Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)
Este artigo estabelece as regras sobre o que cada um — partes e tribunal — pode considerar durante um processo judicial. Em primeiro lugar, são as partes (quem está a processar) que têm de explicar os factos importantes do seu caso: o motivo pelo qual estão em tribunal e as razões das suas defesas. Não podem esperar que o juiz descubra tudo sozinho. Porém, o juiz não fica limitado apenas ao que ouve das partes. Pode também considerar factos que surjam durante o julgamento, factos públicos e bem conhecidos, e informações que já possui pelo seu trabalho. Além disso, o juiz tem total liberdade para investigar e aplicar a lei — não está preso às argumentações das partes sobre questões jurídicas. Esta regra equilibra a responsabilidade das partes em apresentar o seu caso com o poder do juiz de chegar à verdade e fazer justiça.
João alega que comprou um carro a Maria por 5.000€ e pagou, mas ela não lhe entregou. Maria deve apresentar factos específicos: recebeu o dinheiro? Entregou o carro? Durante o julgamento, o juiz pode considerar documentos encontrados (recibos, transferências bancárias) e factos notórios (por exemplo, se o carro estava realmente registado em nome de Maria).
Um trabalhador alega despedimento discriminatório. A empresa alega faltas graves. O juiz examina os factos que ambos apresentam, mas também pode investigar registos de assiduidade, testemunhas, e relatórios internos surgidos na instrução. Não fica limitado apenas à narrativa de cada parte. Aplica a lei laboral independentemente do que as partes argumentem.
Um vizinho alega perturbações sonoras à noite. O outro nega. O juiz aprecia os testemunhos e documentos apresentados, mas também pode basear-se em factos que descubra durante a audiência, registos da polícia, ou até sua própria observação da acústica do edifício mencionada por peritos durante o julgamento.
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Este conteúdo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas do seu caso, consulte um advogado qualificado inscrito na Ordem dos Advogados. A TogaAI é uma ferramenta de apoio à prática jurídica e não substitui o julgamento profissional de um advogado.