade os serviços de diferentes categorias, escalões ou classes, receberá unicamente o ordenado estipulado para a mais elevada. BTE 18 | 72 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 2- Qualquer trabalhador poderá, porém, ser colocado em funções de categoria superior, a título experimen- tal, durante um período que não poderá exceder 60 dias, seguidos ou não, findo o qual, se continuar o exercício dessas funções, será promovido à categoria em que foi colocado a título experimental. 3- Quando se verifique a situação referida no número anterior, será dado imediato conhecimento por escrito ao trabalhador, a quem será entregue um duplicado com destino ao sindicato respetivo. 4- O trabalho ocasional em funções diferentes em categorias mais elevadas não dá origem a mudança de categoria. 5- Considera-se ocasional um trabalho deste género quando não ocorra por um período superior a trinta horas por mês, não podendo, no entanto, exceder duzentas horas durante um ano. Cláusula 26.ª Substituições temporárias 1- Sempre que um trabalhador substitua integralmente outro de categoria e ou retribuição superior, passará a receber o ordenado estabelecido para a categoria do substituído e durante o tempo em que a substituição durar. 2- Se a substituição durar mais de 120 dias de calendário, o substituto manterá o direito a retribuição igual à da categoria do substituído quando finda a substituição regressar ao desempenho das funções anteriores, salvo tratando-se de substituição motivada por doença e para cumprimento do serviço militar. 3- Após um mês de substituição, o trabalhador substituto, desde que se mantenha em efetiva prestação de serviço, não poderá ser afastado das funções senão com a apresentação do trabalhador substituído. Cláusula 27.ª Diuturnidades 1- Os trabalhadores têm direito a uma diuturnidade de 22,00 € por cada três anos de permanência na mesma categoria profissional, até ao limite de 5 diuturnidades. 2- Os trabalhadores admitidos a partir de janeiro de 2016, têm direito a uma diuturnidade de 22,00 € por cada três anos de permanência na mesma categoria profissional, até ao limite de 3 diuturnidades. 3- O disposto nos números anteriores não é aplicável aos trabalhadores de profissões ou categorias profissio- nais com acesso automático ou obrigatório. 4- As diuturnidades acrescem à retribuição efetiva. 5- Para efeitos de diuturnidades, a permanência na mesma categoria profissional contar-se-á desde a data do ingresso na mesma. 6- Porém, com a publicação deste contrato, o trabalhador apenas terá direito a uma primeira diuturnidade nos termos do números 1 e 2 ainda que o respetivo tempo de permanência na mesma profissão ou categoria profissional seja superior a três anos. 7- Quando o trabalhador ingresse noutra profissão ou categoria profissional aplica-se o disposto nos núme- ros 1 a 3 desta cláusula deixando de subsistir as anteriores diuturnidades. Ao trabalhador não pode, porém, ser diminuído o valor do montante global da retribuição efetiva anterior acrescido do valor das diuturnidades já vencidas à data da mudança de profissão ou categoria profissional. 8- Os trabalhadores que prestem serviço em regime de tempo parcial terão direito a diuturnidades na propor- ção do tempo de trabalho prestado relativamente ao horário de trabalho praticado na empresa. 9- O disposto nos números anteriores não prejudicará direitos adquiridos por força de regimes mais favorá- veis e já praticados à data da publicação do presente contrato. Cláusula 28.ª Subsídio de Natal 1- O trabalhador tem direito a subsídio de Natal de valor igual a um mês de retribuição, que deve ser pago até 15 de dezembro de cada ano. 2- Os trabalhadores admitidos depois de 1 de janeiro do ano a que se refere o subsídio têm direito a receber tantos duodécimos quantos os meses de trabalho prestado. 3- No caso da cessação ou suspensão do contrato de trabalho, o trabalhador terá sempre direito a receber um subsídio de Natal proporcional ao tempo de trabalho prestado no próprio ano da cessação ou da suspensão. 4- Para efeitos do disposto nos números 2 e 3 desta cláusula, considera-se como mês completo qualquer fração igual ou superior a 10 dias, além do número de meses completos. BTE 18 | 73 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 29.ª Subsídio de turnos 1- Os trabalhadores abrangidos por este CCT auferirão o subsídio de turnos que na empresa seja praticado para o pessoal da laboração, em igualdade de circunstâncias. 2- O subsídio de turnos anteriormente praticado nas empresas para os fogueiros fica expressamente revoga- do pela presente convenção, beneficiando aqueles apenas do subsídio previsto no número anterior. Cláusula 30.ª Abono para falhas Aos caixas, cobradores e aos trabalhadores que fizerem pagamentos e ou recebimentos é atribuído um abono mensal para falhas de 33,00 €, a pagar independentemente do ordenado. CAPÍTULO VI Suspensão da prestação de trabalho a) Descanso semanal e feriados Cláusula 31.ª Descanso semanal 1- O descanso semanal é ao domingo, havendo um dia de descanso complementar ao sábado. 2- Por acordo entre o trabalhador e a entidade empregadora, pode fixar-se o descanso complementar à se- gunda-feira, se as necessidades da empresa o impuserem, devendo, em caso de desacordo, a posição de cada uma das partes ser fundamentada por escrito. 3- Logo que a partir da vigência deste CCT, e num período de seis meses, seguidos ou interpolados, se atin- jam, em média, por cada trabalhador da mesma profissão vinte horas de trabalho suplementar ao sábado, esse facto justifica que o descanso complementar passe a ser fixado em alternativa, para parte dos trabalhadores ao sábado e segunda-feira. 4- Passando a trabalhar-se normalmente ao sábado, e havendo mais que um trabalhador da mesma profissão, elaborar-se-á uma escala de distribuição nos dias de sábado e segunda-feira por acordo dos trabalhadores. 5- Para efeito do cômputo da média de horas suplementares referidas no número 3 não é contabilizado o trabalho praticado em regime de turnos. Cláusula 32.ª Feriados São considerados feriados obrigatórios para os trabalhadores abrangidos por este contrato os seguintes dias: – 1 de Janeiro; – Terça-Feira de Carnaval; – Sexta-Feira Santa ou segunda-feira de Páscoa; – 25 de Abril; – 1 de Maio; – Corpo de Deus; – 10 de Junho; – 15 de Agosto; – 5 de Outubro; – 1 de Novembro; – 1 de Dezembro; – 8 de Dezembro; – 25 de dezembro; – Feriado municipal ou, na sua falta o feriado de tradição local ou de sede do distrito onde o trabalho é prestado. BTE 18 | 74 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 33.ª Retribuição do trabalho em dia de descanso semanal 1- O trabalho prestado em dia de descanso semanal obrigatório dá ao trabalhador o direito de descansar num dos três dias seguintes e a receber um acréscimo de 100 % sobre a sua retribuição normal. 2- Aplica-se ao serviço prestado nos feriados obrigatórios o disposto no número anterior quanto à retribui- ção. b) Férias Cláusula 34.ª Duração das férias 1- Todos os trabalhadores abrangidos por este contrato terão direito a gozar, em cada ano civil, e sem preju- ízo da retribuição normal, um período de férias de 22 dias úteis. 2- O direito a férias vence-se no dia 1 de janeiro do ano civil seguinte àquele a que diga respeito. 3- No ano da admissão e da cessação, os trabalhadores gozarão férias nos termos da lei. 4- O período de férias destinado a cada trabalhador será fixado por acordo entre este e a entidade emprega- dora. Em caso de desacordo, a entidade empregadora e a comissão sindical fixam as férias entre 1 de maio e 31 de outubro. 5- Os trabalhadores do mesmo agregado familiar que estejam ao serviço da mesma empresa gozarão, com acordo da entidade empregadora, as férias simultaneamente, se nisso aqueles tiverem conveniência. 6- A entidade empregadora elaborará obrigatoriamente um mapa de férias, que afixará nos locais de trabalho até 15 de abril do ano em que as férias vão ser gozadas. 7- Os trabalhadores poderão acumular dois anos de férias, desde que desejem gozá-las nas ilhas adjacentes ou no estrangeiro. 