Parte geralTítulo IV · Sociedades anónimasCapítulo VII · Publicidade de participações e abuso de informações

Artigo 447.ºPublicidade de participações dos membros de órgãos de administração e fiscalização

Pertence ao Código das Sociedades Comerciais (DL n.º 262/86, de 02 de Setembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo obriga os administradores e membros dos órgãos de fiscalização das sociedades anónimas a divulgarem publicamente todas as suas participações em acções e obrigações da empresa, bem como qualquer transacção que façam (compra, venda, penhor, etc.). A obrigação abrange também as participações do cônjuge, filhos menores e pessoas que detenham valores em nome do administrador. As comunicações devem ser feitas por escrito dentro de 30 dias após a designação ou após cada transacção, e depois divulgadas no relatório anual da administração. O objectivo é garantir transparência e evitar conflitos de interesse. Quem faltar culposamente a esta obrigação pode ser destituído do cargo. A lei inclui contratos de promessa de compra e outros que produzam efeitos semelhantes, mesmo que ainda não concluídos, e aplica-se também a transacções em bolsa.

Quando se aplica — exemplos práticos

Administrador compra acções da sua empresa

Um administrador adquire 1.000 acções da sociedade em bolsa. Tem 30 dias para comunicar por escrito à administração e fiscalização quantas acções detém, o número de acções compradas, a data da transacção e quanto pagou. Este facto aparecerá depois no relatório anual da administração.

Comunicação de bens do cônjuge

A esposa de um membro do conselho de administração herda obrigações da empresa. O administrador é obrigado a comunicar esta situação em 30 dias, como se fossem suas próprias obrigações, porque a lei considera os bens do cônjuge não separado.

Promessa de compra de acções

Um fiscal celebra um contrato promessa para comprar acções da empresa num prazo de 6 meses. Embora a compra ainda não se tenha concretizado, a lei considera este contrato como equivalente a uma aquisição e obriga à comunicação imediata dentro de 30 dias.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Os membros dos órgãos de administração e de fiscalização de uma sociedade anónima devem comunicar à sociedade o número de acções e de obrigações da sociedade de que são titulares, e bem assim todas as suas aquisições, onerações ou cessações de titularidade, por qualquer causa, de acções e de obrigações da mesma sociedade e de sociedades com as quais aquela esteja em relação de domínio ou de grupo. 2 - O disposto no número anterior é extensivo às acções e obrigações: a) Do cônjuge não separado judicialmente, seja qual for o regime matrimonial de bens; b) Dos descendentes de menor idade; c) Das pessoas em cujo nome as acções ou obrigações se encontrem, tendo sido adquiridas por conta das pessoas referidas no n.º 1 e nas alíneas a) e b) deste número; d) Pertencentes a sociedade de que as pessoas referidas no n.º 1 e nas alíneas a) e b) deste número sejam sócios de responsabilidade ilimitada, exerçam a gerência ou algum dos cargos referidos no n.º 1 ou possuam, isoladamente ou em conjunto com pessoas referidas nas alíneas a), b) e c) deste número, pelo menos metade do capital social ou dos votos correspondentes a este. 3 - Às aquisições ou alienações referidas nos números anteriores equiparam-se os contratos de promessa, de opção, de reporte ou outros que produzam efeitos semelhantes. 4 - A comunicação deve ser feita: a) Relativamente a acções e obrigações possuídas à data da designação ou eleição, nos 30 dias seguintes a este facto; b) Nos 30 dias seguintes a algum dos factos referidos nos n.os 1 e 3 deste artigo, mas sempre a tempo de ser dado cumprimento ao disposto no n.º 5. 5 - Em anexo ao relatório anual do órgão de administração, será apresentada, relativamente a cada uma das pessoas referidas no n.º 1, a lista das suas acções e obrigações abrangidas pelos n.os 1 e 2, com menção dos factos enumerados nesses mesmos números e no n.º 3, ocorridos durante o exercício a que o relatório respeita, especificando montante das acções ou obrigações negociadas ou oneradas, a data do facto e a contrapartida paga ou recebida. 6 - São abrangidas pelo disposto neste artigo as aquisições e alienações em bolsa e as que porventura estejam sujeitas a termo ou condição suspensiva. 7 - As comunicações são feitas, por escrito, ao órgão de administração e ao órgão de fiscalização. 8 - A falta culposa de cumprimento do disposto nos n.os 1 e 2 deste artigo constitui justa causa de destituição.
420 palavras · ID 524A0447
Assistente jurídico TOGA

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