Parte geralTítulo IV · Sociedades anónimasCapítulo II · Obrigações e direitos dos accionistasSecção III · Direito à informação

Artigo 291.ºDireito colectivo à informação

Pertence ao Código das Sociedades Comerciais (DL n.º 262/86, de 02 de Setembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece o direito de accionistas com uma participação significativa (10% ou mais do capital) de solicitar informações sobre os negócios da empresa ao conselho de administração. A empresa é obrigada a responder por escrito no prazo de 15 dias. O direito tem limites: a empresa pode recusar informações se tiver fundado receio de que o accionista as use contra a empresa ou para prejudicar outros accionistas, se a divulgação puder danificar a empresa, ou se violar segredos protegidos por lei. Quando o accionista quer investigar a responsabilidade de gestores ou fiscais, a empresa tem menor margem de recusa. As informações divulgadas ficam acessíveis a todos os accionistas na sede. O accionista que abuse das informações para causar dano injusto responde legalmente.

Quando se aplica — exemplos práticos

Pedido de informações sobre responsabilidade gestora

Um accionista com 15% do capital suspeita que os administradores fizeram investimentos prejudiciais à empresa. Envia pedido escrito solicitando documentação sobre essas decisões, indicando que pretende investigar responsabilidade. A empresa não pode simplesmente recusar alegando sigilo comercial — tem obrigação de responder detalhadamente no prazo de 15 dias.

Recusa legítima de informações confidenciais

Um accionista com 12% solicita cópias de negociações pendentes em sigilo com um potencial comprador. A empresa pode legitimamente recusar, pois a divulgação prejudicaria relevantemente a sociedade. Deve comunicar a recusa por escrito dentro de 15 dias, justificando a razão.

Accionista usa informações para concorrência desleal

Um accionista obtém informações sobre clientes e estratégia comercial através de pedido legítimo, mas depois utiliza-as para beneficiar uma empresa concorrente em que é sócio. A empresa pode responsabilizá-lo judicialmente por dano injusto causado pelo uso abusivo das informações.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Os accionistas cujas acções atinjam 10% do capital social podem solicitar, por escrito, ao conselho de administração ou ao conselho de administração executivo que lhes sejam prestadas, também por escrito, informações sobre assuntos sociais. 2 - O conselho de administração ou o conselho de administração executivo não pode recusar as informações se no pedido for mencionado que se destinam a apurar responsabilidade de membros daquele órgão, do conselho fiscal ou do conselho geral e de supervisão, a não ser que, pelo seu conteúdo ou outras circunstâncias, seja patente não ser esse o fim visado pelo pedido de informação. 3 - Podem ser pedidas informações sobre factos já praticados ou, quando deles possa resultar a responsabilidade referida no n.º 2 deste artigo, de actos cuja prática seja esperada. 4 - Fora do caso mencionado no n.º 2, a informação pedida nos termos gerais só pode ser recusada: a) Quando for de recear que o accionista a utilize para fins estranhos à sociedade e com prejuízo desta ou de algum accionista; b) Quando a divulgação, embora sem os fins referidos na alínea anterior, seja susceptível de prejudicar relevantemente a sociedade ou os accionistas; c) Quando ocasione violação de segredo imposto por lei. 5 - As informações consideram-se recusadas se não forem prestadas nos 15 dias seguintes à recepção do pedido. 6 - O accionista que utilize as informações obtidas de modo a causar à sociedade ou a outros accionistas um dano injusto é responsável, nos termos gerais. 7 - As informações prestadas, voluntariamente ou por decisão judicial, ficarão à disposição de todos os outros accionistas, na sede da sociedade.
269 palavras · ID 524A0291
Assistente jurídico TOGA

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