8- Sempre que num período de férias haja doença, devidamente comprovada pelos serviços médico-sociais, estas serão interrompidas, tendo o trabalhador direito ao gozo dos restantes dias logo após a alta ou em data a combinar entre as partes. 9- O período de férias não gozadas por motivo de cessação do contrato de trabalho conta sempre para efeitos de antiguidade. 10- A retribuição correspondente ao período de férias deverá ser paga antes do início das mesmas. 11- Poderá a entidade empregadora, mediante autorização do ministério responsável pela área laboral, en- cerrar total ou parcialmente o estabelecimento para efeitos de férias, nos termos legais. Cláusula 35.ª Subsídio de férias 1- Antes do início das suas férias os profissionais abrangidos por este contrato receberão das entidades em- pregadoras um subsídio, em dinheiro, igual à retribuição correspondente ao período de férias a que tenham direito, sem prejuízo da retribuição normal. 2- Este subsídio beneficiará sempre de qualquer aumento de retribuição que se efetue até ao início das férias. 3- A concessão, por qualquer motivo, de férias superiores às estabelecidas neste contrato, não confere aos profissionais o direito de receberem um subsídio maior do que o fixado nesta cláusula. Cláusula 36.ª Indemnização por férias não gozadas 1- A entidade empregadora que não cumprir total ou parcialmente a obrigação de conceder férias, pagará ao trabalhador, a título de indemnização, o triplo da retribuição correspondente ao tempo de férias que o tra- balhador deixaria de gozar, sem prejuízo do direito de o trabalhador gozar efetivamente as férias estipuladas neste contrato. 2- Cessando o contrato de trabalho, a entidade empregadora pagará ao trabalhador uma importância corres- pondente à remuneração das férias vencidas e não gozadas e das férias proporcionais ao serviço prestado no ano de cessação do contrato de trabalho, assim como os subsídios correspondentes a uma e outras, além das indemnizações a que tiver direito por efeito da cessação. 3- O disposto no número 1 desta cláusula não prejudica a aplicação das sanções em que a entidade patronal incorrer por violação nas normas reguladoras das relações de trabalho. BTE 18 | 75 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 37.ª Definição de falta 1- Por falta entende-se a ausência durante um dia de trabalho. 2- Nos casos de ausência durante períodos inferiores a um dia de trabalho os respetivos tempos serão adi- cionados, contando -se essas ausências como faltas na medida em que perfizerem um ou mais dias completos de trabalho. 3- Todas as faltas, salvo em caso de força maior, deverão ser participadas no próprio dia e, se possível, den- tro do primeiro período de trabalho, com exceção das referidas nas alíneas c) e g) do número 1 da cláusula 37.ª, as quais deverão ser participadas com a antecedência mínima de cinco dias, no primeiro caso, e pelo menos na véspera, no segundo. Cláusula 38.ª Faltas justificadas Consideram-se justificadas as faltas prévia ou posteriormente autorizadas pela entidade patronal ou seu representante para o efeito, bem como as motivadas por: a) Impossibilidade de prestar trabalho devido a facto não imputável ao trabalhador, nomeadamente obser- vância de prescrição médica no seguimento de recurso a técnica de procriação medicamente assistida, doença acidente ou cumprimento de obrigação legal; b) Prática de atos inerentes ao exercício de funções de cargos ou atividades sindicais, instituições de previ- dência ou quaisquer outros órgãos que legalmente representem os trabalhadores no interior da empresa; c) Casamento, durante 15 dias seguidos; d) Até 20 dias consecutivos, por falecimento de cônjuge não separado de pessoas e bens ou equiparado, filho ou enteado; e) Até cinco dias consecutivos, por falecimento de parente ou afim no 1.º grau na linha reta não incluídos na alínea anterior; f) Até dois dias consecutivos, por falecimento de outro parente ou afim na linha recta ou no 2.º grau da linha colateral; g) Prestação de provas de exame em estabelecimento de ensino, nos termos da legislação em vigor; h) A motivada pela prestação de assistência inadiável e imprescindível a filho, a neto ou a membro do agre- gado familiar, nos termos da legislação em vigor; i) A motivada por deslocação a estabelecimento de ensino de responsável pela educação de menor por mo- tivo da situação educativa deste, pelo tempo estritamente necessário, até quatro horas por trimestre, por cada um; j) Doação de sangue a título gracioso durante um dia e nunca mais de uma vez por trimestre; l) Até oito horas por mês, seguidas ou alternadas, para tratar de assuntos inadiáveis de ordem particular que não possam ser tratados fora do horário normal de trabalho; m) Prática de atos inerentes ao exercício das suas funções, aos trabalhadores bombeiros voluntários, em caso de sinistro ou acidente quando não haja equipa de prevenção na corporação respetiva; n) A de candidato a cargo público, nos termos da correspondente lei; o) A autorizada ou aprovada pelo empregador; p) A que por lei seja como tal considerada. Cláusula 39.ª Consequência das faltas justificadas ou autorizadas 1- A falta justificada não afeta qualquer direito do trabalhador, salvo o disposto no número seguinte. 2- Sem prejuízo de outras disposições legais, determinam a perda de retribuição as seguintes faltas justifi- cadas: a) Por motivo de doença, desde que o trabalhador beneficie de um regime de Segurança Social de proteção na doença; b) Por motivo de acidente no trabalho, desde que o trabalhador tenha direito a qualquer subsídio ou seguro; c) Por motivo de assistência a membro de agregado familiar; d) As previstas na alínea p) da cláusula anterior, quando excedam 30 dias por ano; e) A autorizada ou aprovada pelo empregador. 3- A falta prevista na alínea c) do número anterior é considerada como prestação efetiva de trabalho. BTE 18 | 76 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 40.ª Faltas não justificadas 1- As faltas não justificadas dão direito à entidade empregadora a descontar na retribuição a importância correspondente ao número de faltas, ou, se o profissional assim o preferir, a diminuir de igual número de dias o período de férias imediato, constituindo infração disciplinar quando reintegradas ou se o trabalhador previu as consequências da sua falta. 2- O subsídio de férias previsto na cláusula 34.ª não será reduzido quando haja diminuição do período de férias. Cláusula 41.ª Consequências por falta de veracidade dos factos alegados As faltas dadas pelos motivos previstos nas alíneas da cláusula 37.ª, quando não se prove a veracidade dos factos alegados, consideram-se como não justificadas, podendo constituir infração disciplinar grave. Cláusula 42.ª Impedimentos prolongados Quando o profissional esteja temporariamente impedido de comparecer ao trabalho por facto que lhe não seja imputável, nomeadamente exercício de funções estatais ou sindicais, doença ou acidente, e o impedimen- to se prolongue para além de 30 dias, mantém o direito ao lugar e à antiguidade. Cláusula 43.ª Tolerância no dia de aniversário 1- O trabalhador tem direito a dispensa do cumprimento do dever de assiduidade, desde que não ponha em causa o normal funcionamento da empresa, no seu dia de aniversário, sem perda de remuneração. 2- Nos casos que recai em dia de descanso obrigatório, descanso complementar, feriado ou tolerância o mesmo ocorre no dia útil seguinte. 3- Aos trabalhadores que nasceram a 29 de fevereiro, e em ano comum, deverá ser concedida dispensa ao serviço no dia 1 de março. 4- Caso a dispensa referida nos números anteriores não possa ser concedida por colocar em causa o normal funcionamento da empresa, a mesma será gozada, por acordo entre as partes, no prazo de 3 meses. CAPÍTULO VII Cessação do contrato de trabalho Cláusula 44.