Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)
Este artigo estabelece as regras sobre quando e como um procurador (pessoa autorizada a agir em nome de outro) pode delegar as suas responsabilidades noutra pessoa. A regra principal é que não pode fazê-lo livremente — precisa de autorização expressa do representado, ou essa faculdade deve estar prevista na própria procuração. Se a substituição for permitida, o procurador original não desaparece automaticamente; continua envolvido, a menos que as partes decidam o contrário. O procurador primitivo só responde se tiver sido negligente na escolha do substituto ou nas instruções que lhe deu. Além disso, o procurador pode sempre usar ajudantes para executar tarefas, desde que a natureza do acto o permita e não haja proibição.
João autoriza a sua mãe a vender um apartamento em seu nome, mas a procuração não permite delegação. A mãe não pode contratar um advogado para fazer a venda em seu lugar sem autorização adicional de João. Se o fizer sem permissão, age ilegalmente. Se João depois autorizar, a mãe responde apenas se tiver escolhido um advogado manifestamente incompetente.
Uma empresa autoriza um gestor a assinar contratos, mas não permite delegação. O gestor pede a um colega que assine um contrato no seu lugar. Sem autorização da empresa, esta delegação é inválida. O gestor fica responsável por ter delegado indevidamente, podendo a empresa exigir indemnização pelos danos causados.
Um advogado tem procuração para redigir e apresentar uma petição judicial. Pode usar estagiários para ajudar na investigação e redacção do documento, porque esta delegação é auxiliar e própria da natureza do acto. Não é uma verdadeira substituição, mas complemento legítimo da execução.
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