Autoridade Tributária e Aduaneira — informações vinculativas
Informação vinculativa n.º 29306
- Data
- 2026-03-10
- Meio processual
- INFORMAÇÃO VINCULATIVA
- Tipo
- CIRS
Sumário
Alienação de um bem imóvel específico e determinado e não do quinhão hereditário
Texto integral (827 palavras)
INFORMAÇÃO VINCULATIVA
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma: Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
Artigo/Verba: Art.10º - Mais-valias
Assunto: Alienação de um bem imóvel específico e determinado e não do quinhão hereditário
Processo: 29306, com despacho de 2026-03-09, do Chefe de Divisão da DSIRS, por
subdelegação
Conteúdo: O requerente solicita informação vinculativa sobre o enquadramento jurídico-tributário
de uma situação relacionada com a eventual exclusão de tributação das mais-valias
devidas pela alienação de um imóvel.
FACTOS:
O requerente refere que pretende vender o imóvel que recebeu conjuntamente com a
sua irmã, na sequência do falecimento dos seus pais, o qual refere ser o único bem da
herança.
Refere que pretendia que na escritura de compra e venda ficasse expresso tratar-se da
"venda do quinhão hereditário". No entanto, tal foi negado pelo notário com o argumento
de que o banco que iria financiar o comprador não aceita conceder financiamento para
compra de quinhão hereditário, mas apenas de um imóvel em concreto, o qual será
objeto de uma hipoteca, como garantia do empréstimo.
O objetivo do requerente será, no fundo, beneficiar da não sujeição a IRS dos ganhos
obtidos com a venda do imóvel, tendo em conta o novo entendimento de que "A
alienação de quinhão hereditário não configura "alienação onerosa de direitos reais
sobre imóveis", nos termos do artigo 10.º, n.º 1, alínea a) do Código do IRS, pelo que
não estão sujeitos a este imposto os eventuais ganhos resultantes dessa alienação".
INFORMAÇÃO:
1 - O acórdão do Supremo Tribunal Administrativo n.º 7/2025, de 29-04-2025, Processo
33/24.1BALSB, publicado do DR, 1ª. Série, n.º 107, de 04-06-2025, veio uniformizar a
jurisprudência no sentido de que "A alienação de quinhão hereditário não configura
"alienação onerosa de direitos reais sobre imóveis", nos termos do artigo 10.º, n.º 1,
alínea a) do Código do IRS, pelo que não estão sujeitos a este imposto os eventuais
ganhos resultantes dessa alienação".
2 - Em cumprimento do disposto no n.º 4 do artigo 68.º-A da Lei Geral Tributária, a AT
procedeu à revisão do seu entendimento nesta matéria, passando a considerar que os
ganhos decorrentes da alienação do direito à herança ou da alienação do quinhão
hereditário, ainda que a herança indivisa seja constituída apenas por um ou vários
imóveis, não estão sujeitos a tributação em sede de IRS, pois não configura "uma
alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis", nos termos do artigo 10.º, n.º
1, alínea a) do Código do IRS.
Processo: 29306
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INFORMAÇÃO VINCULATIVA
3 - Com vista ao cabal esclarecimento deste entendimento foi publicado o Ofício-
Circulado n.º 20281/2025, de 25 de julho.
4 - Desta instrução administrativa, julgamos ter interesse para esclarecimento da
questão colocada pela requerente, reproduzir os pontos 2 a 7:
2. "(...) este entendimento se aplica apenas quando decorrer inequivocamente da
escritura pública ou documento similar que se transmite o direito de um ou vários
herdeiros à herança ou ao quinhão hereditário, como um todo."
3. Com efeito, tendo presente o artigo 2124.º do Código Civil, o que o herdeiro transmite
é o direito à herança ou o direito de quinhão hereditário, que consiste na quota-parte
ideal que um sucessível detém numa herança indivisa (herança aceite, mas ainda não
partilhada).
4. Assim, a alienação da herança ou a alienação do quinhão hereditário tem por objeto a
universalidade de bens e direitos (um todo) que compõem a herança indivisa ou o
quinhão hereditário e não qualquer direito individual sobre os bens ou direitos que
integram a herança, passando o adquirente a ocupar a posição que cabia ao herdeiro
na herança, sendo-lhe transmitidos os direitos inerentes, nomeadamente de exercer os
direitos relativos à gestão da herança ou exigir a sua partilha.
5. Não obstante, podem ocorrer outras situações, que com esta não se confundem, em
que são alienados bens específicos e determinados que compõem a herança indivisa,
conjuntamente por todos os herdeiros, enquanto ato de disposição nos termos do artigo
2091.º, n.º 1 do Código Civil.
6. Ora, nestes casos, em que os herdeiros alienam um bem imóvel específico e
determinado da herança indivisa, não estamos já perante a alienação do direito à
herança ou do direito ao quinhão hereditário, mas antes perante uma transmissão de
um bem em concreto cujos ganhos decorrentes da venda constituem mais-valias
tributáveis em sede da categoria G de IRS, nos termos gerais.
7. Assim, o presente entendimento aplica-se apenas quando, inequivocamente, a
situação de facto corresponda à alienação onerosa do direito à herança ou do quinhão
hereditário que integre bem imóvel."
5 - Deste modo, considerando o explanado no ponto anterior, entende-se que, caso
conste da escritura que está a ser alienado um imóvel em concreto, e não o direito à
herança ou ao quinhão hereditário, os ganhos decorrentes da alienação do referido
imóvel constituem mais-valias tributáveis em sede da categoria G do IRS, nos termos do
disposto na alínea a) do n.º 1 do artigo 10.º do Código do IRS, declaráveis no anexo G,
da declaração modelo 3.
Processo: 29306
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