ª Cessação do contrato de trabalho Nesta matéria, as partes obrigam-se a respeitar a lei vigente e para esse efeito se reproduz a atual, nos números seguintes: I) Causas da cessação do contrato de trabalho pode cessar por: a) Mútuo acordo das partes; b) Caducidade; c) Despedimento promovido pela entidade empregadora com justa causa; d) Despedimento coletivo; e) Rescisão do trabalhador. II) Cessação do contrato por mútuo acordo das partes: 1- É sempre lícito à entidade empregadora e ao trabalhador fazerem cessar, por mútuo acordo, o contrato de trabalho, quer este tenha prazo ou não; 2- A cessação do contrato por mútuo acordo deve sempre constar de documento escrito, assinado por ambas as partes, em duplicado, ficando cada parte com um exemplar; 3- Desse documento podem constar outros efeitos acordados entre as partes, desde que não contrariem as leis gerais de trabalho; BTE 18 | 77 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 4- São nulas as cláusulas do acordo revogatório segundo as quais as partes declarem que o trabalhador não pode exercer direitos já adquiridos ou reclamar créditos vencidos; 5- No prazo de sete dias a contar da data da assinatura do documento referido no número 2 desta cláusula, o trabalhador poderá revoga -lo unilateralmente, reassumindo o exercício do seu cargo; 6- No caso de exercer o direito referido no número anterior, o trabalhador perderá a antiguidade que tinha à data do acordo revogatório, a menos que faça prova de que a declaração de revogar o contrato foi devida a dolo ou coação da outra parte. III) Cessação do contrato individual de trabalho por caducidade: 1- O contrato de trabalho caduca nos casos previstos nos termos gerais de direito, nomeadamente: a) Expirado o prazo por que foi estabelecido; b) Verificando-se impossibilidade superveniente, absoluta e definitiva de o trabalhador prestar o seu tra- balho ou de a empresa o receber; c) Com a reforma do trabalhador. 2- Nos casos previstos na alínea b) do número 1 só se considera verificada a impossibilidade quando am- bos os contraentes a conheçam ou devam conhecer. IV) Cessação do contrato de trabalho por despedimento promovido pela entidade empregadora: 1- São proibidos os despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos; 2- Verificando-se justa causa, o trabalhador pode ser despedido, quer o contrato tenha prazo, quer não; 3- Nas ações judiciais de impugnação de despedimento compete à entidade empregadora a prova da exis- tência de justa causa invocada. V) Justa causa de rescisão por parte da entidade empregadora: 1- Considera-se justa causa o comportamento culposo do trabalhador que, pela sua gravidade e consequ- ências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho; 2- Constituirão, nomeadamente, justa causa de despedimento os seguintes comportamentos do trabalha- dor: a) Desobediência ilegítima às ordens dadas por responsáveis hierarquicamente superiores; b) Violação de direitos e garantias de trabalhadores da empresa; c) Provocação repetida de conflitos com outros trabalhadores da empresa; d) Desinteresse repetido pelo cumprimento, com a diligência devida, das obrigações inerentes ao exercí- cio do cargo ou posto de trabalho que lhe esteja confiado; e) Lesão de interesses patrimoniais sérios da empresa; f) Prática intencional, no âmbito da empresa, de atos lesivos da economia nacional; g) Faltas não justificadas ao trabalho que determinem diretamente prejuízo ou riscos graves para a em- presa ou, independentemente de qualquer prejuízo ou risco, quando o número de faltas injustificadas atingir, em cada ano, 5 seguidas ou 10 interpoladas; h) Falta culposa da observância de normas de higiene e segurança no trabalho; i) Prática, no âmbito da empresa, de violências físicas, de injúrias ou outras punidas por lei sobre traba- lhadores da empresa, elementos dos corpos sociais ou sobre a entidade patronal individual não pertencentes aos mesmos órgãos, seus delegados ou representantes; j) Sequestro e em geral crimes contra a liberdade das pessoas referidas na alínea anterior; l) Incumprimento ou oposição ao cumprimento de decisões judiciais ou atos administrativos definitivos e executórios; m) Reduções anormais de produtividade do trabalhador; n) Falsas declarações relativas à justificação de faltas. VI) Nulidade do despedimento: 1- A inexistência de justa causa, a inadequação da sanção ao comportamento verificado e a nulidade ou inexistência do processo disciplinar determinam a nulidade do despedimento que, apesar disso, tenha sido declarado; 2- O trabalhador tem direito, no caso referido no número anterior, às prestações pecuniárias que deveria ter normalmente auferido desde a data do despedimento até à data da sentença, bem como à reintegração na empresa no respetivo cargo ou posto de trabalho e com a antiguidade que lhe pertencia; 3- Em substituição da reintegração, o trabalhador pode optar por uma indemnização de acordo com a res- petiva antiguidade e correspondente a um mês de retribuição por cada ano ou fração, não podendo ser inferior a três meses. VII) Cessação do contrato de trabalho por rescisão do trabalhador: 1- O trabalhador tem o direito de rescindir o contrato individual de trabalho, por decisão unilateral, deven- BTE 18 | 78 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 do comunicá-lo, por escrito, com o aviso prévio de dois meses; 2- No caso de o trabalhador ter menos de dois anos completos de serviço, o aviso prévio será de um mês; 3- Se o trabalhador não cumprir, total ou parcialmente, o prazo de aviso prévio pagará à outra parte, a título de indemnização, o valor da retribuição correspondente ao período do aviso prévio em falta; 4- O trabalhador poderá rescindir o contrato, sem observância de aviso prévio, nas situações seguintes: a) Necessidade de cumprir obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço; b) Falta culposa do pagamento pontual da retribuição, na forma devida; c) Violação culposa das garantias gerais e convencionais do trabalhador; d) Aplicação de sanção abusiva; e) Falta culposa de condições de higiene e segurança no trabalho; f) Lesão culposa de interesses patrimoniais do trabalhador ou a ofensa à sua honra e dignidade. 5- A cessação do contrato nos termos das alíneas b) e f) do número anterior, confere ao trabalhador o di- reito a uma indemnização de acordo com a respetiva antiguidade, correspondente a um mês de retribuição por cada ano ou fração, não podendo ser inferior a três meses; 6- O uso da faculdade conferida ao trabalhador no número 4, de fazer cessar o contrato sem aviso prévio e o pagamento da indemnização indicada no anterior, não exoneram a entidade patronal ou o gestor público da responsabilidade civil ou penal a que dê origem a situação determinante da rescisão. CAPÍTULO VIII Condições particulares de trabalho SECÇÃO I Igualdade de oportunidades Cláusula 45.ª Princípios gerais sobre igualdade Para efeitos desta convenção nenhum(a) trabalhador(a) pode ser prejudicado, beneficiado ou preterido no emprego, no recrutamento, no acesso, na promoção ou progressão na carreira ou na retribuição. Cláusula 46.ª Igualdade de retribuição Sempre que decorra da prestação de trabalho uma situação em que exista desrespeito pelo princípio cons- titucional de trabalho igual salário igual, segundo a natureza, a quantidade e a qualidade, a empresa está obri- gada a corrigir tal situação. SECÇÃO II Direitos parentais Cláusula 47.ª Parentalidade Nesta matéria aplica-se o disposto no regime legal vigente. SECÇÃO III Trabalhador-estudante Cláusula 48.ª Trabalhador-estudante 1- A entidade empregadora, ouvidos os delegados sindicais e os trabalhadores da secção respetiva, dispensa- BTE 18 | 79 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 rá o trabalhador, sem prejuízo da retribuição, até uma hora e meia por dia, quando dela justifique necessidade para assistir às aulas, tendo em atenção o tempo gasto na viagem e a tomada de refeição. A entidade empre- gadora concederá ainda o gozo interpolado do período de férias, conforme as conveniências do trabalhador. 2- Os estudantes podem, sem perda de retribuição, faltar nos dias de prestação de provas de exame no dia imediatamente anterior. 