Livro IV · DIREITO DA FAMÍLIATítulo III · Da filiaçãoCapítulo II · Efeitos da filiaçãoSecção II · Responsabilidades ParentaisSubsecção III · Responsabilidades parentais relativamente aos bens dos filhos

Artigo 1889.ºActos cuja validade depende de autorização do tribunal

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece uma proteção importante para os menores de idade: os pais, enquanto representantes legais dos filhos, não podem praticar certos actos que envolvam o património do menor sem prévia autorização do tribunal. A restrição aplica-se a decisões financeiras e patrimoniais significativas — como vender ou penhorar bens, contrair empréstimos, entrar em sociedades, aceitar heranças com encargos, ou assumir dívidas alheias. O objectivo é evitar que os pais causem danos económicos aos filhos ou comprometam o seu futuro financeiro. Existem excepções: não precisa autorização para vender coisas que se deterioram naturalmente, nem para aplicar dinheiro do menor em investimentos. Qualquer acto praticado pelos pais sem esta autorização pode ser posteriormente anulado, protegendo assim os interesses patrimoniais dos menores.

Quando se aplica — exemplos práticos

Venda de um imóvel do menor

Os pais do João, de 15 anos, querem vender a casa que ele herdou do avó. Ainda que sejam os representantes legais, não podem fazer isso sem autorização prévia do tribunal. O tribunal avaliará se a venda é realmente vantajosa para o menor, garantindo que o dinheiro resultante fica protegido.

Contrato de empréstimo

A mãe da Maria, menor de idade, pretende fazer um empréstimo bancário usando o nome da filha como garante. Esta operação requer autorização judicial prévia. O tribunal verifica se existe realmente interesse legítimo do menor em participar nesta dívida.

Aceitação de herança com encargos

O avó do Pedro deixa-lhe uma herança que inclui imóveis com dívidas associadas. Os pais não podem aceitar esta herança com esses encargos sem ordem do tribunal. Assim protege-se o menor de ficar responsável por débitos que o prejudiquem economicamente.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1. Como representantes do filho não podem os pais, sem autorização do tribunal: a) Alienar ou onerar bens, salvo tratando-se de alienação onerosa de coisas susceptíveis de perda ou deterioração; b) Votar, nas assembleias gerais das sociedades, deliberações que importem a sua dissolução; c) Adquirir estabelecimento comercial ou industrial ou continuar a exploração do que o filho haja recebido por sucessão ou doação; d) Entrar em sociedade em nome colectivo ou em comandita simples ou por acções; e) Contrair obrigações cambiárias ou resultantes de qualquer título transmissível por endosso; f) Garantir ou assumir dívidas alheias; g) Contrair empréstimos; h) Contrair obrigações cujo cumprimento se deva verificar depois da maioridade; i) Ceder direitos de crédito; j) Repudiar herança ou legado; l) Aceitar herança, doação ou legado com encargos, ou convencionar partilha extrajudicial; m) Locar bens, por prazo superior a seis anos; n) Convencionar ou requerer em juízo a divisão de coisa comum ou a liquidação e partilha de patrimónios sociais; o) Negociar transacção ou comprometer-se em árbitros relativamente a actos referidos nas alíneas anteriores, ou negociar concordata com os credores. 2. Não se considera abrangida na restrição da alínea a) do número anterior a aplicação de dinheiro ou capitais do menor na aquisição de bens.
204 palavras · ID 775A1889
Assistente jurídico TOGA

Ainda com dúvidas sobre Artigo 1889.º (Actos cuja validade depende de autorização do tribunal)?

Faz a tua pergunta em linguagem natural. A IA pesquisa em legislação consolidada e jurisprudência portuguesa e devolve resposta fundamentada com referências.

Grátis para começar · sem cartão de crédito

Aviso Legal

Este conteúdo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas do seu caso, consulte um advogado qualificado inscrito na Ordem dos Advogados. A TogaAI é uma ferramenta de apoio à prática jurídica e não substitui o julgamento profissional de um advogado.