Livro IParte GERALTítulo I · Das leis, sua interpretação e aplicaçãoCapítulo III · Direitos dos estrangeiros e conflitos de leisSecção I · Disposições gerais

Artigo 21.ºFraude à lei

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo protege contra tentativas de contornar deliberadamente as leis através de manobras artificiais. Aplica-se quando uma pessoa ou entidade cria situações falsas ou manipuladas com o objetivo explícito de evitar que uma certa lei se aplique. O tribunal ignora estas situações fraudulentas e aplica a lei que seria normalmente competente, como se a fraude não tivesse ocorrido. Por exemplo, se alguém muda artificialmente de residência apenas para escapar a obrigações legais, ou constitui uma empresa fictícia para contornar regulações, o tribunal não reconhece essas manobras. O artigo garante que ninguém consegue usar esquemas falsos para se livrar de responsabilidades legais legítimas. É uma salvaguarda importante contra abusos e manipulações do sistema jurídico, assegurando que a lei funciona de forma justa e que não é possível burlá-la através de artifícios.

Quando se aplica — exemplos práticos

Mudança de residência para evitar pensão alimentícia

Um pai muda ficticiamente para o estrangeiro, transferindo bens para evitar pagar pensão alimentícia. O tribunal não reconhece esta mudança fraudulenta e mantém as obrigações legais em Portugal, aplicando a lei portuguesa que seria competente sem esta manobra artificial.

Constituição de empresa offshore para evitar impostos

Um comerciante português constitui uma empresa em offshore apenas para contornar obrigações fiscais e laborais em Portugal. A administração fiscal ignora esta estrutura fraudulenta e aplica as normas tributárias portuguesas que se aplicariam se a fraude não existisse.

Mudança de nacionalidade para contornar herança

Alguém adquire artificialmente outra nacionalidade semanas antes de uma sucessão, para submeter a herança a outra lei menos favorável aos credores. O tribunal desconsidera este artifício e aplica a lei portuguesa competente no momento anterior à fraude.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
Na aplicação das normas de conflitos são irrelevantes as situações de facto ou de direito criadas com o intuito fraudulento de evitar a aplicabilidade da lei que, noutras circunstâncias, seria competente
31 palavras · ID 775A0021
Assistente jurídico TOGA

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