3- A entidade empregadora poderá retirar as regalias consignadas nesta cláusula desde que, por informação da entidade competente, se não comprove o aproveitamento do trabalhador-estudante ou quando a continuada ausência às aulas, se as houver, determine a sua reprovação. CAPÍTULO IX Previdência, abono de família e regalias sociais Cláusula 49.ª Nesta matéria as empresas obrigam-se a cumprir as regalias já concedidas aos trabalhadores, com caráter permanente ou regular, quer por sua iniciativa, quer por disposição legal ou convencional, anteriormente aplicáveis. Cláusula 50.ª Subsídio de refeição 1- Todos os trabalhadores abrangidos por este contrato têm direito a um subsídio diário de refeição. 2- O valor do subsídio de refeição é de 6,75 € diários e será pago sempre que o trabalhador preste um míni- mo de quatro horas de serviço. 3- A entidade patronal, em vez do pagamento daquele subsídio, pode fornecer, em espécie, o almoço ou o jantar. CAPÍTULO X Disciplina Cláusula 51.ª Infração à disciplina 1- Considera-se infração disciplinar a violação pelo trabalhador dos princípios e obrigações impostos pelo presente contrato, bem como pelos respetivos contratos individuais de trabalho. 2- A infração disciplinar prescreve decorrido um ano sobre a data em que teve lugar. Cláusula 52.ª Poder disciplinar A entidade empregadora tem e exerce o poder disciplinar, ou diretamente ou através dos superiores hierár- quicos, sob a sua direção e responsabilidade, sobre os trabalhadores que se encontrem ao seu serviço de acordo com as normas estabelecidas na lei e no presente contrato. Cláusula 53.ª Processo disciplinar Sem prejuízo do que está estabelecido na lei para outras formas processuais, o processo disciplinar ordiná- rio deverá obedecer aos seguintes requisitos: 1- O processo disciplinar deve iniciar-se até 30 dias após aquele em que a entidade patronal ou o superior hierárquico com competência disciplinar teve para conhecimento da infração. 2- a) O processo será escrito, devendo a acusação ser fundamentada e comunicada ao trabalhador através de nota de culpa, remetida em carta registada com aviso de receção para a sua residência habitual conhecida da entidade empregadora, com a descrição dos comportamentos que lhe são imputados; b) Se, porém, o trabalhador estiver ausente da sua residência habitual por motivo de férias, doença ou outro BTE 18 | 80 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 atendível e desde que demonstrado, o prazo referido no número 3 só se iniciará após o regresso à sua residên- cia; c) Não poderá ser elaborada mais de uma nota de culpa relativamente aos mesmos factos ou infração. 3- O trabalhador pode consultar o processo e apresentar a sua defesa por escrito no prazo máximo de 10 dias úteis após a receção da nota de culpa nos termos do número anterior, sob pena de após esse prazo não ser considerada. 4- É obrigatória a realização das diligências requeridas pelo trabalhador ou outras que se mostrem razoavel- mente necessárias para o esclarecimento da verdade, salvo se as mesmas forem manifestamente dilatórias ou sejam potencialmente inúteis ou injustificadas. 5- O número máximo de testemunhas a inquirir é de 10, podendo o trabalhador arrolar 5 e a entidade em- pregadora outras 5. 6- Quando o processo estiver completo será presente, conforme os casos, à comissão de trabalhadores, à comissão intersindical, à comissão sindical ou ao delegado sindical, sempre que existam e pela indicada ordem de preferência, ou ao sindicato respetivo, nas empresas em que não existir qualquer daquelas entidades, que deverá pronunciar -se no prazo de quatro dias úteis após a receção. 7- A entidade empregadora ou seus representantes e aquele ou aqueles pelos mesmos designados como ins- trutores do processo disciplinar deverão ponderar todas as circunstâncias, fundamentar a decisão e referenciar na mesma as razões aduzidas pela entidade mencionada no número anterior que se tiver pronunciado. 8- A decisão só pode ser proferida decorridos 10 dias sobre o termo do prazo fixado no antecedente número 6 e deve ser comunicada por escrito ao trabalhador interessado, dela devendo constar, nomeadamente, os fun- damentos considerados provados. 9- A falta de audição pessoal do trabalhador interessado e de entrega ao mesmo da decisão final nos termos do número anterior, bem como o não início do processo nos termos do número 1, constitui nulidade insuprível do procedimento disciplinar, acarretando a nulidade do respetivo processo. 10- Iniciado o procedimento disciplinar, pode a entidade empregadora suspender a prestação de trabalho, se a presença do trabalhador se mostrar inconveniente mas não lhe é lícito suspender o pagamento da retribuição. 11- A suspensão referida no número anterior não poderá ultrapassar a data da decisão. 12- Os danos, designadamente os não patrimoniais, provocados ao trabalhador pelo exercício ilegítimo do poder disciplinar das empresas ou superiores hierárquicos, com intenção de vexar o trabalhador, serão indem- nizados nos termos gerais de direito. Cláusula 54.ª Sanções disciplinares 1- As sanções disciplinares são as seguintes: a) Repreensão; b) Repreensão registada; c) Suspensão do trabalho com perda de remuneração; d) Despedimento sem qualquer indemnização ou compensação. 2- A suspensão do trabalho não pode exceder, por cada infração, 5 dias e, em cada ano civil, o total de 15 dias. 3- A sanção disciplinar deve ser proporcionada à gravidade da infração e à culpabilidade do infrator não podendo aplicar-se mais do que uma pela mesma infração. 4- Não é permitido aplicar à mesma infração penas mistas. Cláusula 55.ª Caducidade da ação e prescrição da ação disciplinar A responsabilidade disciplinar prescreve ao fim de 12 meses a contar do momento em que se verificou a pretensa infração ou logo que cesse o contrato individual de trabalho. Cláusula 56.ª Comunicação das sanções Com exceção da repreensão simples, as sanções disciplinares, com indicação dos respetivos fundamentos, serão obrigatoriamente comunicadas ao sindicato, no prazo máximo de oito dias. BTE 18 | 81 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cláusula 57.ª Recurso Com exceção da repreensão simples, de todas as sanções disciplinares cabe recurso para o tribunal do trabalho competente. Cláusula 58.ª Sanções abusivas Consideram-se abusivas as sanções disciplinares aplicadas pelo facto de um trabalhador: a) Haver reclamado individual ou coletivamente contra as condições de trabalho; b) Recusar-se a cumprir ordens a que, nos termos da lei e deste contrato, não deva obediência; c) Recusar-se a prestar trabalho extraordinário quando o mesmo não lhe possa ser exigido; d) Ter prestado informações a quaisquer organismos com funções de vigilância ou fiscalização do cumpri- mento das leis do trabalho; e) Ter declarado ou testemunhado, com verdade, contra as entidades empregadoras, em processo disciplinar ou perante os tribunais ou qualquer outra entidade com poderes de inspeção ou fiscalização; f) Exercer, ter exercido ou candidatar-se ao exercício das funções de dirigente, delegado ou membro de comissões sindicais ou de trabalhadores; g) Em geral, exercer, ter exercido, pretender exercer ou invocar direitos ou garantias que lhe assistem. Cláusula 59.ª Presunção de abusividade Presume-se abusiva, até prova em contrário, a aplicação de qualquer sanção disciplinar sob a aparência de punição de outra falta, quando tenha lugar até seis meses após os factos referidos na cláusula anterior. CAPÍTULO XI Deslocações Cláusula 60.ª Princípio geral 1- Entende-se por deslocação em serviço a realização temporária de trabalho fora do local habitual. 2- Entende-se por local habitual de trabalho o estabelecimento em que o trabalhador presta normalmente serviço ou a sede ou a delegação da empresa a que está adstrito, quando o seu local de trabalho não seja fixo. 3- O trabalhador só é obrigado a realizar deslocações que sejam estritamente necessárias, podendo, no en- tanto, recusar-se a efetuá-las, invocando razões ponderosas. 4- O ponto anterior não se aplica para os trabalhadores cujo âmbito das suas funções inclua a realização normal de deslocações. Cláusula 61.