Autoridade Tributária e Aduaneira — informações vinculativas
Informação vinculativa n.º 24558
- Data
- 2025-01-03
- Meio processual
- INFORMAÇÃO VINCULATIVA
- Tipo
- CIRS
Sumário
Reinvestimento - alienação de imóvel que não é HPP na data de venda, por situação de conflito conjugal com intervenção judicial
Texto integral (881 palavras)
INFORMAÇÃO VINCULATIVA
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma: Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
Artigo/Verba: Art.10º - Mais-valias
Assunto: Reinvestimento - alienação de imóvel que não é HPP na data de venda, por situação de
conflito conjugal com intervenção judicial
Processo: 24558, com despacho de 2024-05-10, do Subdiretor-Geral da Área Gestão Tributária -
IR, por delegação
Conteúdo: Pretende a requerente que lhe seja prestada informação vinculativa sobre a
suscetibilidade de indicar o reinvestimento dos ganhos de mais-valias, obtidos pela
venda judicial de imóvel no ano de 2023, o qual terá de ser declarado em 2024.
Informa a requerente que, pelo facto de ter alterado a sua morada fiscal do imóvel
alienado antes da venda, ficaria impossibilitada de proceder ao reinvestimento. No
entanto, este facto foi por motivo de força de maior, devido a perseguição e maus tratos
contra a sua pessoa e sua filha, por parte do seu ex-marido xxxx. E que para não
continuar a sofrer maus tratos psicológicos foi obrigada a sair de sua casa, sita na
xxxxx, alterando a sua morada fiscal para a yyyyy, ficando impedida de entrar na
residência anterior. Posteriormente, o imóvel em causa foi liquidado em venda judicial.
O pedido veio acompanhada de documentos comprovativos da situação descrita.
INFORMAÇÃO
1. Nos termos da al. a) do n.º 5 do artigo 10.º do Código do IRS (CIRS), são excluídos
de tributação os ganhos provenientes da transmissão onerosa de imóveis destinados a
habitação própria e permanente do sujeito passivo ou do seu agregado familiar, se, no
prazo de 36 meses, contados da data de realização, o valor da realização, deduzido da
amortização do eventual empréstimo contraído para a aquisição do imóvel, for
reinvestido na aquisição da propriedade de outro imóvel exclusivamente com o mesmo
destino.
2. Para o efeito, o adquirente tem que afetar o imóvel adquirido para o mesmo fim
(habitação própria e permanente), ou seja, afetar à sua habitação própria e permanente
ou do seu agregado familiar (alterando o domicílio fiscal para a morada do imóvel
adquirido), até decorridos 12 meses após o termo do prazo em que o reinvestimento
deva ser efetuado (n.º 6 do artigo 10.º do CIRS).
3. No caso em apreciação, à data da transmissão do imóvel, a requerente não tinha
domicilio nesta morada, uma vez que, devido a circunstâncias de força maior, teve que
residir noutra morada.
4. Conforme documentação apresentada a requerente contraiu matrimónio com xxxx, a
x/x/2000, dissolvido por divórcio decretado em x/x/2019.
5. O imóvel gerador da mais valia (sito na xxxx, descrito na Conservatória do Registo
Predial de xxxx, sob o n.º xxxx, inscrito na matriz sob o artigo xxxx), teve por destino a
casa de morada de família (conforme consta da Ata de tentativa de conciliação).
6. Na ata de conciliação das partes (que não foi possível), foi decretado o divorcio sem
consentimento do outro cônjuge, e acordado que a casa de morada de família ficaria
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atribuída ao cônjuge marido.
7. No Processo de Divisão de Coisa comum, foi decido declarar a indivisibilidade da
fração autónoma designada pela letra "X", sito na xxxx, descrito na Conservatória do
Registo Predial de xxxx, sob o nº xxxx, inscrito na matriz sob o artigo xxxx e, fixar
quotas na proporção de metade a cada cônjuge.
9. Foi requerido pelo ex-marido ao Tribunal Judicial da Comarca de XXXX, a proposta
da venda do prédio de Divisão de Coisa Comum, no valor de xxx.xxx,xx euros, sendo a
mesma aceite.
10. Assim, constata-se que o imóvel gerador da mais-valia foi destinado a habitação
própria e permanente pelo menos desde 1998, tendo a requerente alterado o seu
domicilio fiscal em 2018, ou seja, desde o momento em que foi obrigada a sair de casa,
tendo a respetiva sentença declarado a dissolução do matrimónio e decretado o
divorcio, cujo casamento tinha sido contraído a x/x/2000.
11. Não se afigura que o facto da requerente ter deixado de residir no imóvel (por
motivos de força maior), que constituía a casa de morada de família, até à sua
venda/partilha em 2022 e, na sequência de divisão de coisa comum em que o mesmo
foi adquirido pelo outro cônjuge, se possa concluir que não tenha direito ao beneficio da
exclusão tributária consagrada no n.º 5 do artigo 10.º do Código do IRS, uma vez que
estaria em causa o principio da igualdade, permitindo apenas a um dos ex-cônjuges o
acesso à exclusão tributária.
12. Atendendo a que a requerente não adquiriu um outro imóvel, considera-se que o
imóvel alienado, por divisão de coisa comum e tendo sido adquirido pelo outro cônjuge
em 2022, tinha como destino a habitação própria e permanente da requerente, pese
embora não coincidir com o seu domicilio fiscal nos anos que antecederam a
transmissão, por motivos atendíveis e justificados e pelo período que intermediou a
separação (2018) e divórcio (2019).
13. Deste modo, a requerente poderá beneficiar da exclusão tributária consagrada no
n.º 5 do artigo 10.º do CIRS, desde que se encontrem reunidos todos os requisitos
legais estabelecidos para o efeito, da situação de reinvestimento.
14. Mais se esclarece que, a alienação/adjudicação do imóvel ocorreu em 2022,
conforme despacho Divisão de coisa comum, pelo que a venda deverá ser indicada no
anexo G da declaração modelo 3 de IRS referente a 2022.
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