ª Pequenas e grandes deslocações 1- Consideram-se deslocações todas aquelas que, além de uma hora por cada percurso fora dos limites do horário normal e numa distância superior a 60 km, por estrada, não permitam a ida e regresso diário dos traba- lhadores ao seu local habitual de trabalho ou limites da zona de atividade. 2- Consideram-se pequenas deslocações em serviço as não compreendidas no número anterior. 3- Para efeitos do número 1, considera-se zona de atividade a área territorial em que normalmente o traba- lhador exerce as suas funções específicas. Cláusula 62.ª Direitos dos trabalhadores nas pequenas deslocações Os trabalhadores terão direito nas deslocações a que se refere a cláusula anterior: a) Pagamento das despesas de transporte do local de trabalho ao destino e regresso; b) Pagamento das refeições, devidamente documentadas, se ficarem impossibilitados de as tomar nas condi- BTE 18 | 82 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 ções em que normalmente o fazem, devendo, porém, ser deduzidos os subsídios de refeição a que porventura tenham já normalmente direito; c) As viagens de ida e regresso devem ser feitas dentro do horário normal de trabalho; d) Ao pagamento de cada quilómetro percorrido, cujo preço é obtido pelo produto do coeficiente 0,24 sobre o preço da gasolina super que vigorar, além de um seguro contra todos os riscos, quando o trabalhador utilizar normalmente o seu próprio veículo ao serviço da empresa, quando essa deslocação for esporádica, poderá o trabalhador exigir este seguro durante o tempo de deslocação. Cláusula 63.ª Garantias gerais dos trabalhadores nas grandes deslocações 1- São da conta das empresas as despesas de transporte e de preparação das deslocações referidas na cláusula anterior, nomeadamente passaportes e vacinas. 2- As empresas manterão inscritos na folha de pagamento da caixa de previdência, com tempo de trabalho normal, os trabalhadores deslocados. Cláusula 64.ª Grandes deslocações no Continente, ilhas e estrangeiro 1- As grandes deslocações no Continente, Ilhas e estrangeiro dão ao trabalhador direito: a) A retribuição que auferirem no local de trabalho habitual; b) Ajuda de custo de 70,00 € por dia de deslocação no Continente e Ilhas e de 120,00 € no estrangeiro, desde que pernoite fora do local da sua residência habitual quando não deslocado; c) Ao pagamento, durante o período efetivo da deslocação, dos transportes no local, de e para o serviço, alojamento e lavandaria e alimentação, deduzindo o subsídio de alimentação, se o houver, ou outras de idên- tica natureza, direta e necessariamente motivadas pela deslocação, umas e outras devidamente comprovadas; d) A 1 dia de folga, com retribuição, por cada período de 15 dias, seguidos de deslocação; e) A efetuar as viagens de ida e regresso dentro do horário normal de trabalho, havendo ordem em contrário, as horas excedentes serão pagas como trabalho extraordinário quando entre o local habitual de trabalho e o destino sejam utilizados exclusivamente transportes coletivos e o tempo de viagem e espera se prolongue para além do horário normal, serão as horas excedentes pagas como trabalho normal; f) No Continente, sendo necessário manter-se deslocado para além do descanso semanal, o trabalhador po- derá optar entre gozá-lo no local em que está deslocado ou regressar ao local habitual do seu descanso. Neste último caso, será interrompido o período de deslocação e o trabalhador receberá o valor das despesas inerentes às viagens de ida e regresso e refeição, sempre que necessário; g) Ao pagamento de cada quilómetro percorrido, conforme a alínea d) da cláusula 62.ª; h) Ao pagamento das viagens de regresso imediato e pela via mais rápida, no caso de falecimento ou doença grave, a comprovar, do cônjuge, ou pessoa com quem viva maritalmente, filhos ou pais. 2- Sempre que o trabalhador deslocado desejar, poderá requerer à empresa que a retribuição do seu trabalho ou parte dela seja no local habitual de trabalho e à pessoa indicada pelo trabalhador. 3- Os trabalhadores deverão justificar, por escrito, em impresso próprio da firma, as horas de trabalho pres- tado nas deslocações. Cláusula 65.ª Cobertura dos riscos de doença 1- Durante o período de deslocação, os encargos com assistência médica, medicamentosa e hospitalar que, em razão do local em que o trabalho seja prestado, deixem, sem culpa imputável ao trabalhador, de ser assegu- rados a este pela respetiva caixa de previdência ou não lhe sejam igualmente garantidos por qualquer entidade seguradora deverão ser cobertos pela empresa que, para tanto, assumirá as obrigações que normalmente com- petiriam àquelas entidades se o trabalhador não estivesse deslocado. 2- Durante os períodos de doença, comprovada por atestado médico, os trabalhadores terão direito ao pa- gamento da viagem de regresso, se esta for prescrita pelos médicos ou faltar no local a assistência médica necessária, bem como às regalias da cláusula 64.ª, enquanto se mantiverem deslocados. 3- Os trabalhadores deslocados, sempre que não possam comparecer ao serviço por motivo de doença, deve- rão avisar a empresa logo que possível, sem o que a falta deverá considerar-se injustificada. 4- Em caso de absoluta necessidade e só quando requerido pelos serviços clínicos em que o trabalhador esteja a ser assistido, como condição necessária para tratamento, a entidade patronal pagará as despesas com BTE 18 | 83 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 a deslocação de um familiar para o acompanhar, inclusive no regresso. 5- Em caso de morte do trabalhador em grande deslocação, a entidade patronal pagará todas as despesas de transporte e trâmites legais para a residência habitual. Cláusula 66.ª Inatividade do pessoal deslocado As obrigações das empresas para com o pessoal deslocado fora do local habitual subsistem durante os períodos de inatividade, cuja responsabilidade não pertença aos trabalhadores, se imediatamente e logo que possível for comunicada à entidade empregadora. Cláusula 67.ª Local de férias dos trabalhadores deslocados 1- Os trabalhadores têm direito de escolher o local de férias estipulado neste capítulo. 2- Se a escolha recair no local da residência habitual, o vencimento do trabalhador, durante o período das referidas férias, será o que ele teria direito a receber se não estivesse deslocado, acrescido do custo das viagens de ida e volta entre o local da deslocação e o da residência habitual. 3- Se a escolha recair sobre outro qualquer local, o vencimento do trabalhador durante o período das mesmas férias será o mesmo que ele esteve recebendo por força do disposto neste capítulo. 4- O tempo de viagem não será contado como férias se para o gozo delas o trabalhador tiver de regressar ao seu local habitual de trabalho. 5- Durante o período de deslocação, o trabalhador tem direito ao pagamento das viagens e ao pagamento do tempo gasto nesta para tratar de assuntos judiciais inadiáveis. CAPÍTULO XII Formação profissional Cláusula 68.ª Responsabilidade das empresas As empresas são responsáveis pelo aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores, devendo, para tanto: a) Respeitar o disposto na lei e neste contrato quanto a habilitações escolares mínimas; b) Aconselhar e, se possível, fomentar a frequência de cursos oficiais ou outros, facultando a frequência das aulas e preparação de exames nos termos deste contrato; c) Criar, sempre que possível, cursos de treino e aperfeiçoamento profissional; d) Conceder, sempre que possível, aos trabalhadores que o solicitem e mereçam, empréstimos destinados à frequência de cursos considerados de interesse para a empresa, reembolsáveis, no todo ou em parte, segundo acordo a fixar em cada caso, e ainda facilidades quanto ao horário de trabalho. Cláusula 69.ª Responsabilidades dos trabalhadores Os trabalhadores devem: a) Procurar aumentar a sua cultura geral e, em especial, cuidar do seu aperfeiçoamento profissional; b) Aproveitar, com o melhor rendimento possível, os diferentes meios de aperfeiçoamento postos à sua disposição. CAPÍTULO XIII Saúde e segurança no trabalho Cláusula 70.ª Princípios gerais É da responsabilidade das empresas instalar os trabalhadores ao seu serviço em boas condições de preven- BTE 18 | 84 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 ção, segurança e saúde no trabalho, bem como observar as condições necessárias para garantir a salubridade nos locais de trabalho. Cláusula 71.ª Comissão de segurança e saúde 1- Nas empresas em que tal se mostre necessário existirão comissões de segurança. 2- Cada comissão de segurança será composta por elementos designados pela empresa e por elementos elei- tos pelos trabalhadores para esse fim, em número igual e no mínimo de quatro no total. 3- As comissões de segurança serão coadjuvadas pelos elementos da empresa que julgarem necessários para o bom desempenho das suas funções. 4- A esta comissão compete verificar se é cumprida a legislação em vigor no estabelecido neste contrato, transmitir à empresa as deliberações e reivindicações quanto aos serviços em causa e tomar iniciativas neste campo, sempre sobre contínua aceitação e aprovação dos trabalhadores. 5- Não existindo comissão de segurança, a defesa das garantias dos trabalhadores nos campos da segurança e saúde compete à vigilância simultânea da entidade empregadora e dos próprios trabalhadores da empresa e particularmente a uma comissão eleita entre os trabalhadores para esse fim. Cláusula 72.ª Regulamento de segurança e saúde 1- A comissão prevista na cláusula anterior deverá elaborar, no prazo de três meses após a entrada em vigor deste contrato, o regulamento de segurança e saúde no trabalho e dos equipamentos e instalações, que entrará em vigor depois de aprovado pelo Ministério do Trabalho. 2- Do regulamento elaborado pela empresa devem constar, nomeadamente, as seguintes matérias: a) Nome, nacionalidade e domicílio da entidade patronal; b) Localização do estabelecimento industrial; c) Identificação do despacho de autorização de instalações e laboração do estabelecimento industrial; d) Modalidade ou modalidades industriais em exploração; e) Processo e diagramas de fabrico; f) Matérias-primas utilizadas; g) Aparelhos, máquinas e demais equipamentos; h) Dispositivos e meios previstos para suprimir ou atenuar os inconvenientes próprios da laboração; i) Instalações de segurança, de primeiros socorros e de caráter social; j) Sistema de abastecimento de água; k) Número de lavabos, balneários, instalações sanitárias e sua localização; l) Sistema e normas de prevenção de incêndios; m) Postos de trabalho que exigem luz e equipamento individual e sua discriminação; n) Formas de promover e dinamizar a formação dos trabalhadores nos aspetos de segurança e higiene no trabalho; o) Postos de trabalho que obrigam a normas específicas de prevenção de acidentes e doenças profissionais. 3- O conhecimento do regulamento de segurança é obrigatório para todos os trabalhadores. Para o efeito, a entidade patronal fornece, quando da sua entrada em vigor ou no ato de admissão, um exemplar do mesmo. Cláusula 73.ª Equipamento individual 1- Os fatos de trabalho, bem como qualquer tipo de equipamento de segurança e saúde que a comissão de segurança considere necessário, nomeadamente capacetes, luvas, cintos de segurança, máscaras, óculos e calçado impermeável, são encargo exclusivo da entidade empregadora, bem como as despesas de conservação inerentes ao seu uso normal, sendo o trabalhador responsável pelo equipamento a si distribuído. 2- O não acatamento das normas fixadas pela comissão de segurança quanto ao uso do equipamento distri- buído constitui infração disciplinar. BTE 18 | 85 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 CAPÍTULO XIV Atividade sindical Cláusula 74.ª As empresas obrigam-se a respeitar o estabelecido na lei, designadamente não interferindo na liberdade de inscrição dos trabalhadores no sindicato e na atividade sindical dentro da empresa. CAPÍTULO XV Questões gerais e transitórias Cláusula 75.ª Reclassificação profissional A entidade empregadora procederá, 60 dias após a publicação deste CCT, à atribuição das categorias e classes profissionais de acordo com as respetivas funções nele descritas, não se considerando válidas, para este efeito, quaisquer designações anteriormente utilizadas e agora não previstas neste CCT. Cláusula 76.ª Manutenção das regalias anteriores Salvo os casos especificamente previstos na lei, da aplicação do presente CCT não poderá resultar qualquer prejuízo para os trabalhadores, designadamente baixa de categoria ou classe, e, bem assim, diminuição de ordenado ou suspensão de qualquer outra regalia de carácter permanente existente à data da entrada em vigor do CCT. Cláusula 77.ª Prevalência de normas Com o presente CCT consideram-se revogadas todas as disposições de instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho anteriormente aplicadas a estes setores e que estejam expressamente reguladas neste CCT. Cláusula 78.ª Criação, extinção e reclassificação de categorias profissionais 1- São extintas as seguintes categorias: Porteiro e guarda. Se existiram trabalhadores classificados nestas categorias, são reclassificados na categoria profissional de contínuo (mais de 18 anos). 2- Os trabalhadores classificados nas categorias de segundo-escriturário, primeiro-escriturário e escriturário especializado são reclassificados nas categorias de assistente administrativo de 2.ª, assistente administrativo de 1.ª e técnico administrativo, respetivamente. ANEXO I Definição de funções Serviços administrativos Ajudante de guarda-livros - É o trabalhador que, sob a direção e responsabilidade imediata do guarda-li- vros ou de quem desempenha estas funções, executa alguns dos serviços enumerados na alínea anterior. Analista de sistemas - É o trabalhador que concebe e projeta, no âmbito do tratamento automático da informação, os sistemas que melhor respondam aos fins em vista, tendo em conta os meios de tratamento disponível; consulta os interessados a fim de recolher elementos elucidativos dos objetivos que se têm em vista; determina se é possível e economicamente rentável utilizar um sistema de tratamento automático de informação; examina os dados obtidos, determina qual a informação a ser recolhida, com que periodicidade e em que ponto do seu circuito, bem como a forma e frequência com que devem ser apresentados os resultados; determina as modificações a introduzir necessárias à normalização dos dados e as transformações e fazer na sequência das operações; prepara ordinogramas e outras especificações para o programador; efetua testes a fim BTE 18 | 86 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 de se certificar se o tratamento automático da informação se adapta aos fins em vista e, caso contrário, intro- duz as modificações necessárias. Pode ser incumbido de dirigir a preparação dos programas. Pode coordenar os trabalhos das pessoas encarregadas de executar as fases sucessivas das operações da análise do problema. Pode dirigir e coordenar a instalação de sistemas de tratamento automático da informação. Assistente administrativo - É o trabalhador de serviço geral de escritório ao qual, pela natureza das funções que exerce, não corresponde nenhuma das categorias anteriores, embora as apoie. Caixa - É o trabalhador que, no escritório, tem a seu cargo, ainda que interinamente, o serviço de recebi- mentos, pagamentos e guarda de dinheiro e valores. Chefe de centro de recolha de processamento de dados - É o trabalhador que, sob a dependência direta dos gestores ou administradores de empresa, superintende no trabalho de análise, funcional e de aplicação, colabora na análise de sistemas e tem a seu cargo a orientação dos restantes profissionais de informática da empresa, bem como a supervisão técnica e administrativa de todas as suas tarefas, e ao qual cabe a superior determinação de organização, recursos e funcionamento do centro de tratamento e recolha de dados da empre- sa. Gere as bibliotecas de programas, rotinas utilitárias e manuais técnicos dos fornecedores. Chefe de contabilidade/técnico de contas - É o trabalhador que organiza e dirige os serviços de contabili- dade e dá conselhos sobre problemas de natureza contabilística; estuda a planificação dos circuitos contabilís- ticos, analisando os diversos setores de atividade da empresa, de forma a assegurar uma recolha de elementos preciosos com vista à determinação dos custos e resultados da exploração; elabora o plano de contas a utilizar para a obtenção dos elementos mais adequados à gestão económico -financeira e cumprimento da legislação comercial e fiscal; supervisiona a escrituração dos registos e livros de contabilidade coordenando, orientando e dirigindo os empregados encarregados dessa execução; fornece os elementos contabilísticos necessários à definição da política orçamental e organiza e assegura o controlo da execução do orçamento; elabora e cer- tifica os balanços e outras informações contabilísticas a submeter à administração ou a fornecer a serviços públicos; procede ao apuramento de resultados dirigindo o encerramento das contas e elaboração do respetivo balanço, que apresenta e assina; elabora o relatório explicativo que acompanha a apresentação de contas ou fornece indicações para essa elaboração; efetua as revisões contabilísticas necessárias, verificando os livros ou registos para se certificar da correção da respetiva escrituração. Pode subscrever a escrita da empresa, sendo o responsável pela contabilidade das empresas do grupo A, a que se refere o Código da Contribuição Industrial, perante a Direção-Geral das Contribuições e Impostos. Nestes casos, é -lhe atribuído o título de habilitação profissional de «técnico de contas». Chefe de departamento ou chefe de divisão - É o trabalhador que dirige um departamento dos serviços sob a autoridade do chefe dos serviços administrativos ou chefe de escritório, tendo sob as suas ordens, normal- mente, um ou mais chefes de secção. Chefe de secção - É o trabalhador que coordena, dirige e controla o trabalho de um grupo de profissionais ou chefia escritórios, quando anexos a fábricas, filiais ou armazéns, salvo se o número de profissionais de escritório for inferior a cinco. Chefe dos serviços administrativos/chefe de escritório - É o trabalhador que superintende em todos os serviços administrativos, tendo sob as suas ordens, normalmente, dois ou mais profissionais das categorias previstas na alínea seguinte. Cobrador - É o trabalhador que efetua fora do escritório recebimentos, pagamentos e depósitos. Contínuo - É o trabalhador que anuncia, acompanha e informa os visitantes, faz entrega de mensagens e objetos inerentes ao serviço interno, estampilha e entrega correspondência, além de a distribuir. Controlador de aplicação - É o trabalhador que assegura a ligação do serviço de informática com os utilizadores, com vista ao correto funcionamento das aplicações no computador. Nomeadamente esclarece dúvidas, resolve erros e atualiza ficheiros-mestres. Controla e verifica a qualidade e exatidão dos documentos entrados e saídos de um sistema automatizado de informação. Correspondente em línguas estrangeiras - É o trabalhador que tem como principal função redigir e datilo- grafar correspondência num ou mais idiomas estrangeiros. Estagiário - É o trabalhador que auxilia o escriturário assistente administrativo e se prepara para esta função. Esteno-datilógrafo em línguas estrangeiras - É o trabalhador que nota em estenografia e transcreve em datilografia relatórios, cartas e outros textos em línguas estrangeiras. Pode, por vezes, utilizar uma máquina de estenotipia, datilografar papéis-matrizes (stencil) para a reprodução de textos e executar outros trabalhos de escritório. BTE 18 | 87 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Estenodactilógrafo em língua portuguesa - É o trabalhador que nota em estenografia e transcreve em da- tilografia relatórios, cartas e outros textos. Pode, por vezes, utilizar uma máquina de estenotipia, datilografar papéis-matrizes (stencil), para a reprodução de textos, e executar outros trabalhos de escritório. Datilógrafo - É o trabalhador que predominantemente executa trabalhos datilográficos minutados e re- gistados por outrem e, acessoriamente, serviço de arquivo, registo ou cópia de correspondência e serviço telefónico. Guarda-livros - É o trabalhador que, sob a direção imediata do chefe de contabilidade, se ocupa da escri- turação do memorial, diário e razão (livros ou mapas) ou o que, não havendo departamento próprio de conta- bilidade, superintende naqueles serviços e tem a seu cargo a elaboração dos balanços e escrituração dos livros selados, ou é responsável pela boa ordem e execução desses trabalhos. Inspetor administrativo - É o trabalhador que tem como principal função a inspeção de delegações, agên- cias, escritórios e empresas associadas, no que respeita à contabilidade e administração das mesmas. Operador de computador - É o trabalhador que opera e controla o computador, quer através da consola, quer através do equipamento periférico apropriado (cartões, banda, discos, etc.). Prepara o computador para a execução dos programas, nomeadamente através da introdução das instruções apropriadas necessárias à exe- cução. Tem a seu cargo a operação do equipamento periférico de entradas e saídas de dados, nomeadamente aquele que funciona online com a unidade central de processamento. Paquete - É o trabalhador menor de 18 anos que executa diversos serviços, tais como: anunciar visitantes, encaminhá-los ou informá-los, fazer recados, estampilhar e entregar correspondência e executar diversos ser- viços análogos. Programador de computador - É o trabalhador que estabelece programas que se destinam a comandar operações de tratamento automático da informação por computador; recebe as especificações e instruções preparadas pela análise de sistemas, incluindo todos os dados elucidativos dos objetivos a atingir; prepara os ordinogramas e procede à codificação dos programas; escreve instruções para o computador; procede a testes para verificar a validade do programa e introduz-lhe alterações sempre que necessário; apresenta os resultados obtidos sob a forma de mapas, cartões perfurados, suportes magnéticos ou por outros processos. (Pode forne- cer instruções escritas para o pessoal encarregado de trabalhar com o computador.) Programador mecanográfico ou de peri-informática - É o trabalhador que estabelece os programas de execução dos trabalhos mecanográficos para cada máquina ou conjunto de máquinas funcionando em interli- gação segundo as diretrizes recebidas dos técnicos mecanográficos; elabora organigramas de painéis e mapas de codificação, estabelece as fichas de dados e resultados. Pode ter a seu cargo a programação lógica das má- quinas de recolha de dados, minicomputadores de tarja magnética, minicomputadores de escritório, terminais ou qualquer outro tipo de máquinas periféricas programáveis. Rececionista - É o trabalhador que recebe clientes e dá explicações sobre os artigos, transmitindo indica- ções dos respetivos departamentos; assiste na portaria, recebendo e atendendo visitantes que pretendem en- caminhar-se para a administração ou para funcionários superiores ou atendendo outros visitantes, com orien- tação das suas visitas, transmitindo indicações várias. Poderá desempenhar serviços auxiliares de escritório. Secretário de direção - É o trabalhador que se ocupa do secretariado específico da administração ou di- reção da empresa. Entre outras, competem-lhe normalmente as seguintes funções: redigir atas das reuniões de trabalho; assegurar, por sua própria iniciativa, o trabalho de rotina diário do gabinete; providenciar pela realização das assembleias gerais, reuniões de trabalho contratos e escrituras. Técnico administrativo - É o trabalhador que, exclusiva e permanentemente, é encarregado de velar pela aplicação da legislação do trabalho, da previdência e fiscal e de assegurar o processamento dos respetivos en- cargos, bem como de recolher e elaborar elementos estatísticos exigidos pelas entidades oficiais ou solicitados pela empresa. Telefonista - É o trabalhador que opera numa cabina operadora ou central, ligando e interligando chamadas telefónicas e, sem sair do seu local de trabalho, realiza outros serviços relacionados com a sua função. Tesoureiro - É o trabalhador que dirige a tesouraria, em escritório em que haja departamento próprio, tendo a responsabilidade dos valores de caixa que lhe estão confiados; verifica as diversas caixas e confere as res- petivas existências; prepara os fundos para serem depositados nos bancos e toma as disposições necessárias para levantamentos, verifica periodicamente se o montante dos valores em caixa coincide com os que os livros indicam. Pode, por vezes, autorizar certas despesas e executar outras tarefas relacionadas com as operações financeiras. Trabalhador/a de limpeza - Trabalhador/a que, entre várias tarefas indiferenciadas, mantém as instalações em bom estado de limpeza. BTE 18 | 88 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Fogueiros Encarregado de fogueiro - O trabalhador que exerça as funções de encarregado terá uma retribuição de, pelo menos, 20 % acima da retribuição do profissional mais qualificado. Para que esta situação se verifique terá de existir no quadro de fogueiros o mínimo de três profissionais com esta categoria. As funções de encar- regado são dirigir os serviços, coordenar e controlar os mesmos, bem como toda a rede de vapor existente na central de vapor, tendo sob a sua responsabilidade os restantes fogueiros e ajudantes. Fogueiro - É o trabalhador que alimenta e conduz geradores de vapor, competindo-lhe, além do estabele- cido pelo Regulamento da Profissão de Fogueiro, aprovado pelo Decreto n.º 46 989, de 30 de abril de 1966, fazer beneficiação nos geradores, auxiliares e acessórios na central de vapor. ANEXO II Condições profissionais específicas I - Serviços administrativos A) Condições mínimas de admissão a) Profissionais de escritório - As habilitações mínimas para os profissionais de escritório são, em princípio, as do curso geral dos liceus, curso geral do comércio e cursos oficiais ou oficializados que tenham duração não inferior àqueles e preparem para o desempenho de funções da profissão, excetuando-se aqueles que, à data da entrada em vigor do presente CCT, já exerciam a profissão. A prova do exercício da profissão poderá ser feita mediante simples declaração do sindicato respetivo. A idade mínima é de 18 anos. b) Profissionais de informática - As habilitações exigíveis são os cursos apropriados de formação profissio- nal, ou formação prática profissional equivalente, devidamente comprovada. A idade mínima é de 18 anos. c) Cobradores - Idade mínima de 18 anos e habilitações mínimas legalmente exigíveis, ou exercício anterior da profissão, devidamente comprovado. d) Telefonistas - Idade mínima de 16 anos e habilitações com a escolaridade mínima obrigatória, ou exercí- cio anterior da profissão, devidamente comprovado; e) Paquete - Idade não inferior a 16 anos e habilitações com a escolaridade mínima obrigatória, ou exercício anterior da profissão, devidamente comprovado; f) Contínuos - Idade não inferior a 18 anos e habilitações com a escolaridade mínima obrigatória, ou o exer- cício anterior da profissão, devidamente comprovado. Nota - No que respeita às habilitações mínimas, a sua opinião não será obrigatória para as entidades empregadoras com estabeleci- mentos em concelhos onde não existam escolas que habilitem para os cursos referidos. B) Acesso obrigatório 1- Profissionais de escritório e correlativos: a) Têm acesso obrigatório à classe imediata os profissionais que completarem quatro anos no exercício em qualquer das classes seguintes: – Assistente administrativo de 2.ª; – Cobrador; – Telefonista; b) Os estagiários e os datilógrafos logo que completem 2 anos de estágio ou 21 anos de idade são promovi- dos a assistentes administrativos de 2.ª; c) Os paquetes, logo que completem 18 anos de idade, serão promovidos a contínuos, caso não tenham as habilitações necessárias para ingressarem na carreira de assistentes administrativos; d) O perfurador-verificador até quatro anos de permanência na categoria terá para efeitos de retribuição a equiparação, de quatro anos e mais anos, a assistente administrativo de 2.ª; e) Os cobradores de 2.ª classe são promovidos a cobradores de 1.ª no fim de quatro anos na classe de 2.ª; f) Os telefonistas de 2.ª serão promovidos a telefonistas de 1.ª no fim de quatro anos na classe de 2.ª Este regime não se aplica aos trabalhadores das empresas em que exista só uma classe de telefonistas por força da aplicação do anterior CCT, embora as novas admissões fiquem sujeitas ao regime ora estipulado. 2- Para efeitos do disposto nesta cláusula, nenhum profissional poderá ascender a mais de uma classe de cada vez, contando-se, no entanto, para essa promoção todo o tempo de permanência na categoria ou classe à data da entrada em vigor do contrato. BTE 18 | 89 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 II - Fogueiros 1- As categorias profissionais abrangidas por este CCT serão estabelecidas em obediência ao Regulamento da Profissão de Fogueiro, para a condução de geradores de vapor, aprovado pelo Decreto n.º 46 989, de 30 de abril de 1966. 2- É vedado às entidades patronais atribuir categorias inferiores às previstas neste CCT. 3- Não é permitido às empresas admitir ou manter ao seu serviço indivíduos que não estejam nas condições estabelecidas no regulamento da profissão para a condução de geradores de vapor. 4- Só poderão ser admitidos na profissão indivíduos com mais de 18 anos de idade e com a robustez física necessária para o exercício da mesma. III - Contagem de tempo Nas promoções, bem como nas equiparações, para efeitos de retribuição, previstos no presente anexo II, conta-se todo o tempo que o trabalhador tiver na classe ou categoria, incluindo o anterior à data da entrada em vigor do CCT. ANEXO III Tabela salarial (Em vigor de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2026) Níveis Categorias profissionais Retribuições (€) Chefe de centro de recolha de processamento de dados I Chefe de escritório 1 260,00 Chefe de serviços administrativos Analista de sistemas. Chefe de departamento Chefe de divisão II Tesoureiro 1 180,00 Inspetor administrativo Chefe de contabilidade Técnico de contas Chefe de secção III Contabilista (anteriormente guarda-livros) 1 135,00 Programador de computador Prog. mecanográfico ou de peri-informática Secretário de direção IV 1 090,00 Técnico administrativo (inclui o correspondente em línguas estrangeiras) Fogueiro-encarregado Caixa Controlador de aplicação Assistente administrativo de 1.ª V Estenodactilógrafo em línguas estrangeiras (extinta) 1 025,00 Operador de computador Ajudante de guarda-livros (extinta quando vagar) Fogueiro de 1.ª classe Cobrador de 1.ª classe Assistente administrativo de 2.ª VI Estenodactilógrafo em língua portuguesa (extinta quando vagar) 995,00 Fogueiro de 2.ª classe. Rececionista BTE 18 | 90 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 Cobrador de 2.ª classe VII Telefonista de 1.ª classe 960,00 Fogueiro de 3.ª classe Contínuo Datilógrafo (extinta quando vagar) VIII 935,00 Paquete Estagiário IX Trabalhador/a de limpeza 925,00 Declaração final dos outorgantes Para cumprimento do disposto na alínea g) do número 1 do artigo 492.º, conjugado com o artigo 496.º do Código do Trabalho, serão potencialmente abrangidos pela presente convenção coletiva de trabalho 42 empre- sas e 1780 trabalhadores. Lisboa, 7 de abril de 2026. Pela Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares (ANCIPA) (setor de confeitaria e conservação de fruta): Estêvão Miguel de Sousa Anjos Martins, mandatário. Pelo Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços - SITESE: José Augusto dos Santos, mandatário. Depositado a 28 de abril de 2026, a fl. 136 do livro n.º 13, com o n.º 86/2026, nos termos do artigo 494.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro. BTE 18 | 91 Boletim do Trabalho e Emprego 18 15 maio 2026 PRIVADO
Documento público reproduzido a partir da fonte oficial, com ligação canónica para a origem. Sem valor oficial. Para efeitos legais, consulte a